quinta-feira, março 02, 2006

Já que a ministra não tem vergonha nem dignidade…

Ao menos que haja quem, apesar de tudo, demonstre ainda prezar a sua dignidade, no caso, a direcção do IPPAR/Porto.

Após a anterior direcção do IPPAR cujo presidente, Arq.º João Rodeia, tinha gerido com superior elevação a triste novela do “Túnel de Ceuta, ter sido substituída, com a nomeação de um “funcionário” do PS, Dr. Elísio Sumavielle, foi agora a vez da direcção regional do IPPAR-Porto, apresentar a sua demissão em bloco.
De acordo com esta notícia da Rádio Renascença, (de que tivemos conhecimento via “A Baixa do Porto”), para além do seu presidente, Lino Tavares Dias, o pedido de demissão foi subscrito pelos técnicos Miguel Rodrigues (responsável pela salvaguarda do património) e Margarida Lencastre (responsável pelas obras).

A razão para esta atitude não poderia ser outra que não a forma vergonhosa, que já aqui denunciamos, com que a tutela, na pessoa da ministra da cultura, mas com responsabilidades claras do primeiro-ministro José Sócrates, terá negociado a cedência dos legítimos interesses da Cultura, do Património e da Cidade do Porto, aos mesquinhos interesses propagandísticos do ridículo presidente da câmara que, tristemente, os “parolos votantes” meus concidadãos, resolveram eleger, no caso que se tornou conhecido por “Túnel de Ceuta”.

Espero que, um dia, venhamos a ter o direito de conhecer os contornos deste negócio.

Espero, acima de tudo, que estas situações vão contribuindo para ir abrindo os olhos aos que, mesmo que desatentos e desinformados mas, ainda assim, interessados na forma como se vai fazendo a gestão (?) da “coisa pública” e defensores da decência nos comportamentos de todos mas, fundamentalmente, daqueles a quem confiaram a responsabilidade para decidir sobre o que é de TODOS, vem sofrendo os desmandos “desta gente”.

Amigos socialistas

Vai sendo tempo de começarem a exigir, aos vossos dirigentes, que demonstrem respeito, ao menos pelos militantes, já que, quer por si próprios, quer pelos cidadãos, está visto que o respeito é nenhum.

Não se admirem assim que não haja cidadão que os respeite.
António Moreira

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Parecer técnico e decisão política

A propósito da reabertura da discussão sobre a co-incineração António Vitorino tocou num aspecto fundamental da cooperação dos cientistas e políticos na tomada de decisão. Sou, sem qualquer dúvida, a favor da tomada de decisão baseada no conhecimento, na discussão plena, na audição de prós e contras de uma escolha. Só assim é possível minimizar erros nas escolhas. No entanto, concordo que a tomada da decisão final cabe apenas aos políticos. Eles são escolhidos e pagos, para decidirem que politica vão ter depois de compilarem todo o conhecimento acumulado. Sim, a decisão política deve ser apenas deles! Este é o risco que têm que correr na tomada de decisão. Risco que acarreta mais tarde estarem sujeitos e com vontade de prestar contas. Nessa altura não devem nem podem esconder-se nos pareceres, nos relatórios das comissões cientificas. Os políticos têm essa capacidade de decidir e têm que se responsabilizar pelas suas tomadas de decisão, por isso são políticos.
Os cientistas são técnicos e têm que sê-lo muito bem e os políticos são decisores e também têm que sê-lo muito bem. Esta cooperação é virtuosa e deve ser fomentada, mas nada de troca de cadeiras.
Muito bem António Vitorino.
Raquel Seruca

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ora aqui está!

Uma prova cabal e inequivoca do que muitos, incluindo eu próprio, vinhamos dizendo a respeito da mediocre intervenção na Avenida dos Aliados. O problema da solução nunca foi a calçada, nem as arvores, nem coisa nenhuma do que se andava para ai a reclamar como grandes maravilhas da paisagem urbana do Porto. O problema da solução foi e é a mediocridade da mesma.

Pulido Valente propôs ESTA solução em tempos



Que está a funcionar, não como solução, mas como esquema provisório por causa das obras, em pleno e sem problemas.
Imagine-se portanto o que podia ter sido ganho com um bom concurso de ideias em que todas as vertentes de um projecto urbanistico poderiam ter sido exploradas.
Mas o melhor é ler o texto do proprio n' A Baixa do Porto

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Quem vê caras…

Começa assim um ditado popular, que continua … "não vê corações".

Ora eu não sei se se vê “corações” ou não, o que sei é que a primeira impressão, em geral, é criada pala visão de um rosto e que “não há uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão”.

Esta introdução a propósito da “carinha laroca” que reproduzo acima, retirada desta notícia do JN de hoje, e que mais não é o exemplo do que me transmite a generalidade das “carinhas larocas” que a TV nos faz entrar pela casa dentro, quando as suas câmaras vagueiam pelas bancadas da Assembleia da República…

É “nisto” que vocês votam?

António Moreira


A notícia do JN:
Deputado do PSD apanhado a mais de 200 km/hora
Ricardo Almeida pediu ao Governo Civil de Coimbra para não lhe apreender a carta
Do currículo do "acelera" constam quase duas dezenas de multas, quase todas arquivadas

Um deputado do PSD, eleito pelo círculo do Porto, foi interceptado na auto-estrada, na zona de Coimbra, a circular a mais de 200 quilómetros por hora. O auto está no Governo Civil de Coimbra, ao qual Ricardo Almeida, de 31 anos, fez um pedido especial no sentido de lhe ser perdoada a apreensão da carta de condução. O problema é o historial de infracções graves e muito graves do político, que já foi autuado quase duas dezenas de vezes. Em quase todas teve a "sorte" de ver os processos arquivados ... Ler o resto"

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Emprego / Desemprego

Ontem, via Prós & Contras fiquei a saber algo muito interessante, que não sabia, mas que devia saber, porque faz toda a diferença.Que os números alarmantes do desemprego não correspondem a menos emprego. Isto é, que o emprego em Portugal não está a diminuir.

Perplexidades


Um post sobre um simples debate focando os requentados assuntos OTA e TGV (ou vice versa) já vai em 44 comentários (creio ser um recorde no SEDE).

Um post sobre uma gravissima acusação de corrupção, feita por um vereador da CML, ex-candidato a presidente da CM Lisboa, e por seu irmão, um mediatico advogado, ex Secretário de Estado de um governo do PS, não consegue descolar dos quatro comentários, mesmo após num deles ter sido referido que o visado pela acusação de corrupção, Domingos Névoa, já constituido arguido, era militante do PS...

De igual forma, este caso é quase que ignorado pela generalidade dos "blogs" e não se pode dizer que a comunicação social se tenha empenhado na sua divulgação...

É só a mim que isto parece estranho?

António Moreira

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Desisto!

Gostava de ir logo ao debate, mas não vai dar. Esta virose tomou conta de mim e não consigo mais do que ficar prostrado em frente à televisão.
Vejo um senhora a fazer um apelo; para que as pessoas não levem telemóvel para a capelinha das aparições, em Fátima.
Diz que é uma falta de civismo enorme.
O publico bate palmas.
Aparentemente o som do telemóvel perturba a oração da senhora.
O publico bate outra vez palmas.
O apresentador do programa diz que também há quem leve telemóveis para o cinema, o que devia ser proibido.
O publico bate palmas, desta vez com mais força. Talvez por afecto para com o apresentador.
A senhora diz que também tem um cão e que até dorme na cama com ele, mas que não leva o cão para a missa, que acha uma falta de respeito.
O publico bate mais palmas.
A senhora está agora a cantar. Qualquer coisa como “a estrada que seguimos, o caminho que escolhemos”. Fala de uma força que a faz andar.
Também está lá um padre. Agora, enquanto a senhora canta o padre baba-se, deleitado.
Infelizmente a câmara mostra mais é uma rapariga loira, engraçada, que abana a cabeça com se estivesse a dançar.
O publico agora bate palmas. O programa termina.
Talvez seja melhor assim. Pensando bem, também deve ser desagradável o som do telemóvel no meio do debate. E no fundo, este programa também é como um debate.
Depois haverá quem conte como foi.

Das virtudes da concorrência

imagem Dias dos Reis

Não querendo entrar nas discussões, sempre estéreis, dos assuntos da fé, não posso deixar de achar graça quando uma fé (religiosa) desmonta os dogmas de outra fé (a do mercado).

Então não é que, no passado sábado, dos quatro sinais de TV, em canal aberto, três estiveram horas infinitas a transmitir exactamente a mesma coisa, ou seja o lúgubre espectáculo do transporte de um cadáver de uma para outra sepultura?

Eu até admito que, infelizmente, exista audiência para um espectáculo daqueles, o que creio é que seria mais que suficiente a transmissão do mesmo apenas num dos canais e que, caso o mercado funcionasse eficazmente, seria de esperar que os outros canais aproveitassem a oportunidade para captar a atenção dos restantes clientes de televisão, os quais não devem ser em número inferior ao dos que gostam de ver “aquilo”, e o seu “target” até seria em certa medida mais fácil de identificar, tornando menos difícil a selecção da programação que captasse a sua atenção.

