sexta-feira, março 10, 2006

Nem grandes, nem grande coisa…


Pelo que ouvi na rádio hoje, parece que a bancada parlamentar do PP se destacou por ter sido a única que se manteve sentada e não aplaudiu o discurso de despedida do presidente da república cessante, Jorge Sampaio.

Por aí nada de anormal, nem nada que traga mal ao mundo.
Sublinha apenas a minha convicção de que essa bancada mais não passa do que de um bando de rapazecos mal educados.

Aparentemente, o actual líder do CDS, vá-se lá perceber porquê, terá uma opinião não muito distante desta e, questionado sobre a supracitada atitude, terá respondido que era líder de um partido e não chefe de banda…

Vai daí um tal de Sampaio Pimentel, ao que consta vereador de qualquer coisa relacionada com as retribuições dos cantoneiros da limpeza, na CMP, pela mão do PP, não terá gostado dessas afirmações do líder do CDS, terá demonstrado a sua indignação e afirmado que, se o mesmo tivesse “um pingo de dignidade” deveria apresentar a sua demissão…

Bom, para resumir um bocado a “peixeirada”

Os rapazitos do PP, que andavam assim a modos que murchitos, desde que foram reintegrados no CDS, entusiasmaram-se por ver o seu grande (des)educador a mostrar a melena e o ar sério (que só ele sabe fazer) num espaçozinho que o tio Balsemão lhe arranjou na SIC para arredondar o fim do mês enquanto não se arranja uma coisita melhor.

Isso, talvez somado à euforia pela tomada de posse de Cavaco Silva, a que uma certa direita tem reagido com um tipo de alegria muito peculiar, levou talvez estes moços mais entusiastas à esperança de um regresso à sua visão particular dos “amanhãs que cantam”.

Há que ter paciência, que eles assim só demonstram que além de não serem grandes, também não são grande coisa.

António Moreira

quarta-feira, março 08, 2006

Rui Rio defensor do TGV


Mentiríamos se começássemos assim:

É com alguma surpresa que constatamos que, afinal, Rui Rio é um defensor da construção do TGV, nomeadamente da linha Porto-Lisboa, conforme se pode ler no site da CMP:

« O Presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, anunciou hoje duas propostas concretas que irá apresentar ao Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, na reunião da próxima quinta-feira: por um lado, que o Gabinete Técnico da linha de TGV Porto-Lisboa fique sediado no Porto…»

Para sermos mais verdadeiros deveríamos escrever:

É sem qualquer surpresa que constatamos que Rui Rio é um defensor da construção do TGV, nomeadamente da linha Porto-Lisboa, conforme se pode ler no site da CMP:

« O Presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, anunciou hoje duas propostas concretas que irá apresentar ao Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, na reunião da próxima quinta-feira: por um lado, que o Gabinete Técnico da linha de TGV Porto-Lisboa fique sediado no Porto…»

Surpresa é o facto de verificarmos que, eventualmente, se esquece de atribuir a Oliveira Marques a autoria da proposta que avança e justifica:

« Quanto ao propósito de ver a sede do Gabinete Técnico da Linha de TGV Porto-Lisboa instalada na Invicta, Rui Rio justificou-o com a necessidade de inverter o fenómeno actual da deslocação de quadros qualificados da Região Norte para a capital, em busca de empregos compatíveis com o seu elevado grau de qualificação técnica.
De facto, como poderão comprovar os inúmeros elementos do partido de Rui Rio (e não só) que estiveram presentes no recente debate no Ateneu, estas foram, sem tirar nem pôr, as sugestões aí apresentadas por Oliveira Marques, ao administrador da RAVE, presente no debate.

Ou Rui Rio não tem noção do ridículo (o que, isso sim, em nada me surpreende) ou estamos apenas perante um daqueles fenómenos em que “grandes espíritos pensam semelhante”…
A cada um as suas conclusões…

António Moreira

terça-feira, março 07, 2006

Alto ai!



Era o que faltava! Então a gente distrai-se um bocadito e começa logo o chega para cá?
Apesar do envolvimento temporário de alguns dos seus membros em actividades paralelas, este é um blogue de politica. "Socialistas em debate".
Agora beijocas e galanteios? Amuos? Recaditos timidamente trocados?
Senhores, aumentaram as taxas moderadoras na saúde, os ministros vão ser os primeiros a ter passaporte electronico, a taxa de juro do BCE subiu, etc. etc.
Mais, Agostinho Branquinho vai ser o novo presidente da Federação do Porto do PSD (dizem), Renato Sampaio tambem vai mas no PS (tambem dizem), Paulo Morais não avança mas faz moção de estratégia,etc.,etc.
Vá lá, compostura S.F.F.

segunda-feira, março 06, 2006

A publicidade e os dias de hoje


(imagem CMP)

Ontem, quando pretendia sair de casa, de carro, com a minha mulher e a minha filha, fui impedido de o fazer, pela PSP (nem questiono aqui qual o custo destaa operação policial).

