E, já que estamos na Visão, com a devida vénia a Miguel Carvalho :
Se Cavaco fosse de direita - direita mesmo - talvez o homem merecesse um pouco mais de atenção. Mas a direita tem dado à pátria coisa pouco digna de respeito, excepto talvez Mário Soares
Vale a pena ler o resto aqui
António Moreira
terça-feira, janeiro 03, 2006
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Os meus principais votos para 2006:
- A grande Vitória de Mário Soares na 2ª volta.
- Derrota de Cavaco em qualquer uma das voltas.
- O Grande FCP de novo campeão.
- A cidade e a região do Porto a recuperar o tempo perdido.
- A economia e a auto-confiança portuguesa em retoma.
- O Governo a olhar devidamente para lá do circulo de 40 Kms à volta de Lisboa.
-O PS a governar bem e atingindo as metas de crescimento propostas.
- A Europa com Paz e assumindo os desafios do novo século.
- Muita “saudinha” para todos.
E já agora, se não for pedir muito…
Um PS-Porto verdadeiramente renovado!
- Derrota de Cavaco em qualquer uma das voltas.
- O Grande FCP de novo campeão.
- A cidade e a região do Porto a recuperar o tempo perdido.
- A economia e a auto-confiança portuguesa em retoma.
- O Governo a olhar devidamente para lá do circulo de 40 Kms à volta de Lisboa.
-O PS a governar bem e atingindo as metas de crescimento propostas.
- A Europa com Paz e assumindo os desafios do novo século.
- Muita “saudinha” para todos.
E já agora, se não for pedir muito…
Um PS-Porto verdadeiramente renovado!
nota: a ordem é praticamente aleatória
Feliz ano novo!
E que 2006 não seja um ano com demasiados ésses e ses, mas ism com muito socialismo!

Uma liberdade religiosa inacabada
A Helena Vilaça enviou-nos este artigo, que saiu hoje no JN. Acho que vale a pena publica-lo também aqui!
A vasta polémica que ocupou páginas de jornal, nas últimas semanas, acerca da retirada das escolas dos crucifixos mais não é do que a ponta de um icebergue dum tema delicado e incómodo para vastos sectores da sociedade portuguesa como é o caso da liberdade religiosa e que denota o quanto ainda há para aprender em matéria de democracia e cidadania.
O simples facto de a ministra da Educação, em resposta a diversas queixas acerca da existência de crucifixos em salas de aula, ter mandado averiguar cada situação e, após auscultação da comunidade escolar, ter feito cumprir a lei, originou um conjunto de reacções exacerbadas como se o Estado português pretendesse impor o laicismo enquanto ideologia dominante tendo como protagonista uma ministra jacobina.As diversidades culturais, religiosas, étnicas constituem uma das principais características da actual fase da modernidade.
Portugal, à semelhança de outros países europeus, tem-se confrontado com este novo cenário de pluralidade, o qual coloca novas questões em vários domínios da sociedade, em especial no sistema político.
Claro que este processo, adquiriu uma nova dimensão depois da II Grande Guerra, mas o início do fim do monolitismo religioso encontra as suas raízes bem antes.A tradição cristã começou a ser objecto de crítica filosófica e política, com os primeiros pensadores humanistas, mas principalmente nos séculos XVI e XVII.
Mais importante do que a atitude de pensadores particulares terá sido o próprio curso da estrutura social e da sociedade em geral. O sociólogo Bryan Wilson chama a atenção para duas "forças poderosas" que acabaram por transformar a tradição cristã o processo de secularização e a emergência do Estado laico.
A coesão social deixou, por esta via, de estar associada ao imperativo do consenso religioso. A religião deixou de assumir como função primeira assegurar a manutenção da ordem social. Gradualmente, a identidade nacional deixou de ser confundida com identidade religiosa e foram sendo reconhecidos os direitos das minorias religiosas e mesmo dos não religiosos ou das minorias anti-clericais. Se o reconhecimento dos direitos individuais só recentemente começou a ser alargado, isso explica-se, no essencial, pela natureza corporativa que caracterizava a vida social. Apesar disso, na Europa, só recentemente a legislação começou a contemplar ou a alargar os direitos das minorias religiosas.
A história ocidental revela, nos vários momentos e contextos geográficos, que sempre que foram feitas leis acerca de liberdades religiosas, estas nunca protagonizaram uma iniciativa de mudança, antes têm representado um imperativo de resposta a acontecimentos, alguns dos quais inesperados. Mesmo nos actuais regimes democráticos podem ser identificados casos de marginalização ou subordinação de grupos religiosos. Nas nossas sociedades, as minorias religiosas são, à partida, desprovidas de poder, recursos e oportunidades face aos detidos por igrejas maioritárias. A projecção que as instituições religiosas dominantes dispõem nos meios de comunicação social é bem ilustrativa do facto. Tendo adquirido uma maior liberdade de expressão, as comunidades religiosas minoritárias em Portugal, ao longo do último quartel do século XX, foram apresentando perante os governos e na esfera pública um conjunto de reivindicações sob o argumento de uma maior igualdade para todos os grupos religiosos e tomando como elemento de comparação a Concordata com a Igreja Católica Romana, situação que consideram de privilégio.
Tanto a renegociação da Concordata como a nova Lei da Liberdade Religiosa representaram, nas primeiras décadas pós 25 de Abril, um assunto de extrema delicadeza para o poder político. Só em finais dos anos noventa, a situação da liberdade religiosa em Portugal foi reavaliada e uma nova lei começou a ser elaborada, tendo sido aprovada pela Assembleia da República em Abril de 2001. A permanência da lei marcelista de 1971 representa um facto contraditório aos princípios democráticos constitucionais. Isto porque a Constituição democrática de 1976, apesar de incluir o direito à liberdade religiosa, manteve uma legislação específica nessa matéria obsoleta.Hoje, embora em termos legislativos, se tenha alcançado uma situação mais próxima de um ideal-tipo de pluralismo religioso, na realidade existe o domínio de um discurso produzido pela cultura religiosa dominante que continua a conceber o país em dois mundos os católicos e os anti-católicos.
Ironizando, podemos dizer que para muitos ser português deveria ser sinónimo de ser católico. O que está em causa, não é negar toda a matriz católica romana que forjou, desde os primórdios da nacionalidade, a cultura na sociedade portuguesa, nem toda a sua herança patrimonial e simbólica inscrita no nosso território. A questão é outra. Concretizemos. Do mesmo modo que não faria qualquer sentido um não católico romano (fosse ele protestante, judeu, testemunha de Jeová, ateu, ou muçulmano) internado num hospital católico, exigir a retirada do crucifixo da parede do quarto, ou no caso de ter filhos a frequentar colégios católicos protestar contra o ensino religioso e os símbolos religiosos ali presentes, também é completamente impróprio (leia-se, anti-constitucional) que num hospital ou numa escola públicos de um Estado laico e democrático estejam presentes elementos religiosos que atentam à crença religiosa individual e obstaculizem a integração de todos e de cada um, na diversidade que tal implica, no espaço público segundo regras de comunicação igualitárias.
Só um Estado que defenda o princípio da laicidade, o que é diferente de ideologia laicista, dispõe de instrumentos para gerir a diversidade e proporciona condições para combater a exclusão. Sim, porque a exclusão religiosa é também uma modalidade de exclusão social e a liberdade religiosa é um direito contemplado na Carta dos Direitos Humanos. Por tudo isto, parabéns senhora ministra.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Avelino's
O valor do nome!
Hoje o Jn brinda-nos com o destaque deste homem que, para minha infelicidade, conspurca o meu nome nas bocas e linguas ensalivadas deste País.
Confesso que me irrita que falem do "Avelino" em vez do "Ferreira Torrres", nome que o celebrizou devido às peripécias facistas e a um estranho assassínio do irmão.
Confesso que me irrita que falem do "Avelino" em vez do "Ferreira Torrres", nome que o celebrizou devido às peripécias facistas e a um estranho assassínio do irmão.
Na verdade este Avelino, deve ter uma das mais divertidas estórias de autarca de todo o País, e quando digo divertidas refiro-me ao aspecto trágico da coisa, que de tão irracional e opaca, só pode dar para rir.
Como sobre o "Ferreira Torres" pouco mais existe a dizer, entretantro fiquem com outros "avelinos":
cidade de Pedro Avelino
cidade de Avellino

provincia de Avellino
Clube de futebol Union Sportiva Avellino
Pai de Álvaro Cunhal - Avelino Cunhal
Caves Avelino Vegas
Santo Andrea Avellino
terça-feira, dezembro 27, 2005
26 de Dezembro

Fez um ano que o Oceano Índico turvou a vida dos Homens. Fez um ano que lágrimas salgadas e grossas de pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos e amigos se misturaram para sempre com o Mar. Um Mar que, de repente, perdeu as fronteiras e abalou definitivamente equilíbrios. A minha homenagem a Todos!
No meio desta imensa tragédia, também não consigo deixar de pensar naquela pequena ilha do Pacífico, mesmo na trajectória do Tsunami, onde todos se salvaram. Ali, a tradição ditava que, numa guerra de fronteiras entre mar e terra, ao recuo do mar se seguiria, por certo, uma nova investida. Sabendo de antemão que nessa guerra de mar e terra o Homem seria “sacrificado”, os habitantes da ilha decidiram refugiar-se na floresta. E com esta atitude de “mágica” sabedoria se salvaram.
O jogo de adaptação do Homem às mudanças da Natureza só pode ser por Ele ganho, e às vezes, se Ele reconhecer o ténue equilíbrio que rege este jogo. E foi isso que aconteceu naquela pequena e primitiva ilha do Pacífico.
Ali reconhece-se que entre terra e mar existem fronteiras bem definidas, ali reconhece-se que a mudança dessas fronteiras implica perder equilíbrios, ali reconhece-se que quando o mar recua ele vai avançar a seguir com mais força, ali reconhece-se que o Homem tem que agir depois de observar, ali reconhece-se que a sabedoria também passa por estar atento às pequenas diferenças e tentar perceber o Mundo como um Todo.
Nesta nossa adaptação à Natureza, o Equilíbrio é feito da constante atenção à Mudança.
Raquel Seruca
No meio desta imensa tragédia, também não consigo deixar de pensar naquela pequena ilha do Pacífico, mesmo na trajectória do Tsunami, onde todos se salvaram. Ali, a tradição ditava que, numa guerra de fronteiras entre mar e terra, ao recuo do mar se seguiria, por certo, uma nova investida. Sabendo de antemão que nessa guerra de mar e terra o Homem seria “sacrificado”, os habitantes da ilha decidiram refugiar-se na floresta. E com esta atitude de “mágica” sabedoria se salvaram.
O jogo de adaptação do Homem às mudanças da Natureza só pode ser por Ele ganho, e às vezes, se Ele reconhecer o ténue equilíbrio que rege este jogo. E foi isso que aconteceu naquela pequena e primitiva ilha do Pacífico.
Ali reconhece-se que entre terra e mar existem fronteiras bem definidas, ali reconhece-se que a mudança dessas fronteiras implica perder equilíbrios, ali reconhece-se que quando o mar recua ele vai avançar a seguir com mais força, ali reconhece-se que o Homem tem que agir depois de observar, ali reconhece-se que a sabedoria também passa por estar atento às pequenas diferenças e tentar perceber o Mundo como um Todo.
Nesta nossa adaptação à Natureza, o Equilíbrio é feito da constante atenção à Mudança.
Raquel Seruca
Olha, olha, olha

Este "rapaz", o puto das eleições presidenciais, lá vai mostrando a face.
Primeiro foi aquela vitória democratica, séria e esmagadora, nas eleições internas com 99,999% virgula 999 dos votos.
Agora já não está com meias medidas, e já diz à boca cheia que a menina Joana vai ver nas listas o resultado do seu apoio a Soares. Sim senhor! E dizem-se "de confiança".
Menina Joana,não se apoquente, que o rapaz não presta. Isso os homens são como os autocarros, quando se perde um, vem logo outro a seguir. Pelo menos os dos STCP. Os da Carris é outra estória.
Olha, olha
Este "jovem" ainda não foi eleito e já quer governar.
Secretarias de Estado, propostas de lei, não se terá ele enganado nas eleições, na candidatura.
Essas foram em Fevereiro passado.
"O Franco Atirador" tem pontaria

