sexta-feira, maio 01, 2009

quinta-feira, abril 30, 2009

Assuntos Europeus


"- Estes quatro anos foram, do ponto de vista nacional, muito bem sucedidos em termos de União Europeia. Eu acho que este Governo negociou de uma forma extraordinariamente positiva as perspectivas financeiras, a presidência portuguesa foi um êxito, as cimeiras com África e o Tratado de Lisboa foram êxitos absolutamente incontornáveis." Vital Moreira
Para aqueles que sempre procuram interpretações para os factos políticos e retiram ilações sucessivas dos resultados eleitorais.
Um cartão amarelo ao governo seria uma vitória do PSD nas eleições europeias. Se, como se prevê e deseja o PS vier a ganhar as europeias, o cartão amarelo será direitinho para Manuela Ferreira Leite. Tanto mais que a escolha da lista aparenta ser quase da sua inteira responsabilidade.

Elisa Ferreira


Após a divulgação da primeira sondagem, importa salientar que é mesmo possível o PS ganhar a eleição da Câmara Municipal do Porto.
O mais relevante nesta sondagem da SIC/Expresso, será reparar que Rui Rio não ganha terreno relativamente à ultima eleição, portanto, com o inicio da campanha pode existir uma aproximação entre as duas principais candidaturas.
Aguarda-se a análise aqui.
Entretanto para vencer a coligação de direita no Porto será necessário grande empenhamento de todos os socialistas. Apoiem Elisa Ferreira e conheçam o seu site de Campanha.

Sondagem

O PS ganharia a Câmara de Lisboa e o PSD a do Porto, caso as eleições autárquicas fossem hoje. São as principais conclusões da sondagem feita para a Renascença/SIC/Expresso.

Na “Invicta”, Rui Rio pode alcançar a maioria absoluta, mas, na capital, as contas estão mais difíceis para António Costa.

Em Lisboa, num cenário em que, na esquerda, cada um corre por si, o actual presidente resiste à dispersão de votos e lidera com 38,3%. Em segundo lugar, surge a coligação liderada por Santana Lopes, com 31,1%. O terceiro lugar vai para os Cidadão por Lisboa, de Helena Roseta, com 9,6%.

O candidato da CDU, Ruben de Carvalho, chega aos 8% e, em último lugar, Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, aos 6,1%. 

No que respeita à distribuição de mandatos no executivo camarário, o PS continua em minoria, podendo obter entre 7 e 8 vereadores. A coligação PSD/CDS-PP tem, nesta sondagem, 6, os Cidadãos por Lisboa 1 a 2, CDU e Bloco de Esquerda um mandato cada.

No Porto, Rui Rio chega aos 46,4% das preferências dos inquiridos, contra 34,8% da socialista Elisa Ferreira.

Rui Sá, da CDU, tem 7,6% das intenções de voto, mais duas décimas que o candidato do Bloco de Esquerda, João Teixeira Lopes. 

No que respeita à distribuição de mandatos, a novidade é que Rio pode jogar para a maioria absoluta, com uma previsão de 6 a 7 vereadores, contra 4 a 5 do PS, 1 da CDU e permanecendo a incógnita sobre se o Bloco de Esquerda conseguirá eleger algum.

Ficha técnica

As duas sondagens foram efectuadas pela Eurosondagem para a Renascença, a SIC e o semanário “Expresso”.

No que respeita a Lisboa, a sondagem foi realizada entre os dias 26 e 28 de Abril. No Porto, entre 22 e 24 de Abril. Tiveram como universo a população residente nos respectivos concelhos, em lares com telefone da rede fixa. Os entrevistados foram distribuídos aleatoriamente no que se refere ao sexo e à idade.

Em Lisboa, foram validadas 1025 entrevistas, o que corresponde a uma taxa de resposta de 85,8%. O erro máximo da amostra é de 3,06%, para um grau de 95%.

No Porto, foram validadas 721 entrevistas, o que corresponde a uma taxa de resposta de 84,1%. O erro máximo da amostra é de 3,64%, para um grau de probabilidade de 95%.

