terça-feira, janeiro 17, 2006

A discussão sobre a cidade

O rol de eleições sucessivas que ainda estamos a viver, primeiro as legislativas, a seguir as autárquicas e finalmente as presidenciais, e a ampla cobertura mediática dedicada, tiveram um mérito paralelo aos acontecimentos em si mesmos: introduzir de forma persistente, embora não muito notória, o debate e a discussão sobre a cidade.
As sucessivas passagens dos candidatos pelo distrito do Porto e as propostas mais ou menos aprofundadas no período das eleições autárquicas, suscitaram uma permanente atenção dos mais variados sectores em relação aos indicadores económicos e sociais e urbanísticos relativos a esta região que, ao que tudo indica se depara com um muito preocupante declino dos níveis de desenvolvimento já antes atingidos.
As conclusões são obvias; o norte e muito especialmente o distrito do Porto perdem sucessivamente peso, importância e poder no panorama nacional, que induz a perda de poder de compra e a consequente degradação da qualidade de vida.
Neste cenário, a tentação é grande no sentido de voltar a introduzir a temática sempiterna da regionalização, mas a percepção de inexequibilidade no curto prazo, o necessário para inverter as actuais tendências, cria uma sensação de bloqueio que conduz à inoperância política efectiva.
É neste quadro de semi-bloqueio que surge, porque as sociedades não são estáticas e procuram sempre os seus caminhos, a discussão sobre a cidade, mais concretamente sobre a sua organização territorial que não pode estar dependente de um processo de regionalização muito incerto. A mais valia de uma nova organização territorial poderia ser, muitos o intuem, o motor, a grande alavanca de uma prosperidade que há muito anda arredada da região do Porto.
A isto não é alheia a consciência manifesta nos mais informados e esclarecidos, das potencialidades da região enquanto polo de atracção para todo o noroeste peninsular e referencia para uma “Europa das Cidades”. Toda uma grande área metropolitana que vê condicionado o seu desenvolvimento no plano interno e nacional, mas que pressente poder afirmar-se no plano europeu.
Esta consciência da necessidade de actuar, e de actuar rapidamente antes que a situação se degrade mais a atinja níveis abaixo do aceitável, tem levado muitas personalidades, das mais diferentes áreas políticas a reflectir e a intervir em fóruns e debates que, de alguma forma tem já produzido os seus efeitos, e que apontam caminhos.
Francisco Assis, Luis Filipe Menezes, Nuno Cardoso, Paulo Rangel, Rio Fernandes são algumas dessas personalidades que publicamente tem manifestado as suas opiniões e ideias, mas a discussão atinge já outros fóruns, desde o interior dos partidos, como o comprova a anunciada candidatura de Avelino Oliveira ao PS Porto, até às mais variadas tertúlias que ocorrem pela cidade, ou até ainda em publicações académicas conceituadas dedicadas ao assunto.
Alguns caminhos vão também já sendo apontados. Uns entendem dever a reorganização territorial apoiada numa junta metropolitana forte, resultante de uma eleição directa, com poderes próprios para a sua actuação, num primeiro momento delegados pelas autarquias que a compõe e num segundo atribuídos de cima para baixo pelo poder central. Outros entendem que a fusão de municípios (Porto e Gaia parecem ser os mais envolvidos) numa grande cidade seria a melhor forma de avançar prontamente com a reestruturação e conferir assim mais capacidade e atracção do poder decisório e grandes economias de escala nas atribuições e desempenho das instituições. O processo desenvolve-se de forma pausada e reflectida, mas vai acelerando a sua marcha.
Acontece porém que Matosinhos, a cidade, ou melhor, as suas cidades, todo o concelho, as suas personalidades e instituições parecem manter-se estranhamente alheias a tudo isto. Tal não é compreensível, tratando-se como se sabe de um dos mais importantes concelhos da área metropolitana, onde se situam infra-estruturas tão importantes para a região como o Porto de Leixões e o Aeroporto do Porto.
Passadas as eleições presidenciais, será a altura desta cidade promover também a sua própria visão sobre o assunto sob pena de não estar na linha da frente de um processo que pode vir a ser o que de mais importante acontece num largo período de anos.

Daniel Fortuna do Couto, Arq.
n' "O Primeiro de Janeiro"

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Blondi


Eu sei que muitos ficam incomodados com as imagens que, tantas vezes, me ocorrem para ilustrar alguns comentários à actuação do (em triste dia) reeleito presidente da câmara do Porto.
No entanto, mesmo esses, convirão que uma visita, com certa atenção, ao site da Câmara Municipal do Porto, (lembro que se trata de espaço pago com o dinheiro dos contribuintes e que se destinaria, em princípio, a servir as necessidades dos municipes e não a propaganda do presidente da cãmara) é, por demais elucidativa.

Apesar de o puder ser para alguns, a mim parece-me tudo menos normal que no referido site, entre 7 de Novembro de 2005 e 12 de Janeiro de 2006, tenham sido publicadas nove peças a comentar (da forma que deverão ir verificar) notícias publicadas no Jornal de Notícias sobre a actuação da câmara municipal do Porto.

Sabemos que o Jornal de Notícias tem um estofo que, infelizmente, não tinha o Comércio do Porto.

No entanto estamos ainda lembrados da campanha que contra esse jornal e a sua direcção foi lançada pelo mesmo Rui Rio e os seus apoiantes (nomeadamente Valentim Loureiro) e o facto é que "O Comércio do Porto" já não se publica e não se vislumbra qualquer solução até porque, estranhamente, o proprietário do título, ao que soubemos, nem sequer dá resposta às propostas de compra que lhe vão chegando...

O JN será, sem dúvida, um osso mais duro de roer, mas quem sabe o que se consegue com disciplina e persistência.

Mas nada como uma viagem pelo site da CMP:

JN: Peça por medida-2006-01-12

JN ataca Vereador do Urbanismo com base em deturpações-2006-01-02

JN baixa ao nível da intrigalhada-2005-12-26

JN incrimina a Câmara do Porto-2005-12-20

JN: Câmara volta a estar debaixo de fogo-2005-12-14

JN retoma ataque à Câmara do Porto-2005-12-13

Leite Pereira critica site da Câmara-2005-11-11
(acredito que o título desta notícia «Kim IL Sung à moda do Porto» (tão certeiro) tenha tirado o "homem do sério")

JN: Câmara do Porto debaixo de fogo-2005-11-09

Jornal de Notícias volta a atacar Rui Rio-2005-11-07

Estaremos atentos aos futuros episódios

António Moreira

Todos diferentes ?



Podem por favor os candidatos presidenciais,
TODOS,
disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?


Verifico, com agrado, que o NORTUGAL.INFO aderiu a esta causa, tendo colocado um “banner” vertical no seu site.

Nós bem gostaríamos que eles (os candidatos) nos (sedentos, blogueiros, portugueses) prestassem alguma atenção.

Mas a verdade é que, se nem nós nos prestamos qualquer atenção, como poderíamos esperar que pessoas tão ocupadas, como devem ser os candidatos a uma eleição presidencial, perdessem um segundo que fosse a olhar para as nossas pretensões?

Se, afinal, nem os grandes arautos das transparências e dos rigores, quer na “blogosfera” quer na comunicação social, estão minimamente interessados em saber QUEM PAGA O CIRCO, porque raio é que os candidatos, qualquer um dos candidatos se iria dar ao trabalho de o revelar?

É evidente que podia ser por uma questão de ÉTICA (REPUBLICANA), por entenderem que os eleitores tem direito a conhecer essa informação ANTES das eleições.
Por entenderem que o facto de os eleitores conhecerem a identidade (e os montantes) dos financiadores das campanhas eleitorais seria, sem dúvida, um factor importante para a tomada de decisão pelos eleitores.

Mas surpreende que nem sequer por uma questão de estratégia eleitoral qualquer dos candidatos tenha resolvido (até agora) lançar o desafio:


Está aqui a listagem dos contribuintes para a minha campanha e os montantes disponibilizados por cada um!
Podem os restantes candidatos mostrar as suas?


Assim, por muito que todos se esforcem por se afirmar diferentes, é difícil que eu não os veja como:

TODOS IGUAIS

António Moreira

domingo, janeiro 15, 2006

Ora ai está!

O perfil de um vencedor!


quinta-feira, janeiro 12, 2006

Ciência Hoje a todo o vapor

O Ciência Hoje é um site de divulgação de ciência amigável, actual, sério. Constitui uma referência para todos os cientistas, estudantes e interessados em ciência. O Jorge Massada arriscou,teve audácia e persistência. O Jorge demonstrou que a inovação não passa só pela tecnologia, passa pela manutenção de uma grande ideia.
O Ciência Hoje deu hoje um grande passo em frente- Criou um Conselho Cientifico. Um conselho de gente empenhada em colaborar com o Jorge Massada e tornar esta sua iniciativa, num grande projecto de divulgação de ciência na Net.
www.cienciahoje.pt
Parabéns Jorge Massada.

Finalmente as primeiras reacções...


