quarta-feira, julho 19, 2006

volta, não volta!

Sob a lógica do tempo as virtudes dos blogues residem na sua emocionalidade. Se assim não fosse não haveriam de ter sido o sucesso que tiveram. Mas a velocidade de mudança é grande e o empenhamento em projectos é também volátil.

Aqui no fórumsede tem sido assim. Às vezes uns, às vezes outros, outras vezes todos. É natural que me período de acalmia política (sim de verdadeira acalmia política, nalguns casos resignada, mas não deixa de ser acalmia) muitos encontrem dificuldade de encetar os temas a debate.
Podíamos falar de cinema ou de arte. Da tristeza do cenário internacional. De tudo e mais alguma coisa.
Mas não este espaço surgiu para falar de política. E para outros tempos existem sítios bem melhores que o nosso.
Os socialistas a debate tiveram o seu tempo. Agora os socialistas debatem pouco. Mas continuamos a ter pertinência. E creio há-de continuar a ter o socialismo a debate.

O António Moreira prestou um magnifico serviço. Não a nós, mas ao debate em geral no burgo. Nunca foi unânime, mas também nunca quis ser.

Continuo a acha-lo muito socialista e pouco resignado. Ainda bem!

Ao contrário de outros sítios, aqui ninguém se chateou, ou deixou de falar (pensem lá o que quiserem). A Raquel tem andado ausente, o Pedro terá honrarias académicas muito em breve, o Daniel não pára e eu confesso que fiquei cansado de tanto debater política. agora foi o António que qual carregador de piano, parou a descansar.
Todos fizeram aqui um divertido e sério contributo. Alguns deixaram isso sim de escrever. Porque às vezes temos mais para dizer, outras vezes menos.
Entretanto não quero que pensem que me tenho explicado por códigos implícitos e pouco compreensíveis. Não é verdade! Simplesmente esta tem sido uma época de alguma expectativa. Há que saber esperar, nomeadamente por melhores projectos e melhores debates. Não me acho a motriz do debate interno e externo nos socialistas no Porto. Mas acho que já tenho dado o meu contributo. E quem sempre fala tem pouco tempo para pensar, ou melhor para observar. Por isso tenho reflectido bastante. Creio que os esforços nos grandes e pequenos blogues (especilamente os portuenses tem menos importÂncia que aquela que merecem). Passam em geral por cronistas frustados.

E qualitativamente o debate político em Portugal decresceu nos últimos tempos. O nosso blogue também disso se ressentiu.

Não existimos para fazer oposição à CMP, nem para tentarmos ser o espaço que “a baixa do porto” já é. Mas repito podiamos todos ser mais? Sim!
Aliás todos se conhecem e respeitam, mas quando quiserem fazer um espaço de debate a sério sabem que não podem ser "egocêntricos".

Por isso ao António espero continuar a tê-lo por aí. E se lhe apetecer escrever que o faça. Já lho disse e não é segredo. E ele não irá resistir.

Aliás estou descansado sobre esse tema. Quando quisermos e quando for preciso cá estaremos todos.

Entretanto a quem nos for lendo e se alguma coisa de jeito tivermos para dizer – melhor.

No entanto lembro-vos que o Sede não pretende ser um projecto jornalístico de acompanhamento diário, semanal ou mensal. Pretende ser o que é – um instrumento de divulgação, genericamente tendencioso, às vezes polémico, outras vezes mortiço.

Não somos nem o abrupto dos socialistas nem os blasfemos de esquerda. Mas temos quem nos leia, e assim há-de continuar a ser.

segunda-feira, julho 17, 2006

Vou ali e já (não) volto


É verdade

Mais uma vez estão à porta as férias de verão.
Há um ano, por esta altura, fiquei por aqui a tomar conta do SEDE.
Este ano também vou de férias em Agosto.