Tive que aguentar cerca de meia-hora (porque, felizmente, não tinha tentado sair mais cedo) que acabasse de passar à minha porta uma ridícula iniciativa publicitária de um estabelecimento comercial de artigos de desporto, que, para publicitar a sua marca, conseguiu congregar o esforço e a boa vontade de cerca de 5.000 senhoras, dois presidentes de câmara, um(a) governador(a) civil e respectivas autoridades, para além do presidente da LPCC.
Estive quase para incluir os jornais (da cidade e não só) e algumas “celebridades” mas lembrei-me a tempo que esses (jornais) e essas (“celebridades”) subsistem graças a estes (e outros) promotores publicitários.

Então foi assim, a pretexto de uma pretensamente meritória iniciativa (angariar fundos para a LPCC) foram encerradas ao trânsito diversos arruamentos das cidades do Porto e de Matosinhos, para que cerca de 5.000 senhoras se exibissem envergando um T-.Shirt de cor rosa parolo de propaganda ao (não) referido estabelecimento comercial.

Como moeda de troca, o (não) referido estabelecimento comercial comprometia-se a oferecer o valor de 2€ por participante à referida LPCC pelo que a iniciativa terá ficado por uns modestos 10.000 €.

Considerando a cobertura obtida, quer nos jornais quer nas TVs, a presença das tais “celebridades” que iam desde apresentadoras de TV, a esposas de futebolistas e presidentes de câmara, não esquecendo até a leitura de uma mensagem da actual «primeira-dama», pode-se dizer que publicidade assim é quase de borla.

É evidente que ninguém (nem o tal presidente da LPCC) se lembrou de informar as senhoras que podiam efectuar a esmola dos mesmos 2 € (muito inferior ao que se paga a qualquer mulher a dias por tempo equivalente), directamente à LPCC, ficando assim dispensadas daquela canseira.

É evidente também que, para quem acha que o estado já faz demais pela nossa saúde que, sendo um bem como qualquer outro, quem a quiser que a pague, estas fingidas “caridadesinhas” até estão muito bem e, quem sabe se não é a oportunidade de conhecer algum famoso…

Termino com o pedido recorrente (mas nunca atendido)

Tenham vergonha
António Moreira

uma espreitadela

Há um provérbio que diz assim, “Em Março, tanto durmo como faço”, assim me sinto neste ano.
Não sei que doença deu aqui nas bandas, para que como um surto repentino, alguém achasse que a opinião dos “em debate” adormeceu.
Passadas que estarão as agruras, virão os tempos calmos do quotidiano e, sem pressas, continuaremos o nosso caminho de opinião. Estarão os que sempre estiveram e os quiseram sempre estar. Estarão os que por cá andam e não há-de ninguém faltar.

sábado, março 04, 2006

Da elegância...

Talvez venha a propósito lembrar o meu primeiro "post" neste "blog".

Talvez venha também a propósito frisar, para bom entendedor, que nunca, nem aqui ou nem em qualquer outro lado, comentei fosse o que fosse sem assinar com o meu nome ou as minhas iniciais, nunca inventei outros nomes ou comentei como anónimo...

Talvez venha também a propósito o meu agradecimento ao Fortuna, primeiro e ao Avelino depois, pelos convites que, então, me fizeram para escrever no SEDE.

Talvez venha também a propósito agradecer publicamente a reafirmação, feita pelo Avelino Oliveira, que, mesmo enquanto candidato a presidente da concelhia do PS, do Porto, continuava a não lhe causar qualquer incómodo a publicação da minha opinião livre neste "blog" quer concordando quer discordando da mesma.

Face aos desenvolvimentos recentes, que não podem deixar de me surpreender, por demonstrarem, mais uma vez, quão certa é a afirmação de que "Deus deu a palavra aos homens para que melhor possam esconder o pensamento", irei, naturalmente reflectir.

Segue a cópia do meu primeiro "post" aqui, peço atenção ao último parágrafo :


"Cá estou eu

Fui convidado para colaborar, escrevendo, aqui no SEDE.


