quinta-feira, setembro 01, 2005

Angie

Ao som de Mick Jagger, dizem que na Alemnha a direita volta ao poder...


capa do disco de 1973 do Rolling Stones: Angie

quarta-feira, agosto 31, 2005

a questão da idade...

As glosadas brincadeiras que Soares nos brindou com o seu espirito, devem fazer vêr ao partido que ele fundou, que este foi o ultimo momento para alertar o definhamento de recursos e quadros que o PS urgentemente devia inverter. Faltam novos protagonismos e os mais antigos esbarraram no seu total esgotamento.
Quem está velho não é Soares, mas sim os que agora acorrem a rodeá-lo sem perceber a seriedade dos motivos que o levaram à candidatura.
Mas atenção, esta será a melhor batalha dos ultimos anos e permitirá uma grande reflexão sobre política actual.

Aos 81 anos disse assim este candidato presidencial

« Portugueses de aquém e de além mar! A todos me dirijo no momento de ter sido entregue, segundo os preceitos legais, ao Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a apresentação da minha Candidatura à Presidência da República.
Solicitações instantes, vindas de toda a parte, acumulando-se há mais de um ano à minha volta, com entusiasmo crescente, destruíram em mim as hesitações que de começo formulara.
Carecia, na realidade, de convencer me de que nenhum mal podia advir, com a minha Candidatura, à Pátria que estremeço e que pelo contrário dela algum bem podia resultar.
Este convencimento existe hoje, depois que pude auscultar a opinião democrática e liberal do País, e depois que a sua unidade de vistas a meu respeito se tornou um facto, suficientemente atestado pela qualidade, número e distribuição territorial dos cidadãos que apoiaram e subscreveram, honrando-me sobremaneira, as listas da minha apresentação.
Nestas listas ficam representados, sem dúvida, credos políticos e religiosos diversos, podendo ir a diversidade até à oposição, como nelas figuram individualidades das mais distintas em saber, ao lado de trabalhadores bem modestos. O quadro não pode ser mais expressivo, nem mais perfeita pode ser a fusão em volta de um ideal político de emergência que, de momento, se impõe à consciência da Nação: Ideal desvinculado de todo o partidarismo, alheio a todo o espírito sectário e com autêntico cunho nacional.
(...)
Quais são, segundo os compreendo, os pontos de vista e propósitos comuns do povo português, materializados nesta apresentação de candidatura?
Vou enumerá-los com a maior concisão possível e nas minhas palavras nada haverá que possa ofender ou irritar, pois que no povo a que pertenço só vejo vontade de harmonia, de respeito mútuo e de vida pacífica.
I - Cansado de divergências internas, o povo português deseja que todos os habitantes de Portugal sejam acima de tudo portugueses; que a tolerância e o respeito pela pessoa humana os ligue a todos e permitam a cada um viver a sua vida sem o terror desmoralizante da incerteza.
II - Hoje mais do que nunca quer Portugal marcar o lugar a que tem direito no mundo, engrandecer-se e prestigiar-se, manter ciosamente as suas independência e soberania fundamentais e cooperar internacionalmente para a consolidação da paz universal, servindo-se para tanto do seu espírito empreendedor, do seu génio colonizador e da sua bondade natural que só injustiças e violências podem alterar.
(...)
Lisboa, Julho de 1948.
NORTON DE MATOS »

Aí está.

Com um belo discurso apresentou-se o candidato Mário Soares. A mim falta-me limar uma aresta....



30 Anos de Poesia


Algo tinha que escrever sobre o "tema" do dia

Mas, este triste episódio, não me merece mais do que reproduzir o que escrevi numa caixa de comentários do Blasfémias.

Talvez alguém, aqui, queira discutir este tema "à esquerda"
___________________________________________________

Eu tinha avisado:

".....Não pensem que o Alegre favorece a "direita" que isso é uma treta.
Mas se pensam mesmo que isso é um facto então calem-se que o homem pode ouvir, julgar que é verdade e então já não concorre...."

O mal é o Alegre ler o Blasfémias.

Acreditou que ia dividir o PS (como se daí viesse algum mal ao mundo)
Acreditou que ia dividir "a esquerda" (como se daí viesse algum mal ao mundo)
Acreditou que a sua candidatura ia favorecer o Cavaco, o que é o maior dos disparates.

Decidiu não concorrer, prestou um grande serviço a Cavaco, à "direita" e ao "aparelho do PS".