Pois...
Passou pouco mais de um ano desde que aceitei o convite para escrever aqui no SEDE.
Mais uma vez relembro o que então escrevi, nomeadamente que:

« …, acima de tudo, aceitei pelo gozo de escrever, de participar, de discutir, de provocar.»

mas tenho que destacar o último parágrafo:

«...Enquanto for agradável, para mim e para os outros “Sedentos”, cá estarei :-)»

Não me interessa discutir ou analisar as razões, o facto é que deixou de ser agradável para mim e, por isso, vou.

Foi um prazer “conhecer” o Avelino e o Daniel, assim como o Pedro e a Raquel.

Foi um prazer maior conhecer a Maloud, o Atento, a Angie, o Pedro Silva (e o CãoRafeiro).

Aos que me convidaram e aos que me aturaram, o meu muito obrigado.

Quando me apetecer escrever, escrevo no “Provotar” (onde vou também, com tempo, organizar o arquivo do que por aqui deixei).

Quando me apetecer comentar algo, aqui ou noutro lado, aparecerei na caixa de comentários.

Felicidades para o SEDE e para os seus mentores


Um abraço a todos
António Moreira

quinta-feira, julho 13, 2006

No estio

Nesta época estival parece não haver política. O futebol ocupou os jornais, as mentes e as aspirações de todos, ou melhor de quase todos. Não choro, nem fico noites em branco a celebrar feitos desportivos. Eu que gosto tanto de desporto. Eu que sempre pratiquei algumas modalidades, inclusive futebol. Mas não consigo chorar de tristeza nem exultar a alegria profunda de uma conquista que representa uma efémera taça. Gosto do processo, do caminho para lá chegar, de vêr e vibrar. Depois acabou. Na arquitectura é igual. Não sei porquê nunca gostei de visitar as obras que fiz. Guardo-as naquela aura de obra completa inabitada. Essa é só minha, depois dou-a aos outros, tomem lá e mexam nisso. Ao contrário de Siza e outros não me incomodo com as novas pinturas, a caixilharia mudada, o painel na fachada. Tenho para mim que aquilo vale se, resistindo a isso, continuar a ser também uma peça equilibrada e feliz.
Sempre me apaixonou esta ideia de estar dentro das coisas a tentar colocar-me de fora. A observar como espectador sendo interveniente.
Nada mais divertido do que constatar as acções instintivas e básicas dentro de um rectângulo de jogo. Olhar em redor e ver que, os que são os espectadores, se importam mais do que os que combatem o objectivo do golo.

Na política é também assim. Quem estiver lá dentro hoje, e não perceber que não existe política tão cedo, provavelmente não tem lucidez. Digo política, política. A verdadeira, a que muda a vida das pessoas. Estas para já não muda, puderá vir a mudar, espero eu.

Aos que consultam o Sede tenho que ir pedindo desculpa. Não tenho conseguido escrever, começo e nunca acabo. Tenho tido uma obecessiva atitude bloqueadora. Começo irritado, escrevo e depois acho mesmo que não tenho nada para dizer. Como agora. Mas ainda assim, para não pensarem que isto é um farrapo triste de desculpa, apetecia-me deixar aqui as primeiras frases incompletas das coisas que se vão passando por mim. por isso deixo mesmo.

Primeiro passando pela oposição interna ao Sócrates (como se ela existisse!). Manuel dos Santos aproveitou com vaidade um vazio, e cá de cima do Porto, lembrando que trabalha de 2ª a 5ª em Bruxelas, pôs-se em bicos de pés. Alguns mais atentos terão vistos que andei lá nessa barulheira. Foi como aquelas "cenas" dos tipos que estão no Leilão e levantam o braço para chamar o amigo que passa na 3ªa fila ao lado e quando dão conta compraram uma velharia caríssima. Depois podem tentar devolvê-la, mas da fama não se livram. Está bem, queria ser Churchil para me lembrar de uma daquelas máximas se que encaixaria a esta situação como uma luva. Mas nem a esse trabalho me sei dar. Quero lá saber da guerra de Manuel do Santos com Sócrates, quero saber tanto como ele da minha contra os dirigentes distritais do PS onde fui uma voz isolada, e não me arrependo. E ele arrepender-se-á? Não! chamou "comissão liquidatária" do socialismo ao governo de Sócrates!
Fez bem? Fez mal? Bom fez alguma coisa, mas não creio que tenha sido um acto de coragem. Essa coragem teria sido boa se tivesse encetado uma candidatura interna ao distrito portuense. Mas não fez, e isso interessa alguém? Então? Se calhar não vale muito escrever sobre isso.

