terça-feira, maio 05, 2009

Ainda agora começou



Afinal o “Vasco da Gama” já existe. Ou não existe mas há parecido. Ou não tem nada a ver, porque o que há nada tem a ver com o “Erasmus Emprego”.

Dr. Paulo Rangel, estava a sair-se tão bem na Assembleia, para quê este passo maior do que a perna?

Prós & Contras


No Prós & Contras ontem esteve em debate a saúde. Sob o pretexto da Gripe A (ou suína, ou H1N1) falou-se muito de saúde, do Serviço Nacional de Saúde, do fecho dos SAP’s, das Unidades de Saúde Familiar, e dos cuidados de saúde primários em geral.

Foi muito bom ver a oposição reconhecer que o programa das USF’s (Unidades de Saúde Familiar) é um bom programa, que pode resolver muitos dos problemas crónicos com que se debate o SNS e voltar agora as criticas para a escassa implementação do programa no terreno. É preciso recordar que quando este governo chegou, os cuidados de saúde primários estavam implementados, organizados em centros e extensões de saúde, num modelo que atravessou diversos governos, debatendo-se de forma crónica com o problema da falta de médicos e dos portugueses sem médico de família. Esta forma de organização existia e continua, por ora, a coexistir com as novas USF’s que, de forma sistemática se vão implementando. A reforma consiste nisso mesmo, na implementação de novos modelos organizacionais, de acordo com as vontades e iniciativa dos profissionais e o interesse dos utentes. Os resultados até agora obtidos são muito bons, principalmente na Região Norte onde, como já vai sendo hábito, o SNS é pioneiro.
O interessante é ver agora a oposição a reclamar uma maior celeridade no processo e uma maior urgência de cobertura do território nacional. E porquê, porque esta mesma oposição não é nem foi nunca capaz de apresentar soluções, pelo contrário, foi responsável (a direita) pelos maiores problemas conforme se pôde ontem constatar, e vem, a reboque, protestar contra o que ainda não foi feito. É claro que cada português “a descoberto” é mau, muito mau. Mas, mais uma vez, pior era não ter feito nada e continuar com o desígnio cavaquista de escassez de médicos de família. É certo que a reforma não vai resolver todos os problemas do SNS, até porque os maiores problemas não residem nos cuidados de saúde primários e sim no binómio custo/beneficio cujos desequilíbrios se manifestam noutras instâncias. Mas de qualquer forma, conseguir no espaço temporal de uma legislatura os níveis de cobertura que se estão a conseguir, com os níveis de assistência aos utentes e respectiva satisfação que se estão a realizar é um passo muito importante.

Ideias soltas

"A nacionalização da energia não faz sentido em termos de economia de mercado, nem de finanças públicas"
Vital Moreira


Pois não! Mas a da rede fisica de distribuição da energia, faz.

segunda-feira, maio 04, 2009

direito de resposta

"Caro Fortuna,

relembro apenas que nunca há «investimento do estado», mas sim utilização presente de dinheiro retirado dos contribuintes ou assumpção de dívida em seu nome para pagamento futuro.
Ora quer-me parecer que as pessoas estão já suficientemente espremidas, para que, numa altura de crise se lhes imponha ainda mais sacrifícios, que certamente em nada ajudarão a qualquer retoma, apenas agravando a situação.
Acresce que sempre me pareceu mais avisado que cada um possa decidir onde e como investir, se para tanto tiver possibilidade, pois que conhecerá melhor as reais possibilidades de retorno, com a grande vantagem de se a coisa der para o torto apenas haverá um prejudicado, ele mesmo.
Ou na ausência de capacidade própria ou condições concretas para investir, quiçá conseguirá amealhar alguma coisa, o que se tornará vantajoso para evitar desperdício e uma reserva que lhe será útil se a coisa se prolongar e o afectar ainda mais.
Ao invés, as despesas anunciada pelo governo sabe-se desde logo que pesarão no contribuinte, mas desconhece-se se produzirão algum outro efeito para além de reduzirem a riqueza individual, prejudicarem a concorrência leal, suportarem artificialmente empresas falidas e aumentarem encargos permanentes do estado."
Então, meu caro Gabriel, dogmas neoliberais agora???

