sexta-feira, março 31, 2006

Flores e Abelhas e ... Coriscos


Há já algum tempo que não encontrava outros blogues de que valesse a pena falar, hoje encontrei dois, ambos monoautorais (acabei de inventar esta palavra(?)), ambos da autoria de Mulheres e ambos de altíssima qualidade. (depois digam que só sei dizer mal)

Como temos tido a felicidade de ser visitados por comentadoras com qualidades mais que suficientes para iniciar os seus “blogues”, pode ser que uma visita a estes, sirva de estímulo adicional.

Flores e Abelhas
Coriscos



Parabéns às duas autoras
António Moreira

quinta-feira, março 30, 2006

Há sempre uma ou mais formas sérias de tratar os assuntos…

E, além dessas, há as outras…

Não era preciso ter grandes dotes divinatórios para antecipar o que, realmente estava em causa.

Já anteriormente aqui tínhamos alertado para o “Gato escondido”, quando falamos do “Lixo do Porto”.

Agora é o “Primeiro de Janeiro” a dar espaço à denúncia, por parte do STAL, de que “A Câmara do Porto pretende concessionar grande parte do serviço de recolha de lixo e limpeza urbana…”(ler tudo)
Não temos qualquer posição rígida, de princípio, de que as actividades da Câmara Municipal do Porto (ou de qualquer órgão do Estado) não possam ser subcontratadas a empresas privadas que poderão até (caso seja esse o objectivo) desempenhar as mesmas tarefas de forma mais eficaz, eficiente e económica.

Temos isso sim é a convicção firme que a melhor maneira de fazer seja o que for é garantindo sempre um comportamento sério, honesto e verdadeiro, e se isto deve fazer parte do comportamento individual de cada um de nós, deve fazer parte de um conjunto mínimo de condições exigíveis aos eleitos.
E, por hoje, mais não digo.
António Moreira


segunda-feira, março 27, 2006

E esta, ein?

Via “A Baixa do Porto” tive conhecimento deste anúncio:



Como sou curioso, liguei para o número que constava no anúncio, como sendo da CMP e, efectivamente, era da Câmara Municipal do Porto.

Pedi informações sobre o Teatro que estava à venda e passaram-me ao gabinete de comunicação onde me informaram não saber qual era o Teatro, nem que departamento tinha posto o anúncio!!!!

Quando sugeri que talvez então fosse boa ideia ligarem para o JN a perguntar, informaram-me que já o tinham feito e que eles também não sabiam…

Se o saudoso Fernando Pessa ainda andasse por aí, decerto diria:

E esta, ein?

António Moreira

***** Actualização ******

Afinal a CMP já está "em cima" do assunto e já concluiu que foi mais uma peça da campanha do JN contra a CMP:

A não perder a sequência:

"1- O Jornal de Notícias publicou esta segunda-feira um anúncio que pretende levar os leitores a pensar que o Teatro Rivoli está à venda. Nesse falso anúncio, que aparece destacado sobre um fundo laranja, é inclusivamente fornecido o número de telefone da autarquia para eventuais contactos, o que tem motivado uma série de telefonemas de pessoas que, obviamente, foram iludidas.
2 - Perante este acto de desrespeito pela instituição Câmara Municipal do Porto e pelos seus munícipes, a autarquia não pode deixar de repudiar a atitude e lamentar, mais uma vez, que o JN tenha contribuído para a publicação de uma mentira, enganando os seus leitores.
3 - O anúncio não é politicamente inócuo, porquanto surge na sequência do debate sobre o Rivoli que teve lugar na última reunião do executivo e que mereceu amplo espaço noticioso no JN.
4 - Nesse sentido, a Câmara Municipal do Porto decidiu mover uma acção judicial contra o jornal e apresentar uma participação-crime, contra o seu director, Leite Pereira, enquanto responsável máximo pela publicação em causa.
António Moreira
P.S.: (Copiado do Coriscos)