MG/Castro Moura

quarta-feira, abril 29, 2009

O herdeiro de Rui Rio

Dias após dia, neste ano de 2009 polvilhado de eleições, as atenções direccionam-se cada vez mais em torno de dois ou três pontos que resumem, quase por antecipação, o ano político. É visível que o tema principal reside na expectativa do PS renovar a maioria absoluta nas próximas eleições, mas o assunto que aqui pretendemos trazer à reflexão é outro e centra-se nas eleições autárquicas, mais especificamente no Porto.

Infelizmente nos últimos anos se pretendemos falar da situação política portuense temos que começar por observar a situação na capital já que as lideranças partidárias a norte estão genericamente subjugadas às respectivas sedes nacionais, como é o caso de Rui Rio, Renato Sampaio, Rui Sá/Honório Novo e João Teixeira Lopes.

Então, mesmo não concordando com o condicionalismo, aceitemo-lo como uma inevitabilidade e comecemos por Lisboa para chegar ao Porto.

O município da capital é actualmente liderado por António Costa, figura de grande capacidade política e assumido pelo aparelho partidário socialista como a reserva política do PS para o futuro. O Presidente lisboeta parece estar em trânsito para substituir José Sócrates mas terá pela frente um duro desafio, pois neste ano apresenta uma candidatura que o obriga a estabelecer uma estratégia vencedora no âmbito de um intrincado cenário de divisões. António Costa tenta congregar apoios num espectro onde à esquerda existe uma manta de retalhos complexa, um mosaico composto pelos tradicionais partidos, PCP e BE, mas acrescido de José Sá Fernandes e da Alegrista dissidente Helena Roseta. Isto contra o seu adversário principal, Santana Lopes, que apesar de “titubeante” consegue juntar a direita numa coligação que já muitos duvidavam pudesse vir a acontecer.

Depois do Congresso Socialista, Costa deixou claro que não haverá espaço para coligações à esquerda, logo o combate político far-se-á, não em dois blocos mas sim centrado na capacidade de Santana coligir os votos da direita e de Costa conseguir penetrar no eleitorado tradicional dos comunistas e dos bloquistas. O forte ataque de Costa em Espinho aos partidos de esquerda acabou por determinar o final da especulação em torno da possibilidade de coligações do PS nas autárquicas, pois um entendimento entre PCP, BE e PS em Lisboa poderia contaminar outros municípios importantes, nomeadamente no distrito de Lisboa e do Porto.

A Norte, no Porto, onde por coincidência Rui Rio é, tal como Costa no PS, visto como o provável futuro líder social-democrata, existe ainda um pequeno tabu: o anúncio da sua candidatura autárquica ainda não aconteceu!

Respaldado pelo facto de ser em Lisboa o mais bem-amado presidente de uma câmara nortenha, continuam a alimentar-se especulações sobre a possibilidade de Rio ceder às pressões daqueles que preferiam vê-lo discutir as legislativas com Sócrates em vez das autárquicas com Elisa Ferreira. Assim sendo, tal como António Costa também Rui Rio concentra neste ano as suas estratégias para um último mandato em que se apresenta mais como candidato a futuro candidato a primeiro-ministro do que candidato a Presidente da Câmara. E se a sua vitória surgiu mais pelo desagrado portuense com as ambições nacionais de Fernando Gomes do que pelo seu mérito, hoje, oito anos volvidos, a história pode até repetir-se.

É neste contexto, nomeadamente pelo seu significado na política nacional, que a questão se impõe: “Irá o candidato Rui Rio comprometer-se a realizar o mandato até ao fim?”.

E já agora, Quem será o número dois da coligação? Afinal, será ele o putativo candidato a futuro presidente da Câmara, o herdeiro de Rui Rio escolhido pelo próprio.

Na verdade, a disputa no Porto é tão emocionante como a de Lisboa e o seu peso no futuro nacional é tão relevante como o da capital, simplesmente os protagonistas são diferentes e só por isso os menos atentos poderão achar mais fácil a vitória de Rui Rio no Porto do que a continuidade de António Costa à frente dos destinos lisboetas.

 “E se Elisa Ferreira ganhar as Eleições?”

É que no Porto as eleições autárquicas não serão “favas contadas” e o herdeiro de Rui Rio poderá afinal ser uma herdeira - Elisa Ferreira, pois não acreditamos que a sua vitória seja surpresa maior do que a derrota de Fernando Gomes em 2001, ou visto de outro modo, que a derrota de Rui Rio em 2009 seja mais surpreendente do que a sua inesperada vitória de 2001.

nós europeus

De volta ao Sede.