Depois pensei escrever um pouquinho sobre o nosso governo. Ele encara o problema de inúmeras multinacionais a fechar. Elas vão para leste, Roménia, Hungria, etc. Como podemos entretanto observar o cenário optimista de sermos competitivos? Bom toda a gente sabe o resto da história. Toda a gente duvida que o desemprego real não seja bem maior que o oficial (7,7%).

E também me apetece defender o governo PS. Não que não ache que não sou capaz de o conseguir fazer bem. Mas o problema é que os disciplinados acéfalos do meu partido o fazem tão indiscriminadamente e de forma tão bacoca, que ainda me confundirão com eles. Então é melhor não. Há muita coisa em que tenho dúvidas, mas era o que faltava pensar que agora que temos uma equipa estável e um líder com estratégia, fossemos todos a correr mina-lo, descredibilizar a sua acção – em suma fazer oposição por oposição (ainda mais interna). Se é tão difícil obter a estabilidade governativa, saibamos esperar pela concretização das acções. Mas isso não significa que não se assuma que se com José Sócrates temos provavelmente a governação socialista mais estável, menos dependente do estado de graça ao jeito guterrista, por outro lado temos o PS na sua pior situação desde a fundação. Democracia interna pouco clara. Lideres intermédios fracos, sem peso político, sem discurso e sem ideias. E meus caros não me refiro só ao Porto. Refiro-me também ao Porto. Então pode ser que Sócrates seja o pior secretário-geral dos últimos tempos. Ou então o melhor, por ser exactamente o pior. Não alimentou as "comanditas" e prefere ter tipos menos bons e tudo na barafunda, do que aturar as vaidades como Guterres. Enfim, creio que são ventos semeados que serão colhidos nas próximas legislativas, a ver vamos. Mas isso interessa? É alguma novidade? Vale a pena esta reflexão pública?

E já agora falar das coisas "comezinhas" dos autarcas. Começar em Carmona Rodrigues. Que admitiu que talvez, repito talvez, tenha muitos colaboradores directos. É possível que despeça alguns.
É tão bom homem o senhor. Mesmo nas asneiradas é humilde. Ninguém o crucifica. Se fosse Fernando Gomes ou Santana era devorado por ter cinquenta ou sessenta assessores directos, perfazendo UMA DESPESA PÚBLICA NACIONAL, sim porque Lisboa é Portugal para tudo, não é só para algumas coisas. Mas isto interessa? Alguém dá mais atenção ao caso do que ao tombo que ele antes deu na prova de bicicletas a descer o bairro alto? Então só se fala disso daqui a 3 anos, OK?