Ainda bem que não se candidatou, pois a sequência dos seus comportamentos, culminando com a suprema manifestação de incoerência de ontem, tem demonstrado (a quem ainda tivesse dúvidas) que, ao pé dele (e ao pé do Cavaco) afinal o Mário Soares é um jovem, de raciocínio lúcido.

Triste país, tristes partidos e triste "democracia"

António Moreira

terça-feira, agosto 30, 2005

anti-spam


Os blogs tem sido objecto de discussão, nomeadamente por obterem um crescimento constante. Como é evidente também sofrem as consequências disso. Ultimamente aparece por aqui uns comentários, feitos na lingua dos bifes, que a gente até vai dominando bem, que irritam um santo e impedem a construção divertida e bem sucedida que às vezes temos conseguido nos comentários. Nós no SEDE damos especial importância aos comentários, em primeiro porque permitem um espécie de "atalho epistemológico" (com a segunda porta de entrada no sitio), em segundo porque animam a interactividade entre quem escreve e quem lê, e, finalmente porque impede que os textos sejam respostas a textos e respostas a respostas. Se repararem bem os blogues mais atractivos são os que evitam o ping pong dos seus autores, providenciando sempre assuntos diferentes e opiniões mais individualizadas e menos pedaços de uma discussão em constante continuidade. Acaba-se a discussão, quando se acabam os comentários, morre de cansaço, ou de sentido, ou de outra coisa qualquer.

Por isso preocupamo-nos em incentivar a iniciativa e os comentários no nosso blogue. Quando nos enviam textos via emaile (clicando no nosso nome), só por raros casos, de falta de interesse e/ou sentido do texto, não publicamos. Infelizmente temos recebidos poucos contributos, mas creio que isso pode mudar.

Deste modo a partir de agora quem fizer comentários tem que passar pelo argumento de segurança do blogger, escrevendo uma palavra que aparece no ecrã para que o comentário seja aceite. Dizem que evita estes textos a dizer em inglês que o blogue é o máximo, por isso compra viagra, ou visita o site da Linda.

Esperamos a vossa compreensão, e especialmente que esta iniciativa não diminua a participação habitual.

Sobre futebol

É nesta espécie de inicio de ano que os fãs do desporto chutado mais se perdem com as iniciativas dos seus clubes, as façanhas dos novatos, as mudanças dos planteis e os comentários da malta. Os desportivos vendem mais, os comentadores em geral são sempre os mesmos.
Os apoiantes do FCP geralmente animavam particularmente as hostes, revelando o afã estilo portuense, defendendo com garra o seu clube e atacando com frontalidade as insinuações nunca provadas que a troupe lisboeta gosta de incidir sobre os Dragões, ou Andrades como eles dizem, que a mim não me chateia nada. Melhor ser chamado de Andrade que de Mouro, pelo menos sempre fico na duvida se esse Andrade não era o nome que vinha antes de Henriques, em vez de ser o de um ex-presidente do clube. Mais a mais, nestes tempo de AlQaeda se o mundo topa a alcunha portuguesa dos sulistas ainda desenvolve uma investigação especial.
Vem isto a propósito dos programas de comentários nas televisões sobre futebol. Um dos grandes supostos representantes do meu clube é o Guilherme de Aguiar. Pois bem, fico entediado com as suas análises, nem esboço sorriso com as suas graçolas soft e muito menos suporto a sua infindável paciência para ouvir a discussão entre os outros dois. É o tipo que está ali a mais, o terceiro membro, o aspirante a consensual.
Bem sei que a SIC faz de propósito, porque não interessa promover um portista de jeito e aquele assim é que está bem, mas o mal é que ninguém denuncia que o objectivo deste profissional do Desporto e da política está mal naquele papel. Muito menos servirá para presidente da Liga ou da Federação (objectivos que devem guiar-lhe a postura). Ainda por cima não parece do Norte.


