sexta-feira, abril 28, 2006

Qual o papel da oposição?

A propósito do actual estado das coisas da política apetece-me dizer que a Silly Season chegou bem cedo. Parece-me até que no tempo dela estará o País em pleno rebuliço, seja à custa dos fogos, seja com outra coisa qualquer.

Mas parece imperdoável que o PS pareça adormecido no final deste ano de grandes embates eleitorais. O governo segue o seu rumo, mas o partido vai a reboque e não fazendo ele o papel charneira de motor do pensamento político.
Aliás essa é sem dúvida a característica que diminui José Sócrates no leque das suas inúmeras qualidades enquanto estadista – não gosta de debate, aliás não gosta mesmo nada de debate interno. Curioso em alguém que alcandorou um papel mais relevante à custa dos debates de telejornal.

As opções internas do partido foram de ordem orgânica e servem o interior da estrutura, mas caucionam o enorme potencial que se vai desperdiçando.

Para isso daria dois exemplos, por serem mais visíveis que deviam acautelar a todos. A saber, Lisboa e Porto.
Começando na Capital nunca mais se ouviu a voz de Carrilho sobre alguma matéria que tivesse um mínimo de relevância. Tirando claro as suas faltas ora ao Parlamento, ora às reuniões autárquicas. Sobrou o Casino, o túnel, as corrupções de Braga Parque, a continuidade cinzenta e infantil de Carmona Rodrigues.
Ora bem das duas uma, se Carrilho ainda for portador de alguma ténue esperança de ser representante político do PS em Lisboa, então vale a pena levar o barco, senão o próprio partido na sua força deverá desde já lançar amarras para que se deixe de estar refém das personagens.
Mas isso é difícil não é? Ainda por cima somos governos e não podemos dizer mal das coisas, como aquela do casino?
É portanto caso para perguntar se existirá uma visão verdadeiramente socialista para Lisboa. E por falar nisso, será que a historieta das alianças vai precisar de mais dois anos para se fazer (mais ainda na praça pública que é mesmo para não se fazer). Já para não referir que a importância de um bloco das forças de esquerda tem mais sentido para congregar a oposição contra uma maioria, do que somente para distribuir lugares de vereadores. Trabalho à esquerda e em conjunto é já e hoje, e não creio que haja diferenças inultrapassáveis, nomeadamente com o bloco, adversário maior dessa união.
Pois, mas o líder por lá é Miguel Coelho, ainda por cima a limitação de mandatos não passa ali, pois…

No Porto, UI,UI!
O PS no Porto simplesmente não existe. Sou como sabem sectário nesta análise, mas ela parece-me evidente e está a assumir contornos gravíssimos com consequências na credibilidade do Partido em diversos sectores da sociedade. O PS no Porto é silêncio. Aliás nem isso, porque às vezes o silêncio “fala”. O PS no Porto é vazio – “void”. O PS não é alternativa, é simplesmente figura de corpo presente. Arrumam-se uns e outros a distribuir os escassos lugares de nomeação política. Hospital aqui, assessoria acolá, e debate sobre o distrito? – pouco, muito pouco.
O TGV é prioritário ou não? – os ministros já nem respeitam os lideres locais, porque nem satisfação lhes dão. As GAMPS com eleição vêem e quando? Os círculos uninominais vão ou não vão? As alianças com a nossa esquerda são pontuais ou estruturais? Melhor, são para fazer ou para fazer de conta que se poderão fazer? A regionalização, essa, pelos vistos, serve de qualquer maneira, mesmo que seja à maneira deles, que é primeiro nos órgãos administrativos e depois quem sabe, por referendo à séria para valer politicamente.
Creio que serão muitas as perguntas por responder. As CCRs estão cada vez menos interventivas politicamente e o governo civil de nada serve porque tem uma certidão de óbito em tramitação. Ressalve-se que os senhores ou as senhoras podem entretanto sonhar com as candidaturas autárquicas a partir dessas cadeiras. E se para ganhar no Marco era preciso ser homem, no Porto se calhar para arrumar Rui Rio é preciso ter saias, isto prevêem uns poucos para lá do horizonte, já na curvatura da terra. Triste engano, se calhar.
As reuniões de Câmara, essas “estopas” que atrasam o avião, além de escassas, não apresentam assuntos relevantes e que se saiba os socialistas ainda não trouxeram nenhum assunto novo para a agenda política (excepção feita à culturporto, mas que foi rapidamente largado pela falta de combatividade dos principais personagens).
A revista visão, pela caneta do “amigo” Miguel Carvalho, fez a equipa de futebol do PS Porto, ridicularizando todos, mas dando jeito nos recados de alguns e foi entretendo as conversa de chinelo e corredor do PS (porque de assuntos sérios nem sequer se desejam debater). A malta, enfim, fixou a posição de Ponta-de-Lança, e de relance entristeceu por ver a falta de qualidade da coisa. O PS nestas bandas é uma mistura de velhice e matreirice, mas pouco de política faz.
A coligação de direita caminha a passos largos para um mandato tranquilo, sem sequer necessitar de despender energias no combate político.
Os problemas do Porto, esses, continuam os mesmos e já nem são assunto – infelizmente.

quinta-feira, abril 27, 2006

Jornal de Notícias recupera graças aos “morangos com açúcar”


Quem nos elucida, depois de ouvir «Especialistas contactados, que têm vindo a analisar a postura editorial do JN face à CMP» é, nem mais nem menos, que a própria Câmara Municipal do Porto através do seu site, em artigo dedicado a este assunto, que termina com esta pérola:

«Os mesmos especialistas consideram ainda que a descredibilização crescente da linha editorial do JN no Porto tem contribuído para a quebra das vendas, atenuada nas últimas semanas pela distribuição de colecções e, em particular, com a oferta dos cromos dos «Morangos com Açúcar».»

E ficamos, mais uma vez, a saber para que serve o site da Câmara Municipal do Porto, e de que forma são gastos os recursos aos dispor da CMP (ou seja NOSSOS), em mais um exemplo da tão propalada «seriedade» que já só pode mesmo enganar quem tenha um prazer especial em ser enganado.

Já não é a primeira vez que, aqui no SEDE, refiro, em tom enojado, a campanha que a CMP tem vindo a desenvolver contra a direcção do JN.

Desta vez porém ao nojo que me provoca este tipo de comportamento não pode deixar de se associar uma imensa estupefacção…

Será que esta gente não tem mesmo a noção do ridículo?
António Moreira

terça-feira, abril 25, 2006

pergunta perniciosa

Muitos como eu não viveram o 25 de Abril sem a ajuda de cueiros, penico e papas (chupeta não que já a tinha largado). Por isso deixo aqui a pergunta:

Onde é acha que estariam se o 25 de Abril fosse hoje?

respostas

a) Em França exilado.

b) Em casa descansado.

c) No Algarve, porque ainda estava de férias de Páscoa.

d) Na tropa porque foi um dos que, do meio de 400 mil, teve que fazer recruta.

e) A dormir porque tinha saído à noite.

O que Cavaco não levou na lapela



Ou como nos fazem lembrar que temos um Presidente que celebra o 25 de ABril com a mesma convicção que comemora o aniversário do seu motorista Quim.

quinta-feira, abril 20, 2006

Outros aniversários


Ou, sobre o sentido de oportunidade...

Via Tugir fiquei a saber que também se comemorava ontem, se bem que apenas 33 anos, a data em que foi deliberado, em Bad Munstereifel, transformar a ASP em Partido Socialista, ou seja, sem qualquer festa comemoraram-se ontem os 33 anos do Partido Socialista.

A data escolhida, a coincidir com o que terá sido talvez a data mais vergonhosa da história do nosso país, apenas se poderá compreender pela urgência e pela necessidade de evitar que viesse a coincidir com a celebração da data de nascimento, em 20 de Abril de 1889, de um dos vultos mais marcantes do século XX…

E pensar que 3 em cada 4 anos tem 365 dias…

António Moreira

Afinal é tudo ao contrário


Se conduzir não sei, mas Se andar não beba!

quarta-feira, abril 19, 2006

terça-feira, abril 18, 2006

A propósito do muito que fazer dos deputados na Páscoa

Deveria ser realizado um estudo comparativo entre a acção política local e nacional. Por exemplo, seria possível faltarem os membros da assembleia municipal da mesma forma que faltaram os deputados da nação? Será comparável o volume de trabalho de um executivo nos órgãos locais com o trabalho na assembleia da república? Se calhar é, desde que o órgão sirva para o socialite da política nacional em vez de ser observado como um local de profundo empenhamento na causa pública.
Assim, um dos graves problemas do estigma que paira sobre a classe política incide na medíocre qualidade e responsabilidade dos seus deputados. Acrescida depois com a patente demagogia que os representantes autárquicos insistem em usar.
Sim, sim se pensavam que eu vinha aqui dizer que uns são melhores do que outros, desenganem-se. Porque em muitos casos eles são exactamente os mesmos.
Ou seja o quase "dolce fare niente" que torna tão atractivo o lugar de deputados (aliás só assim se compreende que muitos vereadores acumulem funções com o lugar de legislador) é equilibrado com a pimenta demagógica tão propicia nos nossos municípios.
Deste modo continua a ser desprestigiante andar sequer por perto dessa malta da política. Às vezes compreendo porquê!



