sábado, outubro 15, 2005

Tratamento biológico no cancro do pulmão- notícia do JN

Basta uma imagem mal escolhida para ilustrar uma mensagem a transmitir, e a mensagem da notícia é alterada.
Ontem saiu no Jornal de Noticias a “Novo tratamento para o cancro do pulmão" - http://jn.sapo.pt/2005/10/14/em_foco/novo_tratamento_para_cancro_pulmao.html
(à esquerda está a imagem escolhida pelo JN)
O erlotinib!
Em rigor, não se trata de uma nova descoberta!
Mas é um título que vende, isso sim!
A verdadeira noticia é que pela primeira vez, doentes Portugueses com cancro do pulmão são medicados com este fármaco, o erlotinib!
O que é o erlotinib?
O erlotinib é um agente farmacológico que inibe o EGFR.
E o que é o EGFR?
O EGFR (epidermal growth factor receptor) é uma proteína que se localiza na membrana das celulas e importante na cicatrização, por exemplo.
E que tem a ver o EGFR com cancro do pulmão?
Em alguns casos do cancro do pulmão, o EGFR está alterado na sua estrutura nas células tumorais em relação ao EGFR das células normais do pulmão, sendo esta uma forma de reconhecer as células do tumor das normais.
Em que casos de cancro de pulmão é que o EGFR está alterado?
Verificou-se que a maioria dos casos de cancro do pulmão que tem o EGFR alterado na sua estrutura (porque tem mutações no gene que a produz) ocorre em doentes que nunca fumaram.
E que acontece a estes doentes com cancro do pulmão que tem um EGFR alterado e são tratados com erlotinib?
Têm melhor sobrevida em comparação com doentes com cancro do pulmão po exemplo associado ao consumo de tabaco e que não é causado por alteração do EGFR.
Por isso só podemos usar o erlotinib em doentes de cancro do pulmão com EGFR alterado e na maioria dos casos, esses doentes nunca fumaram! Porque os doentes que que fumam tem cancro do pulmão causado por alteração de outras proteinas ( muitas delas desconhecidas ainda) e o tratamento com Erlotinib não é eficaz.

Portanto meus amigos, para não ter cancro do pulmão a melhor medida continua a ser a prevenção, ou seja, nada de fumar!
E a escolha de um cinzeiro com um cigarro aceso para ilustrar a notícia do Erlotinib no tratamento do cancro do pulmão não podia ser cientificamente mais errada no JN!
Raquel Seruca

sexta-feira, outubro 14, 2005

Ainda mais Copy+Paste

Eu sei que alguns (2) não gostam, mas, mesmo esses, tinham descoberto isto ?

No "Menina não entra":

"Um tipo porreiro




Quando Jorge Coelho tomou conta do aparelho, o PS era um partido com grande implantação urbana.

Uma década depois...."

(Ler mais)

António Moreira

SEDE

ESte blog é o SEDE, não é? os socialistas em debate? É que, peço desculpa aos que são completamente alheios às nossas andanças internas, mas tenho de falar mesmo de nós. A falha não deve ser grande, uma vez que a curiosidade perversa sobre a vida interna deste albergue estranho que é o PS-Porto não me parece que esteja circunscrita a alguns de nós.

Tinha pensado em contribuir para o SEDE com um post. Tinha até pensado em fazer algumas considerações em torno dessa necessidade dos sonhos, de um país que nos permita sonhar, a que o Avelino se referiu. Queria retorquir-lhe com alguma reflexão sobre a pesada e incontornável realidade e eis que essa mesma realidade me caiu em cima, enquanto associado desse distinta e às vezes sombria agremiação partidária que é o ps, com toda a sua rude espessura.

Parece que no dia 12, isto é, 3 dias após o acto eleitoral de domingo, vinte colegas da Comissão Política Concelhia do PS-Porto, resolveram subscrever um requerimento a pedir uma sessão extraordinária daquele órgão, com vista à apreciação dos resultados eleitorais. Isto é eufemístico, é claro, o que se pretende é apreciar a derrota e, realisticamente, cinicamente, apurar de que forma é que essa derrota de todos - ou não foi uma derrota de todos? - se pode transformar numa vitória interna de alguns. Ajustes de contas, portanto.

No dia 13, o jornal Público noticia que vinte membros da CPC do Porto vão pedir essa reunião e um dos subscritores adianta até já as conclusões: trata-se de uma pretendida reunião com fins expiatórios, na qual se identificará o bode para o sacrifício, abatendo-o e, dessa forma, com essa libação, poder-se-á então seguir em frente, com uma nova ordem estabelecida. O "bode" está até já encontrado, tem nome e, com base numa eficaz técnica de montagem do acontecimento, está já construído o discurso legitimador desse sacrifício.

