domingo, maio 10, 2009

Não vai nada, nada, nada?

Terminada que está a Queima das Fitas, como sempre com tanto queixume, impõe-se a devida reflexão em vertente politica.
No meu tempo de estudante, a Queima das Fitas era uma celebração a dar de novo os primeiros passos, após os anos de abolição que se seguiram ao 25 de Abril. Procurava-se recuperar a tradição e quase todos os envolvidos eram rapaziada de direita que sob o cavaquismo lá ia pondo a cabeça de fora. A esquerda tinha obviamente horror ao fenómeno (para não dizer nojo) e alguém afirmar-se académico entre as esquerdas era nunca menos do que um sacrilégio. Motivo para se ser criticado e olhado com desconfiança sectária.
Como era inevitável nos tempos que se seguiram, deu-se o BOOM da academia e há vinte anos atrás a Queima das Fitas era já uma realidade incontornável para a estudantada e com potencial de alargamento igual ao da massificação do ensino. Assim foi.
Mas há vinte anos atrás, a Queima das Fitas não era só isso. Era um conjunto de eventos académicos a lembrar outros tempos, complementados por uma agitação festeira e noctívaga a lembrar a barbárie. Lembro-me bem porque guardo desses tempos memórias maravilhosas de momentos verdadeiramente épicos. Mas não só, lembro-me bem porque ficou documentado; por exemplo o ano em que o Porto e Coimbra bateram num só dia o recorde de litros da festa da cerveja de Munique. Ou por exemplo da agressividade demonstrada pelas ordas de rapazes quando se acercavam das meninas com o objectivo assumido de “tirar pedaço”. Ou ainda do calão grosseiro estampado nas decorações dos carros alegóricos, em termos que faziam corar qualquer p….
Aqueles que há vinte anos viviam com esta intensidade o seu academismo e com orgulho coroavam o curso com uma semana de alegria desmedida, estão hoje perfeitamente integrados na sociedade, com profissões de algum relevo e destaque, exercendo em muitos casos o papel de fazedores de opinião, nos média ou pelo menos na internet.
O curioso é que, percorrendo os blogues, as piores referencias e opiniões sobre a actual Queima das Fitas venham precisamente do lado da direita, do lado daqueles que foram os seus principais percursores. Desde criticas ao financiamento até juízos sobre o comportamento, eles são “gerações de bêbados”, ele é o “facilitismo no ensino” que não “cultiva o mérito intelectual, ele é que “só se ensina ordinarice” que “reflecte a desvalorização do ensino, ele é ainda o celebre “estado a que as coisas chegaram”. Em geral a esquerda pronuncia-se de forma bastante mais tolerante em relação aos comportamentos desviantes que eventualmente ocorram.
O paradoxo é que a Queima das Fitas hoje, não corresponde nem por sombras às piores descrições dos detractores, assim como não precisa de complacência dos defensores. Vi este ano um cortejo sereno, muito sereno mesmo, muito pouca bebedeira e agressividade, e reflexo maior, muito pouca ordinarice escarrapachada nos carros. Vi este anos uma mega produção de eventos com organização extremosa, certamente super lucrativa, difícil de acreditar que possa ser levada a cabo por estudantes em idade escolar. A Queima das Fitas sedentarizou-se, institucionalizou-se e deixa hoje muito pouco espaço para irreverências e comportamentos desviantes, sendo que mesmo estes, a existirem tem respostas a todos os níveis, envolvendo segurança, policia, INEM, bombeiros, etc.
Então porque esta vozearia de maledicência, vinda dos arautos da direita? Que é que mais querem, o sistema incorporou o fenómeno desviante e tornou-o altamente lucrativo. Que é isto senão o capitalismo no sue melhor?

sábado, maio 09, 2009

Elisa promete que só vai ao PE dar o nome




Elisa Ferreira diz que tudo fará para que o Porto seja uma cidade onde as pessoas se sintam bem. Apela a uma grande mobilização em torno da sua candidatura. E promete que só vai ao Parlamento Europeu "dar o nome".
Hoje no JN por Hermana Cruz

sexta-feira, maio 08, 2009

Olha, olha, olha!


"Gato escondido com rabo de fora!"