Investimento é sempre investimento, seja do estado ou de privados. Pode é ser bem sucedido e ter retorno (havendo, como é obvio, vários tipos de “retorno”) ou não. Não é preciso enumerar casos, pois não?

Mas vamos ao que interessa. O que se trata aqui é de emprego e tão só isso. Num cenário pré crise-sobre-a-crise poder-se-ia discutir as opções de governação e até as grandes e pequenas obras enquanto possibilidades de retorno e que tipo de retorno. Neste cenário, trata-se apenas de amenizar a avalanche de desemprego, injectando dinheiro na economia através de um programa de investimentos que, para além de dar continuidade a algumas das grandes obras que já vinham de trás, acelera algumas reformas (caso das escolas) na expectativa de que isso ajude a segurar o emprego (para falar só do “investimento“).
Não fosse a “crise” eu próprio defenderia outras opções distintas, embora nada de acordo com as vossas opiniões liberais. Porque francamente, embora seja apelativo o discurso do mercado livre e das opções individuais, etc., meio copy paste da realidade americana, cá as coisas não são assim. Portugal é um pais pequeno e não tem massa critica para o surgimento de “motores da economia”, nem cultura de empreendedorismo minimamente capaz. Mesmo nos Estados Unidos a coisa deu no que deu… O mercado livre tem sempre esse outro lado, não adianta criar ilusões. A transposição dessa realidade para uma comunidade como a nossa, diminuindo os encargos com os impostos, na expectativa de que a sociedade, por si, encontraria caminhos empreendedores que levassem ao bem estar social é simplesmente mentira. Podemos especular sobre o que seria, mas basta termos presente que pelo menos desde o Marquês do Pombal que o estado é o grande motor da realidade portuguesa, isto com mais impostos ou menos impostos, com mais liberdade ou menos. Genericamente, foi enorme a incapacidade da sociedade criar riqueza, e quando o fez, foi sempre às custas dela própria desistindo até de explorar outros mercados.
Agora as infra-estruturas, as tais que alguns não consideram investimento porque o retorno é duvidoso, eu não me consigo recordar de nenhuma que fosse promoção de investidores privados (como é a linha férrea por exemplo nos Estados Unidos). Dizer que o retorno é duvidoso é mesmo uma coisa grave. Que tal dizer que o investimento na Ponte 25 de Abril ou na Ponte Vasco da gama foi de retorno duvidoso a quem vive na margem sul. E o Aeroporto do Porto, terá sido de retorno duvidoso? E os dois mil e muitos km de linha férrea no sec. XIX (bem mais do que no sec. XX), também foram de retorno duvidoso? E o porto de Leixões também terá sido de retorno duvidoso? Bom, é claro que duas refinarias num país tão pequeno se vieram a revelar desnecessárias, assim como alguns estádios, assim como algumas piscinas municipais, que estão quase vazias, mas era melhor não fazer nada? De acordo, era melhor ponderar muito bem. Mas e não foi isso que fizeram sucessivos governos com os TGV’s e com os Aeroportos e quejandos.
Explica lá Gabriel, como é que essa estratégia avisada do “cada um possa decidir onde e como investir” iria infra-estruturar o país. Ou não é preciso infra-estruturas, a exemplo das repúblicas nórdicas, que são ricas com meia dúzia de estradas e um comboio quase a vapor? Será que não lhes ocorre que a densidade populacional baixa, os imensos recursos naturais e a herança cultural são bem mais relevantes nessas economias do que as infra-estruturas que as possam suportar. Ou alguém acredita que é uma história do tipo “pouparam dinheiro - construíram escolas - inventaram a nokia - e agora são ricos”?
Gabriel, tu lembras-te, em 2005 era a Espanha, e o milagre irlandês, as faces do neoliberalismo na europa. Afinal a riqueza era no primeiro caso suportada pela imigração de africa e o respectivo reforço da mão de obra barata e produtiva, no segundo do investimento massivo norte americano na industria informática. E já perderam a face, ou há alguém que queira ser espanhol por estes dias?
Voltando à questão, a mim parece-me que a melhor estratégia é ainda a que o governo vem ensaiando na parte que diz respeito às energias renováveis e que devia alargar a outras áreas; parcerias publico-privadas em que seja possível usufruir do dito investimento publico e de mecanismos de gestão mais ágeis. É claro que isto implica outras instancias o que não sei se estará a acontecer, nomeadamente uma muito maior qualificação das estruturas dos ministérios e das entidades reguladoras (sobre estas haveria muita coisa a dizer). Porque onde o governo pode ser mais criticável não é na parte da decisão politica, e sim na operacionalidade dos meios que tem utilizado e que muitas vezes não domina. Por exemplo, eu não tenho dúvidas que o programa de renovação das escolas é um bom programa, acautela o futuro, produzirá certamente algum tipo de retorno e ajuda a combater a crise. Já tenho dúvidas é relativamente à forma como está a ser feito, através da Parque Escolar, ainda que compreenda a vontade de acelerar os processos.
Na verdade, aquilo que deveria preocupar os cidadãos, principalmente da direita, que é por exemplo a verificação da acção politica de quem está a governar, tambem nas autarquias, não parece interessar muito. Interessa é lançar atoardas do tipo “Socialistas despesistas” ou especular de forma ligeira sobre uma previsão de um défice que está condicionado à partida a ser alto. Eu já não gostei muito daquele pequeno truque que o meu governo usou em 2005 sobre o défice, especulando sobre o que seria se o governo da coligação tivesse continuado. Mas quando a Europa toda já abandonou os critérios de convergência vir falar sobre uma previsão de 6,7 para um défice que antes da crise estava controlado nos 2,7 é pura e simplesmente desonestidade intelectual, não é defender alternativas. Alternativas que, a propósito, não existem. E é por isso que o PS vai voltar a ganhar as eleições, se tudo correr bem com nova maioria absoluta. Porque as pessoas percebem bem os defeitos e as fraquezas dos políticos e esta oposição é isso mesmo, um somatório de fraquezas, contradições e larachas.