domingo, março 26, 2006

Charlatão

A semana que passou foi fértil na publicitação das primeiras observações aos resultados do novo código da estrada. Conforme era de prever, os resultados são nulos. O maior rigor, as multas escabrosas, o reforço da autoridade, etc. não servirão absolutamente para nada e os índices de sinistralidade continuam rigorosamente os mesmos. Mas é claro que nem tudo ficou na mesma, Portugal tem agora um novo código, completamente desadequado à realidade do país que, sendo apenas e só um instrumento de propaganda política, penaliza e muito o dia a dia dos cidadãos.
Já lá vão quase dois anos desde que o charlatão foi embora, mas os efeitos das suas medidas, tiradas ora do joelho direito ora do esquerdo, continuam a fazer-se sentir.
E vão passar-se muitos mais. Mas nunca serão os suficientes para que todos nos esqueçamos do que dois anos de Durão Barroso trouxeram. Ficaremos sempre alguns para lhe chamar na cara aquilo que ele devia ter ouvido de todos mal se candidatou: CHARLATÃO.

Alto fuego permanent

A ETA declarou o "Alto fuego permanente" a partir da ultima 6ª feira (video).
Esta será uma grande vitória política de Zapatero. O mesmo Zapatero que ganhou as eleições porque o PP tentou aproveitar-se da ETA para disfarçar um ataque da Al-quaeda.
Se o virar de século acabar por decretar o fim da insurreição "euskadi", isto significa que foi com um governo socialista, ponderado e equilibrado que se demonstrou qual a atitude na gestão destes conflitos na Europa. Ou será que não?

O mau exemplo de Helena Roseta

Na já famosa guerra entre a Ordem dos Arquitectos e os licenciados que eles impedem de aceder à profissão chegou agora mais uma bordoada em cima de Helena Roseta - um parecer do Ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, afirmando perentoriamente que a regulamentação corporativa e exclusora da OA carece de base legal.
Como todos sabem o que se tem passado é muito simples, a OA reconhece que existem cursos de 1ª, 2ª e 3ªs categorias. Nos de 1ª (geralmente ligados ao professores que também pertencem à OA) os alunos entram de imediato, após um estágio profissional, onde durante um ano tem que trabalhar de "borla", em geral pelos gabinetes dos mesmos professores.
Os outros, de 2ª e 3ª, fazem um exame, cuja percentgem de chumbo é enorme e pagam 400 ou 500 euros mais despesas, cada vez que tentam. Ou seja, uns tem que fazer exame, outros não. Apesar do Ministéiro da Educação aprovar os cursos da mesma maneira, simplesmente a OA discriciona o assunto com base numa directiva europeia, que é mesma que o Ministério usa para aprovar o conteudo pedagógico dos cursos.
Confusos, então não percam os próximos episódios de "soap".
Valha-nos os estatutos da OA que não permitem mais que dois mandatos consecutivos ao mesmo bastonário(a). É que não sei se repararam, mas destes 5 anitos de roseta na lapela, trabalho da arquitecta "política", nem o 73/73 se resolveu, nem houve melhoria do ensino da arquitectura, nem o panorama profissional melhorou, nem os concursos deixaram de ser a vergonha que são, nem há qualquer serviço essencial prestado aos profissionais.
Ainda mais envergonha que exista até agora, parecer do provedor de Justiça, do Ministério da Obras públicas e agora do Ensino Superior, todos com o mesmo teor e a OA o que faz? Em primeiro diz que não acata todas as indicações do provedor e depois faz orelhas moucas às informações do Governo.
Isto não são procedimentos responsáveis. Todos sabemos que há arquitectos a mais para a quota de mercado existente, mas o problema reside noutro sítio. Outros paises também possuem excesso de licenciados em arquitectura e não precisaram de atropelar os direitos fundamentais dos cidadãos para resolver a situação.
Saiba mais sobre o assunto aqui.