Mantendo a tradição do copy+paste e, apesar do tempo já passado, o que é tão bem escrito não perde (se calhar ganha) actualidade, assim, com a devida vénia ao "Da Literatura" permito-me transcrever este magnífico texto de Luis M. Jorge, publicado originalmente n"O Franco Atirador".
Obrigado
António Moreira:
«[...] Mário Soares é um homem com muitos defeitos.
É pouco rigoroso, inchado, agressivo e tem de Portugal a visão de uma coutada ao dispor da família Barroso e dos seus amigos de Macau.
Além disso, está rodeado de gente sem espírito crítico nem competência política, o que se paga caro quando é preciso alinhavar uma estratégia ou impôr alguma modéstia à feira de vaidades que é este país.
No entanto, creio que Mário Soares tem grandeza.
Ele combateu o Salazar, quando Cavaco combatia por medalhas de atletismo.
Ele criou um partido no exílio, quando Cavaco criava raízes em York.
Ele ajudou a fazer o 25 de Abril, lutou por uma democracia representativa, combateu os comunistas, calou os militares, e impôs algum juizo ao General Eanes quando ele se convenceu que era o General de Gaulle.
Aliou-se aos americanos, incorrendo no ódio mortal da nossa patética esquerda.
Impôs disciplina financeira a uma terra que ainda andava a falar de reforma agrária.
E, acima de tudo, colocou esta nação de trôpegos e néscios camponeses na União Europeia. [...]
E enquanto isso, o que foi feito de Cavaco?
Cavaco andou a tratar da vidinha e a dar-se ares de “grande homem”, “rigoroso” e "competente”.
Eu não tenho nada contra o fascínio das classes médias por um módico de respeitabilidade.
Só que ser respeitável não é um salvo-conduto para a santidade, nem o devia ser para uma Presidência da República. [...]
Mário Soares não é Manuel Alegre nem está, felizmente, senil.
Lembra-se como gozavam com ele quando iniciou esta campanha?
Como a Direita o tratava com desdém?
Como diziam que tinha o espírito toldado, a cabeça imprestável, o verbo desarticulado, o ouvido duro, as respostas desfasadas?
Não ouvi ninguém queixar-se disso ontem à noite.
Ontem à noite, Mário Soares humilhou Cavaco Silva.
Fê-lo sem civilidade?
Talvez.
Mas isso não desculpa que o vosso “brilhante”, “competente” e “rigoroso” timoneiro saísse dali vexado por um ancião. [...]
Quanto aos próximos debates, concordo que não serão necessários.
Cavaco Silva, tal como George W. Bush, vai ganhar.»
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Uma prenda de Natal, recebida por e-mail :-)
Querido Pai Natal
Sou eu, estou a escrever-te de Portugal , tás a ver onde é Portugal ?!
Oh pá... o país do engenheiro Socrates?!
A OTA ?! Não sabes? !
Lembraste de teres passado numa cidade bonita, tipo histórica, o Porto ?!
Sim... exactamente a cidade do FCP ... pronto, o Porto fica em Portugal, já percebeste agora de onde te estou a escrever?
Escrevo-te porque quero que saibas que em Portugal todos lucraram contigo, os franshings e os comissionistas das multinacionais encheram as caixas registadoras e até o comercio tradicional fez muito dinheiro, com os produtos da china que lá compraste.
Graças a ti, os hipermercados esgotaram o bacalhau da Noruega, as batatas espanholas já pesadas e lavadas e os bombons da Itália.
Sou eu, estou a escrever-te de Portugal , tás a ver onde é Portugal ?!
Oh pá... o país do engenheiro Socrates?!
A OTA ?! Não sabes? !
Lembraste de teres passado numa cidade bonita, tipo histórica, o Porto ?!
Sim... exactamente a cidade do FCP ... pronto, o Porto fica em Portugal, já percebeste agora de onde te estou a escrever?
Escrevo-te porque quero que saibas que em Portugal todos lucraram contigo, os franshings e os comissionistas das multinacionais encheram as caixas registadoras e até o comercio tradicional fez muito dinheiro, com os produtos da china que lá compraste.
Graças a ti, os hipermercados esgotaram o bacalhau da Noruega, as batatas espanholas já pesadas e lavadas e os bombons da Itália.
Sabes Pai Natal já houve tempos em Portugal, que os 500 euros do subsidio de natal , davam para muitas prendas portuguesas , este ano compramos metade das prendas mas tudo estrangeiro, já viste?! ... foi como se tivéssemos viajado por todo o mundo para realizar um Natal tipicamente português.
E o próximo Natal ainda vai ser melhor, com os lucros deste ano, vamos poder trocar o tradicional bacalhau, pelo Happy Meal americano que já traz presente.
Sim é uma ideia do nosso PM.
Oh Pai Natal mas eu queria mesmo era agradecer-te o livro do Saramago traduzido em português, foi o melhor presente que recebi ... compras-te na Fnac .. dizia no embrulho.
Alias, essa de trazeres os presentes embrulhados em papeis de lojas multinacionais torna-te um Pai Natal muito moderno, o meu filho disse que tu eras um fixório , porque foste comprar os presentes a Toys U Rus e a Imaginarum , que também são as lojas preferidas dele.
Ah... já me esquecia de te agradecer aquele comboio TGV que deste ao meu filho com estações espanholas , é muito giro, circula a alta velocidade.
Ele tinha um daqueles que faziam Puf Puf , mas era muito lento , e também as estações já estavam desactualizadas só tinha Régua, Pocinho, Porto e Lisboa ... era obsólento.
Pai Natal não te maço mais , espero que tenhas gostado do vinho do Porto, este ano o cálice que te deixei parecia um copo de champanhe, mas sabes é que quase não se produz vidro em Portugal, e não tive tempo, nem dinheiro para comprar aqueles copos do Siza Viera.
Mas olha que o vinho era uma colheita caríssima, a colheita de 2003... lembraste???? ... aquele ano em quase não houve vinho? pois é uma colheita cara e rara , este Natal aproveitamos para exporta-la para todo o mundo- vai ser uma ano em cheio para o vinho da região.
Adeus querido Pai Natal , para o ano cá te espero.
Muitos beijinhos desta tua amiga do Porto de Portugal
Incoerente
O LIXO DO PORTO

Enquanto por outras paragens se apostava sobre se este iria ou não ser um “White Christmas” e os cidadãos aspiravam a acordar e encontrar as suas cidades cobertas de um alvo manto de neve, a Câmara Municipal do Porto optou pela originalidade e apostou em mostrar, nas TVs e Jornais de todo o mundo, a nossa cidade coberta de lixo.
Para este feito, o qual não implicou qualquer custo para a edilidade (antes pelo contrário), e que ainda poderá vir a ser proposto como mais um record ao “Guiness”, a CMP contou com a colaboração graciosa dos cerca de seiscentos trabalhadores aos quais decidiu, unilateralmente, suspender os cerca de 115 € de subsídio nocturno (aproximadamente um quinto do salário mensal), os quais acordaram em efectuar uma greve às horas extraordinárias desde a meia-noite da “Noite de Natal” a qual irá ser complementada pela tolerância de ponto que a autarquia concedeu hoje, a todos os trabalhadores municipais, a qual já não exclui os trabalhadores afectos à recolha do lixo, pelo que se depreende que a CMP já não considera este um serviço essencial.
Recorde-se que, segundo o PJ, para justificar a suspensão do pagamento do referido subsídio a Câmara do Porto “baseou-se num parecer preliminar da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) que considerou “ilegal” o pagamento do prémio. Todavia, a sub-inspectora Geral da IGAT revelou em exclusivo ao JANEIRO que o Regulamento das Acções Inspectivas determina que as entidades alvo de inspecções, como as câmaras, só fiquem obrigadas ao cumprimento de um determinado parecer a partir do despacho tutelar.
O que, reportando para o caso do Porto, significa que a autarquia poderia ter continuado a proceder ao pagamento do subsídio, até que o relatório final da IGAT fosse homologado pelo secretário de Estado da Administração do Território”.
Para este feito, o qual não implicou qualquer custo para a edilidade (antes pelo contrário), e que ainda poderá vir a ser proposto como mais um record ao “Guiness”, a CMP contou com a colaboração graciosa dos cerca de seiscentos trabalhadores aos quais decidiu, unilateralmente, suspender os cerca de 115 € de subsídio nocturno (aproximadamente um quinto do salário mensal), os quais acordaram em efectuar uma greve às horas extraordinárias desde a meia-noite da “Noite de Natal” a qual irá ser complementada pela tolerância de ponto que a autarquia concedeu hoje, a todos os trabalhadores municipais, a qual já não exclui os trabalhadores afectos à recolha do lixo, pelo que se depreende que a CMP já não considera este um serviço essencial.
Recorde-se que, segundo o PJ, para justificar a suspensão do pagamento do referido subsídio a Câmara do Porto “baseou-se num parecer preliminar da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) que considerou “ilegal” o pagamento do prémio. Todavia, a sub-inspectora Geral da IGAT revelou em exclusivo ao JANEIRO que o Regulamento das Acções Inspectivas determina que as entidades alvo de inspecções, como as câmaras, só fiquem obrigadas ao cumprimento de um determinado parecer a partir do despacho tutelar.
O que, reportando para o caso do Porto, significa que a autarquia poderia ter continuado a proceder ao pagamento do subsídio, até que o relatório final da IGAT fosse homologado pelo secretário de Estado da Administração do Território”.
Ora, por mais desinformação que a CMP queira transmitir à população através do seu site de propaganda, é mais do que evidente que uma coisa é a retribuição do trabalho, acordada entre a entidade patronal (CMP) e os trabalhadores, e outra coisa, completamente diferente, é a forma como esses valores são classificados e processados pela autarquia.
O facto de, eventualmente, a Câmara Municipal do Porto ter vindo a classificar e a processar uma parte (significativa) da retribuição que paga aos trabalhadores da recolha do lixo, de uma forma ilegal, apenas significa que a actuação da Câmara do Porto é irregular (ou ilegal) e nunca que a actuação dos seus trabalhadores é irregular ou ilegal.
Assim, os alvos de eventual penalização por estes comportamentos irregulares (ou ilegais) deverão ser os responsáveis por essa actuação (o Presidente da Câmara do Porto e os vereadores e directores municipais responsáveis por estes actos) e nunca os trabalhadores nem, por arrastamento, todos os cidadãos.
Como é habitual, e fará parte integrante da sua personalidade, Rui Rio tenta passar para outros as culpas pela sua irresponsabilidade e incompetência.
Para aqueles, também responsáveis por esta situação, que votaram neste senhor para presidente da Câmara Municipal da nossa cidade, antes que comecem a atacar a caixa de comentários com “contra-informação” e procurem agora encontrar outras leituras ou outros responsáveis para esta situação absolutamente vergonhosa só temos a colocar as seguintes questões:
Quem é responsável pelo sistema de recolha de lixos?
Quem é responsável pela forma como são fixadas as retribuições dos seus trabalhadores?
Quem é responsável pela classificação e processamento das retribuições?
Quem é responsável por garantir o cumprimento da legislação?
Que vergonha termos, mais uma vez, todo a país a falar do Porto …
António Moreira
O facto de, eventualmente, a Câmara Municipal do Porto ter vindo a classificar e a processar uma parte (significativa) da retribuição que paga aos trabalhadores da recolha do lixo, de uma forma ilegal, apenas significa que a actuação da Câmara do Porto é irregular (ou ilegal) e nunca que a actuação dos seus trabalhadores é irregular ou ilegal.
Assim, os alvos de eventual penalização por estes comportamentos irregulares (ou ilegais) deverão ser os responsáveis por essa actuação (o Presidente da Câmara do Porto e os vereadores e directores municipais responsáveis por estes actos) e nunca os trabalhadores nem, por arrastamento, todos os cidadãos.
Como é habitual, e fará parte integrante da sua personalidade, Rui Rio tenta passar para outros as culpas pela sua irresponsabilidade e incompetência.
Para aqueles, também responsáveis por esta situação, que votaram neste senhor para presidente da Câmara Municipal da nossa cidade, antes que comecem a atacar a caixa de comentários com “contra-informação” e procurem agora encontrar outras leituras ou outros responsáveis para esta situação absolutamente vergonhosa só temos a colocar as seguintes questões:
Quem é responsável pelo sistema de recolha de lixos?
Quem é responsável pela forma como são fixadas as retribuições dos seus trabalhadores?
Quem é responsável pela classificação e processamento das retribuições?
Quem é responsável por garantir o cumprimento da legislação?
Que vergonha termos, mais uma vez, todo a país a falar do Porto …
António Moreira
sábado, dezembro 24, 2005
Bom Natal
A todos os que "penosamente" nos lêem e/ou divertidamente nos provocam, desejos de um Natal muito feliz. Confesso que não vejo esta quadra com o peso religioso que muitos lhe tentam dar, mas antes como um "sagrado" ponto de encontro de família e amigos. O ritual, que tão comercialmente trabalhoso se torna, é um momento que também se pode partilhar nos blogues.
Por isso a todos os "blogueiros", que tão bom contributo tem dado à participação civica neste País, lembrando-nos sempre que nenhuma opinião é má, mas que mau é nunca ter opinião, votos de um BOM NATAL !
Obra de Christo

sexta-feira, dezembro 23, 2005
Bom Natal
Aqui vão os meus votos:
Para os "sedentos" e para os outros
Para os "comentadores" e para os outros
Para os "sedentos" e para os outros
Para os "comentadores" e para os outros
Para os "crentes" e para os outros
Para os meus amigos e para os "outros"
A todos
Um Bom Natal
Para os meus amigos e para os "outros"
A todos
Um Bom Natal



António Moreira
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Onde se vende o Homem de Palha
Algures no Pulo do Lobo, local onde, como se sabe, não se lê jornais nem outra coisa qualquer, andam a vender um Homem de Palha!

Sobre o Mário Soares e Cavaco
As muitas opiniões sobre Mário Soares justificam que se faça uma pequena reflexão. Já tenho dito que estas eleições presidenciais encerram um ciclo que se iniciou em Abril (ou até antes disso, na oposição ao regime). Mas já não há mais Heróis dessa estirpe, sendo que os que sobram, como Soares ou Alegre (custa-me mete-los no mesmo saco, mas enfim), já não podem continuar a falar da história, porque ninguém quer ouvir, após 30 anos a história lê-se e explica-se, não se conta com base em episódios ou historietas de encontros e desencontros.
Por outro lado está demonstrado que Cavaco Silva nunca conseguirá representar o Presidente com a densidade que o mais velho País da Europa precisa. O ex-Primeiro-Ministro sempre foi mais um economista do que um político. E politico significa compreender a dimensão humana, a dimensão económica e a dimensão social de Portugal.
Nesse aspecto Soares está melhor, mas no entanto está velho! E nota-se nas rugas, no catarro, nos bocejos e nos olhos às vezes mingados.
Mas Cavaco está, quanto a mim, a fazer a campanha mais artificial que há história, expondo-se pouco, intervindo menos e reconhecendo que não preenche todos os requisitos de quem vota nele. Neste acto de contricção estará também a sua força, ainda que ele continue a esconder e mascarar as suas debilidades. Em cavaco também importa o distanciamento, porque essa distância – a proxemia, habitual nos professores - estará a sua segurança, como se descobrindo-lhe a intimidade se verá afinal um homem frágil, inquieto (pois calado não significa sereno) e assumidamente inculto.
Soares é o oposto, assume todos os defeitos e virtudes, usa-as, manipula-as, ostenta a idade como demonstra energia, enerva-se às vezes e modera outras tantas. Representa aquilo que qualquer um de nós quer deixar na recta final da sua vida – perseverança emuita história, muitas memórias. Lembro-me de Agostinho da Silva – sem dentes – iluminando as ideias dos meus serões de adolescente na televisão. Não vi nele um velho, vi um sábio. Soares é o politico por excelência, irá até ao fim a fazer o quer e a pensar em Portugal – nem todos concordarão com ele – e depois? Não quer saber, não quer ser unânime, quer ser politico. Não quer ser empalhado vivo!
Julgo que a pior coisa, mais desrespeitosa que lhe fazem é tratá-lo como se o que dissesse não conta para nada, porque já é velho. Faz-se como aqueles adolescentes que começam a opinar sobre o que os rodeia e os mais experientes fazem chacota do “puto”. Os “putos” , por seu lado, fazem chacota dos “velhos”, e no meio, uns e outro perdem a oportunidade de compreender a contemporaneidade. Porquê? PorqueA sociedade está cada vez mais dependente dos mais idosos, expelindo uma crise social de equilíbrios entre estado social ou estado regulador. Entre Segurança social ou Plano de poupança e reforma. Na primeira estará Soares, na segunda está Cavaco. Uma é mais antiga do que outra! Qual das duas preferem?
Por outro lado está demonstrado que Cavaco Silva nunca conseguirá representar o Presidente com a densidade que o mais velho País da Europa precisa. O ex-Primeiro-Ministro sempre foi mais um economista do que um político. E politico significa compreender a dimensão humana, a dimensão económica e a dimensão social de Portugal.
Nesse aspecto Soares está melhor, mas no entanto está velho! E nota-se nas rugas, no catarro, nos bocejos e nos olhos às vezes mingados.
Mas Cavaco está, quanto a mim, a fazer a campanha mais artificial que há história, expondo-se pouco, intervindo menos e reconhecendo que não preenche todos os requisitos de quem vota nele. Neste acto de contricção estará também a sua força, ainda que ele continue a esconder e mascarar as suas debilidades. Em cavaco também importa o distanciamento, porque essa distância – a proxemia, habitual nos professores - estará a sua segurança, como se descobrindo-lhe a intimidade se verá afinal um homem frágil, inquieto (pois calado não significa sereno) e assumidamente inculto.
Soares é o oposto, assume todos os defeitos e virtudes, usa-as, manipula-as, ostenta a idade como demonstra energia, enerva-se às vezes e modera outras tantas. Representa aquilo que qualquer um de nós quer deixar na recta final da sua vida – perseverança emuita história, muitas memórias. Lembro-me de Agostinho da Silva – sem dentes – iluminando as ideias dos meus serões de adolescente na televisão. Não vi nele um velho, vi um sábio. Soares é o politico por excelência, irá até ao fim a fazer o quer e a pensar em Portugal – nem todos concordarão com ele – e depois? Não quer saber, não quer ser unânime, quer ser politico. Não quer ser empalhado vivo!
Julgo que a pior coisa, mais desrespeitosa que lhe fazem é tratá-lo como se o que dissesse não conta para nada, porque já é velho. Faz-se como aqueles adolescentes que começam a opinar sobre o que os rodeia e os mais experientes fazem chacota do “puto”. Os “putos” , por seu lado, fazem chacota dos “velhos”, e no meio, uns e outro perdem a oportunidade de compreender a contemporaneidade. Porquê? PorqueA sociedade está cada vez mais dependente dos mais idosos, expelindo uma crise social de equilíbrios entre estado social ou estado regulador. Entre Segurança social ou Plano de poupança e reforma. Na primeira estará Soares, na segunda está Cavaco. Uma é mais antiga do que outra! Qual das duas preferem?
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Olha esta abécula!