O casino

Amanhã abre o Casino de Lisboa.
E a boa noticia é que se pode fazer apostas de um centimo!

Afinal Santana Lopes sempre deixou a sua marca na gestão de Lisboa.

citando o CM:
"Para a inauguração, pelas 19 horas do dia 19, o Casino Lisboa promete uma festa de arromba, que arranca com animação no exterior do edifício. Sem colocar todas as cartas na mesas, Assis Ferreira disse que “será um disparate do Diabo”. "

Quem somos nós para discordar, estão os casinos para Portugal como está o "Petroile" do Irão para Mister Bush.

quarta-feira, abril 12, 2006

Paradoxo:


Para serem vendidos na Europa, os brinquedos e outros bens destinados a crianças (mas não só) tem que obedecer a um rigoroso conjunto de regulamentos e normas que garantam, tendencialmente, que os mesmos não provoquem qualquer risco aos seus utilizadores (as nossas crianças).

Tem ainda que cumprir com outro rigoroso conjunto de regulamentos e normas que garantam que os mesmos não afectem o meio ambiente ou que esse impacto, se inevitável, seja mínimo.

No entanto…

Não existe qualquer norma ou regulamento que imponha qualquer restrição às condições de trabalho em que os mesmos são produzidos, armazenados, embalados e distribuídos, que garanta sequer um conjunto mínimo de condições de segurança e higiene no trabalho, de saúde, de dignidade, etc. etc. etc.

Isto facilita, naturalmente, que uma grande parte dos bens comercializados no mercado europeu, sejam produzidos em “mercados emergentes” com recurso intensivo a mão-de-obra infantil, extremamente mal paga e a trabalhar em condições equiparáveis à escravatura.

Todos conhecemos esta realidade e, apesar disso, quase todos somos capazes de dormir noite após noite repousados e de consciência tranquila, porque nos fizeram acreditar que isto era uma inevitabilidade contra a qual de nada valia a nossa oposição.
Porque foram até capazes de fazer muitos acreditar que isto era normal, que isto era justo e, em última análise, até benéfico.

Para a propagação desta falácia, em que até muitos dos que, seriamente, se identificam com a “esquerda” e até militam em partidos com o singular nome de “socialista”, por exemplo, acreditam, colabora a mais vasta gama de personalidades, pelo que, a certo ponto, se torna quase impossível distinguir entre os genuinamente cínicos e os apenas ingenuamente iludidos.

Naturalmente ninguém, muito menos os incondicionais defensores das miríficas virtudes dum mercado idealizado, está preocupado com a flagrante violação das mais básicas regras de concorrência, que representa o permitir que concorram, num mesmo mercado, bens de produtores sujeitos a obrigações tão díspares sobre os factores que afectam tão significativamente os seus custos de produção.

Como não são capazes de ver para além do seu nariz (ou seja, no máximo, outra geração) parecem não se aperceber que o acesso, por parte das nossas economias, a bens com um preço muito abaixo do seu custo de produção (no nosso mercado) apenas poderá gerar o fim da produção de bens, ou seja de riqueza, por parte do nosso mercado e, a prazo, ao esgotamento dos meios que permitam a sua aquisição aos mercados que os produzem.

Que os factores que permitem o sucesso dessas economias são exactamente aqueles contra os quais lutaram as gerações que nos precederam e que permitiram contribuir para o desenvolvimento desta nossa civilização que tem por objectivo primeiro a garantia das condições de sobrevivência, com dignidade, a todos os seus membros e da igualdade de oportunidades na busca da felicidade?

Que se a nossa geração abdica destes objectivos estará a condenar as gerações que nos seguem a um destino semelhante ao daqueles em cuja miséria agora assentamos o nosso bem-estar.

Que ao garantir o sucesso dessas economias, baseado nestes factores, estamos a contribuir para a perpetuação desses factores nessas economias e a sua replicação pelas que com elas pretendam competir.

Que o caminho certo passa pela imposição de normas e regulamentos que, para além de proteger os (nossos) consumidores e o meio ambiente, permitam também a garantia de condições equivalentes (no que respeita aos factores produtivos, nomeadamente o factor trabalho) às impostas às empresas produtoras sedeadas nas economias onde os bens serão comercializados.

Que só essas medidas permitirão o funcionamento do mercado em condições de concorrência efectiva.

Que só essas medidas permitirão a manutenção do emprego, da criação de riqueza e, a prazo, da qualidade de vida, na nossa sociedade.

Que só essas medidas permitirão o incentivo necessário à melhoria das condições de trabalho e, a prazo, da qualidade de vida, nas sociedades cuja produção assenta, actualmente, na exploração da miséria das populações, na cegueira pavloviana dos consumidores ocidentais e na gananciodependência dos “junkies” do capital.

Que a continuação cega neste rumo significa apenas e inevitavelmente o suicídio da civilização tal como, um dia, a sonhamos.

António Moreira

Portugal na rua!



Diz-se, por ai, que em Portugal não se sai à rua, não se fazem manifestações, apenas se "vota".
O tempo tem destas coisas, transforma as pessoas. Porque há muito, muito tempo, eu já vi este país na rua. Velas em vigilias e em todas as casas, lençóis brancos nas janelas, manifestações, desfiles de tractores e balões, rosas e cravos ao rio e ao mar, barcos e navios a flutuar. Claro, país covarde e matreiro que nem um tiro ousou disparar. Ser de esquerda, ser mesmo de esquerda, também é nunca deixar de acreditar...

segunda-feira, abril 10, 2006

Italia



Em Itália, após as 14:00h as sondagens dão à boca das urnas a vitória a Prodi. Berlusconi, esse magnata dono dos média, do A.c.Milan e de mais umas poucas de coisas parece finalmente arumar as botas da sua "Forza Itália".
A esquerda parece voltar nesta nossa federação de paises para tentar pôr o continente no caminho do crescimento. Aparentementemente pode acabar o reinado conservador europeu que tantas e tão poucas fez, que até Durão Barroso acabou a Presidente da Comissão Europeia.

VITÓRIA


MERCI

É já oficial
Villepin (e companhia) recuaram.
O CPE não “passou”

Segundo a TSF:
“ O Presidente francês anunciou, esta segunda-feira, que o Contrato de Primeiro Emprego será substituído por um mecanismo a favor da inserção profissional de jovens com dificuldades em entrar no mercado laboral.”

Há, obvias conclusões a retirar deste processo e é bom que todos vão aprendendo com os exemplos que, com cada vez maior frequência, nos vão chegando de França.

Gostaria de ver, na nossa caixa de comentários, um amplo debate sobre esta realidade, pelo que, apenas para o arranque, fica a “provocação”

É ainda “na rua” que tudo se perde ou se conquista!!!!

António Moreira

A Primeira Dama

Pela amostra, a Primeira Dama é que vai liderar este mandato presidencial.


O que apesar de tudo pode ser o mal menor.....

Pérolas do universo masculino

*Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças, 1957)

*Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo. (Revista Claudia, 1962)

*A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1965)

* A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas. (Jornal das Moças, 1959)

* A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido às experiências pré-núpciais, mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara. (Revista Claudia,1962)

* Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida,1954)

* O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. ELE é quem decide - sempre (Revista Querida, 1953)

* Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite, espere-o linda, cheirosa e dócil (Jornal das Moças, 1958)

* É fundamental manter sempre a aparência impecável diantedo marido. (Jornal das Moças, 1957)

* O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de casa masculiniza. (RevistaQuerida, 1955)

CONCLUSÃO:

* Não se fazem mais revistas instrutivas e sérias como antigamente .

sexta-feira, abril 07, 2006

Sobre a AIP

É relevante a saída da AIP (agora chamada de Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)) do Porto para Lisboa.
Os relatos nos média deixam ainda a impressão que o assunto ´não pretende ser discutido publicamente pelos lideres políticos.
Mas afinal que critérios baseiam esta mudança? Logisticos ou os de sempre? É que o responsavel desta estrutura acha uma chatice alterar o seu quotidiano de Lisboa para o Porto.
Considero isso normal, é costume em Portugal os interesses pessoais sobreporem-se aos interesses publicos, mas não se compreende é o silêncio que estas coisas geram em determinados sectores políticos. E, a não ser que seja eu um pouco distraído não ouvi ninguém no PS ou no PSD a tentar reverter a situação.
Francisco Assis disse estar contra mas fala como se fosse impotente para qualquer acção politica em defesa da região. Carlos Lage também discorda, assim como Rui Moreira e outros. E depois?
Curioso é o facto dos Presidentes das distritais PS e PSD não se pronuciarem sobre o assunto, no caso A. Branquinho (lider efectivo) e Renato Sampaio (virtual) não devem achar o assunto suficientemente importante para mereceram uma posição forte em defesa do Porto.


Pobres de nós!