(Um muito obrigado ao Arrebenta)

António Moreira

AFINAL


Ninguém quer saber...
Embalado pelo proliferar de “micro-causas” lançadas a torto e a direito por esta blogosfera, e, após ter sido revelado pela Comunicação Social, que os diversos candidatos à presidência da república tinham apresentado os seus orçamentos de campanha, os quais contemplavam gastos milionários em cartazes, sacos de plástico, bandeirinhas, aventais, caldo-verdes, bolinhos de bacalhau e croquetes, assim como as receitas de valor equivalente, que iriam suportar tão faustosos custos, achei que era opurtuno que os eleitores fossem informados, ANTES DAS ELEIÇÕES, de real proveniência de tanto dinheirinho.


Assim propus esta "macro-causa":

Podem por favor os candidatos presidenciais, TODOS, disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?



Apenas o
“FrancoAtirador” e o “Akiagato”, que eu saiba, divulgaram esta “macro-causa”.

Não posso dizer que me surpreenda este ignorar, este “assobiar para o ar” por parte de tantos (nomeadamente “blogues”) que tanto gostam de se apresentar como arautos da transparência das instituições e das decisões.
Que tanto exigem a divulgação dos actos da CMP, como dos pareceres do IPPAR, como dos estudos que justifiquem Otas E TGVs, que chegam até ao ridículo de escrever cartas abertas a exigir referendos à decisão de executar obras públicas, a pretexto que possam comprometer o nosso futuro, o nosso desenvolvimento e, afinal, não queiram saber QUEM PAGA àqueles que se candidatam a ter o poder de nomear e dissolver a Assembleia da República, promulgar ou vetar as leis do país, ser o comandante supremo das forças armadas, etc. etc.
Não queiram saber a quem é que o próximo presidente da república vai ficar a dever, vai ficar obrigado !!!!

Será que, para esses senhores, é indiferente que, para custear a sua campanha, o futuro presidente receba imensos modestos donativos de uma multidão de habituais de Fátima, ou que, afinal, seja um qualquer Amorim, Belmiro, Balsemão, Berardo (sozinhos ou em “fundação”) que, afinal, cubra o grosso das despesas (faltarão formas de “dar a volta” aos limites?).
E se, em vez de os donativos terem origem em “muitos crentes” ou uns poucos “empresários”, mas ainda assim portugueses, a origem dos dinheiritos tiver outras proveniências, vier das Áfricas ou de mais longe?

Também não interessa?

Ninguém quer saber?

Alguns três meses depois das eleições, se alguém ainda estiver interessado, pode ser que alguma fuga de informação venha a revelar alguns nomes…


"Esclarecimento.

Esta actividade pode também ser financiada por donativos de pessoas singulares, embora estejam sujeitos ao limite de 60 salários e obrigatoriamente titulados por cheque ou por outro meio bancário que permita a identificação do montante e origem."


Se Soares, Sousa, Louçã e Pereira declaram que uma percentagem significativa das suas receitas são provenientes dos partidos que suportam as suas candidaturas e se é compreensível que Alegre, não possa contar nas suas receitas com qualquer montante proveniente do seu partido, o PS, já é por demais estranho que Silva se sinta à vontade para nos vir dizer que, do rol das suas receitas de campanha não consta o contributo de qualquer dos dois partidos que apoiam a sua candidatura.

Ora eu tenho as maiores reservas relativamente a um conjunto significativo de competências deste candidato, mas, ainda assim, considero que, no que respeita a continhas, principalmente se lhe disserem directamente respeito, o senhor, que até andou a estudar economia, não é homem para ficar a perder.

Ainda por cima decerto estará lembrado daquilo que o seu partido terá feito a Freitas do Amaral, quando este foi o candidato apoiado pelo PSD e o CDS e Silva era presidente do PSD, não estando assim na disposição de passar uma quantidade de anos a pagar dívidas de campanha, quando se sabe até, que os seus pareceres são algo mais “económicos” que os de Freitas do Amaral.

Não será assim de esperar que qualquer um minimamente atento aceite como válida a explicação de que os DOIS MILHÕES DE EUROS (QUATROCENTOS MIL CONTOS) declarados por Silva, como doações privadas, venham a ter origem no tal :
Ou nas
(O que já sabemos não ser correcto)
Mas:
“Cavaco deixou claro que deu instruções precisas ao seu mandatário financeiro, José Ponte Zeferino, para que tudo estivesse dentro da lei, salientando que há "recibos" de todos os contributos.”

Claro que Silva é só um dos seis,mas, por ser o mais provável, é, por isso, o de maior risco.

Mas ainda assim eu queria era saber a proveniência do dinheiro que paga as campanhas de TODOS os candidatos.

Eu queria saber a quem é que o próximo presidente da república vai ficar a dever, a quem é que vai ficar obrigado.

E queria saber ANTES das eleições.

Pelos vistos há muito poucos que queiram saber.


É pena (acho eu)

António Moreira

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Um Pajero passa sempre...



A reforçar ainda mais o mito do REI TT, ai está a Mitsubishi destacada na liderança do Dakar.
Este facto é especialmente significativo porque os Pajero, depois de há uns anos terem conseguido a proeza de ter cinco carros nos cinco primeiros lugares, já tiveram que aguentar os ataques da BMW e mais recentemente da Volkswagem.
A Volkswagem concorreu com nada mais nada menos que dez equipas de fabrica. E para já, nada!

ainda mais do mesmo...

Relativamente à OTA e ao TGV as perguntas para as quais importa saber a resposta relativamente à despesa publica são as seguintes, separadamente para cada um dos investimentos:

- Qual o prazo para realização do programa? O previsto (optimista) e o provável (não será difícil de obter calculando a média dos atrasos em obras publicas de grande envergadura);

- Qual o investimento total previsto? E qual o provável? (não será igualmente difícil de obter ponderando programas tão semelhantes quanto possível);

- Quais as fontes de financiamento? Quanto cabe ao Estado, quanto são as ajudas comunitárias?

- Quanto vão investir os privados? Quais os montantes formalmente privados mas com origem publica?

- Quais as contrapartidas para o financiamento privado?

- Quanto representa o investimento publico, directo e indirecto, sem a comparticipação comunitária, no total;

- Qual é a distribuição do investimento ao longo dos anos de cada um dos programas?

- Que percentagem do PIB representa esse investimento, anualmente e previsivelmente, em cenário de estagnação e de crescimento?

- Que percentagem do Orçamento de Estado representa esse investimento, anualmente e previsivelmente, em cenário de estagnação e de crescimento?

- Que percentagem do PIDDAC representa esse investimento, anualmente e previsivelmente, em cenário de estagnação e de crescimento?

- Que percentagem do investimento em novas infra-estruturas representa esse investimento, anualmente e previsivelmente, em cenário de estagnação e de crescimento? (porque o PIDDAC compreende muitos investimentos que não se traduzem em infra-estruturas, como por exemplo as compensações)


Depois deverá ser devidamente avaliado o retorno financeiro a todos os níveis, relacionado com a realização destes programas.
Uma vez na posse destas informações, será então possível para aqueles que se preocupam de facto com a despesa publica emitirem opiniões válidas sobre o peso real destes investimentos.
Insisto, para aqueles que se preocupam de facto com a despesa publica.
Para uma correcta avaliação da decisão política ainda falta aqui muita, muita coisa.

Os referendos!

Entendo esta vontade de referendar assuntos como a OTA ou o TGV. É mais ou menos o assumir da falta de força política nortenha no devido equilibrio das vontades centralistas. É fazer-lhes com isto o que nos fizeram com a regionalização.
Todos sabemos que um assunto referendado é um assunto fragilzado, e se nem sequer no aborto, onde existe uma reconhecia maioia de pessoas a reconhecer que o que se passa está mal, conseguimos discutir sem DEMAGOGIA.
Portanto, digo, NÃO CONCORDO COM A OTA E NÃO CONCORDO COM O TRAÇADO DO TGV, aliás NÃO CONCORDO COM O TGV "ITSELF".
Como não concordei que a Expo se fizesse alí em vez de em Setubal, por exemplo. Ou então que se fizesse o 2004 desbaratando tantos estádios, alguns agora ao serviço da 2ª divisão nacional (caso de Faro, Aveiro e possivelmente para o ano Guimarães).
No entanto este caminho de pedir referendos, não resolve, mas ajuda! Por isso o blasfémias está de parabens. Finalmente alguém usa a demagogia contra os interesses instalados, sem se chamar Louçã.
Finalmente devo dizer que, como é evidente, não concodo com o referendo, nem sequer gosto do texto, e menos ainda acho que o Paulo Morais tem legitimidade para falar o que quer que seja. Logo ele que se acobardou em Lisboa nas acusações e que durante o periodo em que esteve na Câmara não deu nenhum contributo para a promoção do Porto e da sua região.
Digo isto mas reafirmo que entendo a vontade de alguns em fazer este papel!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Blasfémias!!!!