...!

segunda-feira, agosto 29, 2005

Desánimo portugués

Hace tiempo que los portugueses andan desanimados. El ver arder, por tercer verano consecutivo, sus bosques ha reforzado estos días una introspección interna en un país profundamente deprimido y que no parece poder salir de su malestar. Se le amontonan los problemas y carece, cuando más lo necesitaría, de proyecto de país. La separación entre la clase política y la ciudadanía alimenta este pesimismo.
Los incendios, afortundamente apagados -en parte gracias a una ejemplar colaboración europea-, han puesto de forma desgraciada el foco sobre un campo abandonado por los jóvenes, sobre la desintegración acelerada del mundo rural, y sobre la falta de ordenamiento territorial. Portugal ha cambiado profundamente, para bien, aunque en el camino se olvidó de ese mundo rural. Pero el proceso de modernización y de crecimiento económico con la democratización y la entrada en la hoy Unión Europea ha sido a todas luces positivo, como en España.
Desde hace un quinquenio, ha entrado en una senda en la que no acaba de encontrarse. La economía, a la baja desde 2000, entró en recesión a finales de 2002, y desde entonces no remonta. Ante el encarecimiento del precio del petróleo, ni siquiera se podrá cumplir la tímida previsión del Banco de Portugal de un crecimiento del 0,5% del PIB este año. Mientras, crece el desempleo, del 4,1% en 2001 al 7,2% en la actualidad. Las recetas que han aplicado los diversos Gobiernos no han hecho sino engordar el Estado -hasta un 6,8% del PIB, casi el doble de lo permitido por la pertenencia al euro-, y los impuestos a los ciudadanos.
La depresión tiende a devorar a sus dirigentes, y la crisis de gobernabilidad la alimenta. Antonio Guterres tiró la toalla. Durao Barroso se marchó a Bruselas, y su sucesor, Pedro Santana Lopes, cayó en el caos administrativo. La victoria de José Sócrates ha despertado esperanzas, pero también el joven socialista ha sufrido en carne propia los últimos acontecimientos y, previsiblemente, pagará un precio, aumentado en las zonas devastadas por el fuego, en las municipales de octubre. Tan profunda parece la crisis política, que Mario Soares, a sus 80 años, que lo ha sido todo en Portugal, se ha propugnado como candidato a las elecciones presidenciales de enero, y la derecha mira a Anibal Cavaco Silva como posible contrincante. Son símbolos del pasado, y su candidatura es reflejo de que la nueva generación no ha llenado plenamente el hueco.
Portugal, sin embargo, se recuperará. Si hace unos años logró ponerse en forma para entrar en el euro, puede hacerlo de nuevo y afrontar los nuevos desafíos con el esfuerzo de todos y mediando un gran consenso nacional. Aunque los niveles de confianza de los agentes económicos tienden a empeorar, las empresas están haciendo grandes pasos en su reestructuración. La sociedad civil comienza a despertar y a movilizarse. Es de esperar que logre provocar un cambio en la forma de gobernar y un empuje para las inaplazables, y duras, reformas estructurales que Portugal no puede demorar más. Pero, ante todo, lo que los portugueses deben recuperar, y hay motivos para ello, es ilusión.

in EL PAÍS - Opinión - 28-08-2005

Lucian Freud em alta

Interior in Paddington (1951) do neto de Sigmund Freud

o combate que vale a pena vêr

Todos sabem (pelo menos os que aqui se vão dando ao trabalho de me lerem) que nunca apreciei o(s) mandato(s) presidencial de Sampaio. Acho até que a acidez que às vezes me chega às teclas poderia ser fruto de uma antipatia congénita ou assim, pelo que deveria retemperá-la.
Na verdade, lembro-me disto a propósito da discussão entre Helena Matos e Maria João Seixas no Público, onde a primeira critica a condecoração de Bono, com Sampaio em ar de ir jogar golfe, enquanto depois dá um raspanete aos privados porque descobriu ao final de 10 anos de mandatos que não se limpam as matas. E que a malta tá cheia de dinheiro para pagar a um tarefeiro a 10 € hora para limpar a caruma da terrenagem. A outra indigna-se e insinua um passado fachista.
Depois leio que Soares ficou chateado com o facto de ele chamar Cavaco para ficar bem com todos. Depois soube que criticam as férias do Sócrates mas as do Presidente népias.
Enfim, julgo que Bono merece respeito pelo discurso, mas dispensa ajudar à imagem “cool” de um presidente de um pequeno País europeu. E se o assunto merecesse mais relevância, então que não fosse feito no intervalo da viagem entre o Aeroporto e Alvalade 21, com o Sampaio a seguir atrás com a comitiva para o camarote.
Ainda por cima não esqueço a história das datas da 2001, a falta na inauguração do Dragão, a falta de respeito ao FCP, que pelos vistos é muito menos do que a Catarina Furtado, a Ana Malhoa e outro que tais.