No mesmo dia 13, quatro dias após o acto eleitoral em causa, reuniu-se pela primeira vez após a derrota, o Executivo da estrutura concelhia, tendo como ponto de agenda precisamente reflectir sobre os resultados eleitorais, com vista à convocação de uma comissão política concelhia (para os desconhecedores: órgão de carácter mais deliberativo e, por isso mesmo, de composição mais alargada - com o mesmo propósito). Isto é, o órgão executivo pretendeu cumprir cabalmente a sua função e exercer a competência estatutária recomendada face ao resultado eleitoral. Todavia, foi confrontado com o dito requerimento dos tais vinte voluntariosos membros da Concelhia.

Ora, tudo isto permite-nos vaticinar o pior. Lutas fraticidas, em nomes dos interesses e dos protagonismos, sem uma única ideia ou projecto diferente em causa. Como é habitual. Mas peço ainda assim a vossa paciência para algumas cogitações em torno de tais manobras.

É corrente nas assembleias gerais, seja de que associações for, a competência estatutariamente dada a parte dos seus membros (1/4, 1/3 ...) para desencadearem o agendamento de reuniões extraordinárias. Trata-se de uma competência cautelar e que visa, de um modo geral, suprir a eventual inércia da Mesa ou de quem tem por competência estatutária original a convocação dessas reuniões. Não é normal que se desencadeie esse mecanismo excepcional a toda a pressa e com toda a urgência, como se se pretendesse que a reunião a marcar resulte mais de uma exigência "das bases" do que da iniciativa espontânea de quem tem de a convocar. Ora, a sofreguidão revelada nesta urgência tem apenas e só objectivos políticos específicos, absolutamente estranhos à agenda da reunião que se pretende ver convocada.

Mais estranho ainda - ou, pelo contrário, mais esclarecedor ainda desses propósitos ínvios - é o facto de, antes mesmo do requerimento colectivo ter chegado aos jornais antes de ter chegado ao seu destinatário, acompanhado das considerações, que há-de ser o quadro de fundo das intervenções que se pretendem ver produzidas na reunião que se exige - o que a mais de ser uma deselegância e uma descortesia, é uma atitude eticamente censurável.

Bom, esta lamentável externalização de questões internas ou do foro interno de um Partido dá, pelo menos, azo a que este vosso amigo possa aqui também abrir o resto da janela para que se faça o resto da luz que falta sobre tal assunto.

O que se pretende é um ajuste de contas.

Não importa que o Dr. Assis tivesse muita dificuldade em "passar" no eleitorado portuense, apesar do seu inequívoco empenhamento, o qual não me merece a mínima censura, bem pelo contrário.

Não importa que o candidato socialista à Câmara não fosse o originalmente preferido pelos socialistas, quer na Concelhia, quer nas Secções, tendo-lhes sido, ainda que com elegância, imposto - mas sempre a fazer adivinhar uma menor mobilização ou, pelo menos, uma mobilização menos espontânea.

Não importa que a situação económica e financeira do país, com sacrifícios para toda a gente, levasse as pessoas a votarem, em alguma medida também, em protesto contra o Governo, por muito que os entendidos neguem este facto elementar.

Não importa que as pessoas mais simples da nossa cidade - as tais que vivem nos bairros sociais - dêm mais valor a uma porta nova em casa, às paredes pintadas e a umas persianas iguais às da vizinha que aqueles senhores simpáticos da Câmara cá vieram pôr do que ao MédiaParque ou ao Centro Empresarial de Ramalde ou à afirmação da cidade no noroeste peninsular.

Não importa que o eleitorado não tenha dono, apesar de muitos de nós, em todos os partidos, estarem convencidos de que são donos de parcelas ou fatias do eleitorado.

E não importa que ele não seja leal e dê facadas, como alguns eleitores que votam normalmente na CDU o fizeram desta vez, votando noutras propostas. Porque essa é a essência da democracia e sem a mudança do sentido de voto dos eleitores não há alternância no poder.

Não importa que alguns socialistas com responsabilidades, ainda em tempo de campanha eleitoral, tenham vindo admitir, em declarações públicas, que o PS ia perder no Porto, adiantando já os nomes dos culpados, que agora, de novo, se reiteram.

Não importa nada disso. O que importa é aproveitar o momento, no mais impúdico oportunismo político de que me lembro de ter assistido nos últimos tempos.

Quero dizer que acho muito bem que se disputam as lideranças internas. Que se assumam diferenças e se combata por elas. Que cada um se movimente para a concretização dos seus desígnios e aspirações. Mas o que me parece é que estas coisas não podem ser feitas como se valesse tudo. Ou então vale. Até pagar a prótese ortopédica daquele militante, porque ele "vale" (?) cem votos - este exemplo é uma ficção, qualquer semelhança com a realidade é uma mera coincidência - ou levar a jantar aquelas trezentas almas "que estão connosco" (falo em abstracto, não me refiro a ninguém em concreto), mas que nunca estiveram nas acções de campanha, ninguém as viu! Para que servem tantos militantes, se ficam em casa, quando o Partido disputa eleições tão importantes como estas últimas e apenas aparecem para os jantares e para os passeios? Terão ao menos votado PS?