Então não é que os grandes arautos da moralidade foram apanhados na curva e também votaram a favor da lei de financiamento dos partidos.
Do alto da sua superioridade moral, não resistiram a mais umas notitas para a campanha. É que isto quando toca a cada um já não é tão fácil como botar faladura contra o bloco central de interesses, não é? Quem diria Dr. Louçã, quem diria…
Quem diria também que os unicos que não votaram a favor sairiam da bancada do PS. Afinal aonde é que se respeita a liberdade de consciência?

quinta-feira, maio 07, 2009

Gostava de estar, mas não posso, mas vale a pena ir!

Feliz (por vir cá mais uma vez e por contactar alguns amigos) ou Infelizmente (por não estar ao lado de outros grandes amigos num momento importante) estou na cidade Condal, no rescaldo das vitórias futeboleiras de Messi e companhia, durante este fim-de-semana.

Assim não vou poder estar no Sábado e no Domingo nas apresentações do PS às candidaturas do Marco de Canaveses, Trofa e Valongo. 

Que me perdoem os outros candidatos todos, mas fico triste porque sei do empenho do Afonso e da Joana nesta sua etapa política e pelos muitos amigos que tenho em ambos os concelhos.

Digo mais, estou confiante que os dois poderão fazer a grande surpresa das autárquicas e sublinho, sem qualquer desconfiança, que isso seria muito bom para as respectivas cidades.

Substituir um ultrapassadíssimo autarca como o Social Democrata Melo, pelo Afonso Lobão que está a fazer deste combate um dos grandes desígnios da sua vida só traria vantagens e seria um orgulho para Valongo. Tenho conversado muitas vezes do concelho com ele, entre as opiniões de como aproximar Ermesinde e Valongo, tão difícil, ao contexto ecológico e jovem do concelho, as avenidas completas e incompletas, Lagueirões, D. Pedro IV,  e as outras que não decoro os nomes, a zona do Hospital Novo, do Hospital velho, Susão, Alfena, Campo, Sobrado, o problema da A4, as circulações, os transportes, a estação, outra vezi Ermesinde, tudo. Encontro o Afonso muito conhecedor de todos os temas, tem noção exacta do que quer. O Afonso é trabalhador, experiente e tem mais do que tarimba para o cargo. Merece-o. Deseja-o. E se os votos chegarem, não faltarei à sua tomada de posse. porque acredito que pode ganhar. Força Afonso!

A Joana Lima é uma força da natureza e será uma grande presidente socialista, quem a acompanha sabe que a Joana conhece quase toda a população da Trofa pelo nome e apelido. Caminhar com ela na sua terra é assinalável, parece flutuar nas nuvens, como se o chão não existisse, cumprimenta cada um que encontra, quer saber-lhes tudo, saúde, filhos e como está o resto lá em casa. A Joana vibra com a Trofa, bate-se pela sua cidade e será uma excelente Presidente de Câmara. A Joana faz esta campanha com o coração e será uma emoção para os socialistas se ela conseguir os votos que lhe faltaram da última vez, onde já chegou tão perto da vitória.


quarta-feira, maio 06, 2009

Dividir para (também) mandar!