Os blasfemos do Blasfémias resolveram lançar uma movimentação através da net.
Nada menos nada mais do que uma subscrição para um referendo OTA e ao TGV.
Independentemente do enorme respeito que me merecem os primeiros subscritores, eu cá não subscrevo.
Porque concordo com o TGV (o traçado é outra história);
Porque não são temáticas próprias para um referendo;
Porque são actos governativos legitimados por uma maioria absoluta e todo um percurso politico do partido promotor que não deixa grande margem a falta de legitimidade;
Porque apesar de alguns aspectos pertinentes do texto fundamentador, muitos outros são apenas conversa de diversão que retiram seriedade à proposta;
Porque a proposta é demasiado inconsequente nos resultados directos para que seja inconsequente nos indirectos. Isto é, ajuda a diminuir a generalidade das iniciativas que possam ter origem na sociedade civil, contribuindo ainda mais para a sua inacção;
E finalmente, porque o texto que acompanha a petição se encontra carregado de segundos sentidos, que dão como adquiridas opiniões que eu igualmente não subscrevo.
Ainda assim, para aqueles que se interessarem pelo assunto, aqui fica o link.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Sobre a Fusão Porto-Gaia

Tem sido constante a discussão em torno da fusão do Porto e Gaia. Muitos recordar-se-ão do almoço entre Menezes e Gomes que levantou essa questão. E do pequeno almoço de Nuno Cardoso com o mesmo Menezes que levou o tema mais a sério.
Agora são outros a dize-lo!
Fiz a coordenação editorial de uma revista académica que se dedicou ao tema : “ a obra nasce” – nº 2 , da Universidade Fernando Pessoa. Creio que vale a pena passar por lá os olhos.

Nem todos concordaram sobre a respectiva fusão, e existiram opiniões desde Manuel Correia Fernandes, António Babo, Rio Fernandes, entre outros mais.

Numa coisa houve unanimidade, a fusão a existir não pode obedecer às simples fronteiras dos dois concelhos. O que interessaria ao Porto a Freguesia de Sandim? Ou então se vale a pena unir com Gaia, porque não Areosa, Rio Tinto, S. Mamede e Matosinhos (Freguesia), e quem sabe até Leça da Palmeira?

Por mim concordo na fusão, o que devemos é trata-la de forma séria, sem sequer deixar que se riam do assunto. Ou se faz ou então nem se discuta. Se é para fazer, vamos então fazer bem! Coisa que não acredito possível com a gestão RUI RIO.

As musicas da Casa - parte II

Pela internet, via PNED e já espalhado em vários "emailes", corre este texto:
"O BPN comprou um terreno na Boavista e quis construir um prédio, mas valerosa gestão urbanística da Câmara "esqueceu-se" de coordenar este projecto com o da Casa da Música e eis que para se manterem os horizontes à música se torna necessário esburacar o BPN. Para indemnizar o banco, a CMP convence a Direcção Regional de Educação do Norte a vender ao BPN um terreno que a DREN possuía no local. Terreno esse que a C.M.P. havia cedido à DREN para que aí se construísse o novo conservatório; isto porque a CMP entetanto vendera o actual edifício do conservatório à depauperada Associação Nacional de Farmácias e tinha necessidade de encontrar novo poiso para os músicos. O tal edifício agora na posse das farmácias havia sido doado à CMP pela família proprietária com a salvaguarda que ali funcionasse o Conservatório (a Câmara esqueceu-se...). A DREN concorda em vender o seu terreno ao BPN e em simultâneo, e por pura e casta coincidência, o então director da DREN diz que na realidade o terreno nem dava para o conservatório por ser muito estreito (chamada vista absoluta...como o ouvido) e que o ideal era encontrar outro local. Fala-se no liceu Carolina Michaelis aparentemente às moscas mas apenas com o dobro dos alunos para os quais fora inicialmente previsto... mas também não: aparentemente o externato Ribadouro gerido pela esposa do tal director da DREN tinha-se mostrado interessado em adquirir o Carolina (um edificiozeco com um terrenito mal arejado ali na Ramada Alta), evitando assim a sua eminente ruína por falta de uso...O tal director da DREN é licenciado em história e pela leitura da estreiteza do terreno do BPN, um especialista em urbanismo à vista desarmada. O tal director da DREN é hoje, imagine-se, vereador do urbanismo. Aposte-se quanto tempo demorará o tal Liceu a mudar de mãos...(e até lá caberão os músicos com um pouco de sorte). E depois não se esqueçam de ir aos bancos da Suiça ou aos das ilhas Caiman ver se algo de novo apareceu por lá...pertença de familiares de empreiteiros ou de políticos."
Por sinal votei a decisão final do prédio BPN (porque o próprio Rem Koolhaas a subscreveu, apesar de eu, como arquitecto não gostar, mas não era nessa condição que lá estava) e tal como o Rui Sá questionei na altura o Presidente da Câmara sobre o destino do Conservatório e o que haveria de concreto relativamente ao Carolina Micaelis.
A resposta foi a de sempre - silêncio! Não sou, portanto, protagonista deste filme, mas sim figurante e confesso a minha preocupação em vêr estes textos, e embora a situação apresente factos coerentes, julgo que não estão adquiridas as provas substanciais para confirmar a tese apresentada.
De resto não há duvidas que aquele processo, como muitas vezes acontece em Portugal está enxameado de situações cuja transparência evitaria estas coisas.
nota: Como é evidente este é o assunto a que o António Moreira se referia no post anterior.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Custa-me a acreditar!

A sondagem de amanhã já saiu hoje

Gato escondido …


Afinal, a fazer fé nas declarações de Rui Sá ao PJ de hoje, parece confirmar-se aquilo que, desde o início, suspeitei.

O romance criado por Rui Rio e sua “equipa” à volta do “subsídio nocturno” dos funcionários afectos à recolha do lixo, mais não será afinal que a parte visível de uma campanha orquestrada com o objectivo de, tão cedo quanto possível, adjudicar esse serviço a empresas privadas.

É mais do que evidente que poderá ser discutida à exaustão a razoabilidade ou não duma medida desse teor, assim como as reais intenções por trás dessas decisões, e a quem elas aproveitam.

Agora o que não pode haver dúvidas é que os fins não justificam os meios (mesmo admitindo a bondade desses fins) e que fazer passar os funcionários, que não tem a mais pequena responsabilidade pelos disparates ou ilegalidades cometidas pelos incompetentes que, sucessivamente, tem dirigido os destinos desta cidade, pelas dificuldades que, fatalmente, a redução de cerca de 20% da retribuição devida pelo seu trabalho acarreta, ainda por cima fazendo esta situação coincidir com o período de Natal, revela o carácter do principal responsável por esta demonstração de “pouca-vergonha” o Sr. Dr. Rui Rio.

Além do que escrevi sobre este assunto, no “post” “O LIXO DO PORTO”, que, naturalmente, não recebeu qualquer comentário, ficamos agora a saber, pela leitura desta opinião de Rui Sá que, afinal, o tal relatório do IGAT até admite a possibilidade de:
“…Entendemos ainda assim que, à luz dos princípios estruturantes do Estado de Direito Democrático, em especial, dos princípios da justiça, da confiança, da proporcionalidade, da boa-fé, do suum cuique tribuere, da protecção da estabilidade das relações jurídico sociais e da paz social, devem ser atribuídos efeitos jurídicos à situação de facto gerada (pagamento da quantia a título de “Prémio Nocturno”), aceitando-se tal pagamento, não obstante a sua ilegalidade…”
o referido prémio continuar a ser pago, pelo que todas as afirmações noutro sentido feitas pelo presidente da CMP e outros responsáveis não são mais do que o mesmo do costume, ou seja MENTIRAS.
MAIS:
Como muitos dos que me leem, recebi um e-mail, via lista de divulgação do PNED, contendo um texto com um relato que, a ser verdade, me parece de uma gravidade extrema.
Penso que o assunto em questão poderá ser facilmente comprovado ou desmentido por diversas pessoas que, como eu, receberam essas informações, refiro-me a vereadores da CMP, membros da Assembleia Municipal da CMP, profissionais de órgãos da comunicação social, para não falar de elementos da Procuradoria Geral da República ou da Polícia Judiciária que, eventualmente tenham tido acesso ao mesmo texto.
Parece-me extremamente importante que as afirmações constantes desse texto possam ser rapidamente desmentidas (via lista do PNED) pelo visado ou por quem tenha informação suficiente para tal.
Caso tais afirmações não sejam rapidamente desmentidas estaremos perante algo de muito muito grave e que deverá ser publicamente denunciado.
António Moreira

Opinião # 26- Avenida dos Aliados

Mais um Copy+Paste, desta vez integral, desta vez dos ALIADOS

Acho que a Manuela D.L. Ramos e os outros Aliados não vão levar a mal:



"Posição assumida pelo Deputado Luís Braga da Cruz

«Depois de ler com cuidado todos os elementos que foram produzidos sobre a audição das ONG’s do Porto, na Comissão Parlamentar de Educação e Cultura da Assembleia da República, relativa à intervenção perpetrada na Avenida dos Aliados pela empresa Metro do Porto, a pedido da Câmara Municipal do Porto, assumo a posição seguinte:
1. Na resposta da Câmara é assumido que a responsabilidade é da Câmara e não do Metro, o que é positivo.
2. Porém, também fica claro que as indicações que podem ser consideradas como orientação, ou programa dado aos arquitectos, são de tipo formal e meramente técnicas.
3. O que é grave, na minha opinião, é não se identificarem nesta preocupação considerações que possam ser entendidas como opções de natureza política, em relação ao valores de carácter patrimonial.
4. A Praça dos Aliados é o ponto de referência por excelência dos Portuenses. Foi apropriado pelos cidadãos do Porto, como ele é. Não se pode mexer num local que é património e que tem valor simbólico, sem explicar bem porque se faz (não basta dizer que se enviou um desdobrável pelo correio).
5. A maior parte dos portuenses só vão dar conta do estrago físico e moral feito no seu património, quando tudo estiver irreparavelmente perdido.
6. Trata-se de mais uma atitude predadora sobre valores da cidade e perpetrada por quem tem responsabilidades e que actua em atitude de grande falta de respeito pelo que é emblemático na cidade.
7. Os argumentos que são usados garantindo que a intervenção procura conferir coerência a uma série de espaços urbanos que nunca tinham experimentado um esforço de integração, não me parece válido porque a coerência não é um conceito formal, mas sim o que as pessoas construíram na sua memória colectiva.
8. Repare-se que em toda a argumentação se sucedem considerações técnicas que se implicam em sequência, sem se demonstrar que era inevitável a primeira opção, que desencadeia todo o processo – de implantar as bocas do metro nos passeios, quando havia outras soluções para o problema.
9. Fala-se muito em mimetismo, para dizer que não se podia rematar o novo com o padrão anterior, mas no entanto o que resulta é uma obra de intervenção radical e não de uma intervenção pontual ou de uma recuperação.
10. Dói ver destruir património impunemente. Pode ficar formalmente correcto, mas corta-se alma à cidade.
11. O que está em causa não é a qualidade do projecto, mas a legitimidade de um acto de destruição de algo que tinha valor patrimonial… e há sempre um IPPAR disponível para se enrodilhar em explicações incompreensíveis!
12. Estes comentários poderão ser entendidos como desabafos, mas são sentidos e produzidos por alguém que não gosta da forma como se estão a manipular questões muito sérias na cidade do Porto.
Luís Braga da Cruz -(Deputado do Partido Socialista, pelo Distrito do Porto)
23.Novembro.2005 »
"Links" da nossa responsabiliadade.
Ler outras OPINIÕES

posted by manueladlramos "
Obrigado
António Moreira

MACRO CAUSA

Estranhamente (ou não) os arautos habituais da transparência das instituições, sempre tão prontos a lançar as suas “micro causas”, parecem estar distraídos quanto ao assunto das contribuições para as campanhas.

É que anda por aí um tal assobiar para o ar…

Será que sou só eu que sempre tive esta curiosidade em saber:


QUEM PAGA A FESTA????????


Assim penso que seria mais que oportuno o lançamento de uma “macro-causa”

Podem por favor os candidatos presidenciais, TODOS, disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?

É que esta pode ser a única forma de esvaziar os boatos que já circulam (como este) e os que não tarda nada, usando a teoria dos telhados de vidro, vão começar a aparecer.
Quem (no resto da "blogosfera") alinha?
Estou para ver.
António Moreira

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Na alfandega

Amanhã, 6ª feira, pela noitinha, há jantar e bailarico aqui com o Dr. Mário Soares!

terça-feira, janeiro 03, 2006

E spaña no es D e P ortugal?

A DEVIDA COMÉDIA

E, já que estamos na Visão, com a devida vénia a Miguel Carvalho :

Se Cavaco fosse de direita - direita mesmo - talvez o homem merecesse um pouco mais de atenção. Mas a direita tem dado à pátria coisa pouco digna de respeito, excepto talvez Mário Soares

Vale a pena ler o resto aqui

António Moreira

Carlos Cáceres Monteiro (1948-2006)




Sentida homenagem

António Moreira

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Os meus principais votos para 2006:

- A grande Vitória de Mário Soares na 2ª volta.
- Derrota de Cavaco em qualquer uma das voltas.
- O Grande FCP de novo campeão.
- A cidade e a região do Porto a recuperar o tempo perdido.
- A economia e a auto-confiança portuguesa em retoma.
- O Governo a olhar devidamente para lá do circulo de 40 Kms à volta de Lisboa.
-O PS a governar bem e atingindo as metas de crescimento propostas.
- A Europa com Paz e assumindo os desafios do novo século.
- Muita “saudinha” para todos.

E já agora, se não for pedir muito…

Um PS-Porto verdadeiramente renovado!
nota: a ordem é praticamente aleatória

Feliz ano novo!

E que 2006 não seja um ano com demasiados ésses e ses, mas ism com muito socialismo!


Uma liberdade religiosa inacabada

A Helena Vilaça enviou-nos este artigo, que saiu hoje no JN. Acho que vale a pena publica-lo também aqui!

A vasta polémica que ocupou páginas de jornal, nas últimas semanas, acerca da retirada das escolas dos crucifixos mais não é do que a ponta de um icebergue dum tema delicado e incómodo para vastos sectores da sociedade portuguesa como é o caso da liberdade religiosa e que denota o quanto ainda há para aprender em matéria de democracia e cidadania.
O simples facto de a ministra da Educação, em resposta a diversas queixas acerca da existência de crucifixos em salas de aula, ter mandado averiguar cada situação e, após auscultação da comunidade escolar, ter feito cumprir a lei, originou um conjunto de reacções exacerbadas como se o Estado português pretendesse impor o laicismo enquanto ideologia dominante tendo como protagonista uma ministra jacobina.As diversidades culturais, religiosas, étnicas constituem uma das principais características da actual fase da modernidade.
Portugal, à semelhança de outros países europeus, tem-se confrontado com este novo cenário de pluralidade, o qual coloca novas questões em vários domínios da sociedade, em especial no sistema político.
Claro que este processo, adquiriu uma nova dimensão depois da II Grande Guerra, mas o início do fim do monolitismo religioso encontra as suas raízes bem antes.A tradição cristã começou a ser objecto de crítica filosófica e política, com os primeiros pensadores humanistas, mas principalmente nos séculos XVI e XVII.
Mais importante do que a atitude de pensadores particulares terá sido o próprio curso da estrutura social e da sociedade em geral. O sociólogo Bryan Wilson chama a atenção para duas "forças poderosas" que acabaram por transformar a tradição cristã o processo de secularização e a emergência do Estado laico.
A coesão social deixou, por esta via, de estar associada ao imperativo do consenso religioso. A religião deixou de assumir como função primeira assegurar a manutenção da ordem social. Gradualmente, a identidade nacional deixou de ser confundida com identidade religiosa e foram sendo reconhecidos os direitos das minorias religiosas e mesmo dos não religiosos ou das minorias anti-clericais. Se o reconhecimento dos direitos individuais só recentemente começou a ser alargado, isso explica-se, no essencial, pela natureza corporativa que caracterizava a vida social. Apesar disso, na Europa, só recentemente a legislação começou a contemplar ou a alargar os direitos das minorias religiosas.
A história ocidental revela, nos vários momentos e contextos geográficos, que sempre que foram feitas leis acerca de liberdades religiosas, estas nunca protagonizaram uma iniciativa de mudança, antes têm representado um imperativo de resposta a acontecimentos, alguns dos quais inesperados. Mesmo nos actuais regimes democráticos podem ser identificados casos de marginalização ou subordinação de grupos religiosos. Nas nossas sociedades, as minorias religiosas são, à partida, desprovidas de poder, recursos e oportunidades face aos detidos por igrejas maioritárias. A projecção que as instituições religiosas dominantes dispõem nos meios de comunicação social é bem ilustrativa do facto. Tendo adquirido uma maior liberdade de expressão, as comunidades religiosas minoritárias em Portugal, ao longo do último quartel do século XX, foram apresentando perante os governos e na esfera pública um conjunto de reivindicações sob o argumento de uma maior igualdade para todos os grupos religiosos e tomando como elemento de comparação a Concordata com a Igreja Católica Romana, situação que consideram de privilégio.
Tanto a renegociação da Concordata como a nova Lei da Liberdade Religiosa representaram, nas primeiras décadas pós 25 de Abril, um assunto de extrema delicadeza para o poder político. Só em finais dos anos noventa, a situação da liberdade religiosa em Portugal foi reavaliada e uma nova lei começou a ser elaborada, tendo sido aprovada pela Assembleia da República em Abril de 2001. A permanência da lei marcelista de 1971 representa um facto contraditório aos princípios democráticos constitucionais. Isto porque a Constituição democrática de 1976, apesar de incluir o direito à liberdade religiosa, manteve uma legislação específica nessa matéria obsoleta.Hoje, embora em termos legislativos, se tenha alcançado uma situação mais próxima de um ideal-tipo de pluralismo religioso, na realidade existe o domínio de um discurso produzido pela cultura religiosa dominante que continua a conceber o país em dois mundos os católicos e os anti-católicos.
Ironizando, podemos dizer que para muitos ser português deveria ser sinónimo de ser católico. O que está em causa, não é negar toda a matriz católica romana que forjou, desde os primórdios da nacionalidade, a cultura na sociedade portuguesa, nem toda a sua herança patrimonial e simbólica inscrita no nosso território. A questão é outra. Concretizemos. Do mesmo modo que não faria qualquer sentido um não católico romano (fosse ele protestante, judeu, testemunha de Jeová, ateu, ou muçulmano) internado num hospital católico, exigir a retirada do crucifixo da parede do quarto, ou no caso de ter filhos a frequentar colégios católicos protestar contra o ensino religioso e os símbolos religiosos ali presentes, também é completamente impróprio (leia-se, anti-constitucional) que num hospital ou numa escola públicos de um Estado laico e democrático estejam presentes elementos religiosos que atentam à crença religiosa individual e obstaculizem a integração de todos e de cada um, na diversidade que tal implica, no espaço público segundo regras de comunicação igualitárias.
Só um Estado que defenda o princípio da laicidade, o que é diferente de ideologia laicista, dispõe de instrumentos para gerir a diversidade e proporciona condições para combater a exclusão. Sim, porque a exclusão religiosa é também uma modalidade de exclusão social e a liberdade religiosa é um direito contemplado na Carta dos Direitos Humanos. Por tudo isto, parabéns senhora ministra.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Avelino's