Tudo isto me envergonha! Está aparentemente de volta um velho PS, com práticas arregimentadoras, que empobrece a prática política, acentua a perda de credibilidade e que até pode sustentar-se nos améns internos de umas centenas de seguidores.

Mas que não recolhe a admiração da Cidade e essa é que decide quem a governa. Não recolhe a aprovação dos portuenses e esses é que são determinantes para as eleições a doer. Merece a repulsa pelos métodos usados, até pode ganhar, mas não passará onde verdadeiramente seria importante que passasse. E de si mesmo ficará apenas a marca de quem não quer outra coisa que não seja a perpetuação da capacidade de influência e o poder ilusório, como se uma e outra coisa fossem, afinal, valores em si mesmos.

no comments...

O partido por dentro

Mesmo sabendo que muitos leitores do Sede podem olhar para este tema com desinteresse, o facto de muitos socialistas de cartão lerem este blogue justifica uma nota informativa sobre a vida interna do PS no Porto:
Orlando Soares Gaspar acusa, no público, Cardoso de responsabilidades na derrota eleitoral do PS no Porto.
Narciso garante, no JN, que avançará novamente como candidato à Federação distrital do PS pela 4ª ou 5ª vez consecutiva.
Renato Sampaio anuncia-se como um projecto de José Socrates à Federação Distrital, ontem no público.
Nuno Cardoso diz hoje ao JN ponderar NÃO avançar à Concelhia.
José Luis Catarino pondera avançar ao PS - Porto, JN hoje.
Orlando Soares Gaspar (o Soares significa que é o filho de Orlando Gaspar - histórico lider concelhio) vai avançar, como toda a gente sabe, com o apoio da maioria dos secretários coordenadores do PS (vencidos e derrotados) à concelhia, num percurso que se avizinha de vitória antecipada. Manuel Pizarro (número 2 de Assis) apoia Soares Gaspar. Renato Sampaio apoia Soares Gaspar. Narciso apoia Soares Gaspar.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Uma questão de espaço

Sabia que:

Todos os que votaram Rui Rio cabem em dois destes.


capacidade 30 e tal mil lugares (banal na europa)

Todos os que votaram Assis cabem inteirinhos aqui e sobra espaço:

Capacidade:
50948 lugares (36º maior da Europa).

É que o pinto da Costa pensou na medida necessária para ganhar em função de 2001, e afinal diminuiu a abstenção.
Lula no Porto já não arrasta a paixão que a esquerda mundial lhe despertou no ano passado. O discurso passa por economia e inevitabilidades.
Aceito que a chegada ao poder possa mudar a imagem radicalmente, mas o discurso? Ainda por cima com José Socrates ao lado!

"...Lula da Silva disse ainda que para chegar a este ponto a economia brasileira teve de ultrapassar vários «paradoxos» para «crescer sem inflação, aumentando as exportações sem asfixiar o seu mercado interno».«O Brasil já teve muita pirotecnia, muitos mágicos. A economia não tem mágica, tem responsabilidade», concluiu o presidente brasileiro..."

chissa!

É desta que emagreço, se nem a picanha resiste.


O Túnel de volta

Afinal o que eu receava não veio a acontecer.

De acordo com as notícias e findo o prazo, estabelecido pelo IPPAR, para que a CMP repusesse a normalidade área de protecção do Museu Nacional de Soares dos Reis, o IPPAR irá então, como é sua obrigação, finalmente tomar posse administrativa da obra.

Não me interessa tornar a discutir este assunto, nomeadamente depois de ter já deixado bem claro o que penso dos que continuam, apesar de todas as evidências, a tentar encontrar desculpas ou justificações para o comportamento ignóbil de Rui Rio, nem que, para isso tenham que denegrir o carácter do Arq. João Rodeia que, no que se refere a este assunto, teve um comportamento a todos os títulos exemplar e a meu ver até louvável.
Lamento que, mesmo após a reeleição de Rui Rio e a substituição de João Rodeia, à frente do IPPAR, o deplorável coro continue.

Para mim, o que é importante agora é verificar qual vai ser o comportamento, neste particular, da Ministra da Cultura, direi mais, o comportamento do Governo de Portugal.

O caso Túnel de Ceuta foi paradigmático para a compreensão do carácter de Rui Rio e, por arrastamento, do carácter da generalidade dos seus apoiantes.

A forma como este assunto venha a ser gerido, pelo Governo, até à sua conclusão, permitirá também tirar ilações importantes quanto ao carácter dos seus responsáveis.