Apetece-me começar por dizer que a campanha europeia do PS está, quanto a mim, a ser um exemplo tristemente interessante de como a política é encarada pelos nossos concidadãos hoje em dia, ou seja, superficialmente.

Vital Moreira tem tido um discurso de especial relevo (mesmo quando descartou Durão Barroso) e nem sequer se tem refugiado no contexto europeu para deixar de comentar a nossa actualidade política (como quando explicou que preferia uma maioria absoluta do PS nas próximas legislativas).

A sua candidatura tem conteúdo e a mim interessa-me particularmente a sua ideia de um Pacto de Progresso Social Europeu. No entanto esta magnífica campanha parece estar a passar ao lado de uma larga maioria de Portugueses. É sempre mais fácil criticar e apregoar que os candidatos dizem todos a mesma coisa. Desta vez não é verdade!

Acrescento ainda que os cartazes relembram-me, com orgulho, que o Partido Socialista esteve nos momentos históricos recentes do País, quer com Soares a assinar a adesão, depois com Guterres na entrada do Euro e mais tarde, mesmo com um "porreiro pá", foi Sócrates que esteve no tratado de Lisboa. Agrada-me que seja uma candidatura europeia de um independente tão prestigiado como Vital Moreira a valorizar o meu partido.  





terça-feira, abril 28, 2009

A Entrevista de MFL

Como não podia deixar de ser, em tempos de crise, e de crise sobre a crise, e de crise para além da crise, e de sempre em crise, o 25 de Abril serviu de pretexto para uma série de aparições (veja-se o ressurgimento do SEDE) e factos políticos que começam a tornar-se relevantes em ano de eleições.
E assim, de uma assentada tivemos entrevista com o Primeiro-Ministro, Discurso do Presidente (entre muitos outros) e ontem, mais uma entrevista com a lider do PSD, até ver o principal partido da oposição.
Infelizmente não serviu para quase nada, a entrevista, isto é, não ficamos a saber nada de novo e apenas confirmamos o que já sabíamos; que o PSD continua sem rumo e não se apresenta como alternativa credível a coisa nenhuma. O sempre disponível Augusto Santos Silva não tardou a comentar o desnorte.

Logo a abrir ficou clara a nova estratégia de marketing politico; quanto mais distante da ideia de PARTIDO melhor. Esta temática vai dar pano para mangas este ano eleitoral.

Seguiu-se a trapalhada dos casamentos (que é como quem diz, alianças e coligações) de onde saiu a já celebre frase aqui reproduzida e o respectivo desmentido. Sem comentários!
Parece que vão acontecer alguns divorcios nas coligações autárquicas com o CDS. Nada de concreto; esperemos para ver.

Como já sabíamos, o PSD não é contra investimentos, mas é contra investimentos “megalomanos” que “sequestram o futuro”; isto é, é contra os investimentos que no passado recente aprovou, mas já é favor dos investimentos em escolas, processo da exclusividade deste governo. MFL justifica estas opções com a conjuntura, segundo ela muito diferente da que tínhamos há seis anos. Então há seis anos o país não estava de tanga? E com um défice estratosferico? Então nessa altura a conjuntura era boa para aeroportos e tgv’s, agora que as contas publicas estão controlados, permitindo até alguma folga para fazer face à crise, a conjuntura não permite. E a senhora justifica com o endividamento, assim para parecer séria e sabedora, imagem de si própria que muito lhe agrada.
Acontece é que se a justificação é o endividamento, que de facto aumentou (e de qualquer forma se paga sempre com o orçamento do estado, do qual decorre um défice) das duas uma, ou se investe porque há margem ou não, porque não há.
Ora ela diz que há, porque defende a recuperação das escolas e uma recuperação à rede de linha férrea nacional e ainda investimento na recuperação urbana, etc.. Então, se há, trata-se apenas de opções politicas, opções essas com as quais há bem pouco tempo concordou e segundo diz, até com orgulho. Conclusão, todo o discurso sobre investimentos públicos é apenas e só retórica de oposição em vésperas de eleições.
É neste ponto, que por trás de toda a capa de seriedade se percebe que de facto a senhora não está de forma séria na politica. E tambem não está de forma inocente nessa retorica de seriedade e na cavalgada contra os investimentos publicos. É que para os mais atentos não passou despercebida a alusão à possibilidade de os grandes investimentos em transportes potenciarem a fuga dos centros de decisão para Madrid; isto é, no fundo, MFL prefere fechar o país. Há ou não há um “orgulhosamente sós” por trás disto?




descubra as diferenças.



