sexta-feira, março 06, 2009

the come back

terça-feira, março 27, 2007

Vital Moreira


Este homem, Vital Moreira, veio ao Porto a convite de Renato Sampaio, o Presidente da Federação do Porto do Partido Socialista, para uma conferencia/debate sobre a esquerda e a direita. Das muitas e interessantes coisas que disse houve uma de especial relevância, que continua a zunir nos meus ouvidos e à qual a federação do PS deveria prestar a devida atenção. Por alturas da apreciação do desempenho do Governo e do seu pendor esquerdista (ou não, para alguns), lembrou-se do Norte. Fez pausa, suspirou, e disse: Ah!, …o Norte está com um problema (leia-se crise), efectivo, resultado de…., e de…., e não pode esperar que seja Lisboa a resolve-lo.
Bom, para convidado desta federação, cuja confiança no executivo é bem conhecida, não está mal, pois não?
Pergunto-me mesmo quem terá razão, se o anfitrião ou o convidado. O anfitrião, como se sabe, aposta na atenção que o governo Socrates dará à região para uma recuperação no sentido da prosperidade. O convidado diz à boca cheia que a gente bem pode tirar o cavalinho da chuva e que mais vale esperar sentado, porque os dias mais risonhos só voltarão quando tomarmos o destino pelas próprias mãos.

Grandes Portugueses



O Público de hoje reconfortou-me bastante; por revelar que nas duas sondagens efectuadas sobre “Os Grandes Portugueses” os resultados são bastante proximos do que seriam as minhas escolhas, caso tivesse sido inquirido. Afonso Henriques e Camões nos primeiros lugares. O primeiro pelos motivos obvios, o segundo pela matriz do imaginário da portugalidade em que constituiu.
Não, não é apenas aquele confortozinho que resulta do encontro de opiniões semelhantes à nossa e portanto de uma espécie de sintonia. É principalmente o conforto que resulta da compreensão. Por mais explicações que se dêem, a opção dos portugueses por qualquer dos três vencedores do concurso da RTP não seria por mim compreensível nem aceitável.
Aliás, alinhar pela generalidade da opinião publicada é, quanto a mim, um enorme erro.
A opinião publicada tendeu a desvalorizar os resultados do concurso da RTP, alegando que se trata de um concurso e nada mais do que isso. Que não representa nada e que portanto não tem quaisquer consequências. Mais, nalguns casos chegou-se ao ponto de culpabilizar o actual estado das coisas, nomeadamente da educação, pelos resultados da votação.
Eu diria que é um erro crasso. Pelos números que foram sendo anunciados, feitas algumas contas, descontando votos de protesto e provocações, haverá pelo menos uns 100.000 portugueses a votar em Salazar e aproximadamente metade a votar em Cunhal.
Os votos em Cunhal são absolutamente reveladores; “Assim se vê a força do PC”, nada mais.
Já os votos em Salazar são deveras incomodativos, porque traduzem uma força de, pelo menos 100.000 apoiantes mobilizados e activos, à espera de uma oportunidade para se fazerem ouvir e eventualmente à espera de uma liderança. Note-se que não se trata de uma escolha desinteressada, nem de resultado de persuasão eleitoral, nem coisa que o valha. Não, trata-se de pessoas que conheceram bem o Estado Novo e vivem à trinta anos em democracia. Conhecem o autoritarismo e a liberdade, e estão disponíveis para prescindir de uma parte desta ultima em prol das “virtudes” que viviam sob o fascismo.
Além disso estão mobilizados para se manifestarem, eventualmente para agir. O que, para quem anda na rua, não pode constituir surpresa.

domingo, fevereiro 18, 2007

a "Ajuda do Código Penal"

Isto daqui para a frente vai ser complicado.
Não estou muito bem a ver como é que a sociedade portuguesa vai resolver certas questões, de natureza moral, ética, criminal, sem a AJUDA DO CÓDIGO PENAL. Falo de coisas como a violação, o roubo, a excisão geneital feminina, etc., etc.

sábado, fevereiro 17, 2007

Bingo!

