segunda-feira, maio 04, 2009

direito de resposta

"Caro Fortuna,

relembro apenas que nunca há «investimento do estado», mas sim utilização presente de dinheiro retirado dos contribuintes ou assumpção de dívida em seu nome para pagamento futuro.
Ora quer-me parecer que as pessoas estão já suficientemente espremidas, para que, numa altura de crise se lhes imponha ainda mais sacrifícios, que certamente em nada ajudarão a qualquer retoma, apenas agravando a situação.
Acresce que sempre me pareceu mais avisado que cada um possa decidir onde e como investir, se para tanto tiver possibilidade, pois que conhecerá melhor as reais possibilidades de retorno, com a grande vantagem de se a coisa der para o torto apenas haverá um prejudicado, ele mesmo.
Ou na ausência de capacidade própria ou condições concretas para investir, quiçá conseguirá amealhar alguma coisa, o que se tornará vantajoso para evitar desperdício e uma reserva que lhe será útil se a coisa se prolongar e o afectar ainda mais.
Ao invés, as despesas anunciada pelo governo sabe-se desde logo que pesarão no contribuinte, mas desconhece-se se produzirão algum outro efeito para além de reduzirem a riqueza individual, prejudicarem a concorrência leal, suportarem artificialmente empresas falidas e aumentarem encargos permanentes do estado."
Então, meu caro Gabriel, dogmas neoliberais agora???

Investimento é sempre investimento, seja do estado ou de privados. Pode é ser bem sucedido e ter retorno (havendo, como é obvio, vários tipos de “retorno”) ou não. Não é preciso enumerar casos, pois não?

Mas vamos ao que interessa. O que se trata aqui é de emprego e tão só isso. Num cenário pré crise-sobre-a-crise poder-se-ia discutir as opções de governação e até as grandes e pequenas obras enquanto possibilidades de retorno e que tipo de retorno. Neste cenário, trata-se apenas de amenizar a avalanche de desemprego, injectando dinheiro na economia através de um programa de investimentos que, para além de dar continuidade a algumas das grandes obras que já vinham de trás, acelera algumas reformas (caso das escolas) na expectativa de que isso ajude a segurar o emprego (para falar só do “investimento“).
Não fosse a “crise” eu próprio defenderia outras opções distintas, embora nada de acordo com as vossas opiniões liberais. Porque francamente, embora seja apelativo o discurso do mercado livre e das opções individuais, etc., meio copy paste da realidade americana, cá as coisas não são assim. Portugal é um pais pequeno e não tem massa critica para o surgimento de “motores da economia”, nem cultura de empreendedorismo minimamente capaz. Mesmo nos Estados Unidos a coisa deu no que deu… O mercado livre tem sempre esse outro lado, não adianta criar ilusões. A transposição dessa realidade para uma comunidade como a nossa, diminuindo os encargos com os impostos, na expectativa de que a sociedade, por si, encontraria caminhos empreendedores que levassem ao bem estar social é simplesmente mentira. Podemos especular sobre o que seria, mas basta termos presente que pelo menos desde o Marquês do Pombal que o estado é o grande motor da realidade portuguesa, isto com mais impostos ou menos impostos, com mais liberdade ou menos. Genericamente, foi enorme a incapacidade da sociedade criar riqueza, e quando o fez, foi sempre às custas dela própria desistindo até de explorar outros mercados.
Agora as infra-estruturas, as tais que alguns não consideram investimento porque o retorno é duvidoso, eu não me consigo recordar de nenhuma que fosse promoção de investidores privados (como é a linha férrea por exemplo nos Estados Unidos). Dizer que o retorno é duvidoso é mesmo uma coisa grave. Que tal dizer que o investimento na Ponte 25 de Abril ou na Ponte Vasco da gama foi de retorno duvidoso a quem vive na margem sul. E o Aeroporto do Porto, terá sido de retorno duvidoso? E os dois mil e muitos km de linha férrea no sec. XIX (bem mais do que no sec. XX), também foram de retorno duvidoso? E o porto de Leixões também terá sido de retorno duvidoso? Bom, é claro que duas refinarias num país tão pequeno se vieram a revelar desnecessárias, assim como alguns estádios, assim como algumas piscinas municipais, que estão quase vazias, mas era melhor não fazer nada? De acordo, era melhor ponderar muito bem. Mas e não foi isso que fizeram sucessivos governos com os TGV’s e com os Aeroportos e quejandos.
Explica lá Gabriel, como é que essa estratégia avisada do “cada um possa decidir onde e como investir” iria infra-estruturar o país. Ou não é preciso infra-estruturas, a exemplo das repúblicas nórdicas, que são ricas com meia dúzia de estradas e um comboio quase a vapor? Será que não lhes ocorre que a densidade populacional baixa, os imensos recursos naturais e a herança cultural são bem mais relevantes nessas economias do que as infra-estruturas que as possam suportar. Ou alguém acredita que é uma história do tipo “pouparam dinheiro - construíram escolas - inventaram a nokia - e agora são ricos”?
Gabriel, tu lembras-te, em 2005 era a Espanha, e o milagre irlandês, as faces do neoliberalismo na europa. Afinal a riqueza era no primeiro caso suportada pela imigração de africa e o respectivo reforço da mão de obra barata e produtiva, no segundo do investimento massivo norte americano na industria informática. E já perderam a face, ou há alguém que queira ser espanhol por estes dias?
Voltando à questão, a mim parece-me que a melhor estratégia é ainda a que o governo vem ensaiando na parte que diz respeito às energias renováveis e que devia alargar a outras áreas; parcerias publico-privadas em que seja possível usufruir do dito investimento publico e de mecanismos de gestão mais ágeis. É claro que isto implica outras instancias o que não sei se estará a acontecer, nomeadamente uma muito maior qualificação das estruturas dos ministérios e das entidades reguladoras (sobre estas haveria muita coisa a dizer). Porque onde o governo pode ser mais criticável não é na parte da decisão politica, e sim na operacionalidade dos meios que tem utilizado e que muitas vezes não domina. Por exemplo, eu não tenho dúvidas que o programa de renovação das escolas é um bom programa, acautela o futuro, produzirá certamente algum tipo de retorno e ajuda a combater a crise. Já tenho dúvidas é relativamente à forma como está a ser feito, através da Parque Escolar, ainda que compreenda a vontade de acelerar os processos.
Na verdade, aquilo que deveria preocupar os cidadãos, principalmente da direita, que é por exemplo a verificação da acção politica de quem está a governar, tambem nas autarquias, não parece interessar muito. Interessa é lançar atoardas do tipo “Socialistas despesistas” ou especular de forma ligeira sobre uma previsão de um défice que está condicionado à partida a ser alto. Eu já não gostei muito daquele pequeno truque que o meu governo usou em 2005 sobre o défice, especulando sobre o que seria se o governo da coligação tivesse continuado. Mas quando a Europa toda já abandonou os critérios de convergência vir falar sobre uma previsão de 6,7 para um défice que antes da crise estava controlado nos 2,7 é pura e simplesmente desonestidade intelectual, não é defender alternativas. Alternativas que, a propósito, não existem. E é por isso que o PS vai voltar a ganhar as eleições, se tudo correr bem com nova maioria absoluta. Porque as pessoas percebem bem os defeitos e as fraquezas dos políticos e esta oposição é isso mesmo, um somatório de fraquezas, contradições e larachas.