Ou melhor, a semelhança. Muito interessante esta súbita alergia aos símbolos partidários.
Manuela Ferreira Leite afirma que lhe basta o laranja para simbolizar o partido.
Elisa Ferreira ainda deixa uma mãozinha minúscula, a lembrar a medo que anda por ali um partido.
São os tempos que correm, nos quais dá jeito arranjar culpados para o mal estar colectivo. E a retorica fácil contra os partidos salta logo para a ribalta; “ esses bandos de malfeitores..”

Nós aqui no SEDE gostamos do cartão, do debate e da discussão politica, e das eleições internas e dos orgãos eleitos, de decisões colegiais , do confronto, dos grupos de trabalho e dos estudos que tantas vezes antecipam o futuro. E gostamos de nos encontrar uns com os outros, de conversar e confraternizar, gostamos dos afectos e somos amigos, quase sempre solidários. Temos respeito pelos adversários e gostamos de saber quem são; acompanhamos os seus percursos nos respectivos partidos.

Apesar dos tempos, das modas, do que ai vem, não nos verão escondidos atrás duma estética que dá jeito. Somos, como sempre fomos, militantes de cartão.

Só para iniciar!




“Eu sentir-me-ia confortável com qualquer solução em que eu acredite, em que eu acredite que a conjugação de esforços e, especialmente, a conjugação de interesses, interesses no sentido do país, são coincidentes. Se perceber que o objectivo país não é propriamente aquele que está no centro das atenções, então eu acho que, com dificuldade existe um Governo que possa efectivamente contribuir para a melhoria do país” MFL, 27 de Abril

sexta-feira, abril 17, 2009

O SEDE volta!

Após um longo período de hibernação o SEDE vai voltar. Voltar significar recriar-se a partir das suas origens e voltar a ser um simples blogue que fala de políticas.

Como imaginam, muitos amigos nos desafiaram para voltarmos a escrever. Após sucessivas recusas devemos confessar que o apelo de voltar foi ganhando força.

Como alguns devem recordar o SEDE surgiu de uma espécie de brincadeira séria entre o Avelino Oliveira e o Daniel Fortuna do Couto. Mais tarde ganhou corpo e até teve momentos de forte significado político. Corria então o ano de 2005 e os blogues eram novidades.

Desta vez apeteceu-nos simplesmente voltar a escrever. Desenganem-se os que esperam que vamos criar twiters, fóruns, newsletters, portais informativos da coscuvilhice politiqueira do burgo, queremos simplesmente desenferrujar os dedos e voltar a escrever com algum descomprometimento.

O Sede volta, portanto, como um blogue de dois socialistas, que pretendem partilhar umas ideias. Convidamos também alguns amigos a ajudarem no blogue fazendo uma espécie de “back office” que vão lançando algumas novidades e noticias para animar o fluxo de leitura diária de um blogue que sabemos estava na primeira escolha de muitos, outrora.

Esperos que volte a ser a primeira escolha, desta vez de muitos mais e agora.

Seremos um espaço de informação da vida socialista local e nacional e as opiniões veiculadas comprometerão o Avelino e o Daniel, quando cada um deles assinar os textos.

O pseudónimo SEDE continuará a aparecer amiúde e pertencerá a muitos, isto porque não queremos deixar de ter alguns contributos de amigos que querem escrever mas não querem assinar. Nem sequer pretendemos justificar este ponto do anonimato – será assim e pronto.