A DIA D, revista que acompanha o jornal Público, aparece às vezes com umas coisas interessantes. Desta vez o director, João Cândido da Silva foi directo ao que interessa em época que continua de contenção, embora o ruído provocado pelo referendo nos tenha distraído um pouco; o binómio trabalho/capital e a desvalorização que o primeiro tem sofrido com o fenómeno da globalização. Vai directo ao que interessa porque? Porque constata a evidencia e questiona sobre os mecanismos de controlo à disposição dos governos? Porque pergunta se as políticas de contenção salarial serão a arma certa para as nações desenvolvidas enfrentarem as economias emergentes. Porque questiona a distribuição dos ganhos de produtividade, decorrentes de reestruturações empresariais e dos avanços tecnológicos, sempre no sentido da remuneração dos accionistas, do capital, portanto. É certo que se refere aos países desenvolvidos em geral, e não a Portugal, onde o problema é ainda mais agudo, devido a uma iniciativa privada pouco empreendedora e a um Estado que pesa demasiado na economia. Mas também é certo que é em Portugal que o sector da banca bate recordes sobre recordes de lucros, como vimos na semana passada, quando os restantes agentes económicos estão à beira da asfixia. É absolutamente necessário que o Sr. Ministro das Finanças faça a sua própria reflexão sobre o assunto porque, convém que ninguem se esqueça, faz parte de um governo socialista.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Coisas Úteis no Referendo ao Aborto

A direita liberal revelou-se ao mostrar tanta desconfiança relativamente à iniciativa privada na prática do aborto (e com razão). Ele era a fábrica de abortos, ele era as slot machines, ele era a tendência para o lucro e não para o serviço publico, ele era a ultrapassagem de todos os procedimentos éticos correctos, enfim! (mas repito, com toda a razão, porque é mesmo isso que vai acontecer). Estranho é que não se lembrem disso quando querem privatizar o SNS. Ou quando defendem a contratualização à peça.
Já a esquerda radical prefere ignorar a argumentação, de desconfortável que é.
Norberto Bobbio deve andar às voltas na tumba. Como aliás o meu estômago, durante a campanha do referendo.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Flexisegurança

A criança ainda nem abriu os olhos, tão pouco se levantou e demorará certamente muito tempo até dar um pequeno passito que seja.
Mas PANCADA NELA é o que é preciso. Vamos lá, vamos...

domingo, janeiro 14, 2007

La Gota Fria (1) (2)

(1) Termo usado para referir uma perturbação atmosférica extra-tropical (especial incidencia na peninsula ibérica) resultante de uma massa de ar frio de origem polar no meio de ar quente tropical, conjugada com uma temperatura especialmente elevada da água do mar e a consequente ascenção do vapor de água, resultante da evaporação. Provoca precipitações violentas e excepcionalmente intensas.

(2) Pequena gota de suor que se forma na nuca de um individuo momentos antes de morrer.

La gota Fria (*) (**)

Acordate Moralito de aquel día
que estuviste en Urumita
y no quisiste hacer parranda
Te fuiste de mañanita
sería de la misma rabia

En mis notas soy extenso
a mi nadie me corrige
para tocar con Lorenzo
mañana sábado, dia de la Virgen

Me lleva el o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina

Ay ! Morales a mi no me lleva
porque no me da la gana
Moralito a mi no me lleva
porque no me da la gana

Que cultura, que cultura va a tener
un indio chumeca como Lorenzo Morales
que cultura va a tener
si nació en los cardonales

Morales mienta mi mama
solamente pa' ofender
para que el tambien se ofenda
ahora le miento la de el.

Me lleva el o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina ......

Moralito, Moralito se creia que el a mi,
que el a mi me iba a ganar
pero cuando me oyo cantar
le cayo la gota fría,
pero cuando me oyó cantar
le cayo la gota fría.

Al cabo el la merecia
y el tiro le salió mal ...

Me lleva el o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina .

(*) Dedicado ao grande Emiliano Zuleta e a todo o povo de sangue quente da America Latina.

(**) Este poema relata um episódio colombiano dos anos trinte do sec. XX, e foi considerado por Gabriel Garcia Marquez como " A canção perfeita".

quinta-feira, outubro 26, 2006

Recensão ao "Pessoas, animais e outros que tais"

Por Filipe Moreira

“O invulgar do quotidiano em narrativas tradicionais”
Domingos Pintado é um antigo professor de Liceu, hoje aposentado, portuense de gema e amante do que se tem por hábito apelidar de prazeres da vida - um bom cigarro, um bom vinho, uma bela mulher, uma bela conversa. Para além disso, adora contar histórias (ou estórias, para usarmos uma palavra que acentua o seu carácter ficcional). Precisamente um conjunto de estórias é o que este antigo professor de Liceu nos oferece em Pessoas, animais e outros que tais . Estórias à maneira antiga, se quisermos, dessas que relevam do prazer de serem contadas, e de pouco mais. Apraz-nos acentuar este ponto, depois de, ao longo do século XX, tanto se ter proclamado, em tonalidades diversas, a morte da narrativa tradicional, a qual se limitaria a provocar no leitor a ânsia de seguir o rumo dos acontecimentos. Facilmente se constata como, apesar de tantos e tão veementes ataques, continuamos, hoje como ontem, a sentir um indesmentível conforto sempre que ouvimos o "era uma vez...", ou fórmulas afins. E textos como estes do Dr. Domingos Pintado muito contribuem para esse indesmentível conforto.

As estórias deste volume são, todas elas, pedaços do quotidiano (do próprio Dr. Pintado ou de outrém) marcados pelo insólito, pelo pitoresco ou por uma discreta exemplaridade. Através delas, ficamos a conhecer uma simpática velhinha que compra um prato porque a figura que ele tem estampada lhe lembra o seu pai, do qual não possui nenhuma fotografia ("O Retrato"); um mentiroso inveterado que acaba vítima das suas patifarias ("O Cinéfilo"; "Pelúcia"); o burrinho que morre de desgosto por ter perdido um fiel companheiro ("O burro do marquês"); um simpático agricultor particularmente afeiçoado à sua vaca ("A Gertrudes"); e tantos outros.

Traço comum a estes textos é o ambiente portuense, ou nortenho, em que se desenrolam, dando-lhes uma cor local bem conseguida e reforçada pelo uso de diversos termos do calão ("madameco", "neres", etc.). Quem conhecer bem o Porto actual, ou o de há algumas décadas atrás, por certo não deixará de o reconhecer no retrato que aqui nos é apresentado. Retrato físico, mas também social, que se detém no ambiente dos alfarrabistas, dos cafés, das cooperativas culturais, dos bordéis ou dos Liceus.

Um aspecto curioso deste livro é o facto de as suas narrativas se escalonarem no tempo, desde as primeiras, cuja acção decorre, ainda, no Portugal salazarista, até às últimas, já dos nossos dias. Constituem, por isso, um quadro evolutivo da sociedade portuense e portuguesa, através do qual nos vamos apercebendo das mudanças e das resistências às mudanças que se têm verificado nas últimas décadas. Para além disso, esta arrumação permite-nos seguir a evolução e as transformações do Dr. Pintado. Vamo-lo acompanhando em vários momentos da vida, desde quando professor e casado, até quando vendedor de antiguidades, viúvo e acompanhado pelo cão Púchkin, o que nos provoca algumas surpresas.