Era assim que António Borges queria o Aeroporto de Pedras Rubras!
Diz ele que o que lá está agora é um gigante inutil. Criticou também a construção da Casa da Música. Não lhe deu para falar dos dois gigantes estádios de futebol afastados 3kms na capital, ou então do CCB ou da casa da maezinha dele.
Espero que este palerma, candidato a ser o Cavaco II, se preocupe em voltar aos EUA e deixar de palrar como se percebesse de alguma coisa neste País.
Leão engole Cavaco ao Jantar
O debate de ontem mostrou que Soares é decididamente o candidato da esquerda!
Faça-se honra a Louçã que também é o unico mais preocupado com a completa falta de perfil e de conhecimento de Cavaco para nos representar enquanto Presidente.
Todos os outros fizeram cosquinhas, e agora dizem que o "velho Leão" foi demasiado agressivo. Pois, pois, mas não estaria ele velho demais e com vontade de dormir em tudo quanto era canto? Quem foi o velho a dizer banalidades num discurso redondo? Terá sido Soares?
Cavaco falou que será um colaborador do Governo, exercendo influência e consolidando a estratégia. E se a estratégia inverter o governo?
Se todos reconhecemos que este é um momento de crise para o País, talvez fosse mais prudente eleger um Presidente com grande experiência do que um Professor de economia que dá os livros à mulher para lêr.
Depois aquela mensagem subliminar à familia que Cavaco lançou, fez mesmo lembrar a saudosa Senhora do Estado Novo, faltou o Fado e o Futebol.
Ficamos também a saber que Cavaco guarda recortes do El País, e até que o mesmo Jornal esceve em Português fluido, senão como iria o Professor lêr aquilo em Portunhol.
Leão engole Cavaco ao Jantar
O debate de ontem mostrou que Soares é decidic«damente o candidatodaa esquerda!
Faça-se honra a Louçã que também é o unico mais preocupado com a completa falta de perfil e de conhecimento de Cavaco para nos representar enquanto Presidente.
Todos os outros fizeram cosquinhas, e agora dizem que o "velho Leão" foi demasiado agressivo. Pois, pois, mas nã estaria ele velho demais e com vontade de dormir em tudo quanto era canto? Quem foi o velho a dizer banalidades num discurso redondo? Terá sido Soares?
Cavao falou que será um colaborador do Governo, exercendo influência consolidando a estratégia. E se a estratégia inverter o governo?
Se todos reconhecemos que este é um momento de crise para o País, talvez fosse mais prudente eleger um Presidente com grande experiência do que um Professor de economia que dá os livros à mulher para lêr.
Depois aquela mensagem subliminar à familia que Cavaco lançou fez mesmo lembrar a saudosa Senhora do Estado Novo, faltou o Fado e o Futebol.
Ficamos também a saber que Cavaco guarda recortes do El País, e até que o mesmo Jornal esceve em Português fluido, senão como iria o Professor lêr aquilo em Portunhol.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Não há derrotas neste quartel!
O interesse pela política começa a aumentar. Tenho-me deparado cada vez mais com conversas cruzadas de café e discussões de corredor, entre jovens e velhos, velhos e jovens, jovens e jovens e nem tão jovens nem tão velhos. Na verdade esta eleição presidencial tem servido para demonstrar de que forma a cidadania passa também pelo interesse nas questões de estado. Isto porque o populismo mais baratucho tem andado arredio, não que não haja laivos da coisa em quase todos os candidatos, mas o pormenor não se tem sobreposto ao essencial. Assim o murro no braço do Soares, o carro do parlamento que o Alegre usa em campanha, ou o chega para lá ao Marques Mendes que lhe deu Cavaco, não tem sido suficiente para alimentar as capas sensacionalistas.
Creio que os tempos que virão serão de uma muito maior participação pública e por inerência nos partidos. É que se esgotaram as figuras que possam com a sua liderança disfarçar a necessidade de apresentar novos projectos, da direita à esquerda, onde tanto Ribeiro e Castro como Jerónimo são lideres sem chama, passando pelo apagado Mendes e pelo já muito desgastado Louçã.
Sócrates não tem adversários ao seu nivel, nem tanto pelo patamar de elevação política que atingiu, mas sim pelo desfazamento existente nos outros partidos. É por essa razão quem nem sequer perdeu as autárquicas e seja qual for o resultado não perderá as presidenciais.
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Mas ...
Seja qual for a sua escolha, milhares virão para as ruas festejar

Como sempre
Desde que prevalece o princípio:
"UM HOMEM UM VOTO"
Pois:
Há princípios que não se discutem!

(Nem fins?, nem meios?)
António Moreira
Sem sombra de pecado

Embora tenha passado relativamente despercebida, a noticia circulou em vários órgãos de comunicação social, nacionais e estrangeiros; Bento XVI acabou com o limbo.
Diz que mesmo o próprio inferno tem os dias contados, que os tempos já não estão fáceis por aqui, quanto mais agora ainda um inferno à séria, com almas a arder em sofrimento eterno, vítimas dos seus próprios pecados, a carpir as suas culpas.
Não, definitivamente os tempos não estão para isso. Os relativismos culturais, multidoutrinais, o pluralismo religioso, impele a igreja a repensar a sua relação com os fiéis e ela própria a relativizar conceitos e definições consagradas.
Quanto a mim o problema é mesmo este, esta quase materialização de conceitos na vida das pessoas, que depois, afinal, não passam disso mesmo, e que tão facilmente quanto aparecem, se vão. Deixando para trás um rasto de angustia e sofrimento de milhares e milhões pessoas.
Diz que mesmo o próprio inferno tem os dias contados, que os tempos já não estão fáceis por aqui, quanto mais agora ainda um inferno à séria, com almas a arder em sofrimento eterno, vítimas dos seus próprios pecados, a carpir as suas culpas.
Não, definitivamente os tempos não estão para isso. Os relativismos culturais, multidoutrinais, o pluralismo religioso, impele a igreja a repensar a sua relação com os fiéis e ela própria a relativizar conceitos e definições consagradas.
Quanto a mim o problema é mesmo este, esta quase materialização de conceitos na vida das pessoas, que depois, afinal, não passam disso mesmo, e que tão facilmente quanto aparecem, se vão. Deixando para trás um rasto de angustia e sofrimento de milhares e milhões pessoas.
"In theological usage the name is applied to (a) the temporary place or state of the souls of the just who, although purified from sin, were excluded from the beatific vision until Christ's triumphant ascension into Heaven (the "limbus patrum"); or (b) to the permanent place or state of those unbaptized children and others who, dying without grievous personal sin, are excluded from the beatific vision on account of original sin alone (the "limbus infantium" or "puerorum")."
Mas o limbo é também uma linguagem de programação informática, uma famosa canção de Chubby Checker, pelo menos um filme de hollyhood, uma dança, nome de várias associações, etc..
É muito para acabar assim, sem mais. Sem referendo, sem votação, sem debates televisivos, sem processos na procuradoria-geral. É que apesar de tudo sempre tem uns anitos. Um não-lugar com 102 anos e um verdadeiro buraco negro da cultura ocidental.
João Paulo II tinha já dado uma forte machadada no inferno, redefinindo-o apenas como o lugar daqueles que se afastam dos caminhos de Deus em oposição a uma visão mais comum, mais dantesca, caracterizada pelos horríveis sofrimentos, pelos eternos gemidos, pelas blasfémias e pelos lamentos. (Eu cá acho que foi premonição de Dante, esse lugar só apareceu recentemente na blogosfera portuguesa). Mas Bento XVI foi mais longe, convenhamos que foi preciso coragem para acabar com o limbo. Bem-haja.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Muito bem dito!
Não podia estar mais de acordo com este texto no blasfémias. Ainda por cima eu tenho contacto com muitos dos intervenientes nesta confusão gerada pela Ordem dos Arquitectos, desde estagiários não-remunerados da Lusiada, Faup, Árvore, etc. Como dos principais contestatários deste estado de coisas, ou seja licenciados pelo ministério da educação vedados de entrar na OA . O famoso parecer do Provedor de Justiça é, por sinal, uma resposta a um ex-aluno meu, que por acaso é casado com uma advogada, por isso avançou.
Isto é das coisas que mais envergonham os arquitectos, e não há textura de madeira, tipo de pedra, ou detalhe construtivo que me apague da memória homens como Keil do Amaral, que sempre lutaram pela classe e não se borrifaram nos outros, que por admirarem o mediatismo dos Sizas e Mouras quiseram-lhes seguir as pisadas. Defender a classe é defender a arquitectura portuguesa. Defender a classe é não aceitar este corporativismo bacoco. Defender a classe é aceitar o numero dos seus profissionais e tratar a todos como iguais. Defender a classe não é hierarquizar, porque se temos arquitectos tão bons, tão bons, que precisam de 70 jovens arquitectos no escritório a trabalhar, ao menos que dêem a cara por aqueles que os ajudam a pôr o plafond no cartão de crédito.
Isto vem de telenovelas e de jornais. Putos que querem ser arquitectos como o modelo/actor lisboeta ou americano da Tv. Desenhadores que sonharam a vida toda ser arquitectos. Engenheiros que decidem ser finalmente arquitectos (porque o paizinho quando ele tinha 18, lhe disse que as belas artes era para malucos e maricôncios, - mas agora já é bem diferente). E todos moeram o corpo em 5 ou 6 longos anos de faculdade. Todos fizeram directas e de certeza quase todos compraram os mesmos livros, usaram os mesmos programas de computador, usaram o Kline para as mesmas maquetas, visitaram as mesmas obras, ouviram e disseram as mesmas coisas, ora modernas, ora pós-modernas, exemplificaram com os nomes de sempre. Agora que são muitos há que fechar a porta, como nas discotecas cheias (desculpe mas temos a lotação completa).
Haja mas é vergonha!
quarta-feira, dezembro 07, 2005
O que eu não compreendo!
Não é por acaso que a hermenêutica é considerada a escola de pensamento oposta ao positivismo. Ou seja nesta discussão da Ota e do TGV parece tudo uma questão de linguística, pois não se consegue perceber onde está a posição do Porto nesta conjuntura. Nem sequer perceber com dados o que os falam. Os estudos indicam palavras e os números são como prosas que ora vacilam entre a romântica demanda e a austero ensaio científico, inconclusivo.
E mesmo neste exercício de hermenêutica, ou seja na técnica da interpretação prática de um assunto, vulgo compreensão, é que a coisa se põe. Ainda que nós, como Heidegger achemos que toda compreensão apresenta uma "estrutura circular", ou seja que "Toda interpretação, para produzir compreensão, deve já ter compreendido o que vai interpretar".
Assim nesta base compreendemos que se sobre a Ota as coisas são complicadas, no TGV parecem ficar claras, pois dizer que o trajecto Lisboa-Porto é afinal o trajecto Ota – Pedras Rubras, está-se mesmo a ver que é dizer para o que afianl ele serve.
Confesso não compreender a dificuldade das personagens políticas do Porto em se envolverem nos debates mais relevantes da sua região. Ás vezes parece que os deputados não são eleitos pelos círculos distritais, ou pior ainda, que a divisão territorial dos partidos não os autonomiza para posições (pelo menos) de dúvida perante algumas decisões.
Este governo é o meu governo. Digo-o convicto que o é na plenitude dos meus actos e da minha concordância com a sua actuação, a sua estratégia e as sua esperança. Não significa isto que seja apropriado vincularmo-nos às suas decisões de forma seguidista, pois nenhum regionalista convicto consegue concordar com esta delapidação dos argumentos descentralizadores que sempre proliferaram no País.
Estou convicto que estas medidas são as últimas consequências do referendo sobre a regionalização de 98 e tem que ser o principio da inversão nesta matéria.
No Porto estamos perante uma crise estrutural séria, quer ao nível económico, quer ao nível do que nunca lhe faltou – representantes políticos assumidamente imbuídos da alma da sua região. Parece que agora, quem está na política tem vergonha de falar na regionalização (vulgo descentralização), como se o tema não estivesse tão actual como sempre.
Confesso a minha irritação quando muitos ao pé de mim se afirmam cépticos da velha causa regional, mas compreendo que tenham razão – a velha causa, dos anteriores protagonistas, como é o caso de Fernando Gomes já acabou. A nova estratégia tem que ser bem mais generosa e abandonar um certo “Portocentrismo” nortenho, observando que o fim das linhas de Porto-Vigo ou a redução da ligação do litoral a Trás-dos-Montes prejudica verdadeiramente uma vasta região que não está sustentada no Porto.
A verdade mesmo, é que o Porto já não é a verdadeira “Capital do Norte”, ou se ainda o for é num papel meramente simbólico, pois o Grande Porto é que ainda mantém a sua importância. A própria Câmara do Porto já pouco significa, retratado no que acontece em Gaia, pois o seu Presidente é o líder sombra do PSD.
E mesmo neste exercício de hermenêutica, ou seja na técnica da interpretação prática de um assunto, vulgo compreensão, é que a coisa se põe. Ainda que nós, como Heidegger achemos que toda compreensão apresenta uma "estrutura circular", ou seja que "Toda interpretação, para produzir compreensão, deve já ter compreendido o que vai interpretar".
Assim nesta base compreendemos que se sobre a Ota as coisas são complicadas, no TGV parecem ficar claras, pois dizer que o trajecto Lisboa-Porto é afinal o trajecto Ota – Pedras Rubras, está-se mesmo a ver que é dizer para o que afianl ele serve.
Confesso não compreender a dificuldade das personagens políticas do Porto em se envolverem nos debates mais relevantes da sua região. Ás vezes parece que os deputados não são eleitos pelos círculos distritais, ou pior ainda, que a divisão territorial dos partidos não os autonomiza para posições (pelo menos) de dúvida perante algumas decisões.
Este governo é o meu governo. Digo-o convicto que o é na plenitude dos meus actos e da minha concordância com a sua actuação, a sua estratégia e as sua esperança. Não significa isto que seja apropriado vincularmo-nos às suas decisões de forma seguidista, pois nenhum regionalista convicto consegue concordar com esta delapidação dos argumentos descentralizadores que sempre proliferaram no País.
Estou convicto que estas medidas são as últimas consequências do referendo sobre a regionalização de 98 e tem que ser o principio da inversão nesta matéria.
No Porto estamos perante uma crise estrutural séria, quer ao nível económico, quer ao nível do que nunca lhe faltou – representantes políticos assumidamente imbuídos da alma da sua região. Parece que agora, quem está na política tem vergonha de falar na regionalização (vulgo descentralização), como se o tema não estivesse tão actual como sempre.
Confesso a minha irritação quando muitos ao pé de mim se afirmam cépticos da velha causa regional, mas compreendo que tenham razão – a velha causa, dos anteriores protagonistas, como é o caso de Fernando Gomes já acabou. A nova estratégia tem que ser bem mais generosa e abandonar um certo “Portocentrismo” nortenho, observando que o fim das linhas de Porto-Vigo ou a redução da ligação do litoral a Trás-dos-Montes prejudica verdadeiramente uma vasta região que não está sustentada no Porto.
A verdade mesmo, é que o Porto já não é a verdadeira “Capital do Norte”, ou se ainda o for é num papel meramente simbólico, pois o Grande Porto é que ainda mantém a sua importância. A própria Câmara do Porto já pouco significa, retratado no que acontece em Gaia, pois o seu Presidente é o líder sombra do PSD.
Mais ainda, no Partido Socialista já ninguém parece suficientemente forte para assumir o discurso que ainda se deseja ver acontecer. Mas esses desejos são que ele, o discurso, traga menos acento na pronuncia e mais expressão nos actos, pois o servilismo decorrente de uma maioria absoluta pode comprometer a independência, e os hábitos Queirosianos de ver o resto como paisagem estão no limite do aceitável. E ainda por cima ninguém diz nada.
Portanto, devemos, cada vez mais refundar as causas políticas e produzir um pensamento coerente com a contemporaneidade dos temas - e é o caso.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
por razões óbvias
Preferencialmente, não está na génese deste blogue nenhuma posição interna partidária. Mas muitas vezes cada um coloca os seus argumentos e aproveita o espaço para falar abertamente da lógica orgânica partidária – no caso, a do PS Porto. E isso é positivo.
Assim, não tem sentido que sejamos esquivos perante a visibilidade dos nossos actos enquanto políticos. Vêm isto a propósito de uma noticia ontem no jn, onde se fazia publicamente saber o que internamente já todos sabiam: irei estar envolvido num projecto político de combate à liderança do PS Porto., dizendo melhor, há um conjunto de gente com muito passado e com muito futuro que estará envolvido na construção de um projecto que procure melhorar e incentivar o PS no Porto.
Em primeiro lugar é justo que também aqui no Sede se compreenda a liberdade de opinião e que o facto de existir um ou dois que se dispõe a qualquer acção política, ela não compromete nenhum dos outros. Em segundo recordar que o PS está envolvido nas eleições presidenciais, cujo objectivo não é fácil de alcançar, mas merece o nosso esforço, pelo que não é ainda o momento de concretizar o conteúdo político interno que desejamos.
Assim, não tem sentido que sejamos esquivos perante a visibilidade dos nossos actos enquanto políticos. Vêm isto a propósito de uma noticia ontem no jn, onde se fazia publicamente saber o que internamente já todos sabiam: irei estar envolvido num projecto político de combate à liderança do PS Porto., dizendo melhor, há um conjunto de gente com muito passado e com muito futuro que estará envolvido na construção de um projecto que procure melhorar e incentivar o PS no Porto.
Em primeiro lugar é justo que também aqui no Sede se compreenda a liberdade de opinião e que o facto de existir um ou dois que se dispõe a qualquer acção política, ela não compromete nenhum dos outros. Em segundo recordar que o PS está envolvido nas eleições presidenciais, cujo objectivo não é fácil de alcançar, mas merece o nosso esforço, pelo que não é ainda o momento de concretizar o conteúdo político interno que desejamos.
Mesmo assim, sem precisar de acrescentar muito mais, devo dizer que as razões que sustentam a candidatura são as óbvias.
Porque o natal está próximo

