segunda-feira, junho 05, 2006

Sem nenhuma vénia

Já li muito disto (e ainda pior reconheço), quer em "blogs" quer em alguns jornais, mas sempre assinado por pessoas que, sem grandes complexos, se assumem como "de direita", como "conservadores" ou até como "liberais" (eufemismo com que, pelos vistos, está na moda auto classificarem-se os "fascistóides").
Em suma, por pessoas que entendem que a existência de outros homens, de outros cidadãos, apenas faz sentido em função das necessidades e "marés" do mercado e que as regras da sociedade e do estado devem necessáriamente subordinar-se e adaptar-se aos interesses e às lógicas do sacrossanto mercado, do omnipresente e omnisciente capital, e não, precisamente, o contrário.
Eu entendo que é até saudável que as pessoas escrevam o que realmente pensam, sem ter em conta o valor da sua escrita ou do seu pensamento (ou seja, exactamente da mesma forma que eu).
Agora o que torna este exercício digno de menção é o facto de esta miséria ter sido escrita por alguém que "bate no peito" e se afirma "de esquerda", pelos vistos é militante do Partido Socialista, e , ainda por cima, parece ser merecedor de elevada consideração intelectual e política dos restantes autores aqui do SEDE (p.f. corrigam-me se estiver errado).

Eu serei dos primeiros a admitir que já não faz sentido (se é que alguma vez fez) a discussão em termos de esquerda/direita a qual tem apenas um significado quase clubístico e que, cada vez mais, a fronteira é "moral" (ou "religiosa"se quiserem) ou seja, passa muito mais pela discussão do que são os direitos e deveres dos homens em relacção aos outros homens, de quais devem, nos dias de hoje, ser os fundamentos da sociedade e do estado, do que as bizantinas discussões do mais ou menos estado, mais ou menos privado...

Mas, aparentemente , nos meios mais "intelectualizados", não interessa discutir nada de nada mas apenas "batucar" as teses destes "tom tom macoutes" do mercado.

É, assim, sem nenhuma vénia que aqui reproduzo sem mais comentários:

«Sábado, Junho 3
BOAS-VINDAS.

O Público de hoje noticia a oposição dos sindicatos da administração pública aos diplomas sobre o regime dos supranumerários, onde incrivelmente teremos pessoas a receberem um ordenado sem que o seu trabalho seja necessário - e ainda poderão acumulá-lo com um emprego no sector privado.
O jornal cita Ana Avoila, sindicalista da Frente Comum, numa espantosa declaração que é todo um programa:

«Tendo em conta que a média de idades dos funcionários do Estado é de 51 anos e que o desemprego está a aumentar, será muito difícil conseguir trabalho lá fora».

Lá fora, portanto, no exterior do ventre protector do Estado.
Lá fora, onde estão todos os outros contribuintes que mantêm uma das mais pesadas e ineficientes máquinas administrativas da União Europeia.
Lá fora, onde não há salvo-condutos para quem não sustente no trabalho diário as razões da sua contratação original.
Lá fora, onde existe o risco, a competição pela diferenciação, sistemas de avaliação, mérito e mobilidade.
E onde a manutenção de funcionários e a sua remuneração obedecem à racionalidade económica do agente empregador.

Sejam então bem-vindos.

# escrito por Tiago Barbosa Ribeiro em
3.6.06 »


À Vossa superior consideração

António Moreira

45 comentários:

R. disse...

António,

É normal que te sintas atingido, porque tu próprio estás "dentro", mas não deixes que isso cegue a tua justiça.

O Tiago é uma pessoa com percurso próprio e não necessita de quem o defenda, mas deixa-me que tem sido uma grande mais-valia no Porto. Apoiou incondicionalmente o Mário Soares, trabalhando mais do que muitos outros que falam muito e fazem muito pouco. Ele não precisa de "bater no peito" por isso, mas é justo dizê-lo.

Depois, tem participado em diferentes iniciativas, tem escrito coisas e dado algum impulso a tudo isto.

Ele próprio veio do Bloco, por isso creio que não precisa de lições sobre esquerda vindas de ninguém. Tem também alguns textos no blog dele que te aconselho.

E mais não digo.

r. disse...

podias também citar de vez em quando o Tugir, verás que anda qualquer coisa no ar que....

Anónimo disse...

O Paulo Pedroso citou-o no outro dia, o Adão e Silva também. Isto é só "fascistóides"... ou será incapacidade de compreender a esquerda actual da sua parte?

Anónimo disse...

que raio de obsessão, AM.

AM disse...

Caro R (????)

«É normal que te sintas atingido, porque tu próprio estás "dentro", mas não deixes que isso cegue a tua justiça.»

1º Como que é que o facto de estar "fora" ou "dentro" pode "cegar a minha justiça"?
Quanto muito poderia ajudar-me, ou não, a ver melhor, ou seja a conhecer melhor as realidades de "dentro", por oposição a quem opine sobre o que se passa "dentro" estando "fora".

2º Mas afinal "dentro" ou "fora" de quê?

Estar "dentro" é ser funcionário público e assim ser "atingido" por estas medidas (e por estes disparates do TBR)?
Será então que estou ou não "dentro"?

Ou estar "dentro" será ser militante do PS?
Será então que estou ou não "dentro"?

Porque é que a maioria das pessoas assume que os outros para opinarem, para criticarem, para se indignarem tem que "ser atingidos"??????

Pensa melhor R (?????)
AM

Antonio Almeida Felizes disse...

Normalmente tenho toda a consideração pelas opiniões das outras pessoas e muito especialmente quando se trata do amigo Tiago Ribeiro. Agora, neste caso concreto, estou completamente em desacordo com o conteudo do texto citado - e não sou funcionário público. No meu entender, está a tentar passar-se a ideia que os funcionarios publicos são a "besta negra" do sistema quando efectivamente não têm qualquer responsabilidade na forma como os políticos organizaram a actual administração.