Quem diria, por exemplo, que o Dr. Pintado, pacato frequentador de bibliotecas e fidelíssimo a sua esposa, seria capaz de viver uma aventura tão fortemente erótica como a que nos narra em "O preço da Ilusão"? Embora tenha mudado (ou tenha parecido mudar), há, igualmente, aspectos em que foi permanecendo igual. Um caso paradigmático é a sua constante e por vezes dolorosa autoculpabilização pela inércia com que, ao longo dos anos, foi assistindo às marés políticas, incapaz de se opôr ao salazarismo ou aos abusos posteriores, e considerando-se pertencente a uma «esquerda tardeira, pós-Abril, com que nos vingávamos de termos tido o que merecêramos durante cinquenta anos... esquerda que baste para apagar essa memória, expiar essa culpa...» (in "Para que presta um Homem?"). Constante, também, o seu gosto por contar estórias, o que o leva a registá-las num caderno e a prometer-nos mais algumas, «caso o Dr. Pedro Batista dê o seu aval». Porque, falta dizê-lo, se ficámos a conhecer o Dr. Domingos Pintado, devêmo-lo a Pedro Baptista, portuense, professor de Filosofia e escritor.

Baptista, Pedro. Pessoas, Animais e Outros que Tais, Porto: Campo das Letras, 2006.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Irá Durão Barroso defrontar Sócrates em 2009?

Vale a pena (ou nem por isso) lêr esta noticia no semanário....

Deixo algumas pérolas:

"Durão Barroso pode não ter espaço para ser candidato presidencial, depois de Cavaco Silva. À frente do Presidente da Comissão Europeia, a esquerda tem um nome forte que está a gerir magistralmente também o seu regresso a Portugal: o antigo primeiro-ministro e actual alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres. Por isso, querendo regressar ao País, o único lugar disponível para Durão Barroso terá de ser o de primeiro-ministro.
Irá Durão Barroso defrontar José Sócrates nas próximas legislativas de 2009? Tudo indica que sim."

"Esse foi, aliás, o percurso do último Presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, actualmente primeiro-ministro em Itália, depois de ter derrotado o primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, que se candidatava à reeleição."

"... o Presidente Barroso pode sair depois de uma reforma que pode marcar o futuro da união política europeia, ultrapassando as hesitações que actualmente dominam a Europa depois do chumbo da Constituição Europeia. Ou em alternativa, não sendo possível o acordo e agravando-se a crise europeia e a própria credibilidade das instituições e do euro, a saída intempestiva de Barroso no fim do primeiro mandato pode ser politicamente significativa no quadro europeu, como alerta para o facto desta Europa fazer pouco sentido como bloco político, num mundo cada vez mais globalizado, e onde os desafios não serão apenas referentes ao terrorismo, mas também à segurança dos recursos naturais e da energia."

"... o eventual interesse de Barroso poder querer suceder a Cavaco Silva como Presidente da República. Mas Durão Barroso pode já ter percebido que essa hipótese pode não ser interessante, não só porque o Presidente Cavaco Silva pode bem fazer um segundo mandato, atirando a sua saída de Belém para depois de 2015, como será arriscado para Barroso defrontar António Guterres, o candidato natural da esquerda, que contará com o apoio do PS e que regressará ao País prestigiado pelo mandato nas Nações Unidas. Deixando de lado Belém, o regresso de José Manuel Durão Barroso deveria ser bem em cima das eleições, acabando por jogar bem o mandato de Bruxelas com o fim da legislatura em Portugal."


"... Marcelo poderia ter preparado as coisas para o seu regresso ao PSD, sendo claramente o mais credível militante para liderar a oposição a Sócrates e com tempo construir uma alternativa política. Mas, mais uma vez, o comentador da RTP errou tacticamente e preferiu elogiar o desacreditado Marques Mendes, desvalorizando-se a si próprio e, sobretudo, desacreditando-se na multiplicação de comentários - sendo os mais negativos sobre justiça desportiva."

"...Barroso não elogia Mendes, mas, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da Comissão Europeia não elogia Marques Mendes, deixando assim campo livre para uma ofensiva sua a seu tempo. E ao entrar em jogo, sobretudo se houver a reforma das leis eleitorais - facilitando as maiorias absolutas -, Barroso e a direita poderiam mesmo sonhar com uma nova maioria absoluta do PSD.Esse jogo é contudo o pior que poderia acontecer ao CDS de Paulo Portas. Portas está a preparar o seu regresso ao CDS, uma jogada política que acaba por interessar ao PS de José Sócrates que, deste modo, estabiliza a oposição interna e ameaça a esquerda com um eventual Governo PS-CDS, caso o PS perca, em 2009, a sua maioria absoluta. Mas, por outro lado, o regresso de Barroso poderá abrir também uma janela de oportunidade para a renovação da AD."