Um abraço

Escolhas

Marcelo Rebelo de Sousa condenou ontem Elisa Ferreira à derrota na nossa candidatura à CMP. Talvez o professor se engane e as coisas possam ainda vir a ser diferentes, conforme sublinha o Avelino Oliveira aqui. Mas o certo é que nalguns pontos o professor tem razão e, embora Elisa seja uma excelente candidata, a forma como a candidatura foi forjada e aparece na ribalta não foi a mais assertiva. Desde logo porque Rui Rio é um candidato difícil de bater e cuja actuação na cidade lhe permite granjear apoios em áreas muito dispersas para além do eleitorado natural do PSD. Contra isto, alguns, como Francisco Assis já no passado tinham alertado que a solução para correr com Rio e dar uma nova dinâmica à cidade seria uma ampla coligação de esquerda capaz de mobilizar os cidadãos. Pedro Baptista, candidato à Federação Distrital do PS Porto foi outro dos que nunca se resignaram e fez desta ideia uma bandeira de campanha. Também por isso o apoiamos, na convicção de que a sua estratégia para conquistar a cidade à coligação de direita era a mais apropriada. Assim como a outras câmaras do distrito.
Porem, existem outros factores que tem vindo a fragilizar a candidatura de Elisa Ferreira, sendo o mais relevante a candidatura simultânea ao Parlamento Europeu. Sempre, no passado nos manifestamos contra candidaturas a vários órgãos em simultâneo, bem como contra a acumulação de lugares políticos. Salvo raras excepções, que também as há, entendemos que o exercício do poder politico, ainda que em lugares representativos, não é compaginável com a acumulação e portanto com a assunção simultânea de projectos diversos, tais como são neste caso a CMP e o Parlamento Europeu. No passado, assistimos mesmo a situações absurdas na generalidade dos partidos, em que pessoas perfeitamente integradas num projecto politico com o qual eram reconhecidas aparecem em vésperas de eleições numa qualquer lista por mera ambição e proveito pessoal.
Tendencialmente, estas situações verificar-se-ão cada vez menos, à medida que os processos democráticos vão amadurecendo e à medida que os cidadãos se vão tornando mais exigentes em relação aos seus representantes.
Neste momento, parece ser exactamente isso que está a suceder e o motivo pelo qual Elisa Ferreira está a ser mais penalizada nas escolhas dos eleitores.
A candidata, portuense convicta e experiente nestas andanças politicas, saberá certamente retirar as devidas ilações e, quem sabe, nos reserve uma surpresa, desistindo de mais um mandato ao Parlamento Europeu em nome da cidade, ao mesmo tempo que propõe uma coligação de esquerda galvanizadora das muitas vontades que assim, certamente, no dia das eleições se dignariam ir votar.

