Se é verdade que Carrilho tem muitos telhados de vidro, também é injustificável que como alguns escrevem, o Ricardo Costa tenha saído vencedor pela última frase que disse: “E você é o rosto da derrota”. Primeiro porque a Sic foi um dos rostos daquela derrota, e os outros dividem-se entre rostos delicados da Bárbara Guimarães, babosos de Dinis Maria, ocultos de Stanley Ho, dissimulados de Cunha Vaz, ausentes de Edson Athayde, e apalermados do não-sei-quem assessor e ex-jornalista da TVI, e por ai fora.

Por outro lado toda a gente sabia que Carrilho era o rosto da derrota, porque deu a cara por ela (a derrota), o que não sabíamos era que fosse o Ricardo Costa o rosto da vergonha, porque ontem também ele deu a cara por ela (a vergonha, as agências, as acusações a quando foi conivente com Emídio, e até ao embaraço da difamação dissimulada de Carrilho sobre os 100 mil euros – a não ser que só eu tenha percebido nas entrelinhas uma óbvia denuncia pública como aquela)
Mas o melhor é que finalmente percebe-se que no meio destas campanhas há muito para perceber. E olhem que eu já acompanhei bem de perto algumas, mas nitidamente Lisboa é um caso à parte.
Parece-me que Pacheco Pereira não foi lá fazer nada, tanto que repetiu o que toda a gente sabe: Carrilho lida com a mediatização. Certo, portanto algum populismo, ou seja ser mediático e depois queixar-se dos limites da mediatização é mau.


Pois, pois, é como o caso de PP que é sempre tão anti-populista que ele próprio já usa o argumento como uma arma populista por si só. Seja contra os espectáculos mediáticos como Talk Shows, debates com modelos americanos, futebol, etc. Aliás PP apoiou o populismo anti-populista de Rui Rio e Carmona Rodrigues.
PP é assim e por dedução óbvia, um populista demagogo, que versa sobre estas matérias com um enfadado ar de cátedra que não devia pôr. È tão fashion um político ser arauto dos anti-populistas que aquilo a mim só me convence que poucos haverá a usar de tão elaborado populismo.
Carrilho nunca escondeu a sua posição de busca de exposição pública, aliás visível quando diz que o aperto de mão seguinte foi público e o não aperto primeiro foi privado, tem razão nas duas coisas, mas diga-se o que se disser, o que fica de um homem nunca é a posição que ele toma em cada momento, mas sim a coerência que demonstra ao longo dos vários episódios. Na verdade Carrilho devia aprender por exemplo com Pinto da Costa como se gerem os apertos de mão e os encontros casuais. E nisso Carrilho falhou, por isso perdeu! Por isso e por existirem interesses especulativos que ajudaram a facilitar essa derrota.

Mas o debate foi bom porque demonstrou quanto é difícil definir o fim político de alguém. Carrilho conhecendo este circo trocou-lhes a máxima de que “quem vive pela imprensa morre pela imprensa”, e atacando a imprensa teve da imprensa na ultima quinzena o fôlego para voltar a uma posição política activa.
Ficou evidente que este vaidoso professor de filosofia é unânime quanto à aceitação popular do seu trabalho enquanto executivo no ministério e deu pistas a Santana Lopes de como as travessias no deserto já não curam doença nenhuma. E quem anda por aqui anda, quem não anda, não anda.

Mas Carrilho fez-nos a todos o favor de não se reformar antecipadamente – bem haja que eu gosto mais de gajos assim do que dos cinzentos que grassam na nossa vida política. Ama-me ou odeia-me, mas respeita-me. Eu respeito-o.





































Coincidência, com certeza, estes tempos de relativo entorpecimento do SEDE serem também tempos mornos pela blogosfera em geral. O que não deixa de ter graça, porque lá fora, onde a chuva cai dura e o vento até fere, muito tem acontecido de política partidária, capaz de, noutros tempos, levantar multidões e despertar fortes paixões.



