segunda-feira, abril 10, 2006

VITÓRIA


MERCI

É já oficial
Villepin (e companhia) recuaram.
O CPE não “passou”

Segundo a TSF:
“ O Presidente francês anunciou, esta segunda-feira, que o Contrato de Primeiro Emprego será substituído por um mecanismo a favor da inserção profissional de jovens com dificuldades em entrar no mercado laboral.”

Há, obvias conclusões a retirar deste processo e é bom que todos vão aprendendo com os exemplos que, com cada vez maior frequência, nos vão chegando de França.

Gostaria de ver, na nossa caixa de comentários, um amplo debate sobre esta realidade, pelo que, apenas para o arranque, fica a “provocação”

É ainda “na rua” que tudo se perde ou se conquista!!!!

António Moreira

15 comentários:

maloud disse...

A França continua igual a si mesma. A rua governa. Podiam dispensar eleições, uma vez que os eleitos nunca estão mandatados para coisíssima nenhuma.
Creio que esta é uma vitória de Pirro. O próximo presidente francês, ao que tudo indica, será Sarkozy. A rua rejubilará? Duvido. Mas foi a rua que lhe estendeu a passadeira vermelha.

AM disse...

Cara Maloud

Provavelmente haverá mais que uma França da mesma forma que há muito mais que um Portugal.

Haverá uma França que vai à luta na rua e vence.

Haverá uma outra França (a de Vichy ?) que vota nos seus algozes...

Não temos o Portugal da rua, mas apenas o Portugal covarde, matreiro que vota...

Sarkozy será pior que um qualquer Jardim ou Valentim, que um qualquer Rio ou Cavaco?

Enfim...

AM

maloud disse...

Caro AM,
A França que vota não é só a França de Vichy, senão teríamos Le Pen, como presidente.
Nós tivemos o Portugal da rua {também fui a rua} em 74/75. Hoje talvez tenhamos pouco Portugal da rua. A França tem uma over dose de rua. É impossível fazer qualquer reforma em França. Não estou a falar do CPE, mas de toda e qualquer reforma.
Quanto a Sarkozy não é pior, nem melhor do que os que citou, mas é mais perigoso, porque terá muito mais poder. Com ele talvez acabe a França da rua, porque ou me engano muito ou será impiedoso.
Veremos!

avelino disse...

Acho interesante este facto como sinal de aviso do fim duma sociedade muito fechada na individualidade. Voltaram na europa as causas. Não sei se pelo caminho mais certo ou fácil, mas voltaram.
Este poder de rua é também permeavel aos demagogos e arrebanhadores. No entanto é um contributo forte a indicar que a europa não pode continuar no servil caminho de aceitar esta globalização como uma inevitabilidade.

Ma confesso-vos que ficava muito mais feliz se esta vitória da esquerda se fizesse na Chna, Indonésia, Japão, India, etc.

maloud disse...

Eu não percebo essa extrapolação para a Europa. Quanto ao voltar, em França nunca deixaram de estar.
Quando Claude Allègre ministro da Educação do Jospin, esse feroz socialista-liberal, quis reformas indispensáveis no ensino, a rua impôs a sua queda. Foi substituído por Jack Lang, que meteu as reformas na gaveta, para a rua recolher aos liceus. Os jovens franceses pagam hoje a rua de ontem. Um dia já mais velhos talvez paguem a rua do CPE. Oxalá me engane, porque gosto dos franceses.

avelino disse...

A extrapolação éuropeia é a mesma do chumbo da constituição europeia em França.
E o que eu me referia sobre as causas era mais em termos genéricos, os valores materiais voltaram a estar na ordem do dia - ainda bem, por são permissas da esquerda.
As causas em França deixaram de estar tanto nos outros sitios.
Aliás deu bem para vêr quando usaram os caldinhos todos para lidar com essa abécula do Bush.

maloud disse...