Aí está ela...



...a tão esperada sondagem da Católica para as legislativas 2009!

CESOP/Católica, 25-26 Abril,
N=1244, Presencial.

PS: 41%
PSD: 34%
BE: 12%
CDU: 7%
CDS-PP: 2%

sábado, maio 02, 2009

Cartão Laranja

para Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel. Sondagem da católica dá vitória ao PS nas eleições europeias com 39%. A ser assim, as ilações internas das eleições europeias são, não um cartão amarelo ao governo mas sim um verdadeiro cartão laranja ao PSD. Para mais que, conforme se espera, o resultado eleitoral do CDS é um verdadeiro desaire, agregando o PSD os votos da direita. Não fosse o CDS ver-se reduzido a 2%, aos quais não é alheia a exclusão de Ribeiro e Castro das listas, e o resultado do PSD estaria muito abaixo do previsto.
Eleições Europeias.
CESOP/Católica, 25-26 Abril, N=1244, Presencial.
PS: 39%
PSD: 36%
BE: 12%
CDU (PCP-PEV): 7%
CDS-PP: 2%
Outros: 2%
Branco/nulo: 2%

E pronto...


Está lançado o mote para o ano eleitoral.

"Vital Moreira, cabeça de lista do PS às eleiçoes europeias, desce a avenida, no sentido contrário ao da manifestação do Primeiro de Maio. Acabou de cumprimentar os dirigentes da CGTP e dirige-se ao Martim Moniz, acompanhado por Vitor Ramalho e Ana Gomes. Um grupo corre em direcção a ele. “Traidor! Cabrão!”, gritam." Publico

sexta-feira, maio 01, 2009

quinta-feira, abril 30, 2009

Assuntos Europeus


"- Estes quatro anos foram, do ponto de vista nacional, muito bem sucedidos em termos de União Europeia. Eu acho que este Governo negociou de uma forma extraordinariamente positiva as perspectivas financeiras, a presidência portuguesa foi um êxito, as cimeiras com África e o Tratado de Lisboa foram êxitos absolutamente incontornáveis." Vital Moreira
Para aqueles que sempre procuram interpretações para os factos políticos e retiram ilações sucessivas dos resultados eleitorais.
Um cartão amarelo ao governo seria uma vitória do PSD nas eleições europeias. Se, como se prevê e deseja o PS vier a ganhar as europeias, o cartão amarelo será direitinho para Manuela Ferreira Leite. Tanto mais que a escolha da lista aparenta ser quase da sua inteira responsabilidade.

