terça-feira, fevereiro 21, 2006
Emprego / Desemprego
Perplexidades

Um post sobre um simples debate focando os requentados assuntos OTA e TGV (ou vice versa) já vai em 44 comentários (creio ser um recorde no SEDE).
Um post sobre uma gravissima acusação de corrupção, feita por um vereador da CML, ex-candidato a presidente da CM Lisboa, e por seu irmão, um mediatico advogado, ex Secretário de Estado de um governo do PS, não consegue descolar dos quatro comentários, mesmo após num deles ter sido referido que o visado pela acusação de corrupção, Domingos Névoa, já constituido arguido, era militante do PS...
De igual forma, este caso é quase que ignorado pela generalidade dos "blogs" e não se pode dizer que a comunicação social se tenha empenhado na sua divulgação...
É só a mim que isto parece estranho?
António Moreira
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Desisto!
Vejo um senhora a fazer um apelo; para que as pessoas não levem telemóvel para a capelinha das aparições, em Fátima.
Diz que é uma falta de civismo enorme.
O publico bate palmas.
Aparentemente o som do telemóvel perturba a oração da senhora.
O publico bate outra vez palmas.
O apresentador do programa diz que também há quem leve telemóveis para o cinema, o que devia ser proibido.
O publico bate palmas, desta vez com mais força. Talvez por afecto para com o apresentador.
A senhora diz que também tem um cão e que até dorme na cama com ele, mas que não leva o cão para a missa, que acha uma falta de respeito.
O publico bate mais palmas.
A senhora está agora a cantar. Qualquer coisa como “a estrada que seguimos, o caminho que escolhemos”. Fala de uma força que a faz andar.
Também está lá um padre. Agora, enquanto a senhora canta o padre baba-se, deleitado.
Infelizmente a câmara mostra mais é uma rapariga loira, engraçada, que abana a cabeça com se estivesse a dançar.
O publico agora bate palmas. O programa termina.
Talvez seja melhor assim. Pensando bem, também deve ser desagradável o som do telemóvel no meio do debate. E no fundo, este programa também é como um debate.
Depois haverá quem conte como foi.
Das virtudes da concorrência
imagem Dias dos ReisNão querendo entrar nas discussões, sempre estéreis, dos assuntos da fé, não posso deixar de achar graça quando uma fé (religiosa) desmonta os dogmas de outra fé (a do mercado).
Então não é que, no passado sábado, dos quatro sinais de TV, em canal aberto, três estiveram horas infinitas a transmitir exactamente a mesma coisa, ou seja o lúgubre espectáculo do transporte de um cadáver de uma para outra sepultura?
Eu até admito que, infelizmente, exista audiência para um espectáculo daqueles, o que creio é que seria mais que suficiente a transmissão do mesmo apenas num dos canais e que, caso o mercado funcionasse eficazmente, seria de esperar que os outros canais aproveitassem a oportunidade para captar a atenção dos restantes clientes de televisão, os quais não devem ser em número inferior ao dos que gostam de ver “aquilo”, e o seu “target” até seria em certa medida mais fácil de identificar, tornando menos difícil a selecção da programação que captasse a sua atenção.
Afinal nada disso se verificava e, pasme-se, a única alternativa, em canal aberto, era a do segundo canal da televisão pública!!!!
Decerto não faltarão fiéis (de uma ou das duas fés) mais do que capazes de me apresentar justificações para estes factos bizarros, mas se em cinquenta anos não foram capazes de me apresentar um único argumento racional, não deve ser agora que…
António Moreira
Antes que esqueça...
Porque eu SEMPRE achei que, quando há denúncia de um crime existe SEMPRE um crime, seja o denunciado seja o crime de calúnia ou difamação, entendo que este assunto merece a mais ampla divulgação:
"Sá Fernandes denuncia tentativa de suborno
Vereador do BE acusa administrador da Bragaparques de lhe ter oferecido 200 mil euros para se calar .
Domingos Névoa já foi constituído arguido e pagou 150 mil euros de caução
Autarca garante que foi alvo de tentativa de corrupção
"A mim ninguém me compra".
Peremptório e indignado, o vereador eleito pelo BE na Câmara de Lisboa, reiterou ontem as acusações de tentativa de corrupção por parte do sócio e administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, que lhe terá oferecido 200 mil euros para que anulasse a acção que moveu em tribunal referente à hasta pública dos terrenos municipais da antiga Feira Popular.
Em visita ao bairro das Amendoeiras, em Chelas, José Sá Fernandes garantiu "que as provas são insofismáveis.
Está tudo gravado e documentado na Polícia Judiciária".
Continuar a ler no JN
António Moreira
A Qualidade...