E finalmente acho que sempre vou tendo razão, pois um presidente que vive na "espuma dos dias" (expressão que alguns sedentos tem aplicado a outras situções), criticando a actualidade politica, sem lançar uma reflexão social profunda quando o país precisa dela, não merece melhor critica, do que a má critica. A feroz critica.
Fico feliz, por outro lado, pois acho que as próximas presidenciais vão ser a batalha politica mais interessante dos últimos 10 anos. Será o embate entre o paleio de economista e a visão da politica como encontro de ideias. O confronto sempre vantajoso dos números sobre a fogosidade dos argumentos, a luta da racionalidade contra a emoção e estratégia.
Será o debate da idade contra a juventude, e vice versa. Será a discussão entre as principais personagens do espectro politico do ultimo quarto de século.
Os outros, incluindo Guterres, Barroso, Lopes, Freitas, Sampaio, Constâncio, Marcelo, concorrem aos óscar de actores secundários, pois não marcaram a sua época, apesar dos mais altos cargos que almejem.

Já agora, leiam a entrevista da Fátima Bonifácio, habitual colunista que vem defendendo a crise de regime. Diz ela que deviam acabar as juventudes partidárias, que os círculos uninominais devem ser mesclados com outros a bem da protecção ao caciquismo habitual e que as maiorias, ainda que absolutas baseadas em mentiras não tem a força politica que poderia (deveria) ter. Merece reflexão, pois os 2 últimos governos a isso nos forma habituando.

É uma causa nossa essa a do Soares

Vital Moreira, no muito falado causa nossa, faz, de forma lapidar e serena uma abordagem à posição de Alegre com a qual concordo.
Se por um lado é verdade que as candidaturas presidenciais são um acto civico de uma individualidade(s), não deixa de ser significativo que eles devem por razão de bom senso aceitar as decisões dos partidos que os promovem. Alegre foi na politica o que o PS construiu e não o ceontrário, ou seja, não lhe é devido especial favor pela construção do partido. Dizer que ajudou a democracia é pouco, pois vive disso há 30 anos sem nenhum lugar executivo.


domingo, agosto 28, 2005

Retorno

Acabaram-se-me as férias! Na verdade foi o primeiro ano em que senti a responsabilidade de deixar o blog num quase silêncio, nomeadamente quando muito havia por dizer. Valha-nos a diversidade (Antonio Moreira), porque os outros sedentos também coincidiram no Agosto de lazer. Sinceramente, para os pobres desgraçados (ou corrigindo, para os felizes e realizados) que todo o ano trabalham, acho indispensável os 15 dias de total abstinência e descanso. Logo eu que nem sequer faço uso dos natais na neve e das páscoas nas brandoas muradas da sul-américa (mas respeito quem o faz!).
No entanto mantive a minha mania de compulsivamente lêr os vários jornais e o acompanhamento da actualidade fi-lo por aí. Digo-o assim porque tirando as futeboladas não consegui digerir as horas de televisão sobre incêndios – já deitava fumo e não fiquei mais informado. Li por exemplo no Publico um estudo sobre incendiários onde a procura de caracterização do seu perfil, ou pelo menos da sistematização de comportamentos, não se conseguia fazer a não ser num denominador comum – a televisão – essa atracção pelo acto e pelo voyeurismo da sua prossecução. Dizia até que nalguns países as imagens estavam proibidas (ou pelo menos desaconselhadas. Havia até um depoimento de um vulgar cidadão que viu neste anos o incêndio da sua mata do ano passado a passar com outro rodapé, referindo-o como um incêndio de hoje, enfim, a blogosfera segundo sei, tem tratado bem o tema.
Aproveito a boleia do éter para referir no mesmo jornal o texto de Vital Moreira sobre a importância dos blogues, já referida noutro post, onde assinala a potencialidade de nos transformarmos no 5º poder. Ora bem, que a blogosfera caminha para algum lado é evidente, mas nã tenho a certeza que o caminho seja o indicado pelo VM, na verdade fascina a transformação agora operada com esta história dos telefones através da internet. Só falta a net absorver a televisão....
Cá por casa sobra o Paulo Morais, o Bolhão, as férias do Rio enquanto Assis manteve a campanha, a tal sondagem secreta que indica uma muito forte recuperação, as confusões das listas, o Soares, Cavaco e as tricas internas dos partidos. Começo pelas ultimas para dizer que não valem muitas palavras, um dia destesno rescaldo das autarquicas vamos vêr as coisas a alterarem-se e os vorazes a altivarem os seus habituais esquemas.
Sobre o resto sei menos do que a maioria que nos lê. O JN no Algarve não tem noticias do norte, a sua secção de política é má. O Publico lá traz qualquer coisita, a conta-gotas, nomeadamente com a propensão de uma ou outro jornalistas de ajudarem o Rui Sá. O Local Norte resume-se a uma coluna, misturada com assaltos em Algés e tiros em Sacavém, etc... O Dn é o que se sabe, bom, mas pouco regional e sobrou a Visão, numa semana o Miguel Carvalho fala sobre a biografia do Rio e na seguinte a esperada bomba de Morais.
Morais tem razão em boa parte do que diz. Branquinho não deve ser por acaso que se importunou, e, só faltou falarem de um ou outro assessore(s) que, “dizem” angariar amizades nos citados por Morais.
O que Morais não disse é porque é que só veio dizer o que disse depois de ser afastado das listas. Ou então se ficasse nas listas, se acha que isso era suficiente para guardar a cidade desses ladrões que ele não denunciou! Ou melhor ainda, como queria ser candidato por um partido como o que ele descreve. Ou por exemplo, tudo o que se insinuou sobre Cardoso, vai-se a vêr e cabe que nem uma luva à malta do PSD! Por isso os mamarrachos que eles aprovaram na Galiza, Na Foz velha com o Gil e o Soares da Costa, no Bom Sucesso, no Central Parque, na Boavista, etc.,etc.. E na altura nem sequer havia parque da cidade.
É que exemplos daqueles ( malta a engendrar esquemas de fazer pela vida), encontram-se em todos os partidos, facilmente nos da direita, e mais dissimulados nos da esquerda, como foi o caso da 2001. No meio, no bloco central, encontra-se de tudo, e se cada um não fizer o esforço de pôr isso acima da partidarite, então, qualquer dia talvez haja mesmo um escândalo monstruoso irreparavelmente estrutural, como o do Brasil.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Os Bitaites