No que diz respeito ao referencial politico/ideológico, não tenho qualquer dúvida que algo não vai bem com os socialistas, a sua matriz ideológica vai-se diluindo no mar do liberalismo, ou pragmatismo, dirão outros. São por demais evidentes as orientações políticas marcadas por critérios meramente mercantilistas e produtivistas. Estão a esquecer-se das pessoas e da importância do trabalho (emprego) como factor decisivo da propria realização humana.

AM disse...

«O Paulo Pedroso citou-o no outro dia, o Adão e Silva também.»

Sim e então....?

«Isto é só "fascistóides"... ou será incapacidade de compreender a esquerda actual da sua parte?»

Agradeço que me explique isso da "esquerda actual", por favor

AM

AM disse...

R (????)

«Ele próprio veio do Bloco, por isso creio que não precisa de lições sobre esquerda vindas de ninguém»

Nem sei como responder a uma destas......

Importa-se de ler outra vez...
O quê?
Bem
Podia ler outra vez o meu "post"
Podia ler outra vez o seu comentário
Podia ler e reler outra vez esta frase fantástica...
Vá lá, eu ajudo:


«Ele próprio veio do Bloco, por isso creio que não precisa de lições sobre esquerda vindas de ninguém»

«Ele próprio veio do Bloco, por isso creio que não precisa de lições sobre esquerda vindas de ninguém»

«Ele próprio veio do Bloco, por isso creio que não precisa de lições sobre esquerda vindas de ninguém»

Heiiii

Está alguém aí dentro?

AM

Anónimo disse...

O teu problema, AM, é que não percebes que as discordâncias em relação a alguns temas dentro do mesmo quadrante político (ou em relação a outros, esquerda/direita), não implica que deixemos de ter estima pessoal e/ou intelectual pela pessoa em causa, mormente quando se trata do TBR.

Vitor disse...

SE O ANTÓNIO TIVESSE DOIS PALMOS DE TESTA, PERCEBIA QUE A METÁFORA DE "DENTRO" E DE "FORA" FOI UTILIZADA PELA PRÓPRIA SINDICALISTA!!! ENTÃO COMO É QUE SE FICA DENTRO, SE ELES JÁ LÁ ESTÃO...?? OU ENTÃO DEFENDEMOS UNS QUANTOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS A TODO O CUSTO E OS OUTROS, CÁ FORA, QUE SE AGUENTEM.........

AM disse...

"Anônimo disse...

O teu problema, AM, é que não percebes que as discordâncias em relação a alguns temas dentro do mesmo quadrante político (ou em relação a outros, esquerda/direita), não implica que deixemos de ter estima pessoal e/ou intelectual pela pessoa em causa, mormente quando se trata do TBR. "

Ó anonimo

Quem lhe disse que o facto de ter discordâncias de opinião seja com quem for implique que deixe de ter estima pessoal??????
Não conheço pessoalmente o TBR nem discuto as suas qualidades pessoais que podem (decerto que serão) ser estimáveis.

Discuto IDEIAS e CONCEITOS, é assim tão difícil de distinguir?

Por vezes palmo com a falta de tino...

AM

AM disse...

Caro Vitor

Se o António tivesse dois palmos de testa nem sequer lhe respondia.

Veja se tem algum problema no seu "caps Lock", OK?

Depois torna a ser bem vindo.

AM

Anónimo disse...

Mesmo?

Não escreveu isto:

"... ainda por cima, parece ser merecedor de elevada consideração intelectual e política dos restantes autores aqui do SEDE"

"Ainda por cima", o que quer dizer que essa consideração não é devida à pessoa em causa. Ou então aprenda português e expresse-se melhor.

Carlos Pulz disse...

Boas, cheguei aqui pelo comentário que colocou no kontratempos. Diz o AM que

"nos meios mais "intelectualizados", não interessa discutir nada de nada mas apenas "batucar" as teses destes "tom tom macoutes" do mercado."

Permita-me discordar, pelo menos no que diz respeito ao kontratempos. Acompanho esse blog quase desde o começo e é raro encontrar um autor tão preocupado em aprofundar os posts que escreve, expondo-se a debater na caixa de comentários, apresentando estatísticas e informação complementar. Só por má-fé pode dizer o contrário. Veja os últimos apontamentos sobre a General Motors ou mesmo este post que cita, na caixa de comentários.

Também não percebo bem essa coisa da direita e da esquerda. Há vários exemplos de posts "contra a direita" no kontratempos e o AM não fala deles, porquê? E também suponha que a esquerda não é só aquilo que o AM pensa que é.

É engraçado, esta semana vi uma notícia sobre as eleições na JS. O actual presidente está a escrever uma moção em que inclui o empreendedorismo.

É muito interessante ver que são os mais novos que não têm rede e que ficam no exterior do "sistema" que mais procuram alternativas empreendedoras, enquanto os velhos do restelo se limitam a mal-dizer tudo e não apresentam nada...

Se discorda das "boas-vindas", porque não discorda com estatísticas e com argumentos? Você diz que os outros não discutem nada, mas é o primeiro a escrever umas coisas com muitos adjectivos e muita "indignação", mas espremidinho não sai sumo nenhum.

CP

r. disse...

por "dentro" da função pública, obviamente...

Anónimo disse...

O PS enveredou definitivamente pelo discurso anti-sindical. No entanto os sindicatos já existiam antes dos partidos e os partidos do campo da esquerda formaram-se historicamente para dar expressao politica às aspirações e reivindicações sindicais.
Quando um partido dito de "esquerda" envereda por uma deriva anti-sindical é porque há muito que rompeu com a "esquerda".

José Manuel

Rita S. disse...

mas o mundo não é preto e branco, José Manuel; por isso é que os sindicatos não conseguem alargar o campo de acção. Uns são barrigas de aluguer de partidos. A maioria defende os direitos adquiridos, mas esquece que há uma geração inteira que não os tem. Não tem cartãozinho? Não entra!