Afinal nada disso se verificava e, pasme-se, a única alternativa, em canal aberto, era a do segundo canal da televisão pública!!!!

Decerto não faltarão fiéis (de uma ou das duas fés) mais do que capazes de me apresentar justificações para estes factos bizarros, mas se em cinquenta anos não foram capazes de me apresentar um único argumento racional, não deve ser agora que…

António Moreira

Antes que esqueça...

Estranhamente (?) este assunto tem sido muito pouco falado, quer na comunicação social, quer na "blogosfera"...

Porque eu SEMPRE achei que, quando há denúncia de um crime existe SEMPRE um crime, seja o denunciado seja o crime de calúnia ou difamação, entendo que este assunto merece a mais ampla divulgação:

"Sá Fernandes denuncia tentativa de suborno


Vereador do BE acusa administrador da Bragaparques de lhe ter oferecido 200 mil euros para se calar .
Domingos Névoa já foi constituído arguido e pagou 150 mil euros de caução

Autarca garante que foi alvo de tentativa de corrupção

"A mim ninguém me compra".
Peremptório e indignado, o vereador eleito pelo BE na Câmara de Lisboa, reiterou ontem as acusações de tentativa de corrupção por parte do sócio e administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, que lhe terá oferecido 200 mil euros para que anulasse a acção que moveu em tribunal referente à hasta pública dos terrenos municipais da antiga Feira Popular.
Em visita ao bairro das Amendoeiras, em Chelas, José Sá Fernandes garantiu "que as provas são insofismáveis.
Está tudo gravado e documentado na Polícia Judiciária".

Continuar a ler no JN

António Moreira

A Qualidade...


E a falta dela
Cada vez estou mais convencido que uma das razões fundamentais para o estado miserável em que, desde a vertente social à económica, passando naturalmente pela política, mas que alastra a e se entranha em todos os aspectos da nossa sociedade e, por isso da nossa vida, como a educação, a saúde, a comunicação social, os transportes, todos os tipos de serviços, tem muito a ver com uma característica muito portuguesa de não exigir qualidade, não reclamar quando se é mal servido, não denunciar o que é mau, o que é falso, o que não presta.
(depois tem, isso sim, o salutar hábito de “dizer mal pelas costas” mas isso seria tema para um outro “post”)

Vem isto a propósito do debate efectuado, na passada sexta-feira, no Ateneu Comercial do Porto, cujo tema:

“A importância dos Grandes Projectos Estruturantes na afirmação da Área Metropolitana do Porto no contexto do Noroeste Peninsular e Nacional”,
foi, pronta e correctamente, traduzido em diversos jornais e blogs para “debate sobre a OTA e o TGV” ou "bla, bla, bla, na afirmação da Área Metropolitana do Porto, bla, bla, bla".

Como não sou jornalista, não tenho as competências necessárias para (nem a obrigação de) fazer aqui uma descrição factual do que lá vi e ouvi, mas apenas de relatar as impressões que guardei da ocasião.

O painel, de quatro (mais o moderador e o anfitrião) era constituído por dois grupos:

António Guilhermino Rodrigues (Presidente do Conselho de Administração da ANA/NAER) e Alberto José Castanho Ribeiro (Administrador da REFER/RAVE) que, claramente, estavam no evento com o objectivo de informar e colaborar para um melhor esclarecimento e para a formação de uma opinião fundamentada sobre factos.
Carlos Brito (Provedor do Cliente do STCP /subscritor da petição à AR) e Paulo Morais (Professor Universitário /subscritor da petição à AR), que, sem qualquer espaço para dúvidas, não estavam minimamente interessados em obter mais informação sobre os projectos ou as razões que os justificam ou fundamentam, mas apenas interessados em esgrimir argumentos da mais rasteira demagogia, com que alimentam os seus (e de outros) projectos de carreira, que passam, obviamente pelo aproveitamento de um (em certa medida desculpável) sentimento “anti Lisboa” que é criado e alimentado por gente desta.

Não irei, nem posso, relatar o que foi apresentado pelos intervenientes que representavam a ANA e a RAVE, posso apenas referir que fiquei com mais alguma informação do que a que tinha antes.

Posso também referir que ficou reforçada a opinião, que já tinha, de que, sendo legítimas eventuais questões quanto à oportunidade e à forma, da implementação destes projectos (cujo esclarecimento me satisfez) o combate cego que tem vindo a ser feito por parte de algumas forças quer partidárias, quer locais, é fruto de lamentável desconhecimento ou da defesa de outros interesses que não o interesse público mesmo que, apenas, local.

As personagens “locais” presentes:

Neste aspecto o evento foi mau demais.
Na mesa:
Carlos Brito, por quem aliás nunca nutri qualquer tipo de admiração, demonstrou que, ao contrário de que se passa com algumas excepções (como MS e DFA), as pessoas em geral não melhoram com a idade, muito pelo contrário (como tenho verificado em primeira pessoa).
Paulo Morais, que mais uma vez demonstrou não passar de uma pessoa e um político sem um mínimo de qualidade, rasteiro, demagogo e desonesto.

Na “plateia” (onde não estava Rui Rio*), o nível, no geral, não era muito superior, não podendo deixar de referir os comentários ouvidos a umas “senhoras” (?) que recordavam, com saudade, os tempos em que “não entrava ali qualquer um” enquanto manifestavam o seu espanto ao serem informadas que, afinal, “a OTA não era nos Açores”.
Ao meu lado, sem qualquer interesse no debate, alguns jovens (bem vestidinhos e pentiaditos) iam fazendo as suas contas e discutindo (em voz alta) diversos cenários à volta de uma listagem da “concelhia”(?) de Gondomar do PSD.

No espaço destinado a questões colocadas pelo “público” o nível continuou a descer:
Primeiro algumas questões pré-escritas, primaríssimas (para cujas respostas bastaria ter estado atentos ás apresentações anteriormente efectuadas sobre a OTA e o TGV) e colocadas de forma que apenas posso classificar como “boçal” pelo tom utilizado, que pretendia transmitir à audiência que, perante nós, estavam os culpados pelo “nosso” atraso, apresentadas por alguns anónimos (dos quais tenho que salientar os “blasfemos” CAA e LR).
Depois o descalabro:
Alguns deputados, creio que três, dos quais apenas reconheci Renato Sampaio, não sei o nome ou a partido dos outros, resolveram entrar na festa e transformar em comício partidário aquilo que tinha sido apresentado como debate.
Não sei como ainda pode haver quem defenda esta forma de “democracia” que permite que sejamos “representados” por exemplares como estes.
Não sei como se estariam a sentir Braga da Cruz (e outros (?)) ao assistir a estes comportamentos dos seus “pares”.
O que sei, é que seria mais do que conveniente que alguém lembrasse aos senhores deputados que, quando vão estar fora de casa, após o jantar, essa refeição deverá ser acompanhada com sumos, cola, chá ou, simplesmente, água.

De realçar a observação do moderador quando questionou um deles “P****, então eles na Assembleia da República não vos deixam falar ?????”

Para tentar salvar, o que ainda se podia salvar, valeu Oliveira Marques ao apresentar algumas questões concretas e pertinentes e ao avançar com sugestões de medidas bem pensadas e que podem, se acompanhadas pelos poderes locais (atenção Avelino) e postas em prática em cooperação (e não concorrência ou confrontação) ser importantes para o desenvolvimento da região.

A noite ia avançada, os discursos (em vez de questões) sucediam-se e assim retirei-me, sem ter colocado aos detractores destes projectos de investimento, a questão que gostaria de ter colocado:

Qual é a Alternativa que recomendam (se é que alguma recomendam)?

António Moreira

* Foi esclarecido, “en passant” pelo administrador da RAVE, Alberto Ribeiro, que o fax da RAVE , que tão grande indignação provocou ao senhor presidente da JMP mais não era que uma proposta de reunião para esse mesmo dia (17/02/06) aproveitando a sua presença no Porto, já agendada para o debate do Ateneu…

Talvez seja conveniente então, que numa próxima vez, passando a publicidade "alguém lhe explique como se ele fosse muito muito burro"

domingo, fevereiro 19, 2006

Em quem votar?