Eu li o projecto de Constituição Europeia. Se tivesse havido referendo votaria Sim. Aliás os franceses votaram Não, por razões que pouco tinham a ver com a Constituição. Toda a gente diz que estavam informadíssimos, porque houve imenso debate. Assisti tanto quanto possível a esses debates. Tudo foi debatido menos a Constituição. Houve um em que participou o Jorge Semprun, do lado do Sim, que atingiu o caricato: a Constituição Europeia ia impôr aos franceses a leitura do Código da Vinci e outras pérolas do Dan Brown.
Quanto aos "caldinhos" para lidar com a abécula, a França na altura certa tomou posição contra as abeculices {lembra-se do Villepin na ONU?}. A seguir, a real politic, aconselhava um ligeiro virar de agulha. Aliás a abécula também foi obrigada a virar um pouco a agulha. Os quixotismos não são aconselháveis, para quem tem reais responsabilidades. Dão asneira.

rb disse...

Um professor, numa aula de Introdução ao Direito a que assisti, em que se discutia as fontes de Direito e se o costume (prática reiterada com consciência de obrigatoriedade por parte duma comunidade) podia considerar-se como tal. Dizia ele que segundo a nossa a lei, o costume não é fonte de Direito, excepto o secundum legem, ou seja, quando a própria lei lhe atribui esse valor. Apesar disso, ele pôs em causa esse princípio, o que originou uma acesa e interessante discussão. Explicava ele que muitas vezes o costume impõe-se e não há lei nem força ou autoridade que o contrarie. Deu vários exemplos em que o Estado teve que ceder perante o costume, pois caso contrário era certa a revolta. Pois é, o povo (ainda) é quem mais ordena!
Este exemplo serve para compreender um pouco do fenómeno francês mas não inteiramente, pois também fiquei com a impressão que isto era um pouco como cá a revolta dos estudadnte contra as propinas, ressalvadas as devidas proporções.

rb disse...

risquem o ", em que se" na 1.ª linha ...

AM disse...

Ora cá vou eu....

Algum dos meus amigos concorda com uma lei que estabeleça que uma empresa pode despedir um trabalhador sem justa causa durante os dois primeiros anos de contrato??????

(Pois, esqueci-me de referir que era só para jovens com menos que 26 anos....(para começar????))

Isto é como as propinas a que propósito????

Será que os estudantes portugueses levaram a sua avante e evitaram essa fideputice que é o pagamento de propinas em escolas públicas????

Eu sei que a "direita" concorda com as propinas (e, já agora, com as "taxas moderadoras, as portagens, etc.)....

Ai não é só a "direita" que concorda????

Pois eu não concordo com a CPE dos franceses, nem com as "nossas" propinas, taxas moderadoras nem sequer com as portagens, OK?

Grande abraço
AM

AM disse...

Já me esquecia

Aqui o "povo" só vai para a rua lutar pelos seus "direitos" se for para poder matar touros em Barrancos ou para outras causas igualmente nobres.
Para isso (e para os futebóis) é que o "nosso povinho" se mobiliza.

(mas o voto deve ser igual para todos.....claro)

AM

rb disse...

AM: Tenha calma não se lance assim de cabeça. Até que enfim que discordamos. É saudável :-).
Diga-me em primeirro lugar se concorda com as altas taxas de desemprego? Se não, como é que se combate este flagelo? Hoje as empresas têm uma cada vez maior necessidade da reestruturação, o mercado global e altamente competitivo assim o exige. Se não puderem fazê-lo, dão em pantanas, como está acontecer pela Europa fora, incluindo Portugal, o que én particularmente dramático no distrito de Aveiro, onde moro. Para isso é preciso uma gestão de recursos humanos mais flexível. Como é que isso se consegue? Eu sei que o direito ao trabalho para toda a vida é uma conquista de esquerda mas temos que adaptá-lo às novas realidades.
Não me parece que o CPE fosse assim tão gravoso, desde que se garantisse uma boa protecção ao desemprego.
Dou um exemplo: a Dinamarca optou por liberalizar o despedimento e fortalecer fortemente a protecção ao desemprego,com custos acrescidos e até dando formação aos desempregados para lhes abrir portas. Resultado: maior competitividade das suas empresas e descida considerável do desemprego. Não é isso que queremos.
Quanto à comparação com o caso das propinas aqui no nosso canto, fi-lo porque cheguei a ver afirmações ridículas, do género, queremos negociar o CPE mas não cedemos em nada. Depois alguns manifestantes pareciam que iam em verdadeira festa. Não mostravam o traseiro, mas pouco faltava. Enfim, o que Sócrates fez aqui com os FP, aumentando idade da reforma e revendo sistemas de ss, foi muito pior e não se viu tanto barulho, nem pouco mais ou menos. Vá lá, a rua não dá para tudo ...