A prova mais provada da degenerescência do Porto, está estampada nesta historieta mal-cheirosa da "madamme" que vivia com Pinto da Costa e do próprio, que cada vez mais se assume como uma caricatura daquilo que poderia efectivamente ser.
Não que eu considere que seja mentira este folhetim, mas sim porque a confusão deve ter sido bem maior. Assim, das capas das revistas côr-de-rosa se passa para as noticias do Correio da Manhã e do JN, como qualquer arrufo havido no bairro de Aldoar ou na Peixaria ali do mercado.
Depois da campanha eleitoral autárquica centrada em conflitos de pouco interesse, bem como a tendência dos personagens portuenses em se envolverem nestas palermices que só desqualificam a necessidade desta região em se afirmar pelas boas razões, só faltava esta.
Por mim, nunca mais Pinto da Costa Olé, Olé.

quarta-feira, abril 05, 2006

Armadilha para ursos conformistas


Ele há “blogs” com nomes que não lembram ao diabo.

Mas, principalmente quando vão aqui faltando os “posts” que permitam a discussão, nada como aproveitar o que de bom (excelente?) outros escrevem, para espevitar consciências.

Descobri hoje este “blog”

Quanto lamento não o ter descoberto mais cedo.
Quanto lamento que não seja de prever a saudável leitura e troca de comentários entre os que, tão bem, escrevem nesse “blog” e os (ainda?) militantes socialistas honestos e inteligentes que eu sei que ainda há (e alguns até fundaram e escrevem aqui no SEDE).

Ainda não o li todo e, do que li, não posso dizer que concordei com tudo.

Agora que é, deve ser, uma mais que saudável provocação àqueles que ainda se questionam afinal que raio de “esquerda” é esta que ganhou as últimas eleições e está a governar Portugal, ai isso é.

De qualquer forma aqui fica o “link”, quem quiser que vá lá, que leia, que discorde, que comente, que discuta.


Quem quiser aproveita
Quem não quiser, não ...
António Moreira

segunda-feira, abril 03, 2006

Afinal sempre se ia tendo razão

Já me tenho aqui pronunciado muitas vezes sobre o tema de admissão dos licenciados de arquitectura à Ordem de Arquitectos.
Finalmente no JN do passado sábado saiu esta noticia.

Acrescentam-se estas declarações de Mariano Gago, que demonstrou coragem e uma acçção de total transparência neste processo.

sexta-feira, março 31, 2006

Flores e Abelhas e ... Coriscos


Há já algum tempo que não encontrava outros blogues de que valesse a pena falar, hoje encontrei dois, ambos monoautorais (acabei de inventar esta palavra(?)), ambos da autoria de Mulheres e ambos de altíssima qualidade. (depois digam que só sei dizer mal)

Como temos tido a felicidade de ser visitados por comentadoras com qualidades mais que suficientes para iniciar os seus “blogues”, pode ser que uma visita a estes, sirva de estímulo adicional.

Flores e Abelhas
Coriscos



Parabéns às duas autoras
António Moreira

quinta-feira, março 30, 2006

Há sempre uma ou mais formas sérias de tratar os assuntos…

E, além dessas, há as outras…

Não era preciso ter grandes dotes divinatórios para antecipar o que, realmente estava em causa.

Já anteriormente aqui tínhamos alertado para o “Gato escondido”, quando falamos do “Lixo do Porto”.

Agora é o “Primeiro de Janeiro” a dar espaço à denúncia, por parte do STAL, de que “A Câmara do Porto pretende concessionar grande parte do serviço de recolha de lixo e limpeza urbana…”(ler tudo)
Não temos qualquer posição rígida, de princípio, de que as actividades da Câmara Municipal do Porto (ou de qualquer órgão do Estado) não possam ser subcontratadas a empresas privadas que poderão até (caso seja esse o objectivo) desempenhar as mesmas tarefas de forma mais eficaz, eficiente e económica.

Temos isso sim é a convicção firme que a melhor maneira de fazer seja o que for é garantindo sempre um comportamento sério, honesto e verdadeiro, e se isto deve fazer parte do comportamento individual de cada um de nós, deve fazer parte de um conjunto mínimo de condições exigíveis aos eleitos.
E, por hoje, mais não digo.
António Moreira


segunda-feira, março 27, 2006

E esta, ein?

Via “A Baixa do Porto” tive conhecimento deste anúncio:



Como sou curioso, liguei para o número que constava no anúncio, como sendo da CMP e, efectivamente, era da Câmara Municipal do Porto.

Pedi informações sobre o Teatro que estava à venda e passaram-me ao gabinete de comunicação onde me informaram não saber qual era o Teatro, nem que departamento tinha posto o anúncio!!!!

Quando sugeri que talvez então fosse boa ideia ligarem para o JN a perguntar, informaram-me que já o tinham feito e que eles também não sabiam…

Se o saudoso Fernando Pessa ainda andasse por aí, decerto diria:

E esta, ein?

António Moreira

***** Actualização ******

Afinal a CMP já está "em cima" do assunto e já concluiu que foi mais uma peça da campanha do JN contra a CMP:

A não perder a sequência:

"1- O Jornal de Notícias publicou esta segunda-feira um anúncio que pretende levar os leitores a pensar que o Teatro Rivoli está à venda. Nesse falso anúncio, que aparece destacado sobre um fundo laranja, é inclusivamente fornecido o número de telefone da autarquia para eventuais contactos, o que tem motivado uma série de telefonemas de pessoas que, obviamente, foram iludidas.
2 - Perante este acto de desrespeito pela instituição Câmara Municipal do Porto e pelos seus munícipes, a autarquia não pode deixar de repudiar a atitude e lamentar, mais uma vez, que o JN tenha contribuído para a publicação de uma mentira, enganando os seus leitores.
3 - O anúncio não é politicamente inócuo, porquanto surge na sequência do debate sobre o Rivoli que teve lugar na última reunião do executivo e que mereceu amplo espaço noticioso no JN.
4 - Nesse sentido, a Câmara Municipal do Porto decidiu mover uma acção judicial contra o jornal e apresentar uma participação-crime, contra o seu director, Leite Pereira, enquanto responsável máximo pela publicação em causa.
António Moreira
P.S.: (Copiado do Coriscos)

domingo, março 26, 2006

Charlatão

A semana que passou foi fértil na publicitação das primeiras observações aos resultados do novo código da estrada. Conforme era de prever, os resultados são nulos. O maior rigor, as multas escabrosas, o reforço da autoridade, etc. não servirão absolutamente para nada e os índices de sinistralidade continuam rigorosamente os mesmos. Mas é claro que nem tudo ficou na mesma, Portugal tem agora um novo código, completamente desadequado à realidade do país que, sendo apenas e só um instrumento de propaganda política, penaliza e muito o dia a dia dos cidadãos.
Já lá vão quase dois anos desde que o charlatão foi embora, mas os efeitos das suas medidas, tiradas ora do joelho direito ora do esquerdo, continuam a fazer-se sentir.
E vão passar-se muitos mais. Mas nunca serão os suficientes para que todos nos esqueçamos do que dois anos de Durão Barroso trouxeram. Ficaremos sempre alguns para lhe chamar na cara aquilo que ele devia ter ouvido de todos mal se candidatou: CHARLATÃO.

Alto fuego permanent

A ETA declarou o "Alto fuego permanente" a partir da ultima 6ª feira (video).
Esta será uma grande vitória política de Zapatero. O mesmo Zapatero que ganhou as eleições porque o PP tentou aproveitar-se da ETA para disfarçar um ataque da Al-quaeda.
Se o virar de século acabar por decretar o fim da insurreição "euskadi", isto significa que foi com um governo socialista, ponderado e equilibrado que se demonstrou qual a atitude na gestão destes conflitos na Europa. Ou será que não?

O mau exemplo de Helena Roseta

Na já famosa guerra entre a Ordem dos Arquitectos e os licenciados que eles impedem de aceder à profissão chegou agora mais uma bordoada em cima de Helena Roseta - um parecer do Ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, afirmando perentoriamente que a regulamentação corporativa e exclusora da OA carece de base legal.
Como todos sabem o que se tem passado é muito simples, a OA reconhece que existem cursos de 1ª, 2ª e 3ªs categorias. Nos de 1ª (geralmente ligados ao professores que também pertencem à OA) os alunos entram de imediato, após um estágio profissional, onde durante um ano tem que trabalhar de "borla", em geral pelos gabinetes dos mesmos professores.
Os outros, de 2ª e 3ª, fazem um exame, cuja percentgem de chumbo é enorme e pagam 400 ou 500 euros mais despesas, cada vez que tentam. Ou seja, uns tem que fazer exame, outros não. Apesar do Ministéiro da Educação aprovar os cursos da mesma maneira, simplesmente a OA discriciona o assunto com base numa directiva europeia, que é mesma que o Ministério usa para aprovar o conteudo pedagógico dos cursos.
Confusos, então não percam os próximos episódios de "soap".
Valha-nos os estatutos da OA que não permitem mais que dois mandatos consecutivos ao mesmo bastonário(a). É que não sei se repararam, mas destes 5 anitos de roseta na lapela, trabalho da arquitecta "política", nem o 73/73 se resolveu, nem houve melhoria do ensino da arquitectura, nem o panorama profissional melhorou, nem os concursos deixaram de ser a vergonha que são, nem há qualquer serviço essencial prestado aos profissionais.
Ainda mais envergonha que exista até agora, parecer do provedor de Justiça, do Ministério da Obras públicas e agora do Ensino Superior, todos com o mesmo teor e a OA o que faz? Em primeiro diz que não acata todas as indicações do provedor e depois faz orelhas moucas às informações do Governo.
Isto não são procedimentos responsáveis. Todos sabemos que há arquitectos a mais para a quota de mercado existente, mas o problema reside noutro sítio. Outros paises também possuem excesso de licenciados em arquitectura e não precisaram de atropelar os direitos fundamentais dos cidadãos para resolver a situação.
Saiba mais sobre o assunto aqui.