Esperemos por isso que o novo SEDE seja ainda melhor do que o anterior, que afinal é o mesmo.

sexta-feira, março 06, 2009

the come back

terça-feira, março 27, 2007

Vital Moreira


Este homem, Vital Moreira, veio ao Porto a convite de Renato Sampaio, o Presidente da Federação do Porto do Partido Socialista, para uma conferencia/debate sobre a esquerda e a direita. Das muitas e interessantes coisas que disse houve uma de especial relevância, que continua a zunir nos meus ouvidos e à qual a federação do PS deveria prestar a devida atenção. Por alturas da apreciação do desempenho do Governo e do seu pendor esquerdista (ou não, para alguns), lembrou-se do Norte. Fez pausa, suspirou, e disse: Ah!, …o Norte está com um problema (leia-se crise), efectivo, resultado de…., e de…., e não pode esperar que seja Lisboa a resolve-lo.
Bom, para convidado desta federação, cuja confiança no executivo é bem conhecida, não está mal, pois não?
Pergunto-me mesmo quem terá razão, se o anfitrião ou o convidado. O anfitrião, como se sabe, aposta na atenção que o governo Socrates dará à região para uma recuperação no sentido da prosperidade. O convidado diz à boca cheia que a gente bem pode tirar o cavalinho da chuva e que mais vale esperar sentado, porque os dias mais risonhos só voltarão quando tomarmos o destino pelas próprias mãos.

Grandes Portugueses



O Público de hoje reconfortou-me bastante; por revelar que nas duas sondagens efectuadas sobre “Os Grandes Portugueses” os resultados são bastante proximos do que seriam as minhas escolhas, caso tivesse sido inquirido. Afonso Henriques e Camões nos primeiros lugares. O primeiro pelos motivos obvios, o segundo pela matriz do imaginário da portugalidade em que constituiu.
Não, não é apenas aquele confortozinho que resulta do encontro de opiniões semelhantes à nossa e portanto de uma espécie de sintonia. É principalmente o conforto que resulta da compreensão. Por mais explicações que se dêem, a opção dos portugueses por qualquer dos três vencedores do concurso da RTP não seria por mim compreensível nem aceitável.
Aliás, alinhar pela generalidade da opinião publicada é, quanto a mim, um enorme erro.
A opinião publicada tendeu a desvalorizar os resultados do concurso da RTP, alegando que se trata de um concurso e nada mais do que isso. Que não representa nada e que portanto não tem quaisquer consequências. Mais, nalguns casos chegou-se ao ponto de culpabilizar o actual estado das coisas, nomeadamente da educação, pelos resultados da votação.
Eu diria que é um erro crasso. Pelos números que foram sendo anunciados, feitas algumas contas, descontando votos de protesto e provocações, haverá pelo menos uns 100.000 portugueses a votar em Salazar e aproximadamente metade a votar em Cunhal.
Os votos em Cunhal são absolutamente reveladores; “Assim se vê a força do PC”, nada mais.
Já os votos em Salazar são deveras incomodativos, porque traduzem uma força de, pelo menos 100.000 apoiantes mobilizados e activos, à espera de uma oportunidade para se fazerem ouvir e eventualmente à espera de uma liderança. Note-se que não se trata de uma escolha desinteressada, nem de resultado de persuasão eleitoral, nem coisa que o valha. Não, trata-se de pessoas que conheceram bem o Estado Novo e vivem à trinta anos em democracia. Conhecem o autoritarismo e a liberdade, e estão disponíveis para prescindir de uma parte desta ultima em prol das “virtudes” que viviam sob o fascismo.
Além disso estão mobilizados para se manifestarem, eventualmente para agir. O que, para quem anda na rua, não pode constituir surpresa.

domingo, fevereiro 18, 2007

a "Ajuda do Código Penal"

Isto daqui para a frente vai ser complicado.
Não estou muito bem a ver como é que a sociedade portuguesa vai resolver certas questões, de natureza moral, ética, criminal, sem a AJUDA DO CÓDIGO PENAL. Falo de coisas como a violação, o roubo, a excisão geneital feminina, etc., etc.

sábado, fevereiro 17, 2007

Bingo!