O facto de alguém ter lido alguns dos meus escritos, em “posts” noutros “blogs”, ou em caixas de comentários aqui ou noutros locais e, ainda assim, entender convidar-me para escrever no seu espaço é de uma amabilidade que, muito francamente, me surpreende.

O facto de esse convite ser feito apesar de serem conhecidas algumas das minhas opiniões, as quais, em tantas áreas, são, não apenas diferentes, mas até conflituantes com as que são defendidas por quem me convida.


O facto de insistirem no convite, após a minha relutância inicial, e de me garantirem total liberdade, apesar de se tratar de um espaço de cariz assumidamente partidário, merece, a minha admiração e reconhecimento.


No entanto, não foi por admiração ou reconhecimento que aceitei, mas sim por interesse.

Aceitei porque me interessa ter um local onde possa escrever com a esperança que alguém leia.
Aceitei porque me interessa ter um local onde possa escrever sem ser sujeito a censura prévia, mas onde quem discorde (ou concorde) o possa fazer em comentário.
Aceitei porque me interessa ter um local onde possa escrever e ter a esperança de influenciar quem “pode fazer a diferença”.

Aceitei enfim porque, apesar de combater o sistema partidário a que tantos insistem em chamar “democracia” representativa, tenho a maturidade suficiente para compreender que (ao menos no meu tempo) vai ser com este sistema que a sociedade vai ser gerida e que, por isso, (conforme já referi em comentário) devo tentar influenciar, aqueles que me pareçam mais capazes de encaminhar a sociedade no sentido que, a mim, pareça mais acertado.

Alguns dos que me interessa influenciar escrevem aqui e outros, possivelmente, lêem o que aqui se escreve, uns comentarão, outros não.


Umas vezes conseguirei influenciar alguém, outras, serei eu o influenciado.


Mas, acima de tudo, aceitei pelo gozo de escrever, de participar, de discutir, de provocar.
Em suma, pode não servir para mais nada, mas, se for agradável para mim e, talvez para uns poucos mais, já vale a pena.

Enquanto for agradável, para mim e para os outros “Sedentos”, cá estarei :-)

Obrigado.
António Moreira"

sexta-feira, março 03, 2006

Se me identifico?

Talvez seja hora de deixar este blog.Por uns tempos?
Senti que este blog foi durante muito tempo um espaço de reflexão, de alerta, de convívio saudável entre aqueles que nele participavam. Sei que este blog não pretende ser, nem nunca pretendeu ser, um espaço de unanimidade de opiniões. É um espaço de liberdade onde cada um se responsabiliza pelo seu post e APENAS PELO SEU.
Mas hoje depois de escrever o meu ultimo post senti que já não me identificava minimamente com a grande maioria dos post aqui apresentados. Embora não partilhe ideias com muitos dos outros participantes tenho que sentir que este é o blog certo para escrever o que penso. Não tenho mais vontade de aqui escrever, assim como não tenho mais vontade de ler o blog porque se tornou desinteressante para mim. Assim sendo, também a minha participação no blog deixou de fazer sentido.
Quando aceitei participar nele escreviam dois amigos, o Avelino Oliveira e o Daniel Fortuna do Couto. Ambos têm estado ausentes destas andanças e com eles afasto-me também. Será uma pausa na minha participação quem sabe longa, quem sabe curta.
Não me apeteceu apenas deixar de escrever, quis claramente explicar porque o faço.
Se me identifico ainda com o blog?
Não!
Quando o Avelino Oliveira e o Daniel Fortuna do Couto voltarem quem sabe podem contar comigo de novo! Este foi um projecto iniciado por eles e foi com eles que decidi participar.
Até lá!

Será que Deus existe?

O peixe de Babel é uma espécie ficcional criada por Douglas Adams no livro “The Hitchhiker's Guide to the Galaxy”.
O peixe de Babel é um tradutor biológico universal altamente improvável. Quando um peixe de Babel é introduzido no canal auditivo, permite ao seu hospedeiro entender instantaneamente o que quer que seja dito em qualquer linguagem do universo. Embora a biologia do peixe de Babel não seja bem conhecida, este parece alimentar-se da energia mental criada aquando da composição de frases e excreta energia mental numa forma que pode ser entendida por outros.
O peixe de Babel também foi usado como argumento decisivo para demonstrar que Deus não existe. O golpe de misericórdia foi dado durante um discussão entre Deus e o Homem:
- Recuso demonstrar que existo – disse Deus – já que a prova renega a fé, e a fé é a base da minha existência.
- Mas – disse o Homem – o peixe de Babel é uma dádiva divina, não é? Jamais semelhante animal poderia ter evoluído naturalmente. O peixe de babel demonstra que tu existes, e portanto, pelos teus próprios argumentos, não existes!
- Oh meu Deus! – disse Deus – nunca tinha pensado nisso – e desapareceu numa nuvem de lógica.
- Afinal foi fácil – pensou o Homem, e para um “encore” perfeito demonstrou que afinal preto é branco antes de ser morto na primeira passadeira para peões que encontrou.

