segunda-feira, maio 29, 2006

Deve ser do calor...


Durante este fim-de-semana apenas dei apenas uma vista de olhos pelos "blogs", mas apercebi-me que um garoto qualquer tinha relançado a ideia (ciclicamente renascida) de que o regime anterior ao 25 de Abril (chamem-lhe estado novo, salazarismo, ou o que quiserem) não podia ser, se queremos ser correctos e rigorosos na terminologia utilizada, designado de "fascista".
E pronto
Sob os aplausos da restante ganapada, um qualquer cretino dos que adoram perguntar ao espelho se há alguém mais inteligente que eu (em geral são até professores universitários que já deixaram de acreditar no pai natal e na branca de neve mas ainda acreditam na virgem e nos pastorinhos) vem teorizar que face ao corte de cabelo de Salazar, ao comprimento das patilhas dos saloios do Ribatejo, às notórias diferenças entre as fardas da mocidade portuguesa e das suas congéneres de outros países, assim como se atenderemos à tradicional estupidez e falta de profissionalismo tipicamente tuga dos pides, o regime não pode, do ponto de vista formal ser apelidado de "fascista".

Ora estando este ponto assim demonstrado, tem que se concluir, para mentermos o mesmo rigor, que o tal regime seria então, de certa forma, uma versão de "democracia", se bem que inteligentemente adaptada às características muito específicas deste país e do seu povo, mas, nem por isso, menos "democracia".

Donde se infere então que quer os "resistentes anti-fascistas", quer os "capitães de abril", quer a cambada de (uns mais outros menos) comunas que tem propagado estas e outras mentiras desde o 25 de Abril de 1974, assentando nessa propaganda a sua legitimidade, são afinal uns embusteiros e criminosos que deveriam, esses sim, estar, há muito, atrás das grades.

Não vale sequer o trabalho de desmontar a qualidade do raciocínio que seria igualmente capaz de afirmar que um qualquer cão rafeiro (se bem que nunca este claro), pelo facto de não ter as características rácicas puras de um verdadeiro "lobo da alsácia" não pode, para sermos rigorosos, ser considerado um "cão" de pleno direito e que, por esse facto será, com certeza, na verdade um simples gato ou até mesmo um coelho que nos tem perfidamente andado a iludir.
O que é sempre agradável de ver é que, a essa canalha, basta o facto de haver uma quantidade apreciável de imbecis mentecaptos sempre prontos a aplaudir de pé as suas enormidades para lhes encher o ego, pelo que, em termos práticos, não são piores nem mais importantes que inofensivas melgas, cujo zumbido incomoda, a picada provoca irritação, mas não provocam grande mal.
Pois, e com umas sapatadas bem dadas, vai-se conseguindo acabar com alguns e afastar os outros por mais algum tempo.
Haja pachorra
António Moreira

7 comentários:

rb disse...

Bela posta AM!

maloud disse...

É o que dá ler o Insurgente. Uns estoicamente resistem, outros ficam com o raciocínio transtornado.

AM disse...

Obrigado Atento :-)

AM

AM disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
AM disse...

Pois Maloud

Mas fico sem saber se acha que sou dos estoicos ou dos transtornados....


(não diga por favor):-)

AM

maloud disse...

Claro que está no grupo dos estóicos. Porquê? Havia alguma dúvida?

AM disse...

Hehe Maloud

O que eu tenho sempre e muito é dúvidas
(não sou como o "outro")

Obrigado
AM