domingo, maio 15, 2005

episódios na vida de um País

Este povo português que já foi meio dono do mundo parou para vêr o mais excitante acontecimento do ano! Ali para os lados do Colégio militar, em frente ao maior e mais feio centro comercial da europa havia um evento.
Uns disfarçaram-se de verde (deviam ser ecologistas) e outros trajaram com faixas, pinturas, e mais o que lhes conviesse na mona, de vermelho.
As Tv's registavam uns autocarros a meio da tarde a passarem pelo meio da cidade. Os helicópteros sobrevoavam a vetusta Lisboa à procura de aglomerados e quezilias por onde o povo andasse.
Nos écrans as familias portuguesas, bem portuguesas (como a Megre) dividiam-se nas cores e nas letras da berraria. Houve tempos em que os Megre haveriam de ser Silvas ou Motas, ou assim, mas agora não, tinham sofás de Couro, camisetas Sacooooooor, cabelos aprumadinhos, mães com wonderbrás, tias e primas jeitosas como o caraças. O século XXI no expoente do seu paradigma doméstico. As pronuncias eram irritantemente agudas e acabavam sempre na boca de todos ainvariavelmente esticar a ultima silaba.
Portugal estava feliz, afinal já há muito que não havia campeonato como este!
Os jornalistas sorriam com envergonhada malicia tendênciosa e as esplanadas transbordavam a alegria pura do desporto. Portugal parou. Portugal era alí.
Depois veio uma jogatina. A Duras haveria de vêr gazelas naqueles Apolos, eu pobre de mim, só consegui vêr raquiticos. A espaços vi fiteirices, broncos, cuspidelas, até mesmo um gajo que parecia o Lecter. Mas no fim, ainda consegui vêr uma Galinha, mãe de todos os frangos, a saltar com uma girafa desconchavada. O Povo saltou em esplendoroso uníssono berro . Gostava de ter adivinhado se foi pela girafa ou pela galinha, mas saltaram, enlouquecidamente. Gritavam e abanavam as ripas de pano com dizeres. A multidão entoava as três letras do alfabeto: ésseélebê, ésseélebê,...!
Imaginei então a catrafada de pais de familia que deviam estar a essa hora a surrar a patroa ou a insultar os filhos. Lembrei-me daqueles pobres de espírito que não gostavam disto, ou se gostavam não era daquelas cores. Não sabiam nada da vida, não existiam na vida social, cultural e económica do Portugal moderno.
Depois foi um vêr se te avias! Celebrações, empurrões, gritos, abraços e tudo o mais. Os outros anunciavam uma repetição qualquer para 4ª Feira e abandonavam cabisbaixos as ruas da cidade, encatrafiando-se em escuros caminhos, abandonando as celebrativas esplanadas.
De repente veio um estranho homem. Falava enviezado, com um misto de palavras latinas todas juntas, fez-me logo lembrar aquela personagem que Eco celebrizou no nome da Rosa, falando tudo misturado. No entanto, este homem fazia sentido: "Aún no temos ganados nada por isso hay que expectar por el proximo partido a vêr se pudemos haber campéóne. Él puebo va piano que esto é muito presto dopo nun se quexem de mi. Manca ganar àl Boavista y yó lo sei pro altres no aparerientam sapere. Eles adeptos hão que ter calma.
E lá fora pararam de repente os ésseélebês, de transistor na mão, ou a olharem as montras de aparelhos de televisão todos escutaram ....... "qé qél disse?"...."sei lá! A treta do costume, devia era ter metido o Mantorras mais cedo".... e continuaram.... "Ésseélebê, ésséélebê,......

(não perca o próximo episódio daqui a uma semana, só que agora no Porto, desta vez será sobrevoada a Avenida da Boapista, a a alameda das Antas, os jornalistas entrevistarão o Pobão e nós andaremos por aí, consta até que um tal sedento fará GRRRRRRRRR, e com sorte a sabedoria popular vencerá, os foguetes atiram-se na hora certa!)

4 comentários:

anarca azul disse...

Está grande, grandioso.
ve-se logo que és cá dos nossosmas está mesmo cool.

fortuna disse...

É sempre uma enorme alegria e satizfação ver-te discorrer desta forma brilhante. O que não faz um pouco de motivação, nem que seja pela negativa.

RS disse...

Está fantástico! Quem escreve assim não é parvo, nem maneta!
PARABÉNS!!

MBC disse...

Muito bem. Domingo, às 18h00 (isto se o Calabote que for apitar ao Bessa não resolver prolongar o jogo por uma meia horita) lá nos encontraremos na Alameda a festejar.