Cavaco Silva está a jogar forte. As permanentes referencias a um governo de bloco central, num cenário pré-eleitoral em que o partido do governo aparece nas sondagens com clara vantagem sobre a oposição, só mostram o esgotamento da direita e que o próprio Presidente tem que vir a terreiro puxar a carroça.
O mais triste, é que se percebe que o faz, não por convicções politicas de fundo, já que aparentemente se revê, pelo menos em parte, na governação de Sócrates, mas por solidariedades pessoais, nomeadamente com MFL. Cavaco já percebeu, e esta semana com as sondagens isso ficou bastante evidente, que Manuela Ferreira Leite não “descola”. Tem falta de jeito, falta de propostas concretas, sustentadas e distintas da linha de orientação do governo, e ainda por cima o seu principal trunfo, uma certa imagem de rigor e seriedade, é permanentemente posto em causa pelo seu próprio percurso, quer passado quer de acção presente. Ora, este é o pior cenário para Cavaco, porque com o PS novamente em maioria o seu mandato corre o risco de se tornar demasiado irrelevante. Mesmo sem maioria, qualquer entendimento pós eleitoral, com CDS ou Bloco (livra!) fugiria por completo da esfera de influencia do Presidente. Não, Cavaco não quer isso, o que quer é dividir para também mandar.
Por isso a insistência e o discurso das “Responsabilidades muito particulares na construção de soluções de governo”.
Cavaco quer puxar a qualquer preço o SEU PSD para a ribalta politica, até porque o SEU PSD não sobreviverá a mais uma derrota eleitoral, sendo obrigado a entregar o terreno a linhas mais, digamos, populistas.
Manuela Ferreira Leite, com a sua já habitual falta de jeito, percebendo a deixa, não se conseguiu orientar logo à primeira. Ainda por cima, quando clarificou, fê-lo mal, recuando e rejeitando o Bloco Central. Apoiada no discurso do 25 de Abril de Cavaco, teve a oportunidade de ouro de se apresentar aos portugueses como opção de governo, ainda que em parceria. Se assim fosse, o ónus da ingovernabilidade ficaria com o PS e a imagem de responsabilidade de MFL passava, a bem da nação, claro. MFL seria então vista como uma alternativa credível, com quem contar, embora nada tivesse feito para o merecer. Ao invés, recuou, mostrando-se indisponível para uma solução de bloco central, desarmando o proprio presidente a quem não resta senão titubear sobre umas “responsabilidades muito particulares na construção de soluções de governo”. de forma hesitante e um pouco insegura.
Ainda bem, porque um entendimento de bloco central pré-eleitoral, no momento que o país atravessa e com o clima de desconfiança que se vive em relação à classe politica seria um verdadeiro perigo. Perigo de descredibilizar definitivamente a nossa democracia, de ser interpretado pelas pessoas como uma conjugação de interesses obscuros (como se percebeu nas reacções à nova lei do financiamento dos partidos, sobra a qual, aliás Cavaco não se pronunciou), como uma institucionalização dos piores vícios da governação. Apesar de tudo, os cidadãos sabem que ainda podem contar com a principal vantagem de um regime democrático, que é tirar os governantes do poder quando já não os querem mais. Apresentar-lhes um pré-entendimento de bloco central é como roubar-lhes esse consagrado direito, já que os outros partidos não constituem propriamente opção de governo.
Para todos os que acreditam na democracia e na vontade soberana do povo através do voto (secreto), a responsabilidade “na construção de soluções de governo” manifesta-se na apresentação ao eleitorado dos seus projectos políticos e no confronto democrático de ideias que devem afirmar-se pelas suas diferenças. É essa a essência da democracia. A redução das hipóteses de escolha, que seria a assunção à priori de um bloco central, é neste momento um ofensa a todos os cidadãos, já bastante martirizados pela conjuntura.
Para além do mais que, este tipo de condicionamento da liberdade de escolha só tem sentido em casos de força maior; guerra, por exemplo. O estado da crise não parece ainda, nem por sombras, justificar tal opção.
O que o povo português menos precisa agora é que lhe reduzam as possibilidades de escolha e lhe apresentem o pacote já pronto e embrulhado, em relação ao qual já se tem mostrado suficientemente desconfiado. O que é preciso é oferecer alternativas credíveis através de programas políticos claros e claramente sufragáveis; isto é que é falar verdade. O problema é que o PSD de Manuela Ferreira Leite não tem nenhuma verdade para oferecer, porque não tem o tal programa politico, limitando-se a contestar as opções de investimento do governo. Não se vislumbra nenhum conjunto de medidas ou programas com uma orientação definida e claramente identificável.
Mas jogar, como tem feito Cavaco, também não é falar verdade, é precisamente não cumprir com a sua “responsabilidade muito particular na construção de soluções de governo”, que no caso do Presidente é servir de arbitro e não de jogador.

Apresentação de Candidatura do Ps de Valongo

O Partido Socialista convidao(a) para a cerimónia de apresentação do candidato à Câmara Municipal de Valongo, Afonso Lobão.

Contamos consigo no dia 10 de Maio, Domingo, pelas 10h30m, no Largo do Centenário, onde iremos assistir à actuação da Banda Musical de S. Martinho de Campo. Partiremos, pelas 11h30m, para um passeio pelas ruas da cidade até ao Auditório Municipal Vallis Longus onde irá decorrer, pelas 12h00, a cerimónia de apresentação.