Irei, naturalmente, continuar atento.

António Moreira

O Copy+Paste do dia...


É com o maior prazer que escolho hoje um texto de Alexandre Burmester (com uma deliciosa imagem), publicado n"A Baixa do Porto".
Haverá assim a oportunidade para alguns dos nossos habituais comentadores (anónimos e não só) descarregarem alguma coisita na nossa caixa de comentários ;-)

"Estou em estágio, ..."
"... para o próximo mandato"
Tenho andado afastado do blog, quer por motivos de trabalho, mas principalmente porque ainda não digeri os resultados das eleições autárquicas.
Depois das vitórias estrondosas dos populistas e do aval passado ao Rui Rio aqui no Porto, sinto-me pouco “Democrático”.
Afinal temos o que merecemos, como temos a revista “Maria” e a “Quinta das Celebridades” e tantas outras coisas, que só após gerações e anos de educação, poderão fazer susbstituir este gosto rasca popular, por eleitores melhor informados.
Temo que o nosso presidentinho, após aquele discurso cheio de “categoria” na noite da vitória, venha a assumir mais, e à sua escala, o acréscimo de arrogância e prepotência a que estamos habituados."
Uma delícia
António Moreira

Portugal não sonha!

Sobra desta contenda eleitoral que o Porto cidade ganhou sobre o Porto região. O discurso de liderança do noroeste peninsular está gasto. A capital do norte já se diz que mora mais no distrito de Braga. A demografia inclinada para baixo é vista como uma inevitabilidade.
Que fazer? Os principais partidos demonstram-se fracos! Quem é o líder distrital do PSD? Será o número 2 de Gaia, figura pouco visível neste xadrez político. E que dizer de Assis que espera a decisão de Lisboa para entregar dinasticamente o distrito?
Se as autarquias já não representam a minha luta, se os partidos já não tem coragem para arrastar a sociedade, se a opinião do futebol perdeu importância – então que caminho haverá? A economia abrandou todos os ímpetos, se calhar por isso os regimes musculados sempre estiveram carregados de uma classe média baixa, muito baixinha, que era fácil de controlar.
A resignação abate-se perigosamente, é necessário um movimento social sólido. A geração de Abril já não tem soluções. Já não fazem melhor do que Soares, que se limita a aparecer.
Onde está o Porto de cultura que se avisava antes de 2001, ou a super pujante Lisboa que surgiria com a Expo 98? Estão lideradas por homens de ambições contidas, representantes do pragmatismo.
Na verdade tanto quisemos pertencer à Europa que lhes temos imitado os actos, no caso vendendo o melhor que sempre tivemos – os sonhos. Agora os lideres políticos não precisam da ambição, simplesmente devem acreditar na teimosia, no acerto e na razão das suas atitudes. Dizem-me que são grandes homens, com grandes projectos, de grande respeito. Mas não me fazem sonhar…
Portugal não sonha, nem o Porto sustenta as fantasias, fosse que fosse, à custa das tripas que teria de comer. Como fez aguentando o descampado geral das obras da década de 90. Ou então as engenharias engedradas para pagar a Expo. Ou a diferença de nível de vida de Lisboa para o resto do País.
Como se o TGV e a OTA fossem agora o mais importante, como se Leixões não estivesse a morrer e a capital do trabalho já não fosse também a capital do desemprego.
Como se o centro da cidade do Porto não tivesse 1/3 de edifícios devolutos, como se a Maia não tivesse crescido desordenadamente e Valongo pior (milhares de apartamentos devolutos nas gavetas dos créditos mal-parados dos bancos). Gondomar igual, Matosinhos no limbo. Como se o vale do Ave não se afunda lentamente em agonia. Como se o interior se salvará só com as auto-estradas que se estãoa acabar. Como se os resorts de luxo do Algarve sejam a sua saída para um futuro sólido. Como se o Alentejo tivesse água.
O que precisamos agora é de sonhos! Sede de sonhos!

quarta-feira, outubro 12, 2005

O voto de protesto

Pese embora a rápida demarcação do Sócrates em relação ao resultado das últimas autárquicas, a verdade é que todos sabemos - e ele também - que grande parte dos maus resultados obtidos pelo PS têm a ver com o Governo, representando por isso um voto de protesto razoavelmente generalizado ao País todo para se poder retirar esta ilacção.

Tratando-se de um voto de protesto - ao menos em parte -, ele é simultaneamente injusto e precipitado.

Injusto, porque é bem possível que o país esteja efectivamente numa situação lastimável, do ponto de vista das finanças públicas e que por detrás das piores medidas do Governo, exista um patético esforço para salvar o que é possível do velho Estado Social ou de Providência.

Como socialista, insisto que os Governantes PS devem persistir nesse esforço, resistindo ao neoliberalismo feroz, com a desprotecção dos mais fracos que lhe é inerente - e há tantos mais fracos no nosso País! - que aparece sempre escondido por detrás dos melhores e mais sofísticos discursos do Estado mínimo, tão em uso nos nossos dias.

