sexta-feira, janeiro 06, 2006

MACRO CAUSA

Estranhamente (ou não) os arautos habituais da transparência das instituições, sempre tão prontos a lançar as suas “micro causas”, parecem estar distraídos quanto ao assunto das contribuições para as campanhas.

É que anda por aí um tal assobiar para o ar…

Será que sou só eu que sempre tive esta curiosidade em saber:


QUEM PAGA A FESTA????????


Assim penso que seria mais que oportuno o lançamento de uma “macro-causa”

Podem por favor os candidatos presidenciais, TODOS, disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?

É que esta pode ser a única forma de esvaziar os boatos que já circulam (como este) e os que não tarda nada, usando a teoria dos telhados de vidro, vão começar a aparecer.
Quem (no resto da "blogosfera") alinha?
Estou para ver.
António Moreira

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Na alfandega

Amanhã, 6ª feira, pela noitinha, há jantar e bailarico aqui com o Dr. Mário Soares!

terça-feira, janeiro 03, 2006

E spaña no es D e P ortugal?

A DEVIDA COMÉDIA

E, já que estamos na Visão, com a devida vénia a Miguel Carvalho :

Se Cavaco fosse de direita - direita mesmo - talvez o homem merecesse um pouco mais de atenção. Mas a direita tem dado à pátria coisa pouco digna de respeito, excepto talvez Mário Soares

Vale a pena ler o resto aqui

António Moreira

Carlos Cáceres Monteiro (1948-2006)




Sentida homenagem

António Moreira

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Os meus principais votos para 2006:

- A grande Vitória de Mário Soares na 2ª volta.
- Derrota de Cavaco em qualquer uma das voltas.
- O Grande FCP de novo campeão.
- A cidade e a região do Porto a recuperar o tempo perdido.
- A economia e a auto-confiança portuguesa em retoma.
- O Governo a olhar devidamente para lá do circulo de 40 Kms à volta de Lisboa.
-O PS a governar bem e atingindo as metas de crescimento propostas.
- A Europa com Paz e assumindo os desafios do novo século.
- Muita “saudinha” para todos.

E já agora, se não for pedir muito…

Um PS-Porto verdadeiramente renovado!
nota: a ordem é praticamente aleatória

Feliz ano novo!

E que 2006 não seja um ano com demasiados ésses e ses, mas ism com muito socialismo!


Uma liberdade religiosa inacabada

A Helena Vilaça enviou-nos este artigo, que saiu hoje no JN. Acho que vale a pena publica-lo também aqui!