A DIA D, revista que acompanha o jornal Público, aparece às vezes com umas coisas interessantes. Desta vez o director, João Cândido da Silva foi directo ao que interessa em época que continua de contenção, embora o ruído provocado pelo referendo nos tenha distraído um pouco; o binómio trabalho/capital e a desvalorização que o primeiro tem sofrido com o fenómeno da globalização. Vai directo ao que interessa porque? Porque constata a evidencia e questiona sobre os mecanismos de controlo à disposição dos governos? Porque pergunta se as políticas de contenção salarial serão a arma certa para as nações desenvolvidas enfrentarem as economias emergentes. Porque questiona a distribuição dos ganhos de produtividade, decorrentes de reestruturações empresariais e dos avanços tecnológicos, sempre no sentido da remuneração dos accionistas, do capital, portanto. É certo que se refere aos países desenvolvidos em geral, e não a Portugal, onde o problema é ainda mais agudo, devido a uma iniciativa privada pouco empreendedora e a um Estado que pesa demasiado na economia. Mas também é certo que é em Portugal que o sector da banca bate recordes sobre recordes de lucros, como vimos na semana passada, quando os restantes agentes económicos estão à beira da asfixia. É absolutamente necessário que o Sr. Ministro das Finanças faça a sua própria reflexão sobre o assunto porque, convém que ninguem se esqueça, faz parte de um governo socialista.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Coisas Úteis no Referendo ao Aborto

A direita liberal revelou-se ao mostrar tanta desconfiança relativamente à iniciativa privada na prática do aborto (e com razão). Ele era a fábrica de abortos, ele era as slot machines, ele era a tendência para o lucro e não para o serviço publico, ele era a ultrapassagem de todos os procedimentos éticos correctos, enfim! (mas repito, com toda a razão, porque é mesmo isso que vai acontecer). Estranho é que não se lembrem disso quando querem privatizar o SNS. Ou quando defendem a contratualização à peça.
Já a esquerda radical prefere ignorar a argumentação, de desconfortável que é.
Norberto Bobbio deve andar às voltas na tumba. Como aliás o meu estômago, durante a campanha do referendo.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Flexisegurança

A criança ainda nem abriu os olhos, tão pouco se levantou e demorará certamente muito tempo até dar um pequeno passito que seja.
Mas PANCADA NELA é o que é preciso. Vamos lá, vamos...

domingo, janeiro 14, 2007

La Gota Fria (1) (2)

(1) Termo usado para referir uma perturbação atmosférica extra-tropical (especial incidencia na peninsula ibérica) resultante de uma massa de ar frio de origem polar no meio de ar quente tropical, conjugada com uma temperatura especialmente elevada da água do mar e a consequente ascenção do vapor de água, resultante da evaporação. Provoca precipitações violentas e excepcionalmente intensas.

(2) Pequena gota de suor que se forma na nuca de um individuo momentos antes de morrer.

La gota Fria (*) (**)

Acordate Moralito de aquel día
que estuviste en Urumita
y no quisiste hacer parranda
Te fuiste de mañanita
sería de la misma rabia

En mis notas soy extenso
a mi nadie me corrige
para tocar con Lorenzo
mañana sábado, dia de la Virgen

Me lleva el o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina

Ay ! Morales a mi no me lleva
porque no me da la gana
Moralito a mi no me lleva
porque no me da la gana

Que cultura, que cultura va a tener
un indio chumeca como Lorenzo Morales
que cultura va a tener
si nació en los cardonales

Morales mienta mi mama
solamente pa' ofender
para que el tambien se ofenda
ahora le miento la de el.

Me lleva el o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina ......

Moralito, Moralito se creia que el a mi,
que el a mi me iba a ganar
pero cuando me oyo cantar
le cayo la gota fría,
pero cuando me oyó cantar
le cayo la gota fría.

Al cabo el la merecia
y el tiro le salió mal ...

Me lleva el o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina .

(*) Dedicado ao grande Emiliano Zuleta e a todo o povo de sangue quente da America Latina.

