domingo, fevereiro 12, 2006

Como ainda ando por aqui...

Tenho vindo cá poucas vezes, e se calhar não escreverei muito nas semanas que se avizinham.
Mas este blogue tem sido o meu "espaço" de opinião e, portanto, tem servido para exprimir com frontalidade o pensamento dos seus autores, tal como neste caso servirá para algumas reflexões que entendo por bem partilhar. E se assim o faço é porque não receio as consequências da palavra e é para que compreendam que às vezes é mesmo necessário tomar certas atitudes. Esperando que elas ajudem a perceber melhor o que nos rodeia – e se calhar vos rodeia a vocês também.

O momento actual compeliu-me a aceitar um desafio no interior de um grande partido - o PS. Protagonizo, como todos sabem, uma candidatura ao Partido Socialista da cidade do Porto!
Espero que aqueles que acompanham a política, ainda que tangencialmente, e em especial os verdadeiros socialistas, estejam atentos ao desenrolar dos acontecimentos. Creio só ser possível imprimir novos rumos se partirmos de atitudes generosas e desprendidas. Ganha sempre quem tem menos a perder, é o que me ouvem dizer! Mas não parti para esta jornada convencido do seu resultado, nem sequer por achar que o objectivo final é só ganhar. E já agora sublinho o que entendo por "ganhar", no seu sentido "largo" que é o mais apropriado para o Porto. Ganhar é assumir as nossas convicções, pois aqui nesta cidade já há pouco para perder, porque já perdemos demais. Também, como não existe nada de politicamente visivel nos próximos tempos, considerei este momento como uma oportunidade de concretizar um projecto político, cuja construção merece ter tempo de maturação, que é essencial para nos conduzir a vitórias ulteriores. Mas sem esquecer que essas vitórias devem ser merecidas, que os seus proponentes sejam dignos da confiança dos eleitores enquanto seus representantes políticos, que o partido seja mais vitorioso que as suas figuras.
Espero por isso, que mesmo nas duvidas conscientes das nossas reflexões, vença sempre a esperança porque essa tem menos a perder do que os desânimos e as inspiradas desistências de "remar contra a maré".

É assim hoje, quando a cidade voltou à ladaínha habitual e passados 6 meses...! Nem qualquer dos gritantes problemas está resolvido e menos ainda se parece saber o que é feito da oposição dinâmica prometida a este presidente de Câmara.
Francisco Assis têm-se manifestado pouco, parece esperar com cuidado pelos embates internos do partido para iniciar o trabalho que se reclama há algum tempo. Manuel Pizarro, deputado, habitual número 2 de Assis, actual número 2 de Nuno Cardoso na concelhia, prepara-se provavelmente, para ser novamente número 2 de Orlando Gaspar na Concelhia do Porto. É, portanto, surpreendente que os elementos mais próximos de Assis, como Pizarro, Ana Maria Pereira, José Luís Catarino, Fernando Jesus, etc, estejam afincadamente a apoiar a candidatura de Orlando Gaspar. Como todos sabem, e se não sabem ficam a saber, Orlando Gaspar sempre apoiou o candidato ganhador à Federação. E também devem saber que na concelhia do Porto só existiram dois presidentes, Orlando Gaspar (12 ou 13 anos) e Nuno Cardoso (no ultimo triénio) que foi apoiado pelo primeiro.
Nuno Cardoso inibiu-se de qualquer candidatura, inibiu-se até de uma participação activa.
Narciso Miranda reclama que não há voz para o Porto, mas não diz se a voz será a sua, nem sequer que assuntos deveriam essa voz enfatizar.
Renato Sampaio, parece tomar a dianteira para a substituição de Assis na Federação, com apoio deste último. Em troca Assis terá de pagar a factura de apoiar a solução concelhia supostamente vencedora.

Efectivamente adivinham-se tempos difíceis, mas se tantas vezes a democracia já ofereceu resistência ao pratos pré-confeccionados, julgo que agora estamos perante a mesma situação. Será que não restam dúvidas de que a orgânica partidária funciona mesmo assim? Será mesmo?

Serei eu e os que me acompanham, apenas uns diletantes personagens secundários deste enredo? Ou será preciso esperar pelo fim para ver como acaba?

Para terminar gostaria que soubessem que continuo convencido que pode haver surpresa. No entanto, e se mais nada se pedisse, já nos poderiamos regozijar por vislumbrar que o fino tecido que aquele alfaiate aldrabão conseguiu impingir na corte a alguns, fez com que todos vissem que anda por aí muita gente nua!

6 comentários:

Antonio Almeida Felizes disse...

..
Caro Avelino,

Todos nós conhecemos estas tácticas astuciosas que unicamente visam a preservação dos lugares em detrimento da substancia política..

