segunda-feira, maio 29, 2006

Cá p'ra mim vens de carrinho, ou então...


No DN:

O título do seu livro é Mudar o Poder Local.
Mas o que o defende é uma mudança mais ampla.
....A reflexão que faço é antiga, e defendo que o papel dos políticos - os que querem o desenvolvimento do País acima de qualquer outro objectivo - deve ser de tentar destruir este regime.
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Temos um regime que foi tomado, numa lógica perversa, pelas corporações que já mandavam em Portugal antes do 25 de Abril.
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Para mudar o sistema são precisos políticos com coluna vertebral.
E em Portugal temos políticos que não são mais do que marionetas ao serviço de interesses obscuros.
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As áreas mais visíveis, que constituem tumores da democracia, são as obras públicas, onde há um tráfico de influências generalizado e que convém atacar pela via da intervenção da justiça, mas também ao nível da gestão de urbanismo.
Como sabemos (????????), a maioria dos partidos e da vida partidária é financiada por empreiteiros e imobiliárias.
Depois há as contrapartidas...Cada financiamento tem sempre um pagamento: a contrapartida que normalmente pedem é o favorecimento na avaliação de determinados projectos imobiliários.
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A campanha das autárquicas no Porto foi paga pelos empreiteiros?
Não queria estar a concretizar, mas a maioria do financiamento dos partidos e, sobretudo, o financiamento da vida de muitas pessoas que andam à volta dos partidos, depende de empreiteiros e promotores imobiliários.
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Quando fala de políticos com avenças dos empreiteiros está a referir-se a pessoas do seu partido...
De quase todos os partidos.
Infelizmente em Portugal há um bloco central de interesses.
O problema do tráfico de influências atravessa transversalmente todos os partidos, sendo que se exerce com maior relevo nos partidos do poder.
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Quando foi afastado das listas do à Câmara do Porto disse que "enquanto Rui Rio for presidente e tutelar o urbanismo não haverá vigarices".
Mantém a afirmação?
Ao sair tomei a decisão de não me pronunciar durante quatro anos sobre a vida autárquica no Porto. ..
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antigo vice-presidente e vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Paulo Morais, lança amanhã à noite, no Café Majestic, o livro Mudar o Poder Local.
Em entrevista ao DN, fala do polémico projecto Quinta da China, que chumbou e agora é aprovado por Rui Rio, e do financiamento de empreiteiros a "muita gente que anda à volta dos partidos".
Na obra, apresentada por Maria José Morgado, revela que
figuras do PSD o pressionaram a aprovar projectos imobiliários.
O Ministério Público tem "informação bastante para intervir", assegura.

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Foi afastado das listas do PSD-CDS/PP à Câmara do Porto por alegada pressão de empreiteiros

Paulo Morais
Professor universitário "
Nem me abalanço a comentar estas enormidades assim a quente, por isso peço o apoio de quem (por militar em partidos) saiba mais disto que eu...
Não nego que a imagem que tenho deste senhor é a de um político reles, demagogo e desonesto (obviamente, para quem não souber ler, falo de honestidade política), no entanto...
Deixo algumas questões que me parecem pertinentes:
  • Este Paulo Morais ainda é militante do PSD ou já foi expulso do partido?
  • De que forma devem os políticos tentar destruir o regime?
  • Quem serão os políticos que, no entender de Paulo Morais tem coluna vertebral?
  • (pistas: Cavaco Silva, Rui Rio, Marques Mendes...?)
  • Sabemos que a maioria dos partidos é paga por empreiteiros e imobiliàrias ?????? (eu não sei de nada, e vocês?)
  • O ministério público (que, segundo ele tem informação bastante para intervir) está à espera de quê?

Em minha opinião das duas três:

Ou isto tudo (ou parte) é verdade e tem consequências de monta, ou seja políticos, empreiteiros e promotores imobiliários na cadeia.

Ou Paulo Morais, ele mesmo, vai para a cadeia por calúnias e difamações

Ou então

Isto é mesmo uma

REPÚBLICA DAS BANANAS

(com Cavaco ou sem Cavaco)

António Moreira




4 comentários:

maloud disse...

Eu também li a entrevista e fiquei abismada, até porque ele diz preto no branco que a cedência da Quinta da China é uma ilegalidade. Descodificando, Nuno Cardoso comete uma ilegalidade, 1º mandato de Rui Rio, com Paulo Morais repõe-se a legalidade, 2º mandato de Rui Rio, sem Paulo Morais torna tudo à estaca zero.

AM disse...

Cara Maloud

Eu acredito que muito do que o PM insinua seja verdade, agora o que não acredito (até porque já o vi a "actuar") é que ele seja melhor do que os que denuncia.

Terá visto a forma de actuação do Rui Rio, a forma como criou a ficção de honestidade e seriedade e pensou imitar o mestre ("matando-o" no processo).

Consegue os seus 15 minutinhos mas não passa disso.

Tão reles (pelo menos) como o que, mais uma vez, insinua denunciar sem todavia ter coragem para tal.

Parece uma "tourada à portuguesa" em que se espetam umas farpas no bicho enquanto se fazem juras de amor eterno, sórdido numa palavra.

AM

Anónimo disse...

A 2ª grande forma de financiamento partidário são as empresas municipais (que não são fiscalizadas pela oposição) e o negócio da privatização e concessão do abstecimento de água.

Já repararam que as empresas municipais proliferam como cogumelos e algumas quase que não têm quadro de pessoal nem actividade, mas têm conselhos de administração remunerados e assessores?

José Manuel

Pedro disse...

Nunca vi um empreiteiro fazer um pagamento a um politico. Mas sei sempre que politicos vão apoiar determinados empreiteiros.
E sempre em detrimento do interesse público.