»»»» Um governo deve defender os interesses dos portugueses, ou os dos portugueses sindicalizados? O mérito dos trabalhadores, já agora, também é anti-sindical? Não precisa de dar resposta...

Anónimo disse...

00o00 onde anda a maloud? 00o00

AM disse...

«r. said...

por "dentro" da função pública, obviamente...

1:18 AM »

Hehe

Calculei :-)

Tem mesmo a certeza (ou fala de cor)?

AM

AM disse...

Meu caro Carlos

«Também não percebo bem essa coisa da direita e da esquerda. Há vários exemplos de posts "contra a direita" no kontratempos e o AM não fala deles, porquê?»

Acha mesmo que o meu hobbie é “criticar” os “posts” do Kontratempos?
Agora se há lá “posts” a criticar a direita (seja lá o que isso for) a criticar a esquerda (seja lá o que isso for), a criticar o centro (seja lá o que isso for), a criticar os de cima ou os de baixo (seja lá o que isso for), e se, no meu entender, não forem merecedores de reparo não vejo porque havia de falar neles.
Se o Carlos ache que sim, então esteja à vontade para o fazer.

«E também suponha que a esquerda não é só aquilo que o AM pensa que é.»
Mas custa assim tanto a perceber que a «esquerda» não é ou deixa de ser aquilo que o Manuel ou o Joaquim querem que seja?
Que não chega dizer que se é de “esquerda” ou de “direita” porque sim?
Que não é igual a ser do FCP, SLB ou SCP, ou mesmo que ser Católico, Protestante Judeu ou Muçulmano apenas porque se nasceu num tempo/espaço/meio que condicionam essa escolha?
Que pressupõe a hierarquização de um conjunto de VALORES, que pressupõe um entendimento do que é o HOMEM, do que é a SOCIEDADE, do que é o ESTADO?
É assim tão difícil de compreender que não é correcto, que não é sério, que não é ético, dizer-se de “esquerda” e ter uma concepção da SOCIEDADE e do ESTADO, um conjunto de VALORES que são da “direita pura e dura”?

«É engraçado, esta semana vi uma notícia sobre as eleições na JS. O actual presidente está a escrever uma moção em que inclui o empreendedorismo.»
E daí?
É para tirar algum tipo de conclusão, ou……?

«É muito interessante ver que são os mais novos que não têm rede e que ficam no exterior do "sistema" que mais procuram alternativas empreendedoras, enquanto os velhos do restelo se limitam a mal-dizer tudo e não apresentam nada...»

Acha mesmo?
Que rede?
Que sistema?
Que alternativas empreendedoras?

«Se discorda das "boas-vindas", porque não discorda com estatísticas e com argumentos?»

Estatísticas de quê, meu caro?
Argumentos para rebater o quê, meu caro?
Quer argumentos?

«Você diz que os outros não discutem nada, mas é o primeiro a escrever umas coisas com muitos adjectivos e muita "indignação", mas espremidinho não sai sumo nenhum.»

Faça uma pesquisa no SEDE (ou no Provotar), por “posts” assinados por mim, e depois venha discutir argumentos.

AM

AM disse...

Anônimo disse...
«O teu problema, AM, é que não percebes que as discordâncias em relação a alguns temas dentro do mesmo quadrante político (ou em relação a outros, esquerda/direita), não implica que deixemos de ter estima pessoal e/ou intelectual pela pessoa em causa, mormente quando se trata do TBR. "

AM disse…
“Ó anonimo
Quem lhe disse que o facto de ter discordâncias de opinião seja com quem for implique que deixe de ter estima pessoal??????»

Anônimo disse...
«Mesmo?
Não escreveu isto:
"... ainda por cima, parece ser merecedor de elevada consideração intelectual e política dos restantes autores aqui do SEDE"
"Ainda por cima", o que quer dizer que essa consideração não é devida à pessoa em causa.
Ou então aprenda português e expresse-se melhor. »

Caro anónimo :-D
Gostaria de lhe chamar a atenção para a diferença que existe (pelo menos para mim) entre «consideração intelectual e política» e «estima pessoal».

De qualquer forma a sua recomendação:

«Ou então aprenda português e expresse-se melhor. »

será, naturalmente, seguida.

AM

rb disse...

Concordo com o AM apenas no facto de que este discurso do TBR assentaria melhor num liberal. Aprecio, no entanto, as análises frias do TBR. O país não está em condições de se dar ao luxo de continuar a ser governado pelo partido dos FP. É preciso é um novo ... não, calma, também nem tanto.
Independentemente da dicotomia dsicursiva, o TBR tem alguma razão naquilo que sdiz e esse é que é o ponto. Sobretudo nesta frase "Lá fora, onde estão todos os outros contribuintes que mantêm uma das mais pesadas e ineficientes máquinas administrativas da União Europeia."

Declaração de interesses: eu não, mas a minha mulher está "dentro" do sistema.

Anónimo disse...

Cara Rita: é óbvio qu o mérito não é anti-sindical e os trabalhadores são os primeiros a procurar o reconhecimento do mérito. Mas é importante não nos iludirmos com alguma retórica.
Não é o mérito que vai ser determinante neste processo, da mesma forma que toda a gente sabe que não é o mérito que preside à nomeação de determinadas chefias (CP, CGD, etc). Aliás devia haver alguma transparência nisto e, pelo que se sabe, as listas já estão feitas mas ninguém sabe como.

A este proposito convem ler isto:

http://puxapalavra.blogspot.com/2006/06/trs-anotaes-de-fim-de-semana.html

José Manuel

AM disse...

Caro Atento

O ponto é mesmo esse,o discurso do TBR ser claramente típico de um desses que agora acharam por bem chamar-se de liberais, e não tem nada a ver com um discurso "de esquerda".
Quanto ao resto já me vai faltando a paciência para discutir, pois (citando sei lá quem) quando aponto o óbvio todos me olham para o dedo :-).
Por isso e apaenas para si, Atento:
O país já não se pode é dar ao luxo de continuar a ser governado por esta malta dos partidos, PONTO.