Elisa Ferreira


Após a divulgação da primeira sondagem, importa salientar que é mesmo possível o PS ganhar a eleição da Câmara Municipal do Porto.
O mais relevante nesta sondagem da SIC/Expresso, será reparar que Rui Rio não ganha terreno relativamente à ultima eleição, portanto, com o inicio da campanha pode existir uma aproximação entre as duas principais candidaturas.
Aguarda-se a análise aqui.
Entretanto para vencer a coligação de direita no Porto será necessário grande empenhamento de todos os socialistas. Apoiem Elisa Ferreira e conheçam o seu site de Campanha.

Sondagem

O PS ganharia a Câmara de Lisboa e o PSD a do Porto, caso as eleições autárquicas fossem hoje. São as principais conclusões da sondagem feita para a Renascença/SIC/Expresso.

Na “Invicta”, Rui Rio pode alcançar a maioria absoluta, mas, na capital, as contas estão mais difíceis para António Costa.

Em Lisboa, num cenário em que, na esquerda, cada um corre por si, o actual presidente resiste à dispersão de votos e lidera com 38,3%. Em segundo lugar, surge a coligação liderada por Santana Lopes, com 31,1%. O terceiro lugar vai para os Cidadão por Lisboa, de Helena Roseta, com 9,6%.

O candidato da CDU, Ruben de Carvalho, chega aos 8% e, em último lugar, Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, aos 6,1%. 

No que respeita à distribuição de mandatos no executivo camarário, o PS continua em minoria, podendo obter entre 7 e 8 vereadores. A coligação PSD/CDS-PP tem, nesta sondagem, 6, os Cidadãos por Lisboa 1 a 2, CDU e Bloco de Esquerda um mandato cada.

No Porto, Rui Rio chega aos 46,4% das preferências dos inquiridos, contra 34,8% da socialista Elisa Ferreira.

Rui Sá, da CDU, tem 7,6% das intenções de voto, mais duas décimas que o candidato do Bloco de Esquerda, João Teixeira Lopes. 

No que respeita à distribuição de mandatos, a novidade é que Rio pode jogar para a maioria absoluta, com uma previsão de 6 a 7 vereadores, contra 4 a 5 do PS, 1 da CDU e permanecendo a incógnita sobre se o Bloco de Esquerda conseguirá eleger algum.

Ficha técnica

As duas sondagens foram efectuadas pela Eurosondagem para a Renascença, a SIC e o semanário “Expresso”.

No que respeita a Lisboa, a sondagem foi realizada entre os dias 26 e 28 de Abril. No Porto, entre 22 e 24 de Abril. Tiveram como universo a população residente nos respectivos concelhos, em lares com telefone da rede fixa. Os entrevistados foram distribuídos aleatoriamente no que se refere ao sexo e à idade.

Em Lisboa, foram validadas 1025 entrevistas, o que corresponde a uma taxa de resposta de 85,8%. O erro máximo da amostra é de 3,06%, para um grau de 95%.

No Porto, foram validadas 721 entrevistas, o que corresponde a uma taxa de resposta de 84,1%. O erro máximo da amostra é de 3,64%, para um grau de probabilidade de 95%.

MG/Castro Moura

quarta-feira, abril 29, 2009

O herdeiro de Rui Rio

Dias após dia, neste ano de 2009 polvilhado de eleições, as atenções direccionam-se cada vez mais em torno de dois ou três pontos que resumem, quase por antecipação, o ano político. É visível que o tema principal reside na expectativa do PS renovar a maioria absoluta nas próximas eleições, mas o assunto que aqui pretendemos trazer à reflexão é outro e centra-se nas eleições autárquicas, mais especificamente no Porto.

Infelizmente nos últimos anos se pretendemos falar da situação política portuense temos que começar por observar a situação na capital já que as lideranças partidárias a norte estão genericamente subjugadas às respectivas sedes nacionais, como é o caso de Rui Rio, Renato Sampaio, Rui Sá/Honório Novo e João Teixeira Lopes.

Então, mesmo não concordando com o condicionalismo, aceitemo-lo como uma inevitabilidade e comecemos por Lisboa para chegar ao Porto.