Quem tem mais em comum?
Belmiro de Azevedo e uma caixeira do Continente de Gaia?
Ou
Uma caixeira do Continente de Gaia e uma do Jumbo de Alfragide?
Um professor da Católica do Porto e um toxicodependente do Aleixo?
Ou
Um toxicodependente do Aleixo e outro da Cova da Moura?
Belmiro de Azevedo e uma caixeira do Continente de Gaia?
Ou
Uma caixeira do Continente de Gaia e uma do Jumbo de Alfragide?
Um professor da Católica do Porto e um toxicodependente do Aleixo?
Ou
Um toxicodependente do Aleixo e outro da Cova da Moura?
O Sr. Abade das Antas e um jovem licenciado desempregado de Campanha?
Ou
Um jovem licenciado desempregado de Campanha e outro de Benfica?
Uma qualquer “Patanisca Cerqueira Gomes” e um reformado com a pensão mínima, de Paranhos?
Ou
Um reformado com a pensão mínima, de Paranhos e outro de Carnide?
António Moreira
Demolimos?

Ó Avelino
“...Não há poder referendário, casuisticamente popular, pseudo anarquista como aqui o António Moreira…”
Vai interessante a discussão vai, mas não vale chamar nomes, OK?
Eu sei que a atitude cientifica leva a procurar classificar os espécies desconhecidos, de acordo com os grupos já estudados e catalogados, mas, nem sempre se acerta…
Por vezes, quando tantos se debruçam sobre o mesmo problema, há tanto tempo, sem encontrar soluções, deve-se procurar adoptar uma análise não científica para tentar encontrar outros caminhos.
Não é que todos sabiam que o sol girava em torno da terra…
Pois então
Se, na realidade, se pretende discutir sociedade e estado.
Se todos(?) temos consciência de que algo (muito?) não está bem.
Se todos(?) temos consciência de que é necessário “inventar” um novo modelo.
….
Porque teimamos em manter tantos dogmas?
Porque não pomos TUDO em causa?
Porque nos recusamos a discutir algumas “verdades”
Ó arquitectos (sedentos e não só)
Para projectar a forma de urbanização ideal de uma dada área já urbanizada, não será importante primeiro, analisar o que lá está e ver o que se deve manter e o que deve ser demolido?
Então digam-me lá.
(por hoje começamos com algumas simples)
Porque é que se tem que votar tudo num só dia (das 08 ás 19)?
Porque é que se tem que votar exactamente naquele local?
Não se pode votar no Multibanco, na Internet, ou nas máquinas da “Santa Casa”?
Porque é que não se pode conhecer a evolução da votação?
Porque é que a Assembleia da República não pode contratar uma empresa privada (nacional ou não) para assegurar o governo da nação?
E, já agora, porque é que a Assembleia Municipal não pode contratar uma empresa privada (nacional ou não) para assegurar a gestão da câmara municipal?
Porque é que é preciso um Presidente da República?
Não servia o Presidente da Assembleia da República?
E esta para os “liberais”
Qual é a diferença entre o estado e um condomínio?
E entre o estado e a família?
E entre família e condomínio?
Porque é que o princípio de “um homem um voto” é tão cegamente aceite?
Então, no caso de um referendo à IVG, o voto da mãe da Joana (ou do pai da Vanessa) vale tanto como o meu e o seu?
E, no mesmo referendo, os padres (católicos e castos) devem também votar?
E, já agora, os homens?
E, em todos os casos, o voto do “emplastro”, é igual ao do Avelino?
E, já agora, num referendo à regionalização, o voto dos “lisboetas” deve contar?
Para a Cristina:
“…não sei kal o regime ke virá a seguir, não sei eu, nem sabe a minha geração, nos estamos aki apenas a exprimentar ate ao osso o sistema, mas ke ha-de vir um mais evoluido e justo .... não tenho duvidas…”
Não sou assim tão optimista, receio que, se não formos (nós ou os nossos filhos) capazes de “inventar” e implementar o tal sistema mais “evoluído e justo”, serão as vítimas do nosso sistema a impor-nos um outro, duvido que melhor.
Porque é que o princípio de “um homem um voto” é tão cegamente aceite?
Então, no caso de um referendo à IVG, o voto da mãe da Joana (ou do pai da Vanessa) vale tanto como o meu e o seu?
E, no mesmo referendo, os padres (católicos e castos) devem também votar?
E, já agora, os homens?
E, em todos os casos, o voto do “emplastro”, é igual ao do Avelino?
E, já agora, num referendo à regionalização, o voto dos “lisboetas” deve contar?
Para a Cristina:
“…não sei kal o regime ke virá a seguir, não sei eu, nem sabe a minha geração, nos estamos aki apenas a exprimentar ate ao osso o sistema, mas ke ha-de vir um mais evoluido e justo .... não tenho duvidas…”
Não sou assim tão optimista, receio que, se não formos (nós ou os nossos filhos) capazes de “inventar” e implementar o tal sistema mais “evoluído e justo”, serão as vítimas do nosso sistema a impor-nos um outro, duvido que melhor.
Volta e meia lembram-nos isso, com bombas, aviões ou carros a arder, mas nós não ligamos…
E, para concluir por agora, um pequeno exercício de aritmética:
1
1 X 50 = 50
50 X 50 = 2.500
2.500 X 50 = 125.000
125.000 X 50 = 6.250.000
???
António Moreira
quarta-feira, novembro 30, 2005
Mais estado ou menos estado? – parte II
Assim o caso da Ota segue a lógica neo-liberal de uma economia que se quer competitiva no curto prazo. Há mais aviões, mais viagens – logo maior aeroporto. Melhor se o estado fizer uns contratos programa e acções de convergência com financiadoras, bancos, construtoras, etc.
O emagrecimento da função pública, o plano de contenção orçamental vendem-se como resultado da inevitável economia aberta e assumem finalmente que o estado é pesado demais. Evidentemente que está aqui estampada a critica ao pós 25 de Abril - digo eu!
Ora bem, de acordo, isto resultou de duas décadas em que o sonho de qualquer melro é trabalhar para o estado e abrir uma empresa por fora. Agora que se fechou a torneira dos quadros na função pública já ninguém fala de cartões, boys e factor C. Mas se puxarem pela memória observam que essa coisa do cartão começou por ser o denominado “cartão laranja” e rebentou nas mãos do mudo Cavaco Silva. Foi também por aí que começaram os quadros comunitários, com dinheiro europeu para uma estrutural mudança em Portugal. Muito foi desperdiçado, mas também muito foi modernizado e chegamos a convergir com a média europeia. Fizemo-lo tão bem que conseguimos caber dentro da moeda Euro.
Foi, portanto, nas “vacas gordas” que ninguém se preocupava demasiado com o papel do estado, fosse mais ou menos – se fosse mais, melhor, desde que fizesse o movimento aos fundos e ao constante investimento. Daí a uma política aberta de consumo com aberrações como uma horrorosa comparticipação nos empréstimos dos jovens (divertidos e despreocupados a comprar apartamentos de luxo) que explodiu um mercado do imobiliário muito depressa, uma fraca posição fiscal e a nenhuma consertação social, pois como se está a ver os acordos de reformas assim, assado, sistemas de saúde para militares desta maneira, motoristas da carris daquela, e Toninhos como o Zé, ficam-se pela caixa de previdencia.
Este estado, errático, confuso, gordo, mal organizado, não é consequência da esquerda, mas sim do bloco central que tem vergonha de assumir-se retentora dos avanços neo-liberais. Da esquerda que tarda em falar de equilíbrios sociais, económicos e culturais (vide as consequências das ultimas privatizações), e da social-democracia que rompeu com a lógica do estado gestor, para ir a correr transformar o estado nessa coisa hiobrida que nem manda muito nem desmanda. Assim como o grupo da Telecom a comandar os media, ou a confusão na justiça, o a bandalheira jurídica à volta das autarquias – onde a gestão danosa pode ser a gestão popular desde que seja encontrada a razão da cabala.
Por isso dizia que os conservadores sempre ganharam a guerra surda sobre as vanguardas, por isso a política (essencialmente social-democrata na Europa ocidental) está descredibilizada e instituições como a Igreja, por pior que procedam, seguem como pilares da comunidade. E porque será?
Creio que a questão é que, a social democracia subtitui o socialismo, e a esquerda deixou de ser também “doutrinal” para passar a ser o receptáculo ideal da economia de mercado. A mesma economia aberta que justifica os interesses americanos no médio oriente e os disfarce com a defesa dos direitos humanos. É que esta cultura americana de policiar o mundo só esclarece que nos faltam referências, tipologias sociais e muita pedagogia.
Por isso me revolto com a alienação que tem havido das pessoas perante os partidos políticos. Ninguém se quer misturar com “os políticos” por duas razões, a saber:
- Não precisam de definir (inclusive a eles próprios) o que pensam das ideologias, do País, do Mundo, da sociedade, das políticas. Assim podem votar em branco, ou neste e naquele conforme o discurso, o projecto, a cor do cabelo e o signo que pertencem, glosando com isso – porque até é chique.
- Não querem incomodar-se e verem-se envolvidos nas lógicas disputas que a participação pública implica. É mais fácil assinar uma petição independente, ou criticar no correio do leitor – não compromete, e assim tranquilos podemos sempre criticar o estado e o que ele representa. E ser militante do que quer que seja é démodé, porque sim, porque o verdadeiro poder é conhecer pessoalmente os personagens, mas não depender deles – como aqueles eternos independentes que pertencem a todas as comissões de honra, ora do PS, ora do PSD.
Mas isto está evidentemente errado. Não há aqui caminho para meias tintas, como o Giddens fazia com o socialismo de 3ª via.
O estado seguro, material, deu lugar ao estado só gestor de oportunidades, como se por exemplo em Portugal o que interessava da nossa economia não tivesse sido entretanto absorvido pelos grupos espanhóis e franceses.
E agora, como o estado continua a gastar o mesmo, mas o dinheiro vale menos. Como há mais estado social e população envelhecida. Como a classe operária vai dando lugar a uma classe intermédia de qualificação mais próxima de actividades terciárias – logo o estado tem que desembrulhar-se pois o emprego deixou de se fazer em mão-de-obra barata, onde a liberalização de mercado aprovada na OCDE explora (para já) os países de 3ª mundo e ataca as economias sólidas e sócias democratas da velha Europa.
Por isso os neo-liberais gostavam que isto fosse do tipo – Democrata / Republicano – como se eu não possa ser as duas coisas, ou como se pudesse ser republicano sem ser profundamente democrata. E como se uma coisa fosse a direita e outra a esquerda.
Por exemplo, o Bloco está mais à direita que eu em muitas questões – desde logo no aborto que tratam como se fosse uma coisa política e não um dever profundo com implicações sociais muito para além da legalidade ou liberdade.
Por fim, neste contexto ser conservador é ter medo de reflectir, é achar que a lógica de proximidade é mais legítima, que nem vale a pena pensar nas transformações sociais a ocorrer debaixo do nosso nariz (como os blogues), onde tudo se diz e pouco fica para se dizer. Onde um debate presidencial se faz por estigmas – idade, carreira, perfil, imagem, etc. E não pela capacidade de discutir este País, sem pruridos, na sua relação com Espanha, com as suas regiões, que cada vez menos o vão sendo, com o Atlântico, com o Brasil, com a língua materna (que cada vez é menos importante), com a cultura, a história e já agora a economia.
Afinal digam lá ao estado em que é que ele deve apostar – na tecnologia, ciência, conhecimento e turismo. OK, então deixem lá fechar as têxteis, sapateiras, montagens de carruagens e automóveis, construtoras e coisas parecidas.
Ou então o estado aposta nas infra-estruturas e ali vai TGV, Ota, mais auto-estradas, edifícios públicos, emigrantes clandestinos, Know-how estrangeiro (especialmente espanhol) e borrifa-se o choque tecnológico.
E … se calhar continua! Porque não tenho ainda as respostas.
P.s. Desculpem lá o jeito brejeiro, mas isto não tinha vontade de ser um texto cientifico ou a presunção de ser sequer um texto – é simplesmente uma opinião!
O emagrecimento da função pública, o plano de contenção orçamental vendem-se como resultado da inevitável economia aberta e assumem finalmente que o estado é pesado demais. Evidentemente que está aqui estampada a critica ao pós 25 de Abril - digo eu!
Ora bem, de acordo, isto resultou de duas décadas em que o sonho de qualquer melro é trabalhar para o estado e abrir uma empresa por fora. Agora que se fechou a torneira dos quadros na função pública já ninguém fala de cartões, boys e factor C. Mas se puxarem pela memória observam que essa coisa do cartão começou por ser o denominado “cartão laranja” e rebentou nas mãos do mudo Cavaco Silva. Foi também por aí que começaram os quadros comunitários, com dinheiro europeu para uma estrutural mudança em Portugal. Muito foi desperdiçado, mas também muito foi modernizado e chegamos a convergir com a média europeia. Fizemo-lo tão bem que conseguimos caber dentro da moeda Euro.
Foi, portanto, nas “vacas gordas” que ninguém se preocupava demasiado com o papel do estado, fosse mais ou menos – se fosse mais, melhor, desde que fizesse o movimento aos fundos e ao constante investimento. Daí a uma política aberta de consumo com aberrações como uma horrorosa comparticipação nos empréstimos dos jovens (divertidos e despreocupados a comprar apartamentos de luxo) que explodiu um mercado do imobiliário muito depressa, uma fraca posição fiscal e a nenhuma consertação social, pois como se está a ver os acordos de reformas assim, assado, sistemas de saúde para militares desta maneira, motoristas da carris daquela, e Toninhos como o Zé, ficam-se pela caixa de previdencia.
Este estado, errático, confuso, gordo, mal organizado, não é consequência da esquerda, mas sim do bloco central que tem vergonha de assumir-se retentora dos avanços neo-liberais. Da esquerda que tarda em falar de equilíbrios sociais, económicos e culturais (vide as consequências das ultimas privatizações), e da social-democracia que rompeu com a lógica do estado gestor, para ir a correr transformar o estado nessa coisa hiobrida que nem manda muito nem desmanda. Assim como o grupo da Telecom a comandar os media, ou a confusão na justiça, o a bandalheira jurídica à volta das autarquias – onde a gestão danosa pode ser a gestão popular desde que seja encontrada a razão da cabala.
Por isso dizia que os conservadores sempre ganharam a guerra surda sobre as vanguardas, por isso a política (essencialmente social-democrata na Europa ocidental) está descredibilizada e instituições como a Igreja, por pior que procedam, seguem como pilares da comunidade. E porque será?
Creio que a questão é que, a social democracia subtitui o socialismo, e a esquerda deixou de ser também “doutrinal” para passar a ser o receptáculo ideal da economia de mercado. A mesma economia aberta que justifica os interesses americanos no médio oriente e os disfarce com a defesa dos direitos humanos. É que esta cultura americana de policiar o mundo só esclarece que nos faltam referências, tipologias sociais e muita pedagogia.
Por isso me revolto com a alienação que tem havido das pessoas perante os partidos políticos. Ninguém se quer misturar com “os políticos” por duas razões, a saber:
- Não precisam de definir (inclusive a eles próprios) o que pensam das ideologias, do País, do Mundo, da sociedade, das políticas. Assim podem votar em branco, ou neste e naquele conforme o discurso, o projecto, a cor do cabelo e o signo que pertencem, glosando com isso – porque até é chique.
- Não querem incomodar-se e verem-se envolvidos nas lógicas disputas que a participação pública implica. É mais fácil assinar uma petição independente, ou criticar no correio do leitor – não compromete, e assim tranquilos podemos sempre criticar o estado e o que ele representa. E ser militante do que quer que seja é démodé, porque sim, porque o verdadeiro poder é conhecer pessoalmente os personagens, mas não depender deles – como aqueles eternos independentes que pertencem a todas as comissões de honra, ora do PS, ora do PSD.
Mas isto está evidentemente errado. Não há aqui caminho para meias tintas, como o Giddens fazia com o socialismo de 3ª via.
O estado seguro, material, deu lugar ao estado só gestor de oportunidades, como se por exemplo em Portugal o que interessava da nossa economia não tivesse sido entretanto absorvido pelos grupos espanhóis e franceses.
E agora, como o estado continua a gastar o mesmo, mas o dinheiro vale menos. Como há mais estado social e população envelhecida. Como a classe operária vai dando lugar a uma classe intermédia de qualificação mais próxima de actividades terciárias – logo o estado tem que desembrulhar-se pois o emprego deixou de se fazer em mão-de-obra barata, onde a liberalização de mercado aprovada na OCDE explora (para já) os países de 3ª mundo e ataca as economias sólidas e sócias democratas da velha Europa.
Por isso os neo-liberais gostavam que isto fosse do tipo – Democrata / Republicano – como se eu não possa ser as duas coisas, ou como se pudesse ser republicano sem ser profundamente democrata. E como se uma coisa fosse a direita e outra a esquerda.
Por exemplo, o Bloco está mais à direita que eu em muitas questões – desde logo no aborto que tratam como se fosse uma coisa política e não um dever profundo com implicações sociais muito para além da legalidade ou liberdade.
Por fim, neste contexto ser conservador é ter medo de reflectir, é achar que a lógica de proximidade é mais legítima, que nem vale a pena pensar nas transformações sociais a ocorrer debaixo do nosso nariz (como os blogues), onde tudo se diz e pouco fica para se dizer. Onde um debate presidencial se faz por estigmas – idade, carreira, perfil, imagem, etc. E não pela capacidade de discutir este País, sem pruridos, na sua relação com Espanha, com as suas regiões, que cada vez menos o vão sendo, com o Atlântico, com o Brasil, com a língua materna (que cada vez é menos importante), com a cultura, a história e já agora a economia.
Afinal digam lá ao estado em que é que ele deve apostar – na tecnologia, ciência, conhecimento e turismo. OK, então deixem lá fechar as têxteis, sapateiras, montagens de carruagens e automóveis, construtoras e coisas parecidas.
Ou então o estado aposta nas infra-estruturas e ali vai TGV, Ota, mais auto-estradas, edifícios públicos, emigrantes clandestinos, Know-how estrangeiro (especialmente espanhol) e borrifa-se o choque tecnológico.
E … se calhar continua! Porque não tenho ainda as respostas.
P.s. Desculpem lá o jeito brejeiro, mas isto não tinha vontade de ser um texto cientifico ou a presunção de ser sequer um texto – é simplesmente uma opinião!
Mais estado ou menos estado?
A discussão que se tem desenvolvido aqui no Sede merece uma pequena reflexão, se me permitirem:
Mais estado ou menos estado?
Se por um lado evidencia-se que a questão económica se sobrepõe a todas as outras questões estrutrantes no País, vemos na sociedade como nas outras coisas todas, que o neo-liberalismo acaba por ganhar sobre a profunda reflexão social-democrata que a Europa tem vindo a fazer no ultimo século.
Comparando com a arquitectura, por exemplo, é como dizer que no século XX a arquitectura de matriz "tradicionalista" ou "conservadora" venceu sobre a denominada arquitectura moderna - ou a arquitectura do moviemnto moderno.
Quer isto dizer que as pessoas continuam a preferir a imagem simbólica do objecto do que absorver a verdadeira modernidade do dito, preferem uma casinha tipica ou rustica do que uma coisa mais moderna. Mesmo os mais eruditos (e também porque são eruditos, ou seja gostam da história e baseiam na visão sobre os factos do passado - porque a conhecem) tem tendência ao conservadorismo.
É por isso que a nossa juventude (e até a meia idade) não discute os temas preponderantes actualmente - o emprego, o estado social, a economia, A VOCAÇÃO de Portugal. Preferem dizer que não se metem em política e continuar a conversa do futebol. Falam mas é do Aborto, da homosexualidade e das questões mais fracturantes (eu diria mais fast food)
É também por isso que para esses o Sócrates é igual ao Barroso que por sua vez nem foi melhor que o Santana. É também por isso que não há novos protagonismos de fundo nos candidatos presidÊncias, porque simplesmente não há profundidade na previsão futura do País.
Temos feito diagnósticos - e o cenário é mau! Eu quando vejo discutir o papel do Estado, nomeadamente sobre a visão liberal que agora está na moda, sinto-me tentado a concordar. E faço-o porque desde logo isso garante-me que a questão regional ganha um sentido superlativo evidente. Um estado eficaz e próximo dos verdadeiros objectivos.
É evidente que se o país parece um telhado cuja caleira é o litoral e o único tubo de queda está em Lisboa, então o aeroporto faz-se ali - nem que tenha que ser forrado a ouro e com um diametro maior, mais bem feitinho e tudo.
Compreende-se por isso melhor o que significou a segunda metade da década de 90. Mas o socialismo democrático é que vence eleições e bem.
a continuar....
terça-feira, novembro 29, 2005
Quem quer ser respeitado...

Dá-se ao respeito:
E este comunicado do CDS/PP é tudo menos respeitável.
Uma vergonha, ou melhor
UM NOJO
António Moreira
A reconquista d"A Baixa"