Vem isto a propósito do debate efectuado, na passada sexta-feira, no Ateneu Comercial do Porto, cujo tema:
“A importância dos Grandes Projectos Estruturantes na afirmação da Área Metropolitana do Porto no contexto do Noroeste Peninsular e Nacional”,
Como não sou jornalista, não tenho as competências necessárias para (nem a obrigação de) fazer aqui uma descrição factual do que lá vi e ouvi, mas apenas de relatar as impressões que guardei da ocasião.
O painel, de quatro (mais o moderador e o anfitrião) era constituído por dois grupos:
António Guilhermino Rodrigues (Presidente do Conselho de Administração da ANA/NAER) e Alberto José Castanho Ribeiro (Administrador da REFER/RAVE) que, claramente, estavam no evento com o objectivo de informar e colaborar para um melhor esclarecimento e para a formação de uma opinião fundamentada sobre factos.
Carlos Brito (Provedor do Cliente do STCP /subscritor da petição à AR) e Paulo Morais (Professor Universitário /subscritor da petição à AR), que, sem qualquer espaço para dúvidas, não estavam minimamente interessados em obter mais informação sobre os projectos ou as razões que os justificam ou fundamentam, mas apenas interessados em esgrimir argumentos da mais rasteira demagogia, com que alimentam os seus (e de outros) projectos de carreira, que passam, obviamente pelo aproveitamento de um (em certa medida desculpável) sentimento “anti Lisboa” que é criado e alimentado por gente desta.
Não irei, nem posso, relatar o que foi apresentado pelos intervenientes que representavam a ANA e a RAVE, posso apenas referir que fiquei com mais alguma informação do que a que tinha antes.
Posso também referir que ficou reforçada a opinião, que já tinha, de que, sendo legítimas eventuais questões quanto à oportunidade e à forma, da implementação destes projectos (cujo esclarecimento me satisfez) o combate cego que tem vindo a ser feito por parte de algumas forças quer partidárias, quer locais, é fruto de lamentável desconhecimento ou da defesa de outros interesses que não o interesse público mesmo que, apenas, local.
As personagens “locais” presentes:
Neste aspecto o evento foi mau demais.
Carlos Brito, por quem aliás nunca nutri qualquer tipo de admiração, demonstrou que, ao contrário de que se passa com algumas excepções (como MS e DFA), as pessoas em geral não melhoram com a idade, muito pelo contrário (como tenho verificado em primeira pessoa).
Paulo Morais, que mais uma vez demonstrou não passar de uma pessoa e um político sem um mínimo de qualidade, rasteiro, demagogo e desonesto.
Na “plateia” (onde não estava Rui Rio*), o nível, no geral, não era muito superior, não podendo deixar de referir os comentários ouvidos a umas “senhoras” (?) que recordavam, com saudade, os tempos em que “não entrava ali qualquer um” enquanto manifestavam o seu espanto ao serem informadas que, afinal, “a OTA não era nos Açores”.
Ao meu lado, sem qualquer interesse no debate, alguns jovens (bem vestidinhos e pentiaditos) iam fazendo as suas contas e discutindo (em voz alta) diversos cenários à volta de uma listagem da “concelhia”(?) de Gondomar do PSD.
No espaço destinado a questões colocadas pelo “público” o nível continuou a descer:
Primeiro algumas questões pré-escritas, primaríssimas (para cujas respostas bastaria ter estado atentos ás apresentações anteriormente efectuadas sobre a OTA e o TGV) e colocadas de forma que apenas posso classificar como “boçal” pelo tom utilizado, que pretendia transmitir à audiência que, perante nós, estavam os culpados pelo “nosso” atraso, apresentadas por alguns anónimos (dos quais tenho que salientar os “blasfemos” CAA e LR).
Alguns deputados, creio que três, dos quais apenas reconheci Renato Sampaio, não sei o nome ou a partido dos outros, resolveram entrar na festa e transformar em comício partidário aquilo que tinha sido apresentado como debate.
Não sei como ainda pode haver quem defenda esta forma de “democracia” que permite que sejamos “representados” por exemplares como estes.
Não sei como se estariam a sentir Braga da Cruz (e outros (?)) ao assistir a estes comportamentos dos seus “pares”.
O que sei, é que seria mais do que conveniente que alguém lembrasse aos senhores deputados que, quando vão estar fora de casa, após o jantar, essa refeição deverá ser acompanhada com sumos, cola, chá ou, simplesmente, água.
De realçar a observação do moderador quando questionou um deles “P****, então eles na Assembleia da República não vos deixam falar ?????”
Para tentar salvar, o que ainda se podia salvar, valeu Oliveira Marques ao apresentar algumas questões concretas e pertinentes e ao avançar com sugestões de medidas bem pensadas e que podem, se acompanhadas pelos poderes locais (atenção Avelino) e postas em prática em cooperação (e não concorrência ou confrontação) ser importantes para o desenvolvimento da região.
A noite ia avançada, os discursos (em vez de questões) sucediam-se e assim retirei-me, sem ter colocado aos detractores destes projectos de investimento, a questão que gostaria de ter colocado:
Qual é a Alternativa que recomendam (se é que alguma recomendam)?
António Moreira
* Foi esclarecido, “en passant” pelo administrador da RAVE, Alberto Ribeiro, que o fax da RAVE , que tão grande indignação provocou ao senhor presidente da JMP mais não era que uma proposta de reunião para esse mesmo dia (17/02/06) aproveitando a sua presença no Porto, já agendada para o debate do Ateneu…
Talvez seja conveniente então, que numa próxima vez, passando a publicidade "alguém lhe explique como se ele fosse muito muito burro"
domingo, fevereiro 19, 2006
Em quem votar?
O senhor bem sabe que eu leio muito o seu jornal. O meu homem, que todos os dias vai ali pelo café, até diz que num há jornal como este, que vem lá tudo, tudo.
Ele agora quando vem do café, depois de ver as folhas do fim, com aquelas catraias todas descascadas, trás na ideia as coisas malcriadas e num me dá descanso. Ai senhor, e eu cu a minha siatica já num estou práquilo.
Ó senhor doutor, o que queria saber, era mesmo por quem votar lá no partido. O óme diz que é no mesmo, no senhor inginheiro que tem sido tão bão cua gente e que até fomos uma vez no passeio. Diz que foi ele que nos ajudou o rapaz, quando andava aflito, sem ganhar nada nem nada. Mas ó senhor doutor, eu acho que o meu ome, cu isto das raparigas já num anda bão. Porque a piquena, a minha mais nova, diz que num há nenhum inginheiro, que são os dois arquitectos e um até num é de se deitar fora.
Ah! Eu gostava muito era daquele alto que está sempre aos beijinhos e que até chegou a andar na câmara, aquele dos foguetes, coitado do moço. Mas aquilo é que era ome bão, sempre a rir lá no alto, aquilo é que era ome bão. Qué dele?
O meu ome, prontos, é muito das coisas do partido, do senhor inginheiro e assim. Mas isto era preciso era gente nova, pra fazer aquelas coisas todas e assim desta gente que fala bonito que até encanta a gente.
O senhor doutor podia era dizer à gente por quem botar. Assim um que fizesse as obras ali na rua que aquilo até é uma pouca vergonha. Aquele do capachino inda chegou a mandar ai uns homens, uns malcriados, sempre a meterem-se com a piquena que o meu até teve que lá ir. Levou ali porrada de meia noite e quem o safou foi aquele que tambem é do partido que dá consulta no hospital e que foi muito bão com a gente. Mas eu num sei, senhor presidente, aquilo para doutor está bem, mas prá politica, nem se vê nada. Promete mais isto, e mais aquilo e a gente cá na rua num vê nada. Inda da ultima vez, para botar, lá estava ele, a falar, a falar, xiii………….., o que aquilo falava..
E estava lá outro que até me pediu para botar pela Adozinda, que coitadinha tá na cama e num sai de lá. Aquilo é que é uma desgraça desde que óme dela se foi. E num é só na casa dela, porque ele tinha muitos cartões, muitos, muitos. O meu óme disse para eu ir, que até parecia mal e que o senhor era sempre tão bão, e importante também.
Mas eu tou mais pra votar no outro, sei lá num gosto de comida requentada, e já tenho dito aqui ao patrão que quanto mais me mandam para um sítio, mas me apetece ir para o outro…
Ass. Dona Serafina
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Insistência
Declaração de amor...