A favor desta apreciação - do carácter injusto do protesto contra as difíceis medidas que têm sido aplicadas pelo Governo e que envolvem, ainda que talvez a título meramente simbólico, a eliminação ou a restrição drástica de muitos privilégios que os portugueses nem sequer conheciam - está o anunciado exemplo da Alemanha.

Aí a coligação CDU, que acabou por ser vencedora de uma eleição federal complicada, ainda que a reboque de um derrotado SPD, numa edição interessantíssima de um Bloco Central alemão, tentará suprimir direitos sociais, reduzir as despesas públicas de carácter assistencialista, contrabalançando uma prevísivel quebra de receita pública que se fará à custa da diminuição da tributação das empresas. A ideia é, pois, de mercado, no sentido de que, menores impostos implicam menores custos para as empresas e, por essa via, a reanimação da actividade empresarial no país. É uma ideia neoliberal clara, que se traduz no recuo do Estado para fazer funcionar o mercado.

É talvez possível chegar lá por esta via, mas quanto está o Estado alemão disposto a abdicar de receita fiscal para que essa poupança para os privados funcione realmente como um incentivo? E, entretanto, como sobrevivem ou de que sobrevivem os atingidos pela supressão ou redução de apoios sociais públicos?

Por isso, digo, protesto talvez injusto. Porque se a orientação do Governo tiver de facto como propósito seguir outra via que não passe pelo desmantelamento do Estado Social, então esse é o caminho que se esperaria de um Governo do PS. Independentemente da verificação - que é sempre a posteriori - dos resultados obtidos.

Mas disse também que é um protesto precipitado. Com efeito, é um protesto sobre um período de governação de seis meses num horizonte normal de quatro anos. Quer-me parecer que nenhum Governo ou nenhuma autarquia sobreviveria a um juízo eleitoral seis meses após o início da sua actividade. Salvo se governasse a pensar nesse juízo eleitoral mais do que nos interesses e imperativos do País. O que todos concordamos que é errado, populista e demagógico, mas aparentemente, dá resultados imediatos e no imedidato, oculta o custo verdadeiro do adiamento das soluções. Ora, este Governo não foi por esse fácil caminho e, dessa forma, claramente se pôs a jeito.

Precipitado ainda por outra razão. Eu não sou daqueles que pensa que com a anunciada vitória presidencial do Prof Cavaco, o país vai mergulhar de novo em eleições legislativas antecipadas. Não deve e não pode. Ou então, esses que pensam que o Prof é capaz de uma tal irresponsabilidade, melhor farão em não votar nele.

O que significa que (espero) - mais do que creio - que o Governo, legitimado com uma maioria absoluta, conclua o seu mandato. E isso quer dizer que talvez no termo do seu mandato, por entre recuperação financeira, crescimento económico e algumas e indispensáveis medidas eleitoralistas - o Governo pode ser competente, mas é como todos, nestas coisas das suas próprias eleições, não será parvo - pode acontecer que os mesmos eleitores que agora o castigam, venham a votar no PS e a manter ou a reforçar até a sua maioria absoluta.

Injusto e precipitado, pois. Mais ainda porque se punem terceiros - os candidatos socialistas às eleições autárquicas - por erros (?) que não são seus e que decerto eles preferiam que não tivesem ocorrido nesta altura.

É por isso também que me apetece dizer, antes de apontar implacavelmente o dedo aos ditos candidatos, que eles estiveram nestas eleições em clara posição de desvantagem relativa comparativamente aos seus adversários. Nem por outra razão, os distintos Marques Mendes e Jerónimo de Sousa andaram a calcorrear esse país fora. Não me consta que tivessem concorrido a alguma Junta de Freguesia, Assembleia Municipal ou Presidência de Câmara.


Copy+Paste de hoje ....