O município da capital é actualmente liderado por António Costa, figura de grande capacidade política e assumido pelo aparelho partidário socialista como a reserva política do PS para o futuro. O Presidente lisboeta parece estar em trânsito para substituir José Sócrates mas terá pela frente um duro desafio, pois neste ano apresenta uma candidatura que o obriga a estabelecer uma estratégia vencedora no âmbito de um intrincado cenário de divisões. António Costa tenta congregar apoios num espectro onde à esquerda existe uma manta de retalhos complexa, um mosaico composto pelos tradicionais partidos, PCP e BE, mas acrescido de José Sá Fernandes e da Alegrista dissidente Helena Roseta. Isto contra o seu adversário principal, Santana Lopes, que apesar de “titubeante” consegue juntar a direita numa coligação que já muitos duvidavam pudesse vir a acontecer.

Depois do Congresso Socialista, Costa deixou claro que não haverá espaço para coligações à esquerda, logo o combate político far-se-á, não em dois blocos mas sim centrado na capacidade de Santana coligir os votos da direita e de Costa conseguir penetrar no eleitorado tradicional dos comunistas e dos bloquistas. O forte ataque de Costa em Espinho aos partidos de esquerda acabou por determinar o final da especulação em torno da possibilidade de coligações do PS nas autárquicas, pois um entendimento entre PCP, BE e PS em Lisboa poderia contaminar outros municípios importantes, nomeadamente no distrito de Lisboa e do Porto.

A Norte, no Porto, onde por coincidência Rui Rio é, tal como Costa no PS, visto como o provável futuro líder social-democrata, existe ainda um pequeno tabu: o anúncio da sua candidatura autárquica ainda não aconteceu!

Respaldado pelo facto de ser em Lisboa o mais bem-amado presidente de uma câmara nortenha, continuam a alimentar-se especulações sobre a possibilidade de Rio ceder às pressões daqueles que preferiam vê-lo discutir as legislativas com Sócrates em vez das autárquicas com Elisa Ferreira. Assim sendo, tal como António Costa também Rui Rio concentra neste ano as suas estratégias para um último mandato em que se apresenta mais como candidato a futuro candidato a primeiro-ministro do que candidato a Presidente da Câmara. E se a sua vitória surgiu mais pelo desagrado portuense com as ambições nacionais de Fernando Gomes do que pelo seu mérito, hoje, oito anos volvidos, a história pode até repetir-se.

É neste contexto, nomeadamente pelo seu significado na política nacional, que a questão se impõe: “Irá o candidato Rui Rio comprometer-se a realizar o mandato até ao fim?”.

E já agora, Quem será o número dois da coligação? Afinal, será ele o putativo candidato a futuro presidente da Câmara, o herdeiro de Rui Rio escolhido pelo próprio.

Na verdade, a disputa no Porto é tão emocionante como a de Lisboa e o seu peso no futuro nacional é tão relevante como o da capital, simplesmente os protagonistas são diferentes e só por isso os menos atentos poderão achar mais fácil a vitória de Rui Rio no Porto do que a continuidade de António Costa à frente dos destinos lisboetas.

 “E se Elisa Ferreira ganhar as Eleições?”

É que no Porto as eleições autárquicas não serão “favas contadas” e o herdeiro de Rui Rio poderá afinal ser uma herdeira - Elisa Ferreira, pois não acreditamos que a sua vitória seja surpresa maior do que a derrota de Fernando Gomes em 2001, ou visto de outro modo, que a derrota de Rui Rio em 2009 seja mais surpreendente do que a sua inesperada vitória de 2001.

nós europeus

De volta ao Sede.

Apetece-me começar por dizer que a campanha europeia do PS está, quanto a mim, a ser um exemplo tristemente interessante de como a política é encarada pelos nossos concidadãos hoje em dia, ou seja, superficialmente.