Que esta malta dos partidos ocupou todos os postos de decisão e só tem feito m****.
E que por isso é que agora vem os discursos das tangas, bem o ataque aos direitos do trabalhadores, mormente o dos funcionários públicos porque é fácil.
Porque é fácil convencer os "...outros contribuintes que mantêm uma das mais pesadas e ineficientes máquinas administrativas da União Europeia..." que a culpa da máquina ser das mais ineficientes (não é das mais pesadas) é dos trabalhadores e esconder-lhes que a culpa é na realidade, toda, mas todinha dessa malta dos partidos, desses liberaloides da treta que com cartões do PS ou com cartões do PSD tem andado a praticar todos os desmandos nos últimos 30 anos.

Mas claro, se já não se pode deitar a culpa a judeus nem a comunas, então a culpa agora é dos funcionários públicos.

E viva o futebol e as touradas...

AM

Declaração de interesses: ninguém tem nada com isso :-)

rb disse...

AM,

Deixe-me dizer-lhe, com toda a estima que o meu caro amigo me merece, que tem uma visão maniqueista do problema. Cai no mesmo vício de raciocínio que acusa no pensamento de outros. Nem só a culpa é dos FP, nem só dos partidos políticos. Citando alguém, a culpa é de todos em geral e de ninguém em particular. Uma coisa é óbvia, vemos um quadro negro no funcionamento da AP e é urgente reformá-la, antes que ela rebente pelas costuras, como parece eminente.
Por isso apesar de concordar consigo em que é injusto fazer dos FP o bode expiatório da inefeciência da AP, não posso subscrever o entendimento inverso, típico dos sindicatos e dalguns sectores mais à esquerda que lhe estão normalmente agarrados, de que os "direitos" dos FP são intocáveis e que o melhor é deixar tudo como está, se possível com mais umas benessezinhas aqui e ali, cedendo como se tem cedido ao longo deste anos todosa todas as reivindicações, para agora chegarmos ao que chegámos: pronúncio de banca rôta.

AM disse...

Caro Atento

Acho que já estamos a chegar a algum lado :-)

É evidente que a culpa não é só dos partídos políticos a culpa é das pessoas, todas e cada uma, minha e do amigo Atento.

Culpa por acção ou por omissão, mas culpa por termos deixado a situação chegar a este ponto.

O que eu faço para tentar corrigir isto é pouco mas é o pouco que posso, berro, escrevo, denuncio e tento fomentar a discussão.

Estou quase a desistir.

Ponto seguinte:

Estou mais do que de acordo consigo de que os "direitos" dos "FP" não são nem podem ser intocáveis.

Os direitos de todos os portugueses, sejam ou não FP serão intocáveis ou não de acordo com a sua justiça e equidade e de acordo com as disponibilidades do país, mas as palavras chave devem ser equidade e justiça.

Não pode haver redução dos "direitos" mínimos a uns e a manutenção de pensões milionárias, ainda por cima, por vezes, acomuladas com outras pensões e/ou vencimentos chorudos (nem preciso de dar exemplos).

Não acredito em "direitos adquiridos" nem posso ouvir a expressão sem me questionar sobre os direitos adquiridos de um Tomás ou um Caetano, ou mesmo de uma Maria Antonieta...

AM

pedro silva disse...

AM:

Para si ,penso que é uma revelação.

Revelação pelo facto de ainda ter que explicar por cima das suas explicações originais aquilo que é óbvio e levar com pseudo apelos à criação de uma frente de blogs da suposta esquerda, correcta e cheia de méritos.

Perceba bem que está a falar com cepos de cerêbro embotado.

E quanto ao discurso do TBR e do próprio Tugir mencionados nestes comentários são discursos de tudo menos de esquerda.
E não imagina o que me ri com os comentários dos "esclarecidos" militantes socialistas em resposta a si, neste post.
They don´t have a clue of what´s going on.
Mas acham que estão a ver tudo.

E registo que basta apenas que dois deputados do ps, mencionem o nome de uma terceira pessoa para que essa pessoa seja automaticamente considerada como sendo, quer de esquerda, quer "uma voz autorizada".

Tanto "culto do chefe" apenas coloca o PS ao nível de um qualquer partido totalitário.

E quanto aos citadores da terceira pessoa, esses, fazem parte da praga de sociólogos que infestam este país com pseudo ideias de esquerda que já ninguém tem paciência ou disposisão para aturar, retórica inconsequente e vazia que apenas exprime as completas limitações de pensar política a sèrio, sem teorias copiadas do sr giddens e quejandos.

AM: a maior parte das pessoas que vem aqui são também algumas que vão ao tugir e escrevem "bravo, excelente comentário" a algumas das alarvidades que por lá se escrevem ,especialmente o sr. CMC.

AM: Sugiro-lhe uma ida a lisboa o jardim zoológico.
Lá terá mais sorte a conseguir convencer um rinoceronte ou uma cobra pitão do que a conseguir convencer os esclarecidos militantes socialistas.
Que, querem antes, alegremente, dirigirem-se para o abismo político e acima de tudo estão a ser... descaradamente enganados ... pela trupe de tropas de assalto neoliberais que lhes tomou o partido.

Mas eles gostam.
Deve ser o síndroma de estocolmo aplicado ao militante de um partido.

Caro AM: daqui a 3 anos perante o vazio,e depois de já terem feito à direita liberal o trabalho sujo que esta não teve testiculos para fazer enquanto esteve no poder,E ALTERADO IRREMEDIAVELMENTE A MATRIZ DO REGIME, nessa altura o AM irá verificar que voltará a ser feito o numero de circo habitual do PS que consiste em muitas trombetas, choro compulsivo e discursos vazios em defesa da "liberdade e democracia".