Nada tenho contra Sá Carneiro (aliás nunca votei em nenhum partido que fosse liderado por outro) mas não sou capaz de chamar Praça Francisco Sá Carneiro ao espaço que, de “Jardim das Antas” passou a “praça Velásquez” durante a minha mais tenra meninice.
Guardo a este espaço um carinho muito especial, pois, criança urbana de primeira geração, pai de Guimarães, mãe de Amarante, mas nascido em Miragaia (hospital de Stº António) e morando num andar dum prédio desde a idade de 9 anos tinha, como grande espaço para brincar, justamente, a Praça Velásquez.
Era a praça Velásquez que atravessava, em direcção à, magnífica, Av. dos Combatentes, quando me dirigia para a Escola Primária nº 37, em Costa Cabral
Era na Praça Velásquez que jogava à bola com a malta das Antas, foi na Praça Velásquez que aprendi a andar de bicicleta e onde acabei por estragar a bicicleta do meu irmão mais velho (pois que uma bicicleta para dois dava muito bem).
Foi na Praça Velásquez que me comecei a aperceber que, afinal, as meninas não eram todas chatas…
Era também a praça Velásquez que atravessava para ir às aulas de catequese e para ir à missa aos domingos na igreja das Antas, algo cujo fim, felizmente, fui capaz de impor mal fiz a “comunhão solene”, aos dez anos, mas continuei a atravessar para ir ás noites á "quermesse" comprar rifas ás meninas...
Assisti à construção do conjunto de prédios que rodeiam a praça, “inaugurei” os cafés Velásquez e Bom Dia, que frequentei (fundamentalmente o Velásquez) durante mais de 30 anos e onde ainda regresso com saudade.
Atravessei a praça Velásquez, mais tarde, diariamente a caminho do Liceu António Nobre, que “inaugurei” em 1972, tendo prontamente abandonado o “Alexandre” por troca com este liceu novo, depois do Garcia de Orta, finalmente abria outro liceu misto.
Assisti, na praça Velásquez, a muitos momentos de euforia, e outros tantos de desânimo, consoante as sortes tivessem sorrido, ou não, aos Andrades, promovidos a Dragões.
Assisti, na praça Velásquez, a vários finais e inícios de etapas do saudoso rallie Tap (então era assim que se chamava), e era no café Velásquez que nos juntávamos, após assistir aos Grandes Prémios de Fórmula Um, na televisão, e os discutíamos à exaustão.
Era no café Velásquez que reencontrávamos os amigos mais velhos regressados da guerra, do “ultramar”.
Era na praça Velásquez, junto aos carros, estacionados no lado do jardim que ouvíamos a BBC internacional, para saber o que se passava em Portugal.
Foi no Café Velásquez que me sentei, com amigos e desconhecidos, a tentar perceber o que se passava, enquanto olhávamos a rua Monte Aventino tentando adivinhar quando saía a Guarda…
Ao longo dos anos que se seguiram foi sempre na praça Velásquez, sempre no café Velásquez, que tudo era discutido, que tudo era decidido.
Diversos partidos, ao longo desses anos fizeram grandes comícios na praça Velásquez, e da praça Velásquez saíram muitas acções quer do MDLP, quer da “rede bombista”.
É verdade que, à volta da praça Velásquez andavam os Ferreira Torres (o verdadeiro não o irmão Avelino), os Mota Freitas, os Miguel Macedo, os Ramiro Moreira, mas também é verdade que muito mais gente de bem (como os meus pais, por exemplo) fazia daquela praça o centro das vidas, nas suas idas ao café, ao banco, ao supermercado…
Para tanta gente a praça Velásquez era (e continua a ser) o centro das suas vidas, do seu dia a dia.
Mas, na praça Velásquez confluem três grandes freguesias da cidade do Porto, Campanha, Bonfim e Paranhos. e, um dia vi algo ali que nunca tinha antes visto...
Não é que, um qualquer imbecil, só porque foi eleito, pelo partido, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, resolveu autorizar que montassem uma feira popular (com farturas, carroceis, carrinhos de choque e pista de gelo) em plena praça Velásquez!!!
Eu não sabia que isto era assim, que isto podia ser assim sem consultar as pessoas, sem pedir autorização aos donos do espaço, aos cidadãos que lá vivem.
E, pelos vistos é desta, a tal acção cultural que a CMP nos prometeu…
Copy+Paste do JN
Um túnel sinuoso
Olha-se para os desenhos publicados e aquilo parece tudo menos uma solução
"A verdade é que, política e tecnicamente, o que para ali aparentemente se propõe, não faz sentido!"
Porque a vida pública está cada vez mais inquinada com a pequena política, que continua assente muito mais em questiúnculas pessoais do que em ideias e projectos, importa reafirmar algumas das condições básicas para que se possa dizer que em Portugal ainda se vive uma democracia em que os cidadãos exercem, sem constrangimentos nem tutelas, os seus próprios direitos como, por exemplo, o da livre expressão da opinião.
Há, no entanto, outros direitos e outros deveres, tais como o de participar, o de informar e o de ser informado bem como o de recorrer das decisões que considere nocivas para o interesse colectivo que é, igualmente importante, assegurar.
Evidentemente que todos estes direitos e deveres só fazem sentido se lhes corresponder o direito a não ser perseguido nem de qualquer modo condicionado, pessoal, profissional ou politicamente, pelo seu exercício.
Vem tudo isto a propósito - quem diria! - do famigerado "Túnel de Ceuta" e mais precisamente a propósito do desfecho da contenda mediática em que o mesmo se viu envolvido, entre instituições do Estado que tinham outras obrigações!
A questão é que, olhando para a "coisa" que, recentemente, veio publicada na Imprensa como sendo a miraculosa "solução" consensual para uma questão que era simples e, não se sabe bem porquê, foi transformada em questão complicada, fica-se com a sensação de que vivemos em mundos tão diferentes que nem sequer se tocam, ainda que ao de leve.
Sendo um facto que o comum dos cidadãos só conhece o que veio nos jornais, a verdade, porém, é que se olha para os desenhos publicados e "aquilo" parece tudo menos uma "solução"!
De facto, olha-se e quase não se acredita!
Diria mesmo que se me pedissem um catálogo do que, a meu ver - ali ou em qualquer outra situação idêntica -, não devia, nunca, ser feito, teria a maior dificuldade em ir tão longe quanto, aparentemente, ali se vai.
Mas, tão preocupante como a falta de sentido e lógica da dita "solução", são as gélidas palavras de circunstância que "saúdam" o coelho tirado da cartola, ainda que se fique sem se saber de que cartola é que ele saiu!
Ler o resto aqui
A opinião clara e desasombrada de quem sabe do que fala (e de como "elas" se fazem).
António Moreira
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
A Europa de cócoras!
No seguimento dos muitos sinais e contributos que colocam a Europa de cócoras, cá está mais UM, desta vez da mesma de sempre, Ana Gomes.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Operação Pública de Aniquilação
Belmiro põe a hipótese de proceder a reestruturações e alienar parte dos activos que pretende adquirir, mas nunca a TMN.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Ministra elogia solução para o túnel