E rui Rio? Esse senhor portuense. Figura admirada pelos que não gostam de Pinto da Costa. Esse democrata sério e exemplar para o País ( e para a maioria dos portuense, não esqueçam). Faz clausulas salazaristas para atribuir subsídios. Transforma serviços públicos mentindo a trabalhadores (combinando nas costas com alguns dirigentes do PS). Alguém se importa muito? Acham que vamos seguir isto de que Aldoar rouba água para regar o cemitério? Que Campanha perde um Centro de Saúde? Que isto aquilo e mais aqueloutro?
Já viram que reabilitada está a baixa? Já notaram que novos projectos estão em marcha? Que há menos pobres no Porto? Há menos arrumadores, lá isso há! MAS há arrumadores. E por mês, números redondos, segundo Rio, por cidadãos tratados gastam-se 90 contos por mês (na moeda antiga como ele diz). O giro é que esses 90 contos não estão no bolso dos desgraçados que arrumavam os carros e agora tem metadona e cobertores. O problema é que esses 90 contos multiplicados, estão no bolso dos técnicos e dirigentes da "PortoFeliz". Eles felizes. Nós continuamos na mesma. Mas isso interessa? Se já nem RUI Sá visita os bairritos aos sábados. Se a equipa de Assis ainda não pôs os pés em nenhum dos cinquenta e tal bairros que calcorreou duas, três e quatro vezes há menos de um ano. Por isso fico a falar sozinho. E calo-me – para já!

Por isso ando no estio, a saborear outras coisas. Não consigo partilhar aquilo em que nem sequer tenho pensado. Volto-me para o lado e faço mais um esquisso, aquela parede, a janela, o detalhe. E depois faço de conta que sou espectador da minha própria obra. Quando volto lembro-me que prefiro ser espectador de mim próprio do que juiz dos outros.

quarta-feira, julho 05, 2006

Aqui vai-se fazendo o DEBATE


Com ou sem a presença deste ou daquele a verdade é que aqui no SEDE se vai fazendo o DEBATE.


Pode não ser aquele debate em que se diz bem de tudo o que faz o governo e mal de tudo o que faz ou diz a oposição.

Pode não ser aquele debate em que se realçam as superiores qualidades dos cidadãos (empresários e/ou trabalhadores) do Porto ou do Norte, e se demonstra que, afinal, as causas do nosso atraso tem todas origem em Lisboa.

Pode não ser aquele debate em que apenas se glorificam as vitórias da selecção de futebol ou, pelo contrário, se relativizam os sucessos pela falta de alguns artistas azuis e brancos.

Pode mesmo ser um debate em que quase só se discute a qualidade do nosso sistema democrático

Pode mesmo ser um debate em que quase só se discute o como e o porquê de um governo eleito pelo “povo de esquerda” estar a governar quase exclusivamente “à direita”

Pode mesmo ser um debate em que quase só se discute o essencial, deixando tanto do essencial ainda por discutir, em vez de se ir debatendo o acessório e o folclore político.

Pode mesmo ser um debate em que quase só se discute nas caixas de comentários (por vezes deste e doutros blogues) servindo as “postas” mais como “rastilho”.

Pode mesmo ser um debate que viva quase exclusivamente da superior qualidade dos comentadores que ainda nos vão dando a honra de aparecer por aqui.

Sinceramente é APENAS por eles que vou continuando.

António Moreira

sexta-feira, junho 30, 2006

quinta-feira, junho 29, 2006

Lá vem “eles” outra vez com o referendo.


Já todos puderam constatar que, em Portugal, quando se quer impedir a aprovação ou a implementação de alguma legislação, regulamento ou mesmo até de algum investimento, não existe ferramenta mais eficaz do que o referendo.

Muito mais do que em eleições legislativas, presidenciais, europeias ou locais, nas quais o fenómeno da “clubite partidária” já cimentou 80 ou 90% das decisões, cabendo assim a verdadeira decisão ao volátil “eleitorado flutuante” que lá vai pesando para um ou outro lado (sempre PS ou PSD) sempre esquecendo que já antes tinha confiado nos que agora o “traíram” e dos quais assim se “vinga”, nos referendos (a que a maioria dos eleitores vira as costas e muito bem) a decisão cabe (e muito bem também) sempre à meia dúzia dos que vão votar inchados de um fervor e convicção que lhes foi incutido quer pelas suas convicções profundas, quer pela análise apaixonada dos temas, pela demagogia das direcções partidárias, pelos interesses dos patrões da comunicação social, quer, maioritariamente, pelas doutas orientações da “santa madre igreja”.