Vital Moreira tem tido um discurso de especial relevo (mesmo quando descartou Durão Barroso) e nem sequer se tem refugiado no contexto europeu para deixar de comentar a nossa actualidade política (como quando explicou que preferia uma maioria absoluta do PS nas próximas legislativas).

A sua candidatura tem conteúdo e a mim interessa-me particularmente a sua ideia de um Pacto de Progresso Social Europeu. No entanto esta magnífica campanha parece estar a passar ao lado de uma larga maioria de Portugueses. É sempre mais fácil criticar e apregoar que os candidatos dizem todos a mesma coisa. Desta vez não é verdade!

Acrescento ainda que os cartazes relembram-me, com orgulho, que o Partido Socialista esteve nos momentos históricos recentes do País, quer com Soares a assinar a adesão, depois com Guterres na entrada do Euro e mais tarde, mesmo com um "porreiro pá", foi Sócrates que esteve no tratado de Lisboa. Agrada-me que seja uma candidatura europeia de um independente tão prestigiado como Vital Moreira a valorizar o meu partido.  





terça-feira, abril 28, 2009

A Entrevista de MFL

Como não podia deixar de ser, em tempos de crise, e de crise sobre a crise, e de crise para além da crise, e de sempre em crise, o 25 de Abril serviu de pretexto para uma série de aparições (veja-se o ressurgimento do SEDE) e factos políticos que começam a tornar-se relevantes em ano de eleições.
E assim, de uma assentada tivemos entrevista com o Primeiro-Ministro, Discurso do Presidente (entre muitos outros) e ontem, mais uma entrevista com a lider do PSD, até ver o principal partido da oposição.
Infelizmente não serviu para quase nada, a entrevista, isto é, não ficamos a saber nada de novo e apenas confirmamos o que já sabíamos; que o PSD continua sem rumo e não se apresenta como alternativa credível a coisa nenhuma. O sempre disponível Augusto Santos Silva não tardou a comentar o desnorte.

Logo a abrir ficou clara a nova estratégia de marketing politico; quanto mais distante da ideia de PARTIDO melhor. Esta temática vai dar pano para mangas este ano eleitoral.

Seguiu-se a trapalhada dos casamentos (que é como quem diz, alianças e coligações) de onde saiu a já celebre frase aqui reproduzida e o respectivo desmentido. Sem comentários!
Parece que vão acontecer alguns divorcios nas coligações autárquicas com o CDS. Nada de concreto; esperemos para ver.

Como já sabíamos, o PSD não é contra investimentos, mas é contra investimentos “megalomanos” que “sequestram o futuro”; isto é, é contra os investimentos que no passado recente aprovou, mas já é favor dos investimentos em escolas, processo da exclusividade deste governo. MFL justifica estas opções com a conjuntura, segundo ela muito diferente da que tínhamos há seis anos. Então há seis anos o país não estava de tanga? E com um défice estratosferico? Então nessa altura a conjuntura era boa para aeroportos e tgv’s, agora que as contas publicas estão controlados, permitindo até alguma folga para fazer face à crise, a conjuntura não permite. E a senhora justifica com o endividamento, assim para parecer séria e sabedora, imagem de si própria que muito lhe agrada.
Acontece é que se a justificação é o endividamento, que de facto aumentou (e de qualquer forma se paga sempre com o orçamento do estado, do qual decorre um défice) das duas uma, ou se investe porque há margem ou não, porque não há.
Ora ela diz que há, porque defende a recuperação das escolas e uma recuperação à rede de linha férrea nacional e ainda investimento na recuperação urbana, etc.. Então, se há, trata-se apenas de opções politicas, opções essas com as quais há bem pouco tempo concordou e segundo diz, até com orgulho. Conclusão, todo o discurso sobre investimentos públicos é apenas e só retórica de oposição em vésperas de eleições.
É neste ponto, que por trás de toda a capa de seriedade se percebe que de facto a senhora não está de forma séria na politica. E tambem não está de forma inocente nessa retorica de seriedade e na cavalgada contra os investimentos publicos. É que para os mais atentos não passou despercebida a alusão à possibilidade de os grandes investimentos em transportes potenciarem a fuga dos centros de decisão para Madrid; isto é, no fundo, MFL prefere fechar o país. Há ou não há um “orgulhosamente sós” por trás disto?




descubra as diferenças.