A vasta polémica que ocupou páginas de jornal, nas últimas semanas, acerca da retirada das escolas dos crucifixos mais não é do que a ponta de um icebergue dum tema delicado e incómodo para vastos sectores da sociedade portuguesa como é o caso da liberdade religiosa e que denota o quanto ainda há para aprender em matéria de democracia e cidadania.
O simples facto de a ministra da Educação, em resposta a diversas queixas acerca da existência de crucifixos em salas de aula, ter mandado averiguar cada situação e, após auscultação da comunidade escolar, ter feito cumprir a lei, originou um conjunto de reacções exacerbadas como se o Estado português pretendesse impor o laicismo enquanto ideologia dominante tendo como protagonista uma ministra jacobina.As diversidades culturais, religiosas, étnicas constituem uma das principais características da actual fase da modernidade.
Portugal, à semelhança de outros países europeus, tem-se confrontado com este novo cenário de pluralidade, o qual coloca novas questões em vários domínios da sociedade, em especial no sistema político.
Claro que este processo, adquiriu uma nova dimensão depois da II Grande Guerra, mas o início do fim do monolitismo religioso encontra as suas raízes bem antes.A tradição cristã começou a ser objecto de crítica filosófica e política, com os primeiros pensadores humanistas, mas principalmente nos séculos XVI e XVII.
Mais importante do que a atitude de pensadores particulares terá sido o próprio curso da estrutura social e da sociedade em geral. O sociólogo Bryan Wilson chama a atenção para duas "forças poderosas" que acabaram por transformar a tradição cristã o processo de secularização e a emergência do Estado laico.
A coesão social deixou, por esta via, de estar associada ao imperativo do consenso religioso. A religião deixou de assumir como função primeira assegurar a manutenção da ordem social. Gradualmente, a identidade nacional deixou de ser confundida com identidade religiosa e foram sendo reconhecidos os direitos das minorias religiosas e mesmo dos não religiosos ou das minorias anti-clericais. Se o reconhecimento dos direitos individuais só recentemente começou a ser alargado, isso explica-se, no essencial, pela natureza corporativa que caracterizava a vida social. Apesar disso, na Europa, só recentemente a legislação começou a contemplar ou a alargar os direitos das minorias religiosas.
A história ocidental revela, nos vários momentos e contextos geográficos, que sempre que foram feitas leis acerca de liberdades religiosas, estas nunca protagonizaram uma iniciativa de mudança, antes têm representado um imperativo de resposta a acontecimentos, alguns dos quais inesperados. Mesmo nos actuais regimes democráticos podem ser identificados casos de marginalização ou subordinação de grupos religiosos. Nas nossas sociedades, as minorias religiosas são, à partida, desprovidas de poder, recursos e oportunidades face aos detidos por igrejas maioritárias. A projecção que as instituições religiosas dominantes dispõem nos meios de comunicação social é bem ilustrativa do facto. Tendo adquirido uma maior liberdade de expressão, as comunidades religiosas minoritárias em Portugal, ao longo do último quartel do século XX, foram apresentando perante os governos e na esfera pública um conjunto de reivindicações sob o argumento de uma maior igualdade para todos os grupos religiosos e tomando como elemento de comparação a Concordata com a Igreja Católica Romana, situação que consideram de privilégio.
Tanto a renegociação da Concordata como a nova Lei da Liberdade Religiosa representaram, nas primeiras décadas pós 25 de Abril, um assunto de extrema delicadeza para o poder político. Só em finais dos anos noventa, a situação da liberdade religiosa em Portugal foi reavaliada e uma nova lei começou a ser elaborada, tendo sido aprovada pela Assembleia da República em Abril de 2001. A permanência da lei marcelista de 1971 representa um facto contraditório aos princípios democráticos constitucionais. Isto porque a Constituição democrática de 1976, apesar de incluir o direito à liberdade religiosa, manteve uma legislação específica nessa matéria obsoleta.Hoje, embora em termos legislativos, se tenha alcançado uma situação mais próxima de um ideal-tipo de pluralismo religioso, na realidade existe o domínio de um discurso produzido pela cultura religiosa dominante que continua a conceber o país em dois mundos os católicos e os anti-católicos.
Ironizando, podemos dizer que para muitos ser português deveria ser sinónimo de ser católico. O que está em causa, não é negar toda a matriz católica romana que forjou, desde os primórdios da nacionalidade, a cultura na sociedade portuguesa, nem toda a sua herança patrimonial e simbólica inscrita no nosso território. A questão é outra. Concretizemos. Do mesmo modo que não faria qualquer sentido um não católico romano (fosse ele protestante, judeu, testemunha de Jeová, ateu, ou muçulmano) internado num hospital católico, exigir a retirada do crucifixo da parede do quarto, ou no caso de ter filhos a frequentar colégios católicos protestar contra o ensino religioso e os símbolos religiosos ali presentes, também é completamente impróprio (leia-se, anti-constitucional) que num hospital ou numa escola públicos de um Estado laico e democrático estejam presentes elementos religiosos que atentam à crença religiosa individual e obstaculizem a integração de todos e de cada um, na diversidade que tal implica, no espaço público segundo regras de comunicação igualitárias.
Só um Estado que defenda o princípio da laicidade, o que é diferente de ideologia laicista, dispõe de instrumentos para gerir a diversidade e proporciona condições para combater a exclusão. Sim, porque a exclusão religiosa é também uma modalidade de exclusão social e a liberdade religiosa é um direito contemplado na Carta dos Direitos Humanos. Por tudo isto, parabéns senhora ministra.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Avelino's

O valor do nome!
Hoje o Jn brinda-nos com o destaque deste homem que, para minha infelicidade, conspurca o meu nome nas bocas e linguas ensalivadas deste País.
Confesso que me irrita que falem do "Avelino" em vez do "Ferreira Torrres", nome que o celebrizou devido às peripécias facistas e a um estranho assassínio do irmão.
Na verdade este Avelino, deve ter uma das mais divertidas estórias de autarca de todo o País, e quando digo divertidas refiro-me ao aspecto trágico da coisa, que de tão irracional e opaca, só pode dar para rir.