Texto seleccionado por CMachado do livro de Douglas Adams

quinta-feira, março 02, 2006

De onde menos se espera...

No Nortadas !!!!

"É INACEITÁVEL!!!!!

O Ministro Mário Lino e a Administração do Metro do Porto, nos últimos meses têm andado num braço de ferro.
Confesso que a personagem em causa não colhe a minhas maiores simpatias e, em abono da verdade, até fiquei estupefacto quando o vi com sérias intenções de "pegar o touro pelos cornos".
Mas sou obrigado a concordar.
É de facto inaceitável o que se passa no Metro do Porto.
Não está em causa a importância do projecto para a região. Nem a discussão passa por saber se existe mais uma linha ou menos uma linha.
O que acontece é que os desmandos naquela torre de Babel ultrapassaram o razoável. "


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António Moreira

ALERTA


É difícil (para um pai) não sentir um arrepio de horror ao ler estes relatos de sequestro (é mesmo disso que se trata) a que tive acesso via "Vaitepoesia"

Nada mais posso fazer do que reproduzir parte, recomendar vivamente a leitura do resto e mostrar o rosto do mal.

"I - O sofrimento das família
1. Em muitos testemunhos de numerárias e numerários faz-se referência ao sofrimento que o afastamento das famílias causou aos pais e irmãos.
Queria aqui referir-me a esse sofrimento, mas na perspectiva da "família que é abandonada". Na verdade, vivi intensamente essa situação por causa da minha irmã numerária e assisti ao que se passou em muitas outras famílias nas quais "apitaram" um ou mais filhos numerários.
Foram anos muito difíceis…
Havia muitos adolescentes e jovens como eu que frequentávamos os clubes da Obra que se destinavam a estudantes do ensino secundário dos 10 aos 17 anos.
Gostávamos do ambiente que aí encontrávamos, em especial do facto de se cantar e tocar viola a toda a hora.
E gostávamos dos passeios que se faziam, dos convívios fora da cidade, da atenção das "monitoras" mais velhas…
E, a pouco e pouco, íamos sendo "pescadas" nessa rede…
Para mim, começou com uma amiga de infância que depois de ter feito 14 anos se tornou um pouco estranha, porque já não falava à vontade connosco, nem se ria ou fazia brincadeiras; passava o tempo a ir ao clube, mas não ficava na zona das actividades, passava para lá das portas "proibidas".
Deixou de nos acompanhar nos encontros fora do centro, quase não a encontrávamos em casa dos pais e sabíamos que estes estavam zangados pelas atitudes que ela tomava: recusava-se a ir a festas de anos, a visitar os tios e os avós, a acompanhar os pais nas férias, etc.
Esta amiga – a que chamarei Margarida – foi a primeira de muitas que perdi… até hoje, pois continua na Obra e, ainda que conversemos de vez em quando, nunca mais voltámos a ter a intimidade da nossa infância.
Depois, chegou o ano em que também eu e muitas das minhas amigas e colegas de escola que andávamos no clube completámos 14 anos; aquelas que se tornaram supranumerárias continuaram a ser amigas umas das outras.
Mas as que apitaram como numerárias passaram "para o lado de lá": sempre vestidas de modo muito formal, sempre atrás das directoras e das numerárias mais velhas, sempre ocupadas com coisas do centro, sempre sem tempo para estudar em conjunto, festejar um aniversário, ir ao cinema…
Lá iam quase todos os dias para o centro: de manhã bem cedo, antes das aulas, para irem à missa e à meditação; de tarde para fazerem encargos materiais, como encerar os bancos do oratório ou arrumar os armários dos produtos de limpeza…
Não sei quando é que estudavam ou faziam qualquer outra coisa "normal" para os 15 ou 16 anos que tinham.
E, de repente, rebentava um escândalo em alguma família: a Isabel ou a Rita ou a Francisca tinham declarado aos pais que iam viver para o clube!!!
Os pais entravam em pânico:
Viver no clube?!
Mas com quem e porquê?
E – só nessa altura – surgia a revelação:
Pai, mãe, é que eu pertenço ao Opus Dei e comprometi-me a dedicar-me a Deus (através da Obra) para sempre.
O pai aos gritos!
A mãe a chorar!
Os irmãos assustados!"