Ou melhor, a semelhança. Muito interessante esta súbita alergia aos símbolos partidários.
Manuela Ferreira Leite afirma que lhe basta o laranja para simbolizar o partido.
Elisa Ferreira ainda deixa uma mãozinha minúscula, a lembrar a medo que anda por ali um partido.
São os tempos que correm, nos quais dá jeito arranjar culpados para o mal estar colectivo. E a retorica fácil contra os partidos salta logo para a ribalta; “ esses bandos de malfeitores..”

Nós aqui no SEDE gostamos do cartão, do debate e da discussão politica, e das eleições internas e dos orgãos eleitos, de decisões colegiais , do confronto, dos grupos de trabalho e dos estudos que tantas vezes antecipam o futuro. E gostamos de nos encontrar uns com os outros, de conversar e confraternizar, gostamos dos afectos e somos amigos, quase sempre solidários. Temos respeito pelos adversários e gostamos de saber quem são; acompanhamos os seus percursos nos respectivos partidos.

Apesar dos tempos, das modas, do que ai vem, não nos verão escondidos atrás duma estética que dá jeito. Somos, como sempre fomos, militantes de cartão.

Só para iniciar!




“Eu sentir-me-ia confortável com qualquer solução em que eu acredite, em que eu acredite que a conjugação de esforços e, especialmente, a conjugação de interesses, interesses no sentido do país, são coincidentes. Se perceber que o objectivo país não é propriamente aquele que está no centro das atenções, então eu acho que, com dificuldade existe um Governo que possa efectivamente contribuir para a melhoria do país” MFL, 27 de Abril

sexta-feira, abril 17, 2009

O SEDE volta!

Após um longo período de hibernação o SEDE vai voltar. Voltar significar recriar-se a partir das suas origens e voltar a ser um simples blogue que fala de políticas.

Como imaginam, muitos amigos nos desafiaram para voltarmos a escrever. Após sucessivas recusas devemos confessar que o apelo de voltar foi ganhando força.

Como alguns devem recordar o SEDE surgiu de uma espécie de brincadeira séria entre o Avelino Oliveira e o Daniel Fortuna do Couto. Mais tarde ganhou corpo e até teve momentos de forte significado político. Corria então o ano de 2005 e os blogues eram novidades.

Desta vez apeteceu-nos simplesmente voltar a escrever. Desenganem-se os que esperam que vamos criar twiters, fóruns, newsletters, portais informativos da coscuvilhice politiqueira do burgo, queremos simplesmente desenferrujar os dedos e voltar a escrever com algum descomprometimento.

O Sede volta, portanto, como um blogue de dois socialistas, que pretendem partilhar umas ideias. Convidamos também alguns amigos a ajudarem no blogue fazendo uma espécie de “back office” que vão lançando algumas novidades e noticias para animar o fluxo de leitura diária de um blogue que sabemos estava na primeira escolha de muitos, outrora.

Esperos que volte a ser a primeira escolha, desta vez de muitos mais e agora.

Seremos um espaço de informação da vida socialista local e nacional e as opiniões veiculadas comprometerão o Avelino e o Daniel, quando cada um deles assinar os textos.

O pseudónimo SEDE continuará a aparecer amiúde e pertencerá a muitos, isto porque não queremos deixar de ter alguns contributos de amigos que querem escrever mas não querem assinar. Nem sequer pretendemos justificar este ponto do anonimato – será assim e pronto.

Esperemos por isso que o novo SEDE seja ainda melhor do que o anterior, que afinal é o mesmo.

sexta-feira, março 06, 2009

the come back