No JN:
"A ministra da Cultura considerou, ontem, a "conquista" de cinco metros de passeio junto ao Museu Soares dos Reis e o recuo de "alguns metros no túnel" como "vantagens" da solução final do túnel de Ceuta, no Porto.
Em declarações à agência Lusa à margem da exposição Arco, em Madrid, Isabel Pires de Lima mostrou-se "satisfeita" com a solução encontrada para o túnel de Ceuta, considerando que contempla "uma série de vantagens que não existiam na anterior".
"Foi muito bom para a cidade do Porto que se tenha resolvido este problema", disse.
"A solução responde às objecções levantadas pelo Ministério da Cultura e que se relacionavam com a salvaguarda do património móvel e imóvel", disse, sublinhando que a solução final encontrada para o túnel de Ceuta "ultrapassa os problemas mais graves que tinham que ser ultrapassados".
Para a ministra, o Museu Soares dos Reis "sai bastante bem com a solução encontrada", que "não passa por um tão grave atentado ao património".
Espaço junto ao museu"Há uma série de vantagens nesta solução que não existiam na anterior, designadamente, o grande espaço público frente ao museu, a conquista de um espaço de cinco metros de passeio e um recuo de alguns metros no túnel", concluiu Isabel Pires de Lima.
A polémica saída do túnel de Ceuta, no Porto, embargada por se encontrar na zona do protecção do Museu Soares dos Reis, vai manter-se no mesmo sítio, mas com limitação de velocidade (30 quilómetros/hora), foi anunciado anteontem.
O projecto "reformulado" da saída do túnel para a Rua D. Manuel II mantém-se distante do Museu Soares do Reis 78,3 metros, mas a rampa vai ficar mais inclinada de modo a permitir recuar os "muretes" (saliências das paredes do túnel.
O fim da polémica
A aprovação do projecto encerra uma polémica que começou no início de 2005 com o "chumbo", pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), da obra que a Empresa Municipal de Gestão de Obras Públicas (GOP) tinha já em execução no terreno sem a necessária aprovação prévia do instituto.
O túnel de Ceuta foi inaugurado em 29 de Julho de 2005 pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, mas apenas com uma saída junto ao Jardim do Carregal, dado que a outra, na Rua D. Manuel II, foi embargada pelo Ministério da Cultura."
(Sem mais comentários, a não ser que os meus amigos, militantes do PS, entendam que devem ter algo a dizer...)
António Moreira
domingo, fevereiro 12, 2006
Como ainda ando por aqui...
Mas este blogue tem sido o meu "espaço" de opinião e, portanto, tem servido para exprimir com frontalidade o pensamento dos seus autores, tal como neste caso servirá para algumas reflexões que entendo por bem partilhar. E se assim o faço é porque não receio as consequências da palavra e é para que compreendam que às vezes é mesmo necessário tomar certas atitudes. Esperando que elas ajudem a perceber melhor o que nos rodeia – e se calhar vos rodeia a vocês também.
O momento actual compeliu-me a aceitar um desafio no interior de um grande partido - o PS. Protagonizo, como todos sabem, uma candidatura ao Partido Socialista da cidade do Porto!
Espero que aqueles que acompanham a política, ainda que tangencialmente, e em especial os verdadeiros socialistas, estejam atentos ao desenrolar dos acontecimentos. Creio só ser possível imprimir novos rumos se partirmos de atitudes generosas e desprendidas. Ganha sempre quem tem menos a perder, é o que me ouvem dizer! Mas não parti para esta jornada convencido do seu resultado, nem sequer por achar que o objectivo final é só ganhar. E já agora sublinho o que entendo por "ganhar", no seu sentido "largo" que é o mais apropriado para o Porto. Ganhar é assumir as nossas convicções, pois aqui nesta cidade já há pouco para perder, porque já perdemos demais. Também, como não existe nada de politicamente visivel nos próximos tempos, considerei este momento como uma oportunidade de concretizar um projecto político, cuja construção merece ter tempo de maturação, que é essencial para nos conduzir a vitórias ulteriores. Mas sem esquecer que essas vitórias devem ser merecidas, que os seus proponentes sejam dignos da confiança dos eleitores enquanto seus representantes políticos, que o partido seja mais vitorioso que as suas figuras.
Espero por isso, que mesmo nas duvidas conscientes das nossas reflexões, vença sempre a esperança porque essa tem menos a perder do que os desânimos e as inspiradas desistências de "remar contra a maré".
É assim hoje, quando a cidade voltou à ladaínha habitual e passados 6 meses...! Nem qualquer dos gritantes problemas está resolvido e menos ainda se parece saber o que é feito da oposição dinâmica prometida a este presidente de Câmara.
Francisco Assis têm-se manifestado pouco, parece esperar com cuidado pelos embates internos do partido para iniciar o trabalho que se reclama há algum tempo. Manuel Pizarro, deputado, habitual número 2 de Assis, actual número 2 de Nuno Cardoso na concelhia, prepara-se provavelmente, para ser novamente número 2 de Orlando Gaspar na Concelhia do Porto. É, portanto, surpreendente que os elementos mais próximos de Assis, como Pizarro, Ana Maria Pereira, José Luís Catarino, Fernando Jesus, etc, estejam afincadamente a apoiar a candidatura de Orlando Gaspar. Como todos sabem, e se não sabem ficam a saber, Orlando Gaspar sempre apoiou o candidato ganhador à Federação. E também devem saber que na concelhia do Porto só existiram dois presidentes, Orlando Gaspar (12 ou 13 anos) e Nuno Cardoso (no ultimo triénio) que foi apoiado pelo primeiro.
Nuno Cardoso inibiu-se de qualquer candidatura, inibiu-se até de uma participação activa.
Narciso Miranda reclama que não há voz para o Porto, mas não diz se a voz será a sua, nem sequer que assuntos deveriam essa voz enfatizar.
Renato Sampaio, parece tomar a dianteira para a substituição de Assis na Federação, com apoio deste último. Em troca Assis terá de pagar a factura de apoiar a solução concelhia supostamente vencedora.
Efectivamente adivinham-se tempos difíceis, mas se tantas vezes a democracia já ofereceu resistência ao pratos pré-confeccionados, julgo que agora estamos perante a mesma situação. Será que não restam dúvidas de que a orgânica partidária funciona mesmo assim? Será mesmo?
Serei eu e os que me acompanham, apenas uns diletantes personagens secundários deste enredo? Ou será preciso esperar pelo fim para ver como acaba?
Para terminar gostaria que soubessem que continuo convencido que pode haver surpresa. No entanto, e se mais nada se pedisse, já nos poderiamos regozijar por vislumbrar que o fino tecido que aquele alfaiate aldrabão conseguiu impingir na corte a alguns, fez com que todos vissem que anda por aí muita gente nua!
Não fala em meu nome!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Freitas do Amaral
Quando da constituição deste governou, identifiquei dois clamorosos erros de “casting”:Uma primeira, de ordem ética, ou pelo menos de complexo “mulher de César”.
Uma outra, política, por a figura de Freitas do Amaral ter ficado gravada, ao menos na minha geração como a do "homem da direita", por excelência, por ter sido o fundador e dirigente máximo do partido mais “à direita” do nosso espectro político do pós revolução e também por ter sido, em 1986, o candidato presidencial da “direita”, nas primeiras eleições presidenciais, verdadeiramente livres (de militares) nesta nossa peculiar “democracia”.
Quase um ano já leva este governo no exercício de funções, e, se no que respeita a Campos e Cunha, a minha opinião não podia ter sido mais certeira, já quanto ao restante governo, donde a Freitas do Amaral também, o meu erro não poderia ter sido maior.
De facto, longe de se destacar pela negativa, Freitas do Amaral se fosse a aparecer como
“homem de direita” em nada destoaria do restante elenco.
Só se fosse pela sensatez, pela coragem e pela dignidade de que tem dado provas.
“A Direita "inteligente"
Apeteceu-me começar a semana com uma provo(c)tação:
Surpreende-me a falta de visão dos "órfãos da direita" que, na "blogosfera" e não só, se lamentam pela falta de uma casa para a "direita inteligente".
Então ainda não repararam que a "direita inteligente" está no PS ?
A "esquerda inteligente" é que está "sem abrigo".......”
António Moreira
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
DEMITA-SE SRª MINISTRA