"... Mas para o próprio Governo socialista e para Belém, os "timings" podem acelerar-se logo no início de 2008 se a situação económica piorar surpreendentemente: nesse caso, o PS poderia querer antecipar as legislativas, antecipando-as para renovar a maioria absoluta e, caso a perdesse, sempre teria Paulo Portas no CDS para se coligar. Uma situação que deixaria o PSD de fora e através da qual Portas e Sócrates ponderariam funcionar como uma tenaz, roubando pela esquerda e pela direita espaço eleitoral ao PSD. E neste contexto a presença de Marques Mendes seria essencial, até porque o prestígio do Presidente da Comissão Europeia poderia colocar em causa tal estratégia de redução do espaço político do tradicional PPD/PSD."

De volta,

Após uma merecidas férias e uns quantos trabalhos forçados, acrescidos de uma ausência em terras de Espanha por motivos académicos cá estou de volta.

O Sede está em período de acalmia, tal como os mandatos políticos! Existe pouco fervor e a "silly season" já se estende à algum tempo. Por isso como diria a minha avó: Para dizer asneira mais vale estar calado.

Mas também não exageremos, calados mas nem tanto. Por isso e por outras coisas também devemos escrever aqui e ali algumas coisas.

Começava por isso por relembrar que O PS vai para congresso em breve. Não tendo isto nenhuma novidade, parece preocupante a pouca mobilização em torno de um debate oportuno que isso está a gerar.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Vou ali e volto já!