(**) Este poema relata um episódio colombiano dos anos trinte do sec. XX, e foi considerado por Gabriel Garcia Marquez como " A canção perfeita".

quinta-feira, outubro 26, 2006

Recensão ao "Pessoas, animais e outros que tais"

Por Filipe Moreira

“O invulgar do quotidiano em narrativas tradicionais”
Domingos Pintado é um antigo professor de Liceu, hoje aposentado, portuense de gema e amante do que se tem por hábito apelidar de prazeres da vida - um bom cigarro, um bom vinho, uma bela mulher, uma bela conversa. Para além disso, adora contar histórias (ou estórias, para usarmos uma palavra que acentua o seu carácter ficcional). Precisamente um conjunto de estórias é o que este antigo professor de Liceu nos oferece em Pessoas, animais e outros que tais . Estórias à maneira antiga, se quisermos, dessas que relevam do prazer de serem contadas, e de pouco mais. Apraz-nos acentuar este ponto, depois de, ao longo do século XX, tanto se ter proclamado, em tonalidades diversas, a morte da narrativa tradicional, a qual se limitaria a provocar no leitor a ânsia de seguir o rumo dos acontecimentos. Facilmente se constata como, apesar de tantos e tão veementes ataques, continuamos, hoje como ontem, a sentir um indesmentível conforto sempre que ouvimos o "era uma vez...", ou fórmulas afins. E textos como estes do Dr. Domingos Pintado muito contribuem para esse indesmentível conforto.

As estórias deste volume são, todas elas, pedaços do quotidiano (do próprio Dr. Pintado ou de outrém) marcados pelo insólito, pelo pitoresco ou por uma discreta exemplaridade. Através delas, ficamos a conhecer uma simpática velhinha que compra um prato porque a figura que ele tem estampada lhe lembra o seu pai, do qual não possui nenhuma fotografia ("O Retrato"); um mentiroso inveterado que acaba vítima das suas patifarias ("O Cinéfilo"; "Pelúcia"); o burrinho que morre de desgosto por ter perdido um fiel companheiro ("O burro do marquês"); um simpático agricultor particularmente afeiçoado à sua vaca ("A Gertrudes"); e tantos outros.

Traço comum a estes textos é o ambiente portuense, ou nortenho, em que se desenrolam, dando-lhes uma cor local bem conseguida e reforçada pelo uso de diversos termos do calão ("madameco", "neres", etc.). Quem conhecer bem o Porto actual, ou o de há algumas décadas atrás, por certo não deixará de o reconhecer no retrato que aqui nos é apresentado. Retrato físico, mas também social, que se detém no ambiente dos alfarrabistas, dos cafés, das cooperativas culturais, dos bordéis ou dos Liceus.

Um aspecto curioso deste livro é o facto de as suas narrativas se escalonarem no tempo, desde as primeiras, cuja acção decorre, ainda, no Portugal salazarista, até às últimas, já dos nossos dias. Constituem, por isso, um quadro evolutivo da sociedade portuense e portuguesa, através do qual nos vamos apercebendo das mudanças e das resistências às mudanças que se têm verificado nas últimas décadas. Para além disso, esta arrumação permite-nos seguir a evolução e as transformações do Dr. Pintado. Vamo-lo acompanhando em vários momentos da vida, desde quando professor e casado, até quando vendedor de antiguidades, viúvo e acompanhado pelo cão Púchkin, o que nos provoca algumas surpresas.

Quem diria, por exemplo, que o Dr. Pintado, pacato frequentador de bibliotecas e fidelíssimo a sua esposa, seria capaz de viver uma aventura tão fortemente erótica como a que nos narra em "O preço da Ilusão"? Embora tenha mudado (ou tenha parecido mudar), há, igualmente, aspectos em que foi permanecendo igual. Um caso paradigmático é a sua constante e por vezes dolorosa autoculpabilização pela inércia com que, ao longo dos anos, foi assistindo às marés políticas, incapaz de se opôr ao salazarismo ou aos abusos posteriores, e considerando-se pertencente a uma «esquerda tardeira, pós-Abril, com que nos vingávamos de termos tido o que merecêramos durante cinquenta anos... esquerda que baste para apagar essa memória, expiar essa culpa...» (in "Para que presta um Homem?"). Constante, também, o seu gosto por contar estórias, o que o leva a registá-las num caderno e a prometer-nos mais algumas, «caso o Dr. Pedro Batista dê o seu aval». Porque, falta dizê-lo, se ficámos a conhecer o Dr. Domingos Pintado, devêmo-lo a Pedro Baptista, portuense, professor de Filosofia e escritor.

Baptista, Pedro. Pessoas, Animais e Outros que Tais, Porto: Campo das Letras, 2006.