Demita-se e denuncie o que se passou.
Aceitar agora a solução que a CMP apresentou desde o início, que nem o Governo PSD/CDS tinha aceite, demonstra que além de Rui Rio é também a Ministra da Cultura deste Governo PS que não tem qualquer respeito pela cidade, pelo património cultural e, particularmente pelo Museu Nacional de Soares dos Reis.
Este desfecho é de uma gravidade que exige respostas.
Só a Srª Ministra da Cultura (além do Sr. Primeiro Ministro, claro) as podem prestar.
Será que a sua dignidade tem preço?
António Moreira
PS - Saia agora o "Metro na Boavista"
A Candidatura

terça-feira, fevereiro 07, 2006
Pornoliberdade de expressão
Pessoalmente, acho essa exposição de extremo mau gosto e considero-a até ofensiva, nem precisando de citar situações específicas em que a localização dos estabelecimentos ou bancas poderia acrescentar mais algumas considerações ao simples “mau gosto”.
É claro que os comerciantes além do DIREITO, tem a LIBERDADE de expor o seu produto, e se aquilo se publica é porque se vende, por isso tem que haver quem venda...
(Gostaria aqui de deixar bem claro que estou longe, mas bem longe, de ser um qualquer tipo de moralista (verdadeiro ou falso) e que muito teria a confessar se fosse adepto de alguma religião que se dedicasse a tais práticas, não, não é disso que se trata, trata-se apenas de GOSTO, obviamente relativo, se bem que admita que, para outros, a questão até possa ser mais grave.)
Mas, repito, os comerciantes tem a LIBERDADE de proceder desta forma e não serei eu que os irei tentar, pela palavra, demover dessa prática, até porque há certas coisas que ou se é capaz de ver, sem ajuda, ou então não há ajuda que valha.
Agora tenho que reconhecer que me desgosta viver numa sociedade em que haja quem se sinta bem a ganhar a vida a publicar “daquilo”, em que haja comerciantes que não se importam de colaborar com esse comércio para ganhar mais uns tostõezitos e que não exista uma “pressão do mercado” que leve a que os comerciantes entendam que seria mais vantajoso, para a sua actividade global, demonstrar outro grau de respeito pelos seus clientes.
Será que isto significa que eu sou defensor da censura?
Ou será que entendo que a liberdade de expressão não é um dos valores fundamentais da nossa sociedade?
António Moreira
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Caricatura!! ...de quê?

Mas o que eu gostei mesmo foi de ouvir um senhor na TSF a dizer:
- Não devemoje confundir a repregentachão do chagrado com o chagrado em chi mêsgemo! O chagrado prechija da chátira!
Peregrinação!

A deslocação de Fátima a Fátima, desde Felgueiras, é uma delas!
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Já com algum atraso...

LINK para o post "os novos conservadores", no Abrupto de JPP.
E também para para os comentários dos leitores. O casamento homosexual debatido "à séria".
Mais do mesmo!
Vem agora o Branquinho, já anunciado sem ser referendado. O outro quer ser maior, disputar a nacional, mas o Seara também quer ganhar a capital.
Uns parecem ter nojo dos militantes (que só no Porto são 25.000, imagine-se), outros repulsa pelos dirigentes e pelos pára-quedistas como o Borges.
É quem mais se acotovela por aqueles lados. E ainda dizem que os partidos são todos iguais…
terça-feira, janeiro 31, 2006
Vale por uma sondagem...