Um abraço

10 comentários:

JP Santos disse...

Eu bem sei que isto do "neoliberalismo" corresponde mais a um "insulto", como antigamente se usava "comuna" ou "fascista", do que a alguma categoria política-ideológica bem definida, mas daí a dizer que em 2005 (ano em que o PSOE já estava no poder) a Espanha era uma das "faces do neoliberalismo na Europa" é capaz de ser um pouco de exagero... Qualquer dia ainda chegamos à conclusão de que o PS tem seguido políticas neoliberais.

Anónimo disse...

Républicas nórdicas??!??

Anónimo disse...

Nokia?!?

Anónimo disse...

2000 e tal km?!??

Gabriel Silva disse...

Caro Daniel,
Só vi agora o teu ensaio, e por falta de tempo pego apenas num ponto.

Os ditos «modelos» espanhois e irlandes.
No primeiro, recordo que mesmo com um governo socialista o seu objectivo foi o de colocar as contas em dia, chegando ao ponto de o estado ter superavit, reduzindo significativamente também a divida externa. Coisa que por cá não sucedeu, antes pelo contrário, aumentou.
E sim, os espanhois estão em melhor situação, pois que se os 20% de desemprego e deficite de 2009/2010 serão superiores aos nossos, a melhor situação financeira permite precisamente arcar com os custos sociais directos dessa situação, sem hipotecar futuro, existindo maior flexibilidade que permitirá recuperar mais cedo.
Cá não, após empobrecimento, empobrecimento será.

Sobre a Irlanda fico pelo seguinte: em 2000 tinham 110% do rendimento per capita da média europeia. Em 2008 chegavam a 145%. Este ano perderão 5 a 8% e mais algum no próximo ano.
Portugal desde 2001 perdeu 7% estando neste momento com 71%, baixando obviamente nos próximos anos.
Não sei, eu continuaria a preferir ser irlandês.

Anónimo disse...

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