Correndo o risco de nos* acusarem de manter um insuportável silêncio, o Sede terá sido um dos poucos “Blogs” que resistiu a “mandar uns bitaites” a propósito dos “bitaites mandados” por Paulo Morais, via Visão.
Recusamos entrar pela via da acusação generalizada, metendo todos no mesmo saco, com excepção (a que preço?) de um único impoluto cavaleiro.
Não vemos qualquer nobreza em quem, qual Castafiore, escolhe morrer jurando amor eterno a quem acabou de lhe cravar o “cuchillo en las espaldas”
Mas, de igual forma, recusamos alinhar no coro dos que, só agora, exigem, denúncias, provas, nomes e datas.
Não, quanto a este assunto, até agora, a nossa posição tinha sido de discreta expectativa, de atenta observação, mas também (e sobretudo) de gozo alarve….

Mas, talvez como reconhecimento desta nossa atitude responsável, mão amiga (?) se bem que anónima, fez chegar, à nossa caixa do correio (electrónica), talvez a peça que faltava para se deslindar as causas e os porquês deste “escândalo” de verão.

Por não termos vocação para polícias ou investigadores, não iremos adiantar qualquer leitura ou tentativa de interpretação, não sabemos se é real ou montagem, não reconhecemos as personagens, não sabemos os nomes, os locais, as circunstâncias nem as datas.

Assim, tudo o que se possa sobre isto adiantar.

SÃO SÓ BITAITES

António Moreira
* o "nós" é majestático, claro que sou só eu ;-)

AKIAGATO


Felizmente alguns nascem bem

Li um dia destes que, todos os dias, nascem e morrem, sei lá quantos blogues.
Um dia destes cria-se um obituário para blogues, convidam-se os amigos para o baptizado dos blogues mais católicos e, naturalmente, vai continuar a cantar-se os parabéns aos que fazem anos.

Isto vem a propósito de ter nascido mais um blogue que vale a pena (e nem são assim tantos) e eu só hoje é que notei.

Então as boas vindas ao Teófilo M. que de comentador passou a “bloguer” e fez muito bem.