O valor do nome!
Hoje o Jn brinda-nos com o destaque deste homem que, para minha infelicidade, conspurca o meu nome nas bocas e linguas ensalivadas deste País.
Confesso que me irrita que falem do "Avelino" em vez do "Ferreira Torrres", nome que o celebrizou devido às peripécias facistas e a um estranho assassínio do irmão.
Na verdade este Avelino, deve ter uma das mais divertidas estórias de autarca de todo o País, e quando digo divertidas refiro-me ao aspecto trágico da coisa, que de tão irracional e opaca, só pode dar para rir.


Como sobre o "Ferreira Torres" pouco mais existe a dizer, entretantro fiquem com outros "avelinos":

cidade de Pedro Avelino

cidade de Avellino

provincia de Avellino

Clube de futebol Union Sportiva Avellino

Pai de Álvaro Cunhal - Avelino Cunhal

Caves Avelino Vegas

Santo Andrea Avellino


terça-feira, dezembro 27, 2005

26 de Dezembro



Fez um ano que o Oceano Índico turvou a vida dos Homens. Fez um ano que lágrimas salgadas e grossas de pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos e amigos se misturaram para sempre com o Mar. Um Mar que, de repente, perdeu as fronteiras e abalou definitivamente equilíbrios. A minha homenagem a Todos!
No meio desta imensa tragédia, também não consigo deixar de pensar naquela pequena ilha do Pacífico, mesmo na trajectória do Tsunami, onde todos se salvaram. Ali, a tradição ditava que, numa guerra de fronteiras entre mar e terra, ao recuo do mar se seguiria, por certo, uma nova investida. Sabendo de antemão que nessa guerra de mar e terra o Homem seria “sacrificado”, os habitantes da ilha decidiram refugiar-se na floresta. E com esta atitude de “mágica” sabedoria se salvaram.
O jogo de adaptação do Homem às mudanças da Natureza só pode ser por Ele ganho, e às vezes, se Ele reconhecer o ténue equilíbrio que rege este jogo. E foi isso que aconteceu naquela pequena e primitiva ilha do Pacífico.
Ali reconhece-se que entre terra e mar existem fronteiras bem definidas, ali reconhece-se que a mudança dessas fronteiras implica perder equilíbrios, ali reconhece-se que quando o mar recua ele vai avançar a seguir com mais força, ali reconhece-se que o Homem tem que agir depois de observar, ali reconhece-se que a sabedoria também passa por estar atento às pequenas diferenças e tentar perceber o Mundo como um Todo.
Nesta nossa adaptação à Natureza, o Equilíbrio é feito da constante atenção à Mudança.

Raquel Seruca

Olha, olha, olha



Este "rapaz", o puto das eleições presidenciais, lá vai mostrando a face.
Primeiro foi aquela vitória democratica, séria e esmagadora, nas eleições internas com 99,999% virgula 999 dos votos.
Agora já não está com meias medidas, e já diz à boca cheia que a menina Joana vai ver nas listas o resultado do seu apoio a Soares. Sim senhor! E dizem-se "de confiança".
Menina Joana,não se apoquente, que o rapaz não presta. Isso os homens são como os autocarros, quando se perde um, vem logo outro a seguir. Pelo menos os dos STCP. Os da Carris é outra estória.

Olha, olha



Este "jovem" ainda não foi eleito e já quer governar.
Secretarias de Estado, propostas de lei, não se terá ele enganado nas eleições, na candidatura.
Essas foram em Fevereiro passado.

"O Franco Atirador" tem pontaria


Mantendo a tradição do copy+paste e, apesar do tempo já passado, o que é tão bem escrito não perde (se calhar ganha) actualidade, assim, com a devida vénia ao "Da Literatura" permito-me transcrever este magnífico texto de Luis M. Jorge, publicado originalmente n"O Franco Atirador".
Obrigado
António Moreira:
Luís M. Jorge, O Franco Atirador. Eu não diria melhor:

«[...] Mário Soares é um homem com muitos defeitos.
É pouco rigoroso, inchado, agressivo e tem de Portugal a visão de uma coutada ao dispor da família Barroso e dos seus amigos de Macau.
Além disso, está rodeado de gente sem espírito crítico nem competência política, o que se paga caro quando é preciso alinhavar uma estratégia ou impôr alguma modéstia à feira de vaidades que é este país.
No entanto, creio que Mário Soares tem grandeza.
Ele combateu o Salazar, quando Cavaco combatia por medalhas de atletismo.
Ele criou um partido no exílio, quando Cavaco criava raízes em York.
Ele ajudou a fazer o 25 de Abril, lutou por uma democracia representativa, combateu os comunistas, calou os militares, e impôs algum juizo ao General Eanes quando ele se convenceu que era o General de Gaulle.
Aliou-se aos americanos, incorrendo no ódio mortal da nossa patética esquerda.
Impôs disciplina financeira a uma terra que ainda andava a falar de reforma agrária.
E, acima de tudo, colocou esta nação de trôpegos e néscios camponeses na União Europeia. [...]
E enquanto isso, o que foi feito de Cavaco?
Cavaco andou a tratar da vidinha e a dar-se ares de “grande homem”, “rigoroso” e "competente”.
Eu não tenho nada contra o fascínio das classes médias por um módico de respeitabilidade.
Só que ser respeitável não é um salvo-conduto para a santidade, nem o devia ser para uma Presidência da República. [...]
Mário Soares não é Manuel Alegre nem está, felizmente, senil.
Lembra-se como gozavam com ele quando iniciou esta campanha?
Como a Direita o tratava com desdém?
Como diziam que tinha o espírito toldado, a cabeça imprestável, o verbo desarticulado, o ouvido duro, as respostas desfasadas?
Não ouvi ninguém queixar-se disso ontem à noite.
Ontem à noite, Mário Soares humilhou Cavaco Silva.
Fê-lo sem civilidade?
Talvez.
Mas isso não desculpa que o vosso “brilhante”, “competente” e “rigoroso” timoneiro saísse dali vexado por um ancião. [...]
Quanto aos próximos debates, concordo que não serão necessários.
Cavaco Silva, tal como George W. Bush, vai ganhar.»

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Uma prenda de Natal, recebida por e-mail :-)

Querido Pai Natal

Sou eu, estou a escrever-te de Portugal , tás a ver onde é Portugal ?!
Oh pá... o país do engenheiro Socrates?!
A OTA ?! Não sabes? !
Lembraste de teres passado numa cidade bonita, tipo histórica, o Porto ?!
Sim... exactamente a cidade do FCP ... pronto, o Porto fica em Portugal, já percebeste agora de onde te estou a escrever?

