Na verdade deixamo-nos levar no engodo de que afinal poderia o PS ganhar! Afinal o actual presidente de câmara do Porto tem a popularidade que em Lisboa dizem que ele tem. Afinal o Povo do Porto acha que ele merece a confiança do seu voto. Afinal a abstenção diminui 10% e Rui Rio subiu. Afinal em 6 meses o PS passa de 44 para 36%, ganha Sócrates e Rio. Afinal as pessoas distinguem bem as coisas e melhor ainda os votos.
Tenho a convicção que não devemos ser nós a adaptarmo-nos ao discurso que o povo deseja, mas sim a continuar a defender as nossas convicções. Ganharam outros, ganharam outra vez outros, e ganharam com a alternativa a nós. O PS não foi a alternativa a Rio, queria isso sim retomar uma visão não municipalista da cidade. O Porto, parece-me, já não se preocupa em liderar a região, nem sequer afirmar-se, pretende antes poucas mudanças e uma gestão mais ou menos equilibrada. A ambição desmesurada algumas vezes, levou a este período de nojo de grandes ideias e grandes projectos. O PS apresenta-se sempre como arauto da ambição e pela segunda vez perde com essa estratégia. Reflicta-se!
E Rio fala como as gentes do Porto, alto, desabrido e às vezes inconveniente, e por isso ganhou, não porque tenha razão, mas sim pela convicção do que diz. Ganha porque ganha, e se merecer for uma consequência da evidencia do acto, então terá merecido. Eu, pessoalmente, não merecia tal desilusão! Presunção minha dirão…
Não tenho nenhuma boa expectativa, e 4 anos estão longe!
Nós no Sede, vamos de certeza ficar por aqui, contamos com o apoio de todos para continuar a discutir o que interessa. Este espaço não surgiu para ser nenhuma voz oficial de uma candidatura, surgiu entre amigos e pronto! Na política ganha-se e perde-se, na minha opinião não como o Francisco Assis explicou – a dignidade das suas palavras, encobriu os inúmeros motivos que justificadamente afastam as pessoas dos partidos -
percebeu-se uma conjunto de novos protagonistas, que pela sua energia não mereciam este resultado. Nestes me incluo. Uma parte do PS expôs-se, uma parte que muito poucos conheciam e demonstrou uma qualidade capaz de dar esperança.
Se calhar perdemos porque este processo ainda não estava distante dos fantasmas de Gomes e Cardoso, de futebóis e constróis e de mais coisas que a malta detestou. Se clahar foi o governo, se calhar a cara do homem ou se calhar a porra de Ceuta.
Mas serviu para acalentar a esperança de um PS que pode ser bem melhor, mas que não é. Para mostrar um PSD que se refugiou no seu autocarro da vitória, mas não se apresentou em campanha nem em debate à cidade. Numa CDU invisível na sombra do seu protagonista e um bloco que ainda não tem a força que desejava ter, apesar de grande dignidade do João neste combate dificil.
Nós no Sede estaremos aqui e por lá, e só estamos aqui para lembrar (e se conseguirmos – provar) que nem todos que estão lá, merecem ser absorvidos na maralha de desprezo que às vezes se estende a todos, indiferenciadamente.
Mas também não somos “Quixotescos”, e por isso enquanto nos der a vontade e o tempo deixar, estaremos lá, lá e aqui, porque um sem outro vale menos e os dois valem aquilo que verdadeiramente somos.
Sempre reclamo a necessidade da participação cívica, a militância em partidos e outros, só assim se melhora o debate e se exige mais aos políticos – uma espécie de convite ao “amor livre” aos partidos. Quebrem-lhes as portas, e façam (não como a Rosa do Aleixo) parte dos processos desinteressadamente.
Nunca se discutiu antes o Porto como em alguns “espaços da net”, que vieram para ficar. Esses, e se continuarmos bem, nós, teremos mais força nas próximas e valeremos mais – sem duvidas, porque chegaremos a mais gente e discutiremos com mais interessados no bem da cidade e dos seus concidadãos.
Resta dar os parabéns aos vencedores e os mesmos parabéns ou maiores, aos vencidos, deles se espera o melhor.
Pela minha parte … até já, porque a sede continua.