Foi assim, já por uma vez, quer com a despenalização do “aborto” quer com a regionalização (contra a qual votaram os “de direita” de todo o país e os “de Lisboa” de todas as cores).

Não foi assim para a aprovação do tratado constitucional europeu porque outros, antes de nós, lhe deram a “machadada” devida, por razões que, obviamente, nada tinham a ver com o que estava em causa, votando assim sem sequer ler o tratado, como os de cá fariam se tivessem tido a sua “chance”

Queriam recentemente, alguns “maduros”, impedir assim o avanço de coisas tão diversas como os investimentos da Ota e o do TGV ou, ainda esta semana, a aprovação da regulamentação da procriação medicamente assistida.

Ninguém se lembrou de tal, naturalmente, para decidir a nossa adesão à então CEE, a substituição do escudo pelo euro, o fim do serviço militar obrigatório, a independência das ex-colónias, o fim do “estado-novo”, a implantação da república, a abolição da escravatura ou mesmo da pena de morte.

Tremo só de imaginar qual seria, quer o grau de participação, quer os resultados, se tivesse sido dada a oportunidade ao “nosso bom povo”, para, com a sua provebial “sabedoria e bom senso” decidir sobre esses assuntos em referendo…

Então agora, lá vem o PS cumprir uma das suas promessas eleitorais (mas porquê cumprir uma? e porquê esta?) e anuncia avançar com o pedido de novo referendo à despenalização do aborto (ou da IVG, pronto), o qual se deverá efectuar em Janeiro.

O objectivo só pode ser o de encontrar a forma de, hipocritamente, deixar tudo na mesma, servindo assim a igreja que não se esquecerá de agradecer, e, ao mesmo tempo, alijar as responsabilidades para “o povo”, fundamentalmente o “povo que se absteve”, sem esquecer de chamar a atenção para a responsabilidade, nessa abstenção, da actuação irresponsável, quer do PCP, quer de alguma da tal “esquerda festiva”.
Será também a forma de a "direita" mais caceteira se unir, de semear alguma confusão no PSD (como se esses pobres não tivessem já confusão que chegue...) e de, por via de uma eventual vitória dessa "direita", reunir o "povo de esquerda" em redor do único partido que os pode "levar ao poder".

Quem quiser que faça campanhas, que bata em latas ou mesmo que finja o seu empenhamento, que eu, para este peditório, nem dei da outra vez, nem vou dar desta.
António Moreira

quarta-feira, junho 28, 2006

Foi só o homem que se passou ou vocês estão todos cegos?



"... a "Fundação Eugénio de Andrade sempre se portou bem".

A notícia está aqui

Comentários faça-os quem quiser (se quiser).

António Moreira

segunda-feira, junho 26, 2006

Ganhámos !!!!!!!!


Os trabalhadores da GM da Azambuja celebram com euforia a passagem aos quartos de final.

António Moreira

quinta-feira, junho 22, 2006

A "jogada" do costume...


Pelos vistos, enquanto vai decorrendo o mundial da bola, foi aprovada na Assembleia da República a legislação sobre Procriação Medicamente Assistida.

Apesar de falhas e limitações notórias que a lei apresenta, é de realçar o facto que, finalmente, exista legislação que regule matéria de tal sensibilidade e importância que, sendo praticada há mais de vinte anos, ainda carecia de regulamentação.

Ora, acontece que sempre que alguma, mesmo que tão tímida, medida de progresso esteja em vias de ser implementada, quel peste medieva, lá aparecem os mesmos fundamentalistas conservadores, sempre facilmente arrebanhados pelas correntes mais obscurantistas da igreja católica.

Então, como já viram que a receita até resulta, vá de a utilizar à exaustão, o esquema é chamado:


REFERENDO


Foi já à custa da utilização dessa tramóia que Marcelo Rebelo de Sousa e António Guterres conseguiram inviabilizar quer a regionalização quer a despenalização (condicionada) do aborto.