AM disse...

Caro Atento

Não sei se é só agora que discordamos, mas que é saudável (ultra saudável) ai isso aí concordamos de certeza :)
Que é excelente que discordamos e o possamos discutir civilizadamente ainda mais saudável é.

Assim, muito obrigado por discordar e por aparecer, e por discutir as discordâncias.

(Pode ser que seja um exemplo para os que estão "escondidos" a ler-nos, ou, ao menos, que algo aprendam)

Não me leve a mal que é só mesmo por falta de tempo, agora (muitas fraldas para mudar...)

Nunca me passaria pela cabeça compará-lo sequer a um qualquer João Miranda (do Blasfémias) que considero do mais desonesto (em termos intelectuais) que tenho visto fora(?) dos partidos.

No entanto, apenas para início de discussão (já que este é um dos temas que acho que vale mesmo a pena discutir) desculpe-me por copiar aqui este comentário que puz no Blasfémias:

" E JM continua as falácias.

JM não entende (e pretende que os outros não entendam) que a única causa do desemprego galopante(e não apenas entre os jovens), que a única causa dos problemas que atravessa o modelo social europeu, que o que está na origem da miséria que pode vir a assolar todo o continente é apenas a ganância dos predadores, unicos beneficiários deste "mercado" desregulado, deste "capitalismo" selvagem, desta "globalização" esclavagista, ou seja do neo-colonialismo que impõe a concorrência, mais que desleal, entre os justos beneficiarios do tal "modelo social" e os que se limitam a aproveitar da miséria de outras sociedades.

Não são capazes sequer de perceber que isto não é o funcionamento do mercado, pois o funcionamento do mercado, para ser correcto, impõe que se tenham que cumprir as mesmas regras.

A sucessão de "postes" a fingir que se está a teorizar esta realidade, a fingir enquadrá-la num qualquer "darwinismo" económico, a tentar vender a ideia da sua inevatibilidade, tem tanta consistência como o determinismo histórico dos seus "irmãos" marxistas.

Ao menos os "marxistas" descuravam os "meios" em nomes de "fins" superiores, como a justiça.

Estes nem fins nem, muito menos , PRINCÍPIOS.

Qualquer estudante Francês, vale por milhares de miranditas..."

Ou seja caro Atento, eu estou cenvencido (e já estou convencido há largos anos) que esta "globalização" criadora de miséria e desemprego não é uma inevitabilidade e que, quer os da "direita", quer os da "esquerda" nos tem tentado convencer dessa falácia e assim nos tem "vendido2 ao "capital selvagem e predador".

Há muito a fazer contra issa "inevitabilidade" e os "estudantes franceses" disseram-nos "na rua" que é possível enfiar pelos olhos dentro essa verdade aos "políticos".

Infelizmente, continuo na minha :
"Aqui o "povo" só vai para a rua lutar pelos seus "direitos" se for para poder matar touros em Barrancos ou para outras causas igualmente nobres.
Para isso (e para os futebóis) é que o "nosso povinho" se mobiliza."

AM

maloud disse...

Eu vou-me meter na conversa, se me derem licença.
O que está mal não é a Europa e os direitos sociais europeus. O que está mal é esta nova ordem mundial, em que somos governados não por aqueles em quem votamos {e alguns, poucos, sabem porque votam}, mas por multi-nacionais sem pátria e sem rosto. Mas infelizmente, digo eu, a Europa tem de viver neste mundo, e a única coisa que poderá fazer é tentar influenciá-lo com a sua cultura, o seu respeito pelos direitos das pessoas, pelo seu, quero acreditar, humanismo. Se isto não acontecer, dentro de pouco tempo, todos seremos descartáveis.Os europeus, os chineses, os americanos. Seremos meras peças que se usam e deitam fora.

AM disse...

Caros Atento e Maloud

Continuo em "Paradoxo"

AM