Sr. Presidente do Jornal das Noticias

O senhor bem sabe que eu leio muito o seu jornal. O meu homem, que todos os dias vai ali pelo café, até diz que num há jornal como este, que vem lá tudo, tudo.
Ele agora quando vem do café, depois de ver as folhas do fim, com aquelas catraias todas descascadas, trás na ideia as coisas malcriadas e num me dá descanso. Ai senhor, e eu cu a minha siatica já num estou práquilo.
Ó senhor doutor, o que queria saber, era mesmo por quem votar lá no partido. O óme diz que é no mesmo, no senhor inginheiro que tem sido tão bão cua gente e que até fomos uma vez no passeio. Diz que foi ele que nos ajudou o rapaz, quando andava aflito, sem ganhar nada nem nada. Mas ó senhor doutor, eu acho que o meu ome, cu isto das raparigas já num anda bão. Porque a piquena, a minha mais nova, diz que num há nenhum inginheiro, que são os dois arquitectos e um até num é de se deitar fora.
Ah! Eu gostava muito era daquele alto que está sempre aos beijinhos e que até chegou a andar na câmara, aquele dos foguetes, coitado do moço. Mas aquilo é que era ome bão, sempre a rir lá no alto, aquilo é que era ome bão. Qué dele?
O meu ome, prontos, é muito das coisas do partido, do senhor inginheiro e assim. Mas isto era preciso era gente nova, pra fazer aquelas coisas todas e assim desta gente que fala bonito que até encanta a gente.
O senhor doutor podia era dizer à gente por quem botar. Assim um que fizesse as obras ali na rua que aquilo até é uma pouca vergonha. Aquele do capachino inda chegou a mandar ai uns homens, uns malcriados, sempre a meterem-se com a piquena que o meu até teve que lá ir. Levou ali porrada de meia noite e quem o safou foi aquele que tambem é do partido que dá consulta no hospital e que foi muito bão com a gente. Mas eu num sei, senhor presidente, aquilo para doutor está bem, mas prá politica, nem se vê nada. Promete mais isto, e mais aquilo e a gente cá na rua num vê nada. Inda da ultima vez, para botar, lá estava ele, a falar, a falar, xiii………….., o que aquilo falava..
E estava lá outro que até me pediu para botar pela Adozinda, que coitadinha tá na cama e num sai de lá. Aquilo é que é uma desgraça desde que óme dela se foi. E num é só na casa dela, porque ele tinha muitos cartões, muitos, muitos. O meu óme disse para eu ir, que até parecia mal e que o senhor era sempre tão bão, e importante também.
Mas eu tou mais pra votar no outro, sei lá num gosto de comida requentada, e já tenho dito aqui ao patrão que quanto mais me mandam para um sítio, mas me apetece ir para o outro…

Ass. Dona Serafina

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Insistência

Houve pedido, por isso se faz o desdobramento do post. Continuemos, portanto.

Liberalismo, em Portugal, quer dizer isto; criar condições para que os mais poderosos, sempre os mesmos, sejam ainda mais poderosos, em desfavor de todos os outros.
Frases (pequena maldade)
- Pelos vistos, há socialistas a precisarem de um "update"... -
- havia 100 000 marias cavaco silva que se deitavam no chão -
- o certo é ke a sua emoção, o credito que põem no povo, nas mudanças e a força com ke defende tudo isso - fazem de si um socialista -
- Estás a ser precipitado nas conclusões! -
- Há, já hoje, uma situação gritante de falta de concorrência no serviço fixo e no cabo -
- ...autoridades da concorência, anacons e governo vão a reboque do interesse dos tais poderosos
- como já disse , posso estar a cometer grande erro -
- Nada tenho contra as OPAS e nada me move contra o mercado -
- Resumindo, perde-se sempre. Perde-se no serviço e nos efeitos na economia -
- Melhor e mais barato ainda não vi -
- tbm axo ke se trata de um embuste kalker... -
- é estranho ke ninguem tenha posto a competencia de Belmiro em causa... -
- disponível para lhe emprestar 11.000.000.000,00 de euros (conte os zeros) -
- O que eu digo é que os conservadores mais atentos já perceberam há muito que o conservadorismo não serve os seus fins económicos -
- Quanto à "panela de interesses", como dizes, tens toda a razão -
- alguns desses activos foram pagos pelos impostos de todos nós -
- Não tive qualquer intenção de ser deselegante (nunca com uma senhora!) -
- Que transformação no emprego ocorreu na sociedade nos ultimos anos? -
- Espírito santo de orelha, if you know what I mean... -
- ei esperem tenho algo a dizer sobre a France telecom -
- A Clix pertence à Novis, certo? A Novis pertence à Sonae , certo? -
- há poucos Bill Gates, os ricos tem nomes incomuns, faz parte -

Declaração de amor...

À Praça Velasquez

(Copiright A.Amen)

Nada tenho contra Sá Carneiro (aliás nunca votei em nenhum partido que fosse liderado por outro) mas não sou capaz de chamar Praça Francisco Sá Carneiro ao espaço que, de “Jardim das Antas” passou a “praça Velásquez” durante a minha mais tenra meninice.

Guardo a este espaço um carinho muito especial, pois, criança urbana de primeira geração, pai de Guimarães, mãe de Amarante, mas nascido em Miragaia (hospital de Stº António) e morando num andar dum prédio desde a idade de 9 anos tinha, como grande espaço para brincar, justamente, a Praça Velásquez.

Era a praça Velásquez que atravessava, em direcção à, magnífica, Av. dos Combatentes, quando me dirigia para a Escola Primária nº 37, em Costa Cabral
Era na Praça Velásquez que jogava à bola com a malta das Antas, foi na Praça Velásquez que aprendi a andar de bicicleta e onde acabei por estragar a bicicleta do meu irmão mais velho (pois que uma bicicleta para dois dava muito bem).
Foi na Praça Velásquez que me comecei a aperceber que, afinal, as meninas não eram todas chatas…
Era também a praça Velásquez que atravessava para ir às aulas de catequese e para ir à missa aos domingos na igreja das Antas, algo cujo fim, felizmente, fui capaz de impor mal fiz a “comunhão solene”, aos dez anos, mas continuei a atravessar para ir ás noites á "quermesse" comprar rifas ás meninas...

Assisti à construção do conjunto de prédios que rodeiam a praça, “inaugurei” os cafés Velásquez e Bom Dia, que frequentei (fundamentalmente o Velásquez) durante mais de 30 anos e onde ainda regresso com saudade.

Atravessei a praça Velásquez, mais tarde, diariamente a caminho do Liceu António Nobre, que “inaugurei” em 1972, tendo prontamente abandonado o “Alexandre” por troca com este liceu novo, depois do Garcia de Orta, finalmente abria outro liceu misto.

Assisti, na praça Velásquez, a muitos momentos de euforia, e outros tantos de desânimo, consoante as sortes tivessem sorrido, ou não, aos Andrades, promovidos a Dragões.
Assisti, na praça Velásquez, a vários finais e inícios de etapas do saudoso rallie Tap (então era assim que se chamava), e era no café Velásquez que nos juntávamos, após assistir aos Grandes Prémios de Fórmula Um, na televisão, e os discutíamos à exaustão.
Era no café Velásquez que nos juntávamos para sair fosse para onde fosse, a noite e os fins-de-semana começavam sempre no Velásquez, na praça Velásquez.

Era no café Velásquez que reencontrávamos os amigos mais velhos regressados da guerra, do “ultramar”.
Era na praça Velásquez, junto aos carros, estacionados no lado do jardim que ouvíamos a BBC internacional, para saber o que se passava em Portugal.
Foi para o café Velásquez que me dirigi, uma manhã, quando a minha mãe me telefonou, com a voz baixa a segredar-me (?) que tinha havido um golpe de estado.
Foi no Café Velásquez que me sentei, com amigos e desconhecidos, a tentar perceber o que se passava, enquanto olhávamos a rua Monte Aventino tentando adivinhar quando saía a Guarda…

Ao longo dos anos que se seguiram foi sempre na praça Velásquez, sempre no café Velásquez, que tudo era discutido, que tudo era decidido.
As tardes, quase sempre começavam no café Velásquez, prolongavam-se pelo “Piolho” (com passagem pela Faculdade claro) para terminarem outra vez no café Velásquez, antes do jantar, e do regresso depois para o cafezinho e combinar a noite que aí vinha, com os amigos.

Diversos partidos, ao longo desses anos fizeram grandes comícios na praça Velásquez, e da praça Velásquez saíram muitas acções quer do MDLP, quer da “rede bombista”.
É verdade que, à volta da praça Velásquez andavam os Ferreira Torres (o verdadeiro não o irmão Avelino), os Mota Freitas, os Miguel Macedo, os Ramiro Moreira, mas também é verdade que muito mais gente de bem (como os meus pais, por exemplo) fazia daquela praça o centro das vidas, nas suas idas ao café, ao banco, ao supermercado…

Para tanta gente a praça Velásquez era (e continua a ser) o centro das suas vidas, do seu dia a dia.

Mas, na praça Velásquez confluem três grandes freguesias da cidade do Porto, Campanha, Bonfim e Paranhos. e, um dia vi algo ali que nunca tinha antes visto...

Não é que, um qualquer imbecil, só porque foi eleito, pelo partido, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, resolveu autorizar que montassem uma feira popular (com farturas, carroceis, carrinhos de choque e pista de gelo) em plena praça Velásquez!!!

Eu não sabia que isto era assim, que isto podia ser assim sem consultar as pessoas, sem pedir autorização aos donos do espaço, aos cidadãos que lá vivem.
Mas pelos vistos, pode...

