sexta-feira, maio 27, 2005

Onde falhamos e onde não falhamos!

Desde que começou o Euromilhões, os Portugueses têm sido aqueles que têm sido mais contemplados neste concurso, até quando vivemos na Suíça! Porque os Portugueses para além de terem sorte aparentemente, adoram jogar, não resistem.
Isto aparentemente não tem nada a ver com o que vou dizer a seguir. Aparentemente.
Levantei-me de manhã e apeteceu-me tomar um café e comer um bolo na pastelaria do lado. Paguei e desandei.
Como não tinha fruta em casa, passei pela feira da Senhora da Hora e comprei fruta. Aproveitei e comprei flores e como me lembrei que as crianças estavam com as meias já meias gastas e pijamas curtitos, também comprei. Paguei e desandei.
À vinda para casa, não é que o carro deixou de travar direito e começou a fazer um barulho estranho. Passei pelo Sr. Chapas que me fez o favor de dar um jeito no carro. Paguei e desandei.
Fui buscar os miúdos à escola, e vim para casa onde engoli qualquer coisa. Na hora em que lavava a loiça, o cano resolveu entupir e tinha uma chatice das antigas se não fosse o meu amigo Sr. Mãos Rápidas. Sim se não fosse ele estava tramada, mas foi simpaticíssimo e resolveu-me o problema. Só tive tempo de pagar e desandar rapidamente.
Desandar para o médico que já me atendeu com um pouco de mau humor porque cheguei um bocadinho tarde. Paguei rapidamente e desandei, antes que ele nunca mais me atendesse numa próxima vez.
Depois disto tudo percebi que já eram horas de voltar a buscar as crianças à escola e levar uma ao “CHIQUI PARQUE” a uma festita de um amigo e outra à explicação. Na ida como me esqueci de comprar o presente parei rapidamente numa papelaria perto e comprei a prenda, jornais e dois maços de cigarros. Paguei e desandei.
A minha outra criança levei-a à explicação de Física, porque anda com más notas neste período escolar. A professora dele privada é fantástica, e foi mesmo sorte encontra-la, pago um bocadinho caro e ela não passa recibo, mas como não percebo nada de Física não tenho outro remédio. Pago e não bufo.
Estou estourada, mas vou ainda aproveitar, enquanto espero pelos miúdos, para passar na Sra. Bigodis para lavar a cabeça e dar um jeito nas unhas que estão uma miséria. Atrasadíssima, pago e desando ainda como cabelo por secar totalmente.
Finalmente, vou para casa fazer o jantar e sentar-me tranquilamente a ver televisão e a ler os jornais e revistas que comprei. Estou estourada e com a carteira vazia. E como estive cheia de pressa todo o dia não pedi nenhuma factura do que comprei.
Fui mesmo Parva, sabem porquê? Porque hoje ouvi no rádio do carro, a caminho de casa, e depois deste dia estourante, que o Governo vai criar um novo concurso, o FISCOMILHÔES.


Este concurso, o FISCOMILHÔES, é mesmo de aproveitar, só temos que pedir em todos os lados onde compramos e desandamos, as facturas de tudo que consumimos. E ao longo de um mês, temos que guardar todas as facturas cuidadosamente e envia-las, até ao dia 15 do mês seguinte, para o concurso FISCOMILHÕES.
Depois é só esperar o prémio que roda todos os meses. Este prémio é fantástico, porque 1 em cada 10.000 pessoas recebe o equivalente em dinheiro às despesas de consumo corrente.
Hoje não tenho nenhuma prova do que fiz ou paguei o dia inteiro, que vergonha. Mas acima de tudo não vou poder concorrer ao concurso do FISCOMILHÕES, que o NOSSO GOVERNO criou.
Amigos, companheiros, camaradas
Não podemos esperar pelo FISCOMILHõES, não podemos ser mais coniventes com cada fuga, temos que pedir recibo em todas as compras efectuadas. É que migalha também é pão! Somos todos chamados a dar o contributo para acabar de vez com a economia paralela senão queremos continuar a ser taxados mais e mais.

Raquel Seruca

4 comentários:

Cristina disse...

Ora eu fui ao mesmo café da Raquel nos somos amigas, então eu como sou muito mais forreta pedi a factura do consumo, bem uma francesinha, uma coca cola, o senhor do cafe deu-me um tiket - reclamei então o Governo não tinha imposto maquinas de registo automatico, ou ainda continua nakela historinha dos rolos de calculadora?

Tive que me chatear com o Senhor quando este me perguntou qual o valor que pretendia que ele colocasse lá no recibo manual, eu quero exactamente akilo que paguei, o senhor acomodou-se - é que passam lá uns ministros e outros ke levam facturas para despesa no valor de alguns almoços, serve para eles receberem mais dinheiro a titulo de ajudas de custo, fogo, a mim ninguem me paga nada ...

Depois e porque o estacionamento é pior que o teorema de pitagoras, fui ao bate chapas, arranjou-me o para choques e no fim pediu-me por favor para levar uma factura e pagar mais 19% de IVA, é que o Bate chapas tem que inventar facturas, nenhum cliente aceita pagar o Iva, já tentou incluir o iva no preço, mas perdeu metade da clientela.

De seguida fui tambem ao cabeleireiro fazer um pedicure, que as francesinhas não me deixam vergar, não é estas senhoras nem maquina registadora tinham?!!!

Depois cheguei a casa e finalmente passaram-me um recibo, foi o condominio, aqueles malucos , será que posso concorrer???

Rs disse...

Sabe Cristina
Isto também não me acontecesse porque sou uma melga! Mas só arranjo chatices e senti-mo muitas vezes uma trenga. Mas se não sou eu a começar por mim, como posso ensinar aos meus vindouros?
Um abraço Raquel

Cristina disse...

Bem mas exigir maquina de registo automatico na Restauração, aquelas que tem um ticket com numero da Venda a Dinheiro, IVa e tudo o resto (gestop) não é obrigatorio?

Se não é devia ser , ate para controle de custo dos proprios taberneiros.

rs disse...

Isto é o que se vê todos os dias. O problema são transações muito maiores onde existe um acordo de evitar o IVA entre o cliente e o vendedor, um para evitar pagar + 21% de taxa sobre o produto que compra e outro porque quer evitar ter impostos sobre receitas. Ou seja os dois extremos convergem no mesmo sentido. E como em muitos produtos não se tira nenhum proveito em declarar as transações porque não há beneficios possiveis, a convergência do comprador e do vendedor no evitar a taxa do IVA é aceite tranquilamente pelos dois numa clara comunhão de interesses. Por isso é que se têm que criar um sistema que afaste os dois extremos, pelo "Fiscomilhões" ou por outra coisa qualquer.