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António Moreira

Já que a ministra não tem vergonha nem dignidade…

Ao menos que haja quem, apesar de tudo, demonstre ainda prezar a sua dignidade, no caso, a direcção do IPPAR/Porto.

Após a anterior direcção do IPPAR cujo presidente, Arq.º João Rodeia, tinha gerido com superior elevação a triste novela do “Túnel de Ceuta, ter sido substituída, com a nomeação de um “funcionário” do PS, Dr. Elísio Sumavielle, foi agora a vez da direcção regional do IPPAR-Porto, apresentar a sua demissão em bloco.
De acordo com esta notícia da Rádio Renascença, (de que tivemos conhecimento via “A Baixa do Porto”), para além do seu presidente, Lino Tavares Dias, o pedido de demissão foi subscrito pelos técnicos Miguel Rodrigues (responsável pela salvaguarda do património) e Margarida Lencastre (responsável pelas obras).

A razão para esta atitude não poderia ser outra que não a forma vergonhosa, que já aqui denunciamos, com que a tutela, na pessoa da ministra da cultura, mas com responsabilidades claras do primeiro-ministro José Sócrates, terá negociado a cedência dos legítimos interesses da Cultura, do Património e da Cidade do Porto, aos mesquinhos interesses propagandísticos do ridículo presidente da câmara que, tristemente, os “parolos votantes” meus concidadãos, resolveram eleger, no caso que se tornou conhecido por “Túnel de Ceuta”.

Espero que, um dia, venhamos a ter o direito de conhecer os contornos deste negócio.

Espero, acima de tudo, que estas situações vão contribuindo para ir abrindo os olhos aos que, mesmo que desatentos e desinformados mas, ainda assim, interessados na forma como se vai fazendo a gestão (?) da “coisa pública” e defensores da decência nos comportamentos de todos mas, fundamentalmente, daqueles a quem confiaram a responsabilidade para decidir sobre o que é de TODOS, vem sofrendo os desmandos “desta gente”.

Amigos socialistas

Vai sendo tempo de começarem a exigir, aos vossos dirigentes, que demonstrem respeito, ao menos pelos militantes, já que, quer por si próprios, quer pelos cidadãos, está visto que o respeito é nenhum.

Não se admirem assim que não haja cidadão que os respeite.
António Moreira

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Parecer técnico e decisão política

A propósito da reabertura da discussão sobre a co-incineração António Vitorino tocou num aspecto fundamental da cooperação dos cientistas e políticos na tomada de decisão. Sou, sem qualquer dúvida, a favor da tomada de decisão baseada no conhecimento, na discussão plena, na audição de prós e contras de uma escolha. Só assim é possível minimizar erros nas escolhas. No entanto, concordo que a tomada da decisão final cabe apenas aos políticos. Eles são escolhidos e pagos, para decidirem que politica vão ter depois de compilarem todo o conhecimento acumulado. Sim, a decisão política deve ser apenas deles! Este é o risco que têm que correr na tomada de decisão. Risco que acarreta mais tarde estarem sujeitos e com vontade de prestar contas. Nessa altura não devem nem podem esconder-se nos pareceres, nos relatórios das comissões cientificas. Os políticos têm essa capacidade de decidir e têm que se responsabilizar pelas suas tomadas de decisão, por isso são políticos.
Os cientistas são técnicos e têm que sê-lo muito bem e os políticos são decisores e também têm que sê-lo muito bem. Esta cooperação é virtuosa e deve ser fomentada, mas nada de troca de cadeiras.
Muito bem António Vitorino.
Raquel Seruca

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ora aqui está!

Uma prova cabal e inequivoca do que muitos, incluindo eu próprio, vinhamos dizendo a respeito da mediocre intervenção na Avenida dos Aliados. O problema da solução nunca foi a calçada, nem as arvores, nem coisa nenhuma do que se andava para ai a reclamar como grandes maravilhas da paisagem urbana do Porto. O problema da solução foi e é a mediocridade da mesma.