E, pelos vistos é desta, a tal acção cultural que a CMP nos prometeu…
Obrigadinho
António Moreira

Copy+Paste do JN

por manuel correia fernandes arquitecto e professor catedrático da faup

Um túnel sinuoso

Olha-se para os desenhos publicados e aquilo parece tudo menos uma solução

"A verdade é que, política e tecnicamente, o que para ali aparentemente se propõe, não faz sentido!"
Porque a vida pública está cada vez mais inquinada com a pequena política, que continua assente muito mais em questiúnculas pessoais do que em ideias e projectos, importa reafirmar algumas das condições básicas para que se possa dizer que em Portugal ainda se vive uma democracia em que os cidadãos exercem, sem constrangimentos nem tutelas, os seus próprios direitos como, por exemplo, o da livre expressão da opinião.
Há, no entanto, outros direitos e outros deveres, tais como o de participar, o de informar e o de ser informado bem como o de recorrer das decisões que considere nocivas para o interesse colectivo que é, igualmente importante, assegurar.
Evidentemente que todos estes direitos e deveres só fazem sentido se lhes corresponder o direito a não ser perseguido nem de qualquer modo condicionado, pessoal, profissional ou politicamente, pelo seu exercício.
Vem tudo isto a propósito - quem diria! - do famigerado "Túnel de Ceuta" e mais precisamente a propósito do desfecho da contenda mediática em que o mesmo se viu envolvido, entre instituições do Estado que tinham outras obrigações!
A questão é que, olhando para a "coisa" que, recentemente, veio publicada na Imprensa como sendo a miraculosa "solução" consensual para uma questão que era simples e, não se sabe bem porquê, foi transformada em questão complicada, fica-se com a sensação de que vivemos em mundos tão diferentes que nem sequer se tocam, ainda que ao de leve.
Sendo um facto que o comum dos cidadãos só conhece o que veio nos jornais, a verdade, porém, é que se olha para os desenhos publicados e "aquilo" parece tudo menos uma "solução"!
De facto, olha-se e quase não se acredita!
Diria mesmo que se me pedissem um catálogo do que, a meu ver - ali ou em qualquer outra situação idêntica -, não devia, nunca, ser feito, teria a maior dificuldade em ir tão longe quanto, aparentemente, ali se vai.
Mas, tão preocupante como a falta de sentido e lógica da dita "solução", são as gélidas palavras de circunstância que "saúdam" o coelho tirado da cartola, ainda que se fique sem se saber de que cartola é que ele saiu!

Ler o resto
aqui

A opinião clara e desasombrada de quem sabe do que fala (e de como "elas" se fazem).

António Moreira

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A Europa de cócoras!



No seguimento dos muitos sinais e contributos que colocam a Europa de cócoras, cá está mais UM, desta vez da mesma de sempre, Ana Gomes.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Operação Pública de Aniquilação

Esta OPA sobre a PT está a demonstrar aquilo que os nossos luso-liberais prefeririam esconder, mas não há maneira.

A Optimus parece atravessar uma fase menos boa.


Quer isto dizer que Belmiro de Azevedo, como empresário que é, se fez ao mercado das telecomunicações móveis terrestres e não venceu. Foi sempre o terceiro operador, com uma cota reduzida de mercado, apesar de toda a agressividade colocada no marketing.

Belmiro lança uma OPA sobre a PT financiada pelo Santander para, entre outras coisas controlar a TMN.

Quer isto de dizer que os lucros das telecomunicações móveis terrestres é muito apetecivel e que, portanto, tambem o é para Belmiro, que tendo falhado os mecanismos mais correntes do conquista de mercado, vai tentar apoderar-se da maior cota por outras vias.


Belmiro terá encargos financeiros transcendentais caso a operação se concretize. O Santander não empresta de borla.

Quer isto dizer que Belmiro terá que pagar ao Santader o custo da PT que é aproximadamente cinco vezes mais do que o valor da SONAE e portanto, asfixiante.

Belmiro põe a hipótese de proceder a reestruturações e alienar parte dos activos que pretende adquirir, mas nunca a TMN.


Quer isto dizer que um dos principais objectivos de Belmiro com esta OPA é ficar com a TMN e com a maior cota do mercado das telecomunicações moveis terrestres. Isto é, conseguir por meios travessos aquilo que o mercado, em sã concorrência aberta não lhe quis dar. O mercado liberalizado não funcionou.
Belmiro não se resigna a ficar sem a Optimus e muito menos sem a TMN.

Quer isto dizer que vai ganhar na secretaria o que não ganhou dentro do campo. Quer mesmo o mercado de telecomunicações moveis terrestres a qualquer preço.
Futurologia

Portugal é um pais pequeno e as elites são todas muito próximas, em muitos casos a promiscuidade ética é gritante.

Quer isto dizer que um empresário com uma cota do mercado das telecomunicações moveis terrestres equivalente à Optimus e TMN juntas é alguém muito poderoso junto de qualquer governo de um pais pequeno com elites reduzidas e próximas.


A empresa que resultará da fusão da Optimus e TMN e que pertence a um grupo que domina também alguns meios de comunicação reivindicará permanentemente a partir de então que Portugal é um pais pequeno e que não há espaço para mais que dois operadores de telecomunicações móveis terrestres.

Quer isto dizer que essa empresa fará tudo o que estiver ao seu alcance para que o Estado, sobre quem tem tanto poder, adopte medidas razoavelmente proteccionistas para o mercado das telecomunicações móveis terrestres, nomeadamente não atribuindo mais licenças. A própria empresa se encarregará do resto…


Resumindo:

Liberalismo, em Portugal, quer dizer isto; criar condições para que os mais poderosos, sempre os mesmos, sejam ainda mais poderosos, em desfavor de todos os outros.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Ministra elogia solução para o túnel


No JN:

"A ministra da Cultura considerou, ontem, a "conquista" de cinco metros de passeio junto ao Museu Soares dos Reis e o recuo de "alguns metros no túnel" como "vantagens" da solução final do túnel de Ceuta, no Porto.
Em declarações à agência Lusa à margem da exposição Arco, em Madrid, Isabel Pires de Lima mostrou-se "satisfeita" com a solução encontrada para o túnel de Ceuta, considerando que contempla "uma série de vantagens que não existiam na anterior".
"Foi muito bom para a cidade do Porto que se tenha resolvido este problema", disse.
"A solução responde às objecções levantadas pelo Ministério da Cultura e que se relacionavam com a salvaguarda do património móvel e imóvel", disse, sublinhando que a solução final encontrada para o túnel de Ceuta "ultrapassa os problemas mais graves que tinham que ser ultrapassados".

Para a ministra, o Museu Soares dos Reis "sai bastante bem com a solução encontrada", que "não passa por um tão grave atentado ao património".

Espaço junto ao museu"Há uma série de vantagens nesta solução que não existiam na anterior, designadamente, o grande espaço público frente ao museu, a conquista de um espaço de cinco metros de passeio e um recuo de alguns metros no túnel", concluiu Isabel Pires de Lima.

A polémica saída do túnel de Ceuta, no Porto, embargada por se encontrar na zona do protecção do Museu Soares dos Reis, vai manter-se no mesmo sítio, mas com limitação de velocidade (30 quilómetros/hora), foi anunciado anteontem.

O projecto "reformulado" da saída do túnel para a Rua D. Manuel II mantém-se distante do Museu Soares do Reis 78,3 metros, mas a rampa vai ficar mais inclinada de modo a permitir recuar os "muretes" (saliências das paredes do túnel.

O fim da polémica

A aprovação do projecto encerra uma polémica que começou no início de 2005 com o "chumbo", pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), da obra que a Empresa Municipal de Gestão de Obras Públicas (GOP) tinha já em execução no terreno sem a necessária aprovação prévia do instituto.

O túnel de Ceuta foi inaugurado em 29 de Julho de 2005 pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, mas apenas com uma saída junto ao Jardim do Carregal, dado que a outra, na Rua D. Manuel II, foi embargada pelo Ministério da Cultura."


(Sem mais comentários, a não ser que os meus amigos, militantes do PS, entendam que devem ter algo a dizer...)

António Moreira

domingo, fevereiro 12, 2006

Como ainda ando por aqui...

Tenho vindo cá poucas vezes, e se calhar não escreverei muito nas semanas que se avizinham.
Mas este blogue tem sido o meu "espaço" de opinião e, portanto, tem servido para exprimir com frontalidade o pensamento dos seus autores, tal como neste caso servirá para algumas reflexões que entendo por bem partilhar. E se assim o faço é porque não receio as consequências da palavra e é para que compreendam que às vezes é mesmo necessário tomar certas atitudes. Esperando que elas ajudem a perceber melhor o que nos rodeia – e se calhar vos rodeia a vocês também.