Candidatura do PS do Marco de Canaveses

Apresentação candidatura, 
Artur Melo e Castro, será formalmente apresentado como o candidato do PS à Câmara Municipal do Marco de Canaveses no próximo dia 9 de Maio, sábado, pelas 21h30m, no Auditório Municipal.
O PS convida os marcoenses e todos os cidadãos interessados a associarem-se a este evento para que assim possam partilhar as nossas ideias e projectos para o futuro.
Veja aqui

apresentação de candidatura do PS na Trofa

No próximo dia 9 de Maio, no Parque Nossa Srª das Dores, a Drª Joana Lima apresentará a sua candidatura à Câmara Municipal da Trofa.



Compareça.

Impressões

Hoje fui, como costumo ir, fazer algumas compras ao hiper-mega-rifixe supermercado cá da minha terra. Aparentemente, por aqui (Leça da Palmeira) não existe crise. Gente sem fim, carrinhos cheios, filas a perder de vista. Tudo igualzinho ao antes da crise-sobre-a-crise. Igualzinho mesmo, porque as filas não são novidade, é sempre assim. Exactamente como em todas estas médias e grandes superfícies, o pessoal é escasso para o fluxo de clientes; muito escasso.
Há uns vinte anos atrás, mais ou menos, aquela clientela toda teria que se aviar aí numas dez ou vinte mercearias, dois talhos, uma drogaria, três peixeiras (ou peixarias se fosse na finíssima capital), duas retrosarias, duas ou três padarias e ainda uma tasca de petiscos. Negócios próprios, rendimento certo médio-burguês e alguns empregados de balcão.
Hoje, dos respectivos filhos, muitos licenciados, trabalham uns poucos por conta de outrem (um grande grupo económico) lá no supermercado, a recibos verdes, ou com contrato a prazo, mas todos pelo salário mínimo.
Os restantes “perderam-se na vida em busca de aventura” (isto é, vivem à custa dos pais).
Antes, as lojecas eram feias e os donos antipáticos; mas os produtos eram “frescos".
Hoje, o supermercado é super-xpto-mega-rifixe, só que os produtos são liofilizados e pré-cozinhados na china e embalados no leste.
Antes, a distribuição de géneros a uma comunidade, servia de sustento a muitas famílias com padrões de classe média. Hoje, a mesma actividade paga os alimentos do dia (só dá para isso) a meia dúzia de pessoas em situação precária, que nem o orgulho de desempenharem bem a sua função podem sentir; as caixas estão sempre cheias e com filas intermináveis.

Conclusão: A competitividade empresarial gera injustiça social

terça-feira, maio 05, 2009

CDS sofre com 2% nas sondagens

Sobre os baixos resultados que a sondagem da Cesop/Católica atribui ao CDS, vale a pena lêr aqui.
A ser verdade a argumentação do pedro Magalhães e julgamos que é, Portas deve mesmo ficar preocupado.







Maizena para Rangel

Não gosto do estilo de Manuel Pinho, mas não deixou de ter graça!

+ info aqui!

Ainda agora começou



Afinal o “Vasco da Gama” já existe. Ou não existe mas há parecido. Ou não tem nada a ver, porque o que há nada tem a ver com o “Erasmus Emprego”.

Dr. Paulo Rangel, estava a sair-se tão bem na Assembleia, para quê este passo maior do que a perna?

Prós & Contras


No Prós & Contras ontem esteve em debate a saúde. Sob o pretexto da Gripe A (ou suína, ou H1N1) falou-se muito de saúde, do Serviço Nacional de Saúde, do fecho dos SAP’s, das Unidades de Saúde Familiar, e dos cuidados de saúde primários em geral.