Ela vêm aí

Pela primeira vez que me lembre, as jornadas parlamentares socialistas revelaram um grande passo na estratégia do governo relativamente à modernização da organização administrativa do território:
"Ideia das cinco regiões-plano é consensual"José Sócrates voltou a defender, ontem, a organização territorial dos serviços públicos em função das cinco regiões-plano que já existem Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
E disse que a ideia é consensual "no PS e noutros partidos" e até junto da comunidade científica.
"Não compreendo a surpresa de muitos. Essa orientação está escrita no livrinho do programa de Governo do PS que editamos na campanha eleitoral. Lá está escrito que devemos aproveitar as cinco regiões-plano como espaços territoriais para toda a desconcentração dos serviços públicos do Estado", lembrou no discurso que proferiu no encerramento das jornadas parlamentares do PS, em Viseu, sobre "Modernização da Administração Pública".
NÃO HÁ-DE TARDAR MUITO PARA COMEÇARMOS A OUVIR O MIGUEL SOUSA TAVARES E OUTROS DEMAGOGOS A LANÇAR ATOARDAS E A AMEAÇAR COM O RETORNO DO "PORTUGAL ÚNICO" (LEMBRAM-SE DO NOME DO MOVIMENTO ANTI-REGIONALIZAÇÃO?).

sexta-feira, março 24, 2006

Sexy

"CDS devia ser mais «sexy e sedutor» "

Pires de Lime, vice-presidente do CDS-PP, afirmou que o partido devia ser mais «sexy e sedutor». O dirigente afastou a possibilidade de se candidatar à liderança do partido a não ser que ocorra «algum acontecimento extraordinário».



quarta-feira, março 22, 2006

De volta ao debate

Como se tem voltado a questionar a eficácia do nosso sistema político, quer aqui, quer, por exemplo, n”A Baixa”, onde vai animado o debate com a participação até de figuras mediáticas como o Rui Moreira e o Rio Fernandes (desculpem lá a falta dos Dr.s) eu gostava de encontrar quem me pudesse ajudar na solução para as minhas perplexidades.

Para evitar a artilharia pesada de outras vezes, vou começar devagarinho…

Então alguém me explica, por favor, que sentido faz realizar as eleições num único dia, das 08:00 às 19:00, tudo em segredo e após um dia de “reflexão”?
Faz sentido?
Alguém me explica que sentido?

Não seria melhor alargar o prazo da votação, digamos de segunda a sexta, com informação constante da evolução dos resultados?
E, se na sexta a percentagem de votantes ainda fosse inferior a 65% (por exemplo), por que raio não poderia haver um período extra até domingo?
Isto tudo, naturalmente, sem interromper a campanha eleitoral nem nenhuma daquelas “picuinhices” que parece que o Mário Soares está sempre a violar :-)

Então digam-me lá em vossa opinião.
Quais as vantagens e desvantagens quer do sistema actual, quer da alternativa que apresento?

Ou será que isto também não se pode discutir?

António Moreira
(Já agora, este foi o "post" nº 1.000 aqui do Sede)

CAIXA DE COMENTÁRIOS REABERTA

Populismo

AFINAL O PROF. TAMBÉM É UM PENSIONISTA DE LUXO !

ANIBAL CAVACO SILVA

Actualmente recebe 3 pensões pagas pelo Estado distribuídas da seguinte forma:

* 4.152 euros do Banco de Portugal;
* 2.328 euros da Universidade Nova de Lisboa;
* 2.876 euros por ter sido primeiro-ministro;

podendo acumulá-las com o Vencimento de P.R.!!!

Será que, o Expresso, o Público, o Independente, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, que não abordaram este caso, mas trataram os outros conhecidos, elevando-os quase à categoria de escândalos, vão fazer o mesmo que fizeram com os outros???

Conferência internacional de marketing das cidades

Na próxima semana na Alfandega este será o evento internacional do Porto. Saiba mais aqui.

nota: É evidente que não é indeferente o facto de eu ser um dos oradores :)

terça-feira, março 21, 2006

pequenos passos

Coincidência, com certeza, estes tempos de relativo entorpecimento do SEDE serem também tempos mornos pela blogosfera em geral. O que não deixa de ter graça, porque lá fora, onde a chuva cai dura e o vento até fere, muito tem acontecido de política partidária, capaz de, noutros tempos, levantar multidões e despertar fortes paixões.
O CDS parece que vai a congresso. Bizarria suprema. Líder eleito em directas procura reforço de legitimação nos velhos instrumentos, dos quais todos parecem querer libertar-se. E depois do congresso? Directas outra vez?
O PSD lá aprovou as directas. E depois das directas? Congresso outra vez?
O que está aqui em causa é a representatividade. O que está aqui em questão é o politicamente correcto da maior transparência contra os velhos vícios dos sistemas representativos. Em teoria parece estar tudo de acordo que existem inúmeras vantagens em tornar mais directa a escolha. Na pratica parece que ainda ninguém sabe muito bem como lidar com isto.
Poderão estruturas pensadas para um determinado tipo de funcionamento (representativo) manter a validade para funcionamentos mais directos? Especificando; não será necessário introduzir alterações à orgânica partidária para que o processo de eleições directas seja implementado?
Aparentemente não. No PS as coisas tem funcionado assim, pacificamente. Assis foi eleito em directas, assim como todos os presidentes das Federações. Ferro Rodrigues foi eleito em directas, Socrates foi eleito em directas.
O grande problema das directas é que relega para segundo plano a discussão política “directa”. A discussão entre militantes, dos programas e das ideias políticas perde a sua importância, sendo substituída pela discussão mediatica. Formar a opinião é hoje um processo mais individual, e mais pobre, certamente. Embora o acesso à informação seja maior, com o que ouvimos pela rádio, pela net, pela televisão e pelos jornais, as vantagens do confronto de opiniões perdem-se.
Qualquer dos partidos elege hoje um líder sem que esse mesmo personagem tenha tido que se bater pelas suas ideias e projectos em confronto directo com ideias contraditórias (caminho sempre árduo). E até com grandes percentagens de votação.
O incremento de legitimidade tem um preço que aparentemente vale a pena pagar, mas para isso é preciso que a discussão sobre os métodos eleitorais internos seja feita. O que ainda não aconteceu.

sábado, março 18, 2006

Medida de higiene

O facto de a caixa de comentários do "post" anterior ter sido infestada por indivíduos, em minha opinião, não recomendáveis levou-me a tomar a decisão de a fechar, não será assim possível, a pessoas exteriores a este "blog", o acesso à mesma.

Pelo facto pedimos as devidas desculpas aos comentadores não responsáveis por estes factos.

Os comentadores que merecem consideração poderão, se assim o entenderem, continuar a comentar usando o meu e-mail.

Este "post", por ter um carácter meramente informativo, não terá caixa de comentários.

António Moreira

quarta-feira, março 15, 2006

O Fim do Espectro e as profecias

Segundo a Angie (na caixa de comentários do saudoso "Espectro")



"Acompanhando o delicado momento que o jornalismo bloguítico nacional atravessa, desde a última semana, e segundo notícias vindas a público, via TSF, uma equipa de especialistas subvencionada pelo M. Cultura (Espanhol), que tem operado no maior sigilo, vai finalmente revelar o objecto do trabalho desenvolvido e os resultados atingidos até este instante.
OS ESPECIALISTAS EM CAUSA - HISTORIADORES DE REPUTADO MÉRITO - APRESENTARÃO UMA INTERPRETAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DOS PAINÉIS DE S. VICENTE DE FORA, RELACIONADA COM O PERÍODO DELICADO QUE ATRAVESSA A BLOGOSFERA NACIONAL
De facto, e segundo parece, há muito que a produção dos últimos acontecimentos em referência era esperada por um pequeno grupo de técnicos que se debruça (periodicamente) sobre a iconografia da obra pictórica de Nuno Gonçalves.
Assim, as figuras que surgem em 1º plano nas duas folhas centrais dos referidos painéis do Museu de Arte Antiga representam, afinal:
No painel (central) da direita:
VPV, ajoelhado, ouvindo o libelo acusatório, mãos no peito protestando inocência, tendo a seus pés, jacente, o blogue ESPECTRO, sob a forma de cordão negro (vencido e neutralizado).
No painel (tb central) da esquerda:
CCS, disfarçada, segundo os cânones da época, de figura masculina (qual Goerge Sand) vestindo de verde, que também toma conta da peça acusatória, proferida por um dignatário ainda não identificado.
É notória, em CCS,o indisfarçável orgulho, patente na forma desafiadora como enfrenta as forças da ordem, de cabeça elevada.
Na sua frente, CFA, de escarlate, segurando um feixe de plumas caprichosas na cabeça
Na 2ª folha dos painéis laterais divisa-se, de longas barbas e prostrado no chão, as mãos erguidas em prece agradecida, JPP.
Logo atrás, de pé, envolto em vestes verdes, Fº Loucinha, em atitude seráfica e alinhada.
Na 1ª folha do painel lateral da direita, reconhece-se Mº Só Ares, ajoelhando, de vestes também escarlates.
E logo atrás, segurando o livro de cânones, Freitas do Amarinho, gravemente secundando os actos.
AFINAL, A PROFECIA ESTAVA FEITA, MAS NINGUÉM ADIVINHARA.
Prosseguem os trabalhos de identificação das restantes figuras (aceitam-se sugestões de leigos).
(NOTA: as cerimónias fúnebres, previstas para a Igreja de S. Vicente, à Graça, junto ao Panteão Nacional, passarão ao que tudo indica para o Museu de Arte Antiga, às Janelas Verdes).
(MEETING POINT: As pessoas que quiserem associar-se às cerimónias e provenham do país real interior poderão encontar-se para um "copo" retemperador e discreto na YORK HOUSE, junto ao local das exéquias.
Entrada reservada a quem se apresentar com vestes de espectro) "

Angie"

Agradecimentos reverentes de

António Moreira


terça-feira, março 14, 2006

Esqueci-me!

