Sr. Presidente do Jornal das Noticias
O senhor bem sabe que eu leio muito o seu jornal. O meu homem, que todos os dias vai ali pelo café, até diz que num há jornal como este, que vem lá tudo, tudo.
Ele agora quando vem do café, depois de ver as folhas do fim, com aquelas catraias todas descascadas, trás na ideia as coisas malcriadas e num me dá descanso. Ai senhor, e eu cu a minha siatica já num estou práquilo.
Ó senhor doutor, o que queria saber, era mesmo por quem votar lá no partido. O óme diz que é no mesmo, no senhor inginheiro que tem sido tão bão cua gente e que até fomos uma vez no passeio. Diz que foi ele que nos ajudou o rapaz, quando andava aflito, sem ganhar nada nem nada. Mas ó senhor doutor, eu acho que o meu ome, cu isto das raparigas já num anda bão. Porque a piquena, a minha mais nova, diz que num há nenhum inginheiro, que são os dois arquitectos e um até num é de se deitar fora.
Ah! Eu gostava muito era daquele alto que está sempre aos beijinhos e que até chegou a andar na câmara, aquele dos foguetes, coitado do moço. Mas aquilo é que era ome bão, sempre a rir lá no alto, aquilo é que era ome bão. Qué dele?
O meu ome, prontos, é muito das coisas do partido, do senhor inginheiro e assim. Mas isto era preciso era gente nova, pra fazer aquelas coisas todas e assim desta gente que fala bonito que até encanta a gente.
O senhor doutor podia era dizer à gente por quem botar. Assim um que fizesse as obras ali na rua que aquilo até é uma pouca vergonha. Aquele do capachino inda chegou a mandar ai uns homens, uns malcriados, sempre a meterem-se com a piquena que o meu até teve que lá ir. Levou ali porrada de meia noite e quem o safou foi aquele que tambem é do partido que dá consulta no hospital e que foi muito bão com a gente. Mas eu num sei, senhor presidente, aquilo para doutor está bem, mas prá politica, nem se vê nada. Promete mais isto, e mais aquilo e a gente cá na rua num vê nada. Inda da ultima vez, para botar, lá estava ele, a falar, a falar, xiii………….., o que aquilo falava..
E estava lá outro que até me pediu para botar pela Adozinda, que coitadinha tá na cama e num sai de lá. Aquilo é que é uma desgraça desde que óme dela se foi. E num é só na casa dela, porque ele tinha muitos cartões, muitos, muitos. O meu óme disse para eu ir, que até parecia mal e que o senhor era sempre tão bão, e importante também.
Mas eu tou mais pra votar no outro, sei lá num gosto de comida requentada, e já tenho dito aqui ao patrão que quanto mais me mandam para um sítio, mas me apetece ir para o outro…
Ass. Dona Serafina
O senhor bem sabe que eu leio muito o seu jornal. O meu homem, que todos os dias vai ali pelo café, até diz que num há jornal como este, que vem lá tudo, tudo.
Ele agora quando vem do café, depois de ver as folhas do fim, com aquelas catraias todas descascadas, trás na ideia as coisas malcriadas e num me dá descanso. Ai senhor, e eu cu a minha siatica já num estou práquilo.
Ó senhor doutor, o que queria saber, era mesmo por quem votar lá no partido. O óme diz que é no mesmo, no senhor inginheiro que tem sido tão bão cua gente e que até fomos uma vez no passeio. Diz que foi ele que nos ajudou o rapaz, quando andava aflito, sem ganhar nada nem nada. Mas ó senhor doutor, eu acho que o meu ome, cu isto das raparigas já num anda bão. Porque a piquena, a minha mais nova, diz que num há nenhum inginheiro, que são os dois arquitectos e um até num é de se deitar fora.
Ah! Eu gostava muito era daquele alto que está sempre aos beijinhos e que até chegou a andar na câmara, aquele dos foguetes, coitado do moço. Mas aquilo é que era ome bão, sempre a rir lá no alto, aquilo é que era ome bão. Qué dele?
O meu ome, prontos, é muito das coisas do partido, do senhor inginheiro e assim. Mas isto era preciso era gente nova, pra fazer aquelas coisas todas e assim desta gente que fala bonito que até encanta a gente.
O senhor doutor podia era dizer à gente por quem botar. Assim um que fizesse as obras ali na rua que aquilo até é uma pouca vergonha. Aquele do capachino inda chegou a mandar ai uns homens, uns malcriados, sempre a meterem-se com a piquena que o meu até teve que lá ir. Levou ali porrada de meia noite e quem o safou foi aquele que tambem é do partido que dá consulta no hospital e que foi muito bão com a gente. Mas eu num sei, senhor presidente, aquilo para doutor está bem, mas prá politica, nem se vê nada. Promete mais isto, e mais aquilo e a gente cá na rua num vê nada. Inda da ultima vez, para botar, lá estava ele, a falar, a falar, xiii………….., o que aquilo falava..
E estava lá outro que até me pediu para botar pela Adozinda, que coitadinha tá na cama e num sai de lá. Aquilo é que é uma desgraça desde que óme dela se foi. E num é só na casa dela, porque ele tinha muitos cartões, muitos, muitos. O meu óme disse para eu ir, que até parecia mal e que o senhor era sempre tão bão, e importante também.
Mas eu tou mais pra votar no outro, sei lá num gosto de comida requentada, e já tenho dito aqui ao patrão que quanto mais me mandam para um sítio, mas me apetece ir para o outro…
Ass. Dona Serafina