Com a devida vénia, transcrevo parte de duas “pérolas” do novíssimo AKIAGATO, os leitores farão o favor de ler o resto:

24 Agosto, 2005
Presidenciais I

Muito já se escreveu sobre a candidatura de Soares, a de Cavaco, a do Alegre, a do Jerónimo só agora começa a ser falada, e muitas outras tem sido ventiladas, umas com mais intensidade do que outras.
Parece que muita gente ainda não entendeu que o Alegre, fruto das suas posições políticas públicas - quem não se lembra de Souselas, das tropas para o Iraque, do linchamento na praça pública do PGR, na recusa ao referendo sob o aborto preferindo que a AR legisle sobre o assunto, do seu apoio a Alzira Santos para presidente do PS depois de ter garantido o seu apoio a Almeida Santos, do que disse de Sócrates nas eleições para o secretariado nacional ainda há poucos meses, do seu eterno piscar de olhos ao PC e BE - nunca poderia ser o candidato do PS, nem tampouco de muita esquerda que não se revê em romantismos poéticos na hora de acção, preferindo lê-los calmamente em horas de descanso?
E que dizer, de outros homens e mulheres de esquerda não-comunista, que não têm nenhum candidato em que se revejam minimamente, porque parece que todos têm medo de afrontar Cavaco Silva, o providencial homem de Boliqueime, que não lê jornais e que raramente se engana!.........”

Continuar a ler

23 Agosto, 2005

Os cegos também votam

Estava a ler um artigo de opinião de
João Cotim Oliveira e veio-me de imediata à ideia o título deste 'post'.
Diz o cronista a certo ponto:
"A sua continuidade e da sua equipa é necessária para que o projecto iniciado em 2001 e duramente realizado ao longo deste mandato não seja posto em causa.",
e mais adiante:
"Todas as obras inacabadas, da zona oriental à zona ocidental da Cidade, que na debandada dos festejos do “Porto, Capital da Cultura 2001”, a anterior Câmara deixou por concluir o actual Executivo Camarário terminou.".
Se isto não é apenas exemplo de maledicência, o que será?
Será que o João Cotim pretendia que a anterior Câmara acabasse as obras da Porto 2001 antes de a Porto 2001 ter acabado, uma vez que as eleições decorreram antes do final daquele evento?!
E depois segue:......”

Aqui

Bem vindo

António Moreira

quinta-feira, agosto 25, 2005

N”A Baixa do Porto”


Com a devida vénia a David Afonso e “À Baixa do Porto

É justo chamar a atenção para o texto “Porto: cidade anti-turismo”,






Para abrir o apetite:

“0. Li no «Público» que este ano houve uma quebra muito forte no número de turistas que visitam a nossa cidade. Não os censuro.
Passei uma tarde com um grupo de amigos que vieram conhecer o Porto e descobri porque motivo não voltam cá os turistas.
1. A caminho da Ribeira passei por um restaurante que ostentava duas placas: uma dizia «Welcome» e a outra «Encerrado para férias».
Estamos em pleno centro histórico e pelas ruas passeiam-se ao sol alguns turistas.
Vieram conhecer um país que não está para os aturar.

…….. (ler o resto aqui)”

Estou convencido que Francisco Assis irá ler este texto e, do mesmo, retirar matéria para alguma reflexão.

Seria também interessante que Rui Rio (e já agora Rui Sá) também o lesse.
Interessante mas não útil dado que ou não terá tempo ou, mesmo que o tenha, já demonstrou não lhe interessar.

Obrigado ao David Afonso.

António Moreira

segunda-feira, agosto 22, 2005

Os comedores de Fogo



Mais uma vez se cumpriu o ritual de verão

Mais uma vez se repetem as mesmas imagens na televisão
Mais uma vez se repetem os mesmos pedidos de declarações de calamidade pública
Mais uma vez se repetem as mesmas acusações quanto a responsabilidades e irresponsabilidades
Mais uma vez se repetem as mesmas receitas estafadas.
O país está a arder......
Como sempre, em Agosto


Entretanto, Agosto, chegará ao fim…
O campeonato da bola já começou.
Os políticos estão quase a regressar de férias
A campanha para as autárquicas vai entrar em “full steam”
A pré-campanha presidencial está quase a arrancar.
Ainda temos o arranque das aulas e o preço dos livros de estudo para animar a “pré-época”….
Com sorte, teremos mais um qualquer crime chocante (se possível com crianças)...
As televisões vão inventar novas novelas e novas imbecilidades para “nos” entreter…

Com mais ou menos ajuda dos bombeiros, os incêndios lá hão-de acabar por se apagar …
E, daqui a quinze dias, ninguém torna a falar dos incêndios, até ao próximo ano…

Ou seja, tudo como dantes neste belo rincão à beira-mar.

Tudo como dantes????

Não
Este ano viu-se algo de diferente.
Bem, não exageremos, vimos nós (e vocês) que "andamos" pelos Blogs.