Ela vêm aí

Pela primeira vez que me lembre, as jornadas parlamentares socialistas revelaram um grande passo na estratégia do governo relativamente à modernização da organização administrativa do território:
"Ideia das cinco regiões-plano é consensual"José Sócrates voltou a defender, ontem, a organização territorial dos serviços públicos em função das cinco regiões-plano que já existem Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
E disse que a ideia é consensual "no PS e noutros partidos" e até junto da comunidade científica.
"Não compreendo a surpresa de muitos. Essa orientação está escrita no livrinho do programa de Governo do PS que editamos na campanha eleitoral. Lá está escrito que devemos aproveitar as cinco regiões-plano como espaços territoriais para toda a desconcentração dos serviços públicos do Estado", lembrou no discurso que proferiu no encerramento das jornadas parlamentares do PS, em Viseu, sobre "Modernização da Administração Pública".
NÃO HÁ-DE TARDAR MUITO PARA COMEÇARMOS A OUVIR O MIGUEL SOUSA TAVARES E OUTROS DEMAGOGOS A LANÇAR ATOARDAS E A AMEAÇAR COM O RETORNO DO "PORTUGAL ÚNICO" (LEMBRAM-SE DO NOME DO MOVIMENTO ANTI-REGIONALIZAÇÃO?).

sexta-feira, março 24, 2006

Sexy

"CDS devia ser mais «sexy e sedutor» "

Pires de Lime, vice-presidente do CDS-PP, afirmou que o partido devia ser mais «sexy e sedutor». O dirigente afastou a possibilidade de se candidatar à liderança do partido a não ser que ocorra «algum acontecimento extraordinário».



quarta-feira, março 22, 2006

De volta ao debate

Como se tem voltado a questionar a eficácia do nosso sistema político, quer aqui, quer, por exemplo, n”A Baixa”, onde vai animado o debate com a participação até de figuras mediáticas como o Rui Moreira e o Rio Fernandes (desculpem lá a falta dos Dr.s) eu gostava de encontrar quem me pudesse ajudar na solução para as minhas perplexidades.

Para evitar a artilharia pesada de outras vezes, vou começar devagarinho…

Então alguém me explica, por favor, que sentido faz realizar as eleições num único dia, das 08:00 às 19:00, tudo em segredo e após um dia de “reflexão”?
Faz sentido?
Alguém me explica que sentido?

Não seria melhor alargar o prazo da votação, digamos de segunda a sexta, com informação constante da evolução dos resultados?
E, se na sexta a percentagem de votantes ainda fosse inferior a 65% (por exemplo), por que raio não poderia haver um período extra até domingo?
Isto tudo, naturalmente, sem interromper a campanha eleitoral nem nenhuma daquelas “picuinhices” que parece que o Mário Soares está sempre a violar :-)

Então digam-me lá em vossa opinião.
Quais as vantagens e desvantagens quer do sistema actual, quer da alternativa que apresento?

Ou será que isto também não se pode discutir?

António Moreira
(Já agora, este foi o "post" nº 1.000 aqui do Sede)

CAIXA DE COMENTÁRIOS REABERTA

Populismo

AFINAL O PROF. TAMBÉM É UM PENSIONISTA DE LUXO !

ANIBAL CAVACO SILVA

Actualmente recebe 3 pensões pagas pelo Estado distribuídas da seguinte forma:

* 4.152 euros do Banco de Portugal;
* 2.328 euros da Universidade Nova de Lisboa;
* 2.876 euros por ter sido primeiro-ministro;

podendo acumulá-las com o Vencimento de P.R.!!!

Será que, o Expresso, o Público, o Independente, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, que não abordaram este caso, mas trataram os outros conhecidos, elevando-os quase à categoria de escândalos, vão fazer o mesmo que fizeram com os outros???

Conferência internacional de marketing das cidades

Na próxima semana na Alfandega este será o evento internacional do Porto. Saiba mais aqui.

