sexta-feira, abril 28, 2006

Qual o papel da oposição?

A propósito do actual estado das coisas da política apetece-me dizer que a Silly Season chegou bem cedo. Parece-me até que no tempo dela estará o País em pleno rebuliço, seja à custa dos fogos, seja com outra coisa qualquer.

Mas parece imperdoável que o PS pareça adormecido no final deste ano de grandes embates eleitorais. O governo segue o seu rumo, mas o partido vai a reboque e não fazendo ele o papel charneira de motor do pensamento político.
Aliás essa é sem dúvida a característica que diminui José Sócrates no leque das suas inúmeras qualidades enquanto estadista – não gosta de debate, aliás não gosta mesmo nada de debate interno. Curioso em alguém que alcandorou um papel mais relevante à custa dos debates de telejornal.

As opções internas do partido foram de ordem orgânica e servem o interior da estrutura, mas caucionam o enorme potencial que se vai desperdiçando.

Para isso daria dois exemplos, por serem mais visíveis que deviam acautelar a todos. A saber, Lisboa e Porto.
Começando na Capital nunca mais se ouviu a voz de Carrilho sobre alguma matéria que tivesse um mínimo de relevância. Tirando claro as suas faltas ora ao Parlamento, ora às reuniões autárquicas. Sobrou o Casino, o túnel, as corrupções de Braga Parque, a continuidade cinzenta e infantil de Carmona Rodrigues.
Ora bem das duas uma, se Carrilho ainda for portador de alguma ténue esperança de ser representante político do PS em Lisboa, então vale a pena levar o barco, senão o próprio partido na sua força deverá desde já lançar amarras para que se deixe de estar refém das personagens.
Mas isso é difícil não é? Ainda por cima somos governos e não podemos dizer mal das coisas, como aquela do casino?
É portanto caso para perguntar se existirá uma visão verdadeiramente socialista para Lisboa. E por falar nisso, será que a historieta das alianças vai precisar de mais dois anos para se fazer (mais ainda na praça pública que é mesmo para não se fazer). Já para não referir que a importância de um bloco das forças de esquerda tem mais sentido para congregar a oposição contra uma maioria, do que somente para distribuir lugares de vereadores. Trabalho à esquerda e em conjunto é já e hoje, e não creio que haja diferenças inultrapassáveis, nomeadamente com o bloco, adversário maior dessa união.
Pois, mas o líder por lá é Miguel Coelho, ainda por cima a limitação de mandatos não passa ali, pois…

No Porto, UI,UI!
O PS no Porto simplesmente não existe. Sou como sabem sectário nesta análise, mas ela parece-me evidente e está a assumir contornos gravíssimos com consequências na credibilidade do Partido em diversos sectores da sociedade. O PS no Porto é silêncio. Aliás nem isso, porque às vezes o silêncio “fala”. O PS no Porto é vazio – “void”. O PS não é alternativa, é simplesmente figura de corpo presente. Arrumam-se uns e outros a distribuir os escassos lugares de nomeação política. Hospital aqui, assessoria acolá, e debate sobre o distrito? – pouco, muito pouco.
O TGV é prioritário ou não? – os ministros já nem respeitam os lideres locais, porque nem satisfação lhes dão. As GAMPS com eleição vêem e quando? Os círculos uninominais vão ou não vão? As alianças com a nossa esquerda são pontuais ou estruturais? Melhor, são para fazer ou para fazer de conta que se poderão fazer? A regionalização, essa, pelos vistos, serve de qualquer maneira, mesmo que seja à maneira deles, que é primeiro nos órgãos administrativos e depois quem sabe, por referendo à séria para valer politicamente.
Creio que serão muitas as perguntas por responder. As CCRs estão cada vez menos interventivas politicamente e o governo civil de nada serve porque tem uma certidão de óbito em tramitação. Ressalve-se que os senhores ou as senhoras podem entretanto sonhar com as candidaturas autárquicas a partir dessas cadeiras. E se para ganhar no Marco era preciso ser homem, no Porto se calhar para arrumar Rui Rio é preciso ter saias, isto prevêem uns poucos para lá do horizonte, já na curvatura da terra. Triste engano, se calhar.
As reuniões de Câmara, essas “estopas” que atrasam o avião, além de escassas, não apresentam assuntos relevantes e que se saiba os socialistas ainda não trouxeram nenhum assunto novo para a agenda política (excepção feita à culturporto, mas que foi rapidamente largado pela falta de combatividade dos principais personagens).
A revista visão, pela caneta do “amigo” Miguel Carvalho, fez a equipa de futebol do PS Porto, ridicularizando todos, mas dando jeito nos recados de alguns e foi entretendo as conversa de chinelo e corredor do PS (porque de assuntos sérios nem sequer se desejam debater). A malta, enfim, fixou a posição de Ponta-de-Lança, e de relance entristeceu por ver a falta de qualidade da coisa. O PS nestas bandas é uma mistura de velhice e matreirice, mas pouco de política faz.
A coligação de direita caminha a passos largos para um mandato tranquilo, sem sequer necessitar de despender energias no combate político.
Os problemas do Porto, esses, continuam os mesmos e já nem são assunto – infelizmente.

