quarta-feira, abril 12, 2006

Portugal na rua!



Diz-se, por ai, que em Portugal não se sai à rua, não se fazem manifestações, apenas se "vota".
O tempo tem destas coisas, transforma as pessoas. Porque há muito, muito tempo, eu já vi este país na rua. Velas em vigilias e em todas as casas, lençóis brancos nas janelas, manifestações, desfiles de tractores e balões, rosas e cravos ao rio e ao mar, barcos e navios a flutuar. Claro, país covarde e matreiro que nem um tiro ousou disparar. Ser de esquerda, ser mesmo de esquerda, também é nunca deixar de acreditar...

4 comentários:

AM disse...

O que lamento não é (longe disso) a falta de manifestações.
O que lamento é a falta de causas, e a mesmo quando as há, a falta de motivação de "lutar" por elas.
Que quando o "nosso povo" é motivado por quem sabe, ai isso corre ao monte a pôr velas acesas nas janelas ou bandeiras brancas ou até verde rubras, ou vai ao estadio para fazer logotipos humanos, isso não haja dúvidas.
Ainda há semanas não fizeram uma grande manifestação na capital do império, atrás daquela figurita que tem em fátima?
E podem estar certos que se o Cavaco ou o Scolari assegurassem que se cada português arrancasse a cabeça de uma galinha à dentada isso nos garantia a presença na final do mundial...

Era já a seguir, mas mesmo já a seguir....

Heróis do mar, nobre povo, nação valente...

AM

maloud disse...

Eu andei na rua em 74/75. Tornei a andar por Timor. Fui à Pç da Batalha e estavamos talvez 50 pessoas, já contando com os deputados de todos os partidos, do PP ao BE. A seguir a TSF e a Antena 1, de quem injustamente nunca se falou, divulgaram formas de chamar a atenção e participei em todas, como a maioria do povo português. Quando o outro fez aquela encenação vergonhosa nas Lages fui às duas manifestações convocadas no Porto. Éramos meia dúzia de gatos pingados debaixo de bandeiras com as quais não me identifico, do PCP e do BE. Praticamente não vi jovens.
Assim é difícil. Só tivemos dois sobressaltos colectivos. Um no 25 e outro por Timor. O fascismo não explica esta atitude. A Espanha teve-o e grita bem alto. Nós nascemos esgotados.

rb disse...

Aqui em Portugal há muito que se sabe que "o povo é sereno ...".
As causas colectivas cederam ao individualismo. Cada vez é mais assim. Por ex: hoje vai-se a uma discoteca (e eu já não me lembro o que isso é)e vê-se "cada um a curtir a sua", as pessoas não dançam uma« com as outrase nem sequer conversam ou discutem. Estamos condenados a ver e comunicar com o mundo a partir de casa, ora no ecrã da TV ora no do PC. É também esta cultura individual que tem feito a esquerda perder terreno.
É preciso também ver que em Portuugal o povo tem tanto problema com que se ocupar, prestações bancárias para a casa, recheio, carro, etc., filhos, segurança no emprego, e outros, que não consegue ter tempo para as grandes causas.
Já agora, haverá neste momento alguma grande causa que valha sair para a rua?...

fortuna disse...

Pois, a questão está exactamente nas causas.
Eu tambem estive na batalha quando eramos 50. E no resto depois.
Mas a questão é....causas.

Porque a verdade é que no resto a vida lá vai melhorando...