Por enquanto vão-se privatizando hospitais. Hoje foram mais seis...

Mas não há problema.

O TBR até foi recomendado pelo pedro adão e silva e pelo paulo pedroso...
Logo estamos todos salvos da privatização de mais seis hospitais...

O TBR escreve um post recomendado pelo pedro adão e silva e pelo paulo pedroso e a passagem a empresas concessionadas cessa ,com entrada em vigor imediata.

AM: mas estes militantes do ps com quem você dialoga sairam de dentro de que ovo? Ou de que asteroíde?

Estou como vocÊ: não há paciência...

Rita S. disse...

que falta de educação, pedro silva. Um hospital que funcione melhor privado do que público, não deve ser privatizado por alguma razão em particular?

AM disse...

Cara rita s.

Agora sou eu que lhe pergunto:
«Um hospital que funcione melhor privado do que público»
diga-me uma, só uma razão que justifique esse milagre de um hospital funcionar melhor privado do que público.

Será que as bactérias ou os virus sentem o cheiro do capital e detectam a sua posse?
Ou será que os médicos e outro pessoal que, eventualmente, sejam agora menos sérios ou capazes, passarão a ser mais sérios ou capazes por o capital em vez de ser "nosso" passar a ser dos mellos ou outros que tais?

Por favor explique-me esse milagre
AM

AM disse...

Caro Pedro Silva

Obrigado pela sua ajuda, ao menos fico a saber que, se estou errado, não estou errado sozinho :-)

Talvez tenha razão no que respeita às visitas, na minha última deslocação à capital fui apenas ao oceanário, na próxima de certo não deixarei de ir ao zoológico, enfim, deve ser alguma costela franciscana que ainda cá ficou...

:-)
AM

Rita S. disse...

esse "milagre" está no facto das pessoas no sector privado não andarem com o lugar ao sol, trabalham mais e são mais produtivas. Isto é uma evidência. Ainda esta semana ouvi uma funcionária de uma repartição indignada porque tinha de estar lá até às 19h!!!! Fantástico, mesmo. Eu saio todos os dias às 20h.

Também é a forma como se encara o trabalho. A maioria dos FP são burocráticos, pesados, perdem-se nas rotinas e não têm qualquer prazer naquilo que fazem. Porquê? Porque tb ñ têm estímulos, o mérito até há pouco não era considerado, são "indespedíveis" por mais incompetentes que sejam, etc

Rita S. disse...

Quer outro exemplo? Os professores do ensino público e do ensino privado. Tenho familiares no ensino privado que se riem com as atitudes que os sindicatos tomam em relação às medidas do governo. Eles já são avaliados há anos!

AM disse...

Querida rita s.

Obrigado por cumprir as expectativas
Eu sabia que me ia fazer rir (sim porque já nem adianta chorar com tanto lugar comum)

Mais uma vez obrigado
AM

pedro silva disse...

cara rita s:

Não me dê "lições" acerca de hospitais privados.
Eu sou utente do amadora sintra, a mais idiota e completa merda na gestão hospitalar e serviços similares,existen cá no esterco chamado portugal e estou absolutamente insatisfeito com isso.

Mesmo que o hospital em questão funcionasse maravilhosamente bem,continuaria a estar insatisfeito, porque não gosto de ser roubado e gozado.

Se os privados querem ter hospitais, mandem-nos construir,e depois de construidos angariem clientes em regime de mercado livre ou seja, com as pessoas a irem lá porque tem dinheiro para pagar.
E depois vamos ver quantos meses se aguentam ,sem estarem a mamar à conta do estado como até aqui.

Se voçê quer ser gozada e roubada o problema é seu.Eu não gosto.

Eu não gosto que um hospital como o amadora sintra tenha custado 3 milhões de contos a construir, depois de construido tenha passado para empressas privadas que, à época nem sequer experiência de gestão hospitalar tinham, e actualmente, vivem de clientes mandados pelo estado para lá, que são sempre os piores a serem atendidos e de seguradoras privadas algumas, das quais são, curiosamente, pertença do mesmo grupo privado que gere o hospital.
E que "encaminham" doentes para lá e que são atendidos primeiro, do que os que vem mandados pela entidade que fez a concessão.
Ou seja O estado.

AM: o caro consegue explicar a senhora rita, que é matematicamente impossível um hospital privado funcionar melhor que um publico, na estrutura actual e que isso, pelo menos significa 30% de custos a mais, porque - vamos a ser claros- a chularia que finge que trabalha melhor nos hospitais privados tem que apresentar lucros?
Ou seja inflaciona artificialmente as despesas e receitas para criar lucro?
E que sobrefactura?
E que Manda" em certas áreas de serviços, os utenets irem lá mais vezes doque necessitam,precisamente porque isso depois será cobrado ao estado?

Explica também a essa pobre alminha que, por exemplo, no amadora sintra, os senhores cirurgiões recebem "prémios" e incentivos para fazerem "mais operações" e que por via disso, por exemplo, quando um doente tem DOIS PROBLEMAS ,apenas é operado a UM PROBLEMA e depois é mandado voltar daí a um ou dois anos para ser outra vez operado ao SEGUNDO PROBLEMA, e que esta "jogada" não só prejudica o doente, como também é feita para "alimentar" a fisioterapia do hospital e serviços próximos da recuperação que assim tem sempre MAIS clientes e o estado a pagar generosamente por estes esquemas?

AM: explica tambéma esta senhora que o hospital amadora sintra - o paradigma da treta neoliberal na gestão de hospitais em portugal - tem uma lista de espera de dois anos para simples cirurgias, e que as cirugias mais "complicadas e caras" são despachadas para os hospitais publicos?

E que, no fim do ano, devido a "estes esquemas" a merdosa admnínistração vem vangloriar-se para a comunicação social dos magníficos resultados em termos de numeros de cirurgias feitos e consultas atendidas?
Explique se tiver paciencia que as consultas - o tempo médio é de 3 minutos por doente?