Foi muito bom ver a oposição reconhecer que o programa das USF’s (Unidades de Saúde Familiar) é um bom programa, que pode resolver muitos dos problemas crónicos com que se debate o SNS e voltar agora as criticas para a escassa implementação do programa no terreno. É preciso recordar que quando este governo chegou, os cuidados de saúde primários estavam implementados, organizados em centros e extensões de saúde, num modelo que atravessou diversos governos, debatendo-se de forma crónica com o problema da falta de médicos e dos portugueses sem médico de família. Esta forma de organização existia e continua, por ora, a coexistir com as novas USF’s que, de forma sistemática se vão implementando. A reforma consiste nisso mesmo, na implementação de novos modelos organizacionais, de acordo com as vontades e iniciativa dos profissionais e o interesse dos utentes. Os resultados até agora obtidos são muito bons, principalmente na Região Norte onde, como já vai sendo hábito, o SNS é pioneiro.
O interessante é ver agora a oposição a reclamar uma maior celeridade no processo e uma maior urgência de cobertura do território nacional. E porquê, porque esta mesma oposição não é nem foi nunca capaz de apresentar soluções, pelo contrário, foi responsável (a direita) pelos maiores problemas conforme se pôde ontem constatar, e vem, a reboque, protestar contra o que ainda não foi feito. É claro que cada português “a descoberto” é mau, muito mau. Mas, mais uma vez, pior era não ter feito nada e continuar com o desígnio cavaquista de escassez de médicos de família. É certo que a reforma não vai resolver todos os problemas do SNS, até porque os maiores problemas não residem nos cuidados de saúde primários e sim no binómio custo/beneficio cujos desequilíbrios se manifestam noutras instâncias. Mas de qualquer forma, conseguir no espaço temporal de uma legislatura os níveis de cobertura que se estão a conseguir, com os níveis de assistência aos utentes e respectiva satisfação que se estão a realizar é um passo muito importante.

Ideias soltas

"A nacionalização da energia não faz sentido em termos de economia de mercado, nem de finanças públicas"
Vital Moreira


Pois não! Mas a da rede fisica de distribuição da energia, faz.

segunda-feira, maio 04, 2009

direito de resposta

"Caro Fortuna,

relembro apenas que nunca há «investimento do estado», mas sim utilização presente de dinheiro retirado dos contribuintes ou assumpção de dívida em seu nome para pagamento futuro.
Ora quer-me parecer que as pessoas estão já suficientemente espremidas, para que, numa altura de crise se lhes imponha ainda mais sacrifícios, que certamente em nada ajudarão a qualquer retoma, apenas agravando a situação.
Acresce que sempre me pareceu mais avisado que cada um possa decidir onde e como investir, se para tanto tiver possibilidade, pois que conhecerá melhor as reais possibilidades de retorno, com a grande vantagem de se a coisa der para o torto apenas haverá um prejudicado, ele mesmo.
Ou na ausência de capacidade própria ou condições concretas para investir, quiçá conseguirá amealhar alguma coisa, o que se tornará vantajoso para evitar desperdício e uma reserva que lhe será útil se a coisa se prolongar e o afectar ainda mais.
Ao invés, as despesas anunciada pelo governo sabe-se desde logo que pesarão no contribuinte, mas desconhece-se se produzirão algum outro efeito para além de reduzirem a riqueza individual, prejudicarem a concorrência leal, suportarem artificialmente empresas falidas e aumentarem encargos permanentes do estado."
Então, meu caro Gabriel, dogmas neoliberais agora???

Investimento é sempre investimento, seja do estado ou de privados. Pode é ser bem sucedido e ter retorno (havendo, como é obvio, vários tipos de “retorno”) ou não. Não é preciso enumerar casos, pois não?