Sabe-se lá porquê, hoje apeteceu-me fazer o Copy+Paste habitual, copiando este bocadinho do Provotar:
"Em minha opinião, os partidos "roubaram" o poder de decisão aos Cidadãos, criando, ao longo dos últimos 31 anos, as condições para que as únicas alternativas de participação dos Cidadãos na tomada de decisões sejam:
A – Votam no partido com o qual se identifiquem ideologicamente, cujo programa lhes pareça mais acertado, cujos dirigentes lhe pareçam mais competentes, ou mais sérios, ou mais bem vestidos, ou , ou, … bem, resumindo, no partido que lhe apeteça.
Vão tratar das suas vidinhas, que já tem quem decida por eles durante os próximos quatro anos.
Entretanto, para se entreterem, sempre podem ver as notícias, indignarem-se e escrever neste ou noutros "Blogs".
Passados quatro anos, sempre podem corrigir a pontaria e votar no mesmo partido, esperando que o partido se "reforme internamente", ou, pode optar por castigá-los, votando no outro (sim, porque, entretanto, já se esqueceu do que disse do outro à quatro (ou menos) anos).
Poderá ainda decidir, desta vez, tomar uma atitude radical, tipo "agora é que eles vão ver" e vai votar num partido dos "outros", podendo então escolher, conforme o lado para onde lhe "fuja a chinela" entre um da direita e dois da esquerda.
Tirando isso, pode votar nos muito pequeninos ou em branco, que é igual, ou então…acha melhor mandá-los todos…… e não pôr lá os pés (que é o que eu faço há mais de 20 anos).
B – Inscreverem-se como militantes de um partido, tendo o cuidado de não se deixar levar pelos programas ou ideologias, mas sim escolhendo um dos que tem regularmente acesso ao poder.
Seguidamente escolher qual das facções internas lhe parece que desfruta de melhores condições para chegar ao poder no interior do partido em que se tenha inscrito.
Então, partindo do princípio que escolheu a facção acertada, deverá utilizar as ferramentas à sua disposição (intriga, bajulação, calúnia, troca de favores, etc.) de forma a, com tempo e sem precipitações, ascender ao círculo restrito dos que tem direito a emitir opiniões e tentar influenciar as decisões.
Após atingido esse objectivo, não pode esquecer que as ferramentas que utilizou (intriga, bajulação, calúnia, troca de favores, etc.) estão à disposição também dos seu correligionários, de facção e de partido, que foram ultrapassados por si e sentem, com toda a justiça, que devem utilizar todos os meios para recuperar a posição a que tem direito.
Por isso, deve evitar a todo o custo ser apanhado com uma ideia original, reservando toda e qualquer opinião, apenas para aquelas alturas em que não possa, de todo, safar-se com uma qualquer generalidade, tendo o máximo cuidado de enquadrar a opinião que tenha que revelar no que lhe pareça a tendência mais consensual e segura.
Continuo a entender que os Cidadãos podem, e devem, reclamar o Direito a Decidir que lhes foi, passo a passo, "roubado" pelos partidos.
Entendo que os actuais meios de comunicação (ler Internet) permitirão potenciar as formas de intervenção que tenderão a "devolver o poder" aos Cidadãos, não se limitando a ser a versão "high tech" de um qualquer "muro das lamentações".
António Moreira

Povo que lavas no Rio!

Depois dos resultados de domingo, e da agitação nos dias que se vão seguindo, apenas me parece oportuno este velho poema de Grabato Dias.

Heróis não há mais
Nem depois nem antes
Há é marechais
Vendendo purgantes
Tenentes tementes
Bons comerciantes
De pasta de dentes

Heróis não há tanto
Como se apregoa
Há é este espanto
De voar à toa
E quem ajoelha
É boa pessoa
De orelha a orelha

Heróis? Bom… talvez
Haja aí algum…
…Até certa vez
Me mostraram um.
Preguntei, atão?
Respondeu: umh umh.
Fez-me uma impressão!

Herói? Se calhar
Seria pequeno
Inda a começar…
…Uma colher de eno
…meio copo de água
…um sono sereno
Vou deitar a mágoa.

Não me insultem

Depois de analisar os resultados eleitorais, ficamos com a ideia, sempre é certo que podíamos fazer mais e fazer algo melhor, até aqui nada de novo, o problema é ficarmos sempre e só com as ideias, e não com a acção, porque o que se passou neste domingo é o reflexo da politica do que ela tem mais de medíocre, e que por isso faz do PS, um partido cada vez mais de gente que de estratégia mas sobretudo de coragem não tem nenhuma.

Claro que sou do PS o tempo necessário para já saber que o partido é isto e que esperar dele muito mais é pedir muito.

Senão vejamos:

Porque é que não ganhamos o Porto? Porque é que Gaia, Maia Gondomar municípios de importância estratégica da área metropolitana, não tiveram uma estratégia vencedora?

Será porque os senhores que lideram essas concelhias gostam de brincar as eleições? Sim porque todos eles antes do jogo não tinham sequer uma pequena esperança de ganhar, a vergonha maior para mim como socialista e como cidadão, é ficar com a sensação que um partido politico pouca ou nada faz para ganhar porque não apresenta o melhor que tem para ganhar, mas sim o melhor que tem para perder, enfim sinto-me envergonhado.

Entretanto depois dos resultados ficamos com a ideia que tudo foi feito e toda gente está de consciência tranquila um fartote, quando o que se impunha pois chega de hipocrisia, os responsáveis deviam pedir a sua demissão pelos actos em que eles próprios e mais ninguém é responsável, eu não sou!