O momento actual compeliu-me a aceitar um desafio no interior de um grande partido - o PS. Protagonizo, como todos sabem, uma candidatura ao Partido Socialista da cidade do Porto!
Espero que aqueles que acompanham a política, ainda que tangencialmente, e em especial os verdadeiros socialistas, estejam atentos ao desenrolar dos acontecimentos. Creio só ser possível imprimir novos rumos se partirmos de atitudes generosas e desprendidas. Ganha sempre quem tem menos a perder, é o que me ouvem dizer! Mas não parti para esta jornada convencido do seu resultado, nem sequer por achar que o objectivo final é só ganhar. E já agora sublinho o que entendo por "ganhar", no seu sentido "largo" que é o mais apropriado para o Porto. Ganhar é assumir as nossas convicções, pois aqui nesta cidade já há pouco para perder, porque já perdemos demais. Também, como não existe nada de politicamente visivel nos próximos tempos, considerei este momento como uma oportunidade de concretizar um projecto político, cuja construção merece ter tempo de maturação, que é essencial para nos conduzir a vitórias ulteriores. Mas sem esquecer que essas vitórias devem ser merecidas, que os seus proponentes sejam dignos da confiança dos eleitores enquanto seus representantes políticos, que o partido seja mais vitorioso que as suas figuras.
Espero por isso, que mesmo nas duvidas conscientes das nossas reflexões, vença sempre a esperança porque essa tem menos a perder do que os desânimos e as inspiradas desistências de "remar contra a maré".

É assim hoje, quando a cidade voltou à ladaínha habitual e passados 6 meses...! Nem qualquer dos gritantes problemas está resolvido e menos ainda se parece saber o que é feito da oposição dinâmica prometida a este presidente de Câmara.
Francisco Assis têm-se manifestado pouco, parece esperar com cuidado pelos embates internos do partido para iniciar o trabalho que se reclama há algum tempo. Manuel Pizarro, deputado, habitual número 2 de Assis, actual número 2 de Nuno Cardoso na concelhia, prepara-se provavelmente, para ser novamente número 2 de Orlando Gaspar na Concelhia do Porto. É, portanto, surpreendente que os elementos mais próximos de Assis, como Pizarro, Ana Maria Pereira, José Luís Catarino, Fernando Jesus, etc, estejam afincadamente a apoiar a candidatura de Orlando Gaspar. Como todos sabem, e se não sabem ficam a saber, Orlando Gaspar sempre apoiou o candidato ganhador à Federação. E também devem saber que na concelhia do Porto só existiram dois presidentes, Orlando Gaspar (12 ou 13 anos) e Nuno Cardoso (no ultimo triénio) que foi apoiado pelo primeiro.
Nuno Cardoso inibiu-se de qualquer candidatura, inibiu-se até de uma participação activa.
Narciso Miranda reclama que não há voz para o Porto, mas não diz se a voz será a sua, nem sequer que assuntos deveriam essa voz enfatizar.
Renato Sampaio, parece tomar a dianteira para a substituição de Assis na Federação, com apoio deste último. Em troca Assis terá de pagar a factura de apoiar a solução concelhia supostamente vencedora.

Efectivamente adivinham-se tempos difíceis, mas se tantas vezes a democracia já ofereceu resistência ao pratos pré-confeccionados, julgo que agora estamos perante a mesma situação. Será que não restam dúvidas de que a orgânica partidária funciona mesmo assim? Será mesmo?

Serei eu e os que me acompanham, apenas uns diletantes personagens secundários deste enredo? Ou será preciso esperar pelo fim para ver como acaba?

Para terminar gostaria que soubessem que continuo convencido que pode haver surpresa. No entanto, e se mais nada se pedisse, já nos poderiamos regozijar por vislumbrar que o fino tecido que aquele alfaiate aldrabão conseguiu impingir na corte a alguns, fez com que todos vissem que anda por aí muita gente nua!

Não fala em meu nome!



Junto a minha voz aos muitos que não se reveem no comunicado do Ministro dos Negócios Estrageiros relativo às caricaturas. Tambem não fala em meu nome como não fala em nome dos muitos que AQUI já se manifestaram.

Fortuna

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Freitas do Amaral

Quando da constituição deste governou, identifiquei dois clamorosos erros de “casting”:

O Ministro das Finanças, Campos e Cunha, por ,manifestamente, não possuir as competências necessárias a um bom desempenho da função, pelo menos em termos políticos (dado que a minha (falta de) formação financeira me recomenda que o não avalie nessa área).

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, por duas ordens de razões:

Uma primeira, de ordem ética, ou pelo menos de complexo “mulher de César”.
Dado não me parecer adequado que alguém, cuja palavra tem, por direito próprio, o peso que deve ter a sua, depois de afirmar a sua vontade de ver o PS ganhar as eleições legislativas, pudesse aparecer com um cargo que se assemelheva a um “pagamento de serviços”.

Uma outra, política, por a figura de Freitas do Amaral ter ficado gravada, ao menos na minha geração como a do "homem da direita", por excelência, por ter sido o fundador e dirigente máximo do partido mais “à direita” do nosso espectro político do pós revolução e também por ter sido, em 1986, o candidato presidencial da “direita”, nas primeiras eleições presidenciais, verdadeiramente livres (de militares) nesta nossa peculiar “democracia”.

Quase um ano já leva este governo no exercício de funções, e, se no que respeita a Campos e Cunha, a minha opinião não podia ter sido mais certeira, já quanto ao restante governo, donde a Freitas do Amaral também, o meu erro não poderia ter sido maior.

De facto, longe de se destacar pela negativa, Freitas do Amaral se fosse a aparecer como
“homem de direita” em nada destoaria do restante elenco.

Só se fosse pela sensatez, pela coragem e pela dignidade de que tem dado provas.

Afinal o grande erro de casting desde o início era Sócrates.

À luz da actuação deste governo demonstra-se cada vez mais acertado o que, em tempos escrevi no Provotar:

A Direita "inteligente"

Apeteceu-me começar a semana com uma provo(c)tação:

Surpreende-me a falta de visão dos "órfãos da direita" que, na "blogosfera" e não só, se lamentam pela falta de uma casa para a "direita inteligente".

Então ainda não repararam que a "direita inteligente" está no PS ?

A "esquerda inteligente" é que está "sem abrigo".......”

António Moreira
PS - Por reparo do nosso amigo Arqtº Pedro Aroso, corrigi Correia de Campos para Campos e Cunha, por ser este último o verdadeiro ex-ministro da finanças

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

DEMITA-SE SRª MINISTRA


Depois disto é a única forma de preservar alguma dignidade.

Demita-se e denuncie o que se passou.

Aceitar agora a solução que a CMP apresentou desde o início, que nem o Governo PSD/CDS tinha aceite, demonstra que além de Rui Rio é também a Ministra da Cultura deste Governo PS que não tem qualquer respeito pela cidade, pelo património cultural e, particularmente pelo Museu Nacional de Soares dos Reis.

Este desfecho é de uma gravidade que exige respostas.

Só a Srª Ministra da Cultura (além do Sr. Primeiro Ministro, claro) as podem prestar.

Será que a sua dignidade tem preço?


António Moreira

PS - Saia agora o "Metro na Boavista"

A Candidatura



Avelino Oliveira, destacado membro e fundador do nosso Blogue é candidato à Comissão Política Concelhia do Partido Socialista no Porto. É público e notório (a noticia corre já nos média) e é, sem dúvida, um grande momento; Pela coragem, pela determinação, pelos conteúdos programáticos, pelas ideias e pela convicção com que as transmite.
Felizmente que alguem com um vasto curriculum, com um percurso sólido quer profissional quer politico, se dispõe, sem receios, a trazer um inestimável contributo para dentro do Partido Socialista. Felizmente que alguem se propõe ser "a cara da luta" contra o muito de mal que todos vamos identificando nas forças politicas. Mas felizmente tambem, que um alguem com esta dimensão se propõe valorizar o "muito de bom" que o Partido Socialista soube construir em todos estes anos de democracia.
Temos a certeza, com esta candidatura, que o patrimonio politico do nosso partido, estará sempre bem salvaguardado e não será lido nunca de uma unica perspectiva. Respeitar (verdadeiramente) o passado para protagonizar o futuro.
Promover o debate e a discussão (consequente) da tão necessária reorganização do território, promover a renovação e abertura do PS Porto, promover a reorganização das estruturas do partido e promover o trabalho politico efectivo nos orgãos próprios, são algumas das bandeiras do programa que pode ser consultado AQUI!

Parabens Avelino! Vamos em frente!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Pornoliberdade de expressão

Quem percorrer a cidade do Porto (como, decerto, tantas outras) verificará que, na generalidade das lojas que se dedicam ao comércio de jornais e revistas, se encontram expostos em escaparates ou montras, à vista de todos, os mais diversos exemplares de jornais e revistas habitualmente classificados de “pornográficos” ou "eróticos" nas versões “hard” ou “soft”.

Pessoalmente, acho essa exposição de extremo mau gosto e considero-a até ofensiva, nem precisando de citar situações específicas em que a localização dos estabelecimentos ou bancas poderia acrescentar mais algumas considerações ao simples “mau gosto”.

É claro que os comerciantes além do DIREITO, tem a LIBERDADE de expor o seu produto, e se aquilo se publica é porque se vende, por isso tem que haver quem venda...