nota: É evidente que não é indeferente o facto de eu ser um dos oradores :)

terça-feira, março 21, 2006

pequenos passos

Coincidência, com certeza, estes tempos de relativo entorpecimento do SEDE serem também tempos mornos pela blogosfera em geral. O que não deixa de ter graça, porque lá fora, onde a chuva cai dura e o vento até fere, muito tem acontecido de política partidária, capaz de, noutros tempos, levantar multidões e despertar fortes paixões.
O CDS parece que vai a congresso. Bizarria suprema. Líder eleito em directas procura reforço de legitimação nos velhos instrumentos, dos quais todos parecem querer libertar-se. E depois do congresso? Directas outra vez?
O PSD lá aprovou as directas. E depois das directas? Congresso outra vez?
O que está aqui em causa é a representatividade. O que está aqui em questão é o politicamente correcto da maior transparência contra os velhos vícios dos sistemas representativos. Em teoria parece estar tudo de acordo que existem inúmeras vantagens em tornar mais directa a escolha. Na pratica parece que ainda ninguém sabe muito bem como lidar com isto.
Poderão estruturas pensadas para um determinado tipo de funcionamento (representativo) manter a validade para funcionamentos mais directos? Especificando; não será necessário introduzir alterações à orgânica partidária para que o processo de eleições directas seja implementado?
Aparentemente não. No PS as coisas tem funcionado assim, pacificamente. Assis foi eleito em directas, assim como todos os presidentes das Federações. Ferro Rodrigues foi eleito em directas, Socrates foi eleito em directas.
O grande problema das directas é que relega para segundo plano a discussão política “directa”. A discussão entre militantes, dos programas e das ideias políticas perde a sua importância, sendo substituída pela discussão mediatica. Formar a opinião é hoje um processo mais individual, e mais pobre, certamente. Embora o acesso à informação seja maior, com o que ouvimos pela rádio, pela net, pela televisão e pelos jornais, as vantagens do confronto de opiniões perdem-se.
Qualquer dos partidos elege hoje um líder sem que esse mesmo personagem tenha tido que se bater pelas suas ideias e projectos em confronto directo com ideias contraditórias (caminho sempre árduo). E até com grandes percentagens de votação.
O incremento de legitimidade tem um preço que aparentemente vale a pena pagar, mas para isso é preciso que a discussão sobre os métodos eleitorais internos seja feita. O que ainda não aconteceu.

sábado, março 18, 2006

Medida de higiene

O facto de a caixa de comentários do "post" anterior ter sido infestada por indivíduos, em minha opinião, não recomendáveis levou-me a tomar a decisão de a fechar, não será assim possível, a pessoas exteriores a este "blog", o acesso à mesma.

Pelo facto pedimos as devidas desculpas aos comentadores não responsáveis por estes factos.

Os comentadores que merecem consideração poderão, se assim o entenderem, continuar a comentar usando o meu e-mail.

Este "post", por ter um carácter meramente informativo, não terá caixa de comentários.

António Moreira

quarta-feira, março 15, 2006

O Fim do Espectro e as profecias

Segundo a Angie (na caixa de comentários do saudoso "Espectro")



"Acompanhando o delicado momento que o jornalismo bloguítico nacional atravessa, desde a última semana, e segundo notícias vindas a público, via TSF, uma equipa de especialistas subvencionada pelo M. Cultura (Espanhol), que tem operado no maior sigilo, vai finalmente revelar o objecto do trabalho desenvolvido e os resultados atingidos até este instante.
OS ESPECIALISTAS EM CAUSA - HISTORIADORES DE REPUTADO MÉRITO - APRESENTARÃO UMA INTERPRETAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DOS PAINÉIS DE S. VICENTE DE FORA, RELACIONADA COM O PERÍODO DELICADO QUE ATRAVESSA A BLOGOSFERA NACIONAL
De facto, e segundo parece, há muito que a produção dos últimos acontecimentos em referência era esperada por um pequeno grupo de técnicos que se debruça (periodicamente) sobre a iconografia da obra pictórica de Nuno Gonçalves.
Assim, as figuras que surgem em 1º plano nas duas folhas centrais dos referidos painéis do Museu de Arte Antiga representam, afinal:
No painel (central) da direita:
VPV, ajoelhado, ouvindo o libelo acusatório, mãos no peito protestando inocência, tendo a seus pés, jacente, o blogue ESPECTRO, sob a forma de cordão negro (vencido e neutralizado).
No painel (tb central) da esquerda:
CCS, disfarçada, segundo os cânones da época, de figura masculina (qual Goerge Sand) vestindo de verde, que também toma conta da peça acusatória, proferida por um dignatário ainda não identificado.
É notória, em CCS,o indisfarçável orgulho, patente na forma desafiadora como enfrenta as forças da ordem, de cabeça elevada.
Na sua frente, CFA, de escarlate, segurando um feixe de plumas caprichosas na cabeça
Na 2ª folha dos painéis laterais divisa-se, de longas barbas e prostrado no chão, as mãos erguidas em prece agradecida, JPP.
Logo atrás, de pé, envolto em vestes verdes, Fº Loucinha, em atitude seráfica e alinhada.
Na 1ª folha do painel lateral da direita, reconhece-se Mº Só Ares, ajoelhando, de vestes também escarlates.
E logo atrás, segurando o livro de cânones, Freitas do Amarinho, gravemente secundando os actos.
AFINAL, A PROFECIA ESTAVA FEITA, MAS NINGUÉM ADIVINHARA.
Prosseguem os trabalhos de identificação das restantes figuras (aceitam-se sugestões de leigos).
(NOTA: as cerimónias fúnebres, previstas para a Igreja de S. Vicente, à Graça, junto ao Panteão Nacional, passarão ao que tudo indica para o Museu de Arte Antiga, às Janelas Verdes).
(MEETING POINT: As pessoas que quiserem associar-se às cerimónias e provenham do país real interior poderão encontar-se para um "copo" retemperador e discreto na YORK HOUSE, junto ao local das exéquias.
Entrada reservada a quem se apresentar com vestes de espectro) "