Escrevo-te porque quero que saibas que em Portugal todos lucraram contigo, os franshings e os comissionistas das multinacionais encheram as caixas registadoras e até o comercio tradicional fez muito dinheiro, com os produtos da china que lá compraste.
Graças a ti, os hipermercados esgotaram o bacalhau da Noruega, as batatas espanholas já pesadas e lavadas e os bombons da Itália.
Sabes Pai Natal já houve tempos em Portugal, que os 500 euros do subsidio de natal , davam para muitas prendas portuguesas , este ano compramos metade das prendas mas tudo estrangeiro, já viste?! ... foi como se tivéssemos viajado por todo o mundo para realizar um Natal tipicamente português.
E o próximo Natal ainda vai ser melhor, com os lucros deste ano, vamos poder trocar o tradicional bacalhau, pelo Happy Meal americano que já traz presente.
Sim é uma ideia do nosso PM.
Oh Pai Natal mas eu queria mesmo era agradecer-te o livro do Saramago traduzido em português, foi o melhor presente que recebi ... compras-te na Fnac .. dizia no embrulho.
Alias, essa de trazeres os presentes embrulhados em papeis de lojas multinacionais torna-te um Pai Natal muito moderno, o meu filho disse que tu eras um fixório , porque foste comprar os presentes a Toys U Rus e a Imaginarum , que também são as lojas preferidas dele.
Ah... já me esquecia de te agradecer aquele comboio TGV que deste ao meu filho com estações espanholas , é muito giro, circula a alta velocidade.
Ele tinha um daqueles que faziam Puf Puf , mas era muito lento , e também as estações já estavam desactualizadas só tinha Régua, Pocinho, Porto e Lisboa ... era obsólento.
Pai Natal não te maço mais , espero que tenhas gostado do vinho do Porto, este ano o cálice que te deixei parecia um copo de champanhe, mas sabes é que quase não se produz vidro em Portugal, e não tive tempo, nem dinheiro para comprar aqueles copos do Siza Viera.
Mas olha que o vinho era uma colheita caríssima, a colheita de 2003... lembraste???? ... aquele ano em quase não houve vinho? pois é uma colheita cara e rara , este Natal aproveitamos para exporta-la para todo o mundo- vai ser uma ano em cheio para o vinho da região.
Adeus querido Pai Natal , para o ano cá te espero.
Muitos beijinhos desta tua amiga do Porto de Portugal
Incoerente

O LIXO DO PORTO


Enquanto por outras paragens se apostava sobre se este iria ou não ser um “White Christmas” e os cidadãos aspiravam a acordar e encontrar as suas cidades cobertas de um alvo manto de neve, a Câmara Municipal do Porto optou pela originalidade e apostou em mostrar, nas TVs e Jornais de todo o mundo, a nossa cidade coberta de lixo.

Para este feito, o qual não implicou qualquer custo para a edilidade (antes pelo contrário), e que ainda poderá vir a ser proposto como mais um record ao “Guiness”, a CMP contou com a colaboração graciosa dos cerca de seiscentos trabalhadores aos quais decidiu, unilateralmente, suspender os cerca de 115 € de subsídio nocturno (aproximadamente um quinto do salário mensal), os quais acordaram em efectuar uma greve às horas extraordinárias desde a meia-noite da “Noite de Natal” a qual irá ser complementada pela tolerância de ponto que a autarquia concedeu hoje, a todos os trabalhadores municipais, a qual já não exclui os trabalhadores afectos à recolha do lixo, pelo que se depreende que a CMP já não considera este um serviço essencial.

Recorde-se que, segundo o PJ, para justificar a suspensão do pagamento do referido subsídio a Câmara do Porto “baseou-se num parecer preliminar da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) que considerou “ilegal” o pagamento do prémio. Todavia, a sub-inspectora Geral da IGAT revelou em exclusivo ao JANEIRO que o Regulamento das Acções Inspectivas determina que as entidades alvo de inspecções, como as câmaras, só fiquem obrigadas ao cumprimento de um determinado parecer a partir do despacho tutelar.
O que, reportando para o caso do Porto, significa que a autarquia poderia ter continuado a proceder ao pagamento do subsídio, até que o relatório final da IGAT fosse homologado pelo secretário de Estado da Administração do Território”.
Ora, por mais desinformação que a CMP queira transmitir à população através do seu site de propaganda, é mais do que evidente que uma coisa é a retribuição do trabalho, acordada entre a entidade patronal (CMP) e os trabalhadores, e outra coisa, completamente diferente, é a forma como esses valores são classificados e processados pela autarquia.

O facto de, eventualmente, a Câmara Municipal do Porto ter vindo a classificar e a processar uma parte (significativa) da retribuição que paga aos trabalhadores da recolha do lixo, de uma forma ilegal, apenas significa que a actuação da Câmara do Porto é irregular (ou ilegal) e nunca que a actuação dos seus trabalhadores é irregular ou ilegal.

Assim, os alvos de eventual penalização por estes comportamentos irregulares (ou ilegais) deverão ser os responsáveis por essa actuação (o Presidente da Câmara do Porto e os vereadores e directores municipais responsáveis por estes actos) e nunca os trabalhadores nem, por arrastamento, todos os cidadãos.

Como é habitual, e fará parte integrante da sua personalidade, Rui Rio tenta passar para outros as culpas pela sua irresponsabilidade e incompetência.

Para aqueles, também responsáveis por esta situação, que votaram neste senhor para presidente da Câmara Municipal da nossa cidade, antes que comecem a atacar a caixa de comentários com “contra-informação” e procurem agora encontrar outras leituras ou outros responsáveis para esta situação absolutamente vergonhosa só temos a colocar as seguintes questões:

Quem é responsável pelo sistema de recolha de lixos?
Quem é responsável pela forma como são fixadas as retribuições dos seus trabalhadores?
Quem é responsável pela classificação e processamento das retribuições?
Quem é responsável por garantir o cumprimento da legislação?

Que vergonha termos, mais uma vez, todo a país a falar do Porto …


António Moreira

sábado, dezembro 24, 2005

Bom Natal

A todos os que "penosamente" nos lêem e/ou divertidamente nos provocam, desejos de um Natal muito feliz. Confesso que não vejo esta quadra com o peso religioso que muitos lhe tentam dar, mas antes como um "sagrado" ponto de encontro de família e amigos. O ritual, que tão comercialmente trabalhoso se torna, é um momento que também se pode partilhar nos blogues.
Por isso a todos os "blogueiros", que tão bom contributo tem dado à participação civica neste País, lembrando-nos sempre que nenhuma opinião é má, mas que mau é nunca ter opinião, votos de um BOM NATAL !


Obra de Christo

Christo and Jeanne-Claude: Wrapped Trees, Fondation Beyeler and Berower Park, Riehen, Switzerland, 1997-98

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Bom Natal



Porque um "abstencionista militante", por vezes também vota...
Aqui vão os meus votos:

Para os "sedentos" e para os outros
Para os "comentadores" e para os outros
Para os "crentes" e para os outros
Para os meus amigos e para os "outros"

A todos

Um Bom Natal



António Moreira

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Onde se vende o Homem de Palha

Algures no Pulo do Lobo, local onde, como se sabe, não se lê jornais nem outra coisa qualquer, andam a vender um Homem de Palha!


Sobre o Mário Soares e Cavaco

As muitas opiniões sobre Mário Soares justificam que se faça uma pequena reflexão. Já tenho dito que estas eleições presidenciais encerram um ciclo que se iniciou em Abril (ou até antes disso, na oposição ao regime). Mas já não há mais Heróis dessa estirpe, sendo que os que sobram, como Soares ou Alegre (custa-me mete-los no mesmo saco, mas enfim), já não podem continuar a falar da história, porque ninguém quer ouvir, após 30 anos a história lê-se e explica-se, não se conta com base em episódios ou historietas de encontros e desencontros.
Por outro lado está demonstrado que Cavaco Silva nunca conseguirá representar o Presidente com a densidade que o mais velho País da Europa precisa. O ex-Primeiro-Ministro sempre foi mais um economista do que um político. E politico significa compreender a dimensão humana, a dimensão económica e a dimensão social de Portugal.
Nesse aspecto Soares está melhor, mas no entanto está velho! E nota-se nas rugas, no catarro, nos bocejos e nos olhos às vezes mingados.
Mas Cavaco está, quanto a mim, a fazer a campanha mais artificial que há história, expondo-se pouco, intervindo menos e reconhecendo que não preenche todos os requisitos de quem vota nele. Neste acto de contricção estará também a sua força, ainda que ele continue a esconder e mascarar as suas debilidades. Em cavaco também importa o distanciamento, porque essa distância – a proxemia, habitual nos professores - estará a sua segurança, como se descobrindo-lhe a intimidade se verá afinal um homem frágil, inquieto (pois calado não significa sereno) e assumidamente inculto.
Soares é o oposto, assume todos os defeitos e virtudes, usa-as, manipula-as, ostenta a idade como demonstra energia, enerva-se às vezes e modera outras tantas. Representa aquilo que qualquer um de nós quer deixar na recta final da sua vida – perseverança emuita história, muitas memórias. Lembro-me de Agostinho da Silva – sem dentes – iluminando as ideias dos meus serões de adolescente na televisão. Não vi nele um velho, vi um sábio. Soares é o politico por excelência, irá até ao fim a fazer o quer e a pensar em Portugal – nem todos concordarão com ele – e depois? Não quer saber, não quer ser unânime, quer ser politico. Não quer ser empalhado vivo!
Julgo que a pior coisa, mais desrespeitosa que lhe fazem é tratá-lo como se o que dissesse não conta para nada, porque já é velho. Faz-se como aqueles adolescentes que começam a opinar sobre o que os rodeia e os mais experientes fazem chacota do “puto”. Os “putos” , por seu lado, fazem chacota dos “velhos”, e no meio, uns e outro perdem a oportunidade de compreender a contemporaneidade. Porquê? PorqueA sociedade está cada vez mais dependente dos mais idosos, expelindo uma crise social de equilíbrios entre estado social ou estado regulador. Entre Segurança social ou Plano de poupança e reforma. Na primeira estará Soares, na segunda está Cavaco. Uma é mais antiga do que outra! Qual das duas preferem?

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Olha esta abécula!



Era assim que António Borges queria o Aeroporto de Pedras Rubras!
Diz ele que o que lá está agora é um gigante inutil. Criticou também a construção da Casa da Música. Não lhe deu para falar dos dois gigantes estádios de futebol afastados 3kms na capital, ou então do CCB ou da casa da maezinha dele.