E já que se falou em ensino superior privado,na sequencia do dialogo, o caro AM explicaria a esta senhora que a generalidade das universidadse privadas em protugal, fogem ao pagamento de impostos porque tem a organização juridica de uma cooperativa, que por lei não pode apresentar lucros,revertendo so mesmo para os cooperantes?
E que a generalidade destas pseudo instituições, está sempre a fazer obras de construção civil para mascarar lucros?
E que a generalidade das instituições que tem profesores, não tem um quadro estável de docentes, que existem professores que só o são porque são filhos de alguém, ou dormiram com alguém ou pertencem à maçonaria ou a opus dei e por isso é que lá estão?

O caro AM explicaria também que as univesidades privadas também servem para aranjar lugar a velhos professores das publicas quando eles fazem 70 anos e já não podem ir dar aulas, por isso vão para privadas? Dar o nome e fingir que o ensino é pedagogicamente de qualidade?
E que assim cortam o normal rejuvenesciemnto da classe de docentes?

Explicará também que a corrupção no ensino superior privado ainda consegue ser pior que no publico por incrivel que pareça?

Caro AM: MAS DE ONDE SAI ESTA GENTE?
Qual é a unidade de produção que produz tolos militantes do ps,como este pessoal?
E confeso que já não me espanto muito, mas existe sempre um novo patamar.
Mas este gente vive aonde? vem de onde?
Estas cosias que eu acabei de escrever e que o próprio AM também referiu - estas e outras são publicas já há muitos anos e você tem aqui um grupo de comentadores que parece que saiu de dentro duma nave espacial e disse "saudações ,terráqueos".

Mas você fala mesmo no dia a dia com esta pessoal de política?
Mesmo?
Consegue suporta-los sem ir a corre até ao mercado abastecedor de fruta mais próximo e comprar os restos de fruta podere e começar a mada-los a cara deste pesoal furiosamente?
Mas isto é pior que crendice religiosa...

Olhe AM, durante muitos anos ,por causa da zona onde vivia, o pcp tinha muita unfluencia(agora já não tem). Até os militantes do pcp de há 15 anos atrás eram básicos,mas mais esclarecidos que este pessoal.

Uma pseudo corrente neo liberal falsa, que os originais estão no blasfémais e noutros sitios que aqui não digo, raptou-lhes o partido e eles gostam... e ainda defendem o estado das coisas.

AM:Mas como você consegue?
Toma-se algum elixir?
Ioga?
Meditação zen?
Tarot?

Veste-se de preto como protesto simbólico contra o estado do mundo?
Você tem que revelar-me esse tenebroso segredo -:)

Carlos Pulz disse...

o AM é definitivamente o palhaçito de serviço. Em tantos comentários não soube articular dois verbos com ideias. Ou devolve as questões com outras questões, ou então faz comentários completamente despropositados como na resposta à rita. Depois ainda tem a lata de criticar o TBR, que escreve muito melhor do que você e apresenta dados e argumentos.

Arranje uma vida, amigo.

CP

AM disse...

Caro carlos pulz

será sempre bemvindo quando quiser discutir ideias.

passe muito bem
AM

rb disse...

Caro AM:
Veja o que se passa na educação, muitas vezes qualificada como um dos paradigmas da ineficiência da AP (retirado do blog Canhoto, uma entrada de António Dornelas, em 05/06/2006):

"Os factos
De acordo com os Recenseamentos Gerais da População, os progressos da escolarização foram notáveis: entre 1970 e 2001, o analfabetismo passou de 26% para 9% e a população com níveis de educação médio ou superior passou de 1,6% para 10%. Porém, não basta:

1. O abandono escolar antecipado - pessoas com 18 a 24 anos que não tinham educação superior nem estavam em educação ou formação - era em 2005 de 38,5%, o que fazia de Portugal o segundo pior da UE25 (média=14,9%).
2. O nível de escolarização atingido pela juventude em Portugal– pessoas com 20 a 24 anos de idade e 12 anos de escolaridade - era, em 2005, o 3º pior da UE25, cujo valor médio é nitidamente superior.
3. Os níveis de competências adquiridas pelos alunos com 15 anos de idade era o 4º pior da OCDE (Fonte: Education at a Glance. OECD Indicators 2005. Executive Summary:16).
4. No ensino primário, o rácio de alunos por professor era, em 2005, dos mais favoráveis da UE25: em Portugal havia 11,1 alunos por professor, enquanto que na Suécia havia 12,1, na Holanda 15,9, na Finlândia 16,3 e na Irlanda 18,3.
5. De acordo com os indicadores publicados pela OCDE, Portugal é o país que gasta com as remunerações a maior percentagem da despesa corrente em educação nos níveis primário, secundário e pós-secundário (Fonte: Education at a Glance. OECD Indicators 2005. Executive Summary: 38).
6. Em consequência, o rácio do salário a meio da carreira dos professores do secundário inferior e o PIB per capita é o terceiro mais elevado da OCDE (Fonte: Education at a Glance. OECD Indicators 2005. Executive Summary: 57).
7. De acordo com as declarações públicas da Ministra da Educação, nos últimos dez anos diminuíram os alunos e mantiveram-se os resultados.
8. Há 2,5 milhões de portugueses activos que não completaram os 12 anos de escolaridade.
9. Os níveis de escolarização da população empregada contam-se entre os piores da UE25.
10. A percentagem da população adulta (25 a 64 anos) que, 2005 e em Portugal, participou em acções de educação e formação (4,6%) é menos de metade da média comunitária a 25 (10,8%) e compara com 8% na Irlanda, 16,6% na Holanda, 24,8% na Finlândia e 34,7% na Suécia."