Como sobre o "Ferreira Torres" pouco mais existe a dizer, entretantro fiquem com outros "avelinos":

cidade de Pedro Avelino

cidade de Avellino

provincia de Avellino

Clube de futebol Union Sportiva Avellino

Pai de Álvaro Cunhal - Avelino Cunhal

Caves Avelino Vegas

Santo Andrea Avellino


terça-feira, dezembro 27, 2005

26 de Dezembro



Fez um ano que o Oceano Índico turvou a vida dos Homens. Fez um ano que lágrimas salgadas e grossas de pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos e amigos se misturaram para sempre com o Mar. Um Mar que, de repente, perdeu as fronteiras e abalou definitivamente equilíbrios. A minha homenagem a Todos!
No meio desta imensa tragédia, também não consigo deixar de pensar naquela pequena ilha do Pacífico, mesmo na trajectória do Tsunami, onde todos se salvaram. Ali, a tradição ditava que, numa guerra de fronteiras entre mar e terra, ao recuo do mar se seguiria, por certo, uma nova investida. Sabendo de antemão que nessa guerra de mar e terra o Homem seria “sacrificado”, os habitantes da ilha decidiram refugiar-se na floresta. E com esta atitude de “mágica” sabedoria se salvaram.
O jogo de adaptação do Homem às mudanças da Natureza só pode ser por Ele ganho, e às vezes, se Ele reconhecer o ténue equilíbrio que rege este jogo. E foi isso que aconteceu naquela pequena e primitiva ilha do Pacífico.
Ali reconhece-se que entre terra e mar existem fronteiras bem definidas, ali reconhece-se que a mudança dessas fronteiras implica perder equilíbrios, ali reconhece-se que quando o mar recua ele vai avançar a seguir com mais força, ali reconhece-se que o Homem tem que agir depois de observar, ali reconhece-se que a sabedoria também passa por estar atento às pequenas diferenças e tentar perceber o Mundo como um Todo.
Nesta nossa adaptação à Natureza, o Equilíbrio é feito da constante atenção à Mudança.

Raquel Seruca

Olha, olha, olha



Este "rapaz", o puto das eleições presidenciais, lá vai mostrando a face.
Primeiro foi aquela vitória democratica, séria e esmagadora, nas eleições internas com 99,999% virgula 999 dos votos.
Agora já não está com meias medidas, e já diz à boca cheia que a menina Joana vai ver nas listas o resultado do seu apoio a Soares. Sim senhor! E dizem-se "de confiança".
Menina Joana,não se apoquente, que o rapaz não presta. Isso os homens são como os autocarros, quando se perde um, vem logo outro a seguir. Pelo menos os dos STCP. Os da Carris é outra estória.

Olha, olha



Este "jovem" ainda não foi eleito e já quer governar.
Secretarias de Estado, propostas de lei, não se terá ele enganado nas eleições, na candidatura.
Essas foram em Fevereiro passado.

"O Franco Atirador" tem pontaria


Mantendo a tradição do copy+paste e, apesar do tempo já passado, o que é tão bem escrito não perde (se calhar ganha) actualidade, assim, com a devida vénia ao "Da Literatura" permito-me transcrever este magnífico texto de Luis M. Jorge, publicado originalmente n"O Franco Atirador".
Obrigado
António Moreira:
Luís M. Jorge, O Franco Atirador. Eu não diria melhor:

«[...] Mário Soares é um homem com muitos defeitos.
É pouco rigoroso, inchado, agressivo e tem de Portugal a visão de uma coutada ao dispor da família Barroso e dos seus amigos de Macau.
Além disso, está rodeado de gente sem espírito crítico nem competência política, o que se paga caro quando é preciso alinhavar uma estratégia ou impôr alguma modéstia à feira de vaidades que é este país.
No entanto, creio que Mário Soares tem grandeza.
Ele combateu o Salazar, quando Cavaco combatia por medalhas de atletismo.
Ele criou um partido no exílio, quando Cavaco criava raízes em York.
Ele ajudou a fazer o 25 de Abril, lutou por uma democracia representativa, combateu os comunistas, calou os militares, e impôs algum juizo ao General Eanes quando ele se convenceu que era o General de Gaulle.
Aliou-se aos americanos, incorrendo no ódio mortal da nossa patética esquerda.
Impôs disciplina financeira a uma terra que ainda andava a falar de reforma agrária.
E, acima de tudo, colocou esta nação de trôpegos e néscios camponeses na União Europeia. [...]
E enquanto isso, o que foi feito de Cavaco?
Cavaco andou a tratar da vidinha e a dar-se ares de “grande homem”, “rigoroso” e "competente”.
Eu não tenho nada contra o fascínio das classes médias por um módico de respeitabilidade.
Só que ser respeitável não é um salvo-conduto para a santidade, nem o devia ser para uma Presidência da República. [...]
Mário Soares não é Manuel Alegre nem está, felizmente, senil.
Lembra-se como gozavam com ele quando iniciou esta campanha?
Como a Direita o tratava com desdém?
Como diziam que tinha o espírito toldado, a cabeça imprestável, o verbo desarticulado, o ouvido duro, as respostas desfasadas?
Não ouvi ninguém queixar-se disso ontem à noite.
Ontem à noite, Mário Soares humilhou Cavaco Silva.
Fê-lo sem civilidade?
Talvez.
Mas isso não desculpa que o vosso “brilhante”, “competente” e “rigoroso” timoneiro saísse dali vexado por um ancião. [...]
Quanto aos próximos debates, concordo que não serão necessários.
Cavaco Silva, tal como George W. Bush, vai ganhar.»

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Uma prenda de Natal, recebida por e-mail :-)

Querido Pai Natal

Sou eu, estou a escrever-te de Portugal , tás a ver onde é Portugal ?!
Oh pá... o país do engenheiro Socrates?!
A OTA ?! Não sabes? !
Lembraste de teres passado numa cidade bonita, tipo histórica, o Porto ?!
Sim... exactamente a cidade do FCP ... pronto, o Porto fica em Portugal, já percebeste agora de onde te estou a escrever?

Escrevo-te porque quero que saibas que em Portugal todos lucraram contigo, os franshings e os comissionistas das multinacionais encheram as caixas registadoras e até o comercio tradicional fez muito dinheiro, com os produtos da china que lá compraste.
Graças a ti, os hipermercados esgotaram o bacalhau da Noruega, as batatas espanholas já pesadas e lavadas e os bombons da Itália.
Sabes Pai Natal já houve tempos em Portugal, que os 500 euros do subsidio de natal , davam para muitas prendas portuguesas , este ano compramos metade das prendas mas tudo estrangeiro, já viste?! ... foi como se tivéssemos viajado por todo o mundo para realizar um Natal tipicamente português.
E o próximo Natal ainda vai ser melhor, com os lucros deste ano, vamos poder trocar o tradicional bacalhau, pelo Happy Meal americano que já traz presente.
Sim é uma ideia do nosso PM.
Oh Pai Natal mas eu queria mesmo era agradecer-te o livro do Saramago traduzido em português, foi o melhor presente que recebi ... compras-te na Fnac .. dizia no embrulho.
Alias, essa de trazeres os presentes embrulhados em papeis de lojas multinacionais torna-te um Pai Natal muito moderno, o meu filho disse que tu eras um fixório , porque foste comprar os presentes a Toys U Rus e a Imaginarum , que também são as lojas preferidas dele.
Ah... já me esquecia de te agradecer aquele comboio TGV que deste ao meu filho com estações espanholas , é muito giro, circula a alta velocidade.
Ele tinha um daqueles que faziam Puf Puf , mas era muito lento , e também as estações já estavam desactualizadas só tinha Régua, Pocinho, Porto e Lisboa ... era obsólento.
Pai Natal não te maço mais , espero que tenhas gostado do vinho do Porto, este ano o cálice que te deixei parecia um copo de champanhe, mas sabes é que quase não se produz vidro em Portugal, e não tive tempo, nem dinheiro para comprar aqueles copos do Siza Viera.
Mas olha que o vinho era uma colheita caríssima, a colheita de 2003... lembraste???? ... aquele ano em quase não houve vinho? pois é uma colheita cara e rara , este Natal aproveitamos para exporta-la para todo o mundo- vai ser uma ano em cheio para o vinho da região.
Adeus querido Pai Natal , para o ano cá te espero.
Muitos beijinhos desta tua amiga do Porto de Portugal
Incoerente