terça-feira, agosto 08, 2006

Sobre o Covelo

Esta situação do concurso do Covelo faz-me alguma confusão. Primeiro porque os arquitectos indignam-se. Depois porque parece-me que pelos argumentos tem aparente razão. Aliás não aparente mas sim formalmente. O que não é lá muito melhor.
A OA imprime um novo estilo criticando um organismo público. Não que lhe apeteça criticar os concursos de concepção/construção que são bem mais gravosos para a classe. Nem os concursos por convite, nem o aproveitamento atroz que se faz da obrigatoriedade dos seus estágios profissionais não remunerados pelo período de um ano. Nesta questão, que agrega muitas opiniões criticas À CMP não alinho no mesmo diapasão, embora, ainda assim não chegou hoje o dia em que compreendi a iluminada mente brilhante de Rui Rio. Já sabem que como socialista (com uns lampejos liberais como diz um amigo meu – e lampejos é o mínimo) não gosto muito da vocação corporativa da OA e das outras ordens diga-se. Reparem que o José Miguel Júdice disse uma barbaridade sobre os 3 maiores escritórios de advogados, mas a Ordem do Advogados “fez” uma barbaridade ao que ele disse castigando-o e daquela forma. E sabemos como aquilo funciona, lia hoje num jornal desportivo que o Gil Vicente o contratou – querem apostar como aquilo vai dar raia? E como Júdice não vai perder, por muitos magistrados que o Os Belenenses tenham de adeptos? Na OA também é assim, agora criticam um concurso de ideias público ao estilo do Norte da Europa. Eu sinceramente não fico nada atingido com a falta de qualificação dos concorrentes. Eu que até acho que sou bom arquitecto (modéstia à parte), e que boa parte dessa qualidade reside na capacidade de criar e solidificar uma ideia. Lembro-me das primeiras aulas de um grande arquitecto que tive como professor: Fernando Távora. Lembrava-nos que os mais brilhantes arquitectos do mundo não tinham a sua formação de base em arquitectura. Referia-se a Frank LLoyd, Le Corbusier e até Miguel Ângelo. E depois no meio de uma plateia de quase 200 alunos dizia : “ e vocês perguntam-se o que é que estão aqui a fazer?” Pois é exactamente isso que esta Ordem sentiu. E como tal meteu-se nesta. No entanto acho sinceramente que a participação pública pode ir directamente por aqui e não me choca nada um concurso de ideias deste tipo. Seguramente o facto de existir concurso é melhor que nada. E a discussão em torno do Covelo é melhor ainda. O grave não é isso. O que é realmente grave é que seja necessário a um executivo camarário lançar um concurso, que nos países nórdicos é feito para aquilatar da percepção de espaços emblemáticos e históricos das cidades, para fazer um trabalho que eles não conseguem – ter uma ideia forte para um espaço difícil e de enorme potencial.
Pior ainda, disfarçar de concurso livre um uma disputa que afinal se quer fazer entre diferentes profissões (como coordenadores, claro), ou seja, é mais fácil ir buscar um planeador, um engenheiro com currículo de urbanismo, um paisagista ou quem sabe um “Marketer” com PHD recém concluído em Espanha.
E com base no conceito de que as ideias não são nem dos arquitectos, nem dos políticos – são de todos.
Assim livra-se este executivo de ficar refém de um arquitecto-vedeta que agrade à Ordem, mas que desagrada à população e expõe as fragilidades do sistema.
Por isso meus amigos o problema não é quem pode ganhar o concurso, mas sim qual a pretensão do concurso.
Se a minha vizinha da mercearia, se o cantor frustado que lá mora em frente ou até a costureira pudessem escrever uma carta, compor uma canção ou ditar um poema a coisa agradava-me. MAS afinal pode o Merceeiro realizar um estudo prévio? Pode o cantor cumprir as premissas na organização de processos sem desafinar?
Não pode! Por isso resume-se neste concurso o percurso da cidade nestes últimos anos, aliás visível nestas ultimas eleições após o fiasco da 2001: Não há catalizadores, nem projectos agregadores na cidade há muito tempo. Falta chama. E vai continuar.
MAS custa-me criticar um concurso – é que eles são tão poucos.



quinta-feira, agosto 03, 2006

Sobre o conceito de Fusão




Hoje soubemos que António Costa conversou em Dezembro com Rui Rio sobre a fusão de Freguesias no Porto. Ainda por cima o assunto isso aparece com surpresa entre os dirigentes PS. Mais então quando se percebe que Rui Rio faz mais uma manobrita para aumentar a margem PSD na cidade (fusão Foz do Douro/Nevogilde).
Assim os resultados esperados nas proximas eleições para a maioria PSD ( e eventualmente PP e se for preciso CDU) é de PS com Campanhã ( A Freguesia de sempre e dos socialistas - para mim tem um sabor especial porque é "matriarcal") e uma freguesia unica do centro histórico, entretanto com a área socialista dividida com a guerras figadais de 5 presidentes de Junta que querem todos continuar a ser e se for outro mais vale perder.
A Foz e Nevogilde garantem que assim, na terra das casas caras, dos muros altos e dos prédios de luxo a direita ganha sempre.
Devo-vos dizer que acho esta "manobra" de reorganização uma palhaçada. Repito, palhaçada. Para que fique claro porque não são membros do Governo ou Presidentes de Câmara que com a sua ignorância fazem dos outros palhaços.
Sou, como é publico, defensor convicto, convicto mesmo, das fusões de Freguesias e até de concelhos. Sou como sabem adepto de um novo desenho da cidade do Porto, abraçando parte de Gaia, parte de Matosinhos e parte de Gondomar.
Agora expliquem se isto é forma de redesenhar as freguesias da cidade do Porto? Junta-se estas e se calhar mais aquelas! Que ignorância!
Então e Cedofeita está bem? E santo Ildefonso está bem assim? E Bonfim serve para alguma coisa? E Paranhos, Ramalde e Campanhã continuam a defender a corda periférica? E Lordelo também não se podia juntar à zona ocidental? E Massarelos para que serve, só para lá morar o presidente de Câmara? E porque não Aldoar com Nevogilde (que já partilham o Parque da cidade)?