Passei pelo evento e quase nem dei conta (juro!). Parece-me que Cavaco Silva sempre tomou posse. Fizeram e refizeram as ultimas análises ao mandato de Jorge Sampaio. Filmaram Soares a sair mudo sem estender o bacalhau ao seu adversário de sempre. Passaram a bela princesa dos maus ventos espanhóis sempre amarradinha ao seu Filipe. Dá-me sempre aquele arrepio à procura do Miguel de Vasconcelos dos tempos modernos.

Não fosse a mediatização e a treta de que afinal temos um presidente mais interventivo, e a coisa passava como se não interessasse. Se calhar não interessa.

Cavaco Silva ainda não carimbou a sua acção política e na verdade ninguém sabe bem como se irá posicionar. Numa coisa todos concordaremos não parece reunir condições para congregar os portugueses para uma motivação especial, nem parece ser capaz de impor mudanças significativas nos poucos sítios em que pode actuar.

E assim, por cá na política tudo continua igual. Mais um Novas Fronteiras passou, sem deitar qualquer chama que inquiete os espíritos, mas também as vontades. Agostinho Branquinho Chegou ao Poder Distrital no PSD passeando como Renato Sampaio passeará. Melhor do que isso – sem debate – porque assim é melhor.

Rui Rio continua com as suas tácticas de Pinto da Costa – arranja uns temas que dividem a malta (agora é o paga, não paga aos lixeiros), e esconde o essencial – não tem uma ideia, não faz nada de relevante para o Porto mudar e já agora, as obras na Baixa estão num estado caótico bem maior do que o que ele criticava na 2001.

Lá por fora Prodi e Berlusconi travam um confronto em Itália. E para já é o embate mais importante neste ano de 2006 – estou para ver os resultados.

Finalmente gostava de agradecer todos os incentivos que aqui e ali tenho recebido. Bem sei que é difícil esperar da malta dos partidos mais do que o que muitos já deram e resultaram em outros tantos equívocos. Nisso, se calhar já todos caíram.

Mas não existem salvadores da Pátria, nem sequer heróis, nem gajos for-de-série na acção, pois as grandes coisas fazem-se de pequenos passos e grandes laços.
Por isso sei que para a semana cá estarei, escrevendo, independentemente do resultado. Que será bom, não duvidem. Porque também já agora o resultado é o que menos interessa. Se assim não fosse, teríamos um político posto no andor, sem ter percorrido os caminhos do embate – sem ser líder. Por essas razões Branquinho e Renato não tem significado político para as gentes do Porto.

E tem que admitir que seria mais fácil ficar por aqui, escrevendo uma larachas jingosas sobre os gajos do PS (logo eu que os conheço tão bem), dizendo que vivia fora “lá dentro”, mas eles ficavam na mesma, sorrindo e desprezando a consciência critica de tantos.

Assim não. E já agora, pode ser que quem foi lançando foguetes tenha que apanhar as canas. A mim dizem-me que não, mas eu ainda acredito que o voto é livre. Pode ser que seja ingénuo ou então pode ser que tenha feito, corrijo, tenhamos feito (porque foram dezenas de jovens, meio jovens, mulheres e malta da velha guarda) por merecer uma surpresa!

Um, dois, esquerdo, direito...


Eu sei que é mais ou menos recorrente esta questão do significado actual da divisão esquerda/direita, assim como já foi por demais debatida a desadequação entre os programas e as designações dos partidos políticos e a sua actual práctica e ideário:
Será que o PS ainda é socialista?, o PSD social-democrata?, o CDS será um partido do centro?
Então os outros são todos da esquerda?
Já emiti a opinião que o comportamento dos militantes e simpatizantes partidários era muito semelhante ao dos adeptos de clubes de futebol, pelo menos na racionalidade com que efectuam as suas análises.
O "Atento" colocou este comentário numa outra caixa de comentários e autorizou-me a citá-lo.
Penso que pode ser o "pontapé de saída" para uma boa discussão:
Quem quer jogar?
"O que significa ser de direita e ser de esquerda?
Uma vez vi um cartoon que me pareceu lapidar.
Fazia-se o contraponto entre o ser-se adepto de um clube de futebol e o ser-se partidário de uma determinada ideologia política.
Concluia-se que no primeiro caso, ama-se um clube de futebol como se tal representasse uma ideologia, que dissesse que género de pessoas somos, que defenisse a nossa personalidade.
Enquanto que relativamente à ideologia política parece que se escolhe ser "assim ou assado" só porque se resolveu "ser assim ou assado", não por causa do substracto ideológico, mas apenas porque foi o que calhou.
E de facto, muitas vezes é o que me parece, sobretudo numa certa direita.
ATENTO"
António Moreira

Viram ontem a cobertura do JN?

Não sei se repararam que o jornalista se deu ao trabalho de definir os candidatos .

Segundo o JN , o Avelino é um «candidato efémero» e o Orlando Soares «filho do ex-lider» - as definições são acompanhadas de fotos a cores e negritos – informação ideal para o leitor preguiçoso.

O JN não sabe é que este tipo de propaganda funciona ao contrario; candidato efémero, ainda assim, é melhor que «filho de ex lider»...

Quando na política se usa a expressão EX- quer dizer que algo esta em vias de morrer, ou a ideologia ou o candidato.

Um ex-lider rebate-se no argumento de que tudo foi feito apesar dos resultados, não admite que a sua estratégia tem que ser aperfeiçoada, recusa o ónus de não dar luta e vai se mantendo em equilíbrio no patamar que antecede a definitiva reviravolta.

Um ex-lider é em suma aquele que está em queda mas ainda não caiu.

Quando cai já não é ex-lider, porque quando o homem cai ficam as suas ideologias e os seus impulsos de mudança.

O que se passa no PS é um impulso de mudança.
É preciso enterrar o passado, para falar dele com dignidade, é preciso deixar crescer.

Da minha parte espero que ganhem, que haja nova garra para discutir , gente jovem, confiante e renovadora , em conjunto com os movimentos civis - vamos discutir a cidade como centro de uma importante região.

O Porto tem movimento, os partidos é que não o acompanham.

Acreditem socialista se não for desta é certamente da próxima, não é possível fechar os olhos por mais tempo – está para breve a v. vitoria!
As duas forças partidárias da cidade não chegam , tem sido ineficientes na gestão conjunta da Cidade do Porto.

Precisamos de uma discussão alargada, uma actualização vertical nos partidarismos, precisamos de um PS e de um PSD com ideias e soluções, acredito que tal só será possível com a mudança, uma mudança acompanhada de forma passiva pelos mais experientes dos partidos.

Boa sorte

C.S.

segunda-feira, março 13, 2006

Ciclo de Homenagem ao Capitão Barros Basto

Divulgação:

A SEFARAD – Associação Cultural está a promover um conjunto de eventos que visam homenagear o Capitão Barros Basto no ano em que se completam 45 anos sobre a sua morte.

Programa:

14 de Março: Salão Nobre do Governo Civil do Porto

18h: Sessão de homenagem, com a presença da Srª Governadora Civil do Porto.
Que inclui uma palestra sob o título Capitão Barros Basto: o homem, o militar, o apóstolo dos marranos, proferida pela Professora Doutora Elvira Mea, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

18h45: Recital de música judaica, por Jed Barahal (violoncelo) e David Lloyd (viola).

19h15: Porto de Honra.

15 de Março; 18h: Casa Museu Guerra Junqueiro

Inauguração da exposição Capitão Barros Basto: o homem, o militar, o apóstolo dos marranos, precedida de palestra da responsabilidade da Professora Doutora Elvira Mea.
Exposição patente até 31 de Março.

A exposição reúne documentação fotográfica e escrita associada a objectos pessoais, que ilustram a vida e a obra desta figura impar da história da Cidade e do País.


Porto, 8 de Março de 2006.
SEFARAD – Associação Cultural

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Capitão Barros Basto – breve apontamento biográfico:

A vida e a obra do Capitão Barros Basto atravessam um período histórico de grandes e decisivas mutações na História da Europa e de Portugal, sendo a figura do Capitão marcante, sobretudo enquanto militar, no período correspondente à afirmação do Estado Republicano em Portugal e na Primeira Grande Guerra, na qual cumpre exemplarmente o seu serviço pela Pátria, sendo-lhe, por isso, atribuídas várias condecorações.