O LIXO DO PORTO


Enquanto por outras paragens se apostava sobre se este iria ou não ser um “White Christmas” e os cidadãos aspiravam a acordar e encontrar as suas cidades cobertas de um alvo manto de neve, a Câmara Municipal do Porto optou pela originalidade e apostou em mostrar, nas TVs e Jornais de todo o mundo, a nossa cidade coberta de lixo.

Para este feito, o qual não implicou qualquer custo para a edilidade (antes pelo contrário), e que ainda poderá vir a ser proposto como mais um record ao “Guiness”, a CMP contou com a colaboração graciosa dos cerca de seiscentos trabalhadores aos quais decidiu, unilateralmente, suspender os cerca de 115 € de subsídio nocturno (aproximadamente um quinto do salário mensal), os quais acordaram em efectuar uma greve às horas extraordinárias desde a meia-noite da “Noite de Natal” a qual irá ser complementada pela tolerância de ponto que a autarquia concedeu hoje, a todos os trabalhadores municipais, a qual já não exclui os trabalhadores afectos à recolha do lixo, pelo que se depreende que a CMP já não considera este um serviço essencial.

Recorde-se que, segundo o PJ, para justificar a suspensão do pagamento do referido subsídio a Câmara do Porto “baseou-se num parecer preliminar da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) que considerou “ilegal” o pagamento do prémio. Todavia, a sub-inspectora Geral da IGAT revelou em exclusivo ao JANEIRO que o Regulamento das Acções Inspectivas determina que as entidades alvo de inspecções, como as câmaras, só fiquem obrigadas ao cumprimento de um determinado parecer a partir do despacho tutelar.
O que, reportando para o caso do Porto, significa que a autarquia poderia ter continuado a proceder ao pagamento do subsídio, até que o relatório final da IGAT fosse homologado pelo secretário de Estado da Administração do Território”.
Ora, por mais desinformação que a CMP queira transmitir à população através do seu site de propaganda, é mais do que evidente que uma coisa é a retribuição do trabalho, acordada entre a entidade patronal (CMP) e os trabalhadores, e outra coisa, completamente diferente, é a forma como esses valores são classificados e processados pela autarquia.

O facto de, eventualmente, a Câmara Municipal do Porto ter vindo a classificar e a processar uma parte (significativa) da retribuição que paga aos trabalhadores da recolha do lixo, de uma forma ilegal, apenas significa que a actuação da Câmara do Porto é irregular (ou ilegal) e nunca que a actuação dos seus trabalhadores é irregular ou ilegal.

Assim, os alvos de eventual penalização por estes comportamentos irregulares (ou ilegais) deverão ser os responsáveis por essa actuação (o Presidente da Câmara do Porto e os vereadores e directores municipais responsáveis por estes actos) e nunca os trabalhadores nem, por arrastamento, todos os cidadãos.

Como é habitual, e fará parte integrante da sua personalidade, Rui Rio tenta passar para outros as culpas pela sua irresponsabilidade e incompetência.

Para aqueles, também responsáveis por esta situação, que votaram neste senhor para presidente da Câmara Municipal da nossa cidade, antes que comecem a atacar a caixa de comentários com “contra-informação” e procurem agora encontrar outras leituras ou outros responsáveis para esta situação absolutamente vergonhosa só temos a colocar as seguintes questões:

Quem é responsável pelo sistema de recolha de lixos?
Quem é responsável pela forma como são fixadas as retribuições dos seus trabalhadores?
Quem é responsável pela classificação e processamento das retribuições?
Quem é responsável por garantir o cumprimento da legislação?