(Gostaria aqui de deixar bem claro que estou longe, mas bem longe, de ser um qualquer tipo de moralista (verdadeiro ou falso) e que muito teria a confessar se fosse adepto de alguma religião que se dedicasse a tais práticas, não, não é disso que se trata, trata-se apenas de GOSTO, obviamente relativo, se bem que admita que, para outros, a questão até possa ser mais grave.)

Mas, repito, os comerciantes tem a LIBERDADE de proceder desta forma e não serei eu que os irei tentar, pela palavra, demover dessa prática, até porque há certas coisas que ou se é capaz de ver, sem ajuda, ou então não há ajuda que valha.

Agora tenho que reconhecer que me desgosta viver numa sociedade em que haja quem se sinta bem a ganhar a vida a publicar “daquilo”, em que haja comerciantes que não se importam de colaborar com esse comércio para ganhar mais uns tostõezitos e que não exista uma “pressão do mercado” que leve a que os comerciantes entendam que seria mais vantajoso, para a sua actividade global, demonstrar outro grau de respeito pelos seus clientes.

Será que isto significa que eu sou defensor da censura?

Ou será que entendo que a liberdade de expressão não é um dos valores fundamentais da nossa sociedade?

António Moreira

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Caricatura!! ...de quê?




Muito bem tratada a questão das caricaturas, AQUI!
Mas o que eu gostei mesmo foi de ouvir um senhor na TSF a dizer:
- Não devemoje confundir a repregentachão do chagrado com o chagrado em chi mêsgemo! O chagrado prechija da chátira!
P.S. É Pá! Eu nunca me lembraria docolocar aqui uma caricatura de Maomé se não fossem as manifestações eos atentados.

Peregrinação!



É sempre interessante (chega a ser bonito até) assistir às expressões mais puras dos diversos tipos de forma como o ser humano se manifesta. Mesmo daquelas que moralmente desdenhemos (eventualmente).
A deslocação de Fátima a Fátima, desde Felgueiras, é uma delas!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Já com algum atraso...

...mas nem por isso menos importante!



LINK para o post "os novos conservadores", no Abrupto de JPP.
E também para para os comentários dos leitores. O casamento homosexual debatido "à séria".

Anda tudo louco...

Por causa desta...



Mas apenas porque não viram esta!

Mais do mesmo!

A carne assada continua! Ele é directas, ele não é directas, ele é bases, sindicatos de voto, inerências daqui, inerências de acolá, enfim…
Vem agora o Branquinho, já anunciado sem ser referendado. O outro quer ser maior, disputar a nacional, mas o Seara também quer ganhar a capital.
Uns parecem ter nojo dos militantes (que só no Porto são 25.000, imagine-se), outros repulsa pelos dirigentes e pelos pára-quedistas como o Borges.
É quem mais se acotovela por aqueles lados. E ainda dizem que os partidos são todos iguais…

terça-feira, janeiro 31, 2006

Vale por uma sondagem...



Apanhei esta “pérola” na nossa caixa de comentários:

“…Não te esqueças que o António Moreira não é militante do partido, nem tão pouco vota PS, por isso a opinião dele vale o que vale…”



Ficamos assim a saber uma de duas coisas:

Para o nosso “ilustre” comentador a minha opinião vale tanto como uma sondagem (com a vantagem de ser de graça), ou então, valerá menos que a sua apenas pelo facto de ele ser militante do partido e votar PS, o que, reconhecidamente, não é o meu caso.

De qualquer forma é de agradecer a certidão (apesar da sua proveniência)

Pois é, “há dias de manhã…”
António Moreira

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A super cidade

Paulo Rangel e Rio Fernandes continuam na saga por um novo desenho do Porto. Agora lançaram um repto.

Eu subscrevo a discussão!

sábado, janeiro 28, 2006

A apologia da Carne Assada

Pelos vistos no PSD a luta das directas já vai na comida e nos Jantares.
Na verdade o Marco António Costa antecipou as eleições e sabe do que fala, simplesmente foi redutor no Menu. Eu próprio, habitue de alguns repastos direi que está também muito em moda o arroz à valenciana; o arroz de Pato; Rojões sem ser à moda do Minho. Nas entradas rissóis rançosos, croquetes que eventualmente tem mais carne que pão, e aqui e ali um creme de legumes com bastante água. De sobremesa vem aqueles maravilhosos bolos de chantilly e de quando em vez somente uns eclaires para comer à mãozinha. Finalmente o sempre presente café, de saco, aguadito, qual carioca, às vezes sem o pacotito de açúcar.

Em geral estes jantares são pagos com 5 euros, ou então à borla com consequências negativas no menu.

Falta dizer que a seguir ao jantar podem encontrar qualquer um dos políticos nos seguintes restaurantes, a comer a sério, que eles são parvos às vezes, mas não são burros:

Galiza; Convívio; GambaMar e Capa Negra, de vez em quando na Cufra



sexta-feira, janeiro 27, 2006

Olha, Olha (Agora explicado) !!!!!

Olha, Olha, os passarões
A zombar com o petiz
Não sabem eles que à Sorte
A trica nada lhe diz
(Esta quadra foi escrita ainda em Lisboa, junto à torre de Belém. Preparava-se o Gama para a grande epopeia, na azafama própria das grandes empreitadas, e os velhos, dali, do Restelo, em amena cavaqueira e zombaria, numa maledicência desmotivante, de tricas e intrigas. Deplorável, deplorável!)
A Sorte, ou melhor, a Fortuna
Destino, fado, dinheiro
Embora de olhos fechados
Chega lá sempre primeiro

(Os interesses materiais estão sempre presentes nestas coisas. E tendem a tomar a dianteira, numa cruzada cega para o lucro. É certo que não é bonito, nem engrandece, mas há quem diga que dai vem o progresso...)
É só ver os resultados
Das eleições principais
Quem tem Fortuna tem sorte
Quem não tem não ganha mais
(Este foi o momento mais difícil para o Gama, o das escolhas já ao largo das Canárias. Ou bem que tomaria o caminho das especiarias e da fortuna do reino, ou levaria a cabo a difícil missão que El Rei D. João lhe confiara. Hoje sabemos que fez a opção certa.)

E se isto é verdade agora
Mais verdade é no futuro
Quem desafia o destino
Boa sorte não lhe auguro
(Quanto mais para sul mais difícil seria flectir as caravelas para ocidente. Infeliz o Gama que desdenhou a glória e escolheu a riqueza)
E aqui prós brincalhões
Que brincam com “lucifer”
A tradição é presente
E o passado ninguém quer
(São sempre “mais as vozes que as nozes”. Assim o eram também os ventos do cabo. As caravelas passaram e ninguém mais olhou para trás. Ninguém não, o poeta (que pecado!?!?) vive sempre com a nostalgia do tempo passado, a SAUDADE, em português)
Pintam quadros a preceito
Fazem juízos apressados
Depois não fiquem tristonhos
Ao olhar os resultados
(Pois quem julgava que ao primeiro sopro tudo se desvaneceria, enganou-se. A confiança do reino era grande e assim o era também nas caravelas, já por mares mais serenos)
Se a escrita é uma arte
E o pensamento, elevação
Olhem que das coisas mais sérias
É um aperto de mão
(Tudo se esvazia no momento exacto do encontro entre os povos. É inútil procurar transmitir a incrível sensação da descoberta.)
Quem passou pela cidade
Do vinho, da torre e da Sé
Sabe o que há a fazer
Para mostrar como é que é
(E tanto que havia para ensinar aqueles povos de além mar, perdidos da alma e da fé. Tantas trocas para fazer, para as contas saldar.)
Todos juntos de uma vez
Num grande aglomerado
Vai deixar o novo Rei
Completamente pasmado
(Sabíamos quanto tínhamos defraudado as expectativas de El Rei de Portugal, o príncipe D. João. Mas não deixávamos de nos convencer que a duração da viagem superaria a vida do grande Rei e que um novo apreciaria o feito alcançado, não deixando de felicitar o Gama.)
De três em três, a mulher
Lá se alinha se convém
Mas queremos ainda mais
Queremos o que ninguém tem
(Não foi nada de que nos possamos hoje orgulhar, aquela passagem pela ilha dos encantos. Tomados pelo diabo, queríamos tudo, sempre mais.)
Queremos juntar os mais velhos
Com os novos a dialogar
Abrir a porta ao futuro
Para que aqui possa entrar
(Já o Gama não sabia o que fazer, perante tamanha perdição. Resolveu integrar o poeta na sua resolução. Resolveu também substituir os velhos imediatos por jovens capitães)

Queremos dizer aos amigos
Do discurso incoerente
Que aqui não há tabus
Cada um diz o que sente

(E o que contar na chegada a Lisboa? Que há mais mar para além do mar? Ou que há terra para habitar? Promessas de um futuro da gloria, ou das tormentas a história?)
Com humor ou perspicácia
Mesmo os duros como o aço
Sim, os mais inflexíveis
Tem aqui o seu espaço
(Perante o relato de tais façanhas, que cada um teve para contar, eis que El Rei D. Manuel, o reino mandou unificar. Glorificou o Gama e nem mesmo os mais contrariados se atreveram a contestar.)
Por mais que a espera se alongue
Mais do que o coração alcança
Não se iludam, não se enganem
Ninguém nos tira esta dança

(No fundo, no fundo, sabemos que a história nos reserva um lugar entre os valorosos povos do mundo. Sabemos que depois da tempestade das grandes travessias chegará a primavera de todas as esperanças.)