Mas vamos ao que interessa. O que se trata aqui é de emprego e tão só isso. Num cenário pré crise-sobre-a-crise poder-se-ia discutir as opções de governação e até as grandes e pequenas obras enquanto possibilidades de retorno e que tipo de retorno. Neste cenário, trata-se apenas de amenizar a avalanche de desemprego, injectando dinheiro na economia através de um programa de investimentos que, para além de dar continuidade a algumas das grandes obras que já vinham de trás, acelera algumas reformas (caso das escolas) na expectativa de que isso ajude a segurar o emprego (para falar só do “investimento“).
Não fosse a “crise” eu próprio defenderia outras opções distintas, embora nada de acordo com as vossas opiniões liberais. Porque francamente, embora seja apelativo o discurso do mercado livre e das opções individuais, etc., meio copy paste da realidade americana, cá as coisas não são assim. Portugal é um pais pequeno e não tem massa critica para o surgimento de “motores da economia”, nem cultura de empreendedorismo minimamente capaz. Mesmo nos Estados Unidos a coisa deu no que deu… O mercado livre tem sempre esse outro lado, não adianta criar ilusões. A transposição dessa realidade para uma comunidade como a nossa, diminuindo os encargos com os impostos, na expectativa de que a sociedade, por si, encontraria caminhos empreendedores que levassem ao bem estar social é simplesmente mentira. Podemos especular sobre o que seria, mas basta termos presente que pelo menos desde o Marquês do Pombal que o estado é o grande motor da realidade portuguesa, isto com mais impostos ou menos impostos, com mais liberdade ou menos. Genericamente, foi enorme a incapacidade da sociedade criar riqueza, e quando o fez, foi sempre às custas dela própria desistindo até de explorar outros mercados.
Agora as infra-estruturas, as tais que alguns não consideram investimento porque o retorno é duvidoso, eu não me consigo recordar de nenhuma que fosse promoção de investidores privados (como é a linha férrea por exemplo nos Estados Unidos). Dizer que o retorno é duvidoso é mesmo uma coisa grave. Que tal dizer que o investimento na Ponte 25 de Abril ou na Ponte Vasco da gama foi de retorno duvidoso a quem vive na margem sul. E o Aeroporto do Porto, terá sido de retorno duvidoso? E os dois mil e muitos km de linha férrea no sec. XIX (bem mais do que no sec. XX), também foram de retorno duvidoso? E o porto de Leixões também terá sido de retorno duvidoso? Bom, é claro que duas refinarias num país tão pequeno se vieram a revelar desnecessárias, assim como alguns estádios, assim como algumas piscinas municipais, que estão quase vazias, mas era melhor não fazer nada? De acordo, era melhor ponderar muito bem. Mas e não foi isso que fizeram sucessivos governos com os TGV’s e com os Aeroportos e quejandos.
Explica lá Gabriel, como é que essa estratégia avisada do “cada um possa decidir onde e como investir” iria infra-estruturar o país. Ou não é preciso infra-estruturas, a exemplo das repúblicas nórdicas, que são ricas com meia dúzia de estradas e um comboio quase a vapor? Será que não lhes ocorre que a densidade populacional baixa, os imensos recursos naturais e a herança cultural são bem mais relevantes nessas economias do que as infra-estruturas que as possam suportar. Ou alguém acredita que é uma história do tipo “pouparam dinheiro - construíram escolas - inventaram a nokia - e agora são ricos”?
Gabriel, tu lembras-te, em 2005 era a Espanha, e o milagre irlandês, as faces do neoliberalismo na europa. Afinal a riqueza era no primeiro caso suportada pela imigração de africa e o respectivo reforço da mão de obra barata e produtiva, no segundo do investimento massivo norte americano na industria informática. E já perderam a face, ou há alguém que queira ser espanhol por estes dias?
Voltando à questão, a mim parece-me que a melhor estratégia é ainda a que o governo vem ensaiando na parte que diz respeito às energias renováveis e que devia alargar a outras áreas; parcerias publico-privadas em que seja possível usufruir do dito investimento publico e de mecanismos de gestão mais ágeis. É claro que isto implica outras instancias o que não sei se estará a acontecer, nomeadamente uma muito maior qualificação das estruturas dos ministérios e das entidades reguladoras (sobre estas haveria muita coisa a dizer). Porque onde o governo pode ser mais criticável não é na parte da decisão politica, e sim na operacionalidade dos meios que tem utilizado e que muitas vezes não domina. Por exemplo, eu não tenho dúvidas que o programa de renovação das escolas é um bom programa, acautela o futuro, produzirá certamente algum tipo de retorno e ajuda a combater a crise. Já tenho dúvidas é relativamente à forma como está a ser feito, através da Parque Escolar, ainda que compreenda a vontade de acelerar os processos.
Na verdade, aquilo que deveria preocupar os cidadãos, principalmente da direita, que é por exemplo a verificação da acção politica de quem está a governar, tambem nas autarquias, não parece interessar muito. Interessa é lançar atoardas do tipo “Socialistas despesistas” ou especular de forma ligeira sobre uma previsão de um défice que está condicionado à partida a ser alto. Eu já não gostei muito daquele pequeno truque que o meu governo usou em 2005 sobre o défice, especulando sobre o que seria se o governo da coligação tivesse continuado. Mas quando a Europa toda já abandonou os critérios de convergência vir falar sobre uma previsão de 6,7 para um défice que antes da crise estava controlado nos 2,7 é pura e simplesmente desonestidade intelectual, não é defender alternativas. Alternativas que, a propósito, não existem. E é por isso que o PS vai voltar a ganhar as eleições, se tudo correr bem com nova maioria absoluta. Porque as pessoas percebem bem os defeitos e as fraquezas dos políticos e esta oposição é isso mesmo, um somatório de fraquezas, contradições e larachas.