“…Não te esqueças que o António Moreira não é militante do partido, nem tão pouco vota PS, por isso a opinião dele vale o que vale…”

Ficamos assim a saber uma de duas coisas:
Para o nosso “ilustre” comentador a minha opinião vale tanto como uma sondagem (com a vantagem de ser de graça), ou então, valerá menos que a sua apenas pelo facto de ele ser militante do partido e votar PS, o que, reconhecidamente, não é o meu caso.
De qualquer forma é de agradecer a certidão (apesar da sua proveniência)
Pois é, “há dias de manhã…”
segunda-feira, janeiro 30, 2006
A super cidade
Eu subscrevo a discussão!
sábado, janeiro 28, 2006
A apologia da Carne Assada
Pelos vistos no PSD a luta das directas já vai na comida e nos Jantares.
Na verdade o Marco António Costa antecipou as eleições e sabe do que fala, simplesmente foi redutor no Menu. Eu próprio, habitue de alguns repastos direi que está também muito em moda o arroz à valenciana; o arroz de Pato; Rojões sem ser à moda do Minho. Nas entradas rissóis rançosos, croquetes que eventualmente tem mais carne que pão, e aqui e ali um creme de legumes com bastante água. De sobremesa vem aqueles maravilhosos bolos de chantilly e de quando em vez somente uns eclaires para comer à mãozinha. Finalmente o sempre presente café, de saco, aguadito, qual carioca, às vezes sem o pacotito de açúcar.
Em geral estes jantares são pagos com 5 euros, ou então à borla com consequências negativas no menu.
Falta dizer que a seguir ao jantar podem encontrar qualquer um dos políticos nos seguintes restaurantes, a comer a sério, que eles são parvos às vezes, mas não são burros:
Galiza; Convívio; GambaMar e Capa Negra, de vez em quando na Cufra

sexta-feira, janeiro 27, 2006
Olha, Olha (Agora explicado) !!!!!
(Os interesses materiais estão sempre presentes nestas coisas. E tendem a tomar a dianteira, numa cruzada cega para o lucro. É certo que não é bonito, nem engrandece, mas há quem diga que dai vem o progresso...)
E se isto é verdade agora
Queremos dizer aos amigos
(E o que contar na chegada a Lisboa? Que há mais mar para além do mar? Ou que há terra para habitar? Promessas de um futuro da gloria, ou das tormentas a história?)
(No fundo, no fundo, sabemos que a história nos reserva um lugar entre os valorosos povos do mundo. Sabemos que depois da tempestade das grandes travessias chegará a primavera de todas as esperanças.)
Apanhado...

Meus queridos comentadores
Finalmente se fez luz
Quem a viu foi o Miguel
Quando me acenou com a cruz
Como de pé me mantive
O sacrista logo topou
Aqui há mão do tinhoso
Nem sequer se ajoelhou!!!
Já te topei Mafarrico
Andas feito com o Sonso
Roubaste o carro do Noddy
Esse é que é um grande tonto
Querias a Teresa e a Dina
Mas o Faísca também
E até mesmo os xadrezitos
Decerto sabiam bem
Digo-te eu, o Senhor Lei
Vade Retro Satanáz
À cidade dos Brinquedos
É que não mais voltarás.
António Moreira
Sobre Porto-Gaia
2. A cidade real do Porto já não é o Porto. O Mapa turístico do Porto não existe sem Gaia e já depende bastante de Matosinhos.
3. A vida quotidiana já não se faz sem interligar as cidades, repararam que a linha do Metro do Porto começou em Matosinhos. Alguém disse que não era o Metro do Porto, mas sim o de Matosinhos, Maia ou Gaia?
4. Como sabem, sou favorável a um novo desenho da cidade, pois acho que a área metropolitana não existe se não possuir uma cidade forte. Mas ela existe, só que chamam-lhe nomes diferentes e tem mais que um autarca a mandar.
5. A teoria da área metropolitana eleita é forte porque é a mesma ideia da grande cidade só que aumentada, mais na tradição das cidades americanas, herança do planeamento norte-americano do inicio do século XX. Frank Lloyd desenha a Broadacre city e escreve sobre a cidade do amanhã a pensar assim. A tradição europeia ( e eu gosto das tradições, porque elas são actuais, senão eram história e não tradição) é a das cidades, como sabem fruto da influencia das cidades estado.
6. Acho mesmo importante discutir o assunto, inclusive existirem eventos inter-partidários, porque não há duvida que é preciso fazer qualquer coisa e em breve. Para tal é sempre necessário uma comunhão de esforços à laia “Pacto de Regime”. Se tal se conseguisse era um feito e o inicio de um nova era na região.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Hoje, no PUBLICO
Abertura à Sociedade e ao debate em oposição à logica aparelhistica estrita;
Incentivo à adesão de novos militantes;
Reorganização de algumas das estruturas de base;
Reflexão profunda sobre o território e a cidade;
Respeito e apreciação sistemática da história do partido na transmissão de valores às novas gerações;
Promoção das estruturas partidárias como local privilegiado, mas não exclusivo, da realização do debate e do trabalho politico;
Contribuição permanente para a efectiva paridade de sexos na actividade politica;
Promover o PS Porto como um lugar de inclusão e de futuro;
e ainda mais, são compromissos do nosso amigo.
Quanto Porto é bom para o Porto
Que bom foi estar novamente numa “tertúlia” de discussão com Rui Moreira, Rio Fernandes e Rogério Gomes, e que falta vão fazendo mais iniciativas do género.
Fundamentalmente em discussão estava a ideia (peregrina?), retomada recentemente por Paulo Rangel, nas conferências da Católica, de avançar com a fusão entre os municípios do Porto e de Vila Nova de Gaia.
Confesso que não é tema que me provocasse grandes entusiasmos, não que entendesse que daí viesse um maior mal ao mundo, mas também por me parecer pouco provável que alguma panaceia milagrosa pudesse germinar de tal casamento.
Sempre considerei que uma sociedade medíocre, dirigida por uma “elite” de medíocres dirigentes partidários, que vão penando na província apenas por não terem conseguido assegurar um qualquer cargo “nacional” (donde, necessariamente, na capital), e sufragada, bovinamente, por uma sociedade local amorfa, não se regenera e levanta pujante de energia por mera acção de uma putativa união que lhe confira estatura e dimensão metropolitana.
Basicamente, Rui Moreira defendia a ideia que a forma era importante, ou seja de que ao avançar com um casamento de papel passado entre o Porto e Gaia, talvez também com Matosinhos, se ia o (novo) município apresentar “à sociedade” com uma força que não teria sem essa formalização.
A excelente capacidade de argumentação de Rui Moreira convenceu-me das vantagens deste modelo.
Já Rio Fernandes defendia que, mais importante do que a forma era a função, ou seja que mesmo não havendo qualquer fusão era já possível e desejável que se implementasse uma cooperação intermunicipal adequada, em diversos domínios específicos, com transferência de competências e meios dos municípios para eventuais “autoridades pluri-municipais” a criar, por acordo, para o efeito.
A, também excelente, capacidade de argumentação de Rio Fernandes, convenceu-me, também, das vantagens do modelo por si apresentado.
Ou seja, conclui que ambos tinham razão e que as ideias que defendiam podiam, sem grandes dramas, ser harmonizadas.
Da mesma forma que é possível (e desejável (?)) experimentar em “união de facto” antes de avançar para a formalização de um casamento.
No entanto, após uma boa noite de sono, continuo, como antes, convencido que a coisa não tem pés para andar.
As pessoas, pois o problema está nas pessoas, não são diferentes se o seu território estiver FORMALMENTE organizado desta ou daquela maneira.
As pessoas, pois o problema está nas pessoas, se não viram o interesse ou não foram capazes de se organizar em “união de facto” até aqui, porque raio é que vão ver esse interesse agora ou passar agora a ser capazes de assumir um compromisso de partilha?
Porque esta é a altura propícia, dado virem aí três anos sem eleições, foi um dos argumentos ouvidos.
Será que os dirigentes locais dos partidos vão, por isso, passar a pensar pelas suas cabeças sem antes perguntar às direcções partidárias o que devem pensar?
Será que as direcções partidárias vão analisar o problema e as possíveis soluções à luz dos interesses do país, das cidades e das populações ou à luz dos seus interesses partidários?
Será que as direcções partidárias vão analisar o problema “de per si” ou será que as suas posições vão ser condicionadas pelas posições dos outros (assim como foi com a Regionalização) tipo se o PS for a favor, o PSD e o CDS tem que ser contra e vice-versa?
Enfim, será que com os actuais presidentes das câmaras do Porto e de Gaia, alguém acredita que isto sequer se discuta? (deixo aos leitores com mais imaginação as fantasias quanto ao tipo de discussões que isso iria dar..).
Em resumo e acima de tudo:
O importante é que se vá discutindo
O importante é que pessoas de boa vontade se vão juntando para analisar e procurar soluções para os problemas que são de todos.
Desta vez foi iniciativa da JP e quase não vi lá ninguém (tirando uns dois ou três) que não estivesse ligado ao CDS/PP.
Poderiam e deveriam (ao menos para isso sirvam os tais três anos sem eleições) realizar-se debates e tertúlias regulares, com organização conjunta dos diversos partidos (mas sem claques) ou por iniciativa de algum jornal (ou da ACP) mas convidados de todos os partidos (e não só) para se começarem a debater seriamente os assuntos da cidade e da política em geral.
Ou se calhar
Nem vale a pena.
António Moreira
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Sabia que o voto desta "senhora"...

