sexta-feira, janeiro 27, 2006

Olha, Olha (Agora explicado) !!!!!

Olha, Olha, os passarões
A zombar com o petiz
Não sabem eles que à Sorte
A trica nada lhe diz
(Esta quadra foi escrita ainda em Lisboa, junto à torre de Belém. Preparava-se o Gama para a grande epopeia, na azafama própria das grandes empreitadas, e os velhos, dali, do Restelo, em amena cavaqueira e zombaria, numa maledicência desmotivante, de tricas e intrigas. Deplorável, deplorável!)
A Sorte, ou melhor, a Fortuna
Destino, fado, dinheiro
Embora de olhos fechados
Chega lá sempre primeiro

(Os interesses materiais estão sempre presentes nestas coisas. E tendem a tomar a dianteira, numa cruzada cega para o lucro. É certo que não é bonito, nem engrandece, mas há quem diga que dai vem o progresso...)
É só ver os resultados
Das eleições principais
Quem tem Fortuna tem sorte
Quem não tem não ganha mais
(Este foi o momento mais difícil para o Gama, o das escolhas já ao largo das Canárias. Ou bem que tomaria o caminho das especiarias e da fortuna do reino, ou levaria a cabo a difícil missão que El Rei D. João lhe confiara. Hoje sabemos que fez a opção certa.)

E se isto é verdade agora
Mais verdade é no futuro
Quem desafia o destino
Boa sorte não lhe auguro
(Quanto mais para sul mais difícil seria flectir as caravelas para ocidente. Infeliz o Gama que desdenhou a glória e escolheu a riqueza)
E aqui prós brincalhões
Que brincam com “lucifer”
A tradição é presente
E o passado ninguém quer
(São sempre “mais as vozes que as nozes”. Assim o eram também os ventos do cabo. As caravelas passaram e ninguém mais olhou para trás. Ninguém não, o poeta (que pecado!?!?) vive sempre com a nostalgia do tempo passado, a SAUDADE, em português)
Pintam quadros a preceito
Fazem juízos apressados
Depois não fiquem tristonhos
Ao olhar os resultados
(Pois quem julgava que ao primeiro sopro tudo se desvaneceria, enganou-se. A confiança do reino era grande e assim o era também nas caravelas, já por mares mais serenos)
Se a escrita é uma arte
E o pensamento, elevação
Olhem que das coisas mais sérias
É um aperto de mão
(Tudo se esvazia no momento exacto do encontro entre os povos. É inútil procurar transmitir a incrível sensação da descoberta.)
Quem passou pela cidade
Do vinho, da torre e da Sé
Sabe o que há a fazer
Para mostrar como é que é
(E tanto que havia para ensinar aqueles povos de além mar, perdidos da alma e da fé. Tantas trocas para fazer, para as contas saldar.)
Todos juntos de uma vez
Num grande aglomerado
Vai deixar o novo Rei
Completamente pasmado
(Sabíamos quanto tínhamos defraudado as expectativas de El Rei de Portugal, o príncipe D. João. Mas não deixávamos de nos convencer que a duração da viagem superaria a vida do grande Rei e que um novo apreciaria o feito alcançado, não deixando de felicitar o Gama.)
De três em três, a mulher
Lá se alinha se convém
Mas queremos ainda mais
Queremos o que ninguém tem
(Não foi nada de que nos possamos hoje orgulhar, aquela passagem pela ilha dos encantos. Tomados pelo diabo, queríamos tudo, sempre mais.)
Queremos juntar os mais velhos
Com os novos a dialogar
Abrir a porta ao futuro
Para que aqui possa entrar
(Já o Gama não sabia o que fazer, perante tamanha perdição. Resolveu integrar o poeta na sua resolução. Resolveu também substituir os velhos imediatos por jovens capitães)

Queremos dizer aos amigos
Do discurso incoerente
Que aqui não há tabus
Cada um diz o que sente

(E o que contar na chegada a Lisboa? Que há mais mar para além do mar? Ou que há terra para habitar? Promessas de um futuro da gloria, ou das tormentas a história?)
Com humor ou perspicácia
Mesmo os duros como o aço
Sim, os mais inflexíveis
Tem aqui o seu espaço
(Perante o relato de tais façanhas, que cada um teve para contar, eis que El Rei D. Manuel, o reino mandou unificar. Glorificou o Gama e nem mesmo os mais contrariados se atreveram a contestar.)
Por mais que a espera se alongue
Mais do que o coração alcança
Não se iludam, não se enganem
Ninguém nos tira esta dança

(No fundo, no fundo, sabemos que a história nos reserva um lugar entre os valorosos povos do mundo. Sabemos que depois da tempestade das grandes travessias chegará a primavera de todas as esperanças.)