Que vergonha termos, mais uma vez, todo a país a falar do Porto …


António Moreira

sábado, dezembro 24, 2005

Bom Natal

A todos os que "penosamente" nos lêem e/ou divertidamente nos provocam, desejos de um Natal muito feliz. Confesso que não vejo esta quadra com o peso religioso que muitos lhe tentam dar, mas antes como um "sagrado" ponto de encontro de família e amigos. O ritual, que tão comercialmente trabalhoso se torna, é um momento que também se pode partilhar nos blogues.
Por isso a todos os "blogueiros", que tão bom contributo tem dado à participação civica neste País, lembrando-nos sempre que nenhuma opinião é má, mas que mau é nunca ter opinião, votos de um BOM NATAL !


Obra de Christo

Christo and Jeanne-Claude: Wrapped Trees, Fondation Beyeler and Berower Park, Riehen, Switzerland, 1997-98

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Bom Natal



Porque um "abstencionista militante", por vezes também vota...
Aqui vão os meus votos:

Para os "sedentos" e para os outros
Para os "comentadores" e para os outros
Para os "crentes" e para os outros
Para os meus amigos e para os "outros"

A todos

Um Bom Natal



António Moreira

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Onde se vende o Homem de Palha

Algures no Pulo do Lobo, local onde, como se sabe, não se lê jornais nem outra coisa qualquer, andam a vender um Homem de Palha!


Sobre o Mário Soares e Cavaco

As muitas opiniões sobre Mário Soares justificam que se faça uma pequena reflexão. Já tenho dito que estas eleições presidenciais encerram um ciclo que se iniciou em Abril (ou até antes disso, na oposição ao regime). Mas já não há mais Heróis dessa estirpe, sendo que os que sobram, como Soares ou Alegre (custa-me mete-los no mesmo saco, mas enfim), já não podem continuar a falar da história, porque ninguém quer ouvir, após 30 anos a história lê-se e explica-se, não se conta com base em episódios ou historietas de encontros e desencontros.
Por outro lado está demonstrado que Cavaco Silva nunca conseguirá representar o Presidente com a densidade que o mais velho País da Europa precisa. O ex-Primeiro-Ministro sempre foi mais um economista do que um político. E politico significa compreender a dimensão humana, a dimensão económica e a dimensão social de Portugal.
Nesse aspecto Soares está melhor, mas no entanto está velho! E nota-se nas rugas, no catarro, nos bocejos e nos olhos às vezes mingados.
Mas Cavaco está, quanto a mim, a fazer a campanha mais artificial que há história, expondo-se pouco, intervindo menos e reconhecendo que não preenche todos os requisitos de quem vota nele. Neste acto de contricção estará também a sua força, ainda que ele continue a esconder e mascarar as suas debilidades. Em cavaco também importa o distanciamento, porque essa distância – a proxemia, habitual nos professores - estará a sua segurança, como se descobrindo-lhe a intimidade se verá afinal um homem frágil, inquieto (pois calado não significa sereno) e assumidamente inculto.
Soares é o oposto, assume todos os defeitos e virtudes, usa-as, manipula-as, ostenta a idade como demonstra energia, enerva-se às vezes e modera outras tantas. Representa aquilo que qualquer um de nós quer deixar na recta final da sua vida – perseverança emuita história, muitas memórias. Lembro-me de Agostinho da Silva – sem dentes – iluminando as ideias dos meus serões de adolescente na televisão. Não vi nele um velho, vi um sábio. Soares é o politico por excelência, irá até ao fim a fazer o quer e a pensar em Portugal – nem todos concordarão com ele – e depois? Não quer saber, não quer ser unânime, quer ser politico. Não quer ser empalhado vivo!
Julgo que a pior coisa, mais desrespeitosa que lhe fazem é tratá-lo como se o que dissesse não conta para nada, porque já é velho. Faz-se como aqueles adolescentes que começam a opinar sobre o que os rodeia e os mais experientes fazem chacota do “puto”. Os “putos” , por seu lado, fazem chacota dos “velhos”, e no meio, uns e outro perdem a oportunidade de compreender a contemporaneidade. Porquê? PorqueA sociedade está cada vez mais dependente dos mais idosos, expelindo uma crise social de equilíbrios entre estado social ou estado regulador. Entre Segurança social ou Plano de poupança e reforma. Na primeira estará Soares, na segunda está Cavaco. Uma é mais antiga do que outra! Qual das duas preferem?