Agora, vem uns (pelos vistos em rebanho de quase 80.000 alminhas) com uma petição que não tem outro objectivo que não seja, pela tal via do referendo, impedir que venha a ser aprovada qualquer legislação que tenha a ver com assuntos fundamentais para os cidadãos e as famílias, sem que a mesma seja, previamente, aprovada pela igreja católica.

Quer se queira ou não aceitar, é isto na realidade o que está em causa, impedir que sejam aprovadas quaisquer iniciativas legislativas nesta área que não tenham sido, previamente, aprovadas pela ICAR e apresentadas ao parlamento pelos grupelhos que defendem os seus interesses, o CDS e o PSD.

Que o façam utilizando a mesquinhez, a ignorância, a estupidez, a superstição, a crendice e a boçalidade que por cá semearam durante mais de quatro décadas, e que os partidos e os cidadãos ditos de “esquerda” permitiram que se mantivessem e florescessem ainda, mais de 30 anos passados sobre a implantação da “democracia”, diz tudo quer sobre o carácter dos promotores deste artifício, quer sobre o dos deputados dos partidos que apoiam esta actuação, quer, obviamente, sobre a real natureza desta "democracia".

Claro que tenho consciência que o “chapéu” também servirá a muitos dos que vão ler isto (alguns até dos que se dizem "de esquerda")…

Seguem os “links”

Algumas notícias, aqui, aqui e aqui
Algumas posições de

Uns e de outros...

António Moreira

segunda-feira, junho 19, 2006

Sobre o Smas

Hoje vai a votos a decisão final de transformar o SMAS em empresa (seja ela de que índole for – empresa é empresa e eu sei o que significa, não me lembro de dizer lá serviço público). Como se recordam da ultima vez o PS não permitiu que existisse quórum, da mesma forma que a maioria da CMP não se muniu de pareceres fundamentais para garantir a justeza do processo.
A oposição na vereação tem sido mais permissiva às veleidades de Rui Rio .
Assim hoje os socialistas estarão contra esta holding empresarial em que se transforma a CMP.
E bem.

sexta-feira, junho 09, 2006

quarta-feira, junho 07, 2006

Para si, faz sentido?


Esta história real foi-me contada pelo seu protagonista:
(eu sei que parece tirada das selecções do RD :-))

Esse, português, foi durante algum tempo, desempenhar funções na sede da uma multinacional, na Suécia.

Nos primeiros tempos, como não dispunha ainda de automóvel, recorreu à “boleia” de um colega de trabalho, sueco, que vivia perto do local onde estava alojado.

Esse colega prontificou-se a levá-lo diariamente para a empresa, tendo, todavia, avisado que habitualmente ia muito cedo para o trabalho.

Foi com alguma estranheza que esse português reparou que, apesar de haver muitos lugares vagos, mesmo junto aos portões de entrada da empresa, o seu colega sueco estacionava o carro sempre algo longe da entrada pelo que ainda tinham que efectuar um percurso apreciável a pé até ao portão de entrada.

Ao fim de alguns dias a verificar sempre este comportamento e, tendo já estabelecido um certo grau de confiança com o colega sueco, atreveu-se a questionar a razão de tal comportamento.

O sueco respondeu tão simplesmente que, já que chegava habitualmente cedo, não lhe fazia qualquer diferença deixar o carro algo mais longe e fazer um pequeno percurso a pé, sendo que, para os colegas que chegassem mais tarde seria decerto mais conveniente encontrar lugares mais próximos da entrada.

Há culturas para tudo...

António Moreira

terça-feira, junho 06, 2006

Urbanismo do Porto nos blogues

O Vereador do Urbanismo veio no blogue de "a baixa do Porto" escrever a sua justificação sobre as noticias em que dizia acatar a decisão do tribunal sobre as construções no parque da Cidade.