A obra do Capitão Barros Basto traduz-se numa busca constante dos princípios éticos e religiosos do Judaísmo, consubstanciados na causa marana (marrana), de recuperação da herança judaica portuguesa, a partir de ténues vestígios que séculos de Inquisição dispersaram e ocultaram por várias localidades do território nacional, em particular nas províncias de Trás-os-Montes, Beira Alta e Beira Baixa.

Embora natural de Amarante, é na cidade do Porto que deixa a sua obra mais expressiva, com a construção da Sinagoga Mekor Haim, inaugurada em 1938.
Lugar de reunião da comunidade judaica e de celebração dos seus ritos fundamentais, bem como reflexo da dedicação e coragem de uma figura ímpar da nossa História, a Sinagoga do Porto foi também a dos que aceitaram esse encontro (ou reencontro) com um longo processo histórico que o édito de D. Manuel inaugurou e que o estabelecimento do Santo Ofício em Portugal configurou, nos seus contornos mais dramáticos.
A divulgação da obra do Capitão Barros Basto revela, para a actualidade, uma enorme pertinência, devido ao compromisso que este assumiu com um legado religioso e cultural secular, cujo estudo e divulgação se impôs levar a cabo perante a sociedade.
Atravessando inúmeras adversidades, num período histórico perturbador para o reavivar da causa judaica, particularmente com a assunção do nazismo a partir dos anos trinta, o Capitão Barros Basto deixa-nos, também ele, uma herança que importa a todos conhecer.

Porto, 8 de Março de 2006.
SEFARAD – Associação Cultural
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Ana Paula Machado

(Publicado por António Moreira)

Da Oportunidade


A criação, por Constança Cunha e Sá, do blogue “O Espectro”, e o seu crescimento exponencial após a esperada entrada em cena de Vasco Pulido Valente, trouxe à luz do dia um conjunto alargado de pessoas que, livremente, expuseram as suas opiniões e os seus pontos de vista, políticos mas não só, nas caixas de comentários d”O Espectro”.

Com efeito, para além da habitual boçalidade anónima que sempre acompanha estes espaços de grande atracção, foi notória a emergência de um conjunto de comentadores de elevada qualidade que andavam, eventualmente, dispersos pela “blogosfera” ou que, num ou noutro caso, eram absolutamente neófitos nestes meios.

O Espectro” funcionou assim como base agregadora de uma certa qualidade opinativa, talvez com um predomínio de opiniões “de esquerda”, mas nunca exclusiva de outras sensibilidades.

O “estouro final” do”O Espectro” poderá significar a dispersão desse grupo de comentadores, eventualmente o seu encontro fortuito para uns chás e umas trocas de impressões e um posterior afastamento gradual (que a vida real não deixa muito espaço a idealismos) ou poderá, se assim for entendido, representar uma oportunidade para quem a saiba aproveitar.

Alguns desses comentadores já nos concederam o privilégio da sua visita e do seu comentário, será talvez então esta a ocasião para que, os fundadores deste blogue, pensem o que pretendem deste espaço e, após o dia 18, independentemente dos resultados da escolha dos militantes socialistas do Porto, decidam qual dos dois caminhos possíveis pretendem trilhar.

Ou este blogue se confina a um espaço de debate e de mensagem mais ou menos cifrada, mais ou menos hermética para o interior do partido, ou se abre ao exterior e se transforma no tal espaço de discussão e de auscultação da sociedade (aqui entendida como exterior aos partidos) que permitirá, quem sabe, estreitar o fosso que, inexoravelmente, se tem vindo a alargar, entre os cidadãos “livres” (xi….) e os partidos em que já não se reconhecem e que já não os conhecem.

Renovo os meus votos de boa sorte ao Avelino Oliveira na sua campanha pela liderança da concelhia do Porto.
Mas, muito mais importante, espero que nunca esqueça (como Assis esqueceu tão de pronto) que, havendo sabedoria, as pequenas derrotas podem ser a antecâmara de grandes vitórias.

Muito mais importante e motivadora que a aprovação”interna” poderá ser a conquista do respeito “externo”.
António Moreira (AMNM)

"o mais rapidamente possivel"

Ora aqui está uma questão bem interessante, esta das directas “o mais rapidamente possivel”.
Realmente entendo o dilema que o PSD está a viver e as diferentes posições dos militantes face a esta problemática das directas, para além dos interessezinhos conjunturais.
É que se por um lado as directas são muito mais legitimadoras de qualquer liderança e o sucesso da sua aplicação no PS obriga o PSD a dar um qualquer passo em frente, por outro, a nostalgia dos congressos inflamados e de resolução incerta deve estar a deixar duvidas em muitos militante e dirigentes.
Vejamos, o congresso é o órgão máximo dos partidos políticos e serve para debater ideias e propostas políticas. Ora, as ideias e propostas tem rosto, tem autoria, tem corpo. “Eleições directas” significa a separação do projecto e do grupo que o corporiza (lista) do seu líder. Simplesmente porque não existem condições logísticas para proceder a votações directas dos militantes durante o congresso e/ou em consequência deste e do debate que proporciona. Em teoria, as directas traduzem-se em maior legitimidade eleitoral e maior distanciamento programático, podendo inclusive ser eleito um líder posteriormente obrigado a liderar com um projecto que não é o próprio e com eleitos que não os seus.
Por outro lado, a eleição em congresso enferma dessa falta de legitimidade que advém um pouco da diferença entre o voto directo e o voto em representação, mas muito mais das chamadas inerências (caso dramático no PSD).
Sou de opinião (e eu defendo a democracia representativa) que quanto mais próxima estiver a intenção do eleitor da decisão final, melhor para o processo e que o ideal mesmo seria a eleição directa decorrente do debate em congresso. Mas sendo isso muito difícil (por questões logisticas), põe-se a questão; o que será mais correcto, a eleição do líder conformar as restantes, ou as restantes conformarem a eleição do líder.
Julgo que na pratica dos partidos há ainda muito a aperfeiçoar, sendo que o PS tomou a dianteira nesta questão. Veremos como o PSD é capaz de a tratar, mas este “o mais rapidamente possível”, normalmente quer dizer “logo que dê jeito, isto é, nunca”.

sexta-feira, março 10, 2006

Nem grandes, nem grande coisa…


Pelo que ouvi na rádio hoje, parece que a bancada parlamentar do PP se destacou por ter sido a única que se manteve sentada e não aplaudiu o discurso de despedida do presidente da república cessante, Jorge Sampaio.

Por aí nada de anormal, nem nada que traga mal ao mundo.
Sublinha apenas a minha convicção de que essa bancada mais não passa do que de um bando de rapazecos mal educados.

Aparentemente, o actual líder do CDS, vá-se lá perceber porquê, terá uma opinião não muito distante desta e, questionado sobre a supracitada atitude, terá respondido que era líder de um partido e não chefe de banda…

Vai daí um tal de Sampaio Pimentel, ao que consta vereador de qualquer coisa relacionada com as retribuições dos cantoneiros da limpeza, na CMP, pela mão do PP, não terá gostado dessas afirmações do líder do CDS, terá demonstrado a sua indignação e afirmado que, se o mesmo tivesse “um pingo de dignidade” deveria apresentar a sua demissão…

Bom, para resumir um bocado a “peixeirada”

Os rapazitos do PP, que andavam assim a modos que murchitos, desde que foram reintegrados no CDS, entusiasmaram-se por ver o seu grande (des)educador a mostrar a melena e o ar sério (que só ele sabe fazer) num espaçozinho que o tio Balsemão lhe arranjou na SIC para arredondar o fim do mês enquanto não se arranja uma coisita melhor.

Isso, talvez somado à euforia pela tomada de posse de Cavaco Silva, a que uma certa direita tem reagido com um tipo de alegria muito peculiar, levou talvez estes moços mais entusiastas à esperança de um regresso à sua visão particular dos “amanhãs que cantam”.

Há que ter paciência, que eles assim só demonstram que além de não serem grandes, também não são grande coisa.

António Moreira

quarta-feira, março 08, 2006

Rui Rio defensor do TGV


Mentiríamos se começássemos assim:

É com alguma surpresa que constatamos que, afinal, Rui Rio é um defensor da construção do TGV, nomeadamente da linha Porto-Lisboa, conforme se pode ler no site da CMP:

« O Presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, anunciou hoje duas propostas concretas que irá apresentar ao Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, na reunião da próxima quinta-feira: por um lado, que o Gabinete Técnico da linha de TGV Porto-Lisboa fique sediado no Porto…»

Para sermos mais verdadeiros deveríamos escrever:

É sem qualquer surpresa que constatamos que Rui Rio é um defensor da construção do TGV, nomeadamente da linha Porto-Lisboa, conforme se pode ler no site da CMP:

« O Presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, anunciou hoje duas propostas concretas que irá apresentar ao Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, na reunião da próxima quinta-feira: por um lado, que o Gabinete Técnico da linha de TGV Porto-Lisboa fique sediado no Porto…»

Surpresa é o facto de verificarmos que, eventualmente, se esquece de atribuir a Oliveira Marques a autoria da proposta que avança e justifica:

« Quanto ao propósito de ver a sede do Gabinete Técnico da Linha de TGV Porto-Lisboa instalada na Invicta, Rui Rio justificou-o com a necessidade de inverter o fenómeno actual da deslocação de quadros qualificados da Região Norte para a capital, em busca de empregos compatíveis com o seu elevado grau de qualificação técnica.
De facto, como poderão comprovar os inúmeros elementos do partido de Rui Rio (e não só) que estiveram presentes no recente debate no Ateneu, estas foram, sem tirar nem pôr, as sugestões aí apresentadas por Oliveira Marques, ao administrador da RAVE, presente no debate.