Angie"

Agradecimentos reverentes de

António Moreira


terça-feira, março 14, 2006

Esqueci-me!

Passei pelo evento e quase nem dei conta (juro!). Parece-me que Cavaco Silva sempre tomou posse. Fizeram e refizeram as ultimas análises ao mandato de Jorge Sampaio. Filmaram Soares a sair mudo sem estender o bacalhau ao seu adversário de sempre. Passaram a bela princesa dos maus ventos espanhóis sempre amarradinha ao seu Filipe. Dá-me sempre aquele arrepio à procura do Miguel de Vasconcelos dos tempos modernos.

Não fosse a mediatização e a treta de que afinal temos um presidente mais interventivo, e a coisa passava como se não interessasse. Se calhar não interessa.

Cavaco Silva ainda não carimbou a sua acção política e na verdade ninguém sabe bem como se irá posicionar. Numa coisa todos concordaremos não parece reunir condições para congregar os portugueses para uma motivação especial, nem parece ser capaz de impor mudanças significativas nos poucos sítios em que pode actuar.

E assim, por cá na política tudo continua igual. Mais um Novas Fronteiras passou, sem deitar qualquer chama que inquiete os espíritos, mas também as vontades. Agostinho Branquinho Chegou ao Poder Distrital no PSD passeando como Renato Sampaio passeará. Melhor do que isso – sem debate – porque assim é melhor.

Rui Rio continua com as suas tácticas de Pinto da Costa – arranja uns temas que dividem a malta (agora é o paga, não paga aos lixeiros), e esconde o essencial – não tem uma ideia, não faz nada de relevante para o Porto mudar e já agora, as obras na Baixa estão num estado caótico bem maior do que o que ele criticava na 2001.

Lá por fora Prodi e Berlusconi travam um confronto em Itália. E para já é o embate mais importante neste ano de 2006 – estou para ver os resultados.

Finalmente gostava de agradecer todos os incentivos que aqui e ali tenho recebido. Bem sei que é difícil esperar da malta dos partidos mais do que o que muitos já deram e resultaram em outros tantos equívocos. Nisso, se calhar já todos caíram.

Mas não existem salvadores da Pátria, nem sequer heróis, nem gajos for-de-série na acção, pois as grandes coisas fazem-se de pequenos passos e grandes laços.
Por isso sei que para a semana cá estarei, escrevendo, independentemente do resultado. Que será bom, não duvidem. Porque também já agora o resultado é o que menos interessa. Se assim não fosse, teríamos um político posto no andor, sem ter percorrido os caminhos do embate – sem ser líder. Por essas razões Branquinho e Renato não tem significado político para as gentes do Porto.