Rio Fernandes creio haver precipitado um elogio, metendo foice em Seara alheia pois não possui responsabilidades ao nivel do PS Porto Concelhio ou Distrital (como tinha no passado recente), dizendo da disponibilidade do PS em contribuir para resolver o imbróglio juridico-financeiro do urbanismo do Porto. Bom, não percebo de quem foi essa disponibilidade, se da bancada liderada por Assis, se da Assembleia Municipal, se da Concelhia Socialista Portuense, ou mesmo da Distrital.
Nem sequer qual a vantagem de um dirigente do PS, que por sinal é também um técnico que teve envolvimento no planeamento recente da cidade do Porto, em vir fazer uma abordagem destas quando o clima é de debate político dos socialistas ao branqueamento que se faz agora destes processos, nomeadamente deixando tudo nas larguissimas costas de Nuno Cardoso, que tem sem dúvida a sua quota parte de culpas, fruto daquelas noitadas de despacho que entendeu oferendar a Gomes.

Mas, se entretanto lerem um bom artigo de Carlos Abreu Amorim no jn sobre o processo da Quinta da China, citado via blasfémias, onde, como sabem, CAA é um dos escribas desse famoso blogue portuense.
Na mesma fonte, justifica-se não perder o que diz o Tiago Azevedo Fernandes, já agora autor, como sabem, do blogue "a baixa do porto".

Já agora junte-se a isso as noticias de hoje sobre as construções na escarpa do Douro, vulgo Secil, com imagens da proposta anterior ( do tempo de Nuno Cardoso) e a actual (que será construida).
Sem qualquer segunda intenção, já agora registe-se o seu autor, Arqt Rogério Cavaca, arquitecto dos edificios de Matosinhos denominados "portas do mar" que tem sido muito criticados ao nivel da volumetria prevista, aliás construída.


Sem duvida que os tempos são outros...

segunda-feira, junho 05, 2006

Sem nenhuma vénia

Já li muito disto (e ainda pior reconheço), quer em "blogs" quer em alguns jornais, mas sempre assinado por pessoas que, sem grandes complexos, se assumem como "de direita", como "conservadores" ou até como "liberais" (eufemismo com que, pelos vistos, está na moda auto classificarem-se os "fascistóides").
Em suma, por pessoas que entendem que a existência de outros homens, de outros cidadãos, apenas faz sentido em função das necessidades e "marés" do mercado e que as regras da sociedade e do estado devem necessáriamente subordinar-se e adaptar-se aos interesses e às lógicas do sacrossanto mercado, do omnipresente e omnisciente capital, e não, precisamente, o contrário.
Eu entendo que é até saudável que as pessoas escrevam o que realmente pensam, sem ter em conta o valor da sua escrita ou do seu pensamento (ou seja, exactamente da mesma forma que eu).
Agora o que torna este exercício digno de menção é o facto de esta miséria ter sido escrita por alguém que "bate no peito" e se afirma "de esquerda", pelos vistos é militante do Partido Socialista, e , ainda por cima, parece ser merecedor de elevada consideração intelectual e política dos restantes autores aqui do SEDE (p.f. corrigam-me se estiver errado).

Eu serei dos primeiros a admitir que já não faz sentido (se é que alguma vez fez) a discussão em termos de esquerda/direita a qual tem apenas um significado quase clubístico e que, cada vez mais, a fronteira é "moral" (ou "religiosa"se quiserem) ou seja, passa muito mais pela discussão do que são os direitos e deveres dos homens em relacção aos outros homens, de quais devem, nos dias de hoje, ser os fundamentos da sociedade e do estado, do que as bizantinas discussões do mais ou menos estado, mais ou menos privado...

Mas, aparentemente , nos meios mais "intelectualizados", não interessa discutir nada de nada mas apenas "batucar" as teses destes "tom tom macoutes" do mercado.