Ou Rui Rio não tem noção do ridículo (o que, isso sim, em nada me surpreende) ou estamos apenas perante um daqueles fenómenos em que “grandes espíritos pensam semelhante”…
A cada um as suas conclusões…

António Moreira

terça-feira, março 07, 2006

Alto ai!



Era o que faltava! Então a gente distrai-se um bocadito e começa logo o chega para cá?
Apesar do envolvimento temporário de alguns dos seus membros em actividades paralelas, este é um blogue de politica. "Socialistas em debate".
Agora beijocas e galanteios? Amuos? Recaditos timidamente trocados?
Senhores, aumentaram as taxas moderadoras na saúde, os ministros vão ser os primeiros a ter passaporte electronico, a taxa de juro do BCE subiu, etc. etc.
Mais, Agostinho Branquinho vai ser o novo presidente da Federação do Porto do PSD (dizem), Renato Sampaio tambem vai mas no PS (tambem dizem), Paulo Morais não avança mas faz moção de estratégia,etc.,etc.
Vá lá, compostura S.F.F.

segunda-feira, março 06, 2006

A publicidade e os dias de hoje


(imagem CMP)

Ontem, quando pretendia sair de casa, de carro, com a minha mulher e a minha filha, fui impedido de o fazer, pela PSP (nem questiono aqui qual o custo destaa operação policial).

Tive que aguentar cerca de meia-hora (porque, felizmente, não tinha tentado sair mais cedo) que acabasse de passar à minha porta uma ridícula iniciativa publicitária de um estabelecimento comercial de artigos de desporto, que, para publicitar a sua marca, conseguiu congregar o esforço e a boa vontade de cerca de 5.000 senhoras, dois presidentes de câmara, um(a) governador(a) civil e respectivas autoridades, para além do presidente da LPCC.
Estive quase para incluir os jornais (da cidade e não só) e algumas “celebridades” mas lembrei-me a tempo que esses (jornais) e essas (“celebridades”) subsistem graças a estes (e outros) promotores publicitários.

Então foi assim, a pretexto de uma pretensamente meritória iniciativa (angariar fundos para a LPCC) foram encerradas ao trânsito diversos arruamentos das cidades do Porto e de Matosinhos, para que cerca de 5.000 senhoras se exibissem envergando um T-.Shirt de cor rosa parolo de propaganda ao (não) referido estabelecimento comercial.

Como moeda de troca, o (não) referido estabelecimento comercial comprometia-se a oferecer o valor de 2€ por participante à referida LPCC pelo que a iniciativa terá ficado por uns modestos 10.000 €.

Considerando a cobertura obtida, quer nos jornais quer nas TVs, a presença das tais “celebridades” que iam desde apresentadoras de TV, a esposas de futebolistas e presidentes de câmara, não esquecendo até a leitura de uma mensagem da actual «primeira-dama», pode-se dizer que publicidade assim é quase de borla.

É evidente que ninguém (nem o tal presidente da LPCC) se lembrou de informar as senhoras que podiam efectuar a esmola dos mesmos 2 € (muito inferior ao que se paga a qualquer mulher a dias por tempo equivalente), directamente à LPCC, ficando assim dispensadas daquela canseira.

É evidente também que, para quem acha que o estado já faz demais pela nossa saúde que, sendo um bem como qualquer outro, quem a quiser que a pague, estas fingidas “caridadesinhas” até estão muito bem e, quem sabe se não é a oportunidade de conhecer algum famoso…

Termino com o pedido recorrente (mas nunca atendido)

Tenham vergonha
António Moreira

uma espreitadela

Há um provérbio que diz assim, “Em Março, tanto durmo como faço”, assim me sinto neste ano.
Não sei que doença deu aqui nas bandas, para que como um surto repentino, alguém achasse que a opinião dos “em debate” adormeceu.
Passadas que estarão as agruras, virão os tempos calmos do quotidiano e, sem pressas, continuaremos o nosso caminho de opinião. Estarão os que sempre estiveram e os quiseram sempre estar. Estarão os que por cá andam e não há-de ninguém faltar.

sábado, março 04, 2006

Da elegância...

Talvez venha a propósito lembrar o meu primeiro "post" neste "blog".

Talvez venha também a propósito frisar, para bom entendedor, que nunca, nem aqui ou nem em qualquer outro lado, comentei fosse o que fosse sem assinar com o meu nome ou as minhas iniciais, nunca inventei outros nomes ou comentei como anónimo...

Talvez venha também a propósito o meu agradecimento ao Fortuna, primeiro e ao Avelino depois, pelos convites que, então, me fizeram para escrever no SEDE.

Talvez venha também a propósito agradecer publicamente a reafirmação, feita pelo Avelino Oliveira, que, mesmo enquanto candidato a presidente da concelhia do PS, do Porto, continuava a não lhe causar qualquer incómodo a publicação da minha opinião livre neste "blog" quer concordando quer discordando da mesma.

Face aos desenvolvimentos recentes, que não podem deixar de me surpreender, por demonstrarem, mais uma vez, quão certa é a afirmação de que "Deus deu a palavra aos homens para que melhor possam esconder o pensamento", irei, naturalmente reflectir.

Segue a cópia do meu primeiro "post" aqui, peço atenção ao último parágrafo :


"Cá estou eu

Fui convidado para colaborar, escrevendo, aqui no SEDE.


O facto de alguém ter lido alguns dos meus escritos, em “posts” noutros “blogs”, ou em caixas de comentários aqui ou noutros locais e, ainda assim, entender convidar-me para escrever no seu espaço é de uma amabilidade que, muito francamente, me surpreende.

O facto de esse convite ser feito apesar de serem conhecidas algumas das minhas opiniões, as quais, em tantas áreas, são, não apenas diferentes, mas até conflituantes com as que são defendidas por quem me convida.


O facto de insistirem no convite, após a minha relutância inicial, e de me garantirem total liberdade, apesar de se tratar de um espaço de cariz assumidamente partidário, merece, a minha admiração e reconhecimento.


No entanto, não foi por admiração ou reconhecimento que aceitei, mas sim por interesse.

Aceitei porque me interessa ter um local onde possa escrever com a esperança que alguém leia.
Aceitei porque me interessa ter um local onde possa escrever sem ser sujeito a censura prévia, mas onde quem discorde (ou concorde) o possa fazer em comentário.
Aceitei porque me interessa ter um local onde possa escrever e ter a esperança de influenciar quem “pode fazer a diferença”.

Aceitei enfim porque, apesar de combater o sistema partidário a que tantos insistem em chamar “democracia” representativa, tenho a maturidade suficiente para compreender que (ao menos no meu tempo) vai ser com este sistema que a sociedade vai ser gerida e que, por isso, (conforme já referi em comentário) devo tentar influenciar, aqueles que me pareçam mais capazes de encaminhar a sociedade no sentido que, a mim, pareça mais acertado.

Alguns dos que me interessa influenciar escrevem aqui e outros, possivelmente, lêem o que aqui se escreve, uns comentarão, outros não.


Umas vezes conseguirei influenciar alguém, outras, serei eu o influenciado.


Mas, acima de tudo, aceitei pelo gozo de escrever, de participar, de discutir, de provocar.
Em suma, pode não servir para mais nada, mas, se for agradável para mim e, talvez para uns poucos mais, já vale a pena.

Enquanto for agradável, para mim e para os outros “Sedentos”, cá estarei :-)

Obrigado.
António Moreira"

sexta-feira, março 03, 2006

Se me identifico?

Talvez seja hora de deixar este blog.Por uns tempos?
Senti que este blog foi durante muito tempo um espaço de reflexão, de alerta, de convívio saudável entre aqueles que nele participavam. Sei que este blog não pretende ser, nem nunca pretendeu ser, um espaço de unanimidade de opiniões. É um espaço de liberdade onde cada um se responsabiliza pelo seu post e APENAS PELO SEU.
Mas hoje depois de escrever o meu ultimo post senti que já não me identificava minimamente com a grande maioria dos post aqui apresentados. Embora não partilhe ideias com muitos dos outros participantes tenho que sentir que este é o blog certo para escrever o que penso. Não tenho mais vontade de aqui escrever, assim como não tenho mais vontade de ler o blog porque se tornou desinteressante para mim. Assim sendo, também a minha participação no blog deixou de fazer sentido.
Quando aceitei participar nele escreviam dois amigos, o Avelino Oliveira e o Daniel Fortuna do Couto. Ambos têm estado ausentes destas andanças e com eles afasto-me também. Será uma pausa na minha participação quem sabe longa, quem sabe curta.
Não me apeteceu apenas deixar de escrever, quis claramente explicar porque o faço.
Se me identifico ainda com o blog?
Não!
Quando o Avelino Oliveira e o Daniel Fortuna do Couto voltarem quem sabe podem contar comigo de novo! Este foi um projecto iniciado por eles e foi com eles que decidi participar.
Até lá!