14 comentários:

maloud disse...

Só estou em desacordo consigo, relativamente à popularidade do Sócrates ter sido construída nos debates televisivos, conhecidos na altura pelos Marretas. O Sócrates ganhou popularidade como ministro do Ambiente. Num Governo que se esgotava a dialogar, ele imprimiu outra marca. Eu tenho razão e, contra tudo e contra todos, a co-incineração vai para a frente. E foi a todas. Nunca se recusou a debater com todos os adversários e, como sabe, alguns eram de peso. O que é certo, é que nas eleições ganhas pelo Durão, o PS ganhou em Souselas, malgré o Alegre e os notáveis de Coimbra.
Quanto ao PS do Porto, vejam lá se querem que o "só eu sou honesto" ou um delfim se eternizem na Câmara. É que já não há pachorra!

avelino disse...

Não disse que Sócrates não fez um excelente trabalho, ou que os debates da Tv foram o principal da sua notoriedade, pelo contrário foi no Ambiente e no EUro2004 que ele demonstrou qualidades executivas. Mas a sua imagem generalizou-se com os debates de Snatana Lopes. Onde genericamente esteve muito acima do seu adverásario. Como aliás agora enquanto seu sucessor.
O que pode existir no PS hoje é que ninguém gosta de falar das qualidades e defeitos do seu líder e isso não é o melhor. Retira credibilidade às posições políticas.
Sobre o honesto sou eu - enfim já muito se disse.

maloud disse...

Pois já muito se disse sobre o "só eu sou honesto", mas nunca vi uma marcação cerrada àquele populismo "opaco". Fá-la o JN e o Público Local, mas teremos de concordar que a maior parte das pessoas não lê jornais, a não ser os desportivos e, nos outros, procura os casos do dia. Aquela aventesma precisa de uma oposição, como a célebre dupla A.Guterres e J.Coelho fizeram ao Cavaco, no último Governo deste. Ou não?

Anónimo disse...

A tropa fandanga do PS-Porto está a pagar o preço dos erros tácticos das ultimas autárquicas.

Alter Ego

Incoerente disse...

Um dos problemas actuais do Porto é a falta de debate politico, ke subsiste por falta de competencia da oposição .

Se fosse eleitora do Ps neste momento estaria reclamar a devolução do voto autarquico, por falar nisso para kando noticias do sr. Dr. Francisco Assis , ainda esta por cá ?????

avelino disse...

Cara Maloud,
Concordo em absoluto!

PAra a nossa incoerente resta-nos o consolo de ter sido dela esta ultima denucia sobre a cgtp.
Enfim custa-me um pouco vêr a gestão de silêncios do meu partido, mas lá irei.

rb disse...