Um abraço

Escolhas

Marcelo Rebelo de Sousa condenou ontem Elisa Ferreira à derrota na nossa candidatura à CMP. Talvez o professor se engane e as coisas possam ainda vir a ser diferentes, conforme sublinha o Avelino Oliveira aqui. Mas o certo é que nalguns pontos o professor tem razão e, embora Elisa seja uma excelente candidata, a forma como a candidatura foi forjada e aparece na ribalta não foi a mais assertiva. Desde logo porque Rui Rio é um candidato difícil de bater e cuja actuação na cidade lhe permite granjear apoios em áreas muito dispersas para além do eleitorado natural do PSD. Contra isto, alguns, como Francisco Assis já no passado tinham alertado que a solução para correr com Rio e dar uma nova dinâmica à cidade seria uma ampla coligação de esquerda capaz de mobilizar os cidadãos. Pedro Baptista, candidato à Federação Distrital do PS Porto foi outro dos que nunca se resignaram e fez desta ideia uma bandeira de campanha. Também por isso o apoiamos, na convicção de que a sua estratégia para conquistar a cidade à coligação de direita era a mais apropriada. Assim como a outras câmaras do distrito.
Porem, existem outros factores que tem vindo a fragilizar a candidatura de Elisa Ferreira, sendo o mais relevante a candidatura simultânea ao Parlamento Europeu. Sempre, no passado nos manifestamos contra candidaturas a vários órgãos em simultâneo, bem como contra a acumulação de lugares políticos. Salvo raras excepções, que também as há, entendemos que o exercício do poder politico, ainda que em lugares representativos, não é compaginável com a acumulação e portanto com a assunção simultânea de projectos diversos, tais como são neste caso a CMP e o Parlamento Europeu. No passado, assistimos mesmo a situações absurdas na generalidade dos partidos, em que pessoas perfeitamente integradas num projecto politico com o qual eram reconhecidas aparecem em vésperas de eleições numa qualquer lista por mera ambição e proveito pessoal.
Tendencialmente, estas situações verificar-se-ão cada vez menos, à medida que os processos democráticos vão amadurecendo e à medida que os cidadãos se vão tornando mais exigentes em relação aos seus representantes.
Neste momento, parece ser exactamente isso que está a suceder e o motivo pelo qual Elisa Ferreira está a ser mais penalizada nas escolhas dos eleitores.
A candidata, portuense convicta e experiente nestas andanças politicas, saberá certamente retirar as devidas ilações e, quem sabe, nos reserve uma surpresa, desistindo de mais um mandato ao Parlamento Europeu em nome da cidade, ao mesmo tempo que propõe uma coligação de esquerda galvanizadora das muitas vontades que assim, certamente, no dia das eleições se dignariam ir votar.

Aí está ela...



...a tão esperada sondagem da Católica para as legislativas 2009!

CESOP/Católica, 25-26 Abril,
N=1244, Presencial.

PS: 41%
PSD: 34%
BE: 12%
CDU: 7%
CDS-PP: 2%

sábado, maio 02, 2009

Cartão Laranja

para Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel. Sondagem da católica dá vitória ao PS nas eleições europeias com 39%. A ser assim, as ilações internas das eleições europeias são, não um cartão amarelo ao governo mas sim um verdadeiro cartão laranja ao PSD. Para mais que, conforme se espera, o resultado eleitoral do CDS é um verdadeiro desaire, agregando o PSD os votos da direita. Não fosse o CDS ver-se reduzido a 2%, aos quais não é alheia a exclusão de Ribeiro e Castro das listas, e o resultado do PSD estaria muito abaixo do previsto.
Eleições Europeias.
CESOP/Católica, 25-26 Abril, N=1244, Presencial.
PS: 39%
PSD: 36%
BE: 12%
CDU (PCP-PEV): 7%
CDS-PP: 2%
Outros: 2%
Branco/nulo: 2%

E pronto...


Está lançado o mote para o ano eleitoral.

"Vital Moreira, cabeça de lista do PS às eleiçoes europeias, desce a avenida, no sentido contrário ao da manifestação do Primeiro de Maio. Acabou de cumprimentar os dirigentes da CGTP e dirige-se ao Martim Moniz, acompanhado por Vitor Ramalho e Ana Gomes. Um grupo corre em direcção a ele. “Traidor! Cabrão!”, gritam." Publico

sexta-feira, maio 01, 2009