Ainda, decerto, entusiasmados pelo debate das "elites", vai animada, n”A Baixa do Porto”, a, sempre actual, discussão quanto à forma de fomentar a “participação cívica”, assente agora, fundamentalmente, na comprovada receita do desprezo do “Governo de Lisboa” pela cidade do Porto e pela sua “província", o Norte.
Lembro que já dei que chegasse para este peditório, em tempos que já lá vão, mas, agora o assunto subiu de nível e já se aventam propostas de formação de partidos regionais (atenção à constituição), e, pasme-se, chega-se até a elogiar a liderança do Alberto João, na Madeira, apontando-se o seu exemplo de “córagem” face ao poder central.
Entrou-se agora na fase da procura da(s) figura(s) para dar a cara do projecto, tendo sido já sugerido o nome de Rui Moreira (que não é parvo) e, mais recentemente, até o de Rui Rio (que, pelos abraços a Menezes, terá certamente outros projectos em mente).
Apesar de já não “postar” n”A Baixa” não posso deixar de contribuir para este “movimento”, indicando a escolha óbvia (face às premissas) para liderar a “reconquista”.
Então ninguém se tinha lembrado do Major?
Lembro que já dei que chegasse para este peditório, em tempos que já lá vão, mas, agora o assunto subiu de nível e já se aventam propostas de formação de partidos regionais (atenção à constituição), e, pasme-se, chega-se até a elogiar a liderança do Alberto João, na Madeira, apontando-se o seu exemplo de “córagem” face ao poder central.
Entrou-se agora na fase da procura da(s) figura(s) para dar a cara do projecto, tendo sido já sugerido o nome de Rui Moreira (que não é parvo) e, mais recentemente, até o de Rui Rio (que, pelos abraços a Menezes, terá certamente outros projectos em mente).
Apesar de já não “postar” n”A Baixa” não posso deixar de contribuir para este “movimento”, indicando a escolha óbvia (face às premissas) para liderar a “reconquista”.
Então ninguém se tinha lembrado do Major?
(Para quem receia a concentração de tanto poder, talvez um triunvirato seja a resposta)
António Moreira
Conversa da Semana Passada
A questão do “motor da economia” não é AQUI, sequer, uma questão de teoria económica.
Então o Estado não produz riqueza, é?
Apenas podemos considera-lo melhor depositário e consequente gestor da parte comum da riqueza por nós produzida, é?
Mas lá que isso é duvidoso, é. Pelo menos se assim fosse, era.
Como todos sabemos, uma das disputas do Sec. XX foi mesmo a da natureza produtiva ou não dos Estados (já lá voltamos), ok, não será essa a sua melhor vocação. Podemos dividir-nos no sentido a dar à nossa opinião, à nossa escolha.
Podemos preferir e acreditar que seria melhor que o Estado (que somos todos nós, mas também já lá voltaremos) tomasse nas suas mãos a produção (a criação de riqueza, ou não?) ou, pelo contrário, que o Estado se reduza a proporções mais ínfimas (regulação, soberania, etc.), quase nada até, e deixe aos privados a actividade produtiva, a criação de riqueza e de preferência que atrapalhe pouco. Eu não concordo, mas vamos lá…
É verdade que os modelos de economia planificada e estatizada não vingaram, mas dai a dizer que o Estado não produz riqueza ainda vai um bocadinho. As Practika não ficavam nada atrás das Pentax, pois não? Pois não, mas não era isto, era a questão do “motor da economia”.
O que eu digo é que existe uma muito longa tradição em Portugal, quanto a mim consequência da nossa cultura mediterrânica (E. T. Hall caracteriza isto muito bem) de ter o estado como motor da economia e que essa não é a raiz dos nossos actuais problemas. É quase uma inevitabilidade num país com a dimensão do nosso e com a nossa herança cultural. Poderia ser diferente se tivéssemos uma outra escala, ou se acaso pertencêssemos a um outro envolvimento cultural.
Podemos seguir ou experimentar caminhos ideológicos muito distintos, mas os grandes desígnios, aqueles que pela sua dimensão arrastam consigo a generalidade dos agentes económicos, ficam sempre a cargo do Estado, ou então não se cumprem.
Claro que os liberais mais convictos alegam já a seguir que é o estado que não dá espaço, que não permite que a economia se desenvolva livremente, baseada no binómio oferta / procura, que por sua vez resolveria todas as questões de equilíbrio social e de justiça e que ainda permitiria avanços e progressos muito mais acelerados. Mas nós sabemos que não é assim. Sabemos até que não resolve quase nada e que simplesmente acentua os desequilíbrios sociais. Mas a questão aqui nem sequer é essa, não a podemos colocar de forma exclusivamente ideológica. A questão põe-se com a pergunta que o amigo Moreira já aqui pôs, onde é que eles estão?
Não tem faltado oportunidades aos agentes económicos privados de demonstrar que a sua acção é melhor e mais benéfica para a sociedade (ainda que não seja o seu fito, porque esse é o lucro) do que a que o estado vem exercendo. Mas a verdade é que nada.
Quase sem excepção, sempre que o estado abdicou de uma qualquer porção da actividade económica em favor dos privados, aparentemente as coisas melhoraram, mas na realidade as pessoas (cidadãos deste pais) ficaram sempre pior servidas.
Foi assim com os transportes (urbanos e não urbanos), foi assim com os bancos e seguradoras, é assim com a saúde, é extraordinariamente assim com a educação, foi e é assim com as telecomunicações, com os produtos petrolíferos, e assim vai ser com a energia eléctrica, etc., etc..
Mas isto é naquilo que os privados abraçam, porque as coisas mais estruturantes, chamemos-lhes assim, nem sequer lhes interessam.
Por exemplo, eu não me importava nada que a AMTRAK viesse a Portugal criar e explorar o TGV. Ó pá, mas eles não vêm… Eu não me importava nada que a associação dos empresários do sector turístico ali de Viseu, reabilitasse a Linha do Vouga. Mas eles nada… Aquilo está parado há dez anos e este governo até não se portou nada bem, mas o que é certo é que eles nada.
E aqui é que entra a questão cultural. Em Portugal, se não for o Estado o motor, a carroça anda a pedais, isto é, não anda.
Na melhor das hipóteses temos os Amorins e os Belmiros (também já lá vamos), que “até são bons exemplos”, imagine-se.
Para dizer o que? Que um americano pode ser liberal ou até progressista de uma outra forma, com uma distancia em relação ao estado. Em Portugal, se não for o Estado, somos ultra conservadores, no sentido de que o tempo pára mesmo. Por isso é que foi sempre o Estado, foi ou não foi? Muitos dizem que é uma herança do Estado Novo, mas não é, foi sempre assim. Pelo menos desde as especiarias da Índia e a seguir do ouro do Brasil.
A verdadeira conquista está nas pessoas (até porque os mais atentos já terão certamente constatado que os comportamentos variam muito pouco, dentro e fora do estado). Mas não no sentido de que fala o Moreira, isto é, não é uma questão de culpa das pessoas. As pessoas são estas, somos nós.
E isto não foi a lado nenhum? Como não? Há trinta anos éramos colonialistas em África e hoje estamos no pelotão da frente da Europa e isto não foi a lado nenhum? Hoje há milhares e milhares de pessoas, de outras nacionalidades, europeias, africanas, asiáticas e americanas, a querer viver e trabalhar cá e isto não foi a lado nenhum?
Mas vamos então aos Belmiros e Amorins, os tais maiores criadores de emprego.
Mas o que é que tem feito por “isto”? Não é evidente a asfixia que provocam nos parceiros comerciais e ainda mais nos concorrentes? Não é evidente que os mecanismos de retenção de capitais e ausência de stocks condenam sem piedade largos sectores da classe média que é invariavelmente o sustentáculo social das comunidades. Não é evidente a degradação da qualidade do emprego que provocam. O que está em questão não é a quantidade do emprego, mas sim a qualidade do emprego. É evidente que aqui os padrões de cada individuo e de cada grupo são diferentes, mas para quem acredita, como eu, que com a quantidade de riqueza criada podemos viver cá TODOS e viver bem (este acreditar não é tanto uma questão de fé, mas mais uma questão de calculo), os ditos não são exactamente bons empregadores, para além de serem muitas outras coisas menos boas (aquilo é tudo tão reles, a começar pelos projectos de arquitectura que promovem).
O problema da riqueza é de distribuição e essencialmente de desperdício, não de produção. Parece-me evidente que tem que existir um equilíbrio entre o valor trabalho e as outras formas de criar riqueza, que no caso está completamente distorcido (perdoem-me a linguagem pouco técnica). A questão de saber se a riqueza que produzimos é ou não suficiente para as necessidades que criamos não é exactamente esta, é saber se a riqueza que produzimos, DISTRIBUIDA E DESPERDIÇADA desta forma é ou não suficiente para as necessidades que criamos, adicionadas às necessidades que nos são impostas e às necessidades que nos são sugeridas. Está bom de ver que a resposta será sempre um rotundo NÃO. Quando juntamos isto ao referido desequilíbrio no valor do trabalho chegamos sempre a uma situação de insuficiência, ainda por cima facilmente comprovável pelos níveis sempre crescentes de endividamento. Insuficiência essa que encontra como resposta a necessidade de produzir mais e com menos custos, numa espiral de tensão social estranhamente benéfica para os mesmos de sempre. Os mesmos de sempre, curiosamente.
Agora emprego a sério, não são os Belmiros nem os Amorins. Não digo que seja só o Estado, porque não é, mas enfim.
Se olharmos para a evolução histórica, que tipo de emprego deveríamos aspirar por esta altura do campeonato? Quantas horas de trabalho, que direitos e que deveres? Que garantias, que dedicação? A informática não ia servir para trabalharmos todos apenas metade do tempo, que as máquinas fariam o resto? Então porque não sucedeu? Ou será que sucedeu e essa riqueza anda a ser mal distribuída e muito desperdiçada?
Talvez não fosse a distribuição da riqueza o grande problema dos países comunistas, mas sim a produção e mais uma vez, sobretudo o desperdício. O estado dificilmente é “nós”, mas sim uma entidade semiabstrata que existe nas nossas cabeças principalmente para complicar. Dai que colectivamente acabamos sempre, no mínimo, displicentes em relação às coisas do Estado, fazendo-o fracassar quando atinge grandes proporções.
Mas dai a dizer que o Estado não produz riqueza vai um grande grande passo. Mesmo directamente produz riqueza, mas então de forma indirecta, nem se fala. Ó Moreira, eu não acho que a vocação do Estado seja lucrar com a OTA, mas sim cumprir o desígnio de ter uma rede de aeroportos válida que sirva uma rede de transportes aéreos válida, capaz de SERVIR os cidadãos e, se possível, criar riqueza. No caso da linha do Vouga, que dificilmente poderá criar riqueza, o Estado deve mantê-la, custe o que custar.
Que não fique a sensação de que me agrada o estado das coisas e que defendo um Estado pesado. Não, em Portugal, na minha opinião o peso do Estado é excessivo e tem que ser corrigido, mas nunca diminuindo as suas virtudes, porque se alguma coisa de bom ainda se vai fazendo é através do Estado. Das duas uma, ou o Estado abraça outras áreas da actividade produtiva e não é provável que o faça (mas poderia faze-lo e bem), ou terá que emagrecer, porque é excessivo para actividades de soberania e regulação, ainda por cima quando as exerce tantas e tantas vezes em duplicado e triplicado (ex: as SRU’s).
Quanto à OTA, eu já referi que por mim não se fazia, mas que não virá grande mal ao país se se fizer. Mas quando escrevo que não fazia, não é porque as razões para o fazer não me convençam, e sim por um outro tipo de convicção, mais empírica, que me diz que os transportes aéreos não vão evoluir da forma que os estudos actuais permitem antever. Agora a argumentação para não fazer o aeroporto tem aspectos tão caricatos como a contrária. Então os arautos da poupança não se lembram dos tremendos dispêndios ano após ano de gestão corrente, se em vez de um só aeroporto se distribuísse o tráfego aéreo por dois ou até três aeroportos (Beja, Figo Maduro, Portela, etc.). Mas isso é coisa que se proponha como solução. Numa era em que os custos de investimento em infra-estruturas se amortizam em cada vez menos tempo, em que os custos com mão de obra assumem proporções inviabilizadoras… O problema, quando se cria um novo equipamento não é quanto esse equipamento vai custar, mas quanto vão custar ao fim de x anos as pessoas que lá vão estar a trabalhar. Principalmente se for no Estado, que não tem a flexibilidade dos privados. (Nalguns casos já quase se justifica estar sempre a construir o mesmo equipamento, porque numa sociedade em permanente mudança, os ganhos de produtividade inerentes a uma nova organização, por sua vez inerente a uma nova construção, são compensadores em relação aos custos de construção).
Como ia dizendo lá atrás, a grande conquista está nas pessoas. Está em conseguir operar algumas mudanças fundamentais nas mentalidades colectivas. Para que aquilo que lhes põe à frente como um imperativo quase moral (tipo se não há dinheiro é porque produzimos pouco, insinuando que trabalhamos pouco e temos ordenados e regalias a mais) seja objecto de reflexão critica. Para que controlemos melhor as nossas atitudes mais displicentes, e consigamos outro tipo de ganhos. Até para que criemos maior indignação face à escabrosa forma como se vai processando a distribuição da riqueza (bolas, porque é que quando nos comparamos com a Holanda ou com a Dinamarca nunca nos surge comparamos a forma de distribuição de riqueza e apenas comparamos os sistemas de saúde?). Será que as fortunas dos Belmiros e Amorims alguma vez poderiam ter tido lugar na Holanda ou na Dinamarca? Quanto ganha um médico na Holanda? Qual é a proporção para o salário mínimo?
A mim preocupa-me principalmente aquilo que atenta contra o Estado Social e também a forma como se destrói o que está bem feito (ou no bom caminho) a pretexto de um qualquer momento menos bom. E por agora, para conversa, já chega.
Então o Estado não produz riqueza, é?
Apenas podemos considera-lo melhor depositário e consequente gestor da parte comum da riqueza por nós produzida, é?
Mas lá que isso é duvidoso, é. Pelo menos se assim fosse, era.
Como todos sabemos, uma das disputas do Sec. XX foi mesmo a da natureza produtiva ou não dos Estados (já lá voltamos), ok, não será essa a sua melhor vocação. Podemos dividir-nos no sentido a dar à nossa opinião, à nossa escolha.
Podemos preferir e acreditar que seria melhor que o Estado (que somos todos nós, mas também já lá voltaremos) tomasse nas suas mãos a produção (a criação de riqueza, ou não?) ou, pelo contrário, que o Estado se reduza a proporções mais ínfimas (regulação, soberania, etc.), quase nada até, e deixe aos privados a actividade produtiva, a criação de riqueza e de preferência que atrapalhe pouco. Eu não concordo, mas vamos lá…
É verdade que os modelos de economia planificada e estatizada não vingaram, mas dai a dizer que o Estado não produz riqueza ainda vai um bocadinho. As Practika não ficavam nada atrás das Pentax, pois não? Pois não, mas não era isto, era a questão do “motor da economia”.
O que eu digo é que existe uma muito longa tradição em Portugal, quanto a mim consequência da nossa cultura mediterrânica (E. T. Hall caracteriza isto muito bem) de ter o estado como motor da economia e que essa não é a raiz dos nossos actuais problemas. É quase uma inevitabilidade num país com a dimensão do nosso e com a nossa herança cultural. Poderia ser diferente se tivéssemos uma outra escala, ou se acaso pertencêssemos a um outro envolvimento cultural.
Podemos seguir ou experimentar caminhos ideológicos muito distintos, mas os grandes desígnios, aqueles que pela sua dimensão arrastam consigo a generalidade dos agentes económicos, ficam sempre a cargo do Estado, ou então não se cumprem.
Claro que os liberais mais convictos alegam já a seguir que é o estado que não dá espaço, que não permite que a economia se desenvolva livremente, baseada no binómio oferta / procura, que por sua vez resolveria todas as questões de equilíbrio social e de justiça e que ainda permitiria avanços e progressos muito mais acelerados. Mas nós sabemos que não é assim. Sabemos até que não resolve quase nada e que simplesmente acentua os desequilíbrios sociais. Mas a questão aqui nem sequer é essa, não a podemos colocar de forma exclusivamente ideológica. A questão põe-se com a pergunta que o amigo Moreira já aqui pôs, onde é que eles estão?