Espero que este palerma, candidato a ser o Cavaco II, se preocupe em voltar aos EUA e deixar de palrar como se percebesse de alguma coisa neste País.

Leão engole Cavaco ao Jantar

O debate de ontem mostrou que Soares é decididamente o candidato da esquerda!
Faça-se honra a Louçã que também é o unico mais preocupado com a completa falta de perfil e de conhecimento de Cavaco para nos representar enquanto Presidente.
Todos os outros fizeram cosquinhas, e agora dizem que o "velho Leão" foi demasiado agressivo. Pois, pois, mas não estaria ele velho demais e com vontade de dormir em tudo quanto era canto? Quem foi o velho a dizer banalidades num discurso redondo? Terá sido Soares?
Cavaco falou que será um colaborador do Governo, exercendo influência e consolidando a estratégia. E se a estratégia inverter o governo?
Se todos reconhecemos que este é um momento de crise para o País, talvez fosse mais prudente eleger um Presidente com grande experiência do que um Professor de economia que dá os livros à mulher para lêr.
Depois aquela mensagem subliminar à familia que Cavaco lançou, fez mesmo lembrar a saudosa Senhora do Estado Novo, faltou o Fado e o Futebol.
Ficamos também a saber que Cavaco guarda recortes do El País, e até que o mesmo Jornal esceve em Português fluido, senão como iria o Professor lêr aquilo em Portunhol.

Leão engole Cavaco ao Jantar

O debate de ontem mostrou que Soares é decidic«damente o candidatodaa esquerda!
Faça-se honra a Louçã que também é o unico mais preocupado com a completa falta de perfil e de conhecimento de Cavaco para nos representar enquanto Presidente.
Todos os outros fizeram cosquinhas, e agora dizem que o "velho Leão" foi demasiado agressivo. Pois, pois, mas nã estaria ele velho demais e com vontade de dormir em tudo quanto era canto? Quem foi o velho a dizer banalidades num discurso redondo? Terá sido Soares?
Cavao falou que será um colaborador do Governo, exercendo influência consolidando a estratégia. E se a estratégia inverter o governo?
Se todos reconhecemos que este é um momento de crise para o País, talvez fosse mais prudente eleger um Presidente com grande experiência do que um Professor de economia que dá os livros à mulher para lêr.
Depois aquela mensagem subliminar à familia que Cavaco lançou fez mesmo lembrar a saudosa Senhora do Estado Novo, faltou o Fado e o Futebol.
Ficamos também a saber que Cavaco guarda recortes do El País, e até que o mesmo Jornal esceve em Português fluido, senão como iria o Professor lêr aquilo em Portunhol.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Não há derrotas neste quartel!

O interesse pela política começa a aumentar. Tenho-me deparado cada vez mais com conversas cruzadas de café e discussões de corredor, entre jovens e velhos, velhos e jovens, jovens e jovens e nem tão jovens nem tão velhos. Na verdade esta eleição presidencial tem servido para demonstrar de que forma a cidadania passa também pelo interesse nas questões de estado. Isto porque o populismo mais baratucho tem andado arredio, não que não haja laivos da coisa em quase todos os candidatos, mas o pormenor não se tem sobreposto ao essencial. Assim o murro no braço do Soares, o carro do parlamento que o Alegre usa em campanha, ou o chega para lá ao Marques Mendes que lhe deu Cavaco, não tem sido suficiente para alimentar as capas sensacionalistas.
Creio que os tempos que virão serão de uma muito maior participação pública e por inerência nos partidos. É que se esgotaram as figuras que possam com a sua liderança disfarçar a necessidade de apresentar novos projectos, da direita à esquerda, onde tanto Ribeiro e Castro como Jerónimo são lideres sem chama, passando pelo apagado Mendes e pelo já muito desgastado Louçã.
Sócrates não tem adversários ao seu nivel, nem tanto pelo patamar de elevação política que atingiu, mas sim pelo desfazamento existente nos outros partidos. É por essa razão quem nem sequer perdeu as autárquicas e seja qual for o resultado não perderá as presidenciais.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Mas ...

Seja qual for a sua escolha, milhares virão para as ruas festejar
Como sempre
Desde que prevalece o princípio:
"UM HOMEM UM VOTO"
Pois:
Há princípios que não se discutem!
(Nem fins?, nem meios?)
António Moreira

Quem escolhe é este




E os seus iguais ...

António Moreira

Ou mesmo este ...




E, quem sabe, até outros, pois ...

António Moreira

Este ...



António Moreira

Quem sabe se este ...



António Moreira

Também pode ser este



António Moreira

Este homem pode ser o próximo Presidente da República

















António Moreira

Sem sombra de pecado




Embora tenha passado relativamente despercebida, a noticia circulou em vários órgãos de comunicação social, nacionais e estrangeiros; Bento XVI acabou com o limbo.
Diz que mesmo o próprio inferno tem os dias contados, que os tempos já não estão fáceis por aqui, quanto mais agora ainda um inferno à séria, com almas a arder em sofrimento eterno, vítimas dos seus próprios pecados, a carpir as suas culpas.
Não, definitivamente os tempos não estão para isso. Os relativismos culturais, multidoutrinais, o pluralismo religioso, impele a igreja a repensar a sua relação com os fiéis e ela própria a relativizar conceitos e definições consagradas.
Quanto a mim o problema é mesmo este, esta quase materialização de conceitos na vida das pessoas, que depois, afinal, não passam disso mesmo, e que tão facilmente quanto aparecem, se vão. Deixando para trás um rasto de angustia e sofrimento de milhares e milhões pessoas.

Porque o limbo teológico é isto:
"In theological usage the name is applied to (a) the temporary place or state of the souls of the just who, although purified from sin, were excluded from the beatific vision until Christ's triumphant ascension into Heaven (the "limbus patrum"); or (b) to the permanent place or state of those unbaptized children and others who, dying without grievous personal sin, are excluded from the beatific vision on account of original sin alone (the "limbus infantium" or "puerorum")."


Mas o limbo é também uma linguagem de programação informática, uma famosa canção de Chubby Checker, pelo menos um filme de hollyhood, uma dança, nome de várias associações, etc..

É muito para acabar assim, sem mais. Sem referendo, sem votação, sem debates televisivos, sem processos na procuradoria-geral. É que apesar de tudo sempre tem uns anitos. Um não-lugar com 102 anos e um verdadeiro buraco negro da cultura ocidental.

João Paulo II tinha já dado uma forte machadada no inferno, redefinindo-o apenas como o lugar daqueles que se afastam dos caminhos de Deus em oposição a uma visão mais comum, mais dantesca, caracterizada pelos horríveis sofrimentos, pelos eternos gemidos, pelas blasfémias e pelos lamentos. (Eu cá acho que foi premonição de Dante, esse lugar só apareceu recentemente na blogosfera portuguesa). Mas Bento XVI foi mais longe, convenhamos que foi preciso coragem para acabar com o limbo. Bem-haja.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Muito bem dito!

Não podia estar mais de acordo com este texto no blasfémias. Ainda por cima eu tenho contacto com muitos dos intervenientes nesta confusão gerada pela Ordem dos Arquitectos, desde estagiários não-remunerados da Lusiada, Faup, Árvore, etc. Como dos principais contestatários deste estado de coisas, ou seja licenciados pelo ministério da educação vedados de entrar na OA . O famoso parecer do Provedor de Justiça é, por sinal, uma resposta a um ex-aluno meu, que por acaso é casado com uma advogada, por isso avançou.
Isto é das coisas que mais envergonham os arquitectos, e não há textura de madeira, tipo de pedra, ou detalhe construtivo que me apague da memória homens como Keil do Amaral, que sempre lutaram pela classe e não se borrifaram nos outros, que por admirarem o mediatismo dos Sizas e Mouras quiseram-lhes seguir as pisadas. Defender a classe é defender a arquitectura portuguesa. Defender a classe é não aceitar este corporativismo bacoco. Defender a classe é aceitar o numero dos seus profissionais e tratar a todos como iguais. Defender a classe não é hierarquizar, porque se temos arquitectos tão bons, tão bons, que precisam de 70 jovens arquitectos no escritório a trabalhar, ao menos que dêem a cara por aqueles que os ajudam a pôr o plafond no cartão de crédito.
Isto vem de telenovelas e de jornais. Putos que querem ser arquitectos como o modelo/actor lisboeta ou americano da Tv. Desenhadores que sonharam a vida toda ser arquitectos. Engenheiros que decidem ser finalmente arquitectos (porque o paizinho quando ele tinha 18, lhe disse que as belas artes era para malucos e maricôncios, - mas agora já é bem diferente). E todos moeram o corpo em 5 ou 6 longos anos de faculdade. Todos fizeram directas e de certeza quase todos compraram os mesmos livros, usaram os mesmos programas de computador, usaram o Kline para as mesmas maquetas, visitaram as mesmas obras, ouviram e disseram as mesmas coisas, ora modernas, ora pós-modernas, exemplificaram com os nomes de sempre. Agora que são muitos há que fechar a porta, como nas discotecas cheias (desculpe mas temos a lotação completa).
Haja mas é vergonha!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

O que eu não compreendo!