E o que temos então de novo este ano?
Temos um governo que já não é da coligação PSD/PP e uma “direita profunda” (seja lá o que isso for, mas eles gostam que se diga “liberais”) que descobriu a “blogosfera” e, por via desta, a ilusão de que existe.

E assim, surpreendentemente, temos esses paladinos do mercado e da iniciativa privada a ocupar páginas e páginas de “Blogs” e respectivas caixas de comentários a debater o que “o Estado” (e não os privados) devia ter ou não ter feito para prevenir ou evitar este ano, esta tragédia.
A discutir a forma como “o Estado” (e não os privados) devia ter coordenado o combate aos fogos.
A discutir a forma como “o Estado” (e não os privados) deveria ter negociado o aluguer ou aquisição dos meios ou equipamentos de combate aos fogos, etc.
Enfim, assiste-se, na “blogosfera da direita”, a uma interessantíssima forma de analisar esta peculiar forma portuguesa de celebrar o verão (o incêndio das bouças) para uma catarse de “mal dizer do governo”, mas afinal, defendendo exactamente o contrário daquilo que, no resto do ano, dizem ser essencial garantir.

Entretanto:
Aqueles que realmente, e na prática, criam as condições para o desenvolvimento da sua actividade económica, sem precisarem do aval do Estado, lá vão ateando os incêndios ou pagando a quem o faça por eles.
Aqueles que se poderiam então designar, verdadeiramente, por “arautos do ideal liberal”, lá vão fazendo os seus negócios, milionários ou nem por isso, à volta dos incêndios:
Seja por via da venda ou aluguer dos meios de combate aos incêndios e outros equipamentos.
Seja por via da comercialização da madeira queimada ou seja lá qual for o tipo de interesses que se desenvolvam em torno das áreas e materiais queimados.
Seja por via do controlo das direcções das associações de bombeiros, ligas e corporações e, assim, de todas as negociatas inerentes.
Seja, finalmente, aproveitando aquilo que na forma de subsídios ou outras benesses, o "Estado", no final, venha a disponibilizar para o apoio aos verdadeiramente afectados (assim a modos de “baixas colaterais”) mas que, ano após ano, vamos sabendo que raramente chega ao seu destino.

Qual a conclusão a tirar, se alguma houver:

Os incêndios da floresta em Portugal não são afinal, para todos, uma tragédia.
Serão uma tragédia para as suas vítimas directas, que perdem vidas, ou bens.
Serão uma tragédia para aqueles que, na primeira linha do combate, perdem o seu tempo, a sua saúde e, quantas vezes a sua vida, para ajudar os seus concidadãos.
Serão uma tragédia (mitigada é certo) para todos os contribuintes que, afinal, tem que pagar o elevadíssimo custo, para a sociedade, deste ritual de Agosto.

Para aqueles que, desta actividade, fazem o seu “ganha-pão” (e aqui “pão” deve entender-se no sentido mais lato) não passa disso mesmo, duma fase de um processo económico, de criação de riqueza, da qual, como afinal deve ser, são os “mais aptos” que retiram os maiores benefícios, e a grande massa dos menos competentes que, naturalmente, tem que suportar os custos.

Mas, é assim mesmo o mercado, ou, na sua versão mais “humanista” (coff, coff) ...

É a Vida

António Moreira

sábado, agosto 20, 2005

Confesso que não percebi


(ou confusões de um sábado de Agosto)

Então não é que agora anda tudo indignado por o campeonato da bola ir ser patrocinado pelo Betadine?

Que é que queriam?

Então não sabem que aquele senhor que é presidente lá da liga dos clubes, e que ao mesmo tempo é presidente da câmara de Gondomar, presidente da junta metropolitana do Porto e presidente do conselho de administração do metro do porto também é presidente da associação das farmácias?


O quê?

Para estar caladinho?

Estou a baralhar tudo?

Ai afinal não é Betadine?

Ai o homem não é presidente disso lá das farmácias? (até admira)


Mau, agora é que os anónimos não me vão largar a caixa dos comentários…

António Moreira

Vá-lá, Juizinho


Muito me diverte ver o ar compungido, quase de sacristia, com que os opinadores da direita fazem suas as dores de Manuel Alegre.

Muito me desgosta ver Manuel Alegre, dar-se, em sacrifício, a essa gente.

Não irei votar nas eleições presidenciais, não porque, mas apesar de, não me agradar qualquer dos putativos candidatos.