Todavia, muito mais importante que estas manobras “aparelhísticas” (a qualquer preço) que visam unicamente a sobrevivência política e a perpetuação nos lugares, são as causas, são as ideias, as crenças e os projectos. É neste terreno que se tem de vincar a diferença. Só com ideias e projectos muito fortes (não precisam de ser muitos) é que se consegue tiram as pessoas desta apatia e mobiliza-las para a acção.

Seja como for, mais tarde ou mais cedo a ruptura tem que acontecer e os protagonistas mudarão, assim o exige o Porto e o País.

Cumprimentos,

Antonio Felizes
http://regioes.blogspot.com
..

fortuna disse...

A exigencia será cada vezmais evidente.

pedro couto disse...

Neste xadrês de erros repetidos à exaustão seriamos todos peões se não ousássemos levantar a nossa voz contra o que consideramos injusto.
Não consigo perceber como se aceita esta perpetuação de protagonistas, ainda que seja na sombra, levando a que a renovação se vá fazendo sem realmente se fazer.
Acredito que existe uma oportunidade de romper pela primeira vez a espessa cortina de ferro com que o partido se isolou da sociedade.
Esta estrutura, que se foi reproduzindo de forma viciosa até ao isolamento presente, foi muitas vezes questionada no passado, mas aqueles que a criticaram cederam à pressão e silenciaram a sua voz.
Espero que encontrem na candidatura do Avelino uma nova força para acreditar que é possível alterar o rumo do PS Porto.
Muita gente me tem dito que irá votar no Avelino, mas que não o ousa dizer por medo de represálias, de traição de "amizades" ou quaisquer outras lógicas deturpadas de uma lealdade castradora.
Tenho pena, porque não é isso que se espera da geração que fez Abril.

Mª Lurdes Delgado disse...

Eu não sou militante, mas leal votante, e estou estarrecida. Isto ainda é possível?

AM disse...

Cara Mª de Lurdes

Se o Avelino diz que é assim, pode crer que (de certeza) é ainda muito pior...

Espero (no sentido de ter esperança) que o Avelino consiga os seus objectivos e que, destes, faça parte acabar com essa pouca vergonha.

Ó só não percebo como é que ele (e o Daniel Fortuna ) aturam semelhante corja.
Eles já me tentaram explicar, eu é que ainda não percebi...

AMNM

Mª Lurdes Delgado disse...

Caro Amnm,
Sabe que o que li me fez lembrar O Padrinho, e ainda por cima, sem o Marlon Brando, o Al Pacino {como eu gosto do Al Pacino!} e o Robert de Niro?
Como já deve ter percebido eu pertenço àquela geração que a torto e a direito dizia: Eu assumo! Claro que hoje já não o digo, mas fica sempre qualquer coisa desse tempo de juventude, principalmente, julgo eu, se tiver sido vivida com uma certa rebeldia. Ora, por honestidade intelectual eu faço sempre a minha declaraçãozinha de interesses: votante no PS, patati, patata. Nunca me dei mal, até tenho cartões manuscritos do dr. Mota Amaral e do dr. João Amaral muito carinhosos, respondendo a questões que lhes coloquei. Pois é, cá em casa também se riam com a minha pachorra e muito mais com a deles. Claro que votei no Sócrates, a primogénita votou no BE, os outros dois no PS e o pobre que me atura não sei, porque ele nunca diz. Tenho a certeza que não foi no Paulinho, acha-o um fascista disfarçado, e quanto ao "menino-guerreiro" nem sequer lhe achava graça ao contrário de mim, que já não me ria assim desde o PREC. Eu desconfio que votou no Sócrates.
Aqui nós fazemos sempre um pic-nic na sala grande, quando há eleições ou futebois grandiosos para que são convidados amigos da prole, de esquerda ou do mesmo clube. Assim ou ficamos todos contentes ou todos tristes. Nas últimas legislativas a dúvida era só a maioria absoluta, donde eu ter Dom Pèrignon, se se conseguisse. Claro que festejamos ruidosamente, os nossos vizinhos debaixo deviam estar de lágrima no olho, e lá foi o Dom Pèrignon. Para eu não desperdiçar euros com esta Mafia, peça aos seus amigos, que me expliquem bem num post, as razões para manter uma lealdade que vem das eleições para a Constituinte, {pois é o MES fazia mais o meu estilo, mas eu votei PS}, senão como por princípio não me abstenho passo a votar em branco. Pode ser uma coisa pequenina, que não dê muito trabalho, mas já agora que seja convincente
Sempre cordialmente e grata pela paciência {agora vou visitar os meus amigos do Espectro}