Pulido Valente propôs ESTA solução em tempos



Que está a funcionar, não como solução, mas como esquema provisório por causa das obras, em pleno e sem problemas.
Imagine-se portanto o que podia ter sido ganho com um bom concurso de ideias em que todas as vertentes de um projecto urbanistico poderiam ter sido exploradas.
Mas o melhor é ler o texto do proprio n' A Baixa do Porto

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Quem vê caras…

Começa assim um ditado popular, que continua … "não vê corações".

Ora eu não sei se se vê “corações” ou não, o que sei é que a primeira impressão, em geral, é criada pala visão de um rosto e que “não há uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão”.

Esta introdução a propósito da “carinha laroca” que reproduzo acima, retirada desta notícia do JN de hoje, e que mais não é o exemplo do que me transmite a generalidade das “carinhas larocas” que a TV nos faz entrar pela casa dentro, quando as suas câmaras vagueiam pelas bancadas da Assembleia da República…

É “nisto” que vocês votam?

António Moreira


A notícia do JN:
Deputado do PSD apanhado a mais de 200 km/hora
Ricardo Almeida pediu ao Governo Civil de Coimbra para não lhe apreender a carta
Do currículo do "acelera" constam quase duas dezenas de multas, quase todas arquivadas

Um deputado do PSD, eleito pelo círculo do Porto, foi interceptado na auto-estrada, na zona de Coimbra, a circular a mais de 200 quilómetros por hora. O auto está no Governo Civil de Coimbra, ao qual Ricardo Almeida, de 31 anos, fez um pedido especial no sentido de lhe ser perdoada a apreensão da carta de condução. O problema é o historial de infracções graves e muito graves do político, que já foi autuado quase duas dezenas de vezes. Em quase todas teve a "sorte" de ver os processos arquivados ... Ler o resto"

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Emprego / Desemprego

Ontem, via Prós & Contras fiquei a saber algo muito interessante, que não sabia, mas que devia saber, porque faz toda a diferença.Que os números alarmantes do desemprego não correspondem a menos emprego. Isto é, que o emprego em Portugal não está a diminuir.

Perplexidades


Um post sobre um simples debate focando os requentados assuntos OTA e TGV (ou vice versa) já vai em 44 comentários (creio ser um recorde no SEDE).

Um post sobre uma gravissima acusação de corrupção, feita por um vereador da CML, ex-candidato a presidente da CM Lisboa, e por seu irmão, um mediatico advogado, ex Secretário de Estado de um governo do PS, não consegue descolar dos quatro comentários, mesmo após num deles ter sido referido que o visado pela acusação de corrupção, Domingos Névoa, já constituido arguido, era militante do PS...

De igual forma, este caso é quase que ignorado pela generalidade dos "blogs" e não se pode dizer que a comunicação social se tenha empenhado na sua divulgação...

É só a mim que isto parece estranho?

António Moreira

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Desisto!

Gostava de ir logo ao debate, mas não vai dar. Esta virose tomou conta de mim e não consigo mais do que ficar prostrado em frente à televisão.
Vejo um senhora a fazer um apelo; para que as pessoas não levem telemóvel para a capelinha das aparições, em Fátima.
Diz que é uma falta de civismo enorme.
O publico bate palmas.
Aparentemente o som do telemóvel perturba a oração da senhora.
O publico bate outra vez palmas.
O apresentador do programa diz que também há quem leve telemóveis para o cinema, o que devia ser proibido.
O publico bate palmas, desta vez com mais força. Talvez por afecto para com o apresentador.
A senhora diz que também tem um cão e que até dorme na cama com ele, mas que não leva o cão para a missa, que acha uma falta de respeito.
O publico bate mais palmas.
A senhora está agora a cantar. Qualquer coisa como “a estrada que seguimos, o caminho que escolhemos”. Fala de uma força que a faz andar.
Também está lá um padre. Agora, enquanto a senhora canta o padre baba-se, deleitado.
Infelizmente a câmara mostra mais é uma rapariga loira, engraçada, que abana a cabeça com se estivesse a dançar.
O publico agora bate palmas. O programa termina.
Talvez seja melhor assim. Pensando bem, também deve ser desagradável o som do telemóvel no meio do debate. E no fundo, este programa também é como um debate.
Depois haverá quem conte como foi.

Das virtudes da concorrência

imagem Dias dos Reis

Não querendo entrar nas discussões, sempre estéreis, dos assuntos da fé, não posso deixar de achar graça quando uma fé (religiosa) desmonta os dogmas de outra fé (a do mercado).