E tem que admitir que seria mais fácil ficar por aqui, escrevendo uma larachas jingosas sobre os gajos do PS (logo eu que os conheço tão bem), dizendo que vivia fora “lá dentro”, mas eles ficavam na mesma, sorrindo e desprezando a consciência critica de tantos.

Assim não. E já agora, pode ser que quem foi lançando foguetes tenha que apanhar as canas. A mim dizem-me que não, mas eu ainda acredito que o voto é livre. Pode ser que seja ingénuo ou então pode ser que tenha feito, corrijo, tenhamos feito (porque foram dezenas de jovens, meio jovens, mulheres e malta da velha guarda) por merecer uma surpresa!

Um, dois, esquerdo, direito...


Eu sei que é mais ou menos recorrente esta questão do significado actual da divisão esquerda/direita, assim como já foi por demais debatida a desadequação entre os programas e as designações dos partidos políticos e a sua actual práctica e ideário:
Será que o PS ainda é socialista?, o PSD social-democrata?, o CDS será um partido do centro?
Então os outros são todos da esquerda?
Já emiti a opinião que o comportamento dos militantes e simpatizantes partidários era muito semelhante ao dos adeptos de clubes de futebol, pelo menos na racionalidade com que efectuam as suas análises.
O "Atento" colocou este comentário numa outra caixa de comentários e autorizou-me a citá-lo.
Penso que pode ser o "pontapé de saída" para uma boa discussão:
Quem quer jogar?
"O que significa ser de direita e ser de esquerda?
Uma vez vi um cartoon que me pareceu lapidar.
Fazia-se o contraponto entre o ser-se adepto de um clube de futebol e o ser-se partidário de uma determinada ideologia política.
Concluia-se que no primeiro caso, ama-se um clube de futebol como se tal representasse uma ideologia, que dissesse que género de pessoas somos, que defenisse a nossa personalidade.
Enquanto que relativamente à ideologia política parece que se escolhe ser "assim ou assado" só porque se resolveu "ser assim ou assado", não por causa do substracto ideológico, mas apenas porque foi o que calhou.
E de facto, muitas vezes é o que me parece, sobretudo numa certa direita.
ATENTO"
António Moreira

Viram ontem a cobertura do JN?

Não sei se repararam que o jornalista se deu ao trabalho de definir os candidatos .

Segundo o JN , o Avelino é um «candidato efémero» e o Orlando Soares «filho do ex-lider» - as definições são acompanhadas de fotos a cores e negritos – informação ideal para o leitor preguiçoso.

O JN não sabe é que este tipo de propaganda funciona ao contrario; candidato efémero, ainda assim, é melhor que «filho de ex lider»...

Quando na política se usa a expressão EX- quer dizer que algo esta em vias de morrer, ou a ideologia ou o candidato.

Um ex-lider rebate-se no argumento de que tudo foi feito apesar dos resultados, não admite que a sua estratégia tem que ser aperfeiçoada, recusa o ónus de não dar luta e vai se mantendo em equilíbrio no patamar que antecede a definitiva reviravolta.

Um ex-lider é em suma aquele que está em queda mas ainda não caiu.

Quando cai já não é ex-lider, porque quando o homem cai ficam as suas ideologias e os seus impulsos de mudança.

O que se passa no PS é um impulso de mudança.
É preciso enterrar o passado, para falar dele com dignidade, é preciso deixar crescer.

Da minha parte espero que ganhem, que haja nova garra para discutir , gente jovem, confiante e renovadora , em conjunto com os movimentos civis - vamos discutir a cidade como centro de uma importante região.

O Porto tem movimento, os partidos é que não o acompanham.

Acreditem socialista se não for desta é certamente da próxima, não é possível fechar os olhos por mais tempo – está para breve a v. vitoria!
As duas forças partidárias da cidade não chegam , tem sido ineficientes na gestão conjunta da Cidade do Porto.

Precisamos de uma discussão alargada, uma actualização vertical nos partidarismos, precisamos de um PS e de um PSD com ideias e soluções, acredito que tal só será possível com a mudança, uma mudança acompanhada de forma passiva pelos mais experientes dos partidos.