Mas isso não me impede de analisar “o jogo” e, sobre ele, opinar, da mesma forma que não podia (mesmo que quisesse) votar em Sócrates ou Alegre, para a liderança do PS, mas isso não me impediu de (então e agora) analisar também esse “jogo” e, sobre o mesmo, formar e emitir a minha opinião.

Para alguns mais desatentos, eu faço questão de esclarecer que sei, mais do que bem, que as minhas opiniões algumas vezes (vezes demais?) são pouco consensuais.

Convinha mais alguns entenderem (pois penso que os “sedentos originais” o entenderam antes de me convidarem) que as outras opiniões que tenho (as consensuais) em geral nem as revelo por entender que nenhuma mais valia acrescenta um “muito bem” ou “estou de acordo”.

Assim, com o objectivo de dinamizar um pouco o debate sobre este tema, irei dizer o que, como “não militante”, me parece esta tragédia de verão sobre os dois irmãos desavindos e de como um atraiçoou o outro, que não se ficou, para gáudio de jornalistas e outros escribas, sem esquecer o daqueles que, do lado da outra personagem da comédia das “eleições presidenciais”, vertem lágrimas de crocodilo pelo “poeta” esperando (parvamente?) tirar dividendos para o seu figurante.

Então as candidaturas presidenciais não são de cidadãos que podem (ou não) ser apoiadas por partidos?

Então, pelo facto de Mário Soares se candidatar, Manuel Alegre está impedido de também apresentar a sua candidatura?

Então as eleições presidenciais não se resolvem por maioria absoluta?
Não será que, a haver mais do que uma candidatura “à esquerda” (como seria desejável que houvesse “à direita”) isso poderá (deverá?) motivar uma maior presença de eleitores “de esquerda”, numa primeira volta?
Não será que tal poderá contribuir para evitar uma vitória “de direita”, na primeira volta, funcionando como uma espécie de “primárias” da “esquerda”?
Não será que o risco de uma vitória "de direita" poderá então mobilizar uma presença massiva de eleitores "de esquerda" numa segunda volta?

Será que este cenário não se verificou já em 1986, quando da primeira eleição de Mário Soares?

Será que, caso Soares (ou Zenha ou Pintassilgo) tivessem concorrido sem oposição “à esquerda”, não teria sido, afinal, Freitas do Amaral o vencedor, logo na primeira volta?

Por isso, meus caros, qual é o problema de se apresentarem ao sufrágio as candidaturas de Mário Soares e de Manuel Alegre?

Ou será que, afinal, o que está em causa é, apenas, o apoio do Partido Socialista a um ou outro dos candidatos?
Apoio político, apoio logístico mas também apoio financeiro (claro e porque não?)

Mas não seria então da mais elementar prudência que estes assuntos fossem, até por uma questão de decoro, resolvidos no interior do partido onde militam os dois senhores?

Que ideia é que os “não militantes”, já para não falar daqueles que (como eu) tem uma opinião muito crítica dessa coisa dos partidos, vão ficar a fazer do Partido Socialista?

É que cada vez se parece mais com um qualquer PSD.

Digam lá aos senhores para terem juízo, que está toda a gente a olhar…..

António Moreira

sexta-feira, agosto 19, 2005

Jogos e jogatanas

Eu não gosto de jogos a dinheiro. Não aprecio o bingo, não compro cautelas e só jogo no euromilhões por displante comigo próprio, do tipo, "se ganhasses o bem que dirias disto", mas só o faço uma, duas, no máximo 3 vezes por ano... e nunca gastando mais do que o minimo (as probabilidades são iguais).
Lia hoje nos vetustos desportivos que os futebois agora vão ser patrocinados pelo betandwin, só o nome já diz tudo, faz lembrar o Mourinho a gozar com a ralé a dizer-me para ganhar como ele.
Mas o que mais me impressionou nesta história foi a Santa Casa, reclamando um decreto-lei de não sei quantos, que diz que apostas a dinheiro só com as suas excelências.
Além de me fazer impressão parece-me (eu que sou um leigo das leis dos tribunais, porque a dos homens vou percebendo bem) uma inconstitucionalidade.
Por outro lado só um Valentão para fazer um contrato destes - misturando futebol e jogatana -mas não me parece mais descarado do que o a da gasolina super da galp, que sempre a subir tive que gramar o ano passado quando vi o meu Porto.
Para o ano devemos exigir o patrocinio de casas de alterne, com imagens nas camisolas e nos reclames.
Como diria o António (primeiro sedento substituto, ou em exercício):
CHISSSAA!