Não é por acaso que a hermenêutica é considerada a escola de pensamento oposta ao positivismo. Ou seja nesta discussão da Ota e do TGV parece tudo uma questão de linguística, pois não se consegue perceber onde está a posição do Porto nesta conjuntura. Nem sequer perceber com dados o que os falam. Os estudos indicam palavras e os números são como prosas que ora vacilam entre a romântica demanda e a austero ensaio científico, inconclusivo.

E mesmo neste exercício de hermenêutica, ou seja na técnica da interpretação prática de um assunto, vulgo compreensão, é que a coisa se põe. Ainda que nós, como Heidegger achemos que toda compreensão apresenta uma "estrutura circular", ou seja que "Toda interpretação, para produzir compreensão, deve já ter compreendido o que vai interpretar".

Assim nesta base compreendemos que se sobre a Ota as coisas são complicadas, no TGV parecem ficar claras, pois dizer que o trajecto Lisboa-Porto é afinal o trajecto Ota – Pedras Rubras, está-se mesmo a ver que é dizer para o que afianl ele serve.
Confesso não compreender a dificuldade das personagens políticas do Porto em se envolverem nos debates mais relevantes da sua região. Ás vezes parece que os deputados não são eleitos pelos círculos distritais, ou pior ainda, que a divisão territorial dos partidos não os autonomiza para posições (pelo menos) de dúvida perante algumas decisões.
Este governo é o meu governo. Digo-o convicto que o é na plenitude dos meus actos e da minha concordância com a sua actuação, a sua estratégia e as sua esperança. Não significa isto que seja apropriado vincularmo-nos às suas decisões de forma seguidista, pois nenhum regionalista convicto consegue concordar com esta delapidação dos argumentos descentralizadores que sempre proliferaram no País.
Estou convicto que estas medidas são as últimas consequências do referendo sobre a regionalização de 98 e tem que ser o principio da inversão nesta matéria.

No Porto estamos perante uma crise estrutural séria, quer ao nível económico, quer ao nível do que nunca lhe faltou – representantes políticos assumidamente imbuídos da alma da sua região. Parece que agora, quem está na política tem vergonha de falar na regionalização (vulgo descentralização), como se o tema não estivesse tão actual como sempre.
Confesso a minha irritação quando muitos ao pé de mim se afirmam cépticos da velha causa regional, mas compreendo que tenham razão – a velha causa, dos anteriores protagonistas, como é o caso de Fernando Gomes já acabou. A nova estratégia tem que ser bem mais generosa e abandonar um certo “Portocentrismo” nortenho, observando que o fim das linhas de Porto-Vigo ou a redução da ligação do litoral a Trás-dos-Montes prejudica verdadeiramente uma vasta região que não está sustentada no Porto.
A verdade mesmo, é que o Porto já não é a verdadeira “Capital do Norte”, ou se ainda o for é num papel meramente simbólico, pois o Grande Porto é que ainda mantém a sua importância. A própria Câmara do Porto já pouco significa, retratado no que acontece em Gaia, pois o seu Presidente é o líder sombra do PSD.

Mais ainda, no Partido Socialista já ninguém parece suficientemente forte para assumir o discurso que ainda se deseja ver acontecer. Mas esses desejos são que ele, o discurso, traga menos acento na pronuncia e mais expressão nos actos, pois o servilismo decorrente de uma maioria absoluta pode comprometer a independência, e os hábitos Queirosianos de ver o resto como paisagem estão no limite do aceitável. E ainda por cima ninguém diz nada.
Portanto, devemos, cada vez mais refundar as causas políticas e produzir um pensamento coerente com a contemporaneidade dos temas - e é o caso.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

por razões óbvias

Preferencialmente, não está na génese deste blogue nenhuma posição interna partidária. Mas muitas vezes cada um coloca os seus argumentos e aproveita o espaço para falar abertamente da lógica orgânica partidária – no caso, a do PS Porto. E isso é positivo.
Assim, não tem sentido que sejamos esquivos perante a visibilidade dos nossos actos enquanto políticos. Vêm isto a propósito de uma noticia ontem no jn, onde se fazia publicamente saber o que internamente já todos sabiam: irei estar envolvido num projecto político de combate à liderança do PS Porto., dizendo melhor, há um conjunto de gente com muito passado e com muito futuro que estará envolvido na construção de um projecto que procure melhorar e incentivar o PS no Porto.
Em primeiro lugar é justo que também aqui no Sede se compreenda a liberdade de opinião e que o facto de existir um ou dois que se dispõe a qualquer acção política, ela não compromete nenhum dos outros. Em segundo recordar que o PS está envolvido nas eleições presidenciais, cujo objectivo não é fácil de alcançar, mas merece o nosso esforço, pelo que não é ainda o momento de concretizar o conteúdo político interno que desejamos.
Mesmo assim, sem precisar de acrescentar muito mais, devo dizer que as razões que sustentam a candidatura são as óbvias.

Porque o natal está próximo


Quem tem mais em comum?


Belmiro de Azevedo e uma caixeira do Continente de Gaia?
Ou
Uma caixeira do Continente de Gaia e uma do Jumbo de Alfragide?

Um professor da Católica do Porto e um toxicodependente do Aleixo?
Ou
Um toxicodependente do Aleixo e outro da Cova da Moura?

O Sr. Abade das Antas e um jovem licenciado desempregado de Campanha?
Ou
Um jovem licenciado desempregado de Campanha e outro de Benfica?

Uma qualquer “Patanisca Cerqueira Gomes” e um reformado com a pensão mínima, de Paranhos?
Ou
Um reformado com a pensão mínima, de Paranhos e outro de Carnide?

António Moreira

Demolimos?


Ó Avelino

“...Não há poder referendário, casuisticamente popular, pseudo anarquista como aqui o António Moreira…”

Vai interessante a discussão vai, mas não vale chamar nomes, OK?
Eu sei que a atitude cientifica leva a procurar classificar os espécies desconhecidos, de acordo com os grupos já estudados e catalogados, mas, nem sempre se acerta…

Por vezes, quando tantos se debruçam sobre o mesmo problema, há tanto tempo, sem encontrar soluções, deve-se procurar adoptar uma análise não científica para tentar encontrar outros caminhos.

Não é que todos sabiam que o sol girava em torno da terra…

Pois então

Se, na realidade, se pretende discutir sociedade e estado.
Se todos(?) temos consciência de que algo (muito?) não está bem.
Se todos(?) temos consciência de que é necessário “inventar” um novo modelo.

….

Porque teimamos em manter tantos dogmas?
Porque não pomos TUDO em causa?
Porque nos recusamos a discutir algumas “verdades”

Ó arquitectos (sedentos e não só)
Para projectar a forma de urbanização ideal de uma dada área já urbanizada, não será importante primeiro, analisar o que lá está e ver o que se deve manter e o que deve ser demolido?

Então digam-me lá.

(por hoje começamos com algumas simples)

Porque é que se tem que votar tudo num só dia (das 08 ás 19)?
Porque é que se tem que votar exactamente naquele local?
Não se pode votar no Multibanco, na Internet, ou nas máquinas da “Santa Casa”?
Porque é que não se pode conhecer a evolução da votação?
Porque é que a Assembleia da República não pode contratar uma empresa privada (nacional ou não) para assegurar o governo da nação?
E, já agora, porque é que a Assembleia Municipal não pode contratar uma empresa privada (nacional ou não) para assegurar a gestão da câmara municipal?
Porque é que é preciso um Presidente da República?
Não servia o Presidente da Assembleia da República?
E esta para os “liberais”

Qual é a diferença entre o estado e um condomínio?
E entre o estado e a família?
E entre família e condomínio?

Porque é que o princípio de “um homem um voto” é tão cegamente aceite?
Então, no caso de um referendo à IVG, o voto da mãe da Joana (ou do pai da Vanessa) vale tanto como o meu e o seu?
E, no mesmo referendo, os padres (católicos e castos) devem também votar?
E, já agora, os homens?
E, em todos os casos, o voto do “emplastro”, é igual ao do Avelino?
E, já agora, num referendo à regionalização, o voto dos “lisboetas” deve contar?

Para a Cristina:

“…não sei kal o regime ke virá a seguir, não sei eu, nem sabe a minha geração, nos estamos aki apenas a exprimentar ate ao osso o sistema, mas ke ha-de vir um mais evoluido e justo .... não tenho duvidas…”

Não sou assim tão optimista, receio que, se não formos (nós ou os nossos filhos) capazes de “inventar” e implementar o tal sistema mais “evoluído e justo”, serão as vítimas do nosso sistema a impor-nos um outro, duvido que melhor.

Volta e meia lembram-nos isso, com bombas, aviões ou carros a arder, mas nós não ligamos…


E, para concluir por agora, um pequeno exercício de aritmética:

1
1 X 50 = 50
50 X 50 = 2.500
2.500 X 50 = 125.000
125.000 X 50 = 6.250.000

???
António Moreira