Apanhado...


Meus queridos comentadores
Finalmente se fez luz
Quem a viu foi o Miguel
Quando me acenou com a cruz

Como de pé me mantive
O sacrista logo topou
Aqui há mão do tinhoso
Nem sequer se ajoelhou!!!

Já te topei Mafarrico
Andas feito com o Sonso
Roubaste o carro do Noddy
Esse é que é um grande tonto

Querias a Teresa e a Dina
Mas o Faísca também
E até mesmo os xadrezitos
Decerto sabiam bem

Digo-te eu, o Senhor Lei
Vade Retro Satanáz
À cidade dos Brinquedos
É que não mais voltarás.


António Moreira

Sobre Porto-Gaia

Sobre Porto-Gaia, vou deixar umas notas muito simples:
1. Não se devia falar em Porto-Gaia, mas sim no desenho territorial de uma nova cidade. Sandim tem muito menos sentido que Matosinhos, São Mamede de Infesta, ou rio Tinto.

2. A cidade real do Porto já não é o Porto. O Mapa turístico do Porto não existe sem Gaia e já depende bastante de Matosinhos.

3. A vida quotidiana já não se faz sem interligar as cidades, repararam que a linha do Metro do Porto começou em Matosinhos. Alguém disse que não era o Metro do Porto, mas sim o de Matosinhos, Maia ou Gaia?

4. Como sabem, sou favorável a um novo desenho da cidade, pois acho que a área metropolitana não existe se não possuir uma cidade forte. Mas ela existe, só que chamam-lhe nomes diferentes e tem mais que um autarca a mandar.

5. A teoria da área metropolitana eleita é forte porque é a mesma ideia da grande cidade só que aumentada, mais na tradição das cidades americanas, herança do planeamento norte-americano do inicio do século XX. Frank Lloyd desenha a Broadacre city e escreve sobre a cidade do amanhã a pensar assim. A tradição europeia ( e eu gosto das tradições, porque elas são actuais, senão eram história e não tradição) é a das cidades, como sabem fruto da influencia das cidades estado.

6. Acho mesmo importante discutir o assunto, inclusive existirem eventos inter-partidários, porque não há duvida que é preciso fazer qualquer coisa e em breve. Para tal é sempre necessário uma comunhão de esforços à laia “Pacto de Regime”. Se tal se conseguisse era um feito e o inicio de um nova era na região.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Hoje, no PUBLICO

A noticia da candidatura do nosso Avelino Oliveira à concelhia do PS Porto.
Abertura à Sociedade e ao debate em oposição à logica aparelhistica estrita;
Incentivo à adesão de novos militantes;
Reorganização de algumas das estruturas de base;
Reflexão profunda sobre o território e a cidade;
Respeito e apreciação sistemática da história do partido na transmissão de valores às novas gerações;
Promoção das estruturas partidárias como local privilegiado, mas não exclusivo, da realização do debate e do trabalho politico;
Contribuição permanente para a efectiva paridade de sexos na actividade politica;
Promover o PS Porto como um lugar de inclusão e de futuro;
e ainda mais, são compromissos do nosso amigo.

Quanto Porto é bom para o Porto

Estive ontem presente no Café Majestic para assistir ao debate, organizado pela Juventude Popular, sob o tema “Quanto Porto é bom para o Porto”.

Que bom foi estar novamente numa “tertúlia” de discussão com Rui Moreira, Rio Fernandes e Rogério Gomes, e que falta vão fazendo mais iniciativas do género.

Fundamentalmente em discussão estava a ideia (peregrina?), retomada recentemente por Paulo Rangel, nas conferências da Católica, de avançar com a fusão entre os municípios do Porto e de Vila Nova de Gaia.

Confesso que não é tema que me provocasse grandes entusiasmos, não que entendesse que daí viesse um maior mal ao mundo, mas também por me parecer pouco provável que alguma panaceia milagrosa pudesse germinar de tal casamento.

Sempre considerei que uma sociedade medíocre, dirigida por uma “elite” de medíocres dirigentes partidários, que vão penando na província apenas por não terem conseguido assegurar um qualquer cargo “nacional” (donde, necessariamente, na capital), e sufragada, bovinamente, por uma sociedade local amorfa, não se regenera e levanta pujante de energia por mera acção de uma putativa união que lhe confira estatura e dimensão metropolitana.

Basicamente, Rui Moreira defendia a ideia que a forma era importante, ou seja de que ao avançar com um casamento de papel passado entre o Porto e Gaia, talvez também com Matosinhos, se ia o (novo) município apresentar “à sociedade” com uma força que não teria sem essa formalização.
A excelente capacidade de argumentação de Rui Moreira convenceu-me das vantagens deste modelo.

Já Rio Fernandes defendia que, mais importante do que a forma era a função, ou seja que mesmo não havendo qualquer fusão era já possível e desejável que se implementasse uma cooperação intermunicipal adequada, em diversos domínios específicos, com transferência de competências e meios dos municípios para eventuais “autoridades pluri-municipais” a criar, por acordo, para o efeito.
Ou seja, em lugar de um "casamento, de papel passado e tudo" defendia o conceito das “uniões de facto” alargadas também a Gondomar, Maia e Valongo.
A, também excelente, capacidade de argumentação de Rio Fernandes, convenceu-me, também, das vantagens do modelo por si apresentado.

Ou seja, conclui que ambos tinham razão e que as ideias que defendiam podiam, sem grandes dramas, ser harmonizadas.
Da mesma forma que é possível (e desejável (?)) experimentar em “união de facto” antes de avançar para a formalização de um casamento.

No entanto, após uma boa noite de sono, continuo, como antes, convencido que a coisa não tem pés para andar.

As pessoas, pois o problema está nas pessoas, não são diferentes se o seu território estiver FORMALMENTE organizado desta ou daquela maneira.

As pessoas, pois o problema está nas pessoas, se não viram o interesse ou não foram capazes de se organizar em “união de facto” até aqui, porque raio é que vão ver esse interesse agora ou passar agora a ser capazes de assumir um compromisso de partilha?

Porque esta é a altura propícia, dado virem aí três anos sem eleições, foi um dos argumentos ouvidos.
E daí?

Será que os dirigentes locais dos partidos vão, por isso, passar a pensar pelas suas cabeças sem antes perguntar às direcções partidárias o que devem pensar?

Será que as direcções partidárias vão analisar o problema e as possíveis soluções à luz dos interesses do país, das cidades e das populações ou à luz dos seus interesses partidários?

Será que as direcções partidárias vão analisar o problema “de per si” ou será que as suas posições vão ser condicionadas pelas posições dos outros (assim como foi com a Regionalização) tipo se o PS for a favor, o PSD e o CDS tem que ser contra e vice-versa?

Enfim, será que com os actuais presidentes das câmaras do Porto e de Gaia, alguém acredita que isto sequer se discuta? (deixo aos leitores com mais imaginação as fantasias quanto ao tipo de discussões que isso iria dar..).

Em resumo e acima de tudo:

O importante é que se vá discutindo
O importante é que pessoas de boa vontade se vão juntando para analisar e procurar soluções para os problemas que são de todos.

Desta vez foi iniciativa da JP e quase não vi lá ninguém (tirando uns dois ou três) que não estivesse ligado ao CDS/PP.

Poderiam e deveriam (ao menos para isso sirvam os tais três anos sem eleições) realizar-se debates e tertúlias regulares, com organização conjunta dos diversos partidos (mas sem claques) ou por iniciativa de algum jornal (ou da ACP) mas convidados de todos os partidos (e não só) para se começarem a debater seriamente os assuntos da cidade e da política em geral.

Ou se calhar

Nem vale a pena.

António Moreira

e-visitas

Ás vezes gosto de "e-visitar" cidades, esta é bem portuguesa, e já me tinham avisado que era um excelente exemplo.

É-vora

the next one

Dizem, com alguma graça que o PS já escolheu o próximo candidato presidencial:



quarta-feira, janeiro 25, 2006

Sabia que o voto desta "senhora"...


Vale tanto como o seu?
Como me parece que a Incoerente terá sido a única (dos que se deram ao trabalho de comentar) que terá percebido o meu “post”, a imagem de hoje obedece à sua sugestão.
Depois de ter já assente grande parte da poeira causada pela generalidade dos comentadores ao meu comentário intitulado “Por mais voltas que queiram dar... “ é tempo de pedir aos leitores (interessados, claro) uma releitura de alguns dos meus anteriores comentários, a saber:

19/01/06 – As Sondagens e as eleições
12/12/05 – Mas…, Quem escolhe é este, Ou mesmo este; Este…;Quem sabe se este…;Também pode ser este; Este homem pode ser o próximo presidente da república
e, principalmente:
05/12/05 – Demolimos?