Ora, há que inverter este rumo e não vale a pena perorar contra os altos salários dos gestores públicos porque isso é outro assunto e parece-me demagogia utilizar esse argumento contra a reforma da AP. Aí trata-se de empresas que obedecem à lógica de mercado. Como deve compreender se o Estado quer atrair bons gestores para as empresas públicas tem de lhes pagar condignamente, senão eles preferem manter-se no privado. E vale a pena fazê-lo. Por exemplo, deve reconhecer-se que o gestor da TAP tem feito um bom trabalho e vale bem aquilo que lhe pagam. Não é por acaso que não queremm que ele saia. O vencimento do actual DGCI também causou indignação geral mas hoje já quase todos são unânimes em dizer que está a surtir efeitos o seu trabalho, nomeadaemnte ao nível do combate à evasão fiscal e melhor eficiência dos serviços. É claro que há situações iniquas, como as altas reformas que se obtêm com meia duzia de meses de trabalho e a escandalosa partidarização de algumas nomeações de gestores públicos. Mas isto também deve ser combatido e está a ser combativo. O que não pode é uma reforma ser prejudicada pela outra para não se fazer nenhuma. Permita-me o lugar-comum: o caminho faz-se caminhando. E este governo pelo menos tenta fazê-lo, bem ou mal, mas tenta.

AM disse...

Caro Pedro

«Caro AM: MAS DE ONDE SAI ESTA GENTE?»
Suponho que das actuais escolas (privadas ou públicas) só pode

«Mas você fala mesmo no dia a dia com esta pessoal de política?
Mesmo?»
Claro que não, Pedro, era só o que faltava.
Como qualquer vulgar trabalhador, tenho que lidar, no dia a dia de trabalho, com a percentagem estatisticamente aceitável de ignorantes e imbecis, pelo que, fora das minhas obrigações de trabalho posso dar-me ao luxo de escolher as companhias :-)

«Mas isto é pior que crendice religiosa...»
É, sem dúvida, um fenómeno semelhante a crendice religiosa ou a fervor clubístico, estou mais que farto de o referir, mas é o que é.
Parece que as pessoas precisam disso...

«Até os militantes do pcp de há 15 anos atrás eram básicos, mas mais esclarecidos que este pessoal.»

Penso que, no geral, estamos aqui apenas perante um conjunto de “miúdos mimados” (a geração “morangos com açúcar”) que não será muito significativo.
No entanto o "basismo" é generalisado, estes limitam-se a ser mais incomodativos...

«Uma pseudo corrente neo liberal falsa, que os originais estão no blasfémais e noutros sitios que aqui não digo, raptou-lhes o partido e eles gostam... e ainda defendem o estado das coisas.

AM:
Mas como você consegue?
Toma-se algum elixir?
Ioga?
Meditação zen?
Tarot?
Veste-se de preto como protesto simbólico contra o estado do mundo?
Você tem que revelar-me esse tenebroso segredo -:)»

É simples Pedro:

Você olha para esta gente, ouve as suas opiniões, as suas certezas, as suas verdades, ou seja, o produto resultante do processamento que as suas cabeças, o seu raciocínio, foi capaz de fazer da informação disponível.

Pasma? Irrita-se? Desespera?

Comigo passava-se o mesmo.

Agora
Sou capaz de apreciar o simples privilégio de não ser como eles.
Sou capaz de pensar na minha mulher e agradecer à sorte (já que não acredito em deus) o excepcional privilégio de ela não ser como eles.

Depois, e mais importante, sou capaz de definir como objectivo primeiro não o de procurar fazer algo por esses pobres casos perdidos, mas sim de aplicar todo o meu esforço, todo o meu saber, em evitar que a minha filha acabe como eles.

Caro Pedro
Todas as ditaduras (e esta forma de “democracia” mais não é que uma sofisticada forma de “ditadura”) assentam na estupidez e na ignorância.

Como diria o “outro”

É a vida

AM

AM disse...

Caro Atento

Tudo o que o meu amigo diz faz sentido, faz todo o sentido, mas apenas se aceitarmos passivamente o actual paradigma de Estado.

De estado enquanto entidade necessária mas incómoda, malévola, dispendiosa e, por isso, necessariamente subordinado a essa forma superior de organização o MERCADO.

Ora o actual paradigma não está “escrito na pedra”.

O Estado não tem apenas por função regular” e “descomplicar” o normal funcionamento do santíssimo MERCADO.

O Estado não é apenas o administrador do nosso condomínio.

Nós, enquanto homens, temos direitos e obrigações perante a nossa família, perante a nossa pátria (apenas aqui entendida como o conjunto dos outros homens que connosco partilham um determinado espaço e uma mesma cultura), perante a nossa espécie e ainda, pelo facto de a nossa espécie ter razão, sentimentos e emoções, perante as outras espécies e o nosso habitat comum.

O mercado, tal como o conhecemos actualmente, é apenas uma das formas através das quais se efectuam as trocas de bens entre pessoas, nada mais.

Que o mercado tem regras, tem.

Que as regras do mercado foram sendo criadas pela tal “mão invisível” e que por vezes as regras que o “estado” procura impor ao funcionamento do mercado são ineficazes e imperfeitas por não terem em conta a “mão invisível”, de acordo.

Mas

Isso é apenas uma parte limitada, limitadíssima, da nossa CIVILIZAÇÃO.

Segundo o meu entendimento o ESTADO, entendido como SOCIEDADE, enquanto forma pela qual os homens, os cidadãos, resolveram organizar a sua vida em comum, é o somatório de todos os homens, de todos os cidadãos, o somatório dos seus direitos individuais e o somatório das suas obrigações.
Cada homem, cada cidadão tem direitos que tem que ser garantidos pelo ESTADO, pela SOCIEDADE ou seja por TODOS os homens, por todos os cidadãos.

Cada homem, cada cidadão, tem obrigações perante o ESTADO, perante a SOCIEDADE, ou seja, perante TODOS os homens, perante todos os cidadãos.