O Assis é o melhor tribuno e o quadro mais brilhante que eventualmente o Porto tem concordo, mas seria o pior presidente de camara se fosse eleito no domingo, bem mas ainda há gente que acha que ele já esta pronto para outros combates que se avizinham, meu deus á que ter vergonha.

Aqueles que por força estatutária se sentiram com legitimidade para ser candidatos deviam de reconhecer sem pudores ou complexos que no partido podem ainda fazer muito mas mais disparates, é de por um ponto final nesta mancha que foram estas eleições.

Esta na hora de também pedir ás figuras ditas importantes do nosso partido que só são importantes por que o partido lhe deu de alguma maneira, notoriedade e que por isso não devem negar serem chamados a jogo, seria tão bonito as estruturas terem adoptado a táctica de convidar aqueles que por ventura estavam bem colocados para vencerem, e não aqueles que achavam que venciam mas que no fundo só a sorte é que podia surtir efeito, se o Assis ganhasse era um fenómeno inopinado tal como foi o rio quando ganhou ao gomes

Por fim porque voltarei ao tema, a situação exige que quando temos um governo fragilizado pela conjectura, impõe-se que o partido seja forte mas por defeito o PS tem por hábito e a historia não me desmente o partido desmorona-se, já é um hábito.

Chegou por fim a hora do dejavú se aqueles que o partido lançou para o esquecimento por terem outrora posto o Porto no mapa e a região na mó de cima e posto o partido no Porto como o maior impulsionador de vitorias, está na hora de retomarmos com mais força do que nunca aqueles,que deram a vida a este partido, mas sem descartar ninguém todos tem lugar neste partido plural mas só no sitio certo….

Jaime resende

Novo membro no SEDE

Hoje, como prometido, juntou-se a nós o Carlos Ribeiro. Julgamos que a maioria o conhece, pois ele tem vindo a preponderar na Assembleia Municipal do Porto pelo PS, sendo não só por isso, um belissimo quadro do partido e um homem da cidade do Porto.
Temos a certeza que a qualidade da sua participação será uma grande valia para este espaço de debate.
Por outro lado a entrada deste novo membro pretende também corresponder à adesão que felizmente este blogue tem tido, incrementada pela segura qualidade que o nosso Carlos trará.

QUANDO vão explicar QUE TEMPO CUSTA DINHEIRO?

Foi quase noticia de abertura do telejornal que o senhor Primeiro Ministro tinha viajado de falcon até Aveiro para assistir a um jogo de futebol.
Escandaloso! Mas neste caso não é o conteúdo da noticia, é a sua existência!
Será que estamos tão mal em Portugal, que este facto possa ser considerado noticia?
Não é que me apeteça pensar muito no assunto em si, a meu ver sem qualquer importância e totalmente justificado, mas apetece-me reflectir como foi justificado, que argumentos por parte do gabinete do PrimeiroMinistro foram usados para desvalorizar o facto.
Aí é que a coisa correu mal! Meus caros, porque é que o gabinete do senhor Primeiro Ministro não se limitou a justificar desta forma?
Sim, a viagem custou 2000 Euros, foi a forma mais rápida de ir até Aveiro e por isso mais barata, PORQUE TEMPO CUSTA MUITO DINHEIRO, e o senhor Primeiro Ministro não foi em lazer foi em representação do Estado Português, foi a forma do governo POUPAR DINHEIRO.
Se esta noticia do falcon tivesse sido bem explicada pelo nosso Governo e utilizada como uma deixa para explicar ao “pessoal” que um dos grandes males do nosso País é não contabilizar o TEMPO que se ganha e se perde como valor económico, tinham feito um “figurão”. Eu pago para que o nosso Primeiro Ministro ande de falcon até Aveiro em 45 minutos descansadamente. Eu pago para que o nosso Primeiro Ministro ande de falcon até Aveiro em 45 minutos descansadamente, e volte rapidamente para pensar e discutir bem e tranquilamente o orçamento de estado, em vez de vir irritado depois de ter passado 3 horas no carro, 1 delas parado no transito. Enfim, eu pago para que o nosso primeiro ministro GANHE TEMPO ao andar de falcon em deslocações de estado nem que seja a Aveiro, PORQUE TEMPO CUSTA MUITO DINHEIRO! Deixem por favor de usar argumentos cheios de pequenas culpas como a que foi dada: o falcon tinha mesmo que ir a Aveiro para não cair na próxima viagem, e o senhor Primeiro Ministro só apanhou boleia. Poupem-nos a argumentos simpáticos, expliquem as coisas como elas são, vão ver que o Povo percebe e agradece. Tinha sido uma oportunidade de ouro, esta do falcon até Aveiro com o nosso Primeiro Ministro, para provar que mau jornalismo pode ser usado para convencer cada um de nós que ao ganhar ou perder tempo está a poupar ou a gastar dinheiro.