Boa sorte

C.S.

segunda-feira, março 13, 2006

Ciclo de Homenagem ao Capitão Barros Basto

Divulgação:

A SEFARAD – Associação Cultural está a promover um conjunto de eventos que visam homenagear o Capitão Barros Basto no ano em que se completam 45 anos sobre a sua morte.

Programa:

14 de Março: Salão Nobre do Governo Civil do Porto

18h: Sessão de homenagem, com a presença da Srª Governadora Civil do Porto.
Que inclui uma palestra sob o título Capitão Barros Basto: o homem, o militar, o apóstolo dos marranos, proferida pela Professora Doutora Elvira Mea, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

18h45: Recital de música judaica, por Jed Barahal (violoncelo) e David Lloyd (viola).

19h15: Porto de Honra.

15 de Março; 18h: Casa Museu Guerra Junqueiro

Inauguração da exposição Capitão Barros Basto: o homem, o militar, o apóstolo dos marranos, precedida de palestra da responsabilidade da Professora Doutora Elvira Mea.
Exposição patente até 31 de Março.

A exposição reúne documentação fotográfica e escrita associada a objectos pessoais, que ilustram a vida e a obra desta figura impar da história da Cidade e do País.


Porto, 8 de Março de 2006.
SEFARAD – Associação Cultural

_________________________________________________________________

Capitão Barros Basto – breve apontamento biográfico:

A vida e a obra do Capitão Barros Basto atravessam um período histórico de grandes e decisivas mutações na História da Europa e de Portugal, sendo a figura do Capitão marcante, sobretudo enquanto militar, no período correspondente à afirmação do Estado Republicano em Portugal e na Primeira Grande Guerra, na qual cumpre exemplarmente o seu serviço pela Pátria, sendo-lhe, por isso, atribuídas várias condecorações.

A obra do Capitão Barros Basto traduz-se numa busca constante dos princípios éticos e religiosos do Judaísmo, consubstanciados na causa marana (marrana), de recuperação da herança judaica portuguesa, a partir de ténues vestígios que séculos de Inquisição dispersaram e ocultaram por várias localidades do território nacional, em particular nas províncias de Trás-os-Montes, Beira Alta e Beira Baixa.

Embora natural de Amarante, é na cidade do Porto que deixa a sua obra mais expressiva, com a construção da Sinagoga Mekor Haim, inaugurada em 1938.
Lugar de reunião da comunidade judaica e de celebração dos seus ritos fundamentais, bem como reflexo da dedicação e coragem de uma figura ímpar da nossa História, a Sinagoga do Porto foi também a dos que aceitaram esse encontro (ou reencontro) com um longo processo histórico que o édito de D. Manuel inaugurou e que o estabelecimento do Santo Ofício em Portugal configurou, nos seus contornos mais dramáticos.
A divulgação da obra do Capitão Barros Basto revela, para a actualidade, uma enorme pertinência, devido ao compromisso que este assumiu com um legado religioso e cultural secular, cujo estudo e divulgação se impôs levar a cabo perante a sociedade.
Atravessando inúmeras adversidades, num período histórico perturbador para o reavivar da causa judaica, particularmente com a assunção do nazismo a partir dos anos trinta, o Capitão Barros Basto deixa-nos, também ele, uma herança que importa a todos conhecer.

Porto, 8 de Março de 2006.
SEFARAD – Associação Cultural
____________________________________________________________________

Ana Paula Machado

(Publicado por António Moreira)

Da Oportunidade


A criação, por Constança Cunha e Sá, do blogue “O Espectro”, e o seu crescimento exponencial após a esperada entrada em cena de Vasco Pulido Valente, trouxe à luz do dia um conjunto alargado de pessoas que, livremente, expuseram as suas opiniões e os seus pontos de vista, políticos mas não só, nas caixas de comentários d”O Espectro”.