É, assim, sem nenhuma vénia que aqui reproduzo sem mais comentários:

«Sábado, Junho 3
BOAS-VINDAS.

O Público de hoje noticia a oposição dos sindicatos da administração pública aos diplomas sobre o regime dos supranumerários, onde incrivelmente teremos pessoas a receberem um ordenado sem que o seu trabalho seja necessário - e ainda poderão acumulá-lo com um emprego no sector privado.
O jornal cita Ana Avoila, sindicalista da Frente Comum, numa espantosa declaração que é todo um programa:

«Tendo em conta que a média de idades dos funcionários do Estado é de 51 anos e que o desemprego está a aumentar, será muito difícil conseguir trabalho lá fora».

Lá fora, portanto, no exterior do ventre protector do Estado.
Lá fora, onde estão todos os outros contribuintes que mantêm uma das mais pesadas e ineficientes máquinas administrativas da União Europeia.
Lá fora, onde não há salvo-condutos para quem não sustente no trabalho diário as razões da sua contratação original.
Lá fora, onde existe o risco, a competição pela diferenciação, sistemas de avaliação, mérito e mobilidade.
E onde a manutenção de funcionários e a sua remuneração obedecem à racionalidade económica do agente empregador.

Sejam então bem-vindos.

# escrito por Tiago Barbosa Ribeiro em
3.6.06 »


À Vossa superior consideração

António Moreira

A propósito...


Das reflexões deixadas por uma nossa estimável (e muito estimada) comentadora nos deixou num outro “post”, convirá ler a entrevista de Rui Rio ao Correio da Manhã, bem como os comentários que seguem, nomeadamente estes que aqui reproduzo:

«- Jotavieira
Rui Rio, é dos poucos políticos antigos em actividade, dos mais impolutos e competentes.
De certeza, seria um bom primeiro-ministro.
E com maioria absoluta, punha Portugal nos carris.
- pedro

Gostava de ver este Rui Rio candidato a 1º Ministro, acho que era capaz de fazer alguma coisa de jeito.
Alguns amigos meus do Porto dizem que ele tirando o F.C.Porto, até fez um bom trabalho no Porto.»

Sem querer entrar pela análise da entrevista, até porque me vai faltando a pachorra para aldrabões deste tipo, gostaria apenas de chamar a atenção para esta pérola:

« – Porque é que não esteve no Congresso do PSD?

– Porque estava a tratar de problemas da Câmara no Mónaco….»

e, agora, ir ao site da CMP, avaliar a dimensão dos “problemas da Câmara” que S. Excia esteve a tratar no Mónaco.

Palavras para quê Angie?

Quando este “cavalheiro” (ia escrever energúmeno mas lembrei-me a tempo) for primeiro Ministro de Portugal, vou poder dizer-lhe:

Eu bem avisei…

António Moreira

sexta-feira, junho 02, 2006

O carteiro toca sempre duas vezes

Sabemos hoje via Jn que a CMP perdeu o processo do Parque da Cidade.

Bom, aí vêm outra negociação. Afinal é sempre culpa de Nuno Cardoso.

Já agora, recordam-se dos honorários do advogado contratado para este processo. Será que ele fez desconto aos cerca de 500 mil euros na altura falados na imprensa?

quinta-feira, junho 01, 2006

Há causas e Causas


Pelos "latidos" de alguém muito especial tivemos conhecimento desta Causa.

Penso todos terem já uma ideia sobre o que acho do ridículo das “microcausas” que, desde que algum pereira se lembrou de tal pela primeira vez(?), não deixaram de atacar-nos, com maior ou menor regularidade.

Lembro ter avançado, em tempos de campanha presidencial, com uma “macrocausa” que, como seria de esperar, não encontrou quase nenhum eco, nem tal era, claramente, o seu objectivo.

Mas, como diz o título desta “posta”, há causas e Causas.

Se puder, faça como nós, dê visibilidade a esta Causa.

António Moreira