Então não é que, no passado sábado, dos quatro sinais de TV, em canal aberto, três estiveram horas infinitas a transmitir exactamente a mesma coisa, ou seja o lúgubre espectáculo do transporte de um cadáver de uma para outra sepultura?

Eu até admito que, infelizmente, exista audiência para um espectáculo daqueles, o que creio é que seria mais que suficiente a transmissão do mesmo apenas num dos canais e que, caso o mercado funcionasse eficazmente, seria de esperar que os outros canais aproveitassem a oportunidade para captar a atenção dos restantes clientes de televisão, os quais não devem ser em número inferior ao dos que gostam de ver “aquilo”, e o seu “target” até seria em certa medida mais fácil de identificar, tornando menos difícil a selecção da programação que captasse a sua atenção.

Afinal nada disso se verificava e, pasme-se, a única alternativa, em canal aberto, era a do segundo canal da televisão pública!!!!

Decerto não faltarão fiéis (de uma ou das duas fés) mais do que capazes de me apresentar justificações para estes factos bizarros, mas se em cinquenta anos não foram capazes de me apresentar um único argumento racional, não deve ser agora que…

António Moreira

Antes que esqueça...

Estranhamente (?) este assunto tem sido muito pouco falado, quer na comunicação social, quer na "blogosfera"...

Porque eu SEMPRE achei que, quando há denúncia de um crime existe SEMPRE um crime, seja o denunciado seja o crime de calúnia ou difamação, entendo que este assunto merece a mais ampla divulgação:

"Sá Fernandes denuncia tentativa de suborno


Vereador do BE acusa administrador da Bragaparques de lhe ter oferecido 200 mil euros para se calar .
Domingos Névoa já foi constituído arguido e pagou 150 mil euros de caução

Autarca garante que foi alvo de tentativa de corrupção

"A mim ninguém me compra".
Peremptório e indignado, o vereador eleito pelo BE na Câmara de Lisboa, reiterou ontem as acusações de tentativa de corrupção por parte do sócio e administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, que lhe terá oferecido 200 mil euros para que anulasse a acção que moveu em tribunal referente à hasta pública dos terrenos municipais da antiga Feira Popular.
Em visita ao bairro das Amendoeiras, em Chelas, José Sá Fernandes garantiu "que as provas são insofismáveis.
Está tudo gravado e documentado na Polícia Judiciária".

Continuar a ler no JN

António Moreira

A Qualidade...


E a falta dela
Cada vez estou mais convencido que uma das razões fundamentais para o estado miserável em que, desde a vertente social à económica, passando naturalmente pela política, mas que alastra a e se entranha em todos os aspectos da nossa sociedade e, por isso da nossa vida, como a educação, a saúde, a comunicação social, os transportes, todos os tipos de serviços, tem muito a ver com uma característica muito portuguesa de não exigir qualidade, não reclamar quando se é mal servido, não denunciar o que é mau, o que é falso, o que não presta.
(depois tem, isso sim, o salutar hábito de “dizer mal pelas costas” mas isso seria tema para um outro “post”)

Vem isto a propósito do debate efectuado, na passada sexta-feira, no Ateneu Comercial do Porto, cujo tema:

“A importância dos Grandes Projectos Estruturantes na afirmação da Área Metropolitana do Porto no contexto do Noroeste Peninsular e Nacional”,
foi, pronta e correctamente, traduzido em diversos jornais e blogs para “debate sobre a OTA e o TGV” ou "bla, bla, bla, na afirmação da Área Metropolitana do Porto, bla, bla, bla".

Como não sou jornalista, não tenho as competências necessárias para (nem a obrigação de) fazer aqui uma descrição factual do que lá vi e ouvi, mas apenas de relatar as impressões que guardei da ocasião.

O painel, de quatro (mais o moderador e o anfitrião) era constituído por dois grupos:

António Guilhermino Rodrigues (Presidente do Conselho de Administração da ANA/NAER) e Alberto José Castanho Ribeiro (Administrador da REFER/RAVE) que, claramente, estavam no evento com o objectivo de informar e colaborar para um melhor esclarecimento e para a formação de uma opinião fundamentada sobre factos.
Carlos Brito (Provedor do Cliente do STCP /subscritor da petição à AR) e Paulo Morais (Professor Universitário /subscritor da petição à AR), que, sem qualquer espaço para dúvidas, não estavam minimamente interessados em obter mais informação sobre os projectos ou as razões que os justificam ou fundamentam, mas apenas interessados em esgrimir argumentos da mais rasteira demagogia, com que alimentam os seus (e de outros) projectos de carreira, que passam, obviamente pelo aproveitamento de um (em certa medida desculpável) sentimento “anti Lisboa” que é criado e alimentado por gente desta.