Não tem faltado oportunidades aos agentes económicos privados de demonstrar que a sua acção é melhor e mais benéfica para a sociedade (ainda que não seja o seu fito, porque esse é o lucro) do que a que o estado vem exercendo. Mas a verdade é que nada.
Quase sem excepção, sempre que o estado abdicou de uma qualquer porção da actividade económica em favor dos privados, aparentemente as coisas melhoraram, mas na realidade as pessoas (cidadãos deste pais) ficaram sempre pior servidas.
Foi assim com os transportes (urbanos e não urbanos), foi assim com os bancos e seguradoras, é assim com a saúde, é extraordinariamente assim com a educação, foi e é assim com as telecomunicações, com os produtos petrolíferos, e assim vai ser com a energia eléctrica, etc., etc..
Mas isto é naquilo que os privados abraçam, porque as coisas mais estruturantes, chamemos-lhes assim, nem sequer lhes interessam.
Por exemplo, eu não me importava nada que a AMTRAK viesse a Portugal criar e explorar o TGV. Ó pá, mas eles não vêm… Eu não me importava nada que a associação dos empresários do sector turístico ali de Viseu, reabilitasse a Linha do Vouga. Mas eles nada… Aquilo está parado há dez anos e este governo até não se portou nada bem, mas o que é certo é que eles nada.
E aqui é que entra a questão cultural. Em Portugal, se não for o Estado o motor, a carroça anda a pedais, isto é, não anda.
Na melhor das hipóteses temos os Amorins e os Belmiros (também já lá vamos), que “até são bons exemplos”, imagine-se.
Para dizer o que? Que um americano pode ser liberal ou até progressista de uma outra forma, com uma distancia em relação ao estado. Em Portugal, se não for o Estado, somos ultra conservadores, no sentido de que o tempo pára mesmo. Por isso é que foi sempre o Estado, foi ou não foi? Muitos dizem que é uma herança do Estado Novo, mas não é, foi sempre assim. Pelo menos desde as especiarias da Índia e a seguir do ouro do Brasil.
A verdadeira conquista está nas pessoas (até porque os mais atentos já terão certamente constatado que os comportamentos variam muito pouco, dentro e fora do estado). Mas não no sentido de que fala o Moreira, isto é, não é uma questão de culpa das pessoas. As pessoas são estas, somos nós.
E isto não foi a lado nenhum? Como não? Há trinta anos éramos colonialistas em África e hoje estamos no pelotão da frente da Europa e isto não foi a lado nenhum? Hoje há milhares e milhares de pessoas, de outras nacionalidades, europeias, africanas, asiáticas e americanas, a querer viver e trabalhar cá e isto não foi a lado nenhum?
Mas vamos então aos Belmiros e Amorins, os tais maiores criadores de emprego.
Mas o que é que tem feito por “isto”? Não é evidente a asfixia que provocam nos parceiros comerciais e ainda mais nos concorrentes? Não é evidente que os mecanismos de retenção de capitais e ausência de stocks condenam sem piedade largos sectores da classe média que é invariavelmente o sustentáculo social das comunidades. Não é evidente a degradação da qualidade do emprego que provocam. O que está em questão não é a quantidade do emprego, mas sim a qualidade do emprego. É evidente que aqui os padrões de cada individuo e de cada grupo são diferentes, mas para quem acredita, como eu, que com a quantidade de riqueza criada podemos viver cá TODOS e viver bem (este acreditar não é tanto uma questão de fé, mas mais uma questão de calculo), os ditos não são exactamente bons empregadores, para além de serem muitas outras coisas menos boas (aquilo é tudo tão reles, a começar pelos projectos de arquitectura que promovem).
O problema da riqueza é de distribuição e essencialmente de desperdício, não de produção. Parece-me evidente que tem que existir um equilíbrio entre o valor trabalho e as outras formas de criar riqueza, que no caso está completamente distorcido (perdoem-me a linguagem pouco técnica). A questão de saber se a riqueza que produzimos é ou não suficiente para as necessidades que criamos não é exactamente esta, é saber se a riqueza que produzimos, DISTRIBUIDA E DESPERDIÇADA desta forma é ou não suficiente para as necessidades que criamos, adicionadas às necessidades que nos são impostas e às necessidades que nos são sugeridas. Está bom de ver que a resposta será sempre um rotundo NÃO. Quando juntamos isto ao referido desequilíbrio no valor do trabalho chegamos sempre a uma situação de insuficiência, ainda por cima facilmente comprovável pelos níveis sempre crescentes de endividamento. Insuficiência essa que encontra como resposta a necessidade de produzir mais e com menos custos, numa espiral de tensão social estranhamente benéfica para os mesmos de sempre. Os mesmos de sempre, curiosamente.
Agora emprego a sério, não são os Belmiros nem os Amorins. Não digo que seja só o Estado, porque não é, mas enfim.
Se olharmos para a evolução histórica, que tipo de emprego deveríamos aspirar por esta altura do campeonato? Quantas horas de trabalho, que direitos e que deveres? Que garantias, que dedicação? A informática não ia servir para trabalharmos todos apenas metade do tempo, que as máquinas fariam o resto? Então porque não sucedeu? Ou será que sucedeu e essa riqueza anda a ser mal distribuída e muito desperdiçada?
Talvez não fosse a distribuição da riqueza o grande problema dos países comunistas, mas sim a produção e mais uma vez, sobretudo o desperdício. O estado dificilmente é “nós”, mas sim uma entidade semiabstrata que existe nas nossas cabeças principalmente para complicar. Dai que colectivamente acabamos sempre, no mínimo, displicentes em relação às coisas do Estado, fazendo-o fracassar quando atinge grandes proporções.
Mas dai a dizer que o Estado não produz riqueza vai um grande grande passo. Mesmo directamente produz riqueza, mas então de forma indirecta, nem se fala. Ó Moreira, eu não acho que a vocação do Estado seja lucrar com a OTA, mas sim cumprir o desígnio de ter uma rede de aeroportos válida que sirva uma rede de transportes aéreos válida, capaz de SERVIR os cidadãos e, se possível, criar riqueza. No caso da linha do Vouga, que dificilmente poderá criar riqueza, o Estado deve mantê-la, custe o que custar.
Que não fique a sensação de que me agrada o estado das coisas e que defendo um Estado pesado. Não, em Portugal, na minha opinião o peso do Estado é excessivo e tem que ser corrigido, mas nunca diminuindo as suas virtudes, porque se alguma coisa de bom ainda se vai fazendo é através do Estado. Das duas uma, ou o Estado abraça outras áreas da actividade produtiva e não é provável que o faça (mas poderia faze-lo e bem), ou terá que emagrecer, porque é excessivo para actividades de soberania e regulação, ainda por cima quando as exerce tantas e tantas vezes em duplicado e triplicado (ex: as SRU’s).
Quanto à OTA, eu já referi que por mim não se fazia, mas que não virá grande mal ao país se se fizer. Mas quando escrevo que não fazia, não é porque as razões para o fazer não me convençam, e sim por um outro tipo de convicção, mais empírica, que me diz que os transportes aéreos não vão evoluir da forma que os estudos actuais permitem antever. Agora a argumentação para não fazer o aeroporto tem aspectos tão caricatos como a contrária. Então os arautos da poupança não se lembram dos tremendos dispêndios ano após ano de gestão corrente, se em vez de um só aeroporto se distribuísse o tráfego aéreo por dois ou até três aeroportos (Beja, Figo Maduro, Portela, etc.). Mas isso é coisa que se proponha como solução. Numa era em que os custos de investimento em infra-estruturas se amortizam em cada vez menos tempo, em que os custos com mão de obra assumem proporções inviabilizadoras… O problema, quando se cria um novo equipamento não é quanto esse equipamento vai custar, mas quanto vão custar ao fim de x anos as pessoas que lá vão estar a trabalhar. Principalmente se for no Estado, que não tem a flexibilidade dos privados. (Nalguns casos já quase se justifica estar sempre a construir o mesmo equipamento, porque numa sociedade em permanente mudança, os ganhos de produtividade inerentes a uma nova organização, por sua vez inerente a uma nova construção, são compensadores em relação aos custos de construção).
Como ia dizendo lá atrás, a grande conquista está nas pessoas. Está em conseguir operar algumas mudanças fundamentais nas mentalidades colectivas. Para que aquilo que lhes põe à frente como um imperativo quase moral (tipo se não há dinheiro é porque produzimos pouco, insinuando que trabalhamos pouco e temos ordenados e regalias a mais) seja objecto de reflexão critica. Para que controlemos melhor as nossas atitudes mais displicentes, e consigamos outro tipo de ganhos. Até para que criemos maior indignação face à escabrosa forma como se vai processando a distribuição da riqueza (bolas, porque é que quando nos comparamos com a Holanda ou com a Dinamarca nunca nos surge comparamos a forma de distribuição de riqueza e apenas comparamos os sistemas de saúde?). Será que as fortunas dos Belmiros e Amorims alguma vez poderiam ter tido lugar na Holanda ou na Dinamarca? Quanto ganha um médico na Holanda? Qual é a proporção para o salário mínimo?
A mim preocupa-me principalmente aquilo que atenta contra o Estado Social e também a forma como se destrói o que está bem feito (ou no bom caminho) a pretexto de um qualquer momento menos bom. E por agora, para conversa, já chega.
segunda-feira, novembro 28, 2005
Senhores do PS!
Venho outra vez escrever, quer dizer mandar escrever (que é o meu sobrinho que põe no papel o que lhe dito), para saberem umas poucas e boas, sobre as coisas que ando a ouvir!
Em primeiro lugar quero mandar um beijo (dos grandes) para aqueles senhores que estão sempre lá na 6ª feira do Karaoke da minha secção. Digo-vos uma coisa – fossem todos os partidos como o nosso lá na Freguesia, e não havia problemas neste País. Portanto, beijos para o senhor vereador, e também para o seu filho, que tá cada vez mais parecido com ele sim senhor (não que isso seja um elogio à sua beleza, mas enfim cada um é o que tem de ser).
Nunca vi gente importante assim, dançar e cantar na tasca, só porque querem que a gente vote neles, até porque se calhar a gente votava à mesma. No entanto senhores, assim é que é, no meio do Povo. E digo-vos mais, essa cavalgadura do Cardoso fez muito mal ao senhor! Fez sim Senhor! Ele podia insulta-lo, chamar-lhe nomes e tudo, mas tira-lo da lista da assembleia é que nunca. Isto foi horrendo, odioso, badalhoco e mais o que houver.
Enfim, o que interessa é que temos eleições do Presidente, pois bem, gosto do bochechas, aquilo é que é homem de fibra, senhor. Então com tanta idade e ali vai ele contra o vespelhudo do Cavaco. Bem sei que para o mulherio estas eleições são a maior miséria. Isto vai desde o velhote, que pode ser muito bom político, mas não havia de fazer muito com uma rapariga como eu que tenho menos 25 anos que ele, e depois o Cavaco, nossa senhora! Mais valia dormir agarrada a um crucifixo, ao menos era imitação verdadeira de Cristo.
Por fim o Alegre! Logo a mim que sempre achei porcas as barbas, com aqueles pelos todos na sopa e no iogurte! Uma vez disse ao Narciso que só lhe dava o voto com duas condições, uma que à minha mais velha lhe arranjassem um empreguito, outra que ele aparasse a cútis. Olhem lá se não tinha razão!
Mas o que mais me assusta é aquele rapaz novo com nome de prato de sopa – o Louça. Então ele pespega-nos com os olhos em cima da gente como se fosse superman com raios laser. É que ao menos podia ser com aquele jeito de quem aprecia, mas nimba, é feroz, como se nos mandasse à burda merda! Que horror.
Portanto, vou votar no “Marocas”, mas digam lá ao Sócrates que aquilo não foi escolha que se faça, aliás ele não acerta uma, depois do Mário para esta figura de Presidente, do Carrilho para a capital da “Mourada”, do Assis para o Porto, agora o Renato para a Federação - vou ali e venho já.
O governo tem sido um bocado cão. Aqui no Porto, lá pelo bairro dizem que não gostam da Ota, eu ainda não percebi o que aquilo é direito, mas que não é coisa boa, não é. Um aeroporto gigante senhor, para quê? Se cada vez há menos razões para vir a Portugal? Aliás, vai-se notar no percurso dos deputados aqui do circulo - se falharem a hora do tgv, apanham o shuttle, depois o avião, voam 150 km e em Pedras Rubras vão de autocarro ou de Taxi que é muito bom.
Em primeiro lugar quero mandar um beijo (dos grandes) para aqueles senhores que estão sempre lá na 6ª feira do Karaoke da minha secção. Digo-vos uma coisa – fossem todos os partidos como o nosso lá na Freguesia, e não havia problemas neste País. Portanto, beijos para o senhor vereador, e também para o seu filho, que tá cada vez mais parecido com ele sim senhor (não que isso seja um elogio à sua beleza, mas enfim cada um é o que tem de ser).
Nunca vi gente importante assim, dançar e cantar na tasca, só porque querem que a gente vote neles, até porque se calhar a gente votava à mesma. No entanto senhores, assim é que é, no meio do Povo. E digo-vos mais, essa cavalgadura do Cardoso fez muito mal ao senhor! Fez sim Senhor! Ele podia insulta-lo, chamar-lhe nomes e tudo, mas tira-lo da lista da assembleia é que nunca. Isto foi horrendo, odioso, badalhoco e mais o que houver.
Enfim, o que interessa é que temos eleições do Presidente, pois bem, gosto do bochechas, aquilo é que é homem de fibra, senhor. Então com tanta idade e ali vai ele contra o vespelhudo do Cavaco. Bem sei que para o mulherio estas eleições são a maior miséria. Isto vai desde o velhote, que pode ser muito bom político, mas não havia de fazer muito com uma rapariga como eu que tenho menos 25 anos que ele, e depois o Cavaco, nossa senhora! Mais valia dormir agarrada a um crucifixo, ao menos era imitação verdadeira de Cristo.
Por fim o Alegre! Logo a mim que sempre achei porcas as barbas, com aqueles pelos todos na sopa e no iogurte! Uma vez disse ao Narciso que só lhe dava o voto com duas condições, uma que à minha mais velha lhe arranjassem um empreguito, outra que ele aparasse a cútis. Olhem lá se não tinha razão!
Mas o que mais me assusta é aquele rapaz novo com nome de prato de sopa – o Louça. Então ele pespega-nos com os olhos em cima da gente como se fosse superman com raios laser. É que ao menos podia ser com aquele jeito de quem aprecia, mas nimba, é feroz, como se nos mandasse à burda merda! Que horror.
Portanto, vou votar no “Marocas”, mas digam lá ao Sócrates que aquilo não foi escolha que se faça, aliás ele não acerta uma, depois do Mário para esta figura de Presidente, do Carrilho para a capital da “Mourada”, do Assis para o Porto, agora o Renato para a Federação - vou ali e venho já.
O governo tem sido um bocado cão. Aqui no Porto, lá pelo bairro dizem que não gostam da Ota, eu ainda não percebi o que aquilo é direito, mas que não é coisa boa, não é. Um aeroporto gigante senhor, para quê? Se cada vez há menos razões para vir a Portugal? Aliás, vai-se notar no percurso dos deputados aqui do circulo - se falharem a hora do tgv, apanham o shuttle, depois o avião, voam 150 km e em Pedras Rubras vão de autocarro ou de Taxi que é muito bom.
Ou seja, é impossivel chegar às reuniões do partido, por isso se os vereadores do PS tem falado tão pouco nos jornais, aí é que não falam mesmo. Aliás ouvi dizer que enquanto o Assis for presidente a moda é ninguém atender o telefone a ninguém e quando combinam dizem assim:
Amanhã ligo-te!
Ora bem bem, nem ligam, nem sequer ficam de ligar!
Outro dia quis reclamar uma coisa lá da Junta e vou para o meu sobrinho, (que passa aqui no quarto as tardes, o moço!) "Manda lá uma dessas cartas por internet para os vereadores a dizer aquilo e tal", e o estupor do ganapo cobrou-me antecipadamente o recado em géneros (não que eu não aprecie) e depois vêm com a léria que eles num tem "émaile"!
Ora isto assim não pode ser, realmente, mais valia voltar para lá o senhor engenheiro que ao menos passava o dia no gabinete.
Por isso, tomem lá nota senhores e façam a gentileza de contar aqui com esta militante para as listas, isto comigo é que vai para frente.
ass: D. Serafina
Uma homenagem à Posta Mirandesa