Já que querem coscuvilhar

O PS entrou na sua rota de habitual guerrilha interna. Agora medem-se as quantidades de votos que cada parte tem para umas guerras se esperam desprovidas de qualquer sentido político.
Ontem Assis no Público diz que deixa a Federação Distrital (coisa que não sabemos se resulta da sua vontade, ou da conjugação de impossibilidades de se manter).
È evidente que quem aceitou Barbosa Ribeiro em Gaia, Catarino na Maia, um desconhecido Martins em Gondomar, Maria José como 15ª escolha em Valongo, um pouco conhecido quadro do PS contra um ex-governador no Marco e por aí fora não pode esperar que lhe façam um rescaldo positivo do mandato.
Nas suas palavras vê-se o arrastar de Sócrates no discurso, como se esta imolação no distrito, fossem as tripas que temos que comer pela carne enviada a Lisboa. Não é! E não foi!
Além disso ontem no público, Assis, inúmera os potenciais sucessores ao seu lugar distrital: Bexiga (advogado e líder do PS Gondomar) Seabra (advogado e líder em Matosinhos), Guilherme (actual Presidente da Câmara de Matosinhos), Pizarro (médico, deputado, número 2 de Assis, número 2 de Cardoso) e Renato Sampaio (deputado e dos mais destacados e trabalhadores, homem próximo do Secretário-geral – foi o coordenador da campanha de Sócrates no distrito – mas também conhecido no PS pelo parentesco a Orlando Gaspar). Esqueceu Narciso, ainda por cima sendo este o que mais apoios tem (de longe).
Renato aceitou dizer qualquer coisa e disse mais ou menos o seguinte: “Não é um projecto pessoal meu, só se for um projecto também do Secretário-geral!”
Ou seja, o Porto já não é o que era, e por estas bandas já mandam desde lá de baixo. Não está correcto e não ficou bem.

Bom, só realizei esta pequena explicação porque fui desafiado para tal. Na verdade muito mais se poderia dizer, mas seria falar sobre coisas desinteressantes e se calhar pouco credíveis. Estes momentos são realmente o pior dos partidos, mas também os mais decisivos. Fazem-se coisas que não percebemos no imediato, com justificações que estamos mesmo a ver que não são mais que balelas - é o caso da demissão de Francisco Ramos no PSD.

Por todas estas coisas apresenta-se difícil construir projectos ou processos sólidos nos partidos, difícil não é no entanto, impossível.

o tempo que eu também gosto

Que saudades eu tinha da água. Esse abafo do tempo, retidos entre a humidade das paredes e sentindo a chuva nas solas dos sapatos. Arrastando essa películas para dentro de casas e sítios. O Porto mais escuro entretanto e parece que veio a chuva lava-lo!
Quem é do Porto gosta desta chuva, dos episódicos aguaceiros que molham tudo e do tempo quente chato que nos ajuda a secar.
É o Outono total que avisa o Inverno que vem. Pelos vistos assustam-nos com pandemias, querem matar o Peru do Natal? Digo-vos que se arranjarem alguma doença para o bacalhau volto a emigrar, desta vez tenho que levar a família toda, mas vou!
É que já aguentei um ano sem me cair a água na mona, e agora que os ceús abençoaram as ruas, já não aguento que me mudem os hábitos, muito menos as vontades, por isso toca a andar, deixem chover.

terça-feira, outubro 11, 2005

O Copy+Paste do dia

Porque se eu soubesse escrever como o Pedro Olavo Simões, não precisava de fazer copy+paste...

"Boçais e boçalinhos

É com razão que muitos comentadores, entre eles todos os actores políticos que analisam resultados, acentuam o carácter especial de que se revestem as eleições para o poder local.
Não o farão, eventualmente, pelas razões que me levariam a concordar.
Os comentadores profissionais porque os empregos dependem de alguma contenção, os dirigentes partidários porque lhes importa mais dourar algumas pílulas que têm de engolir.
Há quem possa dizer que as autárquicas valem por elas mesmas, por serem o paradigma da democracia em exercício.
Eu valorizo-as pelo que revelam.
Porque mostram Portugal sem grandes máscaras, o país tal como ele é.
Hoje, Portugal revelou-se um país tacanho, parolo.
Um país onde a indigência mental é aceitável, onde todos sabem quem é o José Castelo Branco ou o Zezé Camarinha, onde poucos saberão responder à pergunta imbecil de quem era o presidente da República antes do 25 de Abril.
Somos, como hoje conversava com o meu irmão, uma sociedade que valoriza a incoerência e menospreza a inteligência.
É a sociedade dos 15 minutos de fama, dos machos latinos que se sujeitam a ser alindados por um "esquadrão gay" (acho que se chama assim), quando na vida comum talvez sejam os reis da homofobia, até porque tal lhes fica bem enquanto emborcam cerveja e comem caracóis com os amigalhaços."
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António Moreira