Penso que a acumulação do cargo de PM com o de secretário geral do PS nada contribui, muito antes pelo contrário, para o partido assumir esse papel de charneira do pensamento político. Aliás, custa-me compreender como é possível a Sócrates assumir cabalmente as duas funções sem comprometer o seu exercicio. O mais natural sacrificado é o partido.

maloud disse...

Atento
Não me diga que o PS-Porto, precisa da tutela do secretário-geral, para discutir os problemas da cidade e apresentar alternativas à gestão do Rio? Se isso for verdade, então, está ainda pior do que eu imaginava.

rb disse...

Não será tanto assim, o que quis foi mostrar o que para mim parece ser uma das faces do problema do apagamento do partido.
Onde toca a Maloud é outro problema, o do passeio no deserto que as oposições fazem aos governos, central e locais, sempre que não há eleições por perto. Como diria o outro comissário: "É a vida ..."

Incoerente disse...

Caros amigos gostei do entusiasmo do Sr. Francisco Assis , embora ke as receitas directas não são tudo para uma autarquia, mas pronto ao menos ouviu-se kalker coisinha.

De resto aki a comunidade da oposição (comunidade com um só elemento tbm é comunidade) está deserta para saber o ke é ke axa o PS da liberalização dos horarios do comercio tradicional, da frente do parke, da kinta da xina, do bairro com vistas para o palacio do freixo ...

Façam favor de se pronunciar, estamos á espera, continuamos à espera e olhem ke não vale chegar a dois anos das eleições e começar para ai atirar tijolo... para uma oposição estruturada é preciso começar já!

Fernando Rogério disse...

É farta a argumentação na tentativa de explicar o inexplicável. Pessoalmente, marimbar-me-ia para o PS não se desse o caso de a cidade precisar dele enquanto partido potencialmente capaz de fazer oposição. Contudo, como não existe - eu pelo menos não o vejo, se alguém se cruzou com ele, avise, p.f. -, não passa do potencialmente e, então, o exercício aqui feito é inócuo. Nós - eu incluído e todos os que habitam e se interessam pela cidade - temos que deixar as queixinhas e partir para a luta. É tempo de assumir a cidadania e abandonar os queixumes porque os outros não fazem. Só agindo a nossa crítica terá legitimidade e as nossas reivindicações o peso da razão.
Tenho dito!

Incoerente disse...

no PS Porto não há profissionalismo politico nem civil, o ke existe é uma relação de parentesco partidario, em ke se suportam os falhanços em nome dos laços criados - é tipo empresa familiar só kando cai o tecto é ke detectam ke o estabelecimento ameaça ruina -

Mas, concordando com o F. Rogerio e admitindo ke houve no PS kem tentasse a mudança ,

aceitando ke a Democracia tem dessas coisas , kando me impõem uma mesinha de cabeceira como o Marques Mendes ou a quinta geração do sr. Orlando Gaspar

anuindo ainda ke na Politica não há despedimentos , apenas sub contratações e ke os veradores e membros concelhios do PS tem direitos sufragados pelos votos angariados

concluo ke ... isto da democracia funciona muito mal kando toca aos direitos do eleitor e sinceramente há muitas balizas e poucos guarda redes ... pior não há arbitros para assinalar o Golo!

Fernando Rogério disse...

Apenas um esclarecimento: não sugeri, sequer, que houve alguém no PS a tentar a mudança; o que digo é que, em nome da cidadania, nós, os que seguem à margem dos partidos, temos que tomar posição e agir em vez de continuar a exigir que só os outros façam.

incoerente disse...

concordo consigo na kestão dos remates ,
kt à mudança foi tentada por elementos dete blog, ke ontem deram 5 votos por akilo ke me parece uma forma de começar a estruturar uma viragem ... vamos a ver, mas as bases de apoio não tem sapatas....