É que cheira mesmo a decisões tipicamente feitas a partir dops gabinetes lisboetas que indiferentes à história ao contexto social e cultural, decidem poupar uns cobres e portanto fazer o frete ao Rio.

Se alguem tem dúvida que olhe com atenção aqui.

E já agora parabéns ao Francisco Assis, ao Renato Sampaio e ao Orlando Gaspar pela defesa dos valores portuenses junto governo. É que se fosse para divulgar uma qualquer obra ou nomeação estavam eles nos jornais. Mas como é um assunto que lhes causa o incomodo e as chatices dos caciques locais (aqueles que lhes guardam os votinhos internos), duvido que estejam pelos ajustes.

E afinal ninguém explica qual a posição destes dirigentes Socialistas nesta matéria, mas eu ajudo:

1º Renato Sampaio, o pouco conhecido lider distrital portuense, dirá que concorda com as decisões. Diz isso com a justificação de um "porque sim" e aliás "sou bastante amigo pessoal do António Costa".

2º Francisco Assis dirá no interior do PS que concorda com a posição de todo e qualquer Presidente de Junta, propondo-se intervir junto dos dirigentes do governo. Por outro lado dirá também aos dirigentes nacionais que intercederá junto dos dirigentes locais para aceitarem as decisões ponderadas de Lisboa.

3º Orlando Soares Gaspar, Presidente da Concelhia, defenderá os seus apoiantes mas com moderação, até porque seguirá a velha máxima de "caminhar e medir". Ou seja por uma lado sim, por outro não! Mais ou menos como na questão da Av. dos Aliados. Concordo com tudo, mas algumas coisas deviam ser explicadas melhor!


sexta-feira, julho 28, 2006

Eu estou confuso

Bom, ou eu estou doido ou então isto parece-me muito complicado!

Então o governo usa como porta voz o líder da distrital do PS para anunciar investimentos públicos?

E se virem na noticia impressa no Jn o cenário é ainda pior. Porquê? Primeiro porque se insinua que existe uma solução alternativa para a linha do Metro que ninguém conhece. E segundo porque o lider da distrital aproveita para mandar os recados internos em nome do secretário geral do PS.

Terceiro, parece que o que conta é essencialmente o modelo de gestão da Metro!

Enfim estão a misturar alhos com bugalhos.

Sinceramente estou solidário com o governo PS e com este secretário-geral que apoio e apoiarei no próximo congresso nacional. No entanto é necessário dar outro rumo às abordagens na política local.

terça-feira, julho 25, 2006

O estado do sitio

Sabia que:

Existe alguém a receber dinheiro público do Municipio para escrever isto!

Se souberem quem ele é (embora eu acredite que o autor decidiu colocar o seu próprio nome lá pelo meio do texto, à Jardel) digam-lhe que já podemos usar a palavra sítio em vez de "site".

segunda-feira, julho 24, 2006

Estranho porquê?

Via Baixa do Porto, pela mão do TAF fiquei a saber sobre o concurso do Mercado do Bolhão:

- Composição do Júri para as propostas do Mercado do Bolhão

"Comissão de Avaliação:
Presidente - Dr. José Pedro Aguiar Branco
Vogal - Eng.º Rui Quelhas
Vogal - Sra. D. Laura Rodrigues
1º Suplente - Dr. Lino Ferreira
2º Suplente - Prof. Dr. Hélder Pacheco"

Diz o mesmo Tiago que:

Este júri parece-me bastante "exótico" face aos critérios de avaliação das propostas...