Não irei, nem posso, relatar o que foi apresentado pelos intervenientes que representavam a ANA e a RAVE, posso apenas referir que fiquei com mais alguma informação do que a que tinha antes.

Posso também referir que ficou reforçada a opinião, que já tinha, de que, sendo legítimas eventuais questões quanto à oportunidade e à forma, da implementação destes projectos (cujo esclarecimento me satisfez) o combate cego que tem vindo a ser feito por parte de algumas forças quer partidárias, quer locais, é fruto de lamentável desconhecimento ou da defesa de outros interesses que não o interesse público mesmo que, apenas, local.

As personagens “locais” presentes:

Neste aspecto o evento foi mau demais.
Na mesa:
Carlos Brito, por quem aliás nunca nutri qualquer tipo de admiração, demonstrou que, ao contrário de que se passa com algumas excepções (como MS e DFA), as pessoas em geral não melhoram com a idade, muito pelo contrário (como tenho verificado em primeira pessoa).
Paulo Morais, que mais uma vez demonstrou não passar de uma pessoa e um político sem um mínimo de qualidade, rasteiro, demagogo e desonesto.

Na “plateia” (onde não estava Rui Rio*), o nível, no geral, não era muito superior, não podendo deixar de referir os comentários ouvidos a umas “senhoras” (?) que recordavam, com saudade, os tempos em que “não entrava ali qualquer um” enquanto manifestavam o seu espanto ao serem informadas que, afinal, “a OTA não era nos Açores”.
Ao meu lado, sem qualquer interesse no debate, alguns jovens (bem vestidinhos e pentiaditos) iam fazendo as suas contas e discutindo (em voz alta) diversos cenários à volta de uma listagem da “concelhia”(?) de Gondomar do PSD.

No espaço destinado a questões colocadas pelo “público” o nível continuou a descer:
Primeiro algumas questões pré-escritas, primaríssimas (para cujas respostas bastaria ter estado atentos ás apresentações anteriormente efectuadas sobre a OTA e o TGV) e colocadas de forma que apenas posso classificar como “boçal” pelo tom utilizado, que pretendia transmitir à audiência que, perante nós, estavam os culpados pelo “nosso” atraso, apresentadas por alguns anónimos (dos quais tenho que salientar os “blasfemos” CAA e LR).
Depois o descalabro:
Alguns deputados, creio que três, dos quais apenas reconheci Renato Sampaio, não sei o nome ou a partido dos outros, resolveram entrar na festa e transformar em comício partidário aquilo que tinha sido apresentado como debate.
Não sei como ainda pode haver quem defenda esta forma de “democracia” que permite que sejamos “representados” por exemplares como estes.
Não sei como se estariam a sentir Braga da Cruz (e outros (?)) ao assistir a estes comportamentos dos seus “pares”.
O que sei, é que seria mais do que conveniente que alguém lembrasse aos senhores deputados que, quando vão estar fora de casa, após o jantar, essa refeição deverá ser acompanhada com sumos, cola, chá ou, simplesmente, água.

De realçar a observação do moderador quando questionou um deles “P****, então eles na Assembleia da República não vos deixam falar ?????”

Para tentar salvar, o que ainda se podia salvar, valeu Oliveira Marques ao apresentar algumas questões concretas e pertinentes e ao avançar com sugestões de medidas bem pensadas e que podem, se acompanhadas pelos poderes locais (atenção Avelino) e postas em prática em cooperação (e não concorrência ou confrontação) ser importantes para o desenvolvimento da região.

A noite ia avançada, os discursos (em vez de questões) sucediam-se e assim retirei-me, sem ter colocado aos detractores destes projectos de investimento, a questão que gostaria de ter colocado:

Qual é a Alternativa que recomendam (se é que alguma recomendam)?

António Moreira

* Foi esclarecido, “en passant” pelo administrador da RAVE, Alberto Ribeiro, que o fax da RAVE , que tão grande indignação provocou ao senhor presidente da JMP mais não era que uma proposta de reunião para esse mesmo dia (17/02/06) aproveitando a sua presença no Porto, já agendada para o debate do Ateneu…

Talvez seja conveniente então, que numa próxima vez, passando a publicidade "alguém lhe explique como se ele fosse muito muito burro"