Aliás, deste último, gostaria de recuperar algumas questões, que ninguém achou interessante aflorar:

Pois então
Se, na realidade, se pretende discutir sociedade e estado.
Se todos(?) temos consciência de que algo (muito?) não está bem.
Se todos(?) temos consciência de que é necessário “inventar” um novo modelo.….
Porque teimamos em manter tantos dogmas?
Porque não pomos TUDO em causa?
Porque nos recusamos a discutir algumas “verdades”
Ó arquitectos (sedentos e não só)
Para projectar a forma de urbanização ideal de uma dada área já urbanizada, não será importante primeiro, analisar o que lá está e ver o que se deve manter e o que deve ser demolido?
Então digam-me lá.(por hoje começamos com algumas simples)
Porque é que se tem que votar tudo num só dia (das 08 ás 19)?
Porque é que se tem que votar exactamente naquele local?
Não se pode votar no Multibanco, na Internet, ou nas máquinas da “Santa Casa”?
Porque é que não se pode conhecer a evolução da votação?
Porque é que a Assembleia da República não pode contratar uma empresa privada (nacional ou não) para assegurar o governo da nação?
E, já agora, porque é que a Assembleia Municipal não pode contratar uma empresa privada (nacional ou não) para assegurar a gestão da câmara municipal?
Porque é que é preciso um Presidente da República?
Não servia o Presidente da Assembleia da República?
E esta para os “liberais”

Qual é a diferença entre o estado e um condomínio?
E entre o estado e a família?
E entre família e condomínio?
Porque é que o princípio de “um homem um voto” é tão cegamente aceite?
Então, no caso de um referendo à IVG, o voto da mãe da Joana (ou do pai da Vanessa) vale tanto como o meu e o seu?
E, no mesmo referendo, os padres (católicos e castos) devem também votar?
E, já agora, os homens?
E, em todos os casos, o voto do “emplastro”, é igual ao do Avelino?
E, já agora, num referendo à regionalização, o voto dos “lisboetas” deve contar?

Por isso, porque ninguém ainda respondeu ou mostrou ter interesse em sequer discutir estas questões, também não admito que me venham com alusões a “mau perder”.
Se a vitória de Cavaco foi, para mim, uma derrota?
Claro que sim, acho até que foi uma derrota para todos os portugueses.
Mas as minhas posições são as mesmas que seriam se fosse um qualquer outro candidato a ganhar.
A pessoa que retratei é apenas um português como qualquer outro, no que a eleições diz respeito, tem tantos direitos como qualquer outro e o seu voto vale o mesmo que o seu ou o meu.
Ou seja, limitei-me a relatar o óbvio, como, antes, tinha já previsto o mais que óbvio.
Então, porque é que o óbvio, a verdade factual, gera tanta agitação, tanta raiva, reacções tão violentas?
Eu tenho a minha opinião, claro.
Mas, por agora, gostaria de ouvir outras.
Porque gosto de lançar temas para a discussão.
Porque acho que é importante discutir, debater, pôr em causa, questionar.
Acima de tudo porque é importante pensar.
Pense... se quiser.
António Moreira

terça-feira, janeiro 24, 2006

Agita-se o PS Porto

N”A Baixa do Porto”


Está anunciado o debate «Quanto Porto é bom para o Porto?»

“O debate terá como oradores Dr. Rui Moreira e Professor José Rio Fernandes, sendo moderador o Dr. Rogério Gomes.Após o debate inicial haverá um período de tempo destinado à participação do público, para o qual foram convidadas várias personalidades da vida da cidade e da região, entre políticos e demais intervenientes da sociedade civil.”

Penso que o assunto a debate terá interesse para muitos dos que aqui escrevem ou nos visitam.

A organização é da responsabilidade da direcção distrital da Juventude Popular.

Parece-me uma iniciativa muito interessante e um excelente exemplo do que os partidos devem fazer se pretendem criar laços mais profundos com a “sociedade civil” e, realmente, ouvir o que pensam os “de fora”.

A candidatura de Francisco Assis, à Câmara do Porto, deu alguns passos (tímidos) nesta direcção, garantindo que era para continuar, mas, depois das eleições, nada.

Teremos que esperar por uma nova direcção distrital ou concelhia do PS para assistir a essa mudança?

Eu tenciono estar presente neste debate, mais alguém aparece?

António Moreira

segunda-feira, janeiro 23, 2006

SOBRE A NOVA CIRCUNVALAÇÃO

No Porto, não há concursos públicos de ideias decentes. Corrijo, no País não há concursos públicos de ideias decentes. Ou seja, todos gostam de falar das ideias dos arquitectos, mas nunca as põe à prova. Temos os melhores arquitectos do mundo e uma das melhores escolas, mas nunca pomos isso à prova.
Vem isto a propósito da noticia em que 3 arquitectos são convidados para desenhar a circunvalação. Com base em que critério é que se substitui um concurso por um encargo directo? Vivemos num lugar que às vezes nem parece europeu! Então um projecto desta dimensão não ganhava com a enorme divulgação e interesse que um concurso lhe dava? Então as publicações e os jornais não fariam uma discussão bem mais profícua? Então a receita não resultou bem na Expo 98? Fizeram-se primeiro concurso de ideias, seleccionaram-se os trabalhos que o Jurí achou melhor e só depois vieram os planos de pormenor.
Aqui não: gastam uns cobres a pagar um projecto enorme a uma equipa e depois é que se vai discutir, provavelmente embargar – enfim, o que se sabe e o que se espera.

POR ISSO, CREIO QUE O TEMA MERECE PASSAR A SER UMA MICRO OU MACRO-CAUSA PORTUENSE:

SOBRE O NOVO DESENHO URBANA DA ESTRADA NACIONAL Nº 9, PODEM, POR FAVOR, DIVULGAR COMO SE JUSTIFICA A AUSÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO NUM PROJECTO DESTA DIMENSÃO?

Com que base jurídica se defende uma decisão destas? O que pensa a Secção Regional da Ordem dos Arquitectos?

re-post

Escrevi isto a 16 de Dezembro do ano passado, sob o título "não há derrotas neste quartel!":

"O interesse pela política começa a aumentar. Tenho-me deparado cada vez mais com conversas cruzadas de café e discussões de corredor, entre jovens e velhos, velhos e jovens, jovens e jovens e nem tão jovens nem tão velhos. Na verdade esta eleição presidencial tem servido para demonstrar de que forma a cidadania passa também pelo interesse nas questões de estado. Isto porque o populismo mais baratucho tem andado arredio, não que não haja laivos da coisa em quase todos os candidatos, mas o pormenor não se tem sobreposto ao essencial. Assim o murro no braço do Soares, o carro do parlamento que o Alegre usa em campanha, ou o chega para lá ao Marques Mendes que lhe deu Cavaco, não tem sido suficiente para alimentar as capas sensacionalistas.
Creio que os tempos que virão serão de uma muito maior participação pública e por inerência nos partidos. É que se esgotaram as figuras que possam com a sua liderança disfarçar a necessidade de apresentar novos projectos, da direita à esquerda, onde tanto Ribeiro e Castro como Jerónimo são lideres sem chama, passando pelo apagado Mendes e pelo já muito desgastado Louçã.
Sócrates não tem adversários ao seu nível, nem tanto pelo patamar de elevação política que atingiu, mas sim pelo desfazamento existente nos outros partidos. É por essa razão quem nem sequer perdeu as autárquicas e seja qual for o resultado não perderá as presidenciais."
Hoje, parece-me actual

Por mais voltas que queiram dar...

A verdade é que

Este (e os seus iguais)












Escolheu este




E o resto é conversa.
António Moreira

(RE)TRATAMENTO




Trata bem de mim e eu bem de ti vou tratar!!!

domingo, janeiro 22, 2006

Pirro

No ano de 279-AC, o rei Pirro, de Épiro (na atual Albânia), reuniu seus oficiais no campo de batalha de Asculum, perto de Roma, para saudar a vitória parcial das suas tropas contra o poderoso exército romano. Diante das enormes perdas de oficiais e soldados, porém, ele constatou que "com mais uma vitória como esta" o seu reino estaria perdido. Daí o termo "vitória de Pirro", que expressa uma conquista em que as perdas do vencedor são tão grandes quanto as do perdedor.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Pensem bem

Soares demonstrou que a idade não é um argumento a desprezar! Apesar dos seus oitentas pode muito bem aguentar uma campanha nacional e demonstrar ser o mais lúcido de todos .
Cavaco poderia estar um ano a percorrer o País que não convence, a não ser os incautos, que tem perfil para o lugar. Não se lhe ouviu nada de verdadeiramente interessante.
Alegre foi oportunista, disse o que não pensa e fez de conta que nunca foi fundador, dirigente e político de um partido durante os últimos 30 anos.

Soares merece o meu voto, e merece que vos peça para votar nele!