Será que Deus existe?

O peixe de Babel é uma espécie ficcional criada por Douglas Adams no livro “The Hitchhiker's Guide to the Galaxy”.
O peixe de Babel é um tradutor biológico universal altamente improvável. Quando um peixe de Babel é introduzido no canal auditivo, permite ao seu hospedeiro entender instantaneamente o que quer que seja dito em qualquer linguagem do universo. Embora a biologia do peixe de Babel não seja bem conhecida, este parece alimentar-se da energia mental criada aquando da composição de frases e excreta energia mental numa forma que pode ser entendida por outros.
O peixe de Babel também foi usado como argumento decisivo para demonstrar que Deus não existe. O golpe de misericórdia foi dado durante um discussão entre Deus e o Homem:
- Recuso demonstrar que existo – disse Deus – já que a prova renega a fé, e a fé é a base da minha existência.
- Mas – disse o Homem – o peixe de Babel é uma dádiva divina, não é? Jamais semelhante animal poderia ter evoluído naturalmente. O peixe de babel demonstra que tu existes, e portanto, pelos teus próprios argumentos, não existes!
- Oh meu Deus! – disse Deus – nunca tinha pensado nisso – e desapareceu numa nuvem de lógica.
- Afinal foi fácil – pensou o Homem, e para um “encore” perfeito demonstrou que afinal preto é branco antes de ser morto na primeira passadeira para peões que encontrou.

Texto seleccionado por CMachado do livro de Douglas Adams

quinta-feira, março 02, 2006

De onde menos se espera...

No Nortadas !!!!

"É INACEITÁVEL!!!!!

O Ministro Mário Lino e a Administração do Metro do Porto, nos últimos meses têm andado num braço de ferro.
Confesso que a personagem em causa não colhe a minhas maiores simpatias e, em abono da verdade, até fiquei estupefacto quando o vi com sérias intenções de "pegar o touro pelos cornos".
Mas sou obrigado a concordar.
É de facto inaceitável o que se passa no Metro do Porto.
Não está em causa a importância do projecto para a região. Nem a discussão passa por saber se existe mais uma linha ou menos uma linha.
O que acontece é que os desmandos naquela torre de Babel ultrapassaram o razoável. "


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António Moreira

ALERTA


É difícil (para um pai) não sentir um arrepio de horror ao ler estes relatos de sequestro (é mesmo disso que se trata) a que tive acesso via "Vaitepoesia"

Nada mais posso fazer do que reproduzir parte, recomendar vivamente a leitura do resto e mostrar o rosto do mal.

"I - O sofrimento das família
1. Em muitos testemunhos de numerárias e numerários faz-se referência ao sofrimento que o afastamento das famílias causou aos pais e irmãos.
Queria aqui referir-me a esse sofrimento, mas na perspectiva da "família que é abandonada". Na verdade, vivi intensamente essa situação por causa da minha irmã numerária e assisti ao que se passou em muitas outras famílias nas quais "apitaram" um ou mais filhos numerários.
Foram anos muito difíceis…
Havia muitos adolescentes e jovens como eu que frequentávamos os clubes da Obra que se destinavam a estudantes do ensino secundário dos 10 aos 17 anos.
Gostávamos do ambiente que aí encontrávamos, em especial do facto de se cantar e tocar viola a toda a hora.
E gostávamos dos passeios que se faziam, dos convívios fora da cidade, da atenção das "monitoras" mais velhas…
E, a pouco e pouco, íamos sendo "pescadas" nessa rede…
Para mim, começou com uma amiga de infância que depois de ter feito 14 anos se tornou um pouco estranha, porque já não falava à vontade connosco, nem se ria ou fazia brincadeiras; passava o tempo a ir ao clube, mas não ficava na zona das actividades, passava para lá das portas "proibidas".
Deixou de nos acompanhar nos encontros fora do centro, quase não a encontrávamos em casa dos pais e sabíamos que estes estavam zangados pelas atitudes que ela tomava: recusava-se a ir a festas de anos, a visitar os tios e os avós, a acompanhar os pais nas férias, etc.
Esta amiga – a que chamarei Margarida – foi a primeira de muitas que perdi… até hoje, pois continua na Obra e, ainda que conversemos de vez em quando, nunca mais voltámos a ter a intimidade da nossa infância.
Depois, chegou o ano em que também eu e muitas das minhas amigas e colegas de escola que andávamos no clube completámos 14 anos; aquelas que se tornaram supranumerárias continuaram a ser amigas umas das outras.
Mas as que apitaram como numerárias passaram "para o lado de lá": sempre vestidas de modo muito formal, sempre atrás das directoras e das numerárias mais velhas, sempre ocupadas com coisas do centro, sempre sem tempo para estudar em conjunto, festejar um aniversário, ir ao cinema…
Lá iam quase todos os dias para o centro: de manhã bem cedo, antes das aulas, para irem à missa e à meditação; de tarde para fazerem encargos materiais, como encerar os bancos do oratório ou arrumar os armários dos produtos de limpeza…
Não sei quando é que estudavam ou faziam qualquer outra coisa "normal" para os 15 ou 16 anos que tinham.
E, de repente, rebentava um escândalo em alguma família: a Isabel ou a Rita ou a Francisca tinham declarado aos pais que iam viver para o clube!!!
Os pais entravam em pânico:
Viver no clube?!
Mas com quem e porquê?
E – só nessa altura – surgia a revelação:
Pai, mãe, é que eu pertenço ao Opus Dei e comprometi-me a dedicar-me a Deus (através da Obra) para sempre.
O pai aos gritos!
A mãe a chorar!
Os irmãos assustados!"

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António Moreira

Já que a ministra não tem vergonha nem dignidade…

Ao menos que haja quem, apesar de tudo, demonstre ainda prezar a sua dignidade, no caso, a direcção do IPPAR/Porto.

Após a anterior direcção do IPPAR cujo presidente, Arq.º João Rodeia, tinha gerido com superior elevação a triste novela do “Túnel de Ceuta, ter sido substituída, com a nomeação de um “funcionário” do PS, Dr. Elísio Sumavielle, foi agora a vez da direcção regional do IPPAR-Porto, apresentar a sua demissão em bloco.
De acordo com esta notícia da Rádio Renascença, (de que tivemos conhecimento via “A Baixa do Porto”), para além do seu presidente, Lino Tavares Dias, o pedido de demissão foi subscrito pelos técnicos Miguel Rodrigues (responsável pela salvaguarda do património) e Margarida Lencastre (responsável pelas obras).

A razão para esta atitude não poderia ser outra que não a forma vergonhosa, que já aqui denunciamos, com que a tutela, na pessoa da ministra da cultura, mas com responsabilidades claras do primeiro-ministro José Sócrates, terá negociado a cedência dos legítimos interesses da Cultura, do Património e da Cidade do Porto, aos mesquinhos interesses propagandísticos do ridículo presidente da câmara que, tristemente, os “parolos votantes” meus concidadãos, resolveram eleger, no caso que se tornou conhecido por “Túnel de Ceuta”.

Espero que, um dia, venhamos a ter o direito de conhecer os contornos deste negócio.

Espero, acima de tudo, que estas situações vão contribuindo para ir abrindo os olhos aos que, mesmo que desatentos e desinformados mas, ainda assim, interessados na forma como se vai fazendo a gestão (?) da “coisa pública” e defensores da decência nos comportamentos de todos mas, fundamentalmente, daqueles a quem confiaram a responsabilidade para decidir sobre o que é de TODOS, vem sofrendo os desmandos “desta gente”.

Amigos socialistas

Vai sendo tempo de começarem a exigir, aos vossos dirigentes, que demonstrem respeito, ao menos pelos militantes, já que, quer por si próprios, quer pelos cidadãos, está visto que o respeito é nenhum.

Não se admirem assim que não haja cidadão que os respeite.
António Moreira

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Parecer técnico e decisão política

A propósito da reabertura da discussão sobre a co-incineração António Vitorino tocou num aspecto fundamental da cooperação dos cientistas e políticos na tomada de decisão. Sou, sem qualquer dúvida, a favor da tomada de decisão baseada no conhecimento, na discussão plena, na audição de prós e contras de uma escolha. Só assim é possível minimizar erros nas escolhas. No entanto, concordo que a tomada da decisão final cabe apenas aos políticos. Eles são escolhidos e pagos, para decidirem que politica vão ter depois de compilarem todo o conhecimento acumulado. Sim, a decisão política deve ser apenas deles! Este é o risco que têm que correr na tomada de decisão. Risco que acarreta mais tarde estarem sujeitos e com vontade de prestar contas. Nessa altura não devem nem podem esconder-se nos pareceres, nos relatórios das comissões cientificas. Os políticos têm essa capacidade de decidir e têm que se responsabilizar pelas suas tomadas de decisão, por isso são políticos.
Os cientistas são técnicos e têm que sê-lo muito bem e os políticos são decisores e também têm que sê-lo muito bem. Esta cooperação é virtuosa e deve ser fomentada, mas nada de troca de cadeiras.
Muito bem António Vitorino.
Raquel Seruca