19/01/06 – As Sondagens e as eleições
12/12/05 – Mas…, Quem escolhe é este, Ou mesmo este; Este…;Quem sabe se este…;Também pode ser este; Este homem pode ser o próximo presidente da república
e, principalmente:
05/12/05 – Demolimos?
Aliás, deste último, gostaria de recuperar algumas questões, que ninguém achou interessante aflorar:
Não servia o Presidente da Assembleia da República?
Qual é a diferença entre o estado e um condomínio?
E entre família e condomínio?
Por isso, porque ninguém ainda respondeu ou mostrou ter interesse em sequer discutir estas questões, também não admito que me venham com alusões a “mau perder”.
Claro que sim, acho até que foi uma derrota para todos os portugueses.
Ou seja, limitei-me a relatar o óbvio, como, antes, tinha já previsto o mais que óbvio.
Então, porque é que o óbvio, a verdade factual, gera tanta agitação, tanta raiva, reacções tão violentas?
Mas, por agora, gostaria de ouvir outras.
Porque acho que é importante discutir, debater, pôr em causa, questionar.
Acima de tudo porque é importante pensar.
terça-feira, janeiro 24, 2006
N”A Baixa do Porto”

Está anunciado o debate «Quanto Porto é bom para o Porto?»
“O debate terá como oradores Dr. Rui Moreira e Professor José Rio Fernandes, sendo moderador o Dr. Rogério Gomes.Após o debate inicial haverá um período de tempo destinado à participação do público, para o qual foram convidadas várias personalidades da vida da cidade e da região, entre políticos e demais intervenientes da sociedade civil.”
Penso que o assunto a debate terá interesse para muitos dos que aqui escrevem ou nos visitam.
A organização é da responsabilidade da direcção distrital da Juventude Popular.
Parece-me uma iniciativa muito interessante e um excelente exemplo do que os partidos devem fazer se pretendem criar laços mais profundos com a “sociedade civil” e, realmente, ouvir o que pensam os “de fora”.
A candidatura de Francisco Assis, à Câmara do Porto, deu alguns passos (tímidos) nesta direcção, garantindo que era para continuar, mas, depois das eleições, nada.
Teremos que esperar por uma nova direcção distrital ou concelhia do PS para assistir a essa mudança?
Eu tenciono estar presente neste debate, mais alguém aparece?
António Moreira
segunda-feira, janeiro 23, 2006
SOBRE A NOVA CIRCUNVALAÇÃO
Vem isto a propósito da noticia em que 3 arquitectos são convidados para desenhar a circunvalação. Com base em que critério é que se substitui um concurso por um encargo directo? Vivemos num lugar que às vezes nem parece europeu! Então um projecto desta dimensão não ganhava com a enorme divulgação e interesse que um concurso lhe dava? Então as publicações e os jornais não fariam uma discussão bem mais profícua? Então a receita não resultou bem na Expo 98? Fizeram-se primeiro concurso de ideias, seleccionaram-se os trabalhos que o Jurí achou melhor e só depois vieram os planos de pormenor.
Aqui não: gastam uns cobres a pagar um projecto enorme a uma equipa e depois é que se vai discutir, provavelmente embargar – enfim, o que se sabe e o que se espera.
POR ISSO, CREIO QUE O TEMA MERECE PASSAR A SER UMA MICRO OU MACRO-CAUSA PORTUENSE:
SOBRE O NOVO DESENHO URBANA DA ESTRADA NACIONAL Nº 9, PODEM, POR FAVOR, DIVULGAR COMO SE JUSTIFICA A AUSÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO NUM PROJECTO DESTA DIMENSÃO?
Com que base jurídica se defende uma decisão destas? O que pensa a Secção Regional da Ordem dos Arquitectos?
re-post
Creio que os tempos que virão serão de uma muito maior participação pública e por inerência nos partidos. É que se esgotaram as figuras que possam com a sua liderança disfarçar a necessidade de apresentar novos projectos, da direita à esquerda, onde tanto Ribeiro e Castro como Jerónimo são lideres sem chama, passando pelo apagado Mendes e pelo já muito desgastado Louçã.
Sócrates não tem adversários ao seu nível, nem tanto pelo patamar de elevação política que atingiu, mas sim pelo desfazamento existente nos outros partidos. É por essa razão quem nem sequer perdeu as autárquicas e seja qual for o resultado não perderá as presidenciais."
domingo, janeiro 22, 2006
Pirro
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Pensem bem
Cavaco poderia estar um ano a percorrer o País que não convence, a não ser os incautos, que tem perfil para o lugar. Não se lhe ouviu nada de verdadeiramente interessante.
Alegre foi oportunista, disse o que não pensa e fez de conta que nunca foi fundador, dirigente e político de um partido durante os últimos 30 anos.
Soares merece o meu voto, e merece que vos peça para votar nele!
A escolha da Constança

