quinta-feira, janeiro 12, 2006

AFINAL


Ninguém quer saber...
Embalado pelo proliferar de “micro-causas” lançadas a torto e a direito por esta blogosfera, e, após ter sido revelado pela Comunicação Social, que os diversos candidatos à presidência da república tinham apresentado os seus orçamentos de campanha, os quais contemplavam gastos milionários em cartazes, sacos de plástico, bandeirinhas, aventais, caldo-verdes, bolinhos de bacalhau e croquetes, assim como as receitas de valor equivalente, que iriam suportar tão faustosos custos, achei que era opurtuno que os eleitores fossem informados, ANTES DAS ELEIÇÕES, de real proveniência de tanto dinheirinho.


Assim propus esta "macro-causa":

Podem por favor os candidatos presidenciais, TODOS, disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?



Apenas o
“FrancoAtirador” e o “Akiagato”, que eu saiba, divulgaram esta “macro-causa”.

Não posso dizer que me surpreenda este ignorar, este “assobiar para o ar” por parte de tantos (nomeadamente “blogues”) que tanto gostam de se apresentar como arautos da transparência das instituições e das decisões.
Que tanto exigem a divulgação dos actos da CMP, como dos pareceres do IPPAR, como dos estudos que justifiquem Otas E TGVs, que chegam até ao ridículo de escrever cartas abertas a exigir referendos à decisão de executar obras públicas, a pretexto que possam comprometer o nosso futuro, o nosso desenvolvimento e, afinal, não queiram saber QUEM PAGA àqueles que se candidatam a ter o poder de nomear e dissolver a Assembleia da República, promulgar ou vetar as leis do país, ser o comandante supremo das forças armadas, etc. etc.
Não queiram saber a quem é que o próximo presidente da república vai ficar a dever, vai ficar obrigado !!!!

Será que, para esses senhores, é indiferente que, para custear a sua campanha, o futuro presidente receba imensos modestos donativos de uma multidão de habituais de Fátima, ou que, afinal, seja um qualquer Amorim, Belmiro, Balsemão, Berardo (sozinhos ou em “fundação”) que, afinal, cubra o grosso das despesas (faltarão formas de “dar a volta” aos limites?).
E se, em vez de os donativos terem origem em “muitos crentes” ou uns poucos “empresários”, mas ainda assim portugueses, a origem dos dinheiritos tiver outras proveniências, vier das Áfricas ou de mais longe?

Também não interessa?

Ninguém quer saber?

Alguns três meses depois das eleições, se alguém ainda estiver interessado, pode ser que alguma fuga de informação venha a revelar alguns nomes…


"Esclarecimento.

Esta actividade pode também ser financiada por donativos de pessoas singulares, embora estejam sujeitos ao limite de 60 salários e obrigatoriamente titulados por cheque ou por outro meio bancário que permita a identificação do montante e origem."


Se Soares, Sousa, Louçã e Pereira declaram que uma percentagem significativa das suas receitas são provenientes dos partidos que suportam as suas candidaturas e se é compreensível que Alegre, não possa contar nas suas receitas com qualquer montante proveniente do seu partido, o PS, já é por demais estranho que Silva se sinta à vontade para nos vir dizer que, do rol das suas receitas de campanha não consta o contributo de qualquer dos dois partidos que apoiam a sua candidatura.

Ora eu tenho as maiores reservas relativamente a um conjunto significativo de competências deste candidato, mas, ainda assim, considero que, no que respeita a continhas, principalmente se lhe disserem directamente respeito, o senhor, que até andou a estudar economia, não é homem para ficar a perder.

Ainda por cima decerto estará lembrado daquilo que o seu partido terá feito a Freitas do Amaral, quando este foi o candidato apoiado pelo PSD e o CDS e Silva era presidente do PSD, não estando assim na disposição de passar uma quantidade de anos a pagar dívidas de campanha, quando se sabe até, que os seus pareceres são algo mais “económicos” que os de Freitas do Amaral.

Não será assim de esperar que qualquer um minimamente atento aceite como válida a explicação de que os DOIS MILHÕES DE EUROS (QUATROCENTOS MIL CONTOS) declarados por Silva, como doações privadas, venham a ter origem no tal :
Ou nas
(O que já sabemos não ser correcto)
Mas:
“Cavaco deixou claro que deu instruções precisas ao seu mandatário financeiro, José Ponte Zeferino, para que tudo estivesse dentro da lei, salientando que há "recibos" de todos os contributos.”

Claro que Silva é só um dos seis,mas, por ser o mais provável, é, por isso, o de maior risco.

Mas ainda assim eu queria era saber a proveniência do dinheiro que paga as campanhas de TODOS os candidatos.

Eu queria saber a quem é que o próximo presidente da república vai ficar a dever, a quem é que vai ficar obrigado.

E queria saber ANTES das eleições.

Pelos vistos há muito poucos que queiram saber.


É pena (acho eu)

António Moreira

6 comentários:

Anónimo disse...

AM:

Tu não votas pois não?

Então o que é que tu tens a ver com quem financia quem?

Tenta ser um bocadinho coerente, pá.

Olha: muda de canal!

Incoerente disse...

como é ke pessoas ke em media ganham 500 euros podem financiar um Homem ke ganha o 4driplo deles?!

será ke o pessoal anda a passar fome para financiar candidaturas politicas?

os agricultores não tem dinheiro para pagar a segurança social , nem para modernizar , mas tem para alimentar a candidatura de Cavaco?

Será ke Cavaco esta a kerer insinuar ke o povo esta disposto aos maiores sacrificios só para o ver eleito, tipo akela historia dos tripeiros ou estamos perante mais uma inekivoca demanda da fuga ao fisco...

concordo e exijo a divulgação das listas de apoiantes por razões de clareza e igualdade fiscal

AM disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
AM disse...

Obrigado Cristina

É em certa medida engraçado isto não ser tema lá n"A Baixa" ...

Tanta transparência exigida para umas coisas e, afinal, para o realmente importante......

AMNM

10:08 AM

Incoerente disse...

transparencia local ...

ouvi dizer ke são os bancos ke financiam a campanha de Cavaco, a ser verdade nada há a obstar são privados humildes e altamente tributados, preferivel os bancos aos partidos ...

(tou espantada consigo então não responde ao anonimo?! )

AM disse...

Qual anónimo?

AMNM