E enquanto, de uma vez por todas, não assentarmos quais são esses direitos e quais são essas obrigações, todas as “reformas” mais não são do que obras avulsas num edifício em ruínas.

Sem memória descritiva, sem projecto, sem planos de pormenor, sem plano de execução, nada de nada, menos que nada ...

Tapar um buraco aqui para depois o tornar a abrir noutro sítio

AM

rb disse...

Caro AM,
Isso é tudo muito bonito no país da Alice e o que nós temos de olhar é para o país real. O diagnóstico há muito que está traçado, ninguém se entende é sobre a receita para a cura.
Mas, no essencial estamos de acordo, com uma pequena-grande diferença, o meu amigo ainda acredita piamente no paradigma do Estado social enquanto que eu, como muitos outros, começo a duvidar desse paradigma, por pragamatismo puro. E isto com a idade agrava-se.

AM disse...

Caro Atento

Claro que acredito no paradigma do “estado social” e não aceito que isso seja o país da Alice, mas sim o país dos homens e mulheres sérios, honestos e bem formados (claramente não é o caso desta choldra) .
Mas, mais do que isso não aceito qualquer outro paradigma, pelo que entendo que o que o Atento chama (e bem) de "país real" e no qual vivo é um "não-estado" uma mistura de república das bananas com "estado mafioso".

É evidente que, como nada posso fazer contra isso que não seja o que faço neste blog, ou seja protestar, reclamar, berrar, chamar a atenção, denunciar, e como tenho que me sustentar e sustentar a família, é isso que faço no meu dia a dia, felizmente com sucesso, e sem necessitar de estar "dentro" do sistema, como muitos dos "meninos" que, aqui e noutros lados, tanto gostam de atacar o “sistema” enquanto dele “mamam”, se é a isso que o Atento chama pragmatismo, eu demonstro que é possível ser pragmático, sem negar a análise moral e o comportamento adequado.

Mais posso dizer-lhe que, tal como a sua, também a minha mulher está dentro do sistema (e não, não é professora) e sendo funcionária pública, desafio seja quem for a encontrar DEZ quadros de empresas privadas que, no seu conjunto, fossem tão competentes, sérios honestos e zelosos como a minha mulher.

O meu irmão (por acaso, provavelmente, o melhor a nível nacional na sua área muito específica de actividade) é também funcionário público, e, tal como em relação à minha mulher, desafio seja quem for a encontrar DEZ quadros de empresas privadas que, no seu conjunto, fossem tão competentes, sérios honestos e zelosos como o ele.

Sabe Atento a diferença não é esquerda/direita, não é mais estado ou menos estado, mais mercado ou menos mercado.

A diferença, o que me separa de tantos opinadores (sem ser o seu caso) é que eu entendo que a fronteira é MORAL, a fronteira está traçada entre os homens sérios, honestos, solidários e os outros.

E quanto a idade, como sabe, a minha é bem mais avançada que a sua.

Um abraço
AM

rb disse...

AM:
A nossa conversa já vai bem bebida, mas eu não resito a beber a última (a da portinha), para lhe dizer só duas coisas:
Citando-o:
" ... entendo que o que o Atento chama (e bem) de "país real" e no qual vivo é um "não-estado" uma mistura de república das bananas com "estado mafioso"

Sempre foi assim meu caro e sempre assim será, faz parte da natureza humana, infelizmente. E não é só aqui em Portugal, no nosso caso, até dizem que somos um país de brandos costumes, no que até concordo.

A outra coisa que lhe queria dizer é que neste tipo de discussões a pessoalização não é bom caminho. Não duvido da seriedade do trabalho od s seus familiares mas isso não é plataforma de discussão.

Sempre Atento,
Um abraÇo
;)

AM disse...

Atento:

«" ... entendo que o que o Atento chama (e bem) de "país real" e no qual vivo é um "não-estado" uma mistura de república das bananas com "estado mafioso"

Sempre foi assim meu caro e sempre assim será, faz parte da natureza humana, infelizmente...»

Não nego a sua razão Atento, agora o que não posso é dizer que assim é que está bem, que assim é que deve ser, limito-me a submeter-me a essa evidência.

«A outra coisa que lhe queria dizer é que neste tipo de discussões a pessoalização não é bom caminho.
Não duvido da seriedade do trabalho dos seus familiares mas isso não é plataforma de discussão.»

Claro que, pelo facto de os meus familiares serem exemplares, não posso extrapolar, generalizando, que todos os FP são exemplares, da mesma forma que o seu contrário também não é correcto.

Haverá bons e maus FP (com P de público) e bons e maus FP (com P de privado)

(e nesta La Palissiada até o MMCarrilho e R. Costa acordaram se bem que para políticos e jornalistas) :-)

Outro abraÇo
AM

Anónimo disse...

Se haverá bons e maus FP, é preciso premiar os bons e penalizar os bons. Se há FP a mais (um consenso entre todos), então os maus devem sair.

Isto é cristalino como a água, menos para o AM que continua a disparar ao lado. Veja-se a resposta lenga-lenga que deu ao post do Canhoto sobre a educação...

AM disse...

«Se haverá bons e maus FP, é preciso premiar os bons e penalizar os bons*.» (*suponho que queria dizer maus)

E quem avalia e como, é você, anónimo?
E quem avalia os avaliadores, é você, anónimo?


«Se há FP a mais (um consenso entre todos), então os maus devem sair.»

Quem decretou que havia consenso entre todos, foi você, anónimo?

«Isto é cristalino como a água, menos para o AM que continua a disparar ao lado»

Tenm que me dizer a "cepa" da água cristalina que anda a beber, caro anónimo :-)

«Veja-se a resposta lenga-lenga que deu ao post do Canhoto sobre a educação... »
Espero que tenha aproveitado para aprender alguma coisa (mas duvido)...

Volte sempre e traga uma garrafinha dessa "água" , OK?

:-)
AM