Confesso que a mim só se apresenta exótica a presença do Hélder Pacheco

O Metro em dia de Rivoli

No dia em que se fará a vigília sobre o Rivoli, acho interessante falar sobre o Metro. Calculam evidentemente que sobre o assunto do Teatro tudo está dito, ou melhor tudo está explicito. A CMP assume que a área cultural não é algo em que aposte, tanto mais que a receita parece ser realizar um corte radical com a grande aposta cultural da década de 90 – a ruptura com o património e a cultura que lançou o Porto para um debate nacional e nalguns momentos internacional. Enfim, dirão que é a visão de um economista! Mas não é verdade, afinal Fernando Gomes estudou os mesmos livros, nas mesmas carteiras, na mesma escola de Rui Rio.

E falo de Fernando Gomes porque já agora deveríamos repensar a “estória” do Metro na Boavista. Como se sabe opus-me à intervenção mal conseguida para as corridinhas de carros antigos, disfarçada de intervenção do Metro na Boavista.

Mas infelizmente as árvores foram cortadas e nenhumas foram plantadas (conforme haviam prometido), e tudo continua mais ou menos na mesma. O eixo que liga a segunda centralidade do Porto a Matosinhos, fruto da emancipação de Leixões, continua aquém do que pode ser.

O PS tem demonstrado grande apetência para discutir os assuntos de urbanismo com alguma profundidade. Infelizmente partilha muitos erros no passado recente. Tenho a certeza que Fernando Gomes não deixaria de aglomerar opiniões sobre estes temas prementes. Sempre o fez e se usou as grandes obras em seu proveito, fé-lo consultando a cidade e incentivando todos à sua compreensão.

Julgo, portanto, que não devemos esperar pelo avanço dos estudos e obras para depois guerrear fatalidades.

Este fim-de-semana um estudo indicava novos caminhos e trajectos para o Metro. Assim sendo o PS deveria assumir que a conversa do eléctrico é um argumento falhado! Estava previsto na remodelação da Av. da Boavista, um projecto de Manuel Ventura que foi substituído pelo messiâncio de Siza. Por isso já não tem sentido. Ou queremos o Metro na Boavista ou não queremos. Ponto final.

E se é para fazer, ou se isso será uma inevitabilidade, que não façam como nos Aliados em que daqui a uns tempos far-se-á uma conferência com Eduardo Souto de Moura e Siza Vieira e todos ficaram rendidos à sua estirpe de internacionais modelos da melhor arquitectura portuense. Provavelmente virão demonstrar um novo modelo de Catenárias (tipo Philip Starck) que encaixarão que nem uma luva na “estéctica” proclamada.

E já agora, se a Exponor sai mesmo dali, porque não prolongar para lá a actual linha do Metro que acaba no Senhor de Matosinhos? Será realmente melhor ligar Leça à linha da Trofa? Admito que sim, mas parece-me que deveria haver maior intervenção política.

É que o meu maior receio não são as ideias de Rui Rio e companhia, mas sim a forma como ele as aplica. Fico com a sensação que mesmo o projecto mais inovador e dinâmico na cidade seria feito à paulada (porque assim tem que ser). Mas todos sabemos que se a gestão de Rio estivesse lá há uma década, provavelmente já haveria missa no Coliseu e a Casa da Música estaria tão desenvolvida como o edifício transparente. Mas neste caso da Boavista é preciso particular cuidado, se calhar alguns dos estudos do Metro tem sentido e se calhar, repito se calhar, mais vale acautelar um bom projecto do que repetir o ridículo que nos cobriu no túnel de Ceuta.

sexta-feira, julho 21, 2006

Uma proposta

Depois disto de no Porto o Pavilhão Rosa Mota e o Teatro Rivoli passar afinal para a mão de concessionários (um deles é o La Féria - coisa que me irrita), ocorreu-me:

- Porque não concessionar a Câmara Municipal do Porto? Fazia-se um concurso com convites ao grupo Sonae, ao Grupo Amorim e a mais um ou outro para disfarçar, e já está.

Dirão vocês: Mas concessionar o quê? Já tá quase tudo - o Smas, as obras (gop), a Sru, e o resto são feijões.

Pois se calhar tem razão!

quarta-feira, julho 19, 2006

O Metro

Sem malicia, reparem no que se vai passando sobre o novo modelo de gestão do Metro aqui.