N"O Espectro"
A não perder, este "naco" de prosa.
"....Cavaco Silva é o homem certo para o lugar certo – exactamente porque não é um político. Educado no esforço e na disciplina, Cavaco Silva representa o mérito, o sucesso e a ascensão a que qualquer português pode aspirar na vida.
Cavaco Silva é o português novo que fazia parte da mitologia do cavaquismo.
O português que quer vencer e que não se resigna.
O português que todos querem ser, trinta anos depois do 25 de Abril..."
(ler o resto)
Como escrevi na sua caixa de comentários:
"António Ferro não diria melhor, aliás, provavelmente terá dito algo muito semelhante mas referindo-se a um outro, não Aníbal mas, como eu, António."
António Moreira
quinta-feira, janeiro 19, 2006
As sondagens e as eleições

Os politicos e as políticas
Com o aproximar inexorável do momento da VERDADE, sim do momento em que, verdadeiramente, os eleitores que o pretendam irão, nas urnas reais, depositar os seus votos válidos para a eleição do próximo presidente da república, começam a vir ao de cima alguns tiques de maior nervosismo e algumas máscaras, formalmente, democráticas começam a resvalar.
Vem isto a propósito, naturalmente, da forma como alguns candidatos, e, por arrastamento, algumas “entourages” tem reagido à evolução dos resultados das sondagens que vão sendo divulgadas e até, pasme-se, às que estão ainda por divulgar.
Como seria de esperar o nervosismo é mais vincado nas hostes do candidato que, as mesmas ou outras, sondagens, já tinham entronizado como vencedor destacado, Cavaco Silva, que agora começam a recear o ter que se bater numa segunda volta, ou seja partir para a segunda volta com uma derrota à partida, e nas hostes de Manuel Alegre que, apesar de as sondagens continuarem a apresentar como um muito provável segundo colocado, ou seja, como o vencedor das “primárias da esquerda”, parece “adivinhar” outras sondagens que estarão quase a aparecer (amanhã, claro).
Ora este comportamento dos candidatos e dos que os apoiam é sintomático para se perceber o conceito de democracia em que concorrem, em que se apresentam, em que, quiçá, acreditam.
Acreditam então que é tão grande o condicionamento gerado pela divulgação dos resultados de sondagens que poderá fazer variar o sentido do voto de uma parte significativa de eleitores.
Acreditam que é tão grande que poderá, por entusiasmo ou por desânimo, fazer variar significativamente os valores da abstenção e, fundamentalmente, a composição do universo dos eleitores abstencionistas.
Acreditam que é tão grande o condicionamento gerado pela divulgação dos resultados de sondagens que até acreditam piamente que tal influência é superior à que os próprios e as suas equipas conseguem por via da divulgação de programas e projectos, de biografias, de apoios.
Acreditam que mais importante que os debates, que os comícios, que as “arruadas” (quem é que terá inventado esta?), que os tempos de antena, o “porta a porta, as entrevistas e as visitas a mercados, é conseguir, de qualquer forma, que os resultados apresentados nas sondagens sejam aqueles que, em seu entender, melhor consigam condicionar os eleitores, no sentido que lhes pareça mais vantajoso.
Ora, a mensagem que esses candidatos estão a transmitir é a de que entendem que os eleitores são uns papalvos, uns mentecaptos, que, em vez de votar por ideologias, por convicções, por razões ou por simpatias, votam porque são manipuláveis e manipulados, votam de acordo com a vontade de quem for mais hábil, mais competente a condicionar as suas vontades.
Esses candidatos demonstram um gigantesco desprezo pelos cidadãos eleitores, mas, ainda assim, querem o seu voto e são capazes de tudo (desde que ninguém os veja com as calças abaixo dos joelhos), para o conseguir.
Não são capazes, ou não querem, ver que, afinal, quem condiciona é quem manda, quem condiciona é quem publica, quem divulga, quem dá destaque e quem comenta, quem “ajuda” a interpretar, quem guia os “cegos”.
Mas “eles” também não vêem, o seu ego imenso não deixa ver mais nada…
Está a chegar o tempo de em vez de políticos, se pensar em votar políticas.
António Moreira
quarta-feira, janeiro 18, 2006
o franco atirador: Os portugueses (retratos-rob�): Armindo.
Um cheirinho:
"Um metro e setenta, oitenta e três quilos, quarenta e oito anos, bacharelato em económicas, casado, um filho de desanove e uma filha de vinte e quatro anos, apartamento de cinco divisões em Benfica, BMW Série 3, segunda casa perto de Leiria. Armindo é sócio do SLB e frequentador do café “Arabesco”. Há um grupo de amigos no bairro, com quem vai ocasionalmente ao futebol. A mulher é professora primária, os filhos estudam arquitectura e comunicação social.
...."
Vale a pena ler o resto
António Moreira