Com efeito, para além da habitual boçalidade anónima que sempre acompanha estes espaços de grande atracção, foi notória a emergência de um conjunto de comentadores de elevada qualidade que andavam, eventualmente, dispersos pela “blogosfera” ou que, num ou noutro caso, eram absolutamente neófitos nestes meios.

O Espectro” funcionou assim como base agregadora de uma certa qualidade opinativa, talvez com um predomínio de opiniões “de esquerda”, mas nunca exclusiva de outras sensibilidades.

O “estouro final” do”O Espectro” poderá significar a dispersão desse grupo de comentadores, eventualmente o seu encontro fortuito para uns chás e umas trocas de impressões e um posterior afastamento gradual (que a vida real não deixa muito espaço a idealismos) ou poderá, se assim for entendido, representar uma oportunidade para quem a saiba aproveitar.

Alguns desses comentadores já nos concederam o privilégio da sua visita e do seu comentário, será talvez então esta a ocasião para que, os fundadores deste blogue, pensem o que pretendem deste espaço e, após o dia 18, independentemente dos resultados da escolha dos militantes socialistas do Porto, decidam qual dos dois caminhos possíveis pretendem trilhar.

Ou este blogue se confina a um espaço de debate e de mensagem mais ou menos cifrada, mais ou menos hermética para o interior do partido, ou se abre ao exterior e se transforma no tal espaço de discussão e de auscultação da sociedade (aqui entendida como exterior aos partidos) que permitirá, quem sabe, estreitar o fosso que, inexoravelmente, se tem vindo a alargar, entre os cidadãos “livres” (xi….) e os partidos em que já não se reconhecem e que já não os conhecem.

Renovo os meus votos de boa sorte ao Avelino Oliveira na sua campanha pela liderança da concelhia do Porto.
Mas, muito mais importante, espero que nunca esqueça (como Assis esqueceu tão de pronto) que, havendo sabedoria, as pequenas derrotas podem ser a antecâmara de grandes vitórias.

Muito mais importante e motivadora que a aprovação”interna” poderá ser a conquista do respeito “externo”.
António Moreira (AMNM)

"o mais rapidamente possivel"

Ora aqui está uma questão bem interessante, esta das directas “o mais rapidamente possivel”.
Realmente entendo o dilema que o PSD está a viver e as diferentes posições dos militantes face a esta problemática das directas, para além dos interessezinhos conjunturais.
É que se por um lado as directas são muito mais legitimadoras de qualquer liderança e o sucesso da sua aplicação no PS obriga o PSD a dar um qualquer passo em frente, por outro, a nostalgia dos congressos inflamados e de resolução incerta deve estar a deixar duvidas em muitos militante e dirigentes.
Vejamos, o congresso é o órgão máximo dos partidos políticos e serve para debater ideias e propostas políticas. Ora, as ideias e propostas tem rosto, tem autoria, tem corpo. “Eleições directas” significa a separação do projecto e do grupo que o corporiza (lista) do seu líder. Simplesmente porque não existem condições logísticas para proceder a votações directas dos militantes durante o congresso e/ou em consequência deste e do debate que proporciona. Em teoria, as directas traduzem-se em maior legitimidade eleitoral e maior distanciamento programático, podendo inclusive ser eleito um líder posteriormente obrigado a liderar com um projecto que não é o próprio e com eleitos que não os seus.
Por outro lado, a eleição em congresso enferma dessa falta de legitimidade que advém um pouco da diferença entre o voto directo e o voto em representação, mas muito mais das chamadas inerências (caso dramático no PSD).
Sou de opinião (e eu defendo a democracia representativa) que quanto mais próxima estiver a intenção do eleitor da decisão final, melhor para o processo e que o ideal mesmo seria a eleição directa decorrente do debate em congresso. Mas sendo isso muito difícil (por questões logisticas), põe-se a questão; o que será mais correcto, a eleição do líder conformar as restantes, ou as restantes conformarem a eleição do líder.
Julgo que na pratica dos partidos há ainda muito a aperfeiçoar, sendo que o PS tomou a dianteira nesta questão. Veremos como o PSD é capaz de a tratar, mas este “o mais rapidamente possível”, normalmente quer dizer “logo que dê jeito, isto é, nunca”.