8 comentários:

AM disse...

É evidente que a amiga Incoerente ainda nos pode (e deve) surpreender.
Mas, por enquanto, entendo que o primeiro prémio do concurso de poesia popular do Sede, vai, sem qualquer dúvida, para o Fortuna :)

AMNM

incoerentes disse...

My Loving Man

would give me the world should I ask, my loving man
would take on any task, my loving man

loves me with all his heart and soul
no need to wear a mask, my loving man

I love him as much if not more
never anything would he need to ask, my loving man

always, forever and for all eternity
in my arms he will bask, my loving man

pedro couto disse...

Sobre o "velho" PS:
"Vai declamando um cómico defunto.
Uma plateia ri, perdidamente,
Do bom jarreta... E há um odor no ambiente
A cripta e a pó – do anacrónico assunto."

excerto de Fonógrafo, de Camilo Pessanha.

Incoerente - A VERDADEIRA disse...

Oh caro amigo Incorentes, use o meu nick à vontade , mas escreva um poema original , copy pastes foleiros?!

Olhe o nivel, o respeito pelo Blog, pela discussão, pelo produto portugues,
Voce assim denigre a minha imagem já viu , coloca-me num nivel inferior ao da Agata

para me imitar tem ke ser mais perfeito, ter mais nivel, à sua conta agora as minhas rimas conseguem ser inferiores ao poema do Nody

Caros amigos, assim não vale, voces estão a desfraudar a competição , vamos a ser justos

estava eu já tão inspirada ...
se alguem me goza por causa disto , juro ke faço uma poesia sobre Fernando Gomes

Incoerente disse...

Loving man numa tasca , isto não me esta a acontecer , isto é obra do anonimo

Incoerente disse...

RAPê (poesia moderna)

A boa critica é coisa ke compromete,
Luta política para mudar a cassete,
Ao fim do dia deitam tudo na retrete,
Mudam o disco e
Volta a tocar o mesmo playback!!

E esta altura é de grande agitação,
Pausa nos posts ate nova eleição,
Vamos rimar para vos entreter,
Ouvir o ke o Avelino vai dizer!

Escutar com calma, sugerir ou contestar
Ou como os MP3 podemos só gritar!

Gritar, gritarrrrrr, gritar, gritarrrrrrr, gritar
Os MP3 ... Os MP3!
A gritar... a gritarrrrrrr

A eleições são grande entretimento,
Fazem a malta recorrer ao pensamento!
Em Portugal diminui a produção
Povo esgotado, agarrado á televisão...

Televisão, Televisão.....

E no fim muita coisa vai mudar
Pelo menos o barulho vai acabar
As clakes políticas vão todas dormir
E a malta pode finalmente ouvir

Ou vir, ouvirrrrr!

E a malta volta toda a trabalhar
Só pára mesmo kando é para protestar
À espera da eleição ke há-de vir
Pra curtir , curtir, curtirrrrr

Curtir

Eleição, televisão!
Eleição, Televisão!
Baixa produção!

Mas o Porto é a nossa selecção
Tudo fazemos pelo bem desta nação
Esta cidade não é trofeu de eleição
E os partidos devem governar em união

Todos juntos pelo bem desta Nação!
No Porto não há eleição!

Incoerente disse...

(isto acaba com um som, é a poesia moderna, o leitor tem ke tentar advinhar a conclusão, actualmente é o leitor ke constroi o argumento, isso esta tecnicamente provado)

pedro couto disse...

o mp3 não é vazio, vá lá ver o programa cara incoerente e depois veja as iniciativas legislativas dos seus mentores na AR.