Depois de termos feito menção a outros "blogues" de teor humurístico é da maior justiça esta referência ao mais popular dentro do género.
O Blasfémias e a sua "especialidade"
António Moreira
PS - Sabemos que esta não é a "posta" genuina, pois...
Para a genuina:
Posta à Mirandesa
Ingredientes:
1,2 Kg. de carne de Vitela Mirandesa - sal grosso
Confecção:
PreparaçãoAcenda as brasas utilizando lenha que não seja resinosa, como a de pinheiro, devendo então optar pela lenha proveniente de árvores de fruto ou por carvão vegetal.
O lume deverá estar forte, ao início, espalhando-se de forma uniforme pelo fogareiro ou lareira para que a distribuição do calor seja uniforme.
Ponha, então, a grelha, limpa e sem restos de peixe de uma preparação anterior, a uma altura de cerca de 10 cm das brasas, onde vai colocar as postas com uma espessura de 3 a 4 cm, sem nenhum tempero.
Pouco depois, se desejar, ponha um pouco de sal grosso e volte a carne, sem espetar, apenas quando aparecerem à superfície pequenas pérolas de sangue.
Deixe a carne na grelha o tempo suficiente para ficar passada consoante o seu gosto, nunca a picando para que conserve a suculência.
Ó pra ele a pôr-se a jeito...
Miguel Cadilhe lança amanhã o seu livro "O sobrepeso do Estado em Portugal".
Mais um dos que andou a ouvir a Mónica Cintra e a canção do pisca-pisca. Eles muito gostam de piscar o olho à esquerda quando querem ganhar eleições. Logo a seguir voltam-se para o outro lado e tornam-se autistas. Aliás, autistas não, que eles malham no PS que se fartam.
Bom, mas de qualquer forma muito boa gente do norte vai gostar. É acontecimento.
Não, não resisto. É que além de se tentar pôr a jeito, na entrevista que dá à visão, transparece mesmo o desejo recalcado de que o velhote vá comer o bolo rei mas é lá para a terra dele e dê lugar aos mais novos...
Mais um dos que andou a ouvir a Mónica Cintra e a canção do pisca-pisca. Eles muito gostam de piscar o olho à esquerda quando querem ganhar eleições. Logo a seguir voltam-se para o outro lado e tornam-se autistas. Aliás, autistas não, que eles malham no PS que se fartam.
Bom, mas de qualquer forma muito boa gente do norte vai gostar. É acontecimento.
Não, não resisto. É que além de se tentar pôr a jeito, na entrevista que dá à visão, transparece mesmo o desejo recalcado de que o velhote vá comer o bolo rei mas é lá para a terra dele e dê lugar aos mais novos...
Crucifixos


Eu cá não estou nada de acordo com estas coisas.
Como é sabido, os nossos miudos são cada vez mais vampirescos. Se se tiram os crucifixos das escolas, como é que se vai ter mão neles?
Daqui a nada temos as escolas cheias de dentes de alho, água benta, estacas pontiagudas, etc..
sexta-feira, novembro 25, 2005
"Teresa" e "Maria", três dias depois do beijo.

"O vicio deixou marcas no rosto destas pequenas, que não escondem a culpa que as consome pelo seu tenebroso acto.
Em Vila Nova de Gaia já ninguém as reconhece. "
É assim, e muito melhor, que o:
FRANCO ATIRADOR
Marca a diferença.
As minhas boas vindas e um sincero muito obrigado.
Já fazia falta um blog assim.
António Moreira
"ACABOU. Já não há jardins!"

Fazendo eco da justa indignação expressa nos "ALIADOS"
Não cabe agora acusar apenas os do costume, mas sim os também responsáveis, e aqui é o lugar certo para os nomear:
POR INACÇÃO ou INEFICÁCIA.
Partido Socialista
Francisco Assis
Actuais vereadores do PS na CMP
Actuais deputados municipais do PS na AMP
Anteriores vereadores do PS na CMP
Anteriores deputados municipais do PS na AMP
Deputados do PS na Assembleia da República
Governo de Portugal
Todos os Portuenses
Nós todos
A VERGONHA DE SER PORTUENSE
António Moreira
quinta-feira, novembro 24, 2005
Comunicado de Imprensa
Quando, há cerca de um ano, acedemos ao convite do presidente da Federação Distrital do Porto para integrar o Secretariado, fizemo-lo na convicção de que era um processo necessário de unificação, destinado a dar-lhe as melhores condições para enfrentar as autárquicas e concretizar os seus compromissos eleitorais internos, entre outros, o de ganhar a maioria das câmaras da Área Metropolitana do Porto.
Após o desastre eleitoral de Outubro último na AMP, agravado pelas condições da derrota pessoal do presidente da Federação no descalabro da Câmara do Porto, onde o PS tinha uma forte tradição de bons resultados e onde o adversário se encontrava mais debilitado pelo seu isolamento social e político, a situação alterou-se deixando de fazer sentido o esforço anteriormente encetado.
A agravar, o facto de o Secretariado, pelo menos desde que o integramos, nunca ter funcionado com regularidade (passam-se meses sem reuniões e não há reunião que não seja adiada pelos menos uma vez pelos afazeres súbitos do presidente) e sobretudo nunca ter tomado decisão nenhuma, pois o poder decisório esteve sempre concentrado unicamente nas mãos do presidente.
Em suma, o Secretariado da Federação nunca passou de uma encenação.
Mas, ainda pior, tem sido o silêncio cúmplice do Presidente da Federação em relação à política centralista do governo. Não só em relação a um processo de regionalização metido na gaveta, como em relação ao abandono do projecto ferroviário de ligação Porto-Vigo, e também Aveiro-Salamanca, relegados para o Dia Do Só Nunca, em favor de todo o empenho no projecto TGV Lisboa-Madride e Lisboa-Porto . E quando se deveria investir na modernização das inter-regionais depara-se, pelo contrário, com a inacreditável destruição em curso das linhas Porto-Régua-Pocinho e Porto-Valença! Bem como em relação a um projecto da OTA, que além de desajustado da situação financeira do país, e mais que duvidoso em todas as outras vertentes, funcionará como mais um aspirador nacional à volta da Capital, acentuando o processo em curso de liquidação do tráfego de Pedras Rubras e agravando a macrocefalia que está a destruir o país. Este, de resto, foi sempre o ponto de vista do PS/Porto! Se alguém mudou de opinião não foi pela geografia ter mudado, foi pela cegueira partidária e pela postura serventuária, que encobre sempre as conveniências da promoção política pessoal.
É que sobre tudo isto, o Presidente da Federação, que em promessas internas e externas se multiplicou como paladino da região de um PS/Porto com peso nacional, não toma uma iniciativa interna ou externa, não diz uma palavra, porta-se como um funcionário venerador e servil, não contando para a nada na política do PS a nível nacional e portanto do governo
Não porque o Porto, com a principal Distrital do país, não tenha peso por si, como mostra a tradição. Mas porque o presidente está preocupado com tudo, menos com bater o pé (nem forte nem levemente) em favor da Área Metropolitana, do distrito e da região como seria o seu dever.
Pelas razões expostas, não tendo já nenhum sentido a minha participação no Secretariado e não compactuando com o servilismo em relação ao centralismo, informo os órgãos de comunicação social que acabo de apresentar a minha demissão do referido Secretariado da Federação Distrital do Porto do PS.
Porto, 24 de Novembro de 2005
Pedro Baptista
Após o desastre eleitoral de Outubro último na AMP, agravado pelas condições da derrota pessoal do presidente da Federação no descalabro da Câmara do Porto, onde o PS tinha uma forte tradição de bons resultados e onde o adversário se encontrava mais debilitado pelo seu isolamento social e político, a situação alterou-se deixando de fazer sentido o esforço anteriormente encetado.
A agravar, o facto de o Secretariado, pelo menos desde que o integramos, nunca ter funcionado com regularidade (passam-se meses sem reuniões e não há reunião que não seja adiada pelos menos uma vez pelos afazeres súbitos do presidente) e sobretudo nunca ter tomado decisão nenhuma, pois o poder decisório esteve sempre concentrado unicamente nas mãos do presidente.
Em suma, o Secretariado da Federação nunca passou de uma encenação.
Mas, ainda pior, tem sido o silêncio cúmplice do Presidente da Federação em relação à política centralista do governo. Não só em relação a um processo de regionalização metido na gaveta, como em relação ao abandono do projecto ferroviário de ligação Porto-Vigo, e também Aveiro-Salamanca, relegados para o Dia Do Só Nunca, em favor de todo o empenho no projecto TGV Lisboa-Madride e Lisboa-Porto . E quando se deveria investir na modernização das inter-regionais depara-se, pelo contrário, com a inacreditável destruição em curso das linhas Porto-Régua-Pocinho e Porto-Valença! Bem como em relação a um projecto da OTA, que além de desajustado da situação financeira do país, e mais que duvidoso em todas as outras vertentes, funcionará como mais um aspirador nacional à volta da Capital, acentuando o processo em curso de liquidação do tráfego de Pedras Rubras e agravando a macrocefalia que está a destruir o país. Este, de resto, foi sempre o ponto de vista do PS/Porto! Se alguém mudou de opinião não foi pela geografia ter mudado, foi pela cegueira partidária e pela postura serventuária, que encobre sempre as conveniências da promoção política pessoal.
É que sobre tudo isto, o Presidente da Federação, que em promessas internas e externas se multiplicou como paladino da região de um PS/Porto com peso nacional, não toma uma iniciativa interna ou externa, não diz uma palavra, porta-se como um funcionário venerador e servil, não contando para a nada na política do PS a nível nacional e portanto do governo
Não porque o Porto, com a principal Distrital do país, não tenha peso por si, como mostra a tradição. Mas porque o presidente está preocupado com tudo, menos com bater o pé (nem forte nem levemente) em favor da Área Metropolitana, do distrito e da região como seria o seu dever.
Pelas razões expostas, não tendo já nenhum sentido a minha participação no Secretariado e não compactuando com o servilismo em relação ao centralismo, informo os órgãos de comunicação social que acabo de apresentar a minha demissão do referido Secretariado da Federação Distrital do Porto do PS.
Porto, 24 de Novembro de 2005
Pedro Baptista
Magnifica iniciativa da JS Porto
Creio que a todos os socialistas (de cartão e sem ele) interessará algumas das temáticas que previsivelmente serão discutidas neste fórum.
A JS está de parabéns pela organização e o SEDE apoia a divulgação da iniciativa (não fossemos nós Socialistas Em DEbate)
A JS está de parabéns pela organização e o SEDE apoia a divulgação da iniciativa (não fossemos nós Socialistas Em DEbate)
Vem aí mais um que é SÉRIO

"......
A regionalização foi mesmo aprovada por unanimidade em Assembleia da República sob proposta do então primeiro-ministro do PSD, Cavaco Silva.
“Depois entrou a marinar”, criticou, lembrando o artigo 256º refere a obrigatoriedade do mapa divisório ter de ser referendado.
O ex-ministro das Finanças de Cavaco mostrou-se mesmo revoltado com o facto do actual candidato à presidência da República na sua Autobiografia Política II referir textualmente:
“Fiz por empatar o assunto”.
“Mas isto é coisa que se diga ou política que se faça?”, questionou em tom acusatório, ...."
Pois...
António Moreira
O "Jóxé Manueeil Barroxó" do nosso orgulho
Lembram-se que a honra dos portugueses neste homem e no seu convite para testa de ferro eurpopeu justificou a estupidez de Sampaio em designar o Sr. Lopes como 1º ministro?
Ele vai ser entrevistado - será capaz de dizer alguma coisa?
Ele vai ser entrevistado - será capaz de dizer alguma coisa?
quarta-feira, novembro 23, 2005
O aeroporto

Não acho que o futuro de Portugal se desenhe com um novo aeroporto, nem que ele seja mais forte que o de "Barajas".
Não creio que se crie mais emprego quando o sector produtivo está em crise (então haverá mais circulação porquê - turismo?) e a vocação de Portugal indefinida.
Ontem revi-me no Miguel Cadilhe (digo-o assim sem títulos nem nada porque me senti como um dos dele – inteirinho), assim como sei que a Elisa Ferreira já disse coisas bem parecidas. Para quem não saiba ele falava numa conferência organizada pelo Público e questionava se realmente achávamos que o Aeroporto era o futuro do País?
Disse que provavelmente este investimento matava Pedras Rubras, e falava com uma certeza de números que eu não sei ter.
Depois, para que ninguém ficasse com veleidades que isto era uma posição partidária desancou Cavaco Silva quando citou o seu livro II de auto-biografia POLÍTICA a sua frase em que afirmava ter EMPATADO A REGIONALIZAÇÃO!
Olhando para isto em termos políticos temos então o quê?
O Distrito do Porto em definhamento (desemprego, crise industrial, maior litoralização, perda de capacidade competitiva, fosso de desenvolvimento com a Europa e com Lisboa), mas não se riam todos, pois no distrito vê-se também toda a região do Norte e centro.
Por outro lado, confuso com este investimento previsto para a capital calculo que haja uma estratégia de descentralização, quanto mais não seja para equilibrar as coisas. Procuro mas não encontro!
E será isto culpa de Sócrates? Ou será antes culpa de não conseguirmos uma acção política credível?
Anteontem enervava-me com a forma brejeira e de parodia com que num programa da 2 (pasteis de nata) se tratava a regionalização – com pronuncia à Porto e bocas risonhas.
Será que as mesmas palavras ditas por Fernando Gomes e Cadilhe tem efeitos diferentes?
Não creio que se crie mais emprego quando o sector produtivo está em crise (então haverá mais circulação porquê - turismo?) e a vocação de Portugal indefinida.
Ontem revi-me no Miguel Cadilhe (digo-o assim sem títulos nem nada porque me senti como um dos dele – inteirinho), assim como sei que a Elisa Ferreira já disse coisas bem parecidas. Para quem não saiba ele falava numa conferência organizada pelo Público e questionava se realmente achávamos que o Aeroporto era o futuro do País?
Disse que provavelmente este investimento matava Pedras Rubras, e falava com uma certeza de números que eu não sei ter.
Depois, para que ninguém ficasse com veleidades que isto era uma posição partidária desancou Cavaco Silva quando citou o seu livro II de auto-biografia POLÍTICA a sua frase em que afirmava ter EMPATADO A REGIONALIZAÇÃO!
Olhando para isto em termos políticos temos então o quê?
O Distrito do Porto em definhamento (desemprego, crise industrial, maior litoralização, perda de capacidade competitiva, fosso de desenvolvimento com a Europa e com Lisboa), mas não se riam todos, pois no distrito vê-se também toda a região do Norte e centro.
Por outro lado, confuso com este investimento previsto para a capital calculo que haja uma estratégia de descentralização, quanto mais não seja para equilibrar as coisas. Procuro mas não encontro!
E será isto culpa de Sócrates? Ou será antes culpa de não conseguirmos uma acção política credível?
Anteontem enervava-me com a forma brejeira e de parodia com que num programa da 2 (pasteis de nata) se tratava a regionalização – com pronuncia à Porto e bocas risonhas.
Será que as mesmas palavras ditas por Fernando